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segunda-feira, setembro 09, 2024

Quando as mulheres divorciadas soltam a franga

 

Se calhar é porque ainda me sinto a modos que na silly season. Não digo que não. Mas são tantas as cenas. Por exemplo, agora acabei de ouvir o Marques Mendes a confessar que aprendeu uma palavra nova no Campus da Liberdade da IL: genuflexório. Pareceu-me que estava a falar a sério. E não sei se foi com vergonha de parecer menos totó que ele mas a Clara de Sousa disse que também não sabia. Eu que não tenho ideia de alguma vez me ter ajoelhado numa igreja claro que conhecia o nome da coisa. Caraças. Mais vale desistir já da ideia de se candidatar. E não é por ser frouxo a nível de vocabulário, é por ser tão parvinho que ainda vem gabar-se disso. 

Mas o tema de hoje não é o défice vocabular do putativo candidato a PR nem a falta de esperteza dos entrevistadores que não são capazes de perguntar aos directores da polícia, ao director dos guardas e aos próprios guardas porque é que não se lembraram de olhar para as imagens das câmaras (agarram-se àquilo de não haver gente nas torres de vigilância e não percebem que seria mais fácil se estivesse alguém com atenção a olhar para os ecrãs onde passam as imagens captadas pelas câmaras): o tema hoje são as mulheres divorciadas que, mal se apanham solteiras, livres e boas raparigas, soltam as amarras que existiam dentro delas.

Veja-se a Catarina Furtado. Desdobra-se em entrevistas, que a culpa também foi dela, que agora já vai ser melhor namorada e mais não sei o quê. E diz que está numa fase toda xpto, mais picante e tal e coisa. E faz sessões fotográficas em que se mostra mais sexy, nomeadamente nua na banheira, com arzinho de atrevidota e coiso.

Catarina Furtado mostra-se nua na banheira

É como a Jennifer Lopez. Desde que se separou do Ben Affleck que se mostra mais poderosa que nunca. Agora apareceu de uma maneira que toda a gente a abençoou. Um vestido que vai lá, vai. Quase que poderia parecer um aventalinho mas está bem, está. Não sei se nas costas tem um letreiro a dizer: 'desfaz-me os lacinhos, se faz favor' ou se 'ora chupa, ó Ben Totó'

Jennifer Lopez em vestido Tamara Ralph na passadeira encarnada do Festival International du Film de Toronto, no dia 6 setembro 2024. SPUS / SPUS/ABACA

E até poderia recuar aos tempos em que a malograda Lady Di usou o chamado 'vestido da vingança' ao aparecer pela primeira vez em público após o marido ter admitido publicamente ter um caso extra-conjugal.

Uma lição sobre o dress code para enfrentar o mundo depois de um marido anunciar que afinal há mesmo outra

Acho muito bem. 

Mais. Que isto nos sirva de ensinamento. Por exemplo, mero exemplo, se um dia virmos a Santa Isabel Jonet, a ilustre Madama Cavaca ou mesmo a Senhora Dona Esposa de Marques Mendes ou qualquer outra senhora do género aparecerem descascadonas, a anunciarem-se picantezonas, já sabemos: o sagrado matrimónio foi à vida.

Tirando isso, pode falar-se de quê? Não sei. 

Só se for sobre o facto do Montenegro ainda não ter capturado, ele próprio em missão, os 5 foragidos. Mas isso não é notícia. Ninguém estaria à espera de tal proeza. Na volta deve andar a ver se angaria, ele mesmo, professores para preencher as vagas nas escolas. E riam-se, riam-se. Julgam que estou a brincar? Olhem que não, olhem que não... Sei de fonte segura que é menino para se ocupar com coisas do género (embora não necessária ou não exclusivamente com professores -- e não me peçam detalhes pois tenho por hábito proteger as minhas fontes). 

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Uma boa semana a começar já nesta segunda-feira

quarta-feira, maio 05, 2021

Casal: como saber se se trata de amor ou de hábito?

 


Dia cheio, de novo. A meio do dia, saturada de tanta maçadoria, sacrifiquei uma possível meia hora mais descansada para ir varrer à volta de casa. Há folhinhas e bolotas secas com fartura. A azinheira, linda, uma catedral, suja o chão a toda a volta. Ainda assim, consegui encher uns quantos baldes daqueles grandes, com rodas. Voltei mais revigorada para a minha vida de reuniões e confrontos. A mim não é só o banho (e a lavagem de cabelo) que me retempera: é também varrer, em especial ao ar livre. 

Também já retirámos muitas coisas de cima e de dentro dos móveis. Não sei quando começarão as pinturas mas fomos já tratando de pôr a casa a jeito. 

O gato cor de mel anda por lá (digo pois, ao fim do dia, voltámos ao poiso mais citadino). Esquivo, intrigado. De vez em quando, vem espreitar. Chamo-o, olha, detém-se e, depois, mostra descaradamente que se está nas tintas para mim.

De vez em quando, aparece um cão. É um rafeirito peludo, cinzento, simpático. Olha para mim, abana o rabo, inclina a cabeça. Falo com ele com amabilidade, talvez de uma maneira carinhosa. Mostra-se admirado. 'Estás a abanar o rabo... estou a ver... gostas de estar aqui... eu também gosto que estejas aqui...sabes que gosto... ' e ele inclina a cabeça para o outro lado. Há qualquer coisa na minha conversa ou em mim que lhe escapa. 

Uma rola andou a esvoaçar por perto. Pousou no banco, esvoaçou, dançou pelo ar. Estava a opinar, toda eu assertividade (por vezes a tentar perceber se já estarei naquela ponta da linha em que o laranja fica avermelhado, a assertividade a desandar para a agressividade -- coisa que os meus assessments costumam assinalar: zero de passividade, quase nada de manipulação, quase cem por cento assertiva e tanto que, volta e meia, quase pode ser confundido com agressividade, isto, claro, por parte dos distraídos que não percebem que sou um coração de manteiga) e a rola a apelar à paz, esvoaçando e tentada a pegar num ramo de oliveira para tentar que me moderasse.

Por todo o lado, há passarinhos pequenos saltitando no chão ou de ramo em ramo. É a primavera: flores, ervinhas, passarinhos, trinados. Uma festa com acompanhamento musical.

Só agora consegui espreitar os onlines. Talvez pelo fim do casamento Gates ou talvez porque o confinamento veio confirmar muitos afastamentos, o Madame Figaro dedica o tema principal ao tédio nas relações e à forma de distinguir o hábito do amor. Couple, comment savoir s'il s'agit d'amour ou d'habitude? Le confort d'une relation sentimentale nous fait-il confondre amour et habitude de vie ? -- Florence Lautrédou, psychanalyste, nous aide à faire le distingo et à se poser les bonnes questions.

