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quarta-feira, outubro 01, 2025

Ai Lisboa, Lisboa...

 

Não sei, de fonte segura, há quanto tempo não passeava no Chiado. Lembrei-me de verificar aqui no blog. A última vez em que aqui registei um passeio por lá foi em 2022. Depois dessa data já registei passeios na Avenida da Liberdade, várias vezes em Belém, Parque das Nações, Gulbenkian, Parque Eduardo VII, Avenida da República, etc. E, claro, não registo os lugares que frequento regularmente como é o que caso da Avenida de Roma e adjacências que a isso, muito sinceramente, já não consigo ver motivos para fotografar pois felizmente é um lugar que tem sabido manter-se igual a si próprio. Mas a questão é que não vou falar de Lisboa em geral mas especificamente da zona do Mercado da Ribeira, Cais Sodré, Rua do Alecrim, Chiado, Rua do Carmo, Rossio, Ruas da Baixa. 

Desde tempos imemoriais esta zona sempre foi das que mas gostei em Lisboa e das que mais frequentei. Houve uma altura em que passava por lá diariamente e, mesmo quando a percorria por motivos utilitários, o lado de turista acidental nunca deixou de estar presente. Alfarrabistas, livrarias, moda, pessoas que passam e que tornam o local ideal para fazer fotografia de rua, tudo ali sempre foi muito apelativo para mim.

E se dantes ia bastante assiduamente a verdade é que, nem sei bem porquê, passaram três anos sem me lembrar de lá ir (isto admitindo que a última vez corresponde a quando aqui o documentei).

Ontem acordei a pensar que estava com saudades. Fomos.

E não sei como descrever o que encontrei. Até me fez lembrar aquele sonho que volta e meia tenho em que volto ao meu local de trabalho e mal o reconheço: o espaço diferente, as pessoas todas novas.

Uma quantidade inexplicável de tuk-tuk, uma coisa como não poderia esperar. Grande parte deles estão engrinaldados de flores coloridas, outros parecem carros antigos. Claro que em 2022, na Baixa, já os havia. Mas não era a avalancha que é agora e eram mais simplórios, quase artesanais. Agora é uma estridência colorida, uma coisa que diria mais enquadrada nas Caraíbas ou no México. Mas, sobretudo, a quantidade. 

Claro que se há procura, a oferta adequa-se e, portanto, isso significa que há muito turismo que os procura. Por isso, há que ver a racionalidade económica da coisa. Ando por estas ruas e sinto-me estranha no meio de tantos, tantos, tantos turistas, muitos com aquele stick (agora com um peluche ou outra coisa na ponta) que segura o telemóvel, e de tantos tuk-tuks. Mas é o que é, o dinheiro do turismo é assim que entra.

Mas não é só isso. Praticamente já não há comércio tradicional. Grande parte das lojinhas foi à vida. E não posso dizer mal disso pois se não se aguentavam, se não havia procura que as tornassem viáveis, o que poderiam fazer os donos? Há agora sobretudo as marcas internacionais que estão nos centros comerciais e em todo o lado, Oysho, Ale Hop, Mango, H&M, etc. A Rua do Carmo, então, é uma desolação, a caminho do abandono. Os prédios reconstruídos anularam as lojinhas. Os passeios da Rua do Carmo estão com pouco movimento, a rua parece meio desolada.

E depois os restaurantes da Baixa são todos iguais uns aos outros, iguais aos que se encontram em volta da Marina de Vila Moura e em todos os lados em que o turismo massificado impõe ementas iguais, plastificadas, normalizadas, com as mesmas fotografias dos mesmos pratos. Tínhamos pensado ir àqueles restaurantezinhos beirões das ruas intermédias em que ainda se comia genuína comida portuguesa. Não descobrimos um único. Esplanadas nas ruas, turistas e mais turistas, tudo a comer a mesma coisa, os empregados a dirigirem-se a nós em estrangeiro.

Pensámos depois ir à Pizzaria Lisboa, do Avillez, que apreciávamos. Descobrimos que mudou de sítio, já não é ali ao S. Carlos. Agora está junto com a Taberna e com o Páteo, na Rua Nova do Trindade. Chegámos lá, estava fechada, salvo erro só abre à noite. 

Por essa altura já só nos queríamos pirar de todo este despropósito. 

Voltámos a pé até ao carro que tinha ficado cá em baixo, ao pé da Ribeira, ié Time Out, e rumámos até Belém, um restaurante que é excelente na qualidade da comida, no espaço, na vista, na frequência. Até ficámos ao lado da última ministra da Cultura, um espécime raro e que vem dos tempos em que a civilização era uma coisa concreta. Depois já houve outro, mas era homem. Agora nem homem nem mulher, já não há ministério exclusivo para a Cultura, agora é uma moçoila que tem a cultura tal como tem várias outras coisas e de quem nunca se ouviu que tivesse alguma ideia para o que quer que fosse, provavelmente nem ela sabe bem porque a puseram a tomar conta de coisas que não têm nada a ver umas com as outras. O Montenegro é assim, tem tanta apetência para a Cultura como eu tenho para jogar às cartas.

Claro que, a caminho do restaurante, passámos pela rua dos pastéis de Belém, outra confusão. Tudo o que cheira a típico, está invadido. Bom para o comércio mas, da maneira que é, diria que, a prazo, são tiros nos pés.

Mas, enfim, onde estivemos, estivemos bem, um oásis.

E vim a pensar: como se degradou tanto a qualidade e o ambiente numa das zonas mais nobres de Lisboa? Como foi possível que a Baixa e o Chiado se descaracterizassem desta maneira?

Claro que ainda bem que se têm vindo a reabilitar os prédios devolutos ou a cair de podres. Em tempos, a Baixa, à noite, sem ninguém, chegou a estar aos caídos. E isso também era mau.

Mas estou em crer que, em todo este processo, está a faltar um plano, uma estratégia, uma visão. Provavelmente a Câmara deveria exigir que parte dos edifícios a reabilitar se destinasse a habitação para jovens e para a classe média. Com isso viria mais uma porção de coisas: escolas, pequeno comércio, minimercados, pequenos jardins, pequenos parques infantis. É a habitação para jovens, pequenos apartamentos a renda acessível, e a habitação para classe média, que traz vida aos lugares. É essencial, essencial. Depois também, ok, concordo, licenças para hotéis ou apartamentos de luxo. Mas tudo estaria integrado, haveria lugar para todos, e garantir-se-ia que se mantinha a genuinidade da cidade. Urbanismo, humanismo, qualidade de vida, preparação do futuro -- tudo coisas que parece que desapareceram desta zona de Lisboa.

Não sou saudosista, não sou conservadora, não sou reaccionária. Sou o oposto de tudo isso. Mas hoje vim triste, desgostada com esta parte de Lisboa de que eu tanto gostava e que já mal reconheci. Isto vai pagar-se caro.

Costumava fazer sempre dezenas e dezenas de fotografias. Desta vez nem me apeteceu. Partilho aqui apenas duas. Sempre gostei de fotografar pessoas e montras. Partilho apenas duas montras.

