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quarta-feira, julho 09, 2014

Reportagem fotográfica da primeira visita oficial dos Reis de Espanha a Portugal, o protectorado do vice-irrevogável (que não consegui ver por lá).


Estou cheia de pena, cheia, cheia. O meu filho falava-me há bocado no tanque que era a equipa alemã e, quando o disse ainda a coisa ia em 5 a 0. Mas agora que já vai em 7 a 1 nem sei o que dirá ele: bomba atómica..? Que pena dos rapazes, coitados. Ninguém merece uma humilhação destas.

Bom, adiante que eu de futebol não sei nada.

No post abaixo já vos mostrei uma fotografia em grande plano de Letizia: dá para ver em pormenor como é que ela se maquilha e é uma perfeição. Claro que a beleza dela e a qualidade da pele e do cabelo ajudam muito mas, ainda assim, é uma lição de bem maquilhar.

Mas se abaixo a coisa se foca na beleza, aqui, agora, a conversa é outra, um bocadinho outra. Um bocadinho porque, com diminutivo, talvez custe menos.


Ora vejamos o que é que temos aqui.

Mas ao som de Marisol, por supuesto.



Ha llegado un Angel




O Rei de Espanha a fazer de conta que não reparava
no pernão da Sum-Sum
e a Rainha a interrogar-se mentalmente
porque teria ela que estar ali naquele cenário do século passado
.
.

A nossa inconseguida Sum-Sum Esteves desta vez armou-se em woman in red, pernoca ao léu, dressed to impress


Mas é bizarra demais, aquela cabeça espetada, aquela pose, tornam-na uma figura que se presta à caricatura. Resta saber o que disse. Às tantas, a indumentária ainda foi o menos. Imaginem se desatou com aquela conversa do soft power e mais não sei o quê...

Os Reis de Espanha com Assunção Esteves
(que parece estar a pedir uma esmolinha)

.
Na fotografia sentada, não se percebe bem o modelito da Sum-Sum mas, quando está de pé, a gente vê que a toilette também resultou inconseguida. Uma verdadeira frustação inconseguimental.

O cabelinho, a expressaozita, o casaquinho, tudo é coitadinho, parece que está naquela, desculpe lá qualquer coisinha, ó senhor meu rei...

O Rei olha para ela com espanto, parece nem saber bem o que dizer, se lhe há-de dar uma peseta se lhe há-de pôr uma chucha a ver se ela não chora..

A Rainha faz como eu: olha para o lado a ver se não encara. Na volta padece do mesmo mal que eu, tem pavor de desatar a rir perante situações assim.

A pobre da Letizia não teve a vida facilitada nesta visita. Como ontem vos mostrei, ia ficando sem mão, com o Cavaco a lambuzar-se nela.
O meu marido diz que o homem estava era com raivinhas (como o nosso bebé que, quando tem os dentes a nascer, morde tudo o que lhe passa por perto). 
Depois ainda teve que passar pela provação de ter pela frente uma inconseguida que não diz coisa com coisa. Se à Sum-Sum lhe deu para falar em espanhol, então faço ideia o espectáculo.

Os Reis de Espanha com o Casal Coelho

.

E ainda teve que ouvir a D. Laurinha a ensinar-lhe com pormenor e linguagem gestual a receita das farófias. 


Letizia nem queria acreditar quando a D. Laurinha defendeu que as queijadas que o marido faz são ainda melhores que as de Sintra. Pela expressão corporal, a gente consegue adivinhar o pensamento da Rainha: 'Não acredito no que esta me está a dizer... Pleeeaase... Tirem-me deste filme...!'




Cavaco Silva largou a mão da Rainha para logo se agarrar ao cotovelo.
 Senhores, que melga.
.

Já para não falar do Cavaco, armado em babaca, todo derretido, sempre a agarrar-se à rapariga, a parecer um velho babão. 

Joana Vasconcelos, a artista plástica do regime,
sempre a inovar nas toilettes


(O azul da esfregona 
quase coincide com o azul do fato de Letizia 
mas o bracinho cor de rosa faz a diferença)


E tudo sob o olhar baboso da D. Cavaca. A moça está mesmo 'Pleaaasee, deixem-me em paz...' ou 'Mas este não me larga... Pleeaase, atem-no, tirem-no daqui. E as gracinhas que diz... e o sotaque, senhores, a querer falar espanhol... pleeeaaase... poupem-me...'

Mas a coisa não se ficou por aqui.

Não sei se a Kátia Guerreiro, de saia rodada, xaile pelas costas  e sorriso embevecido, também por lá andou mas a Joana das Pegas e dos Tachos não faltou.