Olhando para muitos casais, penso que dá para perceber quando há ali amor ou quando a coisa não passa de um stand by até que a separação se proporcione. Mas creio que é mais evidente para quem está de fora do que para quem vive a situação.

O artigo é muito interessante e podia simplesmente colocar o link. Mas sei que muitos Leitores custam a entender-se com o francês. Só que passa da uma e meia e, muito sinceramente, estou podre de sono. Por isso, vou fazer uma gracinha, a ver como resulta. Vou pôr o google a fazer tradução directa. O que acharem abrasileirado ou mal atamancado, por favor, relevem: ninguém é perfeito e o tradutor google é disso exemplo. 

Então, bora lá.

Madame Figaro.– Quais são as diferenças entre o sentimento de amor e o de uma rotina na qual você também pode se sentir bem?

Florence Lautrédou – Uma palavra: tédio. Casais acostumados a viver numa espécie de cinza do cotidiano, estão vivos porém menos despertos, um pouco como se estivessem saciados mas ainda permanecessem à mesa. "O outro" faz parte da decoração como o café que se toma todas as manhãs. Os outros casais são mais brilhantes. Eles também podem passar por uma fase de cansaço, mas têm consciência disso e conseguem manter a paixão para manter o relacionamento.

Então, é normal fazer a pergunta ou é indicativo de um problema no relacionamento?

Pensar nisso revela uma fragilidade no relacionamento, mas também é muito saudável. O cérebro é amigo do amor. Quando nos perguntamos, tomamos consciência do estado de desgaste e mostramos o desejo de nos renovar. Todos os casais se perguntam depois de três meses ou quinze anos de convivência. O conceito de amor de fusão está morto, a relação dois-para-um é um ECG, com seus altos e baixos.

Os hábitos de alguns casais proporcionam prazer, como você identifica aqueles que lhes fazem mal?

Hábitos que "dão prazer" são rituais que têm valor "sagrado" na medida em que celebram o relacionamento e pertencem apenas ao casal. Rotinas prejudiciais são mecânicas.

Quais fatores devem alertar?

Eles são numerosos. Em primeiro lugar, o estado quase depressivo de um dos dois parceiros que tem a sensação de que o mundo ao seu redor é menos interessante e se torna monótono. Então, o fato de um parceiro desaparecer do campo de visão do outro. O atrito entre amigos e o casal que se torna desarmônico também é revelador. Finalmente, em alguns casos extremos, o hábito gera um fenômeno de alergia, não podemos mais suportar seu cheiro ou hálito. Sem mencionar a vida sexual em decadência. A ausência de relações humanas leva inevitavelmente à cessação das relações sexuais.

Podemos ficar com alguém por hábito?

Sim, desde que o negócio esteja claro desde o início. Um casal adotará um modelo cada vez menos comum em que um dos dois parceiros, geralmente o homem, investe excessivamente em um aspecto de sua vida (trabalho, hábito esportivo, associativo) e o segundo se refugia na vida familiar, com mais frequência do que não, esposa. Outros, por medo de ficarem muito felizes e correrem o risco de se decepcionar se não der certo, ficam por segurança. Como se a falta de intensidade os impedisse de ficarem inquietos. Mas se alguns estão satisfeitos, eles inevitavelmente se preparam para diferentes armadilhas. Essa hipocrisia os forçará a viver uma vida inautêntica, a ter remorsos sem fim e a sentir profunda melancolia.

Como devemos reagir se percebermos que nosso relacionamento é uma prática?

Primeiro você tem que aceitar, dizer a si mesmo "Eu não vibro mais com ele, antes eu vibrava". Feito isso, o principal é agir. Lembre-se de que você se acostuma muito bem com o hábito, a falta de reação apenas cria um status quo. Aí temos que verificar se a culpa não é nossa, nos perguntar se tudo está indo bem na nossa vida, principalmente no trabalho. Se o problema for com o casal, é imperativo falar com o parceiro. Ele responderá "Você conheceu alguém?", Ele terá que responder "Precisamente não, ainda não". 

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Pinturas de Alexander James ao som de Sia - Breathe Me (Cover de Jonathan Roy)

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Desejo-vos um dia feliz.

Haja sol nas vossas vidas

terça-feira, maio 04, 2021

Ontem é história, amanhã é um mistério e hoje é uma dádiva. Por isso lhe chamam presente.

 



Uma segunda-feira que começa cedo e que vai de enfiada até ao fim do dia é uma segunda-feira para esquecer. Tanto saco, tanto pepino, tanto sapo. A meio de uma reunião que estava a deixar-me com os nervos em franja, já incapaz de disfarçar a minha impaciência, recebi uma mensagem: 'Temos quatro monos na sala'. Deu-me vontade de rir. Tal e qual. Logo de seguida, um outra: 'Pelo menos...'. A partir daí, atalhou. Percebemos ambos que dali, por mais que espremêssemos, não sairia sumo. Quando a reunião acabou, ligou-me: 'Qualquer dia estamos os dois sozinhos'. E eu, apreensiva que também ando: 'Pois. Mas não pode ser. A verdade é que o tempo passa e a conversa não evolui. Não desenvolvem. O que é que a gente faz?'. E sugeri que apostássemos na mais improvável. Concordou. Tenho cada vez mais a convicção de que quando a mudança é profunda, quando os desafios são dos valentes, quando é preciso pragmatismo e capacidade para cortar a direito, as mulheres são mais capazes. É para fazer? Então, faz-se. Não há cá converseta da treta, mas-mas, não há cá medo de ouvir um não: é pão, pão, queijo, queijo. 

Mas é uma canseira. 

A minha filha diz-me frequentemente que tenho que gerir as coisas no sentido do phasing out. Conhece alguns dos intervenientes e antevê que não me 'deixarão' sair tão cedo. Diz que eu é que tenho que pôr os pés à parede, gerir as coisas nesse sentido. E é o que quero. Mas, por outro lado, são largas, muitas, centenas de famílias que dependem da empresa. Sinto a responsabilidade de fazer o melhor possível. 

Da empresa de que saí o ano passado saí com a noção de que tinha cumprido a minha missão e que lá ficaria uma equipa, a 'minha equipa', gente competente e dedicada, que asseguraria a continuidade. Saí com a convicção de que tinha preparado bem a minha saída. 

Aqui é tudo muito diferente. Tudo diferente. 

O meu marido diz que me esgoto nesta luta. E é um bocado verdade. 

