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sexta-feira, 11 de julho de 2025

Análise: O Vento nas Areias - Edição Integral

O Vento nas Areias - Edição Integral, de Michel Plessix - Arte de Autor

O Vento nas Areias - Edição Integral, de Michel Plessix - Arte de Autor
O Vento nas Areias - Edição Integral, de Michel Plessix

A editora Arte de Autor lançou recentemente uma edição integral da série O Vento nas Areias, de Michel Plessix. Este lançamento segue no seguimento do livro O Vento nos Salgueiros que a mesma editora chegou a editar no ano passado e que acabou até por vencer o VINHETA D'OURO 2024 para Melhor Obra Infanto-Juvenil. Se O Vento nos Salgueiros é uma obra constituída por 4 tomos e que adapta para banda desenhada a obra homónima de Kenneth Grahame, este O Vento nas Areias, reúne os 5 tomos da edição original e é uma continuação da primeira história.

Continuação essa que é verdadeiramente encantadora e que, desta vez, é guiada unicamente pela própria imaginação de Michel Plessix, embora se mantenha fiel ao espírito de Kenneth Grahame. É, pois, um livro que consegue manter o charme, humor e a inocência da obra original, ao mesmo tempo que apresenta uma nova e exótica paisagem narrativa: o Magrebe que, com a sua luz quente e os mercados coloridos, surge como palco de uma viagem inesperada e transformadora para as personagens que conhecemos tão bem.

O Vento nas Areias - Edição Integral, de Michel Plessix - Arte de Autor
O trio protagonista - o impulsivo Sapo, o ponderado Rato e a amável e comilona Toupeira - continua a apresentar a mesma dinâmica afetiva e cativante. Plessix não tenta reinventar estas figuras, mas antes colocá-las em novos desafios, respeitando os seus traços essenciais. Assim, o Sapo continua a ser a figura caprichosa do entusiasmo irrefletido e motor da aventura que nos faz (sor)rir várias vezes; enquanto o Rato e a Toupeira representam o bom senso e a amizade leal. E ainda há espaço para o aparecimento de novas personagens carismáticas, em particular a de Corto Maltese sob a forma de um rato. A deslocação para o Oriente funciona como uma metáfora do crescimento, da descoberta e do confronto com o inesperado. Se os mais céticos poderiam torcer o nariz a esta ideia de transportar as personagens para um outro cenário, posso assegurar-vos que essa transição é fluida e refletida.

A narrativa pode aparentar ser simples à superfície, como convém a um livro com raízes na literatura infantil, mas a verdade é que oculta uma grande densidade simbólica, possivelmente apenas apreendida por um público mais maduro. É para crianças, sim, mas os jovens e, especialmente, os adultos encontrão significados mais profundos nesta leitura, pois esta viagem não é apenas geográfica, mas interior: cada personagem confronta-se com os seus limites, as suas ilusões e as suas forças. É este aspeto que aproxima este O Vento nas Areias de obras como O Principezinho, de Antoine Saint-Exupéry, onde a aventura é simultaneamente lúdica e filosófica, acessível à infância e ressonante na maturidade. A leitura da obra em diferentes fases da vida traz, por isso, experiências distintas, e nisso reside grande parte da sua magia. Enquanto crianças, seguimos a aventura com entusiasmo e curiosidade; em adultos, revemos nessa mesma aventura reflexões sobre a amizade, a busca pelo sentido da vida e/ou o desejo por algo maior. Esta é, sem dúvida, uma das maiores virtudes do livro: a sua intemporalidade e capacidade de tocar leitores de todas as idades.

O Vento nas Areias - Edição Integral, de Michel Plessix - Arte de Autor
A ligação emocional do leitor com a história é intensificada pelo tom nostálgico e sonhador da narrativa. Há algo de profundamente reconfortante em reencontrar estas personagens numa nova aventura, e, ao mesmo tempo, sentir que elas envelhecem connosco. O livro evoca essa infância idealizada em que os perigos eram enfrentados com coragem e as amizades eram inabaláveis. É um tributo à força do espírito aventureiro, mesmo na idade adulta.