E depois outra coisa: a Avenida 24 de Julho está degradadíssima, muitos prédios num estado desgraçado, a escadaria que vem do Museu de Arte Antiga meio ao abandono, o pequeno jardinzito por baixo a mesma coisa, edifícios devolutos, entaipados. Uma tristeza. Caraças. 

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Desejo-vos um dia feliz

terça-feira, setembro 16, 2025

João Ferreira: a julgar pelo debate na SIC, se eu votasse em Lisboa, seria nele que eu votaria

 

É certo que tem aquele pequeno problema de ser do PCP. É sabido que sinto sempre alguma perplexidade quando vejo uma pessoa que parece ser lúcida e racional manter-se no PCP. Provavelmente há questões psicológicas que o justificam mas a mim, que não as conheço, faz-me confusão. 

Contudo, a nível autárquico, o que em minha opinião deve prevalecer é a capacidade de fazer, a visão de ver ao perto e ao longe, a sabedoria para vencer obstáculos, a paciência para ultrapassar as chachadas da pequena política (que a nível autárquica parece tender a ser coisa muito rasa), a energia para se dedicar de corpo e alma ao bem estar dos habitantes ou dos visitantes da cidade. E, do que vi, pareceu-me que o mais estruturado, o mais assertivo e talvez competente, seria o João Ferreira.

Claro que é também o mais bonito e isso, parecendo que não, também conta.

domingo, setembro 14, 2025

Os grandes amores não morrem nem esmorecem

 

Não ando em grande forma e não sei porquê. Agora é um torcicolo que está a tolher-me completamente. Não consigo mexer o pescoço e até me custa a comer. Poderia atribuir isto a algum esforço ou a algum mau jeito. Mas não sei o quê. De quinta para sexta estive assim, tomei paracetamol e fiquei melhor. Fui ao ginásio pois pareceu-me que os exercícios não buliam com os músculos. Não sei se foi isso ou outra coisa qualquer, piorei. A meio da note tive que me levantar para tomar mais um comprimido. 

Mas, ao longo do dia, a coisa foi azedando e de que maneira.

Não obstante, não me apeteceu estragar o dia e, por isso, não apenas fomos tratar do que tínhamos que tratar, como, estando o dia tão lindo, me lembrei de, a seguir, ir matar saudades a um dos lugares do meu coração, o meu querido, queridíssimo Ginjal.

Claro que antes ainda fui comer um gelado à boa gelataria artesanal que há na ruazinha pedonal que sobe de Cacilhas para dentro de Almada.

Já lá não íamos há uns anos. E que diferença... Aqueles edifícios decadentes que tanto me impressionavam e inspiravam foram demolidos. E ainda bem, já eram um perigo. Essa zona está vedada e segura. E o pavimento está refeito, impecável. 

E montes de gente. Juventude e mais juventude, todas as línguas, diversos perfumes, muitos sorrisos, muitos abraços e beijos, e toda a gente envolta naquela luz tão especial. Apetece-me escrever que é uma luz mágica mas temo que o lugar comum estrague a descrição e não consiga passar o deslumbramento que é o sol a pôr-se sobre Lisboa, tão bela, sobre o rio, poderoso, estrada larga por onde deslizam os veleiros. 

O meu marido tem mais tendência para protestar que eu e acha que já é gente a mais. Não creio. Os lugares belos, desde que respeitados, devem conseguir acolher todos quantos queiram visitá-los.

Matei também as saudades de fazer fotografias, fiz dezenas e dezenas delas. Encantada, saciada.

Claro que agora estou pior. Dores, dores. Tolhida de todo. Já pus pomada, estou com um daqueles sacos de gel que se aquecem no microondas em volta do pescoço e vou ter que tomar outro comprimido. Estou a ver se não vou ao ibuprofeno, mas não sei se o paracetamol vai conseguir dar conta disto. Agora o que eu gostava de perceber é por que raio de carga de água é que fiquei neste estado. Caraças.

Fui ver a gaveta dos medicamentos e descobri um relaxante muscular, a caixa quase intacta. Não sei para que foi, não me lembro minimamente de o ter tomado. Terá sido o meu marido? O que vale é que está dentro do prazo de validade. Vai um destes. Se não me aliviar as dores, a seguir vai um paracetamol. Fico doida com estas gaitas, não tenho pachorra para estar incapacitada.

Mas, enfim, não quero parecer daquelas velhas que só sabem falar de doenças. Por isso, vou, antes, juntar mais uma das muitas fotografias e vou para a cama. O Ginjal e a fotografia são daquelas paixões antigas, eternas. Espero que a beleza deste lugar chegue até vós.

E vou para a cama que este domingo não posso preguiçar na cama, vou fazer um cozinhado demorado para o almoço, uma coisa que nunca fiz. Se ficar bom, depois conto.

Desejo-vos um feliz dia de domingo

segunda-feira, setembro 08, 2025

(Actualizado) Obviamente, pirem-se!
-- A palavra ao meu marido --

 

O presidente da Carris e o Moedas não podem continuar. O que soubemos ontem no inquérito preliminar é gravíssimo. Um equipamento de transporte público que funciona há 140 anos, com todos os riscos que acarreta um período tão longo de funcionamento, e transporta centenas e centenas de milhares de pessoas por ano num percurso com inclinação de 17 por cento, não tem sistemas de travagem que atuem no caso de falha no cabo que suporta o equipamento e permite  que este trave. É inconcebível!  Como é  possível que um equipamento cujas condições de segurança são tão precárias transporte pessoas? 

O dirigente principal da empresa tem que se demitir porque não garantiu que a empresa cumprisse a sua missão principal que é assegurar o transporte dos utentes em segurança. 

O Carlos Moedas também devia ir-se embora por indecente e má figura: não só porque a CML tutela a Carris mas também porque vai para a SIC fazer figura de poucochinho e consegue dizer que tudo funcionou bem, dizer que não pensa em eleições, e, enquanto isso, põe-se a dar bicadas na concorrente eleitoral, e continua apelando aos sentimentos mais primários das pessoas e quase chora para conquistar votos. E porque ao longo deste processo demonstrou que tem zero de capacidade de liderança. Uma triste figura. 

Além disso, depois de andar a pregar contra a insegurança na cidade, mostrou que se esqueceu de um aspecto tão fundamental como garantir a segurança de quem usa veículos de transporte, ainda por cima talvez dos veículos mais usados na capital. Afinal o grande problema para a segurança de Lisboa não são os imigrantes mas a falta de condições dos elevadores turísticos da cidade. 

Indecente e má figura do Carlos é  também seguir a cartilha do Montenegro e, quando tudo está a correr a mal, vir dizer que se gastou mais dinheiro com o problema e que ninguém se demite porque "estão lá para resolver os problemas" que de fato agravaram. É uma cartilha que, de tão gasta, fede.

Eu sei que vivemos num País cujo governo atual mandou a ética às urtigas. O PM, com a Spinunviva às costas, diz no Governo o contrário do que dizia na oposição,  consegue dizer sobre o mesmo assunto três coisas diferentes no mesmo dia (foi o que fez quando falou sobre o acesso à matriz das propriedades que possui), mente quando lhe convém,... O ministro das finanças é o rei das cativações que tanto criticava nos antecessores. A ministra da saúde mantém-se no cargo apesar das sucessivas tragédias que têm ocorrido, mostrando que pensa que não tem nada a ver com as desgraças da área pela qual é responsável... 

