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segunda-feira, março 09, 2026

Ça va san dire, que é o mesmo que dizer que that goes without saying

 

Não dormi nada bem. A meio da noite, ou melhor, da madrugada, vendo que a coisa não ia, por si só, a bom porto, levantei-me e fui tomar meio comprimido daqueles que cá tenho, acho que é de raiz de valeriana. Não me faz logo efeito mas, quando faz, para aí daí por uma hora, finalmente caio no sono. E já sei que, durante uma semana ou duas, vou dormir como uma santinha. Foi o médico de família que me receitou há algum tempo. Tenho ideia que cada caixa tem para aí uns 20 comprimidos e dá-me, à vontade, para 1 ano. 

Mas, por causa disso, acordei tarde. E com mais dor no pescoço. Agora, de vez em quando é isto, torcicolo. Na sexta-feira já me doía um pouco e fui ao ginásio na mesma, não quero dar mole. E, enquanto der, continuarei a ir, mesmo puxando pesos e fazendo aquelas forças que, ao que parece, me garantem a longevidade eterna. Só que, não sei a que propósito, também acordei com dor de garganta. Tenho cá para mim que, quando pinta um stress, o meu corpo reage, inflama, manifesta-se. Estou a virar um vidrinho, é o que é.

Por exemplo, no último ano de vida da minha mãe, em que andei permanentemente debaixo de uma enorme pressão, com ela a queixar-se de tudo e mais alguma coisa mas tudo de forma errática, ilógica, aparentemente nada correlacionado, e em que eu julgava que ela estava num estado descontrolado de hipocondria e já não sabia o que havia de fazer, andei constantemente com inflamações ora num joelho, ora num pé, ora num braço. Ora andava meio manca, ora completamente de perna no ar com canadianas, ora de braço ao peito. Quando ia com ela ao médico ou ao hospital, ela ia lesta e eu toda lesionada. Tenho para mim que o stress me afogava em cortisol e o cortisol amarfanhava-me de todas as maneiras possíveis e imaginárias.

Depois meteu-se o pesadelo de esvaziar a casa, meses e meses, infindáveis meses, de stress. E a ter que carregar com sacos e caixas e toda feita dondoca, a deixar o esforço todo para os outros, em especial para o meu marido, pois continuei aleijadinha de todo e qualquer carga fazia exacerbar ainda mais a inflamação nas articulações. Só visto.

E dormir mal também me atrofia toda. Dantes, quando trabalhava, dormia seis horas, por vezes menos que isso, e andava fresca e arrebitada todo o dia, um mimo. Agora, se durmo menos que sete, já fico com alguma coisa a tender para o disfuncional. 

Seja como for, para já, nem o torcicolo nem a dor de garganta são por aí além. Por isso, fomos na mesma passear à praia. Não estava bom tempo. Mas estava um movimento do caneco, os estacionamentos inexistentes. Tivemos que andar por ali e pelas redondezas à procura de agulha no palheiro. Não íamos almoçar lá mas queríamos comprar sushi para almoçarmos em casa. Tudo cheio, a deitar por fora, tudo com montes de gente à porta. Não estávamos a perceber o que era aquilo. Vi uma mulher com uma roupa meio estranha e por um instante ainda pensei que, na volta, o carnaval se tinha estendido no tempo. Depois vi várias com flores. ainda me ocorreu que fosse dia dos namorados mas depois lembrei-me que isso já tinha sido. Antecipação do 25 de abril não porque não eram cravos. O meu marido também não estava a perceber. Pensei que se calhar era dia da mãe. Depois, porque gosto de confirmar as minhas suposições, perguntei ao gemini. Dia da Mulher. Só me apeteceu pensar que se calhar mais valia passar a chamar-se dia do restaurante.

Fomos passear à beira mar. Como sou míope, vi ao longe uma criatura pequena e gorda a rodopiar com os braços ao alto e um objecto na mão. Comentei: 'Até já as miúdas pequenas se auto-filmam em poses parvas. Em vez de olhar para o mar, olha ali aquela miúda a filmar-se a ela própria como se o mar fosse um mero pano de fundo. Caraças'. O meu marido respondeu: 'Qual miúda?'. Com o queixo apontei. Ele, sempre parco de palavras, apenas perguntou: 'Achas que é uma miúda?'. Pus-me a fotografá-la naquelas poses inestéticas, irracionais e despropositadas. Quando cheguei perto, vi que, afinal, criança era coisa que ela já não era,  era uma mulher baixa e gorda de calças muito justas, o volumoso rabo e as pequenas e gordas pernas a quererem estraçalhar aquelas calças todas. Num banco perto, uma criança à espera que a mãe se cansasse de fazer aquelas tristes figuras. Depois lá foram, à nossa frente. Fotografei-as: a criança mais alta que a mãe e, aparentemente, mais sensata, vestida mais normalmente. Só não ponho aqui as fotografias que tirei não vá a senhora descobrir e ficar furibunda. Afinal estou a descrevê-la como estou enquanto ela se vê, tenho a certeza, como uma nova Raquel Welch. E se já não há por aí a ler-me uma alma que saiba de quem estou a falar, então muito me contam. Serei a mais idosa ou a menos desmemoriada de entre todos os que por aqui passam? -- E ok, ok, façam o favor de fazer a caridade de não me responderem.

O que sei é que, à medida que ia andando, ia pensando: é este o mundo que temos pela frente. Não a perguntar mas a afirmar.

Mas, para não dar a viagem por perdida, ainda lá fiz dois pequenos vídeos que publiquei no Instagram. E, entretanto, ao telefone, a minha filha já manifestou, mais uma vez, a sua estranheza e incompreensão: não sabe o que é aquilo, o mar faz muito barulho, a minha voz mal se ouve, não falo de nada que interesse, e teme que ande, eu também, a fazer figurinhas tristes. Sosseguei-a: estava num sítio em que não havia mais ninguém. E são uns segundos, aponto o telemóvel, digo o que me ocorre dizer naquele instante e já está. Deveria editar ou ter o discernimento de me deixar estar quieta, bem sei. Mas se acho piada a fazer aquilo, porque não hei-de fazer, ora essa? E depois há coisas bizarras. Na quinta-feira à tarde fui passear à beira rio e vi um barquinho quase todo afogado. O barquinho chamava-se Faisão. Apontei o telemóvel e disse: 'Olha... o faisão foi ao banho...'. Pois bem, acreditam que ontem vi que aquilo já tinha sido visto mais de 3.800 vezes? Achei fantástico. E incompreensível. Claro que 3.847 é coisa nenhuma, zero vezes zero quando comparado com os milhões que as influencers de sucesso alcançam. Mas eu sou uma simples anónima, de voz sumida, que não diz coisa que se aproveite. Porque é que as pessoas veem? Será que acham que é uma coisa tão descabida que veem para tentar perceber se há ali alguma mensagem subliminar? Se é, lamento desapontar mas é mesmo só falta de jeito e, se calhar, também de tino.

E, para que vejam bem o grau de desorientação em que esta minha cabeça anda -- na volta porque o pescoço que a sustém está repuxado e a garganta dorida -- tenho que confessar que, quando abri o computador, vinha com a ideia de aqui desabafar um bocado a propósito do animal, do estupor, do infame e cruel cavalgadura que anda a desaustinar o mundo inteiro. Mas distraí-me e, depois, não me apeteceu arrepiar caminho.

