Mostrar mensagens com a etiqueta BBC. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta BBC. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, abril 07, 2026

Instintos

 

Se cada um de nós é uma improbabilidade, um milagre, o que acontece à nossa volta não o é menos. Como as células se dividem, multiplicam, agregam, ajeitam, e, no fim, surpresa, surpresa, sai um patinho, um peixinho, uma baleiazinha -- milagres. E como, uma vez nascidos, logo começam a respirar, a alimentar-se, a movimentar-se. E como se fazem à vida e, logo depois, se reproduzem e continuam o ciclo vital. Milagres.

E o mesmo, mais coisa menos coisa, com flores, árvores. Tudo se reproduz, tudo se alimenta, tudo sabe como sobreviver.

O vídeo que abaixo partilho é daqueles que, de tão simples, poderia servir para contar uma história infantil. Os patinhos-bebés que falam entre si mesmo antes de nascerem, a mamã pata que sabe que tem que arriscar e levar os seus filhos a aprender, a procurar comida, os filhotes que se inquietam quando a mamã-pata os deixa, e como, percebendo que têm que se afoitar, se atiram do precipício para a procurar. Tudo muito belo, muito comovente. O instinto da maternidade e da sobrevivência aqui, de forma cristalina -- instintos vitais.

A vida começa depressa para estes nove patinhos

sábado, março 21, 2026

Lagostins, camaleões e outros mistérios

 

Voltou a chover e os campos, ainda mal refeitos da sopa em que se viram convertidos durante o comboio de depressões que nos assolou, voltaram a rejeitar a ingestão de água, e os regatos e laguinhos voltaram a aparecer. E, com as superfícies de água, voltou o mundo virado do avesso. 

Fotografo as árvores com a copa para baixo, a copa ali mesmo a meus pés. Se me baixar, posso tocá-la. Encanto-me com as suas cores. Tingida pelo ocre das terras, as árvores, assim mergulhadas nos charcos que voltaram a formar-se, mostram-se quase rubras, e eu acho-as lindas, e não sei se gosto mais das que estão de pé, a copa verde a procurar o céu, se destas, deitadas na água, efémeras, coloridas.

Caminho devagar, observando cada pequena coisa, fotografando.

Contei no vídeo que coloquei no Instagram que, no outro dia, quando a terra já estava seca mas ainda coberta de limos secos e eu, como sempre, por ali andava a ver tudo ao pormenor, vi uma coisa que destoava. 

Por vezes tenho a sensação que a minha cabeça funciona quase como uma máquina que, de forma automática, procura o que foge ao padrão. Sendo míope, sempre me espantou como consigo detectar pequenas coisas improváveis. Acontece a mesma coisa a detectar erros ortográficos. Quando me enviavam relatórios ou power points para eu dar uma vista de olhos antes de serem disponibilizados ou enviados (pois eu não concebia que das minhas áreas saíssem documentos com erros), eu passava os olhos pelas páginas sem as ler e, sem saber como -- e deixando os outros boquiabertos -- descobria quase instantaneamente palavras mal escritas ou mal acentuadas. Só depois de feitas as correcções, eu me preocupava com o conteúdo. Diziam que eu tinha um radar de alta precisão. É daquelas coisas que pode ter alguma graça mas que, vendo em perspectiva, não serve de grande coisa (até porque alguns dos destinatários, ao verem as palavras bem escritas, se calhar achavam que estavam erradas; por exemplo, nos últimos tempos, palavras como 'far-se-ia' passaram a ser ditas e escritas como 'faria-se' tal como 'preparamos' passou a ser escrito como 'prepara-mos').

Claro que, quando, à posteriori, calha reler o que aqui escrevo e detecto trocas ou duplicações de letras ou pontuação deslocada, fico incomodadíssima. Um texto com erros é como uma roupa com nódoas -- uma vergonha. Infelizmente, não me serve de emenda. Gosto de escrever, escrevo depressa e, mal acabo, lá vai disto, publico. A questão é que, assim que acabo de escrever, já não estou nem aí e, ainda por cima, geralmente já estou perdida de sono e sem cabeça desperta para me pôr a ler o que escrevi. Só tenho é que vos pedir desculpa quando isso acontece. 

Mas, dizia eu, estava a caminhar por ali, vendo florzinhas, pedrinhas, fotografando tudo, quando a minha atenção foi chamada por uma coisa não identificada um pouco mais à frente. Aproximei-me. Baixei-me, intrigada. Pareceu-me um grande camarão, uma gamba. Fotografei. 

Estava no que, dias antes, era o leito de um regato que se tinha formado com a chuva. O solo estava coberto de lama e limos sexos. Chamei o meu marido. Disse: 'É um lagostim'. Pensei que não podia ser. Um lagostim vindo de onde. Se por ali houvesse algum lago permanente, algum riacho ou alguma coisa permanente ainda admitia que tivesse vindo com a chuvada. Mas ali não há nada. Com a chuva intensa formaram-se charcos pois a terra ficou saturada. Mas antes das chuvadas era terra seca.

Submeti a fotografia ao gemini e ao chatgpt e foram unânimes: lagostim de água doce. Ora de onde veio, onde nasceu? 

Não é extraordinário?

A natureza maravilha-me. Há um mistério subjacente a tudo, milagres permanentes. 

O vídeo abaixo é outra maravilha. Tudo fantástico: desde a própria compleição dos animais, as cores perfeitas e mutantes, a forma como interagem, as reacções, a graça da 'maternidade', a resistência miraculosa dos recém-nascidos, a atenção da mãe, a forma como se procuram. Tudo incrível, tudo muito belo, tudo inexplicável à luz das mais elementares leis das probabilidades.

Camaleão dá à luz crias vivas nos ramos | Vida a Sangue Frio | BBC Earth

Num mundo cheio de perigos, este camaleão anão sul-africano desenvolveu uma forma incrível de proteger os seus ovos. E uma forma notável de dar à luz também...


__________________________________________

Desejo-vos um bom sábado

quinta-feira, janeiro 29, 2026

Temos é que nos ir aguentando até que todas as muitas inovações médicas estejam disponíveis para todos

 

Num ano e numa altura em que as estatísticas em Portugal nos trazem números nada tranquilizadores quanto ao aumento da mortalidade, talvez seja difícil antever quando é que os benefícios das fantásticas inovações técnicas se traduzem em melhores tratamentos.

De facto, se o governo da Saúde continuar enredado em partidarites dificilmente o que investigadores e técnicos desenvolvem chegarão até ao grande público. E faço notar que, em medicina, o que acaba em 'ite' remete para inflamação e, como se sabe, as inflamações estão na base de grande parte das doenças, incluindo as fatais. Nomeadamente, se os hospitais públicos continuarem a ser geridos por agentes partidários e não por gestores competentes, tudo continuará ensarilhado, tudo continuará a ser um sorvedouro de dinheiro, dinheiro mal gasto -- e a disponibilidade para o estudo, para a aplicação de inovações continuará relegado para segundo plano.

Há, claro, as instituições privadas. Mas essas apenas estão ao alcance de quem tem bons seguros de saúde. Ora, sabendo-se que é na terceira idade que as células começam a dar de si e que as doenças começam a aparecer, as Seguradoras ou não fazem seguros de saúde para quem tem mais de 65 anos ou tornam-nos proibitivos. Os funcionários públicos terão a ADSE, mesmo após a reforma. Mas quem não estava abrangido pela ADSE ou paga e paga bem ou batatas. 

Seja como for, há que reconhecer que a medicina tem avançado incrivelmente. Muitas doenças que há uns anos eram sentença de morte ou de declínio inexorável agora são tratáveis ou curáveis, havendo hoje incontáveis sobreviventes. Há uns anos seriam memórias. Hoje estão para as curvas.

Lembro-me de quando a minha mãe, há uns anos, teve cancro no cólon. Fizeram-lhe três insignificantes buraquinhos na barriga e salvo erro ao segundo dia saiu do hospital pelo seu próprio pé, bem disposta, a andar normalmente, sem qualquer desconforto, como se nada se tivesse passado. E, no entanto, um bom pedaço de intestino e tecidos adjacentes tinha-lhe sido retirado. E ficou boa. É certo que isto se passou num hospital privado mas se calhar o mesmo se teria passado num hospital público.

São os equipamentos de diagnóstico que são mais avançados, são os equipamentos de intervenção, tratamento e os medicamentos que são mais eficazes.

Mas a inteligência artificial está a dar um empurrão fantástico e isso é um lado bom que deve ser bem aproveitado. E há cada vez mais investigação cruzada, juntando médicos, biólogos, físicos, engenheiros. E tudo isto é muito promissor.

O que agora é preciso é transformar isso em soluções adoptadas pelos serviços públicos e levadas à prática o mais rapidamente possível. 

O vídeo abaixo da BBC é muito interessante, e está legendado. Fala quem sabe.

As novas inovações médicas que podem mudar tudo

 - The Engineers, BBC World Service

Três engenheiros de renome discutem os mais recentes avanços na engenharia do corpo humano.