Só falta mesmo que, depois do horrível acidente que ocorreu em Lisboa, ninguém assuma a responsabilidade pela inconcebível situação em que a empresa que transporta milhões de passageiros por ano colocou os seus utentes.  Mesmo no estado a que as coisas chegaram parece impossível.

Nota: quem é que garante que os outros equipamentos da Carris são seguros e não põem em perigo os utentes?

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Post scriptum

Ontem quando escrevi o post ainda não tinha ouvido as declarações do Moedas em 2021 a pedir a demissão do Fernando Medina. Depois de ter dito o que disse, o Moedas tinha que se demitir de imediato. É preciso descer muito baixo para utilizar os argumentos que ouvi ontem na SIC para justificar a sua continuidade no cargo. 

É vergonhoso! Não vale tudo! Um comentário de ontem, muito consistente, que agradeço, refere que o que aconteceu pode configurar um crime de homicídio por negligência ou dolo. Assim, parece que seria mais prudente o Moedas preparar a defesa em vez de andar por aí esganiçado, qual beata histérica, a tentar chutar para canto. Cada vez mais estes dirigentes do PSD me parecem aquela cambada que rodeia o Trump: impreparados, sem nenhuma ética, mentirosos e viciados em "fake news".

domingo, setembro 07, 2025

O relatório preliminar
-- Porque aconteceu a tragédia do Elevador da Glória? --

 

Estamos em território minado em que ninguém divulga documento nenhum sem que, primeiro, os advogados o mire à lupa, com mil olhos. 

Sabemos que o tema da responsabilidade civil* e as respectivas consequências é o que agora estará a envolver todos intervenientes, e, quando falo em envolver, é isso mesmo: há que ter mil cuidados, pois qualquer ponta que se deixe solta será usada pelas seguradoras, pelos advogados das partes envolvidas, pela comunicação social, pelos partidos, para triturar impiedosamente o primeiro que se deixe apanhar 'a jeito'. É, pois, a altura de mitigar os efeitos dos danos de toda a ordem, nomeadamente os financeiros, os reputacionais, os políticos. Claro que em background estará sempre o drama dos mortos, dos acidentados. Mas isso já aconteceu. Já não há nada a fazer. Portanto, isso estará presente, claro que sim, mas em background. Quem não está habituado a isto, dirá que há muito cinismo, muita hipocrisia nisto. Talvez, sim. Mas não sei se é isso ou se é o instinto de sobrevivência dos intervenientes. Sei bem o stress que, em situações deste tipo (e nunca passei por nenhuma tão grave, nem nada que se pareça), costuma existir sobre todos: reuniões e mais reuniões, com os circuitos todos da gestão de risco a serem seguidos ferreamente.

Quanto ao relatório sobre o que aconteceu, mais do que saber que foi o cabo solto ou a ineficiência dos freios, é importante detectar a verdadeira causa-raiz que levou a que isso acontecesse. Seja o que for, da minha experiência, o que me parece óbvio é o seguinte: por muito que o relatório preliminar seja prudente e tente dar a entender que o que se passou foi uma fatalidade, pois os procedimentos de manutenção foram todos rigorosamente cumpridos e o condutor agiu como devia, uma coisa é certa: em acidentes desta natureza não há fatalidades -- há, sim, uma ou mais ocorrências como, por exemplo, desgaste dos materiais que não foi devidamente acautelado, falta de adequação dos materiais ou dos sistemas às funções, falta de manutenção com a profundidade, a tecnicidade ou a periodicidade devida, ou a não substituição atempada de peças, equipamentos ou sistemas. E um ou vários desses aspectos serão a causa directa. E é preciso identificá-los.

Mas depois há as segundas derivadas: ou seja, porque é que isso aconteceu? Sub-orçamentação, inexperiência ou inaptidão dos técnicos (quer os da Carris que fizeram o caderno de encargos ou que monitorizam a execução do contrato quer os da empresa externa que efectua o serviço), inadequação organizativa (quem monitoriza ou quem decide sobre falhas ou decisões a tomar), inaptidão da gestão da Carris?

Numa perspectiva séria, para apurar todas as razões (e não para alimentar o espectáculo da comunicação social mas, sim, para evitar que voltem a acontecer acidentes desta gravidade), haveria uma comissão de gente séria, experiente e objectiva, a varrer todas estas vertentes.

Não podem ser totós que embarquem em banalidades, que não vão ao fundo da questão, tem que ser gente que saiba desmontar os argumentos, que saiba pesquisar, averiguar:

- Faz sentido manter aqueles elevadores, lindos, com aqueles materiais, com aquela tecnologia, ainda estarem em funções? Não seria mais seguro haver réplicas perfeitas mas robustas, tecnologicamente modernas, seguras, monitorizáveis e controláveis?

- Faz sentido os serviços de Manutenção continuarem externalizadas? Em caso afirmativo, quem define os moldes em que é executada, quais as fronteiras de responsabilidade entre os serviços internos e os externos (por exemplo, quem assegura os serviços de Oficina, a gestão de peças, quem efectua inspecções periódicas, quem assegura a transmissão de conhecimentos e a formação dos técnicos)?

- etc...

E isto de que tenho falado é uma vertente. Mas há outra: não nos esqueçamos, uma empresa tem accionistas que nomeiam a administração e é a administração que leva ao terreno as orientações que recebe. É o accionista que aprova as linhas estratégicas, os orçamentos, as grandes decisões programáticas. No caso, o accionista é a Câmara de Lisboa. E quem está à frente da Câmara de Lisboa não é uma dinastia ou uma família: são pessoas eleitas, são políticos. Logo, antes de qualquer outra responsabilidade, há a de carácter político.

Carlos Moedas não pode esconder-se atrás das saias do falecido Papa, não pode encostar-se a Marcelo ou a Montenegro nem pode continuar a andar a correr atrás da comunicação social para se gabar de tudo o que mexe ou não mexe. Carlos Moeda, por uma vez, tem que se portar como um homenzinho. A menos que não saiba o que isso é.

* Num comentário abaixo, que agradeço, levanta-se a possibilidade de vir a haver também uma questão criminal. Não a referi por admitir que esse caminho não será trilhado pois, a haver responsabilidades dessa natureza, elas provavelmente seriam de tal forma partilhadas que não se chegaria a lado algum. Mas, de facto, nunca se sabe. Estou a lembrar-me de um caso que não tem a ver com acidentes ferroviários ou afins  mas com saúde pública e o tema foi aí parar, com muitos dos responsáveis da empresa envolvida sentados no banco dos réus. Portanto...

sábado, setembro 06, 2025

A tragédia do Elevador da Glória -- a infeliz ilustração prática do que é a Lei de Murphy?

 

Tenho cá os meninos em casa em regime de pernoita e, em dias assim, tenho dificuldade em mudar o chip para falar de coisas sérias. 

Antes de se ir deitar, o meu marido deixou-me várias sugestões para o que eu poderia abordar no que fosse escrever no blog. Concordei e disse que sim, que o faria. Simplesmente, as minhas mãos estão com dificuldade em falar de concursos públicos, em externalizações, em planos de manutenção, em escassez de mão obra especializada, em gestores políticos de meia tigela. 