Plessix demonstra também uma grande sensibilidade na forma como lida com a memória da obra original. Não se trata de uma continuação forçada ou de uma tentativa de capitalizar uma "marca" conhecida. Pelo contrário, O Vento nas Areias é uma carta de amor à literatura de Grahame, uma extensão natural e orgânica do seu universo, que preserva a sua alma e a enriquece com novas experiências. Sou-vos sincero: embora goste muito do primeiro livro de Plessix, ainda gostei mais deste! E ressalvo que as minhas expectativas até estavam altas - o que, por vezes, é um ponto contra e não um ponto a favor.

O Vento nas Areias - Edição Integral, de Michel Plessix - Arte de Autor
Além disso, parece-me que a própria escolha do Magrebe como cenário que parece extraído das Mil e Uma Noites, não é aleatório, mas acaba por funcionar a favor das personagens. É que a mudança de cenário e de cultura consegue funcionar como estímulo à imaginação e à introspeção. O oriente é espaço de um certo maravilhamento para os ocidentais, mas também de algum "estranhamento", o que acaba por ser ideal para que os nossos heróis saiam da sua zona de conforto e se redescubram. 

Se a história é bonita e gratificante, os desenhos que compõem este livro são maravilhosos! E também eles cumprem bem a dupla função de, por um lado, serem convidativos para um público mais jovem e, por outro lado, serem perfeitos para fazer os adultos viajar à sua própria infância. 

O traço de Michel Plessix é, como já era na adaptação de O Vento nos Salgueiros, absolutamente magistral! Os detalhes minuciosos nas expressões das personagens conferem-lhes uma vivacidade rara. Mesmo tratando-se de animais antropomorfizados, sentimos neles uma humanidade plena. Além disso, os cenários do Magrebe são pintados com cores quentes e bastante luz, o que ajuda a transportar o leitor para ambientes cheios de vida, exotismo e poesia.

O Vento nas Areias - Edição Integral, de Michel Plessix - Arte de Autor
Também a própria planificação da obra permite uma fluidez narrativa muito eficaz. As vinhetas são variadas em forma e dimensão, o que confere dinamismo às páginas e uma leitura visual muito rica. Não tenho dúvidas de que a composição de cada prancha foi trabalhada com um cuidado que revela o amor que o autor, infelizmente já falecido, tinha pela arte sequencial.

A edição da Arte de Autor é muito bela e bem conseguida, também. O livro apresenta capa dura baça, com detalhes a verniz e com aquela textura aveludada, suave ao toque, com que a editora tem premiado outras das suas belas edições. Também capa é bem mais bonita e, acredito, consensual do que a de O Vento nos Salgueiros. Além disso, o papel utilizado, bem como a qualidade da impressão e da encadernação, é muito bom. Acaba por ser uma edição cheia de dignidade e apetecível para colecionadores de banda desenhada.

Em suma, O Vento nas Areias é uma homenagem sentida e sofisticada a um clássico intemporal, enriquecida pelo talento gráfico e narrativo de Michel Plessix. É uma obra que se recomenda não apenas como continuação, mas como uma obra autónoma. Um livro para ser relido, saboreado e guardado com carinho, como se guarda uma memória feliz da infância ou uma fotografia de um tempo mais leve e sonhador. Quer sejamos crianças a lembrar o dia de ontem ou adultos nostálgicos com uma infância feliz e distante que não deixámos morrer.


NOTA FINAL (1/10):
9.4


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020

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O Vento nas Areias - Edição Integral, de Michel Plessix - Arte de Autor

Ficha técnica
O Vento nas Areias - Edição Integral
Autor: Michel Plessix
Editora: Arte de Autor
Páginas: 160, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 236 x 285 mm
Lançamento: Junho de 2025

sexta-feira, 16 de maio de 2025

Arte de Autor vai publicar a continuação da BD "O Vento nos Salgueiros"!



Já aqui tinha dado conta, quando falei com a editora a propósito dos novos lançamentos que a Arte de Autor tinha previstos para o primeiro semestre de 2025, mas agora vai-se mesmo materializar: a editora portuguesa prepara-se para lançar O Vento nas Areias, de Michel Plessix, que é a continuação da saga das personagens de o fabuloso O Vento nos Salgueiros, que adapta para banda desenhada o clássico da literatura de Kenneth Grahame.

Depois de terminada essa adaptação em quatro tomos, e também pelo sucesso da mesma, Michel Plessix decidiu continuar as aventuras destas personagens em mais cinco tomos que a agora a Arte de Autor edita num só volume integral.
Se conhecia bem O Vento nos Salgueiros, confesso nunca ter lido este O Vento nas Areias, portanto, estou bastante curioso para mergulhar neste mundo mágico, tão apetecível quer para crianças, quer para adultos.