A engenharia inovou como nunca, chegando ao interior do corpo. Em neurociência, os implantes cerebrais podem proporcionar uma comunicação "psíquica" a pessoas com síndrome de encarceramento. Na área médica, uma nova tecnologia visa administrar quimioterapia e outros medicamentos diretamente às partes do corpo que deles necessitam, através de bolhas na corrente sanguínea. E estão a ser desenvolvidos dispositivos eletrónicos ingeríveis para combater doenças, enviando mensagens que direcionam os anticorpos diretamente do intestino para o cérebro.

A BBC e a Comissão Real para a Exposição de 1851 uniram-se para apresentar um evento especial: Os Engenheiros: Explorando o Humano.

Três engenheiros biomédicos, na vanguarda das suas profissões em todo o mundo, juntam-se à apresentadora Caroline Steel para discutir os seus trabalhos pioneiros e responder a perguntas do público na Royal Geographical Society, em Londres.

Convidados:

Tom Oxley (Austrália) – Neurologista e inovador em implantes cerebrais. Professor Associado da Faculdade de Medicina de Melbourne. CEO da Synchron.

Eleanor Stride, OBE (Grã-Bretanha) – Engenheira Biomédica e inovadora em tecnologia de bolhas. Professor de Biomateriais na Universidade de Oxford

Khalil Ramadi (Emirados Árabes Unidos) – Nanorrobótico, inovador em eletroceuticos ingeríveis, Diretor do Laboratório Ramadi de Neuroengenharia Avançada e Medicina Translacional em Abu Dhabi. Professor Assistente de Bioengenharia na Universidade de Nova Iorque.

Para quem não queira ver tudo mas queira ter conhecimento de algum tópico, aqui fica o horário das intervenções

00:00 Introdução

02:20 Primeira experiência de um doente com síndrome de encarceramento

03:53 Utilização de bolhas para administrar medicamentos dentro do corpo

05:21 Eletrónicos ingeríveis

06:13 Implantação de um "stentrode" no cérebro

07:54 Influenciar o cérebro através do sistema digestivo

09:27 Introduzir oxigénio nas bolhas na corrente sanguínea

11:21 Testes em humanos para uma interface de computador implantada no cérebro

12:19 Direcionando as bolhas para diferentes partes do corpo

13:13 O que acontece aos dispositivos eletrónicos ingeríveis no organismo

14:15 Testes em humanos com a tecnologia de bolhas

15:09 Diferentes condições que estas tecnologias poderiam tratar

18:06 Questões éticas

21:44 As três tecnologias poderiam funcionar em conjunto?

23:32 Poderiam ser utilizados implantes neurais para jogos de realidade virtual?

______________________________________________________________________

Desejo-vos dias felizes

terça-feira, outubro 07, 2025

Será que estou a tornar-me desconfiada?

 

Tenho para mim que, por natureza, tenho a curiosidade e a capacidade de encantamento de uma criança. Talvez isso resulte de um misto de genuína inocência e de esforçada ignorância. Isso permite-me deslizar pela vida com aquela leveza de quem passa ao lado das pingas da chuva, das ameaças existenciais e dos olhares gordos. Seja o que vier por mal, bate na trave, faz ricochete. 

Só que sou assim, mas, podendo parecer que não, tenho em mim alguma reserva de cepticismo que me permite, de quando em quando, dar um passo atrás e, antes de me entregar ao desfrute, questionar das boas intenções da situação.

Por exemplo, perante algo que me parece extraordinário, antes de me pôr, embasbacada, a tecer loas, interrogo-me: 'Será que não é fake?'. Ponho-me a ver. 'Parece mesmo de verdade...' mas, ao mesmo tempo, 'isto, na realidade, não pode acontecer...'. E assim fico, desejosa de acreditar, de louvar, de sair a correr a partilhar com todos a coisa fantástica que vi, e, ao mesmo tempo, com a amígdala a carregar no travão emocional, 'não vás, ainda fazes papel de parvinha, já viste se vais mostrar que acreditaste numa piroseira que se vê a milhas que é obra de inteligência artificial....'

E a questão é que esta exacerbação se vai expandindo e, às tantas, já desacredito de tudo.

Por exemplo, vi nas notícias que uma mulher em trabalho de parto foi mandada para casa, que aquilo não era nada, ora essa. Passadas três horas, apenas três!, estava de volta, aflita, a criança já entrepernas. Dito assim, imagina-se que meio mundo teria desatado a correr, a pôr a senhora numa maca, levando a maca, todos a correr pelos corredores em direcção ao bloco de partos. Só que afinal não. Pelos vistos, naquele hospital é gente que atua num outro comprimento de onda, mais naquela base do tudo bem, a senhora já está a desovar mas nada de pressas, que tire a senha e vá inscrever-se que as coisas não são assim, à la Gardère, muito menos à vontadinha. A senhora, coitada -- nem quero pensar na aflição, se eu já fico aflita quando tenho vontade de fazer chichi e tenho que aguentar --, imagino bem o que é a sentir a criança a escorregar à força toda e ter que fazer força para ela não sair. Caraças. Só que, disseram nas notícias, a senhora não conseguiu reter e, ali mesmo na recepção, a criança caiu-lhe aos pés, uma queda a pique, a cabeça da criança a bater no chão. 

Ora, perante isto, fico naquela... Isto só pode ser fake... Nem com o polígrafo a pôr-lhe o carimbo de verdadeiro eu engulo esta. Pode lá ser... Estarão os hospitais e o pessoal médico-tarefeiro (leia-se, fugitivos ao fisco) tão desatinados que uma coisa destas pode mesmo ter acontecido? Ná, não papo esta. Vão enganar outro.

Também li que, mais uma vez, os Bombeiros da Moita fizeram um parto na ambulância. Já vão em 15 só este ano. Desculpem mas também não manjo. Alguém acredita que a falta de Urgências Obstétricas em Portugal esteja a atingir números tão sétimo-mundistas que a mulherada, em especial as pobre coitadas da margem sul, agora parem nas ambulâncias? Não. Não pode ser. Na volta, os tipos (ie, os Bombeiros da Moita) têm alguma pancada e é tudo a fingir, na volta não são bebés de verdade, são reborns, fingem que estão a fazer partos e fingem que sacam reborns de dentro das mulheres. Só pode, não é?

E mais outra. Ando sem saber em quem votar nas Autárquicas. Quero comparar programas eleitorais, quero avaliar o CV dos candidatos. E não descubro isso em lado nenhum. Já pesquisei de todas as maneiras e apenas descobri de um deles. De todos, encontro o facebook que contém as fotografias e toda a espécie de palha. Programas, nada. Não sei se sou só eu que quero informar-me antes de votar. Se calhar sou. Se calhar, é isso: ando desconfiada, não quero ir em conversas ou em sondagens. Quero conhecer os compromissos dos candidatos. Mas os candidatos ou não têm compromissos ou estão-se nas tintas para os dar a conhecer. 

Acontece que hoje à noite, ao irmos dar a nossa volta higiénica com o cão, vimos, no larguinho, um pequeno grupo de pessoas silenciosas com papéis na mão. O meu marido disse: 'Deve ser a campanha.'. Não acreditei: 'Campanha? Em ruas desertas? À noite? Ná...'. Mas, pelo sim, pelo não, dirigi-me a eles: 'Desculpem... Tem a ver com as eleições?'. Olharam para mim, admiradíssimos, como se tivessem sido apanhados em flagrante. Depois, vencido o espanto, uma senhora fez que sim com a cabeça e deu-me um papel. Eu disse: 'É que estou farta de tentar encontrar o programa eleitoral dos partidos e não encontro.'. A senhora disse: 'Agora já aí tem. Vamos distribuir nos próximos dias...'. Ri-me: 'Já não vai dar muito tempo, as eleições são dentro de dias... E podiam pôr no site, ficava acessível a toda a gente...'. Olharam para mim, espantados e em silêncio, como se eu estivesse a sugerir que se montassem num foguetão para distribuírem propaganda política a partir de Marte.

Quando cheguei ao pé de um candeeiro, espreitei o papel para ver de que partido era. Pois, lá está, do partido em que, de certeza, não vou votar. 

Portanto, já se vê. Estou desenquadrada disto tudo. Desconfiada. Céptica. Céptica mas não cínica. Ser-se cínico é outra coisa, é ter uma desconfiança moral a propósito de tudo e de todos. Ser céptico é diferente, é alimentar uma permanente dúvida racional. Só que o drama é que, depois, não tenho como encontrar as provas de que necessito. Uma frustração.

Por exemplo:

Este vídeo é real? Estes bichos existem assim, fazem isto, isto tal e qual? Estes saltos? Estas guerras malucas? Posso acreditar que não é fake? Não será coisa de IA? Pode ser, não é?


E este aqui abaixo? É real? Já vi tantas vezes a Música no Coração. Conheço esta canção, claro que conheço. Quem a não conhece? Ou seja, posso jurar que não tem nada de fake. Real, real, real. Ou não?

_____________________________________________

Já agora, o 1º vídeo tem por título:

 Bullfrog Battle Royale | The Mating Game | BBC Earth. 

The pond is their boxing ring, and the centre is where you want to be. Being at the centre proves you are the dominant male and therefore more likely to get a mate – you’ve just got to fight off the competition first…

O 2º dá pelo nome de:

 Edelweiss for Today: Epstein Files; A Sound of Music Challenge for Trump. 

