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sábado, abril 04, 2026

Dois anos de governo AD e viva a mediocridade dos governantes
-- Como sempre, o meu marido não lhes dá descanso... --

 

Ontem, o Luís veio informar-nos que, após dois anos de governo AD, o País está melhor. 

Provavelmente só ele e os seus aficcionados é que deram por isso. Aposto que o pessoal, quando vai ao supermercado, quando enche o depósito, quando tenta arranjar uma casa ou quando não obtém resposta no SNS, pensa exatamente o contrário: o País está pior. 

  • Este governo conseguiu a proeza de diminuir em 2025 o PIB per capita dos portugueses de 82,4 por cento para 81 por cento do valor médio da UE e conseguiu também que a posição de Portugal no ranking do poder de compra passasse do vigésimo primeiro lugar para vigésimo segundo. Diria que a isto se chama andar para trás. 
  • O SNS piorou como nunca antes tinha acontecido, chegando-se ao cúmulo de ocorrerem partos em sítios inimagináveis, incluindo em plena rua. 
  • Os alunos sem aulas continuam mais do que muitos, sem que o ministro saiba dizer, ao certo, quantos são. 
  • Os preços da habitação dispararam. Portugal foi o País em que os aumentos na habitação foram maiores. O exemplo acabado do insucesso das políticas do governo para a habitação e a confirmação de que foram atingidos resultados opostos aos pretendidos é que 28 por cento dos contratos celebrados pelos jovens originam um taxa de esforço entre 40 e 50 por cento. 
  • O combate aos incêndios foi um desacerto total. A resposta às calamidades recentes revelou a total inoperância e ineficiência do governo. Mesmo as medidas de apoio que foram anunciadas não chegam aos destinatários apesar de todas as promessas do governo. 
  • As polícias voltaram a marcar protestos.
  • E os professores também voltaram a ouvir-se. 
  • A justiça continua inoperante, intrusiva, demorada e com agenda própria. 
  • O crescimento do País foi menor que o crescimento dos anos anteriores e, embora se mantenham os resultados positivos face ao orçamento, eles são menores do que no governo anterior. 
  • Para cúmulo dos cúmulos o governo não toma as medidas necessárias para responder à crise atual, que tende a agravar -se,  mas que o governo parece ignorar. Compare-se as tíbias medidas que o Luís anunciou -- tíbias, remissas, frouxas e de perna muito curta -- com as que Pedro Sánchez anunciou em Espanha. Face à inoperância deste Governo é de temer o pior.

Contra factos não há argumentos. Mas lá virão os aficionados do Luís dizer que o governo pode ter falhado nas situações mais críticas mas teve um desempenho positivo nas áreas da segurança e da imigração. Pois, pois .... 

Na imigração, a AD andou a seguir a agenda do Chega para resolver um problema sem grande dimensão mas muito amplificado pelo Chega. 

Na realidade, foi graças aos imigrantes que a economia cresceu e que vários sectores de actividade não pararam. Não esquecer os 3,2 mil milhões de euros positivos que resultam da contribuição dos imigrantes para segurança social. 

Hoje o problema é a falta de mão de obra imigrante para dar andamento a muitas obras. É o resultado da politica do governo. 

A seguir, para desviarem as atenções dos falhanços, vieram com a lei da nacionalidade. De facto, temos um problema gravíssimo com os dois mil e setecentos pedidos de nacionalidade por pessoas vindas do Industão (e, obviamente, estou a ser irónico). Já basta o que basta, tratem do que é importante. 

Quanto à segurança, o último RASI é elucidativo. Foram verificados 85.000 imigrantes e só 1 por cento estava irregular. Em contrapartida, os crimes relacionados com redes ilegais de imigrantes aumentaram 250 por cento. O governo foi avisado que era o resultado esperado da política que queria seguir mas não deu ouvidos a quem tinha razão. Os crimes relacionados com a droga e com a violência doméstica, isto sim um verdadeiro flagelo que é preciso combater, também aumentaram. Portanto, não se pode dizer que os resultados na área da segurança sejam os melhores. 

