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quarta-feira, novembro 09, 2022

With or without you

 

Bono já é sexagenário. O jovem que se pressentia algo frágil sob a capa de tough guy, com aquela voz capaz de percorrer todas as emoções no mesmo fio de voz, é agora um homem que transporta na forma como canta, no rosto e em todo o corpo as marcas da vida preenchida que tem vivido.

Não consigo escolher uma canção. Gosto de muitas. Gosto muito dele a interpretá-las. Não sei se é ele que dá corpo às canções, se são as canções que se afeiçoaram a ele.

Aqui, no vídeo abaixo, ele interpreta With or witout you mas antes diz palavras de Surrender: 40 Songs, One Story, o seu livro de memórias. Mas di-las de uma maneira que nos leva a percorrer com ele, com extrema delicadeza, os momentos de que fala. 

Ouço e ouço, encantada. Ouço e fico com vontade que ele continue a deslizar pela memória, a cantar, a enlevar-me.


E aqui está ele, e quase parece que foi ontem (é um lugar comum, bem sei, mas é o que me parece), jovem e certamente sem saber que 35 anos depois aquela canção seria quase um hino, quase uma sua segunda pele


E até já

sexta-feira, fevereiro 18, 2022

Depois de um dia do caneco, constato que a Clara Ferreira Alves continua no Eixo do Mal. Pior: igual a si própria.
Há mistérios que jamais terão explicação.

 


Mais uma vez enganei-me. Na quarta-feira à noite disse ao meu marido que pensava que ia ter uma quinta-feira tranquila. 

Qual quê? Quando a gente acha que está a salvo deve ficar calada. Falar atrai.

Conto.

Cedo apareceu-me o cão ao lado da cama, danadinho para lhe saltar para cima e o meu marido a chamá-lo a ver se ele não consumava o acto.

Ainda estava a refazer-me, avaliando se ainda faria sentido voltar a adormecer, toca-me o telefone. 

Uma dúvida sobre um tema complicado. Ainda à fresquinha (pijamas e camisas de dormir não são comigo) levantei-me e, para estar longe do urso peludo (não fosse pôr-se em pé para me fazer festas e arranhar-me de alto a baixo), fui enregelar para o escritório do lado. Telefonema longo. Problema complexo envolto em mil dúvidas.

Antevi logo que a coisa tinha tudo para ficar complicada. Como estas coisas do capeta nunca vêm sozinhas, juntaram-se vários factores e o meu marido, também cheio de telefonemas e afazeres e tendo que sair antes da hora de almoço, sugeriu que fossemos fazer uma rápida caminhada não fosse não haver outra oportunidade no resto do dia. 

Lá fomos. Mal pus o pé fora de casa, outro telefonema, um que queria reunião urgente. Tentei descartar-me, disse que não era tema apenas meu. Sabendo da agenda superlotada do outro, pensei que aquela reunião urgente seria agendada para o dia de são nunca. Comentei: 'Acho que desta já me livrei'.

Errado. Mais uma vez falei quando devia era ter ficado calada. Atrai, é o que digo. É que o dia estava fadado a ser um dia não -- passado um bocado, nova chamada: era esse mesmo a saber que raio de reunião era aquela. Uma estupidez de uma reunião, disse eu. Vontade de a ter: bola. Mas, sopesados os prós e os contras, acabámos por aceitar fazer a reunião na parte da tarde. Lembrei-me do outro, a confortar-me, anos antes: todos temos uma cruz para carregar.

Resumindo: nem dei pela caminhada.

Em casa, também mal tive tempo para comer uma mísera sopa, um mísero ovo e uma simples salada. Mais telefonemas, mais mails. Depois a reunião. Uma coisa enervante. Calma, maria-odete, pensei cá para mim a cada cinco minutos. 

A seguir, quando a xaropada acabou e me dirigia à cozinha para comer uns cajus e uns arandos, pensando que já não poderia aparecer mais nada para me chatear a cabeça, outra pessoa a ligar, se eu podia participar numa reunião. Não gritei por um triz. Caraças. Depois mais telefonemas. E mais essa reunião descabelada. E mails e apresentações para ver.