Estou in heaven mas mal consigo usufruir. À hora de almoço, saí para andar e para falar com a minha mãe. Ao fim da tarde também. A meio do dia, sempre que falei ao telefone, estive a andar à porta da sala, para a frente e para trás. Nestes telefonemas de trabalho não gosto de me afastar pois a toda a hora me pedem que veja o mail ou que veja a disponibilidade e dá-me mais jeito sentar-me ao computador enquanto telefono para este tipo de validações.

Mas, ao fim do dia, a app informou-me que tinha feito 12.929 passos, o que corresponde a 8 km. E, imagine-se, queimei 502 kcal. Menos mal. 

E isto é a maçadora síntese do dia. 

À noite, aqui, vi que Bill e Melinda Gates, o dream couple, vai separar-se. Fiquei deveras surpreendida, Dir-se-ia que já teriam ultrapassado todos os cabos das tormentas, que, casados há 27 anos, certamente já enfrentaram. Ele com 65, ela com 56, diria eu que já achariam que o divórcio é coisa para dar mais trabalho do que continuarem a resolver as diferenças. Afinal, o quarto homem mais rico do mundo e a sua mulher que, em conjunto, gerem uma das fundações mais poderosas do mundo, chegaram ao ponto de não retorno. É obra. Já em 2019, MacKenzie Scott, a ex de Jeff Bezos, ao divorciar-se conseguiu a proeza de se tornar a terceira mulher mais rica do mundo e, acto contínuo, fazer filantropia à sua maneira, sem cuidar de acautelar previamente os benefícios fiscais. 

Mas é isso: quem tem a ilusão que dinheiro é felicidade e que resolve todos os dramas, bem pode tirar o cavalinho da chuva. É ver quase todos os mais ricos desta vida: Gates, Bezos, Musk. Falta o alienado Zuckerberg. Ou o outro dream couple, a Angelina Jolie e o príncipe encantado de todos os sonhos, Brad Pitt. Dinheiro não lhes falta, sucesso também não. E, no entanto, na intimidade da casa, são como todos os outros casais, têm diferenças. E, por vezes, seja qual for a dimensão da fortuna, as diferenças são insanáveis.

Moral da história? Não há e ainda bem que não há. Detesto quando as histórias pingam moral. 

Até porque se é para falar de coisas sérias vou antes falar de outra coisa. Já aqui contei muitas vezes: nada me descansa mais e repousa, tranquiliza, refresca as ideias e me prepara para tudo do que um belo banho. Não sou de água fria. Pode ser tépida no verão mas, no inverno, convém que se lhe sinta o calorzinho. Em especial, fico outra, retemperada, poderosa, se lavo o cabelo. Uma bela shampoozada, água a correr-me em cima até que se vá toda a espuma, e eu ali, com vagar, a deixar que todos os cansaços, aborrecimentos e desconfortos se vão pelo ralo abaixo. Coisa boa. Por sorte não precisei ainda de psicoterapia ou medicação para ansiedades ou angústias. A minha terapia é o banho, em especial com lavagem de cabelo incluída. 

Pois bem. Acabo de ler no The Guardian que It’s like therapy’: how washing your hair can lift your mood – and change your life. Hairwashing can be a catharsis and a reset, the purifying sluice of water rinsing a bad day down the plughole (...) Li e pensei: olha, afinal, se calhar, não sou maluca de todo. Comentei com o meu marido. Confirmou, disse que com ele acontece o mesmo. Desatei-me a rir: 'Essa é boa. És careca!'. Não concordou. Disse que eu não devia fazer uma leitura tão literal, que o ponto está em como lavar a cabeça levanta o astral -- a cabeça, não o cabelo. Está bem, abelha. Na volta acontece-lhe é como às pessoas que perdem uma mão e que parece que continuam a senti-la: ainda sente como se tivesse cabelo. A vontade de rir que isso me dá. E calma, que não se pense que estou a depreciar. Nada disso. Sou como as demais que é dos carecas que mais gostam. 

Já contei, não contei? Uma vez, estando a ouvir a conversa de dois colegas sobre a queda de cabelo, um a dizer que não tinha problema nenhum e outro a dizer que estava a fazer um tratamento e que estava a resultar muito bem, saiu-me, sem querer: uma amiga que é médica, disse-me que a principal causa de calvície é a testosterona. Quanto mais, mais o cabelo cai. Ficaram os dois em silêncio. E eu com vontade de rebobinar e retirar o que tinha dito. A coisa propagou-se. Durante anos, ouvi toda a espécie de piadas. Quando aparecia algum cabeludo, havia sempre alguém que me piscava o olho ou que me dizia: 'Aquele... coitado...'. Uma vez estava numa situação social, com gente que não conhecia muito bem, e às tantas, alguém falou do cabelo farto de um qualquer. E, às tantas, para meu sufoco, um dos meus colegas disse: 'Aqui a nossa amiga tem uma teoria sobre isso...'. E todos, virados para mim: 'Ai é...? Conte...'. E eu, furiosa com ele: 'Desculpem mas não posso. É uma private joke... Não levem a mal'.

Mas, também calma aí, há cabeludos que eu também não rejeitaria. Por exemplo, o dito príncipe dos príncipes, Pitt, Brad Pitt. E outros. Ou seja, quem vê cabelos não vê corações. Nem corações nem o resto, bem entendido.

E é isto. Termino com uma citação que acho o máximo e que vem mesmo aqui a calhar: «Yesterday is history, tomorrow is a mystery and today is a gift, that is why it is called the present.» (Eleanor Roosevelt)


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Do melhor


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Uma boa terça-feira.
E, se não estiver a correr bem, façam o favor de tomar uma banhoca.

sexta-feira, março 19, 2021

Divórcio: porque são as mulheres que rompem.
[E, a despropósito, a receita da minha sopa de bacalhau]

 


Esta quinta-feira a coisa foi um bocado dura. Telefonemas em cima de telefonemas, crises, dramas. Depois a coisa foi-se compondo. Tenho para mim que grande parte dos dramas resultam de se ter assuntos a cargo de gente pouco inteligente e que, para piorar, gente que não tem consciência das suas limitações, empolando cada pequena dificuldade. Incapazes de arranjar soluções para os problemas, gente pouco dotada o que sabe fazer é sacudir a água do capote, fazer-se de vítima, aparecer a apregoar resoluções bombásticas que não passam de pura parvoíce. E a gente ouve todo quele foguetório sem sequer perceber de que é que estão a falar e a única coisa que conclui é que, vindo de quem vem, a coisa não deve ser tão dramática quanto apregoam e que o melhor a fazer é bem capaz de ser tirar o assunto das mãos de quem não revela a mínima capacidade para resolver problemas. E assim foi e, poucas horas depois, com a coisa já noutras mãos, nas mãos de quem percebe do assunto, logo tudo começou a compor-se.

