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sábado, julho 16, 2016

Fogo. Mas o que é isto? Não posso estar fora?
Hoje é a Turquia? A sério: é verdade que a Turquia está a ferro e fogo?
Mas o que deu no mundo? Endoidou? Bolas.
Será que é aquilo de 'quem semeia ventos, colhe tempestades?'
Credo.





Ainda mal refeita da desgraça de quinta à noite em Nice, e querendo perceber melhor o que se tinha passado, eis que sou informada, desta vez pelo meu filho, que 'parece que está a haver um golpe militar na Turquia'. Qando mostrei a minha estranheza e preocupação, e me lastimava de que ainda 24 horas antes tinha sido o que tinha sido em Nice, diz ele: 'é capaz de não ser comparável'. Estafada, com a cabeça a precisar de descanso e sem ser capaz de discorrer por mim, perguntei porque dizia ele isso. Respondeu-me que isto pode ter maiores implicações. Agora que aqui estou a escrever e ainda sem fazer ideia do que se está a passar em Istambul, penso que aquilo em Nice pode ter sido o acto tresloucado de um doente e que não passará daquilo que lá aconteceu (e digo isto sem menorizar a imensidão do horror), enquanto isto na Turquia pode, efectivamente, desembocar numa confusão das valentes. Mas tomara que não. Pode tudo não passar de um fogacho que não traga caos às ruas nem vire uns contra outros. Podia já ter ido ver os onlines para me informar mas, senhores, de tal maneira foi o meu dia que o cansaço me está a impedir de me ir debruçar sobre fotografias ou textos assustadores.

Durante o dia, vinha-me à cabeça aquela mulher, na televisão, a quem, na véspera, tinha ouvido dizer que os corpos das pessoas voavam à frente do camião como se fossem moscas.

Felizes instantes antes, corpos indefesos instantes depois.

Podia ter sido eu. Os meus filhos, em momentos separados, também já por ali andaram ambos.
Mas, ao pensar nisso, no meio de uma longa reunião, pensava que seria bom se houvesse um intervalo e eu pudesse ir sentar-me na relva, debaixo da árvore à porta daquele edifício, e pudesse ouvir música, ler uma carta, fechar os olhos, ouvir os pássaros. Quando estou um bocado saturada alivia-me a cabeça pensar que faço alguma coisa de que gosto. Parece que a minha cabeça arranja maneira de me dar as tréguas que o mundo não dá. E se eu sou uma privilegiada! Que dirão as pessoas que vivem no corpo e na alma o medo, a perda, a revolta. Se eu, só de saber do que se passa, já fico tão preocupada e com tanta vontade de me evadir para o território encantado que a minha imaginação constrói, como não se sentirão os que sofrem de verdade?
À noite, antes de poder chegar ao pé do computador, pensava que depois de tentar perceber quem tinha sido o monstro desalmado de Nice, me iria pôr a ouvir dizer poesia ou a ouvir alguma entrevista a um escritor ou a um pintor.

Mas agora já não me apatece fazer nada disso. Apetece-me, apenas, fechar os olhos, dormir um bocado. Talvez depois, acordando, tenha boas notícias -- que nada de mal aconteceu em Istambul, que uma carta chegou para mim, que este sábado já vou voltar ao meu dia-a-dia normal, talvez ir a uma casa de gelados. E ando com vontade de ir ao cinema. Não sei se há algum filme de jeito.

Ah...! Agora estou a ver televisão. Dizem que há tiros nas ruas de Istambul, que abateram parece que um helicóptero. Tanques ao pé do Parlamento.

Aqui às portas da Europa. Mas também não admira. O caldinho que os merdosos ainda capitaneados pelo naco de nulidade do Durão Barroso armaram só podia dar nisto. Um viveiro de revolta, de raiva, uma panela de pressão. Pensava-se: um dia ainda dá porcaria. Pois, parece que mais cedo do que se pensava aí está a caldeirada armada. É no que dá. Cambada.

Mas tomara que não. Se calhar amanhã está tudo tranquilo e melhor do que antes.

Não sei o que é que se está a passar. Vou ver televisão. Ou dormir. Preciso de descansar. Preciso de notícias boas, de ouvir ou ler palavras simpáticas. Please.


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Com excepção da segunda imagem que é um tributo às vítimas da desgraça de Nice, as restantes que aqui usei referem-se a 'arte turca'. Fui ao google e escolhi ao acaso de entre o que ele devolveu da minha pesquisa. Pode o mundo virar-se do avesso, podem os países espatifar-se aos bocados, pode o género humano destruir-se, matando-se todos uns aos outros, pode tudo isso -- que a arte perdurará por todo o sempre.
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Talvez ainda cá volte mas não prometo nada. Nem sei se isso é muito provável.

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Volto para dizer que há um filme que deve ser maravilhoso. A ver se consigo ir vê-lo. Ai que mal posso esperar, que me parece ter sido feito de propósito para eu me ir lá meter dentro. Já vi o trailer duas vezes. Pode mesmo ser que o mais importante do mundo não tenha explicação? 

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Pelo sim, pelo não, despeço-me já por hoje:

Desejo-vos, meus Caros Leitores, um sábado muito feliz.
E que a sorte nos proteja a todos. Sempre.

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