Quando chegou o meu marido estava eu ao telefone, irritada. Disse-me: 'Não tinhas dito que ias ter um dia tranquilo...?'. Pois. Limitei-me a encolher os ombros pois estava ao telefone . 

Há bocado sentei-me aqui e, enquanto ele adormecia no sofá e o cão dormia a sono solto no chão, adormeci também.

Acordei agora com ambos a irem para a cama (cada um para a sua, bem entendido). 

Enquanto tentava perceber quanto tempo tinha dormido, ouvi na televisão uma ave esganiçada, veias do pescoço salientes, ar sobredotado. Era a dita. Insurgia-se contra os portugueses que não sabem fazer nada, que não atinam, que já vem do tempo do Eça, que nunca foram capazes de fazer porcaria nenhuma. Notoriamente, a iluminada criatura, deve achar que não faz parte do grupo dos indigentes mentais dos portugueses. Será que acha que é chinesa? 

Tentei concentrar-me, numa de benefício da dúvida. Com muita paciência e tolerância, a modos que deixa cá ver se não sou eu que estou com os dois pés atrás, esforcei-me por lhe prestar atenção. Mas -- lamento -- não. Nada do que a senhora diz se aproveita. Mistura ironia, sarcasmo, desprezo, arrogância. Mas como tudo tem por base um zero absoluto, tudo aquilo resulta numa chachada.

Aliás, tudo o que se diz em volta daquela mesa é um exercício de parvoíce, de gabarolice, de pretenso humor. Não se aprende nada. Não se aproveita nada. Não sei qual a justificação para aquilo.

Se eu fosse responsável pela programação da SUC despedia-os a todos. Mas a que mais rapidamente ia de patins era esta insuportável criatura, que não diz uma que seja fundamentada. Ouve uma aqui, outra ali e vai para ali armar-se em letrada, em superior.

Não há pachorra. 

Nem sei porque é que isto ainda dá na SIC N. Vou fazer zapping ou espreitar a HBO e a Netflix. Puxa. Depois de um dia como o de hoje era o que me faltava era ainda ter que estar a aturar esta gente. Livra.

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Para ver se o post não é uma treta pegada, descobri estas fotografias no Guardian. Fazem parte de LensCulture Art photography awards 2022. Vêm acompanhadas pelos U2 com Stay (Faraway, So Close!)

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Desejo-vos uma boa sexta-feira

Confiança. Esperança.  Saúde. Alegria. Vida nova. 

quinta-feira, dezembro 24, 2020

A arte de usar uma máscara (e não só)

 



Muita coisa, mil pormenores, mil aspectos a ter em atenção, volta e meia alguma coisa a sair do trilho, e eu, que gosto de acautelar cada pormenor e preparar previamente para que dê certo, a ficar levemente incomodada e, com mil cuidados e tentando toda a diplomacia, esforçando-me para ir levando a coisa ao sítio -- e quando o que se espera é que quem não tem que fazer nada se mantenha quieto para não causar entropia, aparece sempre quem esteja nos interstícios a minar, a chatear. E, portanto, no meio de mil coisas certinhas e programadas, recebo chamadas e mais chamadas de gente inquieta porque alguém lhes disse isto ou aquilo e são sempre coisas desestabilizadoras. E, de manhã à noite, entre reuniões consecutivas, recebo sms e chamadas ou a alertar-me para isto, aquilo ou o outro ou a pedir se posso esclarecer alguma situação que os traz preocupados e, sempre, sempre, sempre, tem a ver com boatos, intrigas, trapalhadas que algum ressabiado ou desocupado anda a lançar.


Não há muito eu tinha pensado que por estes dias estaria de férias. Impossível. Com compras para fazer, decorações de natal para montar e telefonemas pessoais para fazer e estou nisto, a tentar levar o barco a bom porto e a tentar que os macaquinhos parem sossegados.

Em dias assim, toda eu, da cabeça ao corpo, me peço descanso, tempo para mim, para as minhas coisas, mentalmente quase imploro a todos os santinhos que ninguém pegue no meu pé, me puxe pela mão, me chame, me mace, me serrazine. E, no fim, isto. 