Mas aconteceu de tudo, a nível profissional e pessoal. Por volta das seis e picos a coisa acalmou. Ainda fiz mais um telefonema de trabalho mas as forças negativas do universo afinal pareciam estar a aquietar-se. 

Fui, então, fazer o jantar. Fiz sopa de bacalhau. Fiz assim:

Numa panela coloquei água, duas cebolas grandes, duas cenouras grandes, duas batatas normais, uma batata doce das que são cor-de-laranja (são as que prefiro), uma maçã royal gala, um alho francês, salsa. Juntei também cinco ovos com casca. Não coloquei sal. Pus a cozer.

Enquanto isso, num tacho pequeno coloquei um pouco de água, uma cebola (esta tal como todos os legumes, sempre devidamente lavados, descascados, partidos) e umas postas de bacalhau, uma das quais muito alta. Por recear que a água ficasse salgada, não juntei sal.

Quando a água do tacho de bacalhau ferveu, baixei o lume e cozinhou poucos minutos. Retirei o bacalhau para um prato. Passei a cebola para a panela da sopa, para que acabasse de cozinhar. 

Quando os legumes ficaram cozidos, desliguei.

Retirei os ovos para uma tigela de água fria, para serem mais fáceis de descascar. Descasquei-os. 

Juntei um ovo à sopa. Juntei azeite. Com a varinha mágica triturei bem, até ficar bem cremoso.

À água de cozer o bacalhau juntei cotovelinhos pequeninos e deixei que cozessem.

Entretanto, tirei as espinhas ao bacalhau e parti-o em bocados. Não é desfiar: é apenas cortar aos pequenos para que se sintam. Juntei à sopa.

Abri um frasco de grão-de-bico cozido e com um garfo retirei grãos para aí de meio frasco para a sopa. Quando as massinhas estavam cozidas (não muitas), juntei tudo à sopa, incluindo o caldo que transportava o sal do bacalhau -- e envolvi tudo bem. Provei: não precisava de sal.

Miguei os outros quatro ovos para uma tacinha. Levei também mozzarella ralada para a mesa. Como já era muito de noite já não fui apanhar hortelã. Devia ter-me lembrado mais cedo.

Em cada prato, sobre a sopa, colocámos ovos aos bocadinhos e o queijo.


Gostaram bastante. Um dos meninos e o meu marido ainda juntaram pão torrado. Gostam de sopas de tipo enfarta-brutos. O menino, então, tinha o prato atascado de pão ensopado na sopa à qual juntou ovo e sobretudo montes de queijo. Dizia que nunca tinha comido nada tão bom. O irmão, depois da sopa, começou a fazer mini-sandes de ovo cozido, queijo e um fio de azeite. Depois da fruta, ainda comeram biscoitinhos de chocolate. É como se estivessem na engorda. Contudo, como correm e brincam que se fartam (depois das aulas, claro), não estão nem um bocadinho gordos.

Pode parecer que a receita é longa e, por isso, difícil. Nada. De caras. E não tem como sair mal. Saborosa e nutritiva. Claro que quem estiver de dieta é melhor não comer grandes pratadas, em especial à noite. Mas, mesmo para quem estiver a pão e água, uma vez não são vezes...

Depois, aqui chegada, dei uma volta pelas notícias: excepto uma, nada que me interessasse. 

Desta vez o que despertou a minha atenção foi que são as mulheres que pedem 75% dos divórcios. Não sei se a estatística é universal, se apenas em França já que o artigo faz parte do Madame le Figaro. É interessante. Antes, eram os homens. As mulheres, por, em grande parte, dependerem financeiramente dos maridos, sujeitavam-se a tudo. E havia o estigma social, a censura. Agora, apesar de, em média, as mulheres ganharem menos que os homens e, portando, ficarem mais frequentemente em situação mais precária do que os homens em iguais circunstâncias, as mulheres não querem saber. Vão em frente.

Uma mulher que vive em casal, quer viver bem em casal, quer ter qualidade emocional - leio; e concordo. 

«Quand une femme rompt, la décision est liée à sa maturité, à son illusion déçue de constater qu'il n'y a pas de “danse de couple”.» Autrement dit, pas, ou plus, de magie. [Quando uma mulher rompe, a decisão está ligada à sua maturidade, à decepção de não existir a ilusão de uma dança a dois. Ou seja, que já não há magia]

E se ao fim de pouco tempo, a percentagem de homens que já vive de novo em casal é maior do que a das mulheres, já que as mulheres parece quererem ponderar melhor ao envolverem-se de novo com outra pessoa, a verdade é que, quando isso acontece, depois de terem dado o tempo necessário para se readaptarem e para fazerem uma boa escolha, sem a pressa que os homens parecem demonstrar, as mulheres parece que renascem. Mostram-se livres, seguras, determinadas a enveredarem por uma nova vida. São outras, mais fortes.

O artigo é interessante e a quem se entender bem com o francês, aqui fica o link: Divorce : pourquoi ce sont les femmes qui rompent


E, por hoje, nada mais. Ainda estive a ver vídeos sobre japoneses que vivem para além dos 100 anos e é muito interessante... mas já não é para hoje. 

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As mulheres com máscara são obra de Volker Hermes e são bem acompanhadas pelos The Paper Kites que interpretam Dearest 

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E uma bela sexta-feira!

quinta-feira, maio 04, 2017

What's in a name?
["Se ao menos eu pudesse mudar de nome", lamenta-se William Bradley Pitt]


A primeira vez que o vi foi no Thelma and Louise. Era um rapaz com uma sensualidade transbordante, uma malícia implícita cativante, um físico absolutamente convincente. 


Se até aí eu me enlevava com Richard Gere, que tinha conhecido -- eu, se bem me lembro, quase menina e moça, -- ele capaz de seduzir de uma assentada toda a população de um convento de freiras tal a sedução que dele emanava em American Gigolo, a partir daí mantive o J.D. debaixo de olho.



Não que seja dada a lourinhos, não sou, mas aquele moço tinha, à vista desarmada, uma boa 'pegada', coisa que mulher que se preze fareja à distância.

Por essa altura eu ia ao cinema muito amiúde. Adorava ir. Aquele escurinho, aquele cheiro, aquele ambiente fascinava-me. Ia muito ao Quarteto apesar de às vezes cheirar a esgoto e apesar do meu namorado da altura (em especial o que viria a ser meu marido) embirrar com o desconforto das cadeiras e com a falta de espaço já que as pernas não lhe cabiam e tinha que as dobrar à frente dele, quase até ao pescoço. E ia ao Satélite, ao Estúdio. E, claro, aos maiores: Império, Monumental, S.Jorge.