Enfim, é muito difícil encontrar algo de verdadeiramente positivo na actuação do governo e só alguém vindo de um planeta muito distante poderá dizer que o País está melhor. Atendendo a que estamos na época pascal (feliz Páscoa para todos) apetece-me escrever que presunção e água benta cada um toma a que quer. No caso vertente, o Luís toma carradas e carradas de presunção.

quarta-feira, dezembro 31, 2025

Montenegro & Ventura - a dupla de circunstância ou o controlo de fronteiras
-- Na despedida de 2025, de novo a palavra ao meu marido --

 

Conforme planeado (ironia, claro!) e em linha com a política seguida, o governo, superiormente "governado" pelo Luís, decidiu, pelo menos nos próximos três meses, deixar de utilizar o sistema informático de controlo de entradas de extra comunitários. A EU não gostou. Pudera! E eu não percebi. 

O que me surpreende é que, a ao contrário do que faria há dois ou três anos, o Luís não ande por aí a gritar aos quatro ventos contra esta medida, que o "Lentão" num ataque de histeria não se insurja contra esta decisão, que o Hugo Soares não vocifere com a má-criação habitual, acrescentando uma boa dúzia de palavrões, contra esta desorientação e que last but not least a D. MAI não seja despedida com justa causa. 

Mas ainda é mais surpreendente que o Andrézito não fale agora de política de "portas escancaradas" e de "bar aberto", que não contrate mais dez seguranças para garantir que não é violado por um extra comunitário e que, no mínimo, não tenha um, senão, dois fanicos. Aposto que ainda vem dizer que os "bandidos" vão respeitar a decisão e não vão ousar pôr cá os pés. Será que existe um plano de cessar fogo secreto entre o Luís e o Andrézito que foi mediado pelo Trump e relativamente ao qual este último ainda vai dizer que foi mais uma guerra com que acabou? É pena é que quem vota ainda não tenha verdadeiramente topado esta malta que nos governa. Haja dó para tanta incompetência e desfaçatez!

sábado, novembro 29, 2025

Em dia de debate entre a combativa Catarina Martins e o velhaco Ventura Martins, prefiro falar nos invisíveis que constroem e mantêm o mundo.

 

Isto há coisas do caraças. Reparto-me entre dois computadores, um com uns problemas, outro com outros, e, para ajudar à festa, também entre o telemóvel.

Comecei a escrever o post num computador e, depois, mudei para outro. Escrevi sobre o debate, comparei a combatividade da Catarina com a do Totózé Seguro, mostrei o meu descontentamento pela pulverização dos candidatos de esquerda, insurgi-me contra a conversa miserável do Ventura, sempre a armar peixeirada e a apelar ao que de pior a população tem. A propósito dos imigrantes, falei da minha família, uns por cá e a maioria perdida pelo mundo.

Enfim, pintei a manta. Um post longo e com uma componente pessoal. 

E publiquei.

Passado um bocado, distraidamente, voltei a pegar neste computador. Não me apercebi que tinha apenas uma coisa de nada e, automaticamente, antes de fechar o computador, fechei as janelas abertas e devo ter feito um save no post na sua versão embrionária.

Só há minutos me dei conta que anulei tudo o que tinha escrito e republicado o post, na sua forma de desinteressante girino. Fiquei passada. Caraças. Mas passa das duas da manhã, não vou pôr-me para aqui a tentar relembrar-me de tudo o que tinha escrito. Agora que fiquei f da vida, fiquei. Nunca me tinha acontecido uma destas. Que estupidez a minha. Desmiolada, cabeça no ar. Caraças. Agora nem se percebe a que propósito vem este vídeo. Mas vejam-no, por favor. É muito interessante. E desculpem lá isto.

Almoço no topo de um arranha-céus: a história por detrás da foto de 1932 | 100 fotos | TIME

Não sabemos os seus nomes, nem o fotógrafo que os imortalizou, mas estes homens a almoçar a 240 metros de altura mostram o espírito audaz por detrás da expansão vertical de Manhattan..

quarta-feira, julho 16, 2025

Sobre a demolição de barracas

 

Vi, estarrecida, imagens horríveis de barracas a serem destruídas sem que qualquer solução fosse apresentada aos seus habitantes e destruído ficou o meu coração ao pensar na aflição daquelas pessoas. 

Fotografia de José Fonseca Fernandes

Hoje disse aos meus netos que se me saísse muito dinheiro no euromilhões, pegaria em parte do dinheiro e estudaria em conjunto com algumas das autarquias em que o drama é maior qual a forma mais expedita de dar casas com conforto e dignidade às pessoas que vivem em condições miseráveis.