Portanto, não levem a mal que eu não tenha feito mais nada senão por aqui ter andado na converseta, sem acrescentar nada que valha a pena... Mas, para que não fiquem a pensar que já estou mesmo maluca de todo e que, com a divagação pegada para a qual derrapei, me esqueci da abestalhada figura, aqui vai o cartoon que a Ella Baron fez para o Guardian

Finalmente, aqui chegada, e vou já dar a faena por encerrada, não faço ideia do nome que hei-de colocar lá em cima, como título deste post. Só me faltava mais esta, já meio a dormir e sem encontrar um denominador comum no que escrevi...

A guerra de Trump e Netanyahu no Irão: As novas roupas do Imperador 


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Desejo-vos uma boa semana

segunda-feira, dezembro 29, 2025

Solidão

 

No tema das doenças mentais há várias vertentes, qual delas a mais interessante e, talvez, a mais complexa. Como leiga, direi: misteriosa. 

De um lado há as causas, muitas vezes ocultas, da doença. E, num outro lado, há os meios para as descobrir ou controlar. De forma mais material, de um lado estão as pessoas que têm os problemas e de outro estão as pessoas que conseguem tratar as primeiras.

Se nem sempre é fácil a quem tem ataques de pânico ou sofre de depressão ou de uma qualquer outra patologia perceber o que origina as crises também não será menos verdade que também não é fácil encontrar o terapeuta que acerta na abordagem ou que consegue despertar a confiança virtuosa junto de quem precisa de apoio.

Tenho aqui partilhado diversos vídeos sobre o tema e fica claro que estes domínios não são da ordem da ciência exacta. E fica também claro que o tempo dos estigmas ou dos tabus deve ser do passado. Tem que ser do passado. Ninguém está livre de ter um problema destes ou de ter que lidar com quem esteja afectado. E é importante que todos estejamos sensibilizados para esta temática seja por nós seja para podermos compreender e apoiar quem disso precisar.

Mas se as causas profundas destes distúrbios são misteriosos, também o são os vínculos entre médico/psicólogo/terapeuta e o doente, ou a forma como o terapeuta tem que se despir de si próprio para conseguir alcançar o paciente.

Já falei várias vezes de uma amiga psiquiatra que é das pessoas com a vida mais problemática que conheço. Perdi-lhe, entretanto, o rasto pois divorciou-se e éramos amigos do casal e algo se desmoronou depois dos inúmeros conflitos que ensombraram o fim do casamento. O meu marido chegou a um ponto em que, de cada vez que estávamos com eles, me dizia: 'Não tenho paciência para aturar esta maluca'. E chegava a sair da sala em que ela estava de tal forma ficava exasperado. Sendo fisicamente uma bela mulher e aparentemente normal, era, de facto, uma mente perturbada. No entanto, a nível profissional, parece que era muito competente. Chegou a directora do serviço num grande hospital. E depois deixei de saber dela. Com isto das redes sociais, descobri, no outro dia, que é amiga de um amigo meu. E vive no estrangeiro. Hei-de saber dela. Mas o que me espanta é como é que uma pessoa com forte pancada consegue ajudar os doentes de foro mental a encontrarem equilíbrio quando ela é, na sua vida pessoal, completamente desequilibrada.

Conheço também uma psicóloga, embora não tão bem como a psiquiatra. Mas, do que lhe conheço, também lhe detecto aqui e ali uns pontos que me colocam alerta. No outro dia estava com duas amigas que a conhecem muito bem e que se referiram a ela como alguém com alguns desequilíbrios. E, no entanto, profissionalmente, é conceituada e reconhecida. Portanto, há nisto também um certo mistério.

O vídeo abaixo é muito interessante. Sem meias palavras, com muita objectividade, Henrique Dias descreve o surgimento dos primeiros sinais e guia-nos pelos caminhos da sua ansiedade, da sua depressão, dos tratamentos, da procura do terapeuta que, finalmente, conquistou a sua confiança e conseguiu conduzi-lo para fora dos labirintos onde o negrume imperava.

Diz ele que quem tem problemas de ansiedade ou depressão muitas vezes não o partilham. Talvez  por amor aos mais próximos, para não os preocuparem. Talvez por incapacidade. Talvez caiba, pois, a quem está bem a responsabilidade por estender a mão. Não deixemos que os que se sentem sós no seu sofrimento, por dificuldade em sair da solidão, não possam contar com a ajuda de quem poderia ser, de alguma forma, uma boia de salvação.

Henrique Dias, depressão e ansiedade. “Há uma solidão tremenda nas doenças mentais”

Foram precisos 12 anos, a partir do diagnóstico, para encontrar o psiquiatra certo para ele e a terapia que o pôs no caminho onde está hoje. Henrique Dias, guionista, autor de inúmeros textos no teatro e na televisão e um dos criadores da série “Pôr do Sol”, da RTP, era um jovem de 22 quando teve o primeiro ataque de pânico. No Labirinto — Conversas sobre Saúde Mental, fala do percurso entre o diagnóstico, o internamento num hospital psiquiátrico e a descoberta da psicanálise.


Desejo-vos uma boa semana

sábado, outubro 18, 2025

Ataques de pânico

 

Já aqui trouxe várias vezes o tema das questões mentais. Sou muito sensível a isso. Aliás, recordo que, quando acabei o liceu, uma das minhas primeiras opções era a Psiquiatria. Pu-la de lado pois tirar primeiro medicina e ver-me confrontada com a presença mortos nas aulas de Anatomia era-me insuportável. Depois virei-me para Psicologia e ainda me lembro de andar com a minha mãe a procurar informação. Creio que fomos ao ISPA. Sem internet e sem informação facilmente consultável, tudo era complicado. Não conseguimos obter a certeza de que o curso era uma licenciatura e que os psicólogos poderiam exercer de forma certificada. Mas, sei-o agora, a informação que obtivemos não deve ter sido a mais correcta pois o que não falta são psicólogos mais ou menos da minha idade. desisti e fui para outra área completamente diferente. Mas o gosto por compreender o outro e de ajudar quem precisa na medida das minhas possibilidades manteve-se.

E gosto de compreender o que se esconde sob as aparências e gosto de compreender os mecanismos físicos que fazem com que tantas vezes reacções psicológicas sejam percepcionadas como reacções físicas. E são mesmo físicas. Só que o que as desencadeia não é muitas vezes uma doença 'física' mas uma reacção emocional inoportuna, descontrolada.

Felizmente tenho sido bafejada pela sorte e, até hoje, nunca me aconteceu que a ansiedade passasse das marcas e desencadeassem em mim reacções que não conseguisse controlar. Profissionalmente lidei com assiduidade com situações de stress, tive frequentemente de me expor, apresentando opiniões divergentes da linha mais corrente, tive que enfrentar quem queria impor a sua vontade contra a minha. Acontece que, nesses momentos, uma calma que até enervava os outros parecia tomar conta de mim. Pessoalmente, em particular com os problemas de saúde dos meus pais, quer com o lento e doloroso declínio do meu pai quer com a situação complexa da minha mãe que encobriu um segredo enquanto se deixava consumir pelo medo que não assumia, não têm conta os momentos de tremenda ansiedade que se ia progressivamente instalando dentro de mim, tendo inclusivamente pensado que era quase impossível que uma depressão não me colhesse. Mas, não sei como, o meu corpo sempre se conseguiu aguentar. Sorte, apenas. 