O livro deverá chegar às livrarias a partir do próximo dia 23 de Maio.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


O Vento nas Areias - Edição Integral, de Michel Plessix

Durante o jantar com os amigos, o Rato conta o seu encontro com um colega marinheiro, um iatista com uma tatuagem. 

Esta história inspira o Sapo, que decide por capricho tentar a sua própria aventura. 

Em pânico, o Rato e a Toupeira partem no seu encalço para tentar falar com ele e acabam por ficar presos a bordo de um navio com destino ao Oriente. 

Começa uma nova aventura!

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Ficha técnica
O Vento nas Areias - Edição Integral
Autor: Michel Plessix
Editora: Arte de Autor
Páginas: 160, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 236 x 285 mm
PVP: 37,50€


quinta-feira, 6 de junho de 2024

Comparativo: O Vento nos Salgueiros pela Arte de Autor e pela Witloof

 

A editora Arte de Autor lançou há poucas semanas a obra integral de Michel Plessix que adapta para banda desenhada O Vento nos Salgueiros, esse clássico da literatura de Kenneth Grahame.

Em primeiro lugar, deixem-me começar por dizer que fiquei extremamente feliz com este lançamento. É uma história muito bonita, que deve ser lida por crianças e por adultos e que é ilustrada de forma sublime por Michel Plessix. Este é um daqueles álbuns que, quanto a mim, deve constar numa boa biblioteca de banda desenhada. Absolutamente imprescindível!

Convido-vos até a lerem a análise que fiz a esta obra aqui no Vinheta 2020, em 2021.

E deixo no ar o meu desejo de que a Arte de Autor venha a publicar a obra O Vento nas Areias em que Plessix continuou a desenvolver as personagens de O Vento nos Salgueiros mas, desta feita, com argumento seu, já que a obra original de Kenneth Grahame fica fechada neste volume integral que a Arte de Autor caba de publicar.

Mas bem, este artigo procura ser um comparativo, portanto, avancemos para ele.

O Vento nos Salgueiros já havia sido integralmente publicado em Portugal, em quatro volumes, pela agora extinta editora Witloof.

No entanto, essa edição tem mais de 20 anos e, lamentavelmente, com a passagem do tempo, foi sendo cada vez mais difícil de encontrar à venda. Dou-vos até o meu exemplo pessoal: tendo em conta que o primeiro volume publicado pela Witloof teve, na altura, uma tiragem mais pequena do que as dos outros volumes, esse primeiro tomo foi um daqueles livros que se tornou virtualmente impossível de encontrar. Como o meu amigo Nuno Neves, do blog Notas Bedéfilas, diz, foi um livro que se tornou "um unicórnio". Toda a gente sabia que existia, mas eram poucos aqueles que realmente o tinham. Como tal, vi-me forçado a ter que comprar o primeiro tomo na sua edição americana da editora NBM.

Ora, tudo isto serve para dizer taxativamente que era necessário que alguma editora voltasse a tornar disponível uma obra como esta. Já defendi várias vezes que certas obras merecem estar sempre disponíveis em loja. Este O Vento nos Salgueiros é uma dessas obras.

Portanto, como primeiro ponto, acho que só a aposta da Arte de Autor edição nesta obra já merece os meus louvores.

Mas esta não é meramente uma republicação, pois há coisas que a diferenciam da edição da Witloof.

Para já, é uma edição integral que reúne num único só volume os quatro tomos que compõem a edição original. E quer isto dizer que se torna num volume mais compacto, de mais fácil arrumação e que é mais fácil ler. 

Avançando no comparativo, e começando pela capa, a edição da Arte de Autor apresenta capa dura baça, com textura aveludada e detalhes a verniz. Acaba por ter um acabamento mais nobre do que a edição da Witloof que, mesmo sendo boa, com capa dura a verniz, era menos diferenciada.

O aspeto visual da capa, no que ao grafismo diz respeito, também é diferente da edição original. E tenho sentido, por essas redes sociais, que isto tem suscitado algumas críticas à edição da Arte de Autor. 