Custa-me conceber que, por exemplo, se arranje dinheiro a rodos para a Defesa ou dinheiro para jorrar sobre os médicos do SNS (médicos ditos 'tarefeiros' num daqueles expedientes para fugirem ao fisco e a todo o tipo de controlo -- enquanto estupidamente se continua sem se perceber que o tema da Saúde tem que ser 'agarrado' a sério por gente competente) ou dinheiro aos montes para fazer cartazes que poluem as estradas e as rotundas de cada vez que há eleições ou, nas autarquias, dinheiro a perder de vista com assessores e parasitas partidários e, depois, não há dinheiro para encontrar uma solução para estes pobres coitados que não conseguem um tecto seguro e legal para se acolherem.

Não há muito vi fotografias de um parque de campismo gigantesco na Costa da Caparica. Não parecem tendas, parecem casinhas, ou tendas de campanha, não sei bem, todas iguais. Disseram-me que muitas pessoas vivem ali todo o ano. Perguntei se não poderia ser uma solução para instalar com um mínimo de conforto e dignidade as pessoas que hoje vivem em bairros clandestinos. Responderam que o problema destas soluções é que, em vez de provisórias, soluções assim tendem a ser definitivas. Claro que não sei qual a melhor solução mas parece-me que qualquer solução é melhor do que a indiferença perante a aflição de quem não tem onde viver, de quem não tem uma morada, de quem não tem onde se lavar ou de quem não tem um mínimo de condições decentes para ter filhos.

Não sei se o PRR previu verbas para alojar as muitas pessoas que, tantas vezes vindas de longe, tantas vezes completamente desenraizadas, desaculturadas, vulneráveis, e, ainda assim, trabalhadoras, não têm outra solução senão juntas chapas, cartões e o que encontram para fazer um abrigo mais do que frágil, mais do que impróprio para um ser humano. Se previu, previu pouco e virá tarde de mais. Se não previu, os irresponsáveis que não pensaram nisso deveriam ser corridos.

Há tempos vi uma reportagem com prédios devolutos que pertencem ás Forças Armadas. De que se está à espera para lá instalar pessoas? E quem diz isso diz muitas outras casas do Estado. Ou da Igreja. 

Marcelo, que tanto falava dos sem-abrigo, já se esqueceu? Ou só se lembra quando as televisões o filmam a distribuir a sopa dos pobres? Quanta hipocrisia.

E já nem falo no cagalhoças do Moedas, essa anedota que para aí anda a armar-se em bom. Mete-me nervos de cada vez que o vejo: um saquito cheio de nada, um daqueles sacos pequenos para apanhar o cocó de cão. Obra feita, zero. Real sensibilidade e capacidade de acção para o que é preciso, zero. Só conversa fiada, só, só.

E o de Loures, com aquela vereadora, insensível, empedernida, gente desalmada, que nervos que também me dão. Caraças.

Enfim. Fico-me por aqui. Sinto-me verdadeiramente impotente perante a desgraça desta pobre gente que precisa urgentemente de habitação social. Estão a trabalhar para nós. Não podemos ignorá-los nem deixar que vivam como animais. Neste caso o tema não é o arrendamento acessível nem sem ser acessível pois estamos a falar de pessoas que primeiro precisam de se organizar, de se estabelecerem decentemente, só depois se pensa em como poderão pagar alguma coisa -- neste caso o tema é mesmo alojamento social, urgente, dar tecto e meios de higiene, dar uma morada e uma ajuda àquelas pessoas, permitir que sejam cidadãos de pleno direito.

sábado, julho 05, 2025

Um mau governo
-- A palavra ao meu marido --

 

O Montenegro foi a primeira vez para o governo porque prometeu resolver os principais problemas do país e saiu reforçado na segunda eleição porque os portugueses terão ficado minimamente contentes com o que fez, muito provavelmente porque não eram fãs do Pedro Nuno Santos e porque a acefalia ainda não era um mal generalizado que pudesse dar o primeiro lugar ao Ventura. 

Os principais problemas do país apontados pelo Montenegro, bandeiras da campanha eleitoral e sobre os quais zurzia o PS, eram a saúde, a habitação, a educação, os incêndios. Para seguir a agenda do Ventura também levantou os pseudo problemas nacionais da segurança e da imigração. 

Ao fim de um ano e tal de governo, conseguiu o governo Montenegro resolver minimamente estes problemas? 

Não, não conseguiram! 

Senão, vejamos. 