Os grandes filmes de Bergman, na época, conviviam, para mim, com o Oficial e Cavalheiro ou o Breathless (que era uma reprise do A bout de souffle) -- filmes que não podia perder para ver o Richard Gere, com aquele seu corpo gingão, aquela capacidade de bem beijar que não está ao alcance de qualquer um.


Acontece que a minha fidelidade é restrita a casos muito particulares e, portanto, depois de ter visto a arte de Brad Pitt, mantive o Richard em banho-maria e, muito santamente, passei a incluir-me entre as devotas do Brad.

O seu desempenho em Lendas de Paixão foi outro momento alto, tornando, só por isso, aquele filme um objecto de culto. 

[Aos destituídos de faro para a ironia, apresento mais um disclaimer: uso aqui a terminologia 'objecto de culto' a propósito deste filme tal como, há dias, usei 'mares do sul' para designar o mar que banha Cádiz. Sou dada a metáforas, se é que ainda não deu para perceber. E tenho dito. Adiante que o momento é de cinefilia e não de semióticas]


Entretanto Richard Gere foi ganhando patine (não perdendo o charme, mas...) e o Brad entrou naquela deriva mediática designada por Brangelina e eu, mais uma vez, fiz swing (and sorry for my french): passei a achar uma certa graça ao Clive Owen.


Enquanto isso, e num registo diferente, encantada pela voz deles, pulava a cerca* com o Jeremy Irons (como não, com aquela voz...?), com o John Malkovitch (aquela irreverência carregada de perversidade é um convite irrecusável) e, até, com o Ralph Fiennes que, parecendo que não, tem uma densidade enleante.
[Outro disclaimer: A cerca das devoções (como dizer?) cinéfilas, of course]





Mas, lá está, aqueles a quem um dia deitei o olho, debaixo de olho ficarão forever e, por isso, o Brad será sempre olhado com o carinho que se dedica aos antigos lover boys.

E, talvez por isso, foi com tristeza que li a entrevista que concedeu agora, confessando o problema de longa data que tinha com álcool, admitindo a sua responsabilidade pelo que aconteceu e que levou ao seu divórcio.


Parece que vive isolado, solitário, dedicando-se à escultura. Reapareceu na capa de uma revista com um ar que faz enternecer qualquer um, em especial aquelas que guardam um cantinho para ele no seu coração.
[Novo disclaimer: cantinho virtual, leia-se]

Magro como um cão sem dono, ar triste, diz até: 'se ao menos pudesse mudar de nome...'

E eu aí tenho que me pôr ao alto. Que é lá isso...? Nem pensar. Qual mudar de nome? No way.

Tanto mais que Brad é, afinal, William e um William não deve nunca renegar o seu nome.


E, afinal de contas, what's in a name?


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E um dia muito feliz a todos quantos por aqui passam.

Be happy.

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quinta-feira, fevereiro 18, 2016

Bárbara Guimarães, Manuel Maria Carrilho, o filho Dinis
-- ou quando o ódio consome os que um dia se amaram e arrasta para a fogueira da raiva os filhos que deveriam ser poupados


Já falei do Carlos Costa (lamentavelmente não do inofensivo moçoilo daquela Casa da TVI que tem à frente a Madame Teresa Guilherme, mas do outro, do irresponsável do BdP -- como António Costa fez o favor de dizer com todas as letras) e também já dei a palavra a quem muito bem falou sobre essa coisa dos mercados, da importância relativa que Portugal tem nas tempestades que se desencadeiam ou da perspicácia ladina do Schäuble, esse mimo de senhor. Portanto, quanto a matérias desta índole, já chega.

Hoje vinha com uma em mente e estava aqui toda animada. Mas há alturas em que é difícil a gente fazer de conta que não vê o mundo a andar à nossa roda. É certo que, numa de miopia, uma pessoa mais depressa vê as minudências que estão junto aos nossos pés do que as coisas, mesmo que grandes, que nos são mais distantes. O Carlos Costa ou os comentadores que andam assanhados distorcendo a realidade são, na realidade, gente sem qualquer importância ou interesse mas, enfim, a verdade é que, apesar da sua irrelevância a gente, se tem melgas pregadas a picar-nos a pele, também não descansa enquanto não lhes der um safanão.

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E a verdade é que estou aqui a vacilar. Ando há algum tempo com alguma vontade de voltar a falar do caso Bárbara Guimarães vs Manuel Maria Carrilho e, ao mesmo tempo, sempre, a fugir disso. Em tempos falei do assunto e, já na altura, era para não voltar a falar; acho que, quanto menos se falar, melhor.


Mas o meu tema bom vai esperar e, por uma vez, vou voltar a falar deste conturbado divórcio (e espero que esteja a fazê-lo pela última vez – pois será sinal que as coisas irão serenar e nada mais haverá a dizer).

A questão é que, desde o início, penso que todos os problemas serem trazidos para a praça pública, não apenas alimenta um voyeurismo espúrio como destrói os intervenientes. Louvores públicos talvez saibam bem mas humilhações públicas destroem -- e, quando cada um deles humilha o outro da forma violenta e pública como até aqui o tem feito, está a atear uma fogueira que pode alcançar proporções perigosas.

Contudo, penso que ambos já ultrapassaram a barreira do racionalismo. Como pessoas inteligentes que são, poderiam pensar no que lhes está a acontecer. E falo desta forma, no plural, porque penso que, nesta coisa da exposição pública, há responsabilidades de parte a parte -- e, agora, é disso que estou a falar.

Uma pessoa que tem uma vida pública, que se expõe no palco mediático do entretenimento, da política, do jornalismo ou do ensino, gosta, naturalmente, de ser visto como alguém sobre quem há coisas boas a dizer e não o contrário. O insucesso é o pesadelo que não querem viver. Para além disso, em qualquer casamento, os intervenientes querem sempre que tudo corra bem. Se correr mal, quererão, em primeiro lugar, que o assunto se resolva entre as quatro paredes da casa antes que os outros saibam das desavenças. Se houver ofensas ou agressões, o ofendido sentirá, antes de mais, vergonha. E tenderão, pelo menos num primeiro momento, a esconder o que se passa. Ninguém gosta que a sua fragilidade seja pública, ninguém gosta que a sua fraqueza seja comentada.