Bem, começo por dizer que mesmo achando que a capa da edição da Arte de Autor poderia ser melhor, a verdade é que certas críticas que lhe têm sido apontadas, também me parecem demasiado duras. Nomeadamente, a ideia de que a capa deveria ser igual à do primeiro tomo da série. Ora, se assim fosse, isso não faria tanto sentido, pois era necessário diferenciar e dizer, a priori, ao mercado que esta é uma edição integral. Claro que se poderia colocar a inscrição de "Edição Integral" na ilustração do primeiro tomo - como também acabou por ser feito numa das edições integrais francesas, mas quanto a mim, isso não diferenciaria convenientemente esta edição. 

Não obstante, também é verdade que até já existia uma edição francesa integral cuja capa a Arte de Autor acabou por não reproduzir. A este propósito, a editora Vanda Rodrigues informou, no Maia BD, que considerou que a capa, tendo tons acastanhados, era algo sorumbática e pouco em linha com a leveza que se pretende de um livro infantil. Concordo com a Vanda, mas em parte.

Concedo que o tom azul para o fundo funciona melhor do que o castanho. E até aceito que o efeito a verniz das folhas dos salgueiros é um complemento bonito. Apenas acho que a ilustração completa do primeiro tomo inserido no canto inferior direito desta capa não fica tão apelativa como uma faixa de uma ilustração que, ainda por cima, e bem, é diferente da ilustração da capa do primeiro tomo, como acontece com a edição francesa integral em capa castanha, que vos mostro aqui ao lado. Portanto, a meu ver, perfeito seria uma capa igual a esta capa da edição francesa integral, com a única exceção da cor do fundo (poder) ser em tons de azul, em vez de tons acastanhados.

Mas, enfim, também me parece que se está a dar demasiada importância a um tema menor. Parece-me que a capa desta edição da Arte de Autor não é tão má como tenho lido por aí. Remete para aqueles livros de contos infantis e, nesse ponto, e tendo em conta o cariz narrativo de O Vento nos Salgueiros, até acaba por fazer sentido. E, não esqueçamos, se a editora detentora dos direitos da obra, validou esta capa, não pode estar assim tão má.



Se a capa poderá não agradar a alguns, penso que na contracapa não deverá haver qualquer tipo de críticas, uma vez que a edição da Arte de Autor é muito semelhante à da Witloof. A font para o texto da sinopse é a mesma e o aspeto, com uma pequena ilustração emoldurada de uma personagem, é igual.




Em termos de lombada, a edição da Arte de Autor também consegue melhorar a experiência, com um aspeto mais bonito.

Além de que, e isto é uma razão suficientemente relevante para aqueles que, como eu, são colecionadores e já têm muita banda desenhada, é incrível como a nova edição da Arte de Autor permite poupar espaço na estante, não abdicando, claro está, da integridade da obra. Basta olhar para a diferença de um livro face a quatro, quando colocados lado a lado. Esta nova edição acaba por ocupar cerca de metade do que ocupam os quatro livros.




Uma coisa que também importa referir é que o formato da obra foi alterado. A edição da Arte de Autor é ligeiramente mais larga, mas menos comprida. 

Se isso pode ser (mais) uma questão de gosto, uma coisa é mais concreta: é que a edição da Arte de Autor aproveita melhor a área de impressão, tendo margens um pouco mais curtas, o que possibilita que, na prática, cada uma das suas vinhetas/pranchas seja maior em dimensão do que na edição da Witloof. O que faz com que seja um ponto da edição da Arte de Autor.




Em termos de papel e de impressão, não considero que existam grandes diferenças entre as duas edições. A edição da Arte de Autor apresenta, como é hábito, um papel ligeiramente brilhante de excelente qualidade, bem como uma boa impressão, mas não é menos verdade de que a edição da Witloof também já era boa ao nível destes dois cômputos.




font utilizada nos balões é diferente entre ambas as edições, sendo que, mesmo assim, são bastante semelhantes, pelo que não posso dizer que prefira uma em detrimento da outra. Ambas funcionam muito bem.




Quando se abre o livro, as guardas também são um pouco diferentes. Na edição da Arte de Autor há duas guardas com o desenho dos salgueiros, enquanto que os livros publicados pela Witloof aproveitavam a guarda para aí inserir o título do livro. 

O livro da Arte de Autor é acaba, portanto, por ser mais elegante assim que o abrimos.