O que está a passar-se na saúde -- cujos problemas Montenegro anunciou, antes de formar o seu primeiro governo, que seriam resolvidos em 60 dias --, é uma tragédia, a situação piora todos os dias e os resultados da política deste governo são assustadores em todos os aspectos. Com as tragédias que tem acontecido, como é possível que a ministra e o Montenegro não tenham um pingo de vergonha e a ministra não se demita ou não seja demitida? 

E, para variar, o Marcelo, sempre tão interventivo noutras ocasiões, agora mantem-se de bico calado. Que vergonha. A incapacidade do ministério chega ao ridículo de contratarem para o INEM uma empresa para fazer o transporte de doentes de helicóptero que não tem helicópteros nem pilotos. Inimaginável. Ninguém se demite nem é demitido? Pior é impossível. 

Depois de tudo o que aconteceu na saúde no último ano, a ministra continua. Diz que não se demite porque quer resolver os problemas, mas de facto só os agravou. Não se demite porque, como parece e muita gente o afirma, o objetivo não é resolver os problemas da saúde: é privatizar a saúde e o resto é paisagem. Como é  possível que os interesses dos lobbies da saúde se oponham aos interesses dos portugueses?

Relativamente à habitação, o governo conseguiu, com as medidas que tomou, aumentar de forma absolutamente insuportável o preço das casas. É certo que os jovens ricos, ou os pais por eles, compraram mais casas à conta das medidas do governo. Mas resolver o problema da habitação não é ajudar os que têm mais dinheiro. É exatamente o contrário. É criar condições para que quem tem menos rendimentos consiga ter uma habitação condigna. Exatamente o contrário do que foi feito pelo governo. 

Na educação iam resolver o problema de haver alunos que não tinham professores pelo menos a uma disciplina. O brilhante resultado foi haver 1,4 milhões de estudantes que não tiveram professores pelo menos a uma disciplina. Mais um "sucesso" do governo. 

Relativamente aos fogos, a área ardida triplicou. Obviamente mais um problema que não foi resolvido.

Relativamente à segurança, como era um pseudoproblema, nada foi feito e daí não veio mal ao país. 

A política do Governo não tem nada a ver com os reais problemas da imigração (a sua integração, terem habitação, educação para os filhos, saúde, etc). O objetivo é ultrapassar o Chega, se possível pela direita, e ganhar votos. Lamentável. 

Para atirar poeira para os olhos da malta e os jornais não falarem naquilo que não interessa ao governo lembraram-se de propor uma nova lei da nacionalidade que ainda por cima parece que é inconstitucional e que não era sequer tema. Aprenderam com o Trump. 

Em resumo, não resolveram nenhum dos problemas importantes que se propunham resolver. Mandaram a ética e os valores para as urtigas e criaram novos problemas e clivagens na sociedade. Infelizmente, parece ser disto que a maltinha gosta. A esperança em melhores dias já não é grande. O populismo através das redes sociais está a criar uma massa amorfa que não questiona e que não pensa, apostando no perceptível e esquecendo o essencial. 

É o que temos.

terça-feira, junho 17, 2025

3 postais

 

Postal 1

Quando, à tarde, fazemos caminhadas alargadas, por vezes cruzamo-nos com jovens que vêm de algumas obras e vão apanhar um autocarro lá mais ao fundo. Todos negros, pele absolutamente negra, 

Fico sempre agradada com o seu perfume. Cheiram a banho fresco, a cuidados com o corpo e com o rosto. 

Fico a pensar que devem dormir em bairros clandestinos, se calhar sem casa de banho, em casas frágeis e temporárias, ou em quartos, se calhar vários colchões no chão. Nas obras devem ter possibilidade de tomar banho e de se arranjar. Vêm bonitos, bem arranjados.

Devemos muito a estas pessoas que fazem as nossas casas e arranjam as nossas estradas e jardins e que vivem tão precariamente. Pessoas como nós.


Postal 2

Íamos a caminhar à beira da praia, sempre linda e ainda mais ao entardecer. 

À nossa frente ia um jovem alto e robusto, encorpado, aspecto de jogador de rugby. Vinte e muitos, trintas e poucos anos, pernas grossas, peludas, todo ele robusto e musculado, mas sem ser daquele género de ginásio, mais o género desportista de desporto de equipa. Cabelo curto um pouco despenteado, barba. Vestido casualmente, risonho, bem disposto. 