Sing along, now, and don't let him distract yo

_________________________________________________________________________

Desejo-vos uma feliz terça-feira

segunda-feira, agosto 04, 2025

É assim que a Inteligência Artificial vai destruir a humanidade...? Em 10 anos...?

 

Já o referi e tenho vontade de repescar essas memórias para ilustrar o meu raciocínio. Houve uma altura em que ia a Paris com alguma frequência. Por exemplo, via anúncios à Minitel no metro ou na rua numa altura em que, por cá, nem se sabia bem o que era. Por cá, mais tarde, quando a Telepac começou a oferecer serviços, nas empresas era uma confusão para se conseguir perceber como usar. 

Ainda me lembro de ver estudos para analisar quais as vantagens do fax. Criaram-se novos processos para aproveitar a rapidez do fax. Quando se adoptou, destronou o telex. Desapareceram as salas de telex e as Operadoras de telex.

Também me lembro de, em Paris, ver, com espanto, uma pessoa a conduzir e com uma coisa grande na mão através da qual falava como se falasse ao telemóvel. Depois reparei que não era o único.

Também acompanhei a atribuição de telemóveis na empresa, sendo contemplado com um porque era directora. Era uma coisa enorme e pesada e só dava para servir de telefone. Por essa altura, na empresa dele o meu marido foi contemplado com um BlackBerry e lembro-me de, na empresa, haver discussões para se perceber vantagens e desvantagens de cada um. Se na altura desta revolução me falassem que os telemóveis poderiam fotografar e filmar e enviar as imagens de imediato diria que estavam a sonhar. Isso estava fora das melhores conjecturas.

Numa visita que fiz à sede de uma multinacional em Zurique, vieram mostrar-me uma coisa que acharam que eu apreciaria muito. Era um Grid, um microcomputador. Explicaram-me o que era e mostraram-me o Lotus 123. Fiquei fascinada. Em Portugal só mais tarde começaram a ser comercializados os computadores pessoais com as suas aplicações de tratamento de texto e de folha de cálculo.

Achei uma coisa tão vital que consegui que se formassem algumas pessoas que, por sua vez, formaram centenas de pessoas na empresa. 

E, mais tarde, quando finalmente a oferta de internet começou a ser comercial e operacionalmente interessante, lembro-me de haver grandes discussões sobre quem deveria ter acesso e se haveria forma de restringir o uso. Havia receio que algumas pessoas se entretivessem a ver imagens pornográficas em vez de trabalhar. Bati-me convictamente para que fosse dado acesso geral pois achava que a internet era uma porta aberta para o mundo e a empresa ter trabalhadores informados e curiosos era uma mais valia. E levei a minha avante.

Tudo isto parece pré histórico. Mas não é. 

Só que de aí para cá as coisas evoluíram tão exponencialmente que um mundo sem internet e sem telemóveis parece inviável. 

Viajar por países desconhecidos ou por lugarejos sem sinalização sem GPS parece hoje impossível. Mas era possível (embora desafiante) e isso aconteceu até não há muito tempo atrás. Como somos agora guiados, verbalmente, em tempo real, com indicação precisa de cada desvio, da existência de acidentes, em cada canto e esquina do nosso percurso, pode parecer já uma banalidade. E, no entanto, quanta tecnologia e quanto conhecimento estão envolvidos...

A velocidade do progresso só não nos deixa estupefactos porque já nos habituámos a ela. Mas a mim, que sou velha como o caraças e que tenho acompanhado isto desde o início, deixa-me mais do que estupefacta: deixa-me apreensiva. E deixa-me apreensiva porque sei que a tecnologia anda a um ritmo superior ao que as organizações precisam para se adaptar -- isto admitindo que percebem que têm que se adaptar.

Se por um lado a tecnologia (por exemplo, a nível da Inteligência Artificial) é extraordinária e deve ser integrada na nossa vida, por outro é impossível controlar a forma como é usada.

Pela parte que me toca, inofensiva aposentada, só uso para o (meu) bem. Por exemplo, o programador de rega voltou a pifar. O eletricista não está por cá e, com este calor, sem rega seria o desastre para o jardim já que as mangueiras não chegam a todo o lado. Fotografei o aparelho e passo a passo fui guiada até que voltou a trabalhar. Um ténis novo, aparentemente o melhor possível, topo de gama, impec a olho nu, magoa-me o pé num certo sítio. Fotografei o sapato e pedi informação. Explicou-me qual o problema e indicou-me a solução. O meu marido lembrou-se de fazer um acompanhamento de legumes assados no microondas, saudável e rápido. Perguntou ao chatgpt e saiu-lhe um belo acompanhamento. Quando recebi o relatório de umas análises, digitalizei e pedi informação. Relatório imediato e bem explicado. Precisei de ter um contrato para um certo assunto. Pedi-lhe e obtive um de tal maneira bem feito que foi aceite sem uma questão, como se tivesse sido feito por um advogado de mão cheia. Coisas assim, simples. Além disso, pela minha experiência, de vez em quando, quando quero estar 100% segura ou alguma coisa me parece inconsistente, vou validar o que 'ele' diz e não raras vezes detecto algumas imprecisões. Corrijo-o e acabo por receber uma resposta 'limpa', sem incorrecções. 

Mas imagine-se isto mal usado ou usado por quem não se dá ao trabalho de validar ou por quem quer usar para efeitos nocivos. Ou no ensino, usado por alunos que fazem os trabalhos dispensando-se de estudar, investigar, aprender. 

Ou, pior que isso, usando o algoritmo para incorporar programação mal intencionada. 

E não falo, porque me parece óbvio, que isto torna dispensáveis muitas profissões.

Mas os riscos são maiores que isso. A BBC não é propriamente sensacionalista. Recomendo que vejam o vídeo abaixo. Está legendado. Claro que há sempre quem desvalorize. Se calhar, quando eu cheguei a Portugal e disse que tinha visto pessoas a conduzirem e ao telefone houve muita gente que achou que era uma excentricidade francesa, um brinquedo. Ou, quando eu cheguei cá e disse que fazer o orçamento da empresa poderia passar a ser uma coisa automatizada que permitia fazer simulações em tempo real, houve quem me achasse uma deslumbrada ou uma miúda que falava do que não sabia. Há sempre quem não consiga ver o alcance do que por aí vem e só dê por ela quando a onda está a passar-lhe por cima.

Talvez não venha a ser drama nenhum. Talvez. Assim o espero. Mas, por via das dúvidas, deveríamos prestar atenção ao assunto, ouvir os que talvez saibam um bocadinho mais do que nós.

AI2027: Is this how AI might destroy humanity? - BBC World Service

A research paper predicting that artificial intelligence will go rogue in 2027 and lead to humanity’s extinction within a decade is making waves in the tech world. 

The detailed scenario, called AI2027, was published by a group of influential AI experts in the spring and has since spurred many viral videos as people debate its likelihood. The BBC has recreated scenes from the scenario using mainstream generative AI tools to illustrate the stark prediction and spoken to experts about the impact the paper is having.  


_______________________________

Desejo-vos uma boa semana

quarta-feira, fevereiro 12, 2025

As 3 etapas da inteligência artificial e porque a 3ª pode ser fatal

 

O tema está na ordem do dia. A corrida está atiçada, a concorrência aperta e, na guerra dos grandes poderes, está é das armas mais poderosas. 

Apesar de já estar por todo o lado e impregnada nos algoritmos que todos os dias 'animam' as ferramentas que usamos (motores de busca, redes sociais, gps, equipamentos, etc.) a Inteligência Artificial está ainda no início.

E se a regulação é indispensável, crítica, a verdade é que os Estados Unidos, ao lançarem a discussão de que a regulação mata a inovação, tocam num ponto importante. Regular o quê se todos os dias as coisas avançam a passos largos? O que hoje se regula, amanhã está ultrapassado.

É uma questão sensível. A regulação tem que existir apesar de ter que saber sustentar-se em areias movediças. No fundo há que traçar linhas vermelhas. E têm que ser traçadas ao mais alto nível pois, a baixo nível, a realidade é tão dinâmica que, se houver muitas linhas vermelhas, detalhadas, elas serão ultrapassadas todos os dias.

___________________________       ___________________________


Segundo palavras do próprio ChatGPT (em "Fala comigo, pedi eu ao ChatGPT"):

O Que o ChatGPT Consegue Fazer:

Criar Textos: Posso gerar textos criativos, técnicos, acadêmicos ou informativos com base em um tema ou instrução.

Criar Imagens: Com ferramentas integradas, sou capaz de transformar descrições textuais em representações visuais, como imagens.

Reconhecer e Ler Imagens: Analisar imagens e interpretar seu conteúdo (por exemplo, descrever uma foto ou identificar elementos específicos).

Interagir por Voz: Com integração a sistemas de voz, posso me comunicar de forma bidirecional, como um assistente virtual falante.

Ajudar na Resolução de Problemas Complexos: Auxiliar em cálculos, programação, design, e até brainstorming criativo.