Mas trabalhei com um jovem alegre, talentoso, muito competente, reconhecido por todos, acarinhado por todos, que um dia me confessou que de vez em quando tinha tremendos ataques de pânico. Contava que apareciam do nada, muitas vezes quando até considerava que estava calmo, muitas vezes à noite, em casa. Como morava sozinho, tão aflito ficava, tão convencido ficava que estava em risco de vida mas, ao mesmo tempo, também sabendo que já antes tinha estado no hospital e que lhe tinham dito que eram ataques de pânico, saía de casa e ia para dentro do carro que estava estacionado na rua. Pensava que ali mais facilmente pediria ajuda se estivesse mesmo a morrer. Quando ele me contou, fiquei admiradíssima. Nunca tinha percebido que ele fosse uma pessoa ansiosa. 'Disfarço bem', disse-me ele. Quanto tentei perceber o que lhe provocava a ansiedade a ponto de ter ataques de pânico, disse-me: 'Tudo'. E, no entanto, parecia sempre bem disposto. 

Ou seja, as pessoas desenvolvem mecanismos para se protegerem. Ou melhor, para esconderem dos outros. E esses mecanismos nem sempre são os melhores. Quando lhe perguntei porque não se tratava disse-me que não tinha tempo, que eu sabia bem como era a sua agenda, o seu ritmo de trabalho, o seu dia a dia. Não aceitei pois se tinha tempo para ir ao ginásio ou ao dentista também podia conseguir tempo para se tratar. Desvalorizou: 'Vou conseguindo controlar. Isto passa.'. Ainda insisti mas percebi que já estava era arrependido de me ter falado nisto.

Recorrer a tratamento psicoterapêutico ainda é um passo que muitas pessoas não conseguem dar. E, no entanto, como poderia ser mais leve a sua vida, se o conseguissem.

Partilho um vídeo em que um psiquiatra fala de um doente seu e, em paralelo, fala de problema idêntico pelo qual passou. Penso que alertar para a necessidade de levar a sério e tratar devidamente as questões de saúde mental nunca será demais.

O doente que superou os ataques de pânico | Do Outro Lado

Ao acompanhar um jovem com ataques de pânico, o psiquiatra João Perestrelo recordou-se da sua própria luta, na juventude, e da coragem necessária para enfrentar a ansiedade


Desejo-vos um bom sábado

domingo, setembro 28, 2025

Ansiedade, bullying, fobias sociais

 

Por vezes receio que pensem que estou a pintar uma versão ficcionada e melhorada de mim. Mas não é, limito-me a dizer as coisas como as penso ou recordo.

Estava a ver o vídeo que aqui partilho, no qual duas pessoas que admiro, uma há mais tempo, o médico Drauzio Varella, e outra mais recentemente, o influencer Felca, e dei por mim a pensar que, felizmente, nunca sofri bullying nem mesmo em miúda, nem me lembro de ir contrariada para a escola. Serei diferente do resto do mundo?

Mas, pensando bem, também não me lembro de saber que algum dos meus colegas o sofreu. Contudo, sabendo-se que quem o sofre muitas vezes o sofre em silêncio, será que eu é que não dei por isso? Ou será que, também sem dar por isso, algumas vez eu o pratiquei?

Do que me lembro sempre gostei de toda a gente, sempre me dei bem com toda a gente, gordos ou magros, altos e baixos, feios e bonitos. Mas também sempre fui distraída, indiferente à intriga, bem disposta, divertida. Sei lá se alguma vez não me desatei a rir por qualquer coisa e se o meu riso não foi entendido por alguém mais sensível como troça? Não sei. 

E lembro-me de uma colega muito doce, muito silenciosa, com um ar sempre vagamente triste. Porque seria? Não me lembro. Sentir-se-ia mal amada pelos colegas? Quando soube que já tinha morrido fiquei muito impressionada, fiquei a pensar que se calhar ela não tinha conhecido a alegria de viver ou que, se calhar, desde sempre ela tinha trazido a morte dentro de si (e, pensando isto, reconheço que não faz muito sentido pois se calhar todos a transportamos dentro de nós, sejamos tristes ou alegres).

E, depois, se calhar não posso pensar nestes assuntos tomando-me a mim por padrão pois nunca me desgostei especialmente com a minha aparência nem me lembro de alguma vez ter sido objecto de troça seja pelo meu aspeto físico seja pela minha maneira de ser. Se calhar fui e apenas não dei por isso. E sei lá se os meus colegas mais magritos ou mais gordinhos (ou magrinhas e gordinhas, porque isto tanto vale para eles como para elas), ou os rapazes que viam os outros a jogar energicamente futebol não tendo eles qualquer jeito ou gosto nisso, ou os que tinham o cabelo mais encaracolado ou os que tinham óculos mais graduados, ou que não conseguiam atinar com alguma matéria ou qualquer outra coisa do género, não se ressentiam quando pensavam que alguém os estava a discriminar ou a gozar.

Por exemplo, havia um rapaz que era por vezes gozado por uma certa particularidade física. Não sei se ele se incomodava com o que diziam. Eu, por exemplo, achava-o o mais sexy de todos, se calhar até por isso mesmo. E era apaixonada por ele. E ele por mim. Se ele se molestava porque o gozavam nunca percebi até porque, para além do mais, ele sabia que isso não impedia que o seu amor por mim fosse retribuído. Mas, se agora o questionasse sobre o assunto, o que será que ele diria? Será que guardou mágoas? Que se sentia revoltado? Envergonhado? Será que aquela irreverência e rebeldia que lhe era tão peculiar resultaria em parte disso?

Hoje estamos todos mais sensibilizados para estes fenómenos. As pessoas já falam mais abertamente das suas ansiedades, dos seus medos, e todos já respeitamos o sofrimento alheio, sofrimento esse que se manifesta das mais variadas maneiras, podendo até ser recalcado ou sublimado.

Quando ouço testemunhos como o do Felca fico a pensar nisto. Quando ele, já com 18 anos, contou aos pais o que se tinha passado nos últimos anos, eles desataram a chorar. Compreendo-os bem. Queremos o bem, a felicidade, o melhor para os nossos filhos. Saber que eles sofreram em silêncio e que não fomos capazes de os ajudar deve ser muito doloroso.

Todo o cuidado é pouco na atenção a prestar aos outros, em especial se forem crianças ou adolescentes. Ter atenção a pequenos sinais, estar muito presente, querer saber, mostrar aos filhos que se está e estará sempre ali para eles é fundamental.

Quando o Felca, que tem milhões de 'seguidores', diz que ainda hoje tem fobias sociais, que ainda tem muitos medos, que, por exemplo, ainda tem dificuldade em ir ao mercado, percebe-se como tantas vezes algumas pessoas têm males profundos, difíceis de desenraizar, que, como ele, cristalizam dentro de si. E percebe-se também como tantas vezes as pessoas que vemos e que julgamos que conhecemos bem podem, afinal, guardar segredos de que jamais desconfiámos.

Felca fala sobre Ansiedade e Bullying com Drauzio Varella


Desejo-vos um belo dia de domingo

sábado, julho 13, 2024

Post incumprido

 

Como deve ter dado para perceber, tenho estado fora. 

Dormi outra vez mal pois o pé desinfectou e desinflamou, está agora com uma mancha escura e algumas crostas e pele a cair, sobretudo no sítio em que estavam as bolhas, mas agora dói-me; mas é uma dor de tipo inflamação da articulação. Está um bocado rígido e doloroso. A médica tinha dito que tinha que se atacar logo 'até porque está mesmo em cima da articulação...'. Como andava com o pé um bocado de lado, pois custava-me assentá-lo, devo agora estar a pagar as favas da questão posicional. Nada de mais mas o suficiente para me dificultar o sono. Ora eu passo mal com défice de sono.