Ao lado dele, um outro jovem em tudo o oposto. Mal chegava ao ombro do calmeirão, perninhas fininhas, todo ele magrinho, um cabelo fino, algo esvoaçante, óculos brancos, graduados. Para acompanhar a passada firme e larga do grandão, o magrinho parecia uma frágil libelinha quase saltitando em volta. Ao ir atrás deles, pareceu-me reparar que, de vez em quando, as mãos quase se tocavam. Conversavam, riam, de vez em quando abrandavam ligeiramente, parecia-me que o grande lenhador percebia que o outro estava com dificuldade em acompanhar a sua passada ampla. 

Perguntei ao meu marido: 'Não é um casal, pois não?'. O meu marido ia focado no nosso cão e noutros pois há sempre quem deixe os seus sem trela e há que evitar encontros destes, pois facilmente tendem para o confronto. Olhou de relance e foi categórico: 'Não!'. 

Mas, nessa altura, pararam ambos, o mais baixo agarrou a cara do grandalhão, pôs-se em bicos de pés e deu-lhe um beijo na boca. O outro correspondeu. Deve ter sido o primeiro beijo pois desataram a rir como se tivessem dado um grande passo, depois abraçaram-se. Depois, prosseguiram de mão dada, o magrito quase esvoaçava de alegria. O grandão sorria também mas de forma contida, quase como quem não quer a coisa. 

Tomara que não seja apenas um namoro de verão, que seja um amor para a vida.


Postal 3

Passou por nós um homem gordo a andar de bicicleta. Ia de calções e tshirt mas, pela forma como ia sentado e pela sua forma avantajada, ia com o rabo meio de fora. Ao lado dele, correndo, preso por uma trela, um cão. 

Quando me cruzei com ele pensei que estava com ar de ir com os copos. 

Passado um bocado, já mais adiante, um estrondo, um grito. Olhámos. O homem estava no chão, a bicicleta caída, e o cão, solto, muito admirado a olhar para ele. O homem deu outro grito pelo cão, mas o cão estava imóvel., notoriamente assustado com a queda do dono. 

Parámos para vermos se era precisa ajuda. O homem, a custo, tentava levantar-se. Mais uma vez fiquei com a sensação que não estava especialmente sóbrio. O cão aproximou-se, arrastando a trela. Finalmente, o homem conseguiu montar-se outra vez na bicicleta, o rabo ainda mais de fora. E lá prosseguiu, meio aos esses. O cão ao lado, a levar o dono à trela.

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Dias felizes

Be happy

sábado, dezembro 21, 2024

Alô, alô Presidente Marcelo Rebelo de Sousa! Vai permitir que o Mentenegro e tutti quanti do mesmo calibre continuem a envergonhar os portugueses, a semear um clima de desconfiança e a enlamear a boa imagem de Portugal?

 

Ontem, pelo que devem ter percebido, não vi televisão nem li notícias. 

Pois bem, eis que hoje, ao conectar-me ao mundo, sou surpreendida com uma imagem infame: não sei quantas pessoas, uma rua inteira, de mãos contra a parede. 

Nojo.

Inaceitável.

Uma vergonha.

Acho bem que a polícia ande na rua a impedir o tráfico e o consumo de droga a céu aberto. Acho que isso deveria ser constante. Constante, repito. Mas de forma discreta. E a par com a garantia de que há lugares para que os consumidores de drogas pesadas possam ser encaminhados para salas de chuto e, desejavelmente, tratados e acompanhados.

De resto, todo o policiamento, seja pelo tráfico de droga, seja pelo furto ou ou por outras práticas indevidas deve ser proporcional às necessidades, discreto, digno, humano. 

O que as imagens demonstram é o oposto de tudo isso. O que as imagens mostram é inaceitável, é uma violência, é um ultraje.

Por ter autorizado e defendido o que se passou, Montenegro devia ser demitido de imediato. É um perigo para o País. Nas mãos desta criatura -- que parece ser excessivamente propensa a fazer coisas estúpidas, socialmente não aceites e humanamente intoleráveis --, este não é o Portugal bom, ameno, feliz, tolerante, inclusivo que conhecemos e amamos. 

Presidente Marcelo, ponho cobro a isto de imediato. 

domingo, novembro 10, 2024

O cúmulo do ridículo

 

A falta de noção do Governo Mentenegro seria de gargalhada se não fosse trágica. E isto verifica-se a todos os níveis. Só não se vê no caso dos ministérios em que não têm sequer capacidade para mexer um dedo (Economia, Cultura, etc). 

Mas, nos casos em que fazem mais alguma coisa do que respirar e receber o ordenado, acumulam-se os disparates, as mentiras, os dislates e, no caso da Saúde, tem sido a desgraça que se sabe, alegadamente já com várias mortes no cadastro.