É que, tal como ele, também eu posso falar destes assuntos, não do caso do Elevador da Glória em particular, que não conheço, mas destes temas em geral. Mas, para eu falar disto, porque só consigo falar com seriedade e rigor, teria que me alongar. E a esta hora, com os meninos a dormirem nos quartos ao fim do corredor, não sei se consigo forçar as minhas mãos a temas sérios quando só me apetece falar da graça das crianças, do menino que chegou a casa, do treino, já às dez da noite, e, depois, ainda foi tomar banho e, depois, jantar, para pouco depois ter que ir dormir pois este sábado tem que estar a pé cedo já que tem reunião e treino antes das dez da manhã, ou do mais novo, arisco, que me deixa abraçá-lo e dar beijinhos, revelando ser um falso arisco, ou a menina, mais alta que eu, já não criança mas uma bela adolescente, que veio carregada com uma valise dentro da qual se encontram dois necessaires, um com produtos para o cabelo, outro com maquilhagens, sempre toda decidida, toda organizada, e que me faz recordar-me de mim com a idade dela.

Por isso, como conseguir fazer a agulha para os temas que estão na ordem do dia e que, de uma maneira ou de outra, farão parte da causa-raiz da tragédia?

Bem.

Vou tentar. 

Mas vou ver se abrevio. 

Externalizar? 

Sempre fui totalmente contra quando se trata de áreas críticas, de utilização permanente e em que a retenção de conhecimento é relevante. Era a favor em sectores indiferenciados, de utilização sazonal, em que não é requerido conhecimento específico do 'entorno' ou da função. 

No caso da manutenção, em que os técnicos são sempre necessários ao longo do ano, em que é importante reter o conhecimento para que exista um historial de avarias, do que as provocou, da forma como se resolvem, para que acompanhem os novos investimentos e recebam formação no seu manuseio, sempre fui a favor da não externalização. 

No caso da Carris, tendo sido tomada essa decisão há uns anos, e ainda não tendo havido a coragem de a reverter, a única forma de assegurar uma boa manutenção é haver internamente, na Carris, quadros técnicos altamente experientes e conhecedores, que consigam plasmar no caderno de encargos do concurso público, todos os requisitos e, depois, que acompanhem o seu escrupuloso cumprimento: Por exemplo, quais os planos de manutenção preventiva, qual o plano de inspecções, tempos de chegada ao local em caso de manutenção correctiva (e, se já estiverem evoluídos, planos de manutenção condicionada e preditiva). Coloquei entre parêntesis pois temo que os equipamentos do elevadores não estejam ainda sensorizados para emitirem alertas em situações de desgaste, de perda de tensão ou outras situações críticas. Mas o caderno de encargos deve ainda prever de quem é a responsabilidade por gerir os stocks de peças de reserva ou de consumo corrente e de quem é a responsabilidade pelos trabalhos em oficina (está também externalizada? se não, como se integra a sua gestão, num fornecimento externo?). E nos planos dos trabalhos deve estar bem definido o que fazer e com que periodicidade bem como quais as habilitações, formação profissional e experiência dos técnicos que integrarão as equipas. Tudo isto tem que ser, depois, contratualizado e rigorosamente monitorizado.

Como o meu marido referiu ontem, se isto estava tudo bem definido e se nenhuma empresa apresentou proposta no concurso que entretanto decorreu, é porque as empresas concorrentes acharam que, pelo valor base do concurso, não era possível fazer o trabalho. Atendendo a que esse valor é cerca de 20% superior ao que estava a ser praticado, das duas uma: ou a empresa que andou a fazer a manutenção até ao fim de Agosto andou a perder dinheiro, muito dinheiro, ou andava a cortar as unhas, mas a cortá-las muito rentes, ou seja a não fazer o trabalho que devia ser feito, pelo menos de acordo com os requisitos do concurso que ficou deserto. 

O meu filho, no dia do desastre, dizia que parecia ter acontecido o worst-case scenario, aquele cúmulo de azares que, quando a coisa dá para o torto, parece que os azares se atraem uns aos outros: parece ter falhado o cabo, o freio, e sabe-se lá mais o quê. Mas vamos ver se, em cima de tudo isso que se traduziu num número tão elevado de mortos e feridos, não aconteceu ainda um outro. Não nos esqueçamos que, quando acontecem acidentes desta natureza, as indemnizações e os gastos de reparações e outros são exorbitantes. As empresas têm uma responsabilidade civil que, geralmente, está segura (leia-se, coberta por um seguro). Mas, para não pagarem prémios excessivos, limitam a responsabilidade coberta. E está tudo bem... até ao dia em que deixa de estar. Portanto, vamos ver qual o tecto da responsabilidade civil da empresa responsável pelo que aconteceu. Vamos ver se, a seguir a toda a desgraça que aconteceu, não começam a surgir outros dissabores. Claro que não há maior dissabor do que uma vida ser ceifada num acidente destes mas, a seguir, começam a surgir as consequências e, neste capítulo, vamos ver se estava tudo bem acautelado.

E aqui um tema que será certamente avaliado: supostamente, a empresa externa que fazia a manutenção vai ser chamada à pedra e vai averiguar-se se os planos contratados foram cumpridos. Se não foram cumpridos, estará encontrada a empresa responsável. Mas se os planos foram cumpridos e o que se conclui é que os planos estavam mal feitos, aí a responsabilidade reverterá para quem os definiu. E aí entrarão as contendas jurídicas, os pareceres, as complicações que, às tantas, se transformam em complicados enredos.

Mas há ainda um outro aspecto: pelo que vi, a empresa MNTC que fazia a manutenção dos elevadores de Lisboa terá sede num prédio residencial na Margem Sul, um capital social de apenas 15.000€ e 30 trabalhadores. Não consegui encontrar o site, talvez não tenha. Não posso questionar a competência e a estabilidade da empresa e dessas 30 pessoas pois delas nada sei. E também não sei se os trabalhadores que faziam a manutenção pertenciam mesmo à MNTC ou se seriam subcontratadas. É que o que frequentemente acontece, nesta perversidade de externalizar e contratar pelo menor preço, é que as empresas a quem é adjudicado o trabalho, para o conseguirem fazer por tão baixo custo, recorrem à mão de obra mais barata que arranjam (muitas vezes pagando parte do ordenado por baixo da mesa, para pouparem na Segurança Social e nos impostos). Não faço ideia se é o caso mas não me admiraria se fosse.

E ainda um outro aspecto: li que o contrato com a MNTC acabou no fim de Agosto. Não havendo empresa para a substituir (dado o concurso ter ficado deserto), a Carris terá feito um ajuste directo com a MNTC para mais 5 meses. E pergunto: fez contrato? Quais as cláusulas do contrato? O contrato está assinado? Em vigor? Certinho. direitinho? Ou foi na base do 31 de boca? É que, numa situação como a que aconteceu, tudo isto faz a diferença -- e as Seguradoras e os advogados das diferentes partes não costumam condoer-se, é o business deles, costumam defender-se com unhas e dentes, e todas as pontas soltas são boas para desmontar pretensões com pés de barro.

Só espero que o worst-case scenario não se aplique também a estes aspectos, senão a dimensão do problema alastrará e de que maneira. 