Resumindo e concluindo, acima de tudo este lançamento de O Vento nos Salgueiros pela Arte de Autor tem dois atributos principais que, quanto a mim, fazem muito sentido:

1) Em primeiro lugar volta a estar disponíve para o mercado nacional uma obra de banda desenhada de qualidade superior que deve ser lida por crianças e adultos e que, infelizmente, encontrava-se extina das livrarias portuguesas;

2) Em segundo lugar, ao ser de uma edição integral, este livro congrega "mais por menos", diminuindo o espaço que a obra ocupa na prateleira e dando-nos um livro com ótimos acabamentos.

E isto, claro, já para não falar que acaba por ser uma edição bastante económica. O seu PVP é de 29.95€ mas, lá está, se o dividirmos pelos quatro tomos que aqui estão contidos, teremos cada um deles a custar cerca de 7,5€. Ora, sabemos como seria impossível que cada um dos tomos, se lançado de forma independente, fosse publicado a esse preço. É, portanto, de aproveitar.

terça-feira, 14 de maio de 2024

É um dos lançamentos do ano! Vem aí O Vento nos Salgueiros!



Não tenho dúvidas de que este é um dos lançamentos de BD do ano! Bem, na verdade, trata-se de um relançamento, já que O Vento nos Salgueiros já foi publicado em Portugal, há uns anos, pela extinta editora Witloof.

Contudo, é uma obra que, compreensivelmente, foi ficando totalmente esgotada - principalmente o primeiro dos 4 tomos. 

E, para colmatar a ausência desta belíssima adaptação, onde Michel Plessix revela ser um autêntico mestre da BD, com desenhos verdadeiramente lindos e uma adaptação do argumento muito fiel, a editora Arte de Autor vai lançar a obra em edição integral! 

Quer isto dizer que um só livro reunirá os 4 tomos da série original.

O autor lançou posteriormente, Vento nas Areias, que reúne mais 5 tomos e que continua a jornada destas personagens. Com sorte, teríamos a Arte de Autor a editar, num futuro próximo, esses 5 tomos, também. Mas, para isso, espera-se que este livro tenha boas vendas, imagino.

Mas vamos por partes. Por agora, temos este O Vento nos Salgueiros que é verdadeiramente obrigatório para qualquer boa coleção de banda desenhada. Seja a coleção de uma criança ou a de um adulto! Convido-vos a (re)lerem a análise que já fiz à obra, aqui

O livro deve chegar às livrarias durante as próximas duas semanas.

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa da editora e com algumas imagens promocionais.

O Vento nos Salgueiros - Edição Integral, de Michel Plessix

Que idílico é viver à beira do rio!

Divertido e cheio de travessuras, O Vento nos Salgueiros é um clássico da literatura infantil publicado em 1908 por Kenneth Grahame. Adaptado várias vezes para a TV, o teatro e o cinema reúne personagens inesquecíveis.

Um mundo fantástico e completamente à parte, habitado pela toupeira, o rato, o sapo e o texugo, os quatro amigos que, sem pressas, saboreavam os prazeres da vida do campo, e ainda tinham tempo para umas aventuras divertidas.

As aventuras épicas das personagens servem de pretexto ao autor para pintar ternos quadros bucólicos, trabalhados até à mais pequena folha de erva. Cheira a feno, a lama. Respira-se. Relaxamos.

Michel Plessix reinterpreta “O Vento nos Salgueiros” de forma magistral.
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Ficha técnica
Vento nos Salgueiros - Edição Integral
Autor: Michel Plessix
Editora: Arte de Autor
Páginas: 128, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 236 x 285 mm
PVP: 29,95€

quarta-feira, 14 de abril de 2021

Análise: O Vento nos Salgueiros

O Vento nos Salgueiros, de Michel Plessix - Witloof e NBM

O Vento nos Salgueiros, de Michel Plessix - Witloof e NBM

O Vento nos Salgueiros, de Michel Plessix

O Vento nos Salgueiros é um clássico da literatura infantil, com mais de 100 anos de existência, que foi originalmente escrito por Kenneth Grahame. Desde a sua publicação, a obra tem sido aclamada por muitos e já teve adaptações ao teatro, ao cinema, aos desenhos animados, a livros ilustrados e, também, à banda desenhada. Quanto à 9ª arte, a adaptação ficou a cargo do autor francês Michel Plessix.