De qualquer forma, depois de uns belos dias de praia (a ver se um dia destes conto qual a praia e a terra que, se calhar, se posiciona no pódio das praias algarvias, na volta até no 1º lugar. Não conto hoje pois estou perdidésima de sono), foi dia de regresso.

Voltámos hoje à tarde e fomos directamente buscar a fera ao hotel em que tinha ficado. Portou-se mal e, tal o estado de ansiedade em que ficou, até parecia desfigurado, parecia que tinha os olhos projectados para fora, esbugalhados, e as orelhas, pelo contrário, encostadas para trás, até parecia que as não tinha. Estranho, transfigurado, hiper reactivo. E está com uma alergia na barriga que a senhora nos disse que poderia ser da relva ou do stress.

Ficou feliz, exuberantemente feliz da vida, da vida quando nos viu, parecia que estava a ser resgatado do inferno. E, no entanto, aquele 'hotel' em que estava é um luxo. Mas afastar-se de nós é para ele um pesadelo dos piores.

A seguir fomos dar uma voltinha com ele e, claro, tal como nas vezes anteriores, fez não sei quantas vezes cocó. Tal como os meus netos que vêm da escola sempre aflitos pois não gostam de fazer cocó na escola, assim esta nossa pequena fera. Vem de lá e mal se apanha no campo é fazer cocó umas vezes a seguir a outras.

Depois fomos ao supermercado pois vamos ter casa cheia e tínhamos o frigorífico com pouca coisa. A seguir fomos à farmácia comprar produtos para o tratar.

E ainda fomos fazer uma pequena caminhada junto à praia e buscar sushi para o jantar.

Depois, em casa, foi desarrumar as malas (devo confessar que vieram bem mais carregadas do que foram pois embora eu tenha começado por dizer que não queria nada mais, não precisava de nada mais, que nada de nada, acabei por trazer mais um fato de banho, mais um chapéu, mais dois vestidos, mais uns brincos e uns anéis e etc), arrumar os sacos do supermercado, tomar banho, etc. E isto já tarde, tarde.

Conclusão: mal pousei aqui no meu querido sofá, apaguei. Acordei estremunhada, a sentir que deveria era arrastar-me para a cama. Mas como tenho esta necessidade de não acabar o dia sem vir aqui dar um arzinho da minha graça, aqui estou.

Tenho coisas para contar, coisas bonitas para mostrar ,mas tem que ser quando estiver acordada... Por isso, sorry mas este é mesmo um post que não é post...

terça-feira, outubro 31, 2023

A casa de Bella Freud, filha de Lucien Freud, neta de Sigmund Freud
(para ver se me redimo de vos maçar, outra vez, com os meus problemas...)

 


Estou um pouco esgotada. E o 'pouco' é, claro, uma maneira de dizer. Já passei por tanta crise, tanta situação difícil, por vezes por dentro de situações limite que nunca esperaria viver, e nunca me senti tão exausta e sem saber como dar a volta às coisas como agora.

Ao longo de toda a minha vida, mesmo no meio de furacões ou terramotos, sempre me mantive relativamente serena, com a perspectiva do que fazer para escaparmos o mais incólumes possível. Sempre reconheceram em mim a característica de não perder o pé, não perder o rumo, não perder o sangue frio, não perder o optimismo. Por vezes, eu própria me questionava se isso não seria sinónimo de inconsciência.

Pois, neste momento, isso não acontece.

Quem me veja a lidar com a situação talvez ache que, apesar das circunstâncias, consigo manter o racionalidade, a tranquilidade. De facto, tento manter a argumentação, tento convencer, tento aguentar as coisas, tento mostrar-me calma. 

Mas, por dentro, sinto-me quase derrotada, pois todos os dias, várias vezes durante o dia, sou submersa pela mesma onda, sempre a mesma onda, cada vez mais forte, cada vez mais alta. Como se eu não tivesse dito nada antes, como se antes não me tivesse esgotado em explicações, em argumentações, como se não lhe tivesse feito a vontade e falado com médicos, uma e outra vez, ido a consultas, etc. Sempre a mesma conversa, as mesmas queixas, o mesmo choro, a mesma postura, a mesma respiração de quem está muito mal, e as mesmas reivindicações, a mesma atitude que, sinceramente, já não sei se é genuína ou se é também uma (talvez inconsciente) manipulação para tentar levar-me a fazer exactamente tudo o que quer (e digo isto pois sintomas que eram gravíssimos, insuportáveis, no dia seguinte, por milagre, já desapareceram dando a vez a outros, ou desaparecem se falo com os médicos conforme ela queria, embora no dia seguinte possam reaparecer, já que os médicos nunca dizem o que ela quer ouvir). 

Por mais que lhe evidencie que nada disto faz sentido, que nos últimos tempos isto repete-se diariamente e que a resposta que obtém de todos quantos a examinam é sempre a mesma, não se convence. Ninguém presta, ninguém sabe, ninguém quer saber, nem quem a examina e, certamente, nem eu.

Hoje foi a um outro médico, um que não tinha nada a ver com nada disto, mas a quem, inacreditavelmente, foi contar a mesma história, recorrentemente contada, a de que os medicamentos estão a acabar com ela. O médico, certamente pensando que isto não tem sido objecto de não sei quantas idas a médicos e urgências, disse que ela devia pedir uma segunda opinião. E, então, a seguir, a conversa era esta, a de que este médico tinha aconselhado isto e que era isto que se devia fazer. Ora isto como se já não tivesse pedido mais de umas vinte opiniões. 

Quando, já exausta, lhe digo que, em vez de andarmos nisto, nesta insanidade, se ela quer deixar de se tratar, que tome ela essa decisão pois, como já constatámos, nenhum médico lhe retira ou altera a medicação pois é a indicada (todos o confirmam). E, se os médicos o dizem, não sou eu, que não sou médica, que vou fazê-lo.

Nessa altura, aconteceu o que acontece também frequentemente: que ela não quer fazê-lo, eu é que percebi tudo mal, eu é que não presto atenção ao que ela diz, que eu é que invento coisas. 

E não saímos disto. 

Porque, de facto, o que se passa é que anda obsessivamente a arranjar sintomas e argumentos para justificar que, com carácter de urgência, continuemos a tentar descobrir um médico que faça o milagre de a pôr vinte anos mais nova, sem necessidade de qualquer medicamento. Ora como não sei onde descobrir tal médico, vou continuar nisto. 

Os meus filhos dizem-me que não ligue, que não me deixe abalar. Dizem-me até que lhe diga que não quero falar mais de doenças ou que, se é para continuar com a mesma conversa de sempre, não estou disponível para isso. Ou seja, acham que não devo alimentar a conversa pois é um loop do qual não saímos. Mas é impossível fazer o que sugerem pois ela chora, simula que mal respira, queixa-se de tudo como se estivesse numa fase terminal, sendo que os sintomas, como já aqui referi, vão literalmente da cabeça aos pés e, segundo ela, tudo indicia uma coisa de gravidade extrema. Ora, perante este cenário, como é que posso dizer que não quero falar mais disto? Até porque sei lá se é a pancada de sempre ou se, algum dia, está mesmo doente. 