Claro que há muitos intervenientes que, de uma maneira ou de outra, têm a sua quota parte de responsabilidade no que aconteceu: no que se refere a questões técnicas, a questões jurídicas, a questões administrativas, a questões de organização e, claro, a questões de gestão.

Mas, acima de tudo, e convém não a relativizar, há a responsabilidade política. Na forma como as empresas sob responsabilidade municipal se organizam, na aprovação do plano de investimentos e do orçamento de gastos correntes, nas prioridades, nas linhas vermelhas, a primeira e última palavra vai para a Câmara que, no caso, funciona como o accionista, o grande decisor.

Estar à frente de uma autarquia não é ser como o Moedas, esse oportunista que parece achar que se nos aparecer, televisão adentro, a toda a hora, em todo o sítio, como um emplastro, sempre a gabar-se, sempre em bicos de pés -- é ele que faz tudo, é ele que pensa em tudo --, uma figurinha ridícula que se acha o máximo. Não. Ser responsável por uma autarquia é tomar as grandes decisões, é garantir que o que é crucial é seguido à risca (por exemplo, é alguém que traça linhas vermelhas como 'nunca por nunca pôr em risco a vida humana'), é assegurar que há medidas de controlo para monitorizar o cumprimento dos planos. Ser responsável é saber gerir prioridades como por exemplo, ser capaz de dizer: 'não vou cortar na manutenção de equipamentos de utilização pública nem na higiene urbana nem no apoio à recuperação de consumidores de droga; pelo contrário, vou aumentar, nem que, para isso, tenha que cortar em dispêndios exagerados como os das Jornadas da Juventude ou outros folclores de utilidade duvidosa'. 

Não sei o que vamos ficar a saber da responsabilidade da tragédia mas temo que conheçamos apenas uma versão superficial das coisas e temo que o Moedas, na sua hipocrisia travestida de beatice, ainda tente reverter o problema, tentando capitalizar a seu favor. Quando, em cima do desastre, o ouvi dizer que Lisboa nunca tinha sofrido uma tragédia desta dimensão (ah não? o terramoto de 1755 não lhe diz nada?) só me fez lembrar o Trump que, na estupidez do seu narcisismo exacerbado, consegue gabar-se da porcaria que faz só porque é uma grande (huge, fantastic) porcaria.

Enfim.

É tarde, daqui a nada a minha maltinha está a pé e, portanto, é bom que eu esteja antes deles. Portanto, fico-me por aqui.

Desejo-vos um bom sábado.

sexta-feira, setembro 05, 2025

Compreender bem o que aconteceu
-- A palavra ao meu marido --

 

A tragédia que aconteceu em Lisboa, no elevador da Glória, é absolutamente chocante e difícil de admitir. Um acidente como este no centro da cidade ultrapassa a perspectiva que temos do que nos pode esperar no quotidiano. É terrível! 

Espero que esta tragédia tenha resultado de uma falha fortuita e imprevisível no sistema. Espero também que o inquérito aponte conclusões para percebermos o que falhou e quais as razões da(s) falha(s). 

Ao ouvir hoje uma parte da conferência de imprensa do presidente da Carris, houve dois aspectos que me chamaram a atenção. 

  • Primeiro, afirmou que os custos de manutenção tinham aumentado 25 por cento, não me lembro se em 3, se em 5 anos, mas só após a pergunta de um jornalista informou que os custos com a manutenção dos elevadores tinham sido os mesmos nos últimos 3 anos (995.000 € por ano). Parece que queria dizer só meia verdade. 
  • Mas o que me suscitou mais dúvidas foi ele ter dito que o concurso para prestação do mesmo serviço para 2025 tinha como valor base 1,2 milhões de euros, e nenhuma empresa tinha apresentado proposta. Quando um concurso fica deserto, geralmente isso significa que nenhuma empresa achou que conseguia fazer o trabalho pelo valor base. E, ainda assim, comparando com o valor que vigorou até agora, estamos a falar de uma diferença para cima, de mais cerca de 20 por cento (mais de 200 mil euros) -- e mesmo por estes valores bem mais altos ninguém apresentou proposta. Face a isso, a Carris vai ter que lançar novo concurso por um valor superior. Admitamos que o valor passará para 1,3 milhões de euros. 

A minha dúvida é: como é que a empresa a que foram adjudicados os trabalhos nos últimos três anos podia prestar um serviço de qualidade, parecendo que o valor que recebia era manifestamente insuficiente. A Carris pagava 995 mil euros, e, de um ano para o outro, o serviço vale mais de 1,2 milhões de euros, provavelmente 1,3 ou mais milhões de euros. Esteve a empresa prestadora do serviço disposta a perder centenas de milhares de euros por ano? Ou, porque o valor não era suficiente, fez algumas economias na prestação do serviço? Gostava de ver esclarecido este ponto.

O Moedas está sempre na televisão a gabar-se do que faz e, especialmente, do que não faz. Devia ter sido homenzinho e ter estado hoje ao lado do presidente da Carris, empresa tutelada pela Câmara, e assumir a responsabilidade política. 

O Marcelo veio dizer que era preciso apurar rapidamente a responsabilidade por esta tragédia. Concordo. O problema é quando se apuram as responsabilidades para nada, ou seja, apesar de conhecidas, ninguém as assume -- e o caso da Saúde tem sido sobejamente paradigmático disso, com a agravante de isso acontecer perante a conivência de Marcelo.

sábado, junho 21, 2025

Um dos mais lindos metros do mundo

 

Isto é uma manifestação

Não sei há quantos anos não ando de metro em Lisboa. Décadas, seguramente. Habituámo-nos a andar de carro. Bem sei que é uma parvoíce. Mas, quando sugiro ao meu marido que, em vez de andarmos preocupados com o trânsito ou com o estacionamento, podíamos usar transportes públicos, pergunta-me onde é que deixávamos o carro. Não há transporte directo para o centro, pelo menos que saibamos. Por isso, ou fazíamos transbordo ou íamos de carro até um lugar mais ou menos periférico. Mas desabituámo-nos, isso parece-nos mais complicado do que irmos de carro desde que fechamos a porta de casa até quase à porta do lugar onde vamos. Há hábitos difíceis de quebrar.

Isto é uma (subtil) performance

Quando eu andava de metro, e gostava de andar por ser prático e rápido, esteticamente nada tinha que se lhe dissesse. Mas mudou e, do que tenho ouvido dizer, mudou para melhor, para muito melhor. Tenho ouvido falar de algumas estações que me dizem ser espectaculares, quer do ponto de vista arquitectónico quer do ponto de vista artístico. Do ponto de vista técnico, nomeadamente do ponto de vista de engenharia civil, tendo em conta as particularidades da cidade, nem falo pois não tenho competências para avaliar -- mas imagino que cada estação seja um desafio, especialmente as da baixa, debaixo de água, no meio de estacaria e de ruínas.

Estas são as três graças

Mas hoje, depois de um dia longe de trânsitos, poluições e outras confusões, um dia dedicado a varrer (não dou conta da caruma, das folhas secas das azinheiras, das bolotas), a caminhar entre árvores, a fotografar flores e florzinhas, pés de orégãos, searas imaginárias, luzinhas mágicas a envolver pomponzinhos fofos, eis que pouso aqui, no bem bom, e recebo, de presente do youtube, um vídeo que mostra a beleza do metropolitano de Lisboa.