Os primeiros 4 tomos, que compõem o primeiro ciclo da série, foram publicados em Portugal pela extinta editora Witloof. E, hoje em dia, o primeiro tomo, O Bosque Selvagem, é virtualmente impossível de encontrar à venda por cá. Encontra-se completamente esgotado! Mesmo os outros três volumes, 2) Automóvel, Sapo, Texugo; 3) A Bela Evasão e 4) Confusão na Mansão também não são nada fáceis de encontrar embora, com jeitinho, ainda se vão vendo em feiras dos livros, sites de compra e venda de BD em segunda mão e alfarrabistas. No meu caso, sempre me faltou o primeiro livro. E tive que o encomendar em inglês, numa edição da editora americana NBM (Nantier Beall Minoustchine) à livraria BD Mania que, por sorte a minha, ainda tinha, algures perdido no seu armazém, um único(!) exemplar. Em parte, também foi por esta minha procura que arrisquei formar o grupo do facebook “PROCURA-SE BD PERDIDA” para que os leitores portugueses de BD possam colocar anúncios relativos às bandas desenhadas que procuram.
O Vento nos Salgueiros, de Michel Plessix - Witloof e NBM

Julgo que a história de O Vento nos Salgueiros é sobejamente conhecida por todos mas faço aqui uma pequena síntese. Este clássico conta-nos as aventuras de quatro personagens antropomórficos, o Toupeira, o Rato, o Sapo e o Texugo, numa Inglaterra de cariz bucólico, e apresenta-nos a importância de certos valores universais como a amizade, a camaradagem e a humildade.

A história começa quando o Toupeira, farto de fazer limpezas em casa, decide sair de casa e ir passear, acabando por travar conhecimento com o Rato. Este leva o Toupeira num passeio de barco e rapidamente surge uma amizade entre ambos. Mais tarde estes personagens encontram-se com o Sapo que é, na minha opinião, o grande protagonista deste O Vento nos Salgueiros, pois é a personagem mais errónea, mais egoísta e, consequentemente, mais divertida e carismática da obra. Um autêntico George Constanza da série Seinfeld. Este Sapo é arrogante, acha-se o maior e não olha a meios para alcançar o que quer. É por isso que, apaixonado por automóveis, acaba por roubar um. O que fará com que seja preso. Depois disso, acompahamos a sua fuga da prisão e o seu reencontro com os amigos Toupeira, Rato e Texugo. Nesta altura, o enorme palácio do Sapo foi ocupado por outros animais e caberá aos quatro amigos reconquistarem a sumptuosa residência do anfíbio.

A história é simples e infantil embora seja pertinente realçar que é muito bem conseguida, ao trazer consigo uma mensagem assente na importância da amizade, ao mesmo tempo que, através da personagem do Sapo, tenta demonstrar como a humildade e o altruísmo devem estar presentes nas nossas vidas.

O Vento nos Salgueiros, de Michel Plessix - Witloof e NBM
Relativamente ao trabalho de Plessix, posso dizer que o mesmo é exímio. Por um lado, na adaptação para BD da obra original, que conheço bem, realço que o autor fez um excelente trabalho. A narrativa aparece dividida por 12 capítulos (3 capítulos por livro) e estão aqui contidos os principais eventos que sucedem no romance original, havendo uma clara fidelidade à obra de Kenneth Grahame.

Por outro lado, e em relação aos desenhos do autor, posso dizer que os mesmos são absolutamente maravilhosos. A forma como Plessix dá imagem às palavras de Grahame é fantástica, com o autor a captar maravilhosamente bem o tal ambiente bucólico que esta obra pedia, enquanto que nos consegue oferecer personagens adoráveis e marcantes, com um estilo de ilustração algo clássico, que já não é muito frequente de encontrar em banda desenhada.

De facto, a sensação que tenho, quando pego nestes livros, é que estou a ler uma obra de banda desenhada “do antigamente”. O primeiro tomo foi originalmente publicado em 1996 e, portanto, já tem alguns anos, reconheço. Mas a verdade é que me parece bem mais antigo do que isso. Com muitas décadas de existência. E digo isto no melhor dos sentidos, pois é revelador de que Plessix soube imprimir às suas ilustrações este cunho clássico no estilo e na forma.

