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terça-feira, 28 de julho de 2026

Análise: Wild West - Volumes 4 e 5


Wild West - Volumes 4 e 5 - A Lama e o Sangue | Redenção, de Thierry Gloris e Jacques Lamontagne

Com o volume 4, intitulado A Lama e o Sangue, da série Wild West publicado no mês passado de abril, a editora Ala dos Livros não esperou muito tempo até lançar o álbum mais recente desta série da autoria de Thierry Gloris e Jacques Lamontagne  que, deste modo, fica a par com a edição original da obra em termos de lançamentos. Este quinto e novo volume chama-se Redenção e acaba de chegar às livrarias.

Como tal, foi razão para que eu pudesse ler estes dois volumes de forma seguida. E, mais uma vez, posso dizer-vos que esta é uma série do estilo western que me deixa especialmente agradado, mesmo admitindo que os últimos volumes, em especial o volume 4, caíram ligeiramente em qualidade.

Depois do excelente Escalpes em Série, aquele que considerei o melhor da série até agora, as minhas expectativas eram naturalmente elevadas, até porque esta coleção se tem afirmado como uma das mais consistentes abordagens ao western na banda desenhada franco-belga contemporânea. Se o quarto volume encerra o segundo ciclo narrativo da série, o quinto tomo inaugura uma nova etapa para estas personagens, com resultados distintos, mas igualmente interessantes.

Mas falemos de cada volume em particular.

Em A Lama e o Sangue, continuamos a acompanhar Wild Bill Hickok, Calamity Jane e Charlie Utter na perseguição ao assassino que marcou os acontecimentos de Escalpes em Série. Desta feita, e relembrando que em cada um dos tomos há sempre uma nova personagem que é inspirada em figuras históricas reais, a nova personagem é Bass Reeves, uma personagem absolutamente fascinante da história americana, por ser um dos primeiros U.S. Marshals negros. 

Paralelamente, a narrativa alarga o seu foco para os conflitos em torno da expansão ferroviária, do tratamento reservado aos povos indígenas e da utilização dos Soldados Búfalo (soldados afro-americanos), acrescentando uma importante dimensão histórica e social ao enredo.

O álbum começa de forma particularmente promissora. As primeiras páginas conseguem articular muito bem o mistério em torno dos assassinatos com questões históricas reais, explorando as tensões raciais e culturais da América do século XIX. A inclusão dos Soldados Búfalo revela-se especialmente interessante, não só pelo valor histórico da sua presença, mas também pelas ambiguidades morais que a sua utilização levanta dentro da narrativa, claro está.

Contudo, à medida que a história progride, fica a sensação de que parte desse potencial inicial não é totalmente aproveitado. O enredo encaminha-se para soluções mais convencionais e para uma sucessão de confrontos que, embora visualmente impressionantes, nem sempre parecem surgir de forma totalmente orgânica. Existe ação em abundância, sim, mas por vezes ela surge quase como um fim em si mesma, ocupando espaço que poderia ter sido dedicado a aprofundar algumas personagens ou conflitos.

Isto não significa que o álbum seja fraco. Longe disso. Simplesmente, depois da densidade dramática e da excelente gestão de ritmo que encontrámos em Escalpes em Série, este quarto volume parece um pouco mais apressado e menos refinado no desenvolvimento de algumas das suas ideias mais interessantes. É o tomo mais fraco - ou menos forte, como preferirem - da série, quanto a mim.

Redenção, segue uma abordagem bastante diferente. Após os acontecimentos traumáticos do ciclo anterior, encontramos agora Wild Bill, Calamity Jane e Charlie Utter estabelecidos em Dolores City. Bill desempenha funções de xerife, Charlie tornou-se carteiro e Jane continua a travar uma batalha contra os seus próprios vícios, cedendo ao alcoolismo. Parece que, exceptuando Calamity Jane, Wild Bill e Charlie Utter alcançaram uma vida de amena normalidade. Isto até à chegada da família Ballou, que promete pôr a tranquilidade da pequena cidade em causa.

Desde cedo se percebe que este quinto volume tem objetivos bastante diferentes, pois, ao contrário do tomo antecessor, não procura impressionar-nos através de uma sucessão constante de confrontos ou revelações. Como tal, o ritmo é mais pausado, mais contemplativo e claramente orientado para a construção das personagens e das relações entre elas. É uma opção que poderá surpreender alguns leitores - especialmente tendo em conta o tomo anterior -, mas que, na minha opinião, beneficia bastante a narrativa.