Hoje voltei a perceber que o que queria mesmo era voltar a ser internada para ser examinada  em contínuo, todos os dias, exames integrais, de todo o tipo. Mas isso não existe, não vou chegar às urgências e dizer um disparate destes. Então fica num desespero como se eu não quisesse que se soubesse o que tem para poder tratar-se como deve ser.

Receio, sinceramente, dar em maluca com isto. 

Mas, enfim, hoje tinha resolvido não falar deste mesmo tema, ninguém tem que estar a levar com coisas tão chatas. Mas como a última cena foi mesmo há pouco e como estou deveras apreensiva sem saber como resolver esta situação, voltou a sair-me esta prosa... 

Garanto que amanhã não vou reincidir... Já dou com cada seca aos meus filhos... Era o que faltava terem vocês que estar também a ser sacrificados. 

Não falo no meu marido pois ele assiste diariamente a esta crise permanente, cada vez mais aguda, cada mais consecutiva, e, portanto, não o massacro a relatar o que se passa pois ele, coitado, também anda a passar por ela. E se, por um lado, é adepto do que os meus filhos dizem, que não devo alimentar a conversa, pois acha que se eu me recusar a falar sobre o mesmo de sempre talvez ela acabe por 'atinar', por outro, percebe que é praticamente impossível, concretizá-lo. Talvez algum psicólogo saiba desviar a atenção de alguém que obsessivamente se alimenta destes medos. Eu não sei. Mas já andou uns meses numa psicóloga e não descansou enquanto não a largou, achando-a incompetente, com conversas parvas que não levavam a lado nenhum. Por fim até ficava quase agressiva quando eu lhe recomendava que lá voltasse.

Bem. Calo-me já. Caraças. Peço mesmo desculpa. Vou arranjar um automatismo para, se um dia destes me der para voltar a falar do assunto, um martelo automático entrar em acção em cima das minhas mãos.

Nem eu já me aguento... Sorry.

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Para ver se me redimo, vou partilhar um vídeo em que Bella Freud (que aparece nas pinturas lá em cima), filha do pintor Lucien Freud (com quem aparece na fotografia aqui mesmo acima) e bisneta de Sigmund Freud, mostra a sua casa e fala do pai. Tem peças interessantes e até tudo muito engraçado.

Está legendado mas algumas palavras, na tradução, saem um bocado ao lado, há que dar o devido desconto.

Inside this Designer’s Eclectic London Home Filled With Sentimental Objects | Vogue

Cult fashion designer Bella Freud's west London abode is filled with playful details that speak to her eclectic circle of friends and collaborators. While taking us throughout the home, Bella talks about her late father, her great grandfather (the legendary Sigmund Freud), shows off a mini golden replica of Nick Cave's hand, and more.


Desejo-vos um dia bom
Saúde. ânimo. Paz.

domingo, outubro 29, 2023

Desbastar árvores.
Tentar controlar exacerbados medos (alheios)

 

Estava ainda na cama, comecei a ouvir um barulho. Claro que a essa hora o meu marido já estava levantado há não sei quanto tempo, já tinha regressado do seu passeio matinal com o urso felpudo. 

Apurei o ouvido. Percebi que estava a trazer qualquer coisa da cave.

Depois ouvi abrir a porta da frente. E um ruído metálico. Depois ele a dizer à fera que se desviasse.

Estremunhada, um sino tocou na minha cabeça. Ia desbastar as árvores do jardim junto à entrada.

Num salto, apeei-me da cama e, à trouxe-mouxe, enfiei uma roupa qualquer. Num ápice, estava fora de casa

Já ele tinha desdobrado a escada, já estava encavalitado, lá em cima, em acção, com serrote e podão de cabo extensível.

Concordei que fosse podar aquela profusão de ramos pois as duas árvores estão gigantes, compactas, não deixando passar o sol e impedindo o desenvolvimento da relva por baixo. E provavelmente a falta de sol ia atrofiar a magnólia. Mas não quero é que ele faça isso sozinho. Primeiro, receio que a escada resvale ou que ele resvale e que eu não esteja para acudir. Depois, receio que corte o que não deve pois, estando lá em cima, no meio dos ramos, perde a perspectiva e pode cortar a eito. Acresce que há uma trepadeira que dá flores muito bonitas que se suporta nos ramos da árvore. Por isso, não se pode cortar nenhum ramo em que ela esteja presa, senão é para a desgraça.

Portanto, andei a ajudá-lo, não só apontando para os ramos que podiam vir abaixo como, depois deles cortados, puxando-os e arrastando-os para um monte.

Foi mais de uma hora, talvez mais de duas, não sei, de volta daquela árvore. Ainda podia tirar-se mais uns quantos mas já não são alcançáveis com a escada.

Talvez este domingo se trate da outra árvore.

Este é o tipo de coisa que gostamos os dois de fazer: desbastar árvores. 

Sempre gostei embora na base da cabeleireira. Aparar, cortar umas pontas, com um gentil podãozinho. Batia-me por elas quando o meu marido queria reduzi-las a metade do volume, de serrote e podãozão em punho. Mas agora já percebi que, se não tentamos conter a natureza, ela acaba por nos devorar. E, com sensibilidade e bom senso, as coisas podem parecer em estado natural e, ainda assim, estarem sob controlo.

Claro que este foi o momento levezinho pois houve também o momento denso com a minha mãe. Nada de diferente dos outros dias. Mas uma pessoa chega a um dia em que parece que atinge o limite das suas capacidades.

Não consigo perceber se ela sempre foi como é agora, embora tivesse mão em si própria (e, portanto, fazendo com que não nos apercebêssemos), ou se está mudada. Não consigo perceber. Os meus filhos acham que está mudada, dizem que a avó não era assim. Eu não estou certa disso. O que sei, e disso tenho a certeza, é que o medo que tem de estar doente e o medo de não estar cabalmente diagnosticada, associado ao medo de fazer os exames como deve ser e, sobretudo, tudo potenciado pelo medo de tomar medicamentos, dão-lhe cabo da cabeça a ela e a mim. Por mais exames que faça, acha sempre que ainda não foi devidamente avaliada. Ou acha que os médicos não prestam. E, sempre que lhe receitam alguma coisa, faz de tudo para não tomar os novos medicamentos. E faz de tudo, mas tudo, para convencer toda a gente, nomeadamente os mil médicos a que já foi, que os medicamentos que está a tomar a deixam mais doente do que se não se tratasse. Isto apesar dos exames todos demonstrarem que não tem nada a não ser a doença para a qual está a ser tratada.

Como também tem medo de tomar ansiolíticos, fica muito difícil de lidar com a situação (difícil, muito difícil, para ela e para quem lida com ela, nomeadamente, eu).

Tantas vezes, tantas, tantas, parece estar muito mal, convence-se que está muito mal, transmite-me e mostra-me que está nas 'últimas' e tantas, tantas, tantas vezes não é nada -- e, mal se distrai ou abstrai, fica como se nada fosse --, que fico sempre a achar que é mais uma das suas crises exacerbadas. Mas receio que um dia seja a sério e que eu erradamente desvalorize. Mas, quando estou nesta preocupação, passado um bocado já ela está noutra. Noutra... pois, logo de seguida, já está outra vez muito, muito mal, mas com um outro sintoma.

Hoje disse-me que os meus tios é que têm sorte de ter uma filha médica pois assim a minha prima sabe sempre avaliar o estado de saúde dos pais. Pois. Infelizmente não posso fazer nada para resolver essa pouca sorte dela. Não apenas não tenho conhecimentos médicos como, além disso, ela não liga patavina ao que eu digo. Por vontade dela, para ultrapassar as minhas limitadas competências, todos os dias eu pegava nela e levava-a para as urgências. 