Se uma mulher tem um marido que a denigre chamando-lhe velha, gasta, oferecida, a primeira reacção será esconder isso. Por um lado, se ele a vê assim, quem sabe se os outros, sabendo disso, não a verão também com esses olhos críticos, e, por outro, se a pessoa quer deixar transparecer uma imagem de que é poderosa, glamourosa, como pode admitir que, em casa, o próprio marido olha para ela com pouca benevolência, achando-a já uma sombra do que foi? E, por outro lado, se as ofensas passam a agressão como, em vez de o denunciar, continuar a suportá-lo? Como suportar a vergonha da dupla fraqueza? Como viver com o peso do segredo?
Ou, havendo filhos, como reagiriam a crianças a uma separação? E não viraria ele as crianças contra ela?
Enfim, tudo dilemas dolorosos que uma mulher numa situação destas certamente atravessa.

Mas, por outro lado, olhemos para o homem.

(E note-se que não quero desculpabilizar ninguém até porque cabe aos tribunais julgarem, não a mim; eu quero apenas pensar.)

Em casa, com pouco que fazer, uma vida profissional e social pouco activas. Vendo, na televisão, a mulher toda ela sensualidade, belas pernas, seios generosos, formas arredondadas, vestidos coleantes, toda ela sorrisos, insinuações de teor erotizado. Imagino-o em casa, com os miúdos, enquanto a vê na televisão. Imagino os ciúmes. Sabe-se agora que a gota de água terá sido o Futre, os ciúmes que sentia ao vê-los juntos.


Depois em casa, sem muito que fazer, o homem começa a adquirir rotinas: ter as coisas arrumadas, fazer isto a horas, aquilo a horas, deitar cedo as crianças, levantar cedo por causa da escola. E ela, imagino eu, a chegar a casa ainda com a adrenalina das gravações, a precisar de um copo, de fumar, de distender. E ele furioso com o cheiro do tabaco, e ele furioso por ela beber. Imagino. (Imagino a partir do que leio). E, às tantas, já descontrolado, ciumento, enervado.


Imagine-se agora que ela, um dia, saturada ou amedrontada, se enche de coragem e apresenta queixa na esquadra, e imagine-se que o assunto vem para as capas de jornais e revistas. O político, o ex-ministro da Cultura, o professor, o respeitável filósofo, afinal um vulgar agressor doméstico, um cobarde.


Para ele, daí até à necessidade e da justificação pública vai menos que um pequeno passo.


Todas as semanas, revistas a favor de cada um com novas notícias: ela anda embriagada, cai, não toma conta dos filhos. Ele vai buscar uma faca e ameaça-a a ela e aos filhos. E ela chega tarde a casa e deixa os filhos sozinhos. E ele vai à escola fazer cenas à frente de toda a gente. Um crescendo de violência, um crescendo de não olhar a meios, um crescendo da utilização da comunicação social como arma de arremesso, um perigoso vale tudo.


Depois abrandou um pouco. Durante algum tempo, as capas trouxeram-na com um novo amor, depois voltou a apresentar um programa, parecia que as coisas se tinham acalmado.

Mas não, a guerra já voltou. Decorre o julgamento. A juíza, Joana Ferrer Antunes, pelos vistos, sente-se no direito de fazer juízos morais, de levantar dúvidas sobre as razões de Bárbara. As notícias dão agora conta que Bárbara vai avançar com um pedido de recusa da dita juíza


Um desgaste permanente, o limite certamente prestes a ser atingido.



Depois o depoimento de Dinis, o filho, um miúdo de 11 ou 12 anos, salta para a capa das revistas: quer viver com o pai, a casa está cheia de fumo, a mãe bebe demais. O título diz Bárbara Guimarães arrasada pelo filho em tribunal. a minha mãe bebe muito. Quero viver com o meu pai.


Brutal. (E como veio isto parar à capa de uma revista? Que porcaria de Justiça é esta que permite uma vergonha destas? -- concordo com Isabel Stilwell em Um país onde a justiça trai as crianças )



Imagino como se sente uma mãe com uma coisa destas. Mesmo que a sua vida não estivesse escancarada na opinião pública, o saber que o filho tem essa ideia negativa dela e prefere ir viver com o pai, deve deixar uma mãe completamente devastada. Mas pior será ver tudo isso exposto em todos os escaparates do país, escrito com todas as letras. Quem fomentou a divulgação disto quis que o país pense que a criança a considera uma má mãe. Quem aceitou divulgar uma coisa destas, a troco de um possível aumento de vendas, não se importa de dar cabo da vida da criança, da mãe da criança, talvez dos avós da criança.

Hoje voltei a ler que o miúdo pediu que o poder paternal fosse atribuído ao pai (penso que é assim que se diz) e que até, ele próprio, escolheu um advogado para o representar. Leio e fico perplexa. Eu, se me visse metida em trabalhos, teria alguma dificuldade em escolher o advogado mais adequado. E uma criança desta idade anos toma uma decisão destas e até escolhe um advogado…? Estranho. Mas pode ser, se calhar eu é que sou uma pobre néscia. Mas acho que é inevitável pensar-se que o pai o estará a manipular.

À hora de almoço passei por uma banca de jornais e revistas e lá estão, uma vez mais, a Bárbara Guimarães e o Manuel Maria Carrilho em destaque. Revelações chocantes, violência - leio  Ela diz que ele não descansa enquanto não a destruir. E as fotografia mostram-nos mais velhos, ar sofrido.



Não sei se são eles que alimentam esta imprensa necrófoga, se até pagam a agentes para passar notícias contra o outro ou se, pelo contrário, se é esta imprensa asquerosa que paga para obter notícias deste calibre. Seja como for, é nojento que se publiquem notícias destas que causarão danos quem sabe se irreversíveis nas crianças ou que levam, forçosamente, a um grande sofrimento dos intervenientes.
Não sei o que aconteceu com a mãe das crianças que caíram ou foram atiradas ou entraram na água na triste noite de segunda-feira na praia de Caxias. O que se sabe é que pelo menos uma das crianças morreu.  Já li que houve queixas contra o ex-marido e que ele se diz inocente. A justiça apurará a verdade dos factos e o que se espera é que actue lesta e eficientemente. 
Mas uma coisa é certa: quando há desavenças sérias ou perturbações graves, todos os desenlaces se tornam possíveis e a última coisa quê se deve fazer é acicatar os ânimos ou desprezar os efeitos perversos que podem vir a ocorrer.

Por isso, uma vez mais me interrogo: Não haverá ninguém que aconselhe Bárbara Guimarães e Manuel Maria Carrilho? Ninguém lhes diz que parem com as agressões na praça pública antes que seja tarde demais? Ninguém lhes diz que pensem nos filhos antes de pensarem no ódio que alimentam um contra o outro?