A presença dos Ballou e da lendária Belle Starr funciona sobretudo como catalisador para explorar as fragilidades e os conflitos das personagens principais, com a história a "respirar" de forma mais natural. Existe uma clara sensação de construção, como se este álbum estivesse deliberadamente a posicionar as peças para acontecimentos mais relevantes futuros. O resultado é um álbum que talvez tenha menos momentos de ação memoráveis, mas que oferece maior consistência dramática. Como se fosse a preparação de algo maior que há de chegar no tomo seguinte, Dolores City.

De uma forma geral, continuo a apreciar muito esta série. Wild West consegue encontrar um equilíbrio raro entre rigor histórico e liberdade ficcional. Embora as aventuras sejam obviamente romanceadas, existe sempre um pé bem assente em factos, personagens e contextos reais, o que contribui para uma maior credibilidade e riqueza da narrativa. Como se, à boa maneira de Lucky Luke, que procurou sempre falar-nos de uma figura ou de um tema real do faroeste, a história se tornasse mais verossímil. E, claro, quando comparada com a série do "cowboy que dispara mais depressa do que a própria sombra", Wild West consegue ser mais madura e realista no conteúdo e forma.

No plano gráfico, o trabalho de Jacques Lamontagne continua a ser verdadeiramente espetacular. O seu traço permanece impressionante, quer na representação das personagens históricas, quer na recriação dos ambientes do Oeste americano. Existe um cuidado constante com os enquadramentos, as expressões faciais e os cenários, fazendo com que cada página seja visualmente apelativa. Por vezes, pode aparecer uma ou outra expressão mais "cartoonizada" do que aquilo que seria expectável, mas de um modo geral, tudo funciona muito bem no plano visual da obra.

E são especialmente memoráveis algumas das ilustrações de página dupla que surgem ao longo destes dois volumes, e que acabam por constituir verdadeiros momentos de espetáculo visual que demonstram todo o talento de Lamontagne. Também em termos de cores, o trabalho do autor é impressionante, especialmente em termos de luz, em cenas com iluminação interior.

Quanto à edição destes livros, a mesma está em linha com os restantes volumes da série, como seria expectável. Os livros têm capa dura baça, com detalhes a verniz, e o papel no interior é brilhante e de boa qualidade. A impressão e a encadernação também são boas.

Em suma, Wild West continua a ser uma série obrigatória para todos os fãs do western em BD e um persuasivo convite aos leitores menos experientes em obras do género, mesmo ficando no ar a sensação de que o quarto volume ficou uns furos abaixo dos restantes. A boa notícia é que Redenção recupera uma abordagem mais ponderada e centrada nas personagens, inaugurando de forma bastante promissora um novo ciclo da série. Que venha o próximo volume!


NOTA FINAL (1/10):
Wild West #4 - A Lama e o Sangue: 8.4
Wild West #5 - Redenção: 9.0


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Fichas técnicas
Wild West #4 - A Lama e o Sangue
Autores: Thierry Gloris e Jacques Lamontagne
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 48, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 235 x 310 mm
Lançamento: Abril de 2026


Wild West #5 - Redenção
Autores: Thierry Gloris e Jacques Lamontagne
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 48, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 235 x 310 mm
Lançamento: Julho de 2026


quarta-feira, 29 de abril de 2026

Ala dos Livros publica novo volume de Wild West!



Já se encontra nas livrarias o novo volume da série Wild West, dos autores Thierry Gloris e Jacques Lamontagne, intitulado A Lama e o Sangue.

Continuamos a acompanhar as personagens de Wild Bill, Calamity Jane e Charlie Utter, enquanto Bass Reeves recebe destaque neste quarto volume de Wild West.

Esta é uma série que, na sua edição original, já conta com cinco volumes, estando previsto que a mesma seja concluída com a publicação futura do sexto volume.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse desta obra publicada pela Ala dos Livros, e com algumas imagens promocionais da mesma.

Wild West #4 - A Lama e o Sangue, de Thierry Gloris e Jacques Lamontagne

Ainda na pista do assassino, Wild Bill, Calamity Jane e Charlie Utter descobrem que o misterioso assassino, quando criança, foi provavelmente escalpelado por nativos americanos que também assassinaram os seus pais. 

Enquanto isso, Graham, o empregador do trio e chefe da Union Pacific, acolhe os Soldados Búfalo, soldados negros que contratou para proteger a ferrovia dos ataques indígenas. Uma minoria oprimida para subjugar nativos americanos?