Diz ele que é dos mais belos do mundo. E eu fico contente por saber isso. Adoro Lisboa, adoro Portugal, adoro as coisas lindas do meu País.

Para quem esteja como eu -- a milhas de o conhecer -- aqui fica. Lindo, de facto, moderno, elegante, arejado e convidativo. Um dia destes vai ter que ser.

This Is the Most Beautiful Metro (that no-one talks about)

When transport fans, enthusiasts, tourists, guidebooks and listicle websites talk about the most beautiful underground systems in the world, the same small handful of cities tend to be mentioned. You've just immediately thought of at least two of them.

But no-on ever seems to bring up the Metro in Lisbon, which is, in my opinion, definitely worth including on the list. Using footage from my recent trip to the city, let me show you what I mean...


Dias felizes

quarta-feira, janeiro 15, 2025

Alexandra Leitão para Lisboa: mais um tiro no pé de Pedro Nuno Santos?

 

Quando escolho um Presidente da Câmara para nele votar, tento adivinhar se a pessoa tem pedalada para a exigência da função, se é uma pessoa de acção, se é pragmática, se é pessoa com sentido prático para resolver os mil problemas do dia a dia, se é pessoa com mão firme, se é pessoa com sensibilidade e bom senso. E etc.

A mulher de um presidente de Câmara dizia-me uma vez que é uma ocupação deveras ingrata pois a pessoa pode fazer inúmeras coisas boas, estruturais, a pensar no futuro, e todo irrepreensível, mas se uma pedra estiver solta na calçada as pessoas não pensam em todo o bem que ele fez e vão acusá-lo de não ter mandado arranjar a pedra que se soltou no passeio. Acredito que sim.

Não é qualquer um que consegue, ao mesmo tempo, ver ao longe, ver ao perto, ter atenção a quem quer espetar-lhe uma faca nas costas, ser empático, não se deslumbrar com elogios, não se ir abaixo com críticas, e, no meio da barafunda, sem muita conversa fiada e muito foco, seguir em frente e fazer o que tem que ser feito.

Se eu tivesse que escolher um candidato a Presidente da Câmara de Lisboa, assim de repente, sem ter pensado no assunto, não sei quem escolheria. Talvez um João Galamba desse um belíssimo Presidente da Câmara de Lisboa. Acho que sim, que daria. Ou o ex-ministro Siza Vieira. Ou a Mariana Vieira da Silva. Seria seguramente muito boa. Por exemplo. Mas não sei, não pensei no assunto. Mas uma coisa eu sei: sei que não escolheria Alexandra Leitão. 

E também sei que, se fosse eu a mandar, a escolher a candidata à Presidente, e quisesse comunicar a minha decisão, jamais usaria o argumento que Pedro Nuno Santos usou. Jamais. Caraças... jamais.

E se Alexandra Leitão é a 2ª pessoa mais importante do PS, então, na volta, é isso: na volta está tudo explicado.

sexta-feira, janeiro 10, 2025

Diane Morgan: Philomena Cunk adoraria entrevistar Elon Musk.
E eu adoraria ver.
Mas, por enquanto, fico-me pela descrição do meu dia na capital

 

Hoje o nosso programa de festas levou-nos para os interiores da capital. 

Nado e criado em Lisboa e toda a vida aí tendo trabalhado e eu própria tendo ido viver para Lisboa com 17 anos e tendo igualmente trabalhado aqui até há pouquíssimo tempo, tendo ambos que circular, frequentar e estar por dentro dos circuitos da cidade durante toda uma vida, vemo-nos agora incomodados com o trânsito, com o estacionamento, com a barafunda dos dias úteis.

Ia eu a andar e diz-me o meu marido: 'Olha lá, não estás ao pé de casa, não podes andar no meio da rua ou atravessar sem ser nas passadeiras ou sem que o semáforo esteja aberto'. E, de facto, até parece que estava esquecida. Como se morasse na província, longe de carros e confusões, e nunca tivesse andado no meio de Lisboa, ali estava eu, completamente descuidada.

Mas isto de andarmos ali a pé foi quando tínhamos conseguido encontrar onde deixar o carro.

Tínhamos ido confiantes para o local onde tínhamos o nosso compromisso, sabendo que, se não encontrássemos lugar por lá, teríamos sempre o grande parque ali perto. Pois, pois. Lugar na rua nem vê-lo, tudo, tudo, tudo cheio. Dirigimo-nos ao parque. 'Completo'. Ficámos estupefactos. Como o parque é grande e tem várias entradas, pensámos que talvez numa outra ponta tivéssemos mais sorte, até porque, entretanto, poderia ter saído algum carro. Pois, pois. 'Completo'. E com isto já estávamos a ficar em cima da hora. Por milagre, enquanto andávamos naquela demanda, saiu um carro e lá estacionámos. Um preço exorbitante. Afinal aquela deve ser das zonas mais centrais e mais caras de Lisboa. 

Esse assunto resolvido, lá fomos.

Muito restaurante novo, muita loja, muito movimento. E digo isto agradada. Uma vez mais me senti turista num território que deveria ser-me relativamente familiar.

E sendo hora de almoço, íamo-nos cruzando com as pessoas saídas do seu trabalho, aceleradas, outras conversando entre amigos, aquele movimento pleno de ocupação de quem vive essa rotina diária. 

Gostei de ver e lembrei-me de como até há tão pouco tempo eu também andava sempre apressada, querendo rentabilizar todos os minutos. Agora senti-me uma mera observadora e tive vontade de estar com máquina fotográfica a captar o bulício cosmopolita, pois aquele é todo um mundo, com os seus padrões.

Depois do demorado e excelente almoço, passeámos por ali. Às tantas lembrei-me de ir dar uma espreitadela a um dos grandes centros comerciais que ali marca a geografia. Dirigi-me para a porta por onde costumava entrar. Não encontrei. Era a porta de um banco. Não percebi. Dirigi-me para a porta principal. Era a porta do mesmo banco. Tudo aquilo agora é o banco, o centro comercial evaporou-se. Se calhar isso já aconteceu há algum tempo mas ou tenho andado distraída ou só se vê aquilo que se quer ver. Não sei.

Assim como assim, depois de passearmos por ali, ao passar por uma Zara com letreiros de saldos, não resisti. E não resisti a uma camisa/casaco altamente colorida, uns brincos gigantes e altamente aparatosos e uma coisa que creio ser uma pulseira com uma flor gigante. Não preciso de nada disto, claro. Mas a moda é assim mesmo, a atração pelo inútil.

Só que é mais do que isso. Quando eu era miúda, gostava de usar roupas coloridas e adereços vistosos. Mas pouco havia disso, com excepção do que se arranjava nos Porfírios. Mas muitas vezes, diziam-me que eu ainda não tinha idade para usar coisas assim. Depois, já devia ter juízo para usar coisas assim. Depois, não eram coisas apropriadas para ir trabalhar assim. Depois já não tinha idade para coisas assim.

E agora atingi o estado de espírito em que me dá igual. Se gosto de uma coisa, seja altamente colorida, altamente vistosa, altamente exuberante, uso e quero cá saber se alguém acha ou diz o que quer que seja.