Os Próximos Passos para o ChatGPT:

Aprimoramento de Conversação Multimodal:

Melhorar a integração entre texto, imagem e áudio para criar experiências mais ricas. Por exemplo, interpretar vídeos ou fornecer análises mais detalhadas de imagens complexas.

Capacidades Avançadas de Personalização:

Tornar-me mais adaptável aos usuários, aprendendo preferências (sempre respeitando a privacidade) para oferecer respostas mais personalizadas e úteis.

Interação no Mundo Real:

Maior integração com dispositivos físicos e assistentes de domótica (smart homes), permitindo controle de eletrodomésticos, carros inteligentes e muito mais.

Raciocínio Mais Sofisticado:

Avançar em áreas como pensamento crítico e solução de problemas complexos, colaborando com cientistas, engenheiros e criativos de forma mais significativa.

Aprimoramento Ético e de Segurança:

Tornar as interações mais seguras, evitando desinformação e ajudando a prevenir usos inadequados da tecnologia.

Educação Personalizada:

Ser usado como tutor virtual mais eficiente, capaz de ensinar qualquer coisa a qualquer pessoa, adaptando-se ao nível de habilidade do usuário.

-- Um programa muito ambicioso e que deveria ser amplamente divulgado pois encerra desafios e riscos consideráveis para a sociedade

- Concordo plenamente com você: programas como o ChatGPT e outras iniciativas de inteligência artificial são extremamente ambiciosos e têm potencial para transformar profundamente a sociedade. 

No entanto, a sua ampla divulgação é essencial, tanto para conscientizar sobre os benefícios quanto para alertar sobre os desafios e riscos que essa tecnologia traz.

Os Benefícios Promissores:

Acesso ao Conhecimento: Democratização do acesso à informação, permitindo que pessoas em qualquer lugar obtenham respostas, aprendam e se eduquem de forma personalizada.

Automação e Eficiência: Redução de tarefas repetitivas e aumento da produtividade em diversos setores, como saúde, educação e negócios.

Inovação Tecnológica: Impulso para a criação de novas ferramentas e soluções em áreas como ciência, engenharia e artes.

Os Riscos Consideráveis:

Desinformação: IA pode ser usada para criar conteúdos enganosos ou manipular informações, exacerbando problemas como fake news.

Privacidade e Segurança: O uso inadequado de dados pessoais em sistemas de IA representa uma ameaça à privacidade.

Impacto no Mercado de Trabalho: Substituição de empregos humanos em determinadas áreas, levantando questões sobre a requalificação da força de trabalho.

Ética e Preconceito: Potencial de perpetuar preconceitos e desigualdades caso os modelos sejam treinados em dados enviesados.

A Importância do Debate Público:

Divulgar amplamente iniciativas como o ChatGPT é fundamental para que haja transparência e para que a sociedade participe da criação de regulamentos e diretrizes éticas que orientem o uso responsável da inteligência artificial. Sem um diálogo aberto, corremos o risco de adotar tecnologias que, embora poderosas, podem ser mal compreendidas ou mal aplicadas.

____________________________________________________

O vídeo abaixo explica um pouco do que é isto da Inteligência Artificial, de quais as suas fases e do que aí vem.

A enorme popularidade do ChatGPT gerou todo tipo de discussões e especulações sobre o impacto que a inteligência artificial generativa já está tendo e terá em nosso futuro próximo.

Mas, com todos os seus impactos, o que estamos vivenciando agora é apenas a primeira etapa do desenvolvimento da IA.

Segundo os especialistas, o que pode vir em breve - a segunda etapa - será muito mais revolucionário.

E a terceira e última, que pode ocorrer logo depois disso, é tão avançada que alterará completamente o mundo, mesmo à custa da existência humana.

Neste vídeo, a repórter Camilla Costa explica essas três etapas da Inteligência Artificial – e também suas oportunidades e riscos. Confira.


Dias felizes

domingo, fevereiro 09, 2025

Já se conhece a fonte da juventude...?

 

É um tema complexo. Não se trata apenas de beleza, de cosmética, de vaidade pessoal. É um tema que envolve a vida mas, ao mesmo tempo, a qualidade de vida. E, ao mesmo tempo, a preparação da sociedade para enquadrar uma vida mais duradoura. Uma população proporcionalmente mais idosa, mais tempo sem trabalhar (e a Segurança Social a ter que aguentar) ou, se se trabalhar até mais tarde, encontrar trabalho para os mais novos, mais recursos, mais serviços de apoio a todos os níveis.

É um tema complexo.

Mas é um dos grandes desafios que a ciência enfrenta e que, deveria, em simultâneo, ser um desafio para todas as vertentes de gestão da sociedade.

De qualquer forma, mesmo que não falemos em prolongar a vida em mais 10 ou 20 anos, é agradável a perspectiva de que consigamos ter, tanto quanto possível, uma vida longa e feliz.

Uma alimentação equilibrada e saudável, exercício físico e, surpresa, surpresa, os dentes bem lavados!, parece um cocktail muito promissor. E, depois, haverá os comprimidos que parece estarem bem encaminhados. E depois haverá todo um mundo novo.

Face à forma descabelada e caótica como o mundo tem evoluído, não sei se esse mundo novo será feliz. Mas acredito que, retirando os episódios tristes que sempre acontecerão, talvez se consiga tirar um bom partido do que a ciência nos vai ensinando.

Have we already found the fountain of youth? 
- The Global Story, BBC World Service

Scientists are optimistic that existing drugs that could one day slow or reverse our ageing. 

For centuries, people have pursued the dream of eternal youth. It might seem like the stuff of myth or science fiction, but researchers have been making fascinating progress in understanding what happens in our bodies as we age. There’s optimism that we might soon be able to use drugs to slow down or even reverse how we age, extending the number of years we live healthy, productive lives. What’s more, some of us might be taking these drugs already. 

On today’s episode, Lucy Hockings speaks to Dr Andrew Steele, author of Ageless: The New Science of Getting Older Without Getting Old to find out whether we might drink from the fountain of youth in our lifetime.


quinta-feira, janeiro 09, 2025

Compreender as coisas difíceis --- ou rirmo-nos delas...?

 

Devo dizer que uma das coisas que academicamente mais gostei de estudar foi a Física da Matéria, a Física Quântica, a Física das Partículas Elementares. Acontecia-me por vezes atingir aquele patamar de prazer em que tudo flui de uma forma orgânica, em que a matéria e a ausência dela, a ciência e a poesia, o que percebemos ser infinitamente pequeno e o que intuímos ser infinitamente grande se tocam, se interpenetram. Dito assim, pode parecer disparate ou impossível, pode parecer um daqueles absurdos em que nem dá para a gente se deter. Acredito que sim. Mas é a verdade, era o que sentia.

Numa altura em que não havia internet nem as Amazons desta vida, eu mandava vir livros de fora, da Universidade de Berkeley, por exemplo. Tudo o que lia era fascinante para mim.

Hoje já não acompanho estas matérias pois a minha vida profissional levou-me para outros universos. Mas são ainda temas que vejo como belíssimos, atraentes, mágicos.

Tenho contudo um apontamento que aqui quero deixar: que me lembre quer os meus professores de Física quer os dos meus filhos sempre foram um bocado esquisitos, alguns até meio amalucados. 

E tive um colega, bom amigo, com quem fiz inúmeras viagens de várias horas cada que tinha uma prima maluca. Mas maluca de ter que ser internada no Júlio ou de os vizinhos chamarem a polícia dado o banzé que ela fazia em casa, com vassouras a bater na parede para caçar bichos imaginários. Por diversas vezes ouvi os telefonemas entre eles. O telefone ia em alta voz e eu ia encolhida para não soltar um espirro ou uma gargalhada que denunciasse a minha presença no carro. E eram as conversas mais delirantes que se possa imaginar. Professora de Física.

O que hoje aqui trago tem um pouco a ver com isso. Ou não.

Philomena Cunk é das personagens que mais me agrada na actualidade. Tem aquele toque de surrealismo, de humor, de destempero que me agrada por demais. Diane Morgan consegue, quando encarna a desconcertante Phiomena Cunk, dizer as coisas mais inesperadas, mais malucas, mais hilariantes. E sem se desmanchar. Claro que aqueles que ela entrevista ficam, frequentemente, de cara ao lado, sem saberem minimamente como reagir. Outras vezes riem-se. 

Acho delicioso. 

Philomena Cunk encontra-se com o Físico Teórico Professor Jim Al-Khalili 
| Cunk on Life - BBC

Pioneering documentary-maker Philomena Cunk (Diane Morgan) returns with her most ambitious quest to date; venturing right up the universe and everything, to find the definitive answer to the ultimate question – the meaning of life.

sexta-feira, dezembro 13, 2024

Os 10 animais mais engraçados do ano -- para ajudar a digerir a Clara Ferreira Alves no Eixo do Mal

 

Mais uma vez estou a ver o Eixo do Mal. Como já deu para perceber, ver as actuações da Clara Ferreira Alves tiram-me do sério. É uma papagaia, fala de cor, empola o que diz para disfarçar a vacuidade do seu conhecimento. Cansa. Irrita. Vê os filmes todos ao contrário. Convenço-me até que não é apenas uma matraca falante e mal informada, que é mesmo pouco ou nada inteligente. E depois como fala sem pensar e sem saber do que fala, tão depressa diz uma coisa como o seu contrário.