Salta, macaquinho.

Era nove e tal da noite, tinha o jantar ao lume, estava a falar com a minha mãe e só me apetecia chegar ao quarto, tirar os brincos, tirar o soutien. Disse isso à minha mãe. Ela disse que, quando era mais velha, a minha avó deixou-se de soutien, dizia que o soutien lhe fazia mal ao coração e que ela própria, agora, também já só usa soutien quando tem mais que ser, que parece que também lhe causa aperto no peito e que, inclusivamente, já tinha pensado, olha agora esta, querem lá ver que isto de não usar soutien é coisa de velha...? E eu a ouvir e a pensar: caraças, será? Dantes chegava a casa e tirava sapatos, sempre bem altos, depois tirava brincos, colares, soutien. O alívio que sentia fazia-me logo sentir mais descansada. Depois lavava-me, desmaquilhava-me, penteava-me e apanhava o cabelo, vestia uma roupa confortável. Agora não tenho sapatos altos para tirar mas só quando tiro o soutien sinto que entro no meu próprio tempo.


Agora, enquanto escrevo, ouço o médico Roberto Roncon, médico intensivista, falar dos doentes que acompanha, doentes covid que têm a circulação sanguínea feita fora do corpo. O que ele diz é extraordinário. O mundo vergou aos pés do corona. Claro que também fiquei a achar que ele fica melhor de máscara. Costumo vê-lo no hospital, cara tapada e agora está à civil. Raio de mundo este em que a gente até já gosta mais de ver uma pessoa de máscara, pessoa essa que há meses anda a falar-nos dos vivos meio-mortos a quem a covid retira o sangue das veias e o põe a circular fora do dono. Tudo estranho. 


Agora está a Professora Carmo Machado que o melhor que teve para levar vestido a um programa na televisão foi uma camisa que não fecha no peito e que, por isso, está aberta até abaixo das mamas. Claro que não as tem à vista pois tem um top por baixo. Mas a camisa é para ela antes de estar do tamanho e largura que está. Penso que uma pessoa que opta por esta vestimenta para se apresentar na televisão diz muito de si própria. Nem para ir passear o cão à rua faria sentido ir naqueles propósitos. Mas, na verdade, o que é que isso interessa? O tema é grave e eu prendo-me a ninharias. Mas a que poderia prender-me quando acabo de ouvir a professora a dizer com sorrisinho lerdo que aposta na palavra zaragatoa para palavra do ano? Se aqui estivesse o meu marido seria bem capaz de dizer: é o que eu digo, as mulheres chegam a esta idade e ficam malucas. E escuso de especificar qual o sentido de maluquice a que se referiria.


E agora está Sérgio Ferraz, primeiro doente covid entubado no São João, e está de sobretudo e cachecol e óculos escurecidos, e tudo faz pendant com uma cabeça absolutamente calva, um ganda cenário. Mas eu, vendo-o assim encasacado, em vez de prestar atenção ao que diz ponho-me é a reparar que não sei se ele tem uma casa muito fria ou se ficou assim depois da covid. Até pode estar num estúdio e ter-se avariado o ar condicionado. E, lá está, nada disto interessa. Perdeu catorze quilos em duas semanas e isso, sim, interessa. É estranho, este mundo do caraças.

E agora o médico diz que, ao fim destes meses, ainda não sabe em que momento se deve entubar um doente. Entubar causa lesões, não entubar pode provocar morte. Se uma pessoa morre têm que analisar os seus actos médicos: deveriam ter posto o sangue a circular fora do corpo e não o fizeram? Entubaram tarde de mais?

A vida não na mão do próprio nem de um qualquer deus mas na mão de médicos humanos e que estão ainda em aprendizagem do que é esta doença. É da gente fugir disto tudo.


E vou mas é dormir porque estou para aqui a escrever por puro descaso. Se isto fosse um diário talvez eu escrevesse outras coisas, cá muito minhas. Assim, falo nem sei de quê, só mesmo por escrever.