No caso da Coisinha Fiasco do MAI, o desempenho está abaixo das rábulas do Herman. 

Por exemplo, o que as televisões nos mostraram no outro dia, com um exército armado até aos dentes a entrar ppelas lojinhas do Martim Moniz adentro é de um ridículo que até dói.

Daqui

Leio que a dita mega operação contou com a intervenção simultânea de (pasmem):

  • PSP que incluiu:
    • Divisão de Investigação Criminal, 
    • Divisão de Segurança a Transportes Públicos, 
    • Divisão de Trânsito, 
    • Núcleo Segurança Privada, 
    • Núcleo de Estrangeiros e Controlo Fronteiriço, 
    • Equipas de Intervenção Rápida, 
    • Equipas de Prevenção e Reação Imediata,
    • bem como a Unidade Especial de Polícia.
  • Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), 
  • Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), 
  • Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) 
  • Segurança Social
Admira-me que não tivessem também chamado os Comandos, os Fuzileiros, os Para-Quedistas e a GNR a cavalo.

Daqui


Note-se que todo aquele aparato foi para varrer as lojas do Martim Moniz, na sua grande maioria geridas por pessoas cumpridoras, ordeiras. Um batalhão de Darth Vaders, com coletes anti-bala, capacetes, viseiras, a avançar pelos passeios e a intimidar os passantes. 

Note-se, não havia desacatos, não havia tareia nas ruas, não havia problemas. Tudo para que um dos ministros mais totós deste Governo, aquele a quem Ricardo Araújo Pereira designou por Lentão Amaro, pudesse estar na Assembleia armado em macho-alfa, mostrando o seu alinhamento com os destemperos do Chega e do Trump contra os pobres imigrantes.

No meio disto, segundo o comunicado e a notícia do Expresso: foram fiscalizados perto de uma centena de cidadãos com vista à verificação da sua legalidade em território nacional", sendo que apenas um não tinha os documentos necessários para residir no país.

Transcrevo ainda: foram detidas 38 pessoas, a maioria pela existência de mandados de detenção (14); cinco por condução com excesso de álcool, seis por falta de habilitação legal, duas por tráfico de droga, uma por violência doméstica e uma por situação irregular em território nacional.

Os custos da mobilização de todo aquele aparato devem ter sido imensos. E, enquanto estiveram dentro daquela ramboiada, não estiveram onde certamente faziam mais falta.

Note-se que não digo que não se façam operações regulares para 'apanhar' traficantes de droga, portadores de armas não autorizadas, bêbados ao volante ou agressores em geral. O que digo é que uma coisa é trabalhar normalmente, de forma responsável e eficaz. Outra, muito diferente, é realizar mega-açcões desta natureza, só show off, manobras de intimidação contra cidadãos que na sua maioria são pacíficos, trabalhadores, pessoas que pagam impostos e descontam para a Segurança Social, acções para impressionar os pategos, concentrando recursos que devem estar onde fazem falta e não onde estão as câmaras de televisão a captar o arraial.

Se isto foi engendrado pela Coisinha Fiasco à revelia do Mentenegro ou se foi concertado entre ambos não sei. O que sei é que isto é um desbaratar de recursos, um disparate, uma coisa para além de ridícula.

segunda-feira, novembro 04, 2024

A estupidez, a incrível, incrível estupidez de tanta gente

 

Hoje vi na televisão uma reportagem nos Estados Unidos onde um imigrante se queixava que está há dois anos à espera de autorização para a mulher se lhe juntar e, por isso, vai votar... em Trump. Em Trump! No mesmo Trump que apregoa que, se ganhar, vai deportar imigrantes em barda, que diz que quer fazer uma limpeza, que acusa os imigrantes de roubarem os empregos aos americanos, que lhes chama assassinos, que, segundo ele, é gente que anda armada, a roubar os americanos, a fazer mal às mulheres... 

É de loucos.

Quando seria normal que, como um grito de revolta contra a boçalidade, a maldade e estupidez de Trump, nenhum imigrante votasse nele, nenhum, nenhum, o que se vê é que há muitos que, sabe-se lá porquê, vão votar nele.

Se isto não é de uma pessoa ficar com os cabelos em pé, de boca aberta, sem perceber como funciona a cabeça de gente como a que vota no alarve do Trump, então não sei o que seja.

terça-feira, julho 23, 2024

A relatividade dos pesadelos

 

Tinha a ideia antiga de visitar a Tailândia, adentrar-me por florestas, descobrir antigos monumentos quase devorados pela natureza, maravilhar-me com tudo o que encontrasse por lá. 