Depois fui ter com o meu marido. Vi-o de longe. Estava perto do carro a tentar descobrir-me, certamente receoso de que eu não conseguisse dar com o carro ou me tivesse 'perdido' e recaído ao consumismo.

E, por fim, mais para a tarde, apanhámos um trânsito absurdo e voltámos a lembrar-nos das muitas horas de vida que perdemos em infinitas filas (horas? dias! meses! anos de vida).

Com isto tudo, claro que agora não me apetece falar de temas concretos ou sérios. Aliás, estou com um sono tramado, até parece que fiz uma grande expedição.

Mas não quero ir-me sem partilhar convosco esta entrevista da extraordinária Diana Morgan (que diz que tem 99% de Philomena Cunk) a Stephen Colbert. Uma graça. 

Haja humor. Gente inteligente com vontade de rir (mesmo que sabendo conter-se) é uma lufada de ar fresco.

Diane Morgan: Philomena Cunk Would Love To Interview Elon Musk
The Late Show with Stephen Colbert

Diane Morgan, who plays the brilliant documentarian Philomena Cunk on her show, "Cunk on Life," says Elon Musk is at the top of her interview wishlist. "Cunk on Life" is streaming now on Netflix. 


sexta-feira, abril 26, 2024

Foi bonita a festa, pá
25 de abril sempre

 

Um imenso mar de gente em festa, em família, entre amigos. Uma festa intergeracional mas, arriscaria dizer, com uma inédita e inacreditável massa de jovens e de crianças. 

Todas as ruas iam dar ao Marquês. Os relvados da avenida e da rotunda cheios de gente. Muita cor, muita alegria. Gente a cantar, a rir, a abraçar-se, a festejar, a gritar gritos de ordem: um hino à liberdade cantado a muitos milhares de vozes.

Muita emoção, uma emoção contagiante, uma vontade de que as ruas nunca percam a alma, que continuem cheias de gente, que não seja só nos 25 de Abril. As ruas querem-se vivas e alegres. É na rua que as pessoas se encontram, se abraçam, se vêem a rir, que cantam em uníssono. Não é na solidão das redes sociais. É nas ruas. É na partilha, no contacto, na felicidade de estar com os outros que a liberdade e a democracia se mantêm vivas e pujantes.

Em boa hora o meu marido se lembrou de que devíamos ir para a avenida. Estou muito feliz por lá ter estado. 

Desejo que o 25 de Abril se mantenha vivo, cada vez mais festivo, cada vez mais enraizado e pujante, cada vez mais um balão de oxigénio que alimente os nossos quotidianos. E desejo que daqui por 50 anos os meus filhos, os meus netos, os meus bisnetos e trinetos continuem a sair à rua a festejar o dia da Liberdade e da Democracia no nosso querido país.

















































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Nota: Caso algum dos que aparecem nas minhas fotografias aqui não quiser estar, peço o favor de me contactar identificando a fotografia que logo a retirarei

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Galeria de Fotografias do Guardian: clicar (link abaixo) para ver todas

Portugal commemorates the Carnation Revolution – in pictures

Thousands in Lisbon celebrated the 50th anniversary on Thursday of Portugal’s Carnation Revolution, which toppled the longest fascist dictatorship in Europe and ushered in democracy. The almost bloodless revolution was conducted by a group of junior army officers who wanted democracy and to put an end to long-running wars against independence movements in African colonies
Guy Lane
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25 de Abril sempre

domingo, fevereiro 25, 2024

Turistar, arrumar livros, pendurar quadros.
[E, já agora, plantar uma floresta]

 

Informaram que já poderíamos ir buscar o quadro, que tinha ficado muito bonito com a moldura que tínhamos escolhido. Fomos de manhã. 

Aproveitámos para turistar por ali. E uma coisa é certa: quando estamos numa de fazer turismo, descobrimos coisas que antes nunca vimos. Pelo contrário, quando nos armamos em entendidos a passamos pelas ruas e jardins como cão por vinha vindimada, dando por adquirido e considerando déjà-vu tudo o que está à nossa volta, o que acontece é que passamos sem prestar atenção a nada, ceguinhos de todo. 

Foi, pois, com a disposição de um marinheiro de primeira água que me fiz aos jardins. Muita gente, todas as línguas, todas as raças. Gosto imenso de andar nestes ambientes. Há muita gente que fica com comichões quando se vê rodeada de gente estrangeira. Eu não. Mil vezes isso do que cercada de vizinhas que examinam e comentam tudo o que uma pessoa veste, faz ou diz.

Chovia e íamos preparados para a chuva mas cruzámo-nos com pessoas que iam de manga curta, à fresca, e sem mostrarem qualquer frio. 

Como sempre, muita gente a fotografar-se a si própria com os monumentos, por trás, votados à irrelevância. Parece que, nesta era, há uma grande tendência para o narcisismo. Por algum motivo as pessoas pensam que os outros têm muito interesse em acompanhar os seus passos ou que, na proximidade de esculturas interessantes, jardins bonitos ou monumentos excepcionais, o que é relevante é a pose que fazem ou o sorriso que exibem.

Acontece que, nessa altura, da central de segurança ligaram ao meu marido a informar que tinha accionado o alarme na nossa sala. As imagens não mostravam presença humana. Mas ficámos preocupados pois as câmaras não cobrem todos os ângulos de todas as divisões. Por isso, abreviámos o percurso turístico, fomos buscar o quadro e retirámo-nos para vir conferir se estava tudo bem. Felizmente, estava.

Dado que o tema 'pendurar quadros' é tema sensível cá em casa, mantive-me prudentemente reservada.

Depois de almoço, enquanto ele estava no sofá a ver séries ou futebol ou a dormir (não sei), eu atirei-me à árdua tarefa de mondar os livros que já vieram. 

O meu marido colocou os sacalhões na cave. Alguns sei, à partida, que nós também já cá os tínhamos. Esses fui logo arrumando numa das estantes que lá está, na cave. 

Aqueles que me ofereciam dúvidas, trazia-os para cima. Os de língua portuguesa vinham para a biblioteca do rés do chão. Os outros para a biblioteca do primeiro andar. Por isso subi, carregada de livros, muitas vezes, um ou dois lances de escadas. Depois, in loco, validava se já os tinha ou não. Se sim, voltavam para a cave. Os que não tinha foram arrumados na devida ordem alfabética. E isso está a trazer-me grandes problemas pois muitos não cabem. Por isso, tive que reformular, arrumar de outra maneira. Tudo isto é um desafio...

Parei porque já estava cansada e com medo que tanto step em doses maciças e carregada de livros me afecte as articulações já que se dão mal com carregos e com movimentos repetitivos. E foram umas horas disto. 

Mas tive vários momentos de felicidade pois encontrei muitos livros que julgava perdidos. 

Estupidamente nunca me tinha ocorrido que poderiam ter ficado em casa dos meus pais. 

Por exemplo, na altura, andava na faculdade, tinha ficado francamente impressionada com A Bastarda da Violette Leduc. E tinha-lhe perdido o rasto. Hoje apareceu. E vários outros. Por exemplo, vários dos Livros do Brasil. Ou um outro que, na altura, também me impressionou, o Papillon. Ou os do Gorki. Por algum motivo, quando me casei, levei uns e não levei outros e, depois, acabei por me esquecer de ir buscá-los.    