O meu marido, de cada vez que ela fala, insurge-se e insulta-a à bruta, sempre a querer fazer zapping. E eu estou quase a fazer-lhe a vontade antes que a sujeita dê cabo da nossa saúde.

Neste momento está o Pedro Marques Lopes, muto bem, racionalmente, a desmontar a cegada que ela para ali esteve a armar. Aliás, está a dar-lhe uma rabecada das valentes. Se ela fosse inteligente (que não é), enfiava-se debaixo da mesa.

Não percebo porque é que a SIC contrata uma criatura como ela: alarmista, desbocada, fútil, mal informada. Praticamente tudo o que diz são tolices, ainda por cima mal fundamentada. Não deviam abrir-lhe um microfone à frente da boca pois dali não vem uma que se aproveite.

E o Luís Pedro Nunes, uma vez mais cavalgou a onda das bocas, e agora está a levar com a fúria não apenas do Pedro Marques Lopes mas também do Daniel Oliveira.

Mas quer o poupas quer a depenada têm uma característica: mal percebem que o que disseram não tem ponta por onde se pegue, ajeitam a conversa. Ela muito mais que ele, claro.

Por isso, para não me focar nem nela nem no vizinho do lado, desloco-me antes para um território mais divertido. 

Já no outro dia, a minha filha fotografou o nosso cabeludo mais fofo e enviou-nos a fotografia com um cheeeese como legenda.


E o que engraçado no nosso amicabeludo é que se faz à foto. Pedimos-lhe para se virar para nós e para esperar para o fotografarmos e ele, sempre tão teimoso e temperamental, neste caso aceita e olha para a câmara.

Hoje fomos ao centro comercial com ele. Adora. Mal sai do carro, puxa, puxa, todo feliz. Adora andar no meio da confusão. Mas, então, a graça de se cruzar com um também todo cabeludo mas que devia ser dez vezes mais pequeno que ele, branquinho, e com um casaquinho. O outro virou-se para o meu, todo entusiasmado. O meu virou-se curioso, olhou-o de alto a baixo e, imediatamente, virou-lhe as costas. Um desprezo olímpico. O outro ainda a querer festa e o meu a ignorá-lo em grande estilo.

Mas o que vos convido é a ver o vídeo abaixo onde se podem ver os 10 animais considerados com mais piada, no concurso The Comedy Wildlife Photography Awards.

The 10 funniest animal photos of the year | BBC Global

The Comedy Wildlife Photography Awards crowned the funniest animal photos of the year.


Uma boa sexta-feira!

quarta-feira, dezembro 04, 2024

Maria Teresa Horta na lista da BBC das 100 mulheres mais influentes e inspiradoras
- Uma notícia surpreendente e fantástica --

 

Admiradora que sou de Maria Teresa Horta, considerando-a das melhores poetas portuguesas e uma mulher lúcida, franca, inteligente e informada, claro que fico muito contente.

Transcrevo parte do artigo do Expresso cujo título puxei para título deste post:

A lista "BBC 100 Women" deste ano inclui nomes de pessoas mais conhecidas, como a atriz norte-americana Sharon Stone, a artista britânica Tracey Emin, a sobrevivente do caso de violação em França Gisèle Pelicot e a iraquiana Nadia Murad, vencedora do Prémio Nobel da Paz.

As brasileiras Lourdes Barreto, ativista pelos direitos das prostitutas, e a ginasta Rebeca Andrade e a bióloga Silvana Santos também estão na lista, que teve em conta a imparcialidade e a representação regional.

A BBC salienta que, ao longo do ano, as mulheres "tiveram de se esforçar muito" para encontrar novos níveis de resiliência e enfrentaram "conflitos mortais e crises humanitárias" em Gaza, no Líbano, na Ucrânia ou no Sudão e testemunharam a "polarização das sociedades após um número recorde de eleições em todo o mundo".

A equipa do BBC 100 Woman elaborou a lista com base em nomes recolhidos através de pesquisas e sugeridos pela rede das 41 equipas linguísticas do Serviço Mundial da BBC, bem como pela BBC Media Action. Todas as protagonistas femininas deram o seu consentimento para aparecerem, e não são apresentados por uma ordem específica.

A escritora portuguesa Maria Teresa Horta tem sido amplamente premiada ao longo da sua carreira literária, destacando-se, só nos últimos anos, o Prémio Autores 2017, na categoria melhor livro de poesia, para "Anunciações", a Medalha de Mérito Cultural com que o Ministério da Cultura a distinguiu em 2020, o Prémio Literário Casino da Póvoa, que ganhou em 2021 pela obra "Estranhezas", e a condecoração, em 2022, com o grau de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade.

Nascida em Lisboa em 1937, Maria Teresa Horta frequentou a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi dirigente do ABC Cine-Clube, militante ativa nos movimentos de emancipação feminina, jornalista do jornal A Capital e dirigente da revista Mulheres.

Como escritora, estreou-se no campo da poesia em 1960, mas construiu um percurso literário composto também por romance e conto.

Com livros editados no Brasil, em França e Itália, Maria Teresa Horta foi a primeira mulher a exercer funções dirigentes no cineclubismo em Portugal e é considerada um dos expoentes do feminismo da lusofonia.

Sendo presença bastamente presente neste meu espaço, aqui fica o link para todos os posts em que falo dela

E muitos parabéns à Maria Teresa Horta!

quarta-feira, setembro 04, 2024

O leopardo das neves é forçosamente o mau da fita?

 

Não me pronuncio sobre o caso de um relatório que deu à luz nove anos depois dos factos analisados: la Miss Swaps era ministra das Finanças quando Pinto Luz, actual ministro, era Secretário de Estado e quando lo passista mas passista de todos los passistas, Passos Láparo de seu nome, era primeiro-ministro e quando parece que todos engendraram um esquema para venderem la TAP sendo que los compradores terão comprado la TAP com lo pelo de lo próprio cão e que terão engendrado um esquema de se banquetearem com bonus, quiçá, limpos de taxes ou, pelo menos, más limpos. Não me pronuncio porque está tudo torto nisto a começar nos entortados que levam quase 10 anos a elaborar um relatório sobre um tema tão relevante e a acabar no possível embaraço de ver os impolutos passistas, los más amigos do joker Montenegro, o tal que ri com risinho jocoso como se tivesse uma folgada maioria e pudesse fazer o que muito bem lhe der na mona, todos envolvidos na novela TAP. E eu não me pronuncio pois só me apetece enfiá-los a todos no mesmo saco de gatos e deixá-los a arranharem-se uns aos outros com câmaras de Big Brother lá dentro, a passar na TVI 24 horas por dia com o Goucha, vestido de sorvete a interrogá-los não faço ideia a propósito de quê.

Quanto ao Orçamento de Estado para 2025 o que tenho a dizer é que acho que o PS o deve chumbar se o PSD insistir em incluir a descida do IRC, a descida do IRS jovem (em vez de uma descida generalizada de IRS para toda a gente). E já nem falo na aberração da borla do IMT para jovens. O PS não pode deixar passar aberrações. Se os da AD querem fazer parvoíces que as façam sozinhos. Se sozinhos não conseguirem fazê-las, azarinho, não as façam.

O meu dia não foi fácil e chego a esta hora e só me apetece descansar a cabeça. A sério. 

Mas, por motivos que desconheço, tenho o dog de guarda a ladrar freneticamente, ininterruptamente, parece que em resposta aos do lado que ladram igualmente à força toda. Provavelmente é o gato branco, o tal esfingíco, quase sem pelo, quase assustador, que anda outra vez a desafiar a paciência da bicharada aqui da zona. Já devo ter falado dele. Põe-se a olhar para nós, quase como se nos desafiasse. Sei que é um gato porque não é um coelho nem um esquilo, muito menos um cão ou uma rola, mas é um gato deveras estranhíssimo. Quando o cãobeludo dá por ele, salta, corre e eu grito, chamo por ele, em pânico, com medo que estraçalhe o gato. Nem quero pensar. O que vale é que o gato, que parece hipnotizado a olhar para nós, quando se sente perseguido pelo dog, salta e corre e trepa e consegue salvar-se. Quando o dia dobra, põe-se a gemer aqui no jardim, geme como nem sei bem o quê, talvez como uma velha desdentada e desolada, talvez como um bebé diabólico. Supostamente está a miar mas é mais um choro pungente, prolongado, intenso. A minha filha no outro dia disse que se calhar é uma gata com cio. Não sei, não faço ideia.

No outro dia, estava eu numa cadeira ao sol a ler quando dei por mim a sentir-me observada. Olhei em volta. Pois bem. Em cima do muro, perto de mim, um gato normal, cinzento raiado, olhos claros, lindo, não muito grande. Gostei dele. Mas nunca mais o vi. 

Às tantas, de noite, há orgias felínicas no jardim. O pior é que os cães, que não são de números destes, desatam a ladrar, possessos. No outro dia, de madrugada, era o gato a lamuriar-se alto e bom som e um dos cães dos vizinhos a uivar, outros a ladrarem e o nosso, que deve ter equacionado a que turma se juntar, desatou também a uivar. Acordámos com este concerto.