Combinei com um grupo de amigos. O meu marido não estava receptivo. Países com culturas muito diferentes da nossa e em que os tipos de exigências que, para nós são essenciais mas que para os locais pouca relevância têm, não lhe dão confiança. 

Contudo, os nossos amigos ajudaram-me a convencê-lo. Lá fomos.

Os amigos, habituados a viajar por destinos longínquos, marcaram tudo e, por isso, nem nos ocorreu pedir detalhes. Confiámos.

Contudo, quando lá chegámos, constatei que os quartos não tinham casa de banho privativa. Ora, para mim, isso é uma definitiva bandeira encarnada. Por isso, fiquei incomodada e com vontade de arrepiar caminho. Mas, claro, tarde demais.

À noite, aflita, não houve remédio: tive que me pôr na fila para as casas de banho junto à entrada do hotel. Uma fila enorme. As pessoas que, entretanto, saíam da casa de banho vinham com ar enojado, a dizerem que aquelas instalações não estavam em condições. Mas não aparecia ninguém a limpar. Eu não conseguia conceber ir usar uma casa de banho suja mas não estava a ver alternativa. Uma terrível sensação de nojo.

Mais tarde, fui até à praia. O meu marido não quis ir, disse que aquelas praias não prestavam para nada, e ficou a ler no quarto. Fui na mesma. Quando lá estava com alguns dos amigos, vimos pessoas a chegar à beira de água como se viessem a nadar de longe, vestidas. Perguntei aos que estavam comigo se seriam migrantes. Disseram-me que sim, que era normal, que não me afligisse, que apareceria alguém a ajudar. Fui a correr, parecia que aquelas pessoas precisavam de ajuda e não consegui ignorá-lo. E uma senhora, em particular, pareceu-me muito mal e tive a maior dificuldade em puxá-la, ajudá-la.

E foi isto que contei aos meus netos, ao almoço, enquanto estávamos, por mero acaso, a comer comida tailandesa. Um deles está quase a fazer anos e, antes, tínhamos ido com ele para escolher roupa a seu gosto. Depois, para o almoço, foi ele que sugeriu que trouxéssemos comida tailandesa para casa, para todos.

Ora, ao acordar, eu tinha contado ao meu marido o pesadelo que tinha tido, que me tinha feito acordar algumas vezes. Então, ao almoço, a propósito da coincidência de estarmos a comer comida tailandesa, ele disse-me: 'Conta-lhes o teu pesadelo desta noite.'

Contei. Quando acabei, todos a comermos noodles com carne ou com camarões, eu com tofu, etc, olharam para mim e perguntaram: 'Mais nada...? Foi só isso?'

'Foi. Não foi horrível?'. Eles olhavam-me com alguma condescendência: 'Não...' 

E cada um disse: 'Os meus pesadelos são muito piores...', ou  'Eu sonho que tenho um monstro debaixo da minha cama, pronto para me atacar'. Outro: 'Também, sonho que vou ser atacado...' O meu marido disse: 'Isso é dos jogos e das séries que veem'. Concordaram mas isso não tirava a intensidade do susto que apanhavam.

E eu que estava ainda incomodada com o meu horrível pesadelo pensei -- uma vez mais, pensei -- que é tudo relativo. 

Tive muita vontade de lhes dizer que deixassem a parte das casas de banho, que tanto me tinha incomodado, mas que pensassem como é horrível os migrantes que vão em procura de uma vida melhor, arriscando a própria vida, e como é horrível isso já ser tão normal que já ninguém presta atenção. Mas os miúdos, contentes a comerem os seus noodles com ingredientes e molhos à escolha e para quem os pesadelos piores são os dos monstros que temem que se escondam nos seus quartos, estariam receptivos a um tema destes? 

Por não me parecer ser o momento adequado, passei adiante. Mas fiquei na dúvida.

Aliás, tenho cada vez mais dúvidas. O mundo é um daqueles espaços topológicos sem forma, sem contornos, em que as leis que os regem são voláteis. Um espaço assim é apelativo em termos ficcionais mas um pesadelo em termos reais.