Muito complicado. 

De facto, nunca pensei que se transformasse desta maneira. Não quer fazer tricot ou crochet, diz que não tem paciência, diz que nada na televisão lhe interessa, não pega num livro, não conversa de outra coisa que não das suas doenças. Em cima disso, sabe de cor as bulas dos medicamentos, pesquisa no google tudo sobre doenças ou tratamentos e... fica com todos os sintomas que lê. 

Desperdiça estupidamente estes seus anos. E, por mais que a tentemos convencer a tratar-se da ansiedade, não quer, irrita-se comigo, fica furiosa: acha que está tão mal, fisicamente tão, tão mal, e eu, insensivelmente, a desvalorizar. Isto apesar de todos os médicos lhe dizerem o mesmo. Mas depois acha que eu é que influencio os médicos. Por mais que lhe diga que não falei nisso aos médicos, não acredita.

(Enfim, é o que é. Escuso de para aqui estar nesta lamúria porque é o que é. Além disso, acho que só que quem passou por isto é que consegue perceber como é.)

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A conversa hoje está pouco animada, não está...?. E eu não gosto de vir para aqui chatear os outros com as minhas minudências. Por isso, pedindo-vos desculpa pela conversa, bora mas é lá dançar.

Play by Alexander Ekman


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Desejo-vos um bom dia de domingo

Saúde. Ânimo. Paz.

segunda-feira, março 13, 2023

Ataques de pânico
Anabela Figueiredo e a ansiedade. “Deixei de andar de carro, de jantar com amigos”

 

Não é tema para noite de Óscares nem sequer para passadeira vermelha.

Mas também não tenho frequentado o escurinho das salas de cinema para aqui poder botar faladura sobre matérias cinéfilas.

Portanto, com vossa licença, vou falar de um tema pouco sexy.

Já aqui o referi: felizmente não conheço a experiência dos ataques de pânico pelo que não posso aqui trazer o meu testemunho pessoal. Contudo, conheço quem já tenha passado por essa terrível experiência.

Ainda não há muito, uma pessoa me contava que, na noite anterior, tinha tido um angustiante ataque de pânico. Depois de muitos exames médicos em que tentou despistar diferentes doenças pois tinha a certeza de que tinha um problema físico, concreto, com sintomas muito evidentes, e porque aquelas manifestações exuberantes aconteciam do nada, sem que estivesse nervoso, tinha finalmente reconhecido que o problema de que padece é do foro mental.

Por exemplo, nesse dia, segundo me contou, estava em casa a cozinhar, tranquilamente. 

Como vive sozinho, apesar de já saber que são ataques de pânico e não cardíacos, ainda tem um certo receio de que alguma consequência grave ocorra e, por isso, quando isso acontece e está em casa, vai para o carro. Acha que, em situação de ser preciso algum socorro, na rua, mesmo que dentro do carro, estará mais perto de alguém que passe. 

Diz que já identifica quando os ataques estão a chegar e já consegue ter algum autodomínio nessas situações.

Tem uma vida profissional muito exigente e, diria, muito stressante. A nível pessoal tem também alguns factores que não são especialmente estabilizadores. 

Por causa dos ataques de pânico que são, segundo ele, incapacitantes, começou a ter algum receio de conduzir. E esse facto, o de, por vezes, não conduzir, é um outro factor que, por si, também não ajuda pois perguntam-lhe porque não usa o carro e ele, não querendo contar o que se passa, vê-se na necessidade de inventar desculpas que a ele mesmo parecem esfarrapadas, deixando-o ainda mais enervado. E, uma vez mais, está a ocultar coisas, deixando-o ainda mais inseguro, com receio que descubram. Tem receio que, se descobrirem que tem ataques de pânico, o considerem pouco apto para as suas funções ou gozem com ele.

Perguntei ao Chat GPT o que são ataques de pânico e eis a resposta:

Ataques de pânico são episódios súbitos e intensos de medo e ansiedade que podem ocorrer sem aviso prévio. Eles geralmente duram de 5 a 20 minutos, mas podem durar mais em casos extremos. Durante um ataque de pânico, a pessoa pode sentir uma sensação intensa de perigo iminente ou de morte iminente, mesmo que não haja uma ameaça real presente. Alguns sintomas comuns de ataques de pânico incluem:

    • Palpitações cardíacas ou taquicardia
    • Sensação de sufocamento ou falta de ar
    • Tremores ou tremedeira
    • Suor excessivo ou frio
    • Náusea ou dor abdominal
    • Tontura ou vertigem
    • Sensação de irrealidade ou despersonalização
    • Medo de perder o controle ou enlouquecer

Os ataques de pânico podem ocorrer como resultado de transtornos de ansiedade, como o transtorno do pânico, ou podem ser desencadeados por eventos estressantes, como a morte de um ente querido, mudanças na vida, problemas de relacionamento ou problemas de saúde. O tratamento para ataques de pânico pode incluir medicação, psicoterapia ou uma combinação de ambos. É importante procurar ajuda profissional se você está sofrendo de ataques de pânico ou qualquer outro problema de saúde mental.

Porque se chamam ataques de pânico se a pessoa aparentemente não sente medo?

Embora possa parecer que as pessoas que estão tendo um ataque de pânico não estão sentindo medo, na realidade elas estão experimentando um medo intenso e incontrolável. O nome "ataque de pânico" se refere à intensidade e rapidez com que os sintomas aparecem, assim como à sensação de perigo iminente que muitas pessoas descrevem sentir durante um ataque.

Os sintomas de um ataque de pânico, incluindo palpitações cardíacas, sudorese, falta de ar, tontura e tremores, podem ser tão intensos que a pessoa pode sentir que está tendo um ataque cardíaco ou morrendo. A sensação de medo e terror que acompanha esses sintomas pode ser esmagadora e incapacitante.

Embora as pessoas que têm ataques de pânico possam parecer calmas em outras circunstâncias, isso não significa que elas não sintam medo ou ansiedade. Na verdade, muitas pessoas com transtornos de ansiedade, incluindo transtornos de pânico, podem ser altamente sensíveis ao estresse e à mudança emocional, o que pode desencadear um ataque de pânico, mesmo quando não há um evento estressante aparente.

Qual a melhor estratégia para uma pessoa lidar com um ataque de pânico?

Existem várias estratégias que podem ajudar uma pessoa a lidar com um ataque de pânico. Aqui estão algumas sugestões:

  • Respire profundamente: A respiração profunda pode ajudar a reduzir os sintomas de ansiedade. Tente respirar lentamente pelo nariz, segure a respiração por alguns segundos e expire lentamente pela boca. Repita esse processo várias vezes até que se sinta mais calmo.
  • Identifique e desafie seus pensamentos: Durante um ataque de pânico, é comum ter pensamentos negativos e assustadores. Tente identificar esses pensamentos e desafiá-los, questionando sua validade e racionalidade.
  • Pratique a atenção plena: A atenção plena envolve concentrar-se no presente e aceitar seus pensamentos e emoções sem julgamento. Isso pode ajudar a acalmar a mente e reduzir a ansiedade. Tente se concentrar em sua respiração, notando como o ar entra e sai do corpo.
  • Use técnicas de relaxamento: Existem várias técnicas de relaxamento que podem ajudar a reduzir os sintomas de ansiedade, como meditação, yoga e exercícios de relaxamento muscular progressivo.
  • Busque apoio: É importante procurar ajuda de outras pessoas durante um ataque de pânico. Fale com um amigo, membro da família ou profissional de saúde mental sobre o que está acontecendo e como se sente.
  • Considere a terapia: A terapia, como a terapia cognitivo-comportamental (TCC), pode ajudar a identificar padrões de pensamento e comportamento que contribuem para ataques de pânico e ajudar a desenvolver estratégias para lidar com eles.
  • Considere a medicação: Em alguns casos, a medicação pode ser prescrita para ajudar a controlar os sintomas de ansiedade. Fale com um profissional de saúde mental sobre as opções disponíveis.