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[Quanto a quem viola segredos, a quem vende informações, quem publica toda a roupa suja alheia -- sobre esses ratos de esgoto não me apetece falar, acho que não deveriam merecer sequer uma palavra]

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E queiram, agora, por favor, deslizar por aí abaixo pois há muito que ler 

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sábado, janeiro 24, 2015

Carrilho quis matar a família e suicidar-se a seguir? O filho de Manuel Maria Carrilho ajudou a Bárbara Guimarães? O ex.ministro tirou fotografias à ex-mulher quando ela tomava banho (nua, claro) e ameaçou-a de publicar essas fotos em sites pornográficos? E mais...? A baixaria vai até onde? O ódio tem que ser exposto assim junto da opinião pública? A violência tem que ser banalizada desta forma? - Ninguém os trava?


Se no post abaixo falei das contas públicas e dos efeitos colaterais da eficiência desgovernativa desta seita que nos desgoverna, no seguinte tento desanuviar partindo para a revelação do segredo do milhão de dólares, a razão da separação entre o CR7 e a curvilínea Irina.

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, vou ter que falar uma vez mais num assunto que me incomoda e de que maneira.

Full Moon and Empty Arms

(Bob Dylan -  Shadows in the Night)



And next full moon
If my one wish comes true
My empty arms will be filled with you



Já não é a primeira vez que aqui falo deste assunto e tinha decidido não voltar a ele. Acontece que, tendo estado há bocado a fazer as compras semanais no supermercado, vi a Bárbara Guimarães e o Manuel Maria Carrilho nas capas das revistas e foi com alguma apreensão que constatei que o ódio entre ambos vai subindo de tom.


Curiosa, fui agora ver na net se havia mais notícias

E há. Ele a defender-se usando o facebook dela, novas acusações de agressões com o namorado dela a defendê-la, e agora o filho dele já é usado contra o pai, e depois o filho a desmentir, e graves acusações sobre o que ele terá feito e que envolve facas, ameaças de morte, ameaças quase de chantagem e sei lá que mais.



Este sábado a história de Bárbara e Carrilho, do amor ao ódio sem limites, é capa de jornal no i.


Transcrevo:

Em 2005, a família feliz e perfeita era, assumidamente, um dos trunfos da campanha de Carrilho na corrida à Câmara de Lisboa.


Quase uma década depois, a meticulosa gestão da exposição mediática do casamento entre o antigo ministro da Cultura e a menina dos olhos da SIC desabou. Carrilho, que acabou por não ganhar as autárquicas, tem dado entrevista atrás de entrevista sobre o lado negro da relação com Bárbara Guimarães. Já falou do suposto alcoolismo da ex-mulher e até da morte do cão da família. Revelou segredos do passado e nem os sogros escaparam às acusações de problemas com o álcool. Se é impossível determinar a origem do amor, mais difícil ainda é adivinhar como irá terminar um dia. E a história de Bárbara Guimarães e Carrilho – escrutinada na imprensa por se tratar de duas figuras públicas – não é em nada diferente de milhares de outras, anónimas e que terminam em violência.

E mais.


Lê-se e não se acredita: fotografias, ameaças de enviar as fotografias para sites pornográficos. E tudo os jornais reproduzem. Não sabemos quem fala verdade já que contam versões contraditórias. Tento não fazer juízos precipitados. Por exemplo, pergunto-me: isto das fotografias, não teria sido brincadeira dele numa altura em que ainda estivessem bem e que agora esteja a ser usado para o denegrir ainda mais? Ou será mesmo verdade? Será ele um perigoso psicopata? Ou ela uma paranóica? E é normal que Portugal inteiro saiba destas coisas? Para que andam eles a revelar ao mundo estes sórdidos aspectos da sua vida pessoal?



Depois de uma aparente acalmia, assiste-se a um novo reacender da fúria devoradora que parece ter tomado conta deles. E, uma vez mais, as 'informações' chegam de ambos os lados aos jornais e revistas. Denúncias, acusações graves, revelações que assustam. E de toda a roupa suja as revistas e jornais são estendal.


E eu interrogo-me: quando a Bárbara Guimarães ou o Manuel Maria Carrilho divulgam junto da imprensa estas vergonhas, não pensam nos filhos? Não lhes ocorre pensar no sofrimento que isto deve ser para as crianças? E mesmo que a menina, por ser pequena, ainda não se dê conta, não tarda saberá ler ou alguém lhe dirá o que se passa.

Que há muitos casos assim, de amores que derrapam e acabam transformados numa incontida raiva e num ilimitado ódio, sabemo-lo bem. E muitas vezes o desenlace é fatal.

Mimi, assassinada pelo marido, vitima de violência doméstica

Ainda esta semana mais uma mulher foi morta a golpes de faca pelo marido que não queria aceitar a separação. Sabemos também agora que Maria Pinheiro, a mulher de Setúbal, já antes tinha apresentado queixa na Polícia. Foi considerado um caso de baixo risco e voltou para casa. Mãe de dois filhos universitários, Maria Pinheiro sorri na fotografia que o jornal utiliza ao divulgar a notícia.


Por cada mulher morta, quantas outras sofrem em silêncio, sorrindo para disfarçar o medo que as consome?

E, até por isto, jamais revista ou jornal algum deveria divulgar acusações como as que Bárbara Guimarães ou Carrilho fazem um ao outro. Já antes aqui o disse: o que andam a fazer é a cobrir a violência doméstica com a patine do glamour, é banalizar e quase legitimar a violência psicológica e física. A banalização do mal conduz à aceitação do mal.

Pergunto-me: não têm amigos ou familiares que os chamem à razão?

Se não conseguem entender-se de maneira nenhuma e já têm que ser os tribunais a decidir por eles, ao menos que o façam no silêncio dos gabinetes dos advogados, nas salas dos tribunais, não na praça pública. É que, a continuarem assim, olho por olho, dente por dente, vinganças atrás de vinganças, emoções descontroladas, é de temer o pior. E não é apenas pior para eles, é também para os filhos e familiares próximos e é, também, o péssimo exemplo que dão. Numa altura em que quase deveria haver um pacto entre os órgãos de comunicação social para não exporem episódios de violência de forma a que as agressões, as injúrias e as ameaças pareçam normais, o que vemos é as capas de revistas de grande tiragens a descreverem ao pormenor as acusações mais gravosas e íntimas que se podem imaginar.




A violência doméstica é uma coisa que me perturba e sei que é uma realidade complexa, dolorosa. Muitas vezes quem mata, mata-se a si próprio a seguir - uma destruição infeliz, um não-sentido, uma dor para quem fica, filhos, pais, irmãos. E sei que quem é agredido muitas vezes não sabe para onde ir ou esconde porque não quer que a família sofra ou que os amigos desconfiem ou, tantas vezes, acredita que não voltará a acontecer ou que o agressor agrediu por excesso de amor.