Desta vez não foi vestida com uma colcha, nem com um espanador na cabeça nem sequer mascarada de bicho exótico.


Não senhor, desta vez Joana Vasconcelos foi menos elaborada: foi de simples esfregona. 


Pela fotografia não consigo ver se a coisa ia até aos joelhos ou se ia de mini-saia, uma coisa mesmo na base da Vileda. 

Pela expressão do Cavaco, com dentinhos de fora, teme-se o pior relativamente ao que estaria a dizer. Uma gracinha foleira, certamente. 

Enquanto isso, gabando a Vasconcelos, a D. Cavaca dizia a Letizia 'Quem a vê ninguém diz mas é uma mãos de fada. E os tachos dela...? Areados que dão gosto'.



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E assim se passou a primeira visita de Felipe e Letizia, Reis de Espanha, a este protectorado. Só sinto falta, nesta minha reportagem fotográfica, do Caniche Miró. Será que não se apresentou para abrir a porta dos palácios?


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E entretanto acabou o jogo Brasil-Alemanha, um resultado humilhante, um mineiraço desgraçado: quando o apito final soou, primeiro os jogadores brasileiros rezaram e, depois da oração, caíram na maior choradeira. O meu marido disse, dantes os jogadores de futebol eram do tipo machão, agora são do tipo sensível.


A seguir o Felipão apareceu com a conversa mole do costume. Espremi e não deitou sumo.

Agora tenho o treinador alemão aqui na sala, um sujeito entre o sinistro e a esquisitinho, uma franjinha para o suspeito. A conferência está a ser dublada e a coisa soa ainda mais estranha.

Mas eu, como não acompanho estas coisas, não sei qual a moral da história.

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(As fotos da visita real foram obtidas aqui e ali, nomeadamente na !Hola! - e eu devia ser capaz de virar o ponto de exclamação de pernas para o ar mas não sei como se faz).

E, agora que falo de ponto de exclamação, ocorreu-me que, em tempos, parece que andou por aí uma cabala contra os pontos de exclamação. Tenho ideia que os intelectuais achavam que isso das exclamações - muita pontuação, muita emoção - era coisa de gente brega. Já com os advérbios de modo parece que é a mesma coisa, um encanitanço dos diabos. E eu, que passo os meus dias no meio dos números e no meio de gente que nem uma vírgula sabe usar quanto mais aconselhar-me nestas minhas dúvidas linguísticas, leio a gozação dos intelectuais e fico a pensar: ó com o caraças, mas como é que eu, plebeia das letras, me vou expressar por escrito sem usar pontos de exclamação ou advérbios de modo? Se ninguém me vê a rir, se não vale a pena gesticular, se bem posso dar murros na mesa que ninguém me ouve... como vou fazer para a escrita soar expressiva, e não parecer escanzelada, pele e osso, pãozinho sem sal...? E estou a escrever isto e a pensar: na volta até as reticências são enfeite desnecessário.

Mas adiante.

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E olé! que se faz tarde.




 Suite Sevilha pela Companhia de Dança Antonio Navarro

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Meus Caros, hoje fico-me por aqui. Pus-me a responder a mails, tinha uns poucos - e, mesmo assim, não consegui responder a todos - e agora já estou cheia de sono. Tenho aqui umas anedotas e umas notícias parvas para comentar mas estou pedradésima, mesmo a precisar de ir descansar, já não dá para fazer mais nada por aqui. Também queria dar uma folheada num livro que comprei e que está a despertar a minha curiosidade mas acho que nem isso.

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta feira.


sexta-feira, junho 20, 2014

Rei Felipe e Rainha Letizia, um casal apaixonado. (Entre uma monarquia com gente moderna, de cabeça arejada e próxima do povo como parecem ser os novos Reis de Espanha, e uma República paralisada, entregue a uma criatura vaga e mumificada que assiste passivamente à destruição do País, nem sei o que vos diga)


Nos dois posts abaixo falo de assuntos chatos, mal-cheirosos (uma poiazita e um banqueiro que fede) e que insistem em poluir os nossos dias. 

Mas, sobre isso, terão que fazer o favor de descer quando acabarem de ler isto agora, onde vou falar de assuntos mais civilizados.


Sou republicana, e disso não tenho dúvidas.

Mas que ninguém se engane a meu respeito: mesmo quando não tenho dúvidas, volta e meia, lá bem no fundo, uma ou outra duvidazinha sinuosa esgueira-se e vem espreitar por trás da cortina da minha racionalidade e desafiar-me, língua de fora, atrevido piscar de olho.