Lidar com um ataque de pânico pode ser assustador, mas há muitas estratégias eficazes que podem ajudar a reduzir os sintomas e controlar a ansiedade. É importante encontrar o que funciona melhor para você e procurar ajuda profissional, se necessário.

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Está disponível mais um vídeo da fantástica série sobre os Labirinto - Conversas sobre Saúde Mental do Observador. 

É necessária muita coragem para uma pessoa expor desta forma as suas fragilidades. É sobretudo um acto de generosidade pois, com o exemplo, estes testemunhos ajudam certamente muitas pessoas que sofrem em silêncio este tormento.

Anabela Figueiredo e a ansiedade. “Deixei de andar de carro, de jantar com amigos”

Começou com um ataque de pânico, acabou por transformar-se em fobias que lhe limitaram severamente a vida. Gestora, Anabela Figueiredo só nunca deixou de trabalhar — e hoje interroga-se porquê. 

Desejo-vos uma boa semana a começar já nesta segunda-feira
Saúde. Serenidade. Força. Paz.


segunda-feira, novembro 21, 2022

A depressão e a ansiedade de Marta Rebelo, a corajosa maluquinha assumida

 

Mais um testemunho muito sincero sobre um problema de saúde mental vivido na primeira pessoa. E, uma vez mais, uma surpresa. Desta vez é Marta Rebelo de que me lembro quando era deputada da Nação, socialista e fashionist. Looks sempre modernos, por vezes arrojados, ela era uma imagem arejada em meios que tantas vezes tresandam a convencionalismos.

Depois perdia-a de vista e nunca mais me lembrei dela. Algum tempo depois houve aquele episódio sobre o fim de uma relação porque o namorado tinha deixado fugir o gato. Foi o fim do mundo em cuecas, a gargalhada geral. Nestas coisas há sempre quem queira parodiar o desgosto e as aflições dos outros. Mas a verdade é que os tempos mudam e talvez hoje não houvesse a crueldade jocosa a que então se assistiu. Depois despareceu outra vez do meu radar.

Surge agora em mais uma das utilíssimas e muito bem conduzidas entrevistas do Observador, na Série Labirinto - Conversas sobre saúde mental.

Aqui Marta Rebelo fala da depressão que a atormentou durante anos e sobre a ansiedade, nomeadamente os terríveis ataques de ansiedade, que condicionaram toda a sua vida.

Conta como disfarçou e escondeu a sua condição, por vezes quase incapacitante, com receio do estigma a que certamente estaria sujeita se se soubesse. Uma deputada maluquinha? Ficar em casa, incapaz de sair da cama, e telefonar a dizer isso, que não conseguia ir trabalhar...? Nem pensar.

Acredito. Aconteceu com ela e deve acontecer com muita gente: o receio de ser visto como fraco, o receio de ser considerado incapaz de estar à altura dos desafios profissionais, incapaz de dar conta do recado com os filhos, o receio de ser olhado de lado pelos outros. 

Para evitar isso, muita gente esconde, tenta fazer de conta que está tudo bem. Marta Rebelo conta como ria e disfarçava mesmo quando se sentia como se estivesse a ter um ataque cardíaco fulminante. Hoje espanta-se como conseguiu enganar tanta gente durante tanto tempo. Diz que hoje 'fareja' quem está a passar pelo mesmo e fala em geral sobre o tema mas não assumindo, na primeira pessoa, que vive essa circunstância. Mas não se admira pois ela própria fez isso.

Marta Rebelo tentou o suicídio. Não foi apenas o pensar nisso. Não, tentou mesmo. 

E todos os que estavam junto a ela ajudaram a esconder o que se tinha passado. Fizeram-no para a proteger, para a ajudar a melhor superar esse momento terrível.

E, no entanto, Marta Rebelo, às tantas, começou a sentir que o secretismo em volta da sua condição estava a atrofiá-la e a prejudicar a sua recuperação. Quando decidiu falar no assunto, sentiu que o sofrimento pelo qual vinha passando há tanto tempo talvez fosse útil para chamar a atenção para os problemas e os estigmas associados às doenças mentais.

E é verdade: é da máxima importância que se fale nisso.

Há contudo um tema que ainda não vi abordado e que seria útil que viesse para o conhecimento público: como se deve lidar com alguém que tem uma depressão ou que sofre de crises de ansiedade?

Eu não sei. Se eu estiver junto a alguém que pressinto que está a padecer de depressão ou com crises de ansiedade mas se a pessoa o negar e disfarçar, como devo agir para ajudar? Intuo que não se deve forçar... mas não sei o que fazer. Assistir ao sofrimento de alguém que se ama e que não quer tratar-se nem quer assumir o seu problema é uma coisa terrível, uma pessoa sente-se impotente. Seria importante que esse tema fosse abordado. A depressão ou a ansiedade não são apenas problema para quem disso sofre mas também para os que os amam.

Marta Rebelo e a depressão. “Cheguei a tomar nove medicamentos diferentes”

Esteve “no inferno” várias vezes durante mais de 10 anos. O ponto mais duro chegou quando era deputada. Sente que se escondeu e isso pesa-lhe, por ser “cúmplice” do estigma. Parceria Observador/FLAD


Precisa de ajuda? Estas são as linhas de Apoio e de Prevenção do Suicídio em Portugal

SOS VOZ AMIGA
Horário: 16:00 – 24:00
Contacto Telefónico: 213 544 545 | 912 802 669 | 963 524 660
Linha Verde gratuita: 800 209 899 (21:00 – 24:00)

CONVERSA AMIGA
Horário: 15:00 – 22:00
Contacto Telefónico: 808 237 327 | 210 027 159

VOZES AMIGAS DE ESPERANÇA DE PORTUGAL
Horário: 16:00 – 22:00
Contacto Telefónico: 222 030 707

TELEFONE DA AMIZADE
Horário: 16:00 – 23:00
Contacto Telefónico: 222 080 707


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Continuo sem responder a mails ou a comentários. Por bizarro que possa parecer (a mim parece-me), continuo submersa numa onda de moleza absoluta e de grande sono, com mais frio do que é costume e com algumas dores nas pernas. Sei que estas vacinas têm este efeito em algumas pessoas. A mim nunca tal me tinha acontecido pelo que é novidade. Presumo que amanhã ou depois esteja melhor. Também estive, este domingo de manhã, com um familiar que veio a saber horas depois que está com Covid. Mas estivemos ao ar livre pelo que não há-de ser nada. Mas isto para pedir a vossa compreensão para a minha ausência de respostas. Haverei de sair em breve desta letargia.