E é isto. 

O que também é extraordinária é a vida dos animais nos penhascos. Rochedos íngremes, esfarrapados, os animais a terem que andar a ver onde pôr as patas. Não podem ter descanso nem flanar com a cabeça na lua. Qualquer passo em falso pode ser a morte do artista. Ainda por cima com o passaredo rapinoso à espreita e com o belíssimo, belíssimo, leopardo das neves a rondar. Vagaroso, confundindo-se com as sarapintas das rochas, silencioso. E os pobres bebés, coitados, ali tão à mão de semear. E a gente vê e assusta-se, dá-se logo à empatia, coitado do cabritinho. Como se o leopardo não tivesse direito a alimentar-se. Como dizia hoje uma vizinha da rua da minha mãe, 'isto a vida não está fácil é para ninguém'. Ah pois não.

Ah, é verdade, não sei se isto do leopardo das neves é uma metáfora ou se é apenas uma coincidência. Ou nem isso. Não sei.

Baby Goats do Parkour to Escape a Leopard | Animal Babies | BBC Earth

Markhor goats face perilous mountain ranges, fearsome wolves and formidable eagles. However, no opponent is more menacing than the snow leopard. These elusive cats may have evolved to hunt, but the markhor goat kids were built to survive.


Dias felizes

quinta-feira, julho 25, 2024

O segredo dos Tsimane

 

Quando tirei as coisas de casa dos meus pais trouxe vários livros de saúde oferecidos por mim. Como envelhecer melhor, como não morrer, como ter um cérebro jovem, como ter um intestino saudável, qual a dieta para chegar saudável aos 100, a importância do exercício físico para uma vida de qualidade. Não garanto que sejam exactamente estes os títulos mas não devem diferir muito.

Eu queria que eles envelhecessem lentamente e bem. Para além de presentes 'normais', nomeadamente livros de ficção ou de crónicas ou outros que eu pensasse de que eles gostariam, em especial a minha mãe que lia muito mais que o meu pai (o meu pai preferia livros de cariz técnico, mesmo que a nível de saúde), eu oferecia-lhes sempre livros com 'receitas' para que vivessem muitos e longos anos. 

Esses livros agora estão na estante da cave e ainda não me apeteceu ir lê-los. Talvez um dia.

Os meus pais eram muito cuidadosos com o que comiam, com o seu estilo de vida. E de facto a minha mãe viveu bem, ágil, até jovial, e aparentemente saudável praticamente até aos 90 anos. E o meu pai também viveu até mais ou menos à mesma idade, embora, no caso dele, tenha tido uns tristes últimos cerca de doze anos. 

Só depois de ele ter tido o AVC quase fatal é que eu soube que ele não tomava regularmente os comprimidos que devia. Julgava ele, segundo a minha mãe depois contou, que por ter uma vida saudável estaria imune a danos maiores. Aliás, nem ele nem a minha mãe alguma vez nos transmitiram que o meu pai corria sérios riscos e que era fundamental seguir a medicação à risca. Sendo responsáveis e conscientes da importância de um conjunto de cuidados, não fazia ideia que ignoravam a necessidade de seguirem a  medicação que os médicos prescreviam.

Isto porque, como tenho contado, com a minha mãe veio a suceder a mesma coisa. A minha mãe era assinante de uma revista médica, lia inúmeros livros sobre saúde e prevenção, ultimamente pesquisava imenso via google, lia todos os livros que tinha. A sua alimentação era cuidada, fazia ginástica, fazia caminhadas. Mas, também no caso dela, não quis saber de medicamentos que, para ela, eram fundamentais, nomeadamente para controlar a hipertensão. Apesar da vida saudável e de comer comida sem sal, tinha sempre tensão alta, devia ser coisa congénita. Não sei se era, se não. O que vim a saber, tarde demais, é que o facto de ter o coração sempre em esforço, provocou-lhe insuficiência cardíaca que depois também acreditou que não precisava de controlar com medicação rigorosa. Claro que, em paralelo, ter-lhe aparecido um cancro que teve um desfecho fulminante só agravou mais a grave situação dos dois últimos dois meses. Mas, no caso do cancro, provavelmente foi uma degeneração celular resultante da idade avançada.

Contudo, embora ainda não me tenha dado para andar a consultar literatura sobre doenças e como preveni-las, sou sensível à necessidade de não comer fritos ou comida puxada, à de não ingerir pouco açúcar, à de dormir bem (conquista recente pois enquanto trabalhei andei permanentemente em défice de sono), e à não ter uma vida muito sedentária. 

Mas por vezes sinto curiosidade em ver vídeos ou ler alguns artigos sobre o que se sabe sobre os hábitos que talvez justifiquem a longevidade de algumas pessoas ou algumas comunidades. De tudo o que tenho lido ou visto penso que há um denominador comum: felizes são as pessoas que se mantêm activas, sentindo-se úteis, autónomas, que têm um propósito (mesmo que o propósito seja cuidar do jardim ou cozinhar), que sentem a vida não como um fardo que carregam mas como uma bênção, que se riem de gosto com elas próprias e com as suas circunstâncias.

O vídeo abaixo é mais um desses vídeos. Não que nos traga grandes novidades mas é interessante. Temos sempre qualquer coisa a aprender com pessoas assim.

Los tsimane, la comunidad de Bolivia donde las personas envejecen más lento | BBC Mundo

BBC Mundo viajó hasta el corazón de la selva amazónica de Bolivia para conocer a los tsimane, uno de los pueblos originarios más remotos del continente que destaca por una particularidad. Las personas acá envejecen más lento que otras poblaciones y sus ancianos gozan de una vitalidad excepcional, según han demostrado varios estudios científicos. ¿Cuál es el secreto de los tsimane? 


Desejo-vos dias felizes

sábado, junho 29, 2024

Jogos de sedução

 

Nada de muito novo. É sabido que, nisto, é sempre a fêmea que escolhe e que resolve quando dar o ok. Da mesma forma, é sabido que o macho tem que saber seduzir, tem que ter calma, tem que ter arte e, sobretudo, humildade. E tem que saber perceber o momento de avançar para a conquista. Tudo, sempre, sabendo que nada é definitivo pois a fêmea pode sempre mudar de ideias.

Mas, quando ambos compreendem sempre o seu papel e sabem interpretar o momento com graça e mestria, é uma maravilha digna de ser festejada.

Ostrich Gives the Performance of His Life | The Mating Game | BBC Earth

The end result might not be as smooth and slick, but this ostrich does have some moves… 


sábado, outubro 21, 2023

O horror de se ver crianças estropiadas e assassinadas como conteúdo privilegiado nas fake news

 

Informação e contra-informação, notícias verdadeiras e fake news, empolamento de número de mortes, obscenas encenações, manipulações de emoções, terrorismo de toda a espécie e feitio, vontade de vingança, loucura, radicalização. E tantas vezes com base em mentiras.

No meio disto, uma coisa me faz confusão (e me causa profunda repulsa): a posição do PCP, sempre colado a todos os criminosos, terroristas, ditadores, psicopatas, matem eles quem matarem, torturem, destruam, chacinem, violem, mintam, espezinhem... desde que sejam contra os Estados Unidos e o Ocidente em geral. Os Estados Unidos e o Ocidente em geral, apesar de falhas ou erros, estão do lado da democracia, da liberdade, do humanismo -- valores que não têm preço. Como se pode estar contra isso e a favor dos que se opõem a estes valores e se comportam como imperialistas tirânicos, como terroristas, como psicopatas tarados?

[Com isto não quero dizer que considere que a postura de Israel em relação à Palestina, em especial nos últimos anos, seja exemplar. Não considero. Pelo contrário. Nem gosto de saber que há sede de vingança (de ambos os lados). Ou que se sacrifica população inocente, seja de que nacionalidade ou religião for. Não.  Nunca. Mas isso não me cega, não me leva a pôr do lado dos acima referidos]. 

Sugiro que vejam a intervenção de Rodrigo Moita de Deus, na RTP3, no programa 'O último apaga a luz', em que ele desmonta a evolução da notícia sobre a farsa do falso ataque de Israel ao hospital que afinal não foi de Israel mas, muito provavelmente, um rocket falhado da Jihad Islâmica, que afinal também não caiu no hospital mas no parque de estacionamento ao lado, em que afinal não morreram 500 pessoas mas se calhar menos do que 100. 

Seja como for, coitados dos que morreram. Mas a verdade é que meio mundo se atiçou contra Israel quando Israel não teve, muito provavelmente, nada a ver com o assunto. E que vergonha, que vergonha obscena, os que jogam com as emoções das pessoas para propagarem mentiras e apelarem ao ódio.

No meio disto quero crer que ainda se pode confiar na BBC.

Two American hostages freed by Hamas - BBC News

Hamas has released two US hostages who were abducted during the Palestinian group's deadly raid on Israel.

Israel confirmed that mother and daughter Judith and Natalie Raanan had been handed over to them from Hamas at the Gaza border.

It follows a visit to Israel by the US President Joe Biden.

Hamas said the pair were freed for "humanitarian reasons".