Mas há que arranjar soluções, procurar ajuda e, sobretudo, a sociedade tem que condenar com firmeza e veemência os agressores.

E, no caso Bárbara contra Carrilho e vice-versa, o que desejo é que cheguem a um rápido entendimento e ponham fim a esta exposição pública que deve ser um sofrimento para os próprios e para os que lhes são próximos e que é um péssimo exemplo para a sociedade e, em especial para aqueles que são propensos a actos de selvajaria. Que isto acabe e acabe bem, antes que seja tarde demais.

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Relembro que há mais dois posts por aí abaixo e não digo quais são porque já estou a dormir.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um sábado tão bom quanto possível.

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A verdadeira razão da separação de Cristiano Ronaldo e Irina - quem conseguiu sacar a informação foi o eterno pré-candidato Marcelo Rebelo de Sousa


Não sabia o que se tinha passado pois não costumo acompanhar as revistas e sites da especialidade mas a dúvida tem-me atormentado: o que teria acontecido para que o casal maravilha se tivesse separado? Mas, sorte a minha, Leitor atento - a quem desde já agradeço - enviou-me um mail com a revelação do segredo.




Afinal sempre foi um desentendimento entre a bela Irina e uma das irmãs de Ronaldo. Suspeitava-se.



Ronaldo revela razões da separação com a Irina na entrevista com Marcelo Rebelo de Sousa


 

Imitação de Pedro Soares

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terça-feira, agosto 19, 2014

Tony Carreira e Fernanda vão divorciar-se após 28 anos de casamento. As fãs devem estar ao rubro. Que nem de propósito, David Attenborough observa a espécie mais perigosa de todas: o homo screamius, mais habitualmente conhecida por fã. Por cá o Portugal do Coração mostra o Grupo de Fãs do Tony Carreira


O Leitor que se assina como Bob Marley deixa-me, com frequência, links para vídeos bastante interessantes. Ontem deixou um sobre o Universo tal como o Conhecemos que já juntei ao que lá tinha sobre os universos paralelos e o tempo antes do tempo. E deixou-me um outro com que me fartei de rir, uma paródia de David Attenborough. Agradecendo a generosidade deste Leitor por me dar a conhecer tantos vídeos inesperados, aqui o partilho convosco.

O filme mostra o comportamento dos fãs. É, de facto, uma coisa do além.

Ainda no outro dia, enquanto os meninos brincavam no parque, os pais, que tinham estado num concerto na noite anterior, comentavam a loucura a que tinham assistido por parte dos fãs do artista. Falávamos do assunto com estranheza, nenhum de nós é assim.

Nunca fui fã de ninguém. Admiro ou admirei o desempenho ou a arte de alguns artistas mas nunca ao ponto de perder a tramontana, nunca ao ponto de seguir a pessoa pelos espectáculos, de gritar, de me descabelar, de trocar tudo por um autógrafo, por uma selfie.

Nem agora nem em adolescente. Nunca tive posters, nunca guardei fotografias de ídolos. Nunca os tive. 

Pasmo quando vejo na televisão filas de jovens em transe, sentadas nos passeios desde madrugada, esperando por um bom lugar de onde vejam bem os artistas por quem quase parecem prontas a dar a vida (geralmente nomes de quem eu nunca ouvi falar). No outro dia foi um concerto qualquer no Porto, nas Antas, acho eu, que arrastou miúdas de todo o País, uma loucura. Uma excitação na cara delas que me deixa espantada: faço parte da mesma espécie...?

Mas ainda fico mais impressionada quando vejo as fãs de Tony Carreira. Sempre que há um daqueles mega concertos dele que invariavelmente esgota, lá estão elas, balzaquianas enlevadamente apaixonadas. Sabem as canções de cor, derretem-se quando falam do seu ídolo, algumas fazem-se acompanhar pelos maridos que respeitam e partilham a devoção. Muitas delas a gente vê que são pessoas que não devem nadar em dinheiro. E, no entanto, lá andam delas, as fãs, de terra em terra, talvez metendo dias de férias. Ver o Tony Carreira enche-as de felicidade. Penso: tantos estudos, tantas dissertações em torno da felicidade e, afinal,  é coisa tão fácil de alcançar.



Aqui, in heaven - estalajadeira a tempo inteiro, e animadora cultural de meninos nos intervalos - afastada dos canais por cabo e sem conseguir coincidir com os telejornais normais, acompanho o mundo de uma forma muito filtrada. Dou uma espreitadela a alguns blogues, espreito os jornais online mas tudo muito ao de levezinho. 

Fujo a sete pés de notícias que me angustiam, violência infantil, violência doméstica, guerras. Fujo, fujo horrorizada. Há bocado, enganada por um título, abri um título que foi dar a um vídeo em que as primeiras palavras eram de terror. A minha filha zangou-se logo, que eu tirasse aquilo. Percebo-a. Quando uma pessoa está num ninho protegido, receia saber que o mundo lá fora pode ser ímpio.

Mas é que nem quero saber disso nem tão pouco do BES, Montepios, fundos abutres (essa cambada de parasitas assassinos que ninguém proíbe). Nada, nada disso.

Dá-me é para espreitar coisas dignas da silly season: por exemplo, acabo de ver que Tony Carreira está separado e vai divorciar-se de Fernanda Araújo, com quem esteve casado durante 28 anos e de quem tem 3 filhos. 


Mas o que me espanta não é isso até porque não fazia ideia do nome da senhora, da antiguidade do casamento ou de quantas vezes o acto consumado tinha dado em crianças. O que me espanta é que tenham ambos feito um comunicado conjunto e que os jornais estejam a dar notícias do assunto como se estivéssemos a falar do Presidente da República e de sua Primeira-Dama - coisa que, de resto, poderia, no caso vertente, ser surpreendente mas igualmente desprovida de interesse.

Mas lá está: há mesmo universos paralelos e muitas vezes a gente nem sabe que existem. 


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Mas então vamos lá aos vídeos de fãs em geral e do Tony em particular. Do melhor que há.



David Attenborough observes Fans - Parody






E agora um Grupo de Fãs de Tony Carreira no programa 'Portugal no Coração'







Muito bom.


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E, por hoje, fico-me por aqui. A alvorada é cedo e começa sempre em ritmo acelerado. Hoje ainda tentei deixar-me ficar um pouco na cama mas não dava para conseguir dormir mais com a chilreada que já ia aqui em casa. Além disso, quase de seguida, o almoço tem que ir para o lume porque, quando lhes dá a fome, não dá para fazer horas. E todo o santo dia há qualquer coisa para fazer. Portanto, não dá para molezas e o melhor que tenho a fazer é ir dormir.

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela terça-feira. 

Saúde, sorte e alegria - valeu?

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