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E queiram continuar a descer. Abaixo há um comovente momento de união e afecto em torno de Jorge Palma. Muito bonito. Não percam, por favor.


quinta-feira, outubro 17, 2019


A ansiedade de Cara, a bela, e outros casos.
E mitos e verdades sobre a depressão


Porque penso que os exemplos de quem consegue lidar com os seus estados de ansiedade e de quem consegue ultrapassar as crises depressivas são relevantes, partilho o vídeo no qual a modelo Cara Delevingne fala da sua experiência de depressão e ansiedade. 


E porque neste tipo de doenças -- que ainda se encontram envoltas em tabus e que envergonham ou assustam quem as sofre -- é importante que se perceba que há mais quem tenha passado por isso e que ajuda falar, pedir apoio, procurar tratamento, deixo o link para um artigo em que se fala de 30 pessoas famosas que já passaram por elas. E ponho o link para este artigo porque este tipo de pessoas costuma ser visto como se sempre rodeadas de brilho e glamour e, afinal, sofrem dos mesmos problemas que toda a gente.


Hugh Laurie, o Dr. House, 'herdou' a depressão da mãe
e começou a ser depressivo na adolescência
(aspecto para o qual a Luísa tem chamado a minha atenção)

Acresce que estes exemplos ilustram bem uma das características que aparentemente é comum: a capacidade que as pessoas com depressão ou ansiedade têm de disfarçar e que lhes permite apresentarem-se perante os outros como pessoas sempre felizes, desenvoltas, bem dispostas, bem resolvidas. Talvez seja mesmo aquela coisa que o funâmbulo refere: a imposição da ditadura do sucesso e da sua jocosa irmã, a animação 24/7.

Mas se conhecesse outros casos, de gente anónima, que me parecessem ser também um bom exemplo, também deles me faria eco.

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A psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva e o psicólogo Alex Rocha falam de
 Depressão - mitos e verdades 


E aqui falam de Suicídio 
(e falar nisto, segundo leio e ouço, nomeadamente neste vídeo, pode ajuda a evitá-lo)

Falemos -- sem vergonha, sem culpas
(como refere a Isabel Pires)



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Não respondi aos comentários nos posts abaixo pois acho que eles falam por si e terão mais força se puderem respirar sem palavras minhas a atrapalhar. Mas a todos muito agradeço. As vossas palavras são muito importantes e acredito que tocarão muito especialmente alguns dos que por aqui nos acompanham. Muito obrigada.

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E a todos desejo um dia muito bom.

quarta-feira, agosto 28, 2019

A relação entre ansiedade e ataques de pânico e o narcisismo.
Como perceber que o seu companheiro é um narcisista?
E Narcisssism and its Discontents pela Drª Ramani Durvasula


Em dia de computador sem carregador e à beira de se apagar, limito-me a partilhar os vídeos e respectivas legendas que o amigo algoritmo do YouTube me mostrou hoje e que, na sequência do post de ontem e da surpresa que foi para mim o facto de que que muitas vezes as pessoas que sofrem de ataques de pânico ou de ansiedade são vítimas de uma relação com uma pessoa narcisista, me fez pensar que talvez seja útil partilhar esta informação.

Estive a ler sobre o assunto e a ouvir especialistas na matéria e, de facto, quando se está fora das situações, não é fácil perceber as dificuldades por que passam os que estão dentro delas (muitas vezes nem se dando conta disso ou não querendo percebê-lo ou assumi-lo). Não posso fazer uma selecção dos textos ou escrever, por mim, uma síntese do que li sob pena disto se apagar e ficar a meio, sem post que possa apresentar. Por isso, tenho que abreviar e ficar-me pelo que abaixo verão.

Dr. Ramani Durvasula, tal como ontem o referi, tem inúmeros vídeos sobre ansiedade, depressão, sobre os efeitos devastadores de conviver de perto com uma pessoa narcisista e, sendo uma boa comunicadora, são vídeos que se vêem com muito interesse.

Tal como ontem referi, o conselho dela e dos outros psicoterapeutas cujos vídeos ou textos vi e li são sempre claros: um narcisista é tóxico e não muda e, se uma pessoa quiser manter a sua sanidade mental, deve afastar-se o quanto antes.

Caso contrário. viverá uma vida frustrada, combatendo crises de ansiedade e, mesmo, de identidade. Mas, tal como ontem referi, há que avaliar bem os riscos. Diz ela, num dos vídeos, que há algumas razões que quem se sujeita a viver com um narcisista, apresenta: dependência económica, não querer separar a família quando há filhos, ou medo de se ficar só. Mas, tudo isso deve ser sopesado pois a vida em conjunto com um narcisista será sempre uma vida incompleta, suportando situações que causarão feridas psicológicas profundas nos que lhes estão perto. Daí o conselho: afastar-se dos narcisistas enquanto é tempo.


Como perceber que se está numa relação com um narcisista?




Narcisismo e ansiedade

Narcissism and anxiety go hand in hand.  The narcissist, by design, uses fear, intimidation and stress to kept you confused and bewildered.  The effect of this causes a tremendous amount of stress, anxiety, depression and even anger.  When you are under this much anxiety it can manifest as eating problems, sleeping issues, nightmares, insomnia, and trouble concentrating.  Even when you are complete and out the residual effects of narcissistic abuse can continue and in some situations it can get and/or feel worse because your body knows *now* it can “handle” the pent up emotions.  The other issue around this time is how nearly anything can trigger you and cause a backslide.  You have to recognize what is going on - identify it - so that you can calm yourself down process what you are going through.  Unfortunately this is a slow process and you have to give yourself time to heal.



Narcissism and its discontentes

Narcissism has not only become a normalized social condition, it is increasingly being incentivized. The framework of narcissism with the central pillars of lack of empathy, entitlement, grandiosity, superficiality, anger, rage, arrogance, and shallow emotion is a manifestation of pathological insecurity – an insecurity that is experienced at both the individual and societal level. The paradox is that we value these patterns – and venerate them through social media, mainstream media, and consumerism, they represent a fast-track to financial and professional success. These traits are endemic in political, corporate, academic, and media leaders. There are few lives which are not personally touched by narcissists – be it your spouse, partner, parent, child, colleague, boss, friend, sibling, or neighbor. Whether societally or individually, the toxic wave of narcissism, entitlement, and pathological insecurity is harming us all. The enticements of charm, charisma, confidence, and success can draw us in or blind us to the damaging truths of narcissism. The invalidation inherent in these relationships infects those are in them with self-doubt, despair, confusion, anxiety, depression and the chronic feeling of being “not enough,” all of which make it so difficult to step away and set boundaries. The illusion of hope and the fantasy of redemption can result in years of second chances for narcissists, and despondency when change never comes. It’s time for a wake-up call. Health and wellness campaigns preach avoidance of unhealthy foods, sedentary lifestyles, tobacco, drugs, alcohol, but rarely preach avoidance of unhealthy or toxic people. Yet the health benefits of removing toxic people from a life may have a far greater benefit to both physical and psychological health than going to the gym. We need to learn to be better gatekeepers for our minds, bodies, and souls. Instead of habituating to the global shift of validating narcissism and other toxic patterns, it’s time to understand it and take our lives back. Dr. Ramani Durvasula is a licensed clinical psychologist in private practice in Santa Monica and Sherman Oaks, CA and Professor of Psychology at California State University, Los Angeles, where she was named Outstanding Professor in 2012. She is also a Visiting Professor at the University of Johannesbur



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E tenham um dia feliz

[Pelo menos consegui chegar até aqui mas com vários avisos de que a bateria está no limite]