Asssim, os ambientes campestres e citadinos são fantásticos, as expressões das personagens são inequívocas e vibrantes. E o detalhe que o autor coloca em alguns dos cenários é verdadeiramente impressionante.

O Vento nos Salgueiros, de Michel Plessix - Witloof e NBM
Outra coisa que merece enormes louvores é a enorme quantidade de referências que algumas das ilustrações trazem consigo, aludindo, de uma forma mais ou menos direta, a outras obras de arte de vários artistas que influenciaram Plessix. O mais famoso destes easter eggs será a ilustração em que Plessix se baseia claramente na mulher nua da obra L'origine du Monde, de Gustave Coubert. Mas outros exemplos podem ser encontrados ao longo deste O Vento nos Salgueiros, tais como Train dans la Campagne, de Monet, ou La Méridienne, da autoria de Jean Millet, que merecem vinhetas de Plessix que são perfeitos piscares de olhos às obras originais. 

Muita gente pode considerar estas inclusões por parte de Plessix como meras homenagens às obras e aos artistas que o mesmo aprecia. Mas eu considero um pouco mais do que isso: julgo que acabam por dotar a própria obra de O Vento nos Salgueiros de uma interpretação mais profunda e mais complexa. Por conseguinte, e se, de facto, esta é uma banda desenhada altamente recomendável para crianças, também é verdade que os adultos obterão nela uma leitura madura e extremamente interessante.

O Vento nos Salgueiros, de Michel Plessix - Witloof e NBM

Ainda no cômputo da arte ilustrativa, convém dizer que, em termos de planificação, o trabalho do autor também é deveras interessante, oferecendo-nos uma planificação dinâmica e original nessa vertente, com a inclusão de vinhetas de todos os tamanhos e feitios, o que atribui uma variedade cinematográfica à planificação que, ora nos oferece grandes planos, ora nos brinda com planos de pormenor, demonstrando-nos que as pranchas de Plessix não são apenas a soma de várias vinhetas, mas que trazem uma identidade e um valor estético muito próprios.

Em termos de edição, posso dizer que a Witloof fez um bom trabalho com estes livros. Capa dura e bom papel caracterizam estas edições. Comparando-os até com o meu Tomo 1, da editora americana NBM, têm uma legendagem muito mais bem conseguida - e legível – do que a versão americana da obra. Embora a versão americana tenha capa em tecido, o que também é sempre algo que aprecio e que acrescenta dignidade ao objeto-livro.

Em conclusão, esta é uma história adorável que recomendo para as crianças e para os jovens. E, claro, para os adultos que queiram relembrar este conto universal, enquanto apreciam uma arte de qualidade superior, por parte de Michel Plessix. Embora já tenha sido lançada em Portugal, esta adaptação de O Vento nos Salgueiros é um obra que, infelizmente, já não é possível de encontrar por cá e que, a meu ver, seria interessante de relançar. Se possível numa edição integral visto que, como cada um dos livros tem apenas 32 páginas, o integral ficaria só com 128 páginas. O que não me parece muito excêntrico, em termos de edição. Gostaria também que, eventualmente, o segundo ciclo da série, publicado entre 2005 e 2013, e constituído por 5 tomos, pudesse ser igualmente publicado em Portugal. Talvez um dia.


NOTA FINAL (1/10):
8.9


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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O Vento nos Salgueiros, de Michel Plessix - Witloof e NBM

Fichas técnicas
The Wind in The Willows – Volume 1 – The Wild Wood
Autor: Michel Plessix
Editora: NBM
Páginas: 32, a cores
Encadernação: Capa dura em tecido
Lançamento: Dezembro de 1997

O Vento nos Salgueiros, de Michel Plessix - Witloof e NBM

O Vento nos Salgueiros – Tomo 2 – Automóvel, Sapo, Texugo
Autor: Michel Plessix
Editora: Witloof
Páginas: 32, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Maio de 2002

O Vento nos Salgueiros, de Michel Plessix - Witloof e NBM

O Vento nos Salgueiros – Tomo 3 – A Bela Evasão
Autor: Michel Plessix
Editora: Witloof
Páginas: 32, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Agosto de 2002

O Vento nos Salgueiros, de Michel Plessix - Witloof e NBM

O Vento nos Salgueiros – Tomo 4 – Confusão na Mansão
Autor: Michel Plessix
Editora: Witloof
Páginas: 32, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Agosto de 2002