Intercalo o texto com a arte de máscara, intervenção artística de Volker Hermes. Gosto. Quando eu saía de manhã, salto alto, tudo a condizer ou a contrastar, vestimenta e joalharia em harmonia com a disposição, lingerie obviamente a condizer, perfume a condimentar, não me ocorria que viria o dia em que esses rituais cairiam em desuso. Hoje produzi-me toda mas da cintura para cima, não usei saltos altos. Nem perfume. E, ao início da manhã, tocaram à campainha, o meu marido estava numa reunião, fui eu a correr ver quem era. Era o senhor que cá esteve a fazer uns arranjos que vinha tirar uma dúvida, ver se tinha acabado uma coisa. Fui à pressa pôr uma máscara. Nem um minuto esteve. Mal saiu, voltei à pressa para o meu poiso e, mal pousei, pensei que aquela máscara azul desmaiado não fazia pendant com a minha blusa preta sobre a qual tinha colocado um aparatoso colar encarnado, verde, turquesa e preto. Depois, pensei que, felizmente, em casa não tinha que usar máscara; senão em vez de conjugar a lingerie teria que passar a conjugar as máscaras.

Pronto, já chega. 


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E, se gosta do Bono, é para si, muito em especial, que vai esta canção de Natal

Baby, please come home


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E tenham, meus amigos, um bom Natal

Não sei se conseguirei voltar amanhã ou só depois do Natal dobrado pelo que daqui vos envio já a minha estima e, em especial para aqueles que estão sozinhos, doentes ou tristes, o meu abraço. É virtual, bem sei, mas, é o que há e, acreditem, é sentido. 

Tirando isso, não nos esqueçamos daquela velha máxima: neste Natal, muito cuidado com o 'novo normal'. (Olha, versejei).

domingo, setembro 10, 2017

Aquela minha teoria de que os membros dos casais, com o tempo, se tornam parecidos.
[5º de 5 posts]





Tenho esta teoria que, com o meu espírito vagamente científico, tento comprovar. Estando na praia, sentada, sossegada, é como se estivesse perante um campo de observação. Ou na maneira de andar, de vestir ou, por vezes, mesmo fisicamente, olha-se para um e vê-se alguém que parece dar ares ao outro.

Se um é muito arrumadinho na maneira de estar, o outro é do mesmo género. Se um é todo floreadinho, o outro não destoa. Se são descontraídos, são os dois. 

Talvez seja algo de indefinido ou que, caso a caso, se consubstancia através de parecenças ou afinidades. Mas olho para eles e vejo quando é que a coisa funciona como casal ou nem por isso. 


E é engraçado como mesmo de costas e mesmo na praia, com pouca roupa, se consegue perceber o companheirismo, a sintonia, a convergência de gostos, o passo acertado.


Se calha serem atilados ou compenetrados, são os dois. Se são desconstruídos, são os dois. 


Não sei como é que com tantos milhões de pessoas, os que virão a formar um casal se descobrem um ao outro e como é que, tendo-se descoberto, se vem a confirmar que foram, de facto, feitos para se completarem, para serem o esteio um do outro. Poderiam nunca se ter conhecido e nem suspeitarem da existência desse outro alguém que viria a dar forma e conteúdo à sua vida. Mas, encontrando-se, parece que arranjam maneira de se ajustarem, seja de uma maneira mais explícita ou mais implícita.

Enfim, ideias que me ocorrem neste meu dia que, apesar de ser um simples sábado, foi vivido como se fosse de puras férias.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo dia de domingo.

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sexta-feira, maio 19, 2017

Franchising da Geringonça
-- com aplicação imediata onde houver carência total de governação --
[EUA, Brasil -- por exemplo, dado o impeachment iminente de Temer e Trump]


Tenho que admitir: hoje estou num daqueles dias em que o sono me vence a cada minuto que passa. Pode ser que, com o andar da noite, consiga despertar mas não garanto. Portanto, relevem, se fizerem o favor, qualquer falha que detectem seja na linguagem seja na elaboração do raciocínio.

O que sei é que, enquanto, há pouco, estive, por momentos, acordada, vi com pena o que se passa no Brasil e nos Estados Unidos. O ponto a que a degradação política chegou assusta. Países enormes, países com influência de vária natureza e a passarem por situações tão humilhantes. Assiste-se ao que ali se passa e mal se consegue acreditar.