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Entretanto, agora estou a ver televisão enquanto escrevo. Kamala Harris está em campo (e que diferença faz a sua genica...) e, por todos os motivos, desejo, muito sinceramente, que seja a próxima presidente dos Estados Unidos. Acredito que será. Há muitos americanos que são broncos até à quinta casa. Mas há muitos mais que o não são.

terça-feira, março 05, 2024

Em dia de ida a dois médicos, algumas conclusões
(e, a despropósito, pessoas que não existem e outras cenas de AI que são de um outro mundo)

 


Devido àquela bizarra situação que fez com que activassem o protocolo dos enfartes, chamassem o INEM, me enfiassem numa ambulância que me levou para as Urgências, lá chegada me tivessem levado, de cadeira de rodas, para a Reanimação e me tivessem feito lá estar até ao princípio da tarde do dia seguinte, agora uma vez por ano tenho que ir ao Cardiologista.

Era para ser no fim do ano passado. No fim do verão liguei para marcar a consulta (num hospital privado). Como afinal a escassez de médicos parece ser geral e não apenas no SNS, só consegui consulta para hoje. 

Entretanto, estando reformados e querendo começar a ir ao médico de família, depois de uma primeira consulta creio que no fim do verão e tendo ele mandado fazer alguns exames, tentámos marcar consulta para o fim do ano. Debalde. Fomos tentando. Debalde. Até que, finalmente, lá nos ligaram a propr uma data. Ora bem. Qual data? Pois. Justamente, também hoje. Com duas horas de intervalo e vários quilómetros e muito trânsito de permeio. 

Ou seja, cheguei a uma das consultas à tangente. Aliás, um pouco atrasada.

Primeira conclusão

Na sala de espera do Centro de Saúde, no espaço da Saúde Infantil, todas as crianças que vi, todas, eram filhas de imigrantes. Várias. 

Uma alegria. Já que os portugueses de gema não se reproduzem, ainda bem que os imigrantes o fazem. Só desejo que sejam felizes por cá, que por cá fiquem, que por cá trabalhem, que por cá efectuem os seus descontos. 

Portugal só tem a ganhar com esta situação.

Segunda conclusão

O carro tinha ficado estacionado no parque de uma superfície comercial. Quando lá fomos buscá-lo assistimos a uma grande confusão, muitos gritos, muito barulho, grande correria. Um rapaz tinha sido agarrado pelos Seguranças, gritava como um capado, e, ao correr tinha derrubado várias pessoas e várias coisas. O rapaz era português. Ou seja, se houve aqui um episódio que deixa as pessoas inseguras, ele não causado por nenhum migrante.

Terceira conclusão

O trânsito das cidades continua intenso e para quem, como eu, vive geralmente afastada da confusão, isto já fere, e muito, a minha qualidade de vida. A sociedade, no seu conjunto, deveria zelar por retirar stress ao movimento nas cidades. Mais transportes públicos, muito mais teletrabalho, horários mais desencontrados, quiçá horários mais leves... Muito deve ser feito para retirar trânsito e confusão das ruas. Ainda por cima, apanhei um grande acidente, muitos carros completamente espatifados, polícias. E, noutro ponto, muito trânsito resultante de um outro acidente. É o resultado do stress, tantos acidentes. 

E não continuo com as conclusões porque ou paro já ou continuo até amanhã de manhã

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E, para além disso, continuo às voltas com os temas burocráticos em torno de cenas que deveriam ser simples mas que, para mim, são chinês em estado puro. Volta e meia concedo-me uma pausa nestas coisas pois parece que fico bloqueada. Mas vou ter que voltar a tratar disto. 

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E aqui chegada acho que devo partilhar um vídeo do Guardian que me põe doida, que me faz apetecer hibernar, que me dá volta ao miolo.

How AI creators cement outdated beauty standards

Images created by AI are getting exponentially better, to the point where many people are unable to separate them from the real thing.

As this technology continues to develop, challenges to our perception of what is real are immense, and our trust in what we are seeing is eroded. These fake people are already changing industries such as modelling and marketing, but can they offer a more diverse reflection of humanity than has historically been available - or are they destined to reflect the narrow standards of beauty these industries have long been drawn to?


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Sobre a fotografia lá acima, em minha opinião, muitto linda, retirada do GuardianA photograph by Melbourne artist Atong Atem, ‘Adut and Bigoa, 2015’ which will show at the NGV as part of a local component of Africa Fashion, an exhibit travelling to Australia from London’s V&A. Photograph: Courtesy Mars Gallery, Melbourne

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Um dia feliz

Saúde. Leveza. Paz.