Mas, dos que vieram de casa dos meus pais, há muitos que não tinha e que, por mim, para mim, não os teria comprado. Por exemplo, várias biografias de personagens históricas ou livros sobre saúde (cérebro, microbiota, etc). Alguns, por sinal, fui eu que os ofereci à minha mãe. O meu pai também lia mas mais livros mais técnicos ou sobre geografia ou ciências. Depois há várias obras completas: Ferreira de Castro, que foram para a minha filha, Eça, que o meu filho diz que ficará com eles, Camilo Castelo Branco que ficaram para mim pois tinha alguns mas não todos. Os do Aquilino não sei se ainda lá estão ou se a minha filha também os levou. Os do Júlio Dinis ainda não vieram. E sei lá que mais.

Claro que a estante dos repetidos já está a transbordar.

A ver se este domingo consigo dar destino aos que ainda estão em sacos na cave.

Mas, dizia eu, andei nisto, para cima e para baixo e, claro, de bico caladinho em relação aos quadros.

Até que, como por milagre, o meu marido apareceu ao pé de mim a dizer para irmos ver onde pôr os quadros. E falo no plural pois o que veio foi para o lugar de outro que, por sua vez, desinstalou outro. E assim sucessivamente. Também para pendurar o que o meu tio pintou tive que arredar outro que, por sua vez, foi para outro sítio e assim sucessivamente, e patati-patatá. Portanto, uma enfiada deles. É que nem sempre um pode usar o mesmo prego que o antecessor pois ou está acima ou está abaixo.

Mas a verdade é que a coisa fluiu sem dramas e já está tudo posto e lindinho. Milagre, milagre.

E é isto.

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Vi há pouco um daqueles vídeos que me encantam. Plantar uma floresta, salvar uma floresta do declínio quando a principal e quase única espécie é atacada, andar pelos campos, fazer arte com paus, troncos, pedras, sentir a terra com as mãos, ver a natureza a reinventar-se, se. Tudo maravilhoso.       

Rewilding A Forest | Maria "Vildhjärta" Westerberg | Something Beautiful for the World

Synopsis: Maria was a romantic, animal-loving, dreamy child who, growing up, had a hard time conforming to the demands associated with the trajectory towards "a normal life". As a young adult she became depressed, and was encouraged by her therapist to go for walks in the forest. The myriad of funny-looking twigs and sticks she found along the way immediately put her on a path to recovery. Now, 25 years later, she's a celebrated "twig poet" whose art is shown in galleries throughout Sweden. When a climate related crisis strikes the forest where she lives and works, she's forced into a new type of creativity in order to save the place that once upon a time saved her. 

Filmed in: Värmland, Sweden

Featuring: Maria "Vildhjärta" Westerberg & Johannes Söderqvist (https://vildhjarta.net/) and Martin Jentzen (https://www.jentzen.se/)


Desejo-vos um belo dia de domingo

Saúde. Alegria. Paz.

domingo, janeiro 28, 2024

Falamos junto à luz


Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.

Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.

Será o mesmo brilho, a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta,
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.

Sophia de Mello Breyner Andresen, em ‘Dia do Mar’


De tarde, chamados pela luz suave e dourada, pelo prenúncio de primavera que nos trouxe temperaturas muito aprazíveis, e, sobretudo, pelo menos pela parte que me toca, pela necessidade de oxigénio, fomos para a beira do rio.

O prazer de andar e conversar num dos lugares bons da cidade, a diversidade de gentes com que nos cruzamos, o sol sobre o rio, a boa companhia, tudo isso é remédio certo para lavar a alma.

Em tempos fotografava pessoas. Adorava. Sentia-me sempre uma observadora clandestina e, ao mesmo tempo, transparente. Já conseguia antecipar os movimentos das pessoas, as suas expressões. Estava de tocaia e, quando a ocasião se proporcionava, disparava. E, aparentemente, ninguém dava por nada.

Tenho muitas centenas ou, melhor, provavelmente, milhares de fotografias de pessoas. Mas depois temia sempre publicá-las pois receava que estivesse a pisar o risco da privacidade. É certo que há mesmo a modalidade de fotografia de rua e muito do que era a sociedade em tempos mal documentados se conhece através do trabalho de fotógrafos de rua. Mas, por via das dúvidas, encolhi-me. E, se não posso mostrar, para quê estar a fazer?

Portanto, agora tento evitar a presença de pessoas. Contudo, por vezes, é impossível deixá-las de fora. Mas, como sempre costumo dizer quando aparecem pessoas nas minhas fotografias, se alguém se reconhecer aqui e não quiser cá estar, bastará que mo diga.

Fomos lanchar ao CCB, depois fui lá tratar de um assunto e, de seguida, fomos passear para a beira do rio. 

O que abaixo partilho é parte da arte de rua que por aqui se pode ver. Escultura de homenagem ao pessoal clínico em tempos covid, a escultura Central Tejo, os big e engenhosos trabalhos da Joana Vasconcelos (se é arte ou gigantes trabalhos que incorporam design e montagem isso não sei), o mural em que vários artistas homenageiam o 25 de Abril, os belos murais de azulejos com poemas de Sophia, o próprio edifício do MAAT que é escultural.

A última fotografia não foi feita hoje nem é em Lisboa. É em Setúbal, no belo PUA, e é uma homenagem a José Afonso. A minha filha estava lá à frente mas, com o corrector, retirei-a. Não ficou perfeito mas como a escultura é algo 'incerta' a modos que disfarça.

Em dias como estes, é bom sair de casa, andar a passear, a laurear, a flanar, a desopilar, a vadiar, a turistar, a espairecer, a espanejar, a dar ar à pluma. Mas, para quem não possa fazê-lo, aqui fica um cheirinho.


























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E vi este vídeo de que gostei e que gostaria de partilhar. Já não é Green Renaissance mas Reflections of Life e são sempre tão tranquilos, transmitem serenidade, a vida a ser vivida com vagar, o contacto com a natureza, o prazer de existir de forma simples.

BELONGING - Finding Connection

Quando somos incompreendidos e sem apoio, é fácil sentir-nos sozinhos, como se não nos encaixássemos no mundo que nos rodeia. Mas algo lindo começa a acontecer quando entendemos que nossa singularidade não é uma falha, mas um motivo de comemoração.

À medida que aprendemos a valorizar e a partilhar os nossos dons individuais, reconhecendo a beleza das nossas diferenças, encontramos uma ligação renovada com o mundo - semelhante à harmonia encontrada na natureza, onde cada elemento contribui para a beleza geral da paisagem.

Inspirando-nos no mundo natural, entendemos que abraçar as nossas diferenças é um presente que podemos oferecer ao mundo, tornando-o um lugar mais bonito para todos que nos rodeiam.

A resposta reside em colmatar lacunas, cultivar a empatia e revelar a vibrante tapeçaria da nossa experiência humana partilhada através do reconhecimento e da celebração da diversidade.

Filmado em Singapura

Com Kathleen Yap


Desejo-vos um bom domingo
Saúde. Serenidade. Paz.