É o caso.

Pode até isto ser conjuntural. As circunstâncias não são as melhores.

A questão é que já estou como o General Garcia dos Santos: é que nem pintado. Já ninguém aguenta. Ninguém já tem respeito pela criatura. Os índices de popularidade são uma desgraça como antes nunca se tinha visto. A sério: o cagarro não faz nada. Assiste a tudo, impassível. De vez em quando, aparece a dizer umas frases enviesadas, ar ressabiado. Mas, de facto, a ele ficarão associadas as maiores desgraças deste País: a destruição do tecido produtivo quando foi primeiro-ministro e a destruição do país enquanto Presidente da República. 
O que agora se está a passar em Portugal sem que o belo adormecido de Belém mexa uma palha, é assustador. Os órgãos de soberania são postos em causa todos os dias, uns pelos outros, e ele, que deveria zelar pelo respeito institucional, faz-se se morto.

De que serve ser República se a República parece paralisada? 

Isto tudo para dizer que gostei de ver a passagem de testemunho de Juan Carlos a seu filho Felipe. E gostei bastante do discurso do novo rei. 


Gente normal, gente afável. Gente com uma conversa próxima do povo. 

Assim falou Felipe:

É com emoção que quero prestar uma homenagem de gratidão e respeito a meu pai, o rei Juan Carlos I. Permitam-me ainda agradecer a minha mãe, a rainha Sofia, toda uma vida de trabalho impecável ao serviço dos espanhóis (…).

Hoje, mais do que nunca, os cidadãos pedem, com razão, que os princípios morais e éticos sejam um exemplo e inspirem a vida pública. Estas são convicções sobre a Coroa que represento a partir de hoje. Uma monarquia renovada para uma nova era (…)

Cervantes disse, pela boca de Dom Quixote: tu não és um homem melhor do que outro se não fizeres melhor do que o outro. Sinto um imenso orgulho nos espanhóis e nada me dará mais prazer que, graças ao meu trabalho, também os espanhóis se sintam orgulhosos do seu novo rei. 


E o que eu gostei de ver o carinho entre o novo Rei e a nova Rainha. Uma cumplicidade, uns olhares em sintonia, uma ternura. 

E a toilette de Letizia de uma elegância perfeita. E as meninas, as infantas, que doçura.

E a Rainha Sofia, essa mulher digna, resiliente...? A ternura e orgulho dela no filho sempre tão patentes.

Quase me emocionei, juro.


Face a isto o que tenho a desejar é que o reinado de Felipe seja bem sucedido, feliz, que Espanha se sinta apaziguada, que cresça na sua diversidade mas se mantenha unida. E que o amor que o une à rainha Letizia se mantenha forte. Dá gosto ver.

Estou a escrever isto e a pensar que é capaz de vos soar pimba, lamechas. 

Mas eu sou assim, que hei-de eu fazer? 


Príncipes e princesas, beijinhos e sorrisos apaixonados, abraços e mãos dadas, cabelos ao vento e ternura a esvoaçar em volta dos pombinhos, pozinhos de fada, carruagens, cavalos, meninas de trancinhas e com belos vestidinhos, amor e simpatia. Há lá coisa mais bonita?

(Acho até que, depois de estar a escrever isto, vou ter uns sonhos todos cor de rosa, verdadeiramente perlimpimpim.)

E, pronto, por aqui me fico - mas não sem antes desejar de novo uma longa vida aos novos Reis de Espanha e às princesas, Leonor e Sofia, umas fofinhas queridas. E que os espanhóis não tenham de que se queixar por ser Monarquia e não República.


Ou seja, que o reinado de Felipe VI traga muitas alegrias aos espanhóis. 

A vida é breve e deve ser vivida em alegria.



Manuel de Falla - La vida breve

(Lucero Tena nas castanholas)

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Nota: Estou aqui a pensar. 

Com a pouca sorte que temos - parece que a nós só nos sai a fava - se fartos do Cavaco e com medo que nos caísse outro em cima, resolvêssemos virar para a monarquia, em vez de um casal charmoso como o acima referido, apanhávamos era com a boca de favas do nosso Duarte Pio que é um querido mas não sei se algo mais do que isso.

(Tantas favas na mesma frase, logo eu que este ano nem comi favas, credo)

Por isso, assim como assim, vamos mas é manter-nos republicanos.


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Depois disto, tenho dificuldade em aconselhar que desçam até aos dois posts seguintes. Fica, pois, à vossa consideração mas, se forem, não digam depois que não foram avisados.

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E tenham, meus Caros Leitores, uma bela sexta-feira!

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