Nos EUA, depois de um Obama que (não obstante alguns óbvios 'deslizes' à imperialista americana) exerceu a presidência com dignidade e denodo, os americanos escolheram um inacreditável Trump para lhe suceder: um parvo, um donald, um palhaço, uma anedota, um perigoso embuste. A cada dia que passa o mundo pasma com a extensão dos desmandos, do descontrolo, do total desatino -- em suma, com a anormalidade que por ali campeia, à rédea solda


No Brasil, num caldo de corrupção que mina por dentro a democracia e em que parece que poucos lhe escapam, assiste-se a uma situação de descalabro que, se fosse no meu país, me deixaria envergonhada e assustada. Corruptos, corruptores, gente que grava as traficâncias, gente que denuncia os cúmplices e entrega gravações, empresários, deputados, governantes, tudo envolvido, tudo conspurcado, tudo, tudo.

Pior: em qualquer dos casos, olha-se à volta e dificilmente se antevê nas redondezas e a curto prazo, solução que dê garantias de sucesso.

Foi pensando nisto, antes de cair num sono consolado -- de que agora parece que consegui despertar (mas apenas relativamente) -- que me ocorreu que se poderia fazer franchising da Geringonça. A Geringonça é uma daquelas apostas win-win que todos gostariam de ter parido. Pariu-a o Costa, tendo como cúmplices da paternidade o Jerónimo e a Catarina, e sendo abençoada pelo Marcelo que a enaltece e valoriza aquém e além mar, conseguindo todos, com a sua boa onda (e competência!) atrair a boa sorte. 


Qual ovo de Colombo, a coisa dá frutos após frutos: ganha-se no Euro do futebol, no Mónaco com um treinador português, com o Ronaldo que não pára de marcar golos, na Eurovisão com o Salvador, nas Nações Unidas com o Guterres, no crescimento económico acima da média, no abaixamento do défice para níveis antes nunca vistos e do desemprego. Mas o ano tem trazido mais boas notícias. O Papa veio a Portugal. A Monica Bellucci comprou casa em Lisboa e o filho da Madonna treina no futebol do Benfica. E quando tudo se conjuga desta forma virtuosa opercebe-se que, com a Geringonça, o céu é o limite. Provavelmente iremos também ganhar a Miss Mundo e as estrelas Michelin cairão do céu sobre mil restaurantes portugueses. E resta saber se o Nobel da Economia ou das Finanças não virá cair sobre o Centeno e se o Euromilhões não passará a sair todas as sextas-feiras em Portugal.


Portanto, acho que há que encarar com alguma seriedade a oportunidade. Eu, se fosse ao Marcelo e ao Costa, arranjava rapidamente alguns candidatos a quem se daria formação para que pudessem replicar a solução onde fosse necessário. Um franchising da Geringonça.

Para garantir o sucesso rápido, num primeiro momento, até terem equipa bem oleada, iriam eles mesmos assegurar a implementação e o arranque. Marcelo e Costa para a frente dos Estados Unidos. Quando tudo a correr já sobre rodas, iriam pôr o Brasil na ordem. Por cá ficariam alguns dos actuais membros do Governo que já assimilraram bem o espírito da coisa e que, facilmente, continuariam a boa qualidade do que se tem estado a fazer.

Podem pensar que estou a brincar mas não estou.

Soluções felizes são soluções ganhadoras e espalhar a felicidade pelos países mais carenciados de soluções e ansiosos pelo restabelecimento da dignidade e da felicidade é ideia que deve ser acarinhada por todos.

Portanto, agora que alea iacta est, Caríssimos e Estimadíssimos Marcelo e Costa faites vos jeux.



Acham impossível?
Medo de arriscar?
Parece solução ousada?
Perante o descalabro, preferem ficar laparamente agarrados ao passado?

Que nada.

E, se acham que de mim só vêm ideias muito à frente, sigam, então, o conselho de Bono


(de Bukowski, "Roll the Dice")

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Um dia feliz a todos quantos por aqui passam

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