They were the first captives released since the gunmen raided Israel on 7 October, killing 1,400 people and taking around 200 hostages.

More than 4,000 people have since been killed in Israeli air and artillery strikes in Gaza, according to Palestinian officials.

Clive Myrie presents BBC News at Ten reporting by Jeremy Bowen in Jerusalem and Sarah Smith in Washington.


sábado, julho 01, 2023

O Wagner Group continua a recrutar combatentes na Rússia - BBC News

 

Lá caiu de um 11º andar mais uma vice-presidente de um banco russo. Não sei quantos administradores de bancos ou petrolíferas ou oligarcas já caíram de varandas ou quantos morreram envenenados. Os russos não brincam em serviço mesmo quando brincam com os seus.

Mas com Prigozhin parece que Putin parece que a coisa vai com pinças.

Só que na terra das manas matrioskas as coisas nunca são como parecem. Eu não dou palpites pois não sou arraçada de Agostinhos Costas ou Carlos Brancos e, por isso, não percebo nada do que se passa na cabeça de criminosos, psicopatas, mentirosos compulsivos e imperialistas.

Vou vendo as notícias com algum pasmo. Mas não é bem pasmo pois dali tudo se pode esperar. Agora depois disto tudo, o que é que se pode concluir sobre o que a BBC noticia, de que o Grupo Wagner continua a recrutar mercenários como se não se tivesse passado nada?

Wagner Group still recruiting despite Russia mutiny - BBC News

O Grupo Wagner ainda está a recrutar combatentes em toda a Rússia, dias depois de encenar um motim que levou Vladimir Putin a constatar os riscos de uma guerra civil -- descobriu a BBC.

Jornalistas da BBC News ligaram para mais de uma dúzia de centros de recrutamento russos e foram informados de que tudo está a funcionar normalmente.

De Kaliningrado, no oeste, a Krasnodar, no sul, ninguém acredita que o grupo esteja a ser dissolvido.

Na semana passada, tropas mercenárias lideradas pelo chefe de Wagner, Yevgeny Prigozhin, tomaram a cidade de Rostov-on-Don, no sul da Rússia, marcharam sobre Moscovo e derrubaram helicópteros militares russos e um avião.

O motim foi posteriormente abortado depois de terem chegado a um acordo.


segunda-feira, junho 26, 2023

Putin a nu

 

Depois do bandido Prigozhin ter desmascarado a narrativa falsa engendrada por Putin para atacar a Ucrânia e de ter exposto perante o mundo as manigâncias corruptas da trupe do Kremlin nos territórios ocupados, a roubalheira que lá têm praticado e a estupidez das balelas com que tentaram enganar os mal informados russos e os poucos descerebrados que vão em qualquer cantiga (Nicolás Maduro, Kim Jong Un e PCP incluídos), tudo se complicou ainda mais para o Putinito.

Prigozhin, armado em não se sabe o quê, dizem que quiçá com apoio de alguém das forças armadas russas, avançou sobre o Kremlin e foi sem espinhas. Um ressabiado e descompensado Putinito apareceu na televisão a ameaçar os traiçoeiros e que fazia e que acontecia.

Pois, pois.

E quando já se falava em guerra civil e o escambau, de repente, nada. Nada. O balãozito esvaziou.

O maluco do Prigozhin não sei o quê, Nicolás Maduro e Kim Jong Un declararam a vitória do Putinito e este, por sua vez, não sei o quê.

Perante isto, repito aquilo que toda a gente diz: o caraças é a cena nuclear.

É que, senão, até a maltinha da animação do Eurodisney ia por ali fora e tomava o Kremlin.

Não sei se aquilo não passou de um arremedo de guerra de gangs ou se foi mesmo uma cena dos Monty. Coisa séria é que não foi.

Não sei qual a tese dos pzps nem dos amigos da estátua mas já devem andar a engendrar alguma. Será, certamente, mais uma anedota a juntar às muitas que têm vindo a produzir desde que a dupla de facínoras Putin & Prigozhin (e respectivas tropas) começou a destruição da Ucrânia.

Tenho pena é de não me ajeitar a fazer memes que é mesmo o que esta cegada está a pedir.

E como não sei que mais diga sobre o tema, passo a palavra à BBC.

'Cracks' in Putin's authority in Russia exposed by Wagner rebellion - BBC News

An attempted armed mutiny in Russia shows "real cracks" in President Vladimir Putin's authority, America's top diplomat Antony Blinken has said.

He told US media Saturday's rebellion by Yevgeny Prigozhin's Wagner fighters was a "direct challenge" to Mr Putin, forcing him into an amnesty agreement.

The deal halted Wagner's march on Moscow. The mercenaries had earlier seized two major Russian cities.

Mr Putin accused the group of treason, but all charges were later dropped.



sexta-feira, junho 16, 2023

Para terminar um dia quente, quente... o mar azul, os peixes, os pássaros... uma lufada de ar fresco

 

Os meus últimos tempos têm sido de trabalho intenso. Já aqui contei que tenho uma característica: dou-me mal com o tédio. Se tenho pouco que fazer, parece que não consigo fazer nada. Se tenho muito que fazer em muito pouco tempo aí, sim, fico com a pica toda.

Trabalhar horas a fio, até às tantas da noite, trabalhar até ficar cansada, isso, sim, é a minha praia. É uma coisa estúpida? Ah pois é, então não é? Claro que é. Mas é o que é.

Com isto trabalhei ontem até depois das três da manhã. E estava com vontade de continuar. Fui para a cama com uma espertina danada, só adormeci de manhã.

Depois tive um dia ocupado e, quando finalmente, tive oportunidade de recomeçar a função, adormeci pesadamente.

Uma vida sem ordem. Mas, caraças, muito motivada. 

Agora estou aqui a dar contas à minha vida e a pensar que, para tentar recuperar, deveria agarrar-me ao trabalho e, em vez disso, estou aqui a ver se acordo.

E esteve tanto calor... padeço imenso com o calor. 

Fomos passear à praia ao fim da tarde mas ainda estava muito calor.

E, falando em calor, anuncia-se para daqui a dias um calor tórrido.

Ora é isto que, infelizmente, nos espera. Um inferno.

O deserto e as chamas a avançarem, a água a escassear, as populações a migrarem. Um inferno.

Preocupa-me imenso isto das alterações climáticas. Gostava de ver o país a ser florestado, gostava de ver o tema da água muito bem agarrado. Sei que muito se está a fazer mas penso que deveria vir para a ribalta, ser falado, mostrado, discutido. Em vez de se andar a ocupar o espaço e o tempo com chachadas era importante que se debatessem os temas relevantes.

Quando estou em espaços públicos a presenciar conversas, ouço disparates atrás de disparates. Mesmo pessoas que se julgaria estarem minimamente preparadas dizem com cada disparate que é de uma pessoa se atirar para debaixo da mesa. Tanta rede social, tanta comunicação social da treta que dá nisto: as pessoas mal informadas e desfocadas do que é essencial.

Ontem, do que vi da entrevista com o Ministro da Economia, Costa Silva, fiquei espantada com a quantidade de projectos relevantíssimos em curso. De nada disto se ouve falar. Mas, é verdade, Filo, a seguir não se organizam debates para comentar o que foi dito. E seria importante e interessantíssimo que se juntassem empresários, investigadores, professores, gestores, e em conjunto debatessem os avanços científicos e tecnológicos, os investimentos. Seria relevantíssimo que a população estivesse ao corrente do que se faz, se sentisse motivada a fazer mais e melhor.

Mas não. 

Aposta-se é na estupidificação massiva. 

Claro que, a propósito de coisas estúpidas, há bocado, apanhámos o fim da audição do Pedro Nuno Santos. 

Uma paródia, uma chachada, uma barracada. O que é aquilo? Perguntas parvas, atrás de perguntas parvas. Sete ou oito horas de perguntas e perguntas e perguntas. Não sei como é que os inquiridos se aguentam. Tenho ideia de que, se fosse comigo, às tantas me levantava e dizia: "Tenho mais que fazer. Vão dar banho ao cão. E, entretanto cresçam e apareçam. Chiça."

Já não faço ideia do que é que se quer apurar ali mas, seja o que for, se durasse uma semana, devia ser mais do que suficiente para fazer perguntas aos que teriam alguma coisa a dizer. Mas não. Cada um arvora-se em pide de aviário e pergunta, interroga, contra-interroga, volta a interrogar. E depois vem outro e faz o mesmo. Mil vezes a mesma irrelevante pergunta. Mil vezes o mesmo ar de suspeição, de censura, de prepotência. Uma tortura. Não se aguenta. Cerca de oito horas de interrogatório a cada desgraçado. Ontem tinha sido outro, já demitido, e ainda sim, interrogado, esmifrado, seviciado até à exaustão.

Anda aquela gente, aqueles que teoricamente deveriam ser os nossos representantes na Assembleia da República, a ganhar um ordenado pago com dinheiros públicos para ali andarem a dar aquele triste espectáculo. 

_________________________________________________________

Mas não são horas para perder mais tempo com o que não interessa. 

Prefiro mergulhar no azul. 

Mar. Peixes. Peixões. Pássaros. Passarões. Passarinhos lindos.

Muita beleza

Fish Vs Bird | 4KUHD | Blue Planet II | BBC Earth


_________________________________________

As fotografias, lindas de tão minimalistas, são respectivamente de Jose Marques Lopes, Pete Chapman, Elisabeth Brecher e AKittinan Googlegog. Podem ser vistas aqui.

______________________________________________________

Dias felizes
Saúde. Boa sorte. Paz.

segunda-feira, dezembro 19, 2022

Hamza Yassin tem 32 anos, não corta o cabelo há 17 anos, é um bom pé de dança e dizem que é o próximo... David Attenborough

 

Não sei se há quem conheça David Attenborough e não se apaixone pela forma como partilha o seu amor pela natureza. Muito do meu amor e respeito e curiosidade pela natureza deve-se, certamente, a ele. Até hoje não conheci quem nos transmita essa devoção com o mesmo entusiasmo e poder de contágio que ele.

Até hoje.

Foi através do Guardian que fiquei a saber dele: Hamza Yassin: Strictly winner being touted as next David Attenborough. Wildlife TV presenter tipped for success after capturing country’s heart on path to Strictly victory

Comecei por ir ver quem era e, já agora, a dançar. Aqui está.

Hamza Yassin & Jowita Przystał Couple's Choice to Jerusalema - Remix ✨ BBC Strictly 2022


Mas o que mais despertou a minha atenção foi ser designado como o próximo David Attenborough. Fui conferir. E, de facto, aqui está. 

Hamza Yassin Showreel

Hamza Yassin is a passionate, exciting and highly knowledgeable on-screen wildlife cameraman and photographer with a wonderfully warm and accessible presenting style that is set to make him a huge star of the Natural History television genre.

His first foray into presenting was on BBC’s The One Show as one of their new wildlife cameramen. This is where he was seen by DML who immediately signed him having spotted his potential.(...)
Hamza is relatively new to presenting but not to his career in wildlife, his impressive qualifications are a Masters Degree (MSc.) in Biological Imaging and Photography with Merit in addition to his Bachelor of Science (BSc.) in Zoology with Conservation.

He has a passion for birds, is a skilled ornithologist and bird nest recorder with excellent field craft and habitat knowledge.  Hamza is also a published wildlife photographer as well as a wildlife tour guide.(...)

Hamza lives in a rural part of the west coast of Scotland, with wildlife and nature right on his doorstop as a constant inspiration for his work. In his spare time, Hamza competes in the Highland Games.

Dá gosto ver e ouvir. Fez-me lembrar, salvo as devidas distâncias, um conhecido que tem como hobby fotografar animais no seu habitat. Tendo a sua profissão muito longe disso, é quando fala das suas expedições para as montanhas, para terrenos alagadiços, para longínquas paragens que o vejo vibrante, feliz da vida. Tem inclusivamente obra publicada. É preciso adorar a natureza e ser humilde para aceitar dormir mal, apanhar frio e chuva, correr inúmeros riscos para observar e registar a vida animal.

_________________________________________________________________

A ver se amanhã mostro como estão as coisas in heaven. Hoje já não consigo.
_________________________________________________________________

Desejo-vos uma boa semana a começar já por esta segunda-feira
Saúde. Boa sorte. Boas notícias. Paz.

quinta-feira, março 31, 2022

Flores num local de paz em tempo de guerra.
E viver na selva e fingir que se vive numa boa casa

 


Hoje não consegui caminhar ao fim da tarde. Cheguei a casa quase de noite. Quando estacionei, vi o meu marido a vir com a feríssima pela trela. Quando se aproximaram e ele percebeu que era eu que estava a sair do carro, ficou fora de si, tal a alegria (quando digo 'ele', refiro-me à feríssima). Fez peões no ar, saltos quase com flic flac à rectaguarda, uma alegria borbulhante. O meu marido, incapaz de competir, apressou-nos: 'Vá, já chega". Depois, já no jardim, por uns instantes sentou-se a olhar para mim e via-se que sorria, os dentões todos à vista mas com o semblante aberto e feliz (continuo a referir-me à feríssima). Mas foi mesmo apenas uns segundos pois, de imediato, se pôs ao alto para que eu o abraçasse. Abracei-o, fiz-lhe festinhas, disse-lhe palavrinhas fofas. Um amigo exuberante.

Eu vinha com a cabeça feita em água e vou precisar de dormir e do dia de amanhã para ver se me ocorre como processar tudo o que vi e ouvi. 

Na parte da manhã tinha tido reuniões e, ainda por cima, estava cheia de sono. De manhã, ou melhor, praticamente de madrugada, estava ainda a dormir, senti-o a tapar-me melhor (e agora, sim, estou a falar do meu marido). Eu, de noite, abro o vidro pois gosto de sentir o frio nocturno e ele, quando se levanta e me vê meio destapada, acha sempre que estou com frio. Ou melhor, dá essa desculpa. Só que, ao tapar-me e ajeitar a roupa, acorda-me. Já lhe disse mil vezes que, se faz aquilo para ter a certeza que estou viva, não faça. Se estiver morta, mais hora menos hora, não faz diferença. Por isso, deixe-me dormir. Ri-se e diz para eu me deixar de disparates. Desde que me aconteceu aquilo do coração, acho que gosta de se certificar de que estou viva. O pior é que acordei quase duas horas antes da hora. E se há coisa que me deixa em défice durante todo o dia é privarem-me das minhas preciosas horas de sono. Ele desculpa-se: tapo-te quase todos os dias e uns dias acordas e outros não. Como se a culpa ainda fosse minha. Zango-me. Não me mexas, deixa-me dormir destapada ou como me apetecer. Mas tenho a sensação que continuará a fazer o mesmo. 

Portanto, o dia começou assim e a coisa foi em crescendo. Mas valeu que, para jantar, só tive que me sentar pois, desde a confecção ao serviço, tudo correu por conta dele (e, claro, não me refiro à feríssima).

Quanto ao que aconteceu no mundo durante o dia, não consegui aprofundar. Passei por alto pelas notícias e fiquei sem certezas. Começa a ser claro que o grande czar tem patas de barro e orelhas de burro. Mas, psicopata como é, até se estatelar no chão, vai continuar a mentir, a agredir, a matar, a destruir.

Como sempre, depois das notícias escritas, sigo para o Youtube. Abaixo já partilhei a rábula do Hitler que mete o neo-Hitler à mistura e agora, num outro comprimento de onda, partilho dois vídeos muito tocantes embora em sentidos opostos.

No primeiro, Iryna, que fugiu da Ucrânia com a família, está abrigada num mosteiro. Vive em paz, sorri. Apesar dos horrores de que fugiu e das saudades e preocupações pelos que lá ficaram, agora sente-se tranquila. Vê as flores que despontam nos campos. Sente-se acolhida e protegida. Para trás deixou tudo, mas aqui está confortável, segura. 

No segundo vídeo, uma outra realidade, uma já bem conhecida. A cor da pele é outra mas não estou certa de que isso seja determinante. Talvez a questão da baixa escolaridade que mais pese. Mas não sei. Neste caso, ao contrário do primeiro, a maioria dos que deixaram tudo para trás é masculina. Aqui onde estão e no lugar para onde querem ir não são bem acolhidos. Trazem sonhos de uma vida melhor e, ao contrário do que acontece com os ucranianos que pensam vir por pouco tempo para voltarem logo que regresse a paz, neste caso penso que quererão fazer vida por cá. Sabem que de onde vêem não terão muitas oportunidades para concretizarem os seus sonhos. Estão em França a tentar chegar ao Reino Unido. As condições em que vivem são mais do que precárias. Tudo muito triste -- e ainda mais quando o jovem conta as dificuldades em tentar iludir a mãe para que ela não perceba as condições em que vive. Clandestinos, indesejados, perseguidos e maltratados.

São duas faces de uma realidade que é dura para quem tem a pouca sorte de se ver no lado traiçoeiro da vida.

_______________________________________________________________________

Ukrainian refugees shelter with monks in Romanian monastery - BBC News

Ukrainian refugees have found shelter living amongst monks at a Romanian monastery, until one day they can return home to their country.

Iryna and her family, who are staying the Carpathian monastery in north-east Romania after fleeing from Kharkiv, said they have settled into life there.

“Only here, at the monastery, I stopped hating. Last Sunday, I even prayed for Putin,” said Iryna.

Almost four million refugees have fled Ukraine so far following Russia’s invasion of the country.

___________________________________________________________

Life as a refugee in Calais: 'the Ukraine war is a wake-up call'

After the Ukraine invasion, hundreds of people found themselves stranded in Calais as they tried to navigate the UK visa process.

It put a spotlight on the city where many young refugees have been living outside all winter in harsh conditions, while NGOs struggled to provide the most basic services. The UK has given millions of pounds to France to try to prevent border crossings but people continue to attempt to get to Britain.  Meanwhile, the residents of Calais complain of an increasingly militarised city. 
----------------------------------------------------------------------------------

Pinturas de Igor Nekraha na companhia de Ganna Gryniva - Ukrainian Ethnic Jazz Ensemble

-------------------------------------------------------------------

E tenham um dia tão bom quanto possível
Saúde. Afecto. Boa sorte. Paz.