A América, a terra da liberdade, não trata todos os seus filhos de forma igual... Mas a situação irá tornar-se ainda mais complexa quando os trabalhadores da via férrea dinamitarem um cemitério sagrado indígena...

Entre ficção, história e uma exploração intransigente do mito americano, a conclusão do incrível segundo díptico do Velho Oeste, carregado por um conjunto de personagens lendários.

Bass Reeves é a quarta lenda do Oeste na série Wild West, editada em Portugal pela Ala dos Livros.


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Ficha técnica
Wild West #4 - A Lama e o Sangue
Autores: Thierry Gloris e Jacques Lamontagne
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 48, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 235 x 310 mm
PVP: 17,50€

terça-feira, 21 de abril de 2026

Ala dos Livros prepara-se para editar meia dúzia de novas BDs!



A Ala dos Livros traz consigo um conjunto de seis novos lançamentos que deverá chegar às livrarias nos próximos dias. 

Algumas destas obras deverão poder ser adquiridas nos próximos eventos (Coimbra BD e Comic Con), sendo que algumas delas até já encontrei à venda no Ilustra BD, na semana passada. Uma destes livros não é uma novidade, mas a segunda edição de uma obra lançada há relativamente pouco tempo pela editora.

A maioria destes livros também já pode ser encomendada através do website da editora.

Falarei de todos estas obras, com mais detalhe, durante os próximos dias, mas, por agora, deixo-vos apenas com a breve menção a elas, mais abaixo.

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Análise: Wild West #3 - Escalpes em Série

Wild West #3 - Escalpes em Série, de Thierry Gloris e Jacques Lamontagne - Ala dos Livros

Wild West #3 - Escalpes em Série, de Thierry Gloris e Jacques Lamontagne - Ala dos Livros
Wild West #3 - Escalpes em Série, de Thierry Gloris e Jacques Lamontagne

Foi recentemente que a editora Ala dos Livros nos fez chegar o terceiro volume de Wild West, intitulado Escalpes em Série, dos autores Lamontagne e Gloris, depois de a série ter estado numa certa letargia editorial não muito comum para o modus operandi da editora portuguesa. A série já conta com cinco volumes na sua edição original e faço votos para que esses dois livros que agora faltam possam ser editados em Portugal com a maior brevidade possível. Até porque, convenhamos, Wild West continua a ser uma belíssima série de BD, melhorando ainda mais neste terceiro volume!

Escalpes em Série mergulha-nos novamente no universo do oeste americano, onde a violência, a sobrevivência e as tensões culturais se entrelaçam de forma intensa. Continuamos a seguir a caminhada de Wild Bill Hickok e Calamity Jane, enquanto, desta vez, a narrativa se centra no mistério que uma sucessão de crimes brutais provoca em Scotts Bluff, Nebrasca, bem como Calamity Jane tenta lidar, refugiando-se no álcool com a perda do seu amor que foi abatido a tiro por Wild Bill.. Neste terceiro volume, junta-se ainda a personagem de Charlie Utter, mais uma personagem mítica - e real - do velho faroeste.

Wild West #3 - Escalpes em Série, de Thierry Gloris e Jacques Lamontagne - Ala dos Livros
Estamos perante uma história muito bem construída, onde cada página acrescenta algo de relevante à trama. Uma coisa digna de nota é que, apesar de o álbum ter apenas 48 páginas, o argumentista Thierry Gloris consegue condensar neste livro um enredo denso e multifacetado, sem nunca dar a sensação de pressa ou de superficialidade. A narrativa flui com naturalidade, com uma cadência que prende o leitor do início ao fim e tudo isso se passa apenas em 48 páginas.

O ritmo do livro é, pois, exemplar. Há momentos de ação intensa, mas também pausas narrativas que permitem respirar e aprofundar as personagens e os seus conflitos internos, especialmente os de Calamity Jane que nos vai, ela própria, narrando a sua história que se interliga de um modo tão curioso na caminhada de Wild Bill. Esta alternância entre tensão e reflexão confere ao álbum um teor mais cinematográfico, como se estivéssemos a assistir a um filme. 

Trata-se de uma história adulta, não apenas pelo conteúdo violento, mas pela forma como as situações são tratadas. As motivações das personagens não são lineares, e parece haver uma intenção de expor a complexidade moral do oeste. A trama, embora não seja extremamente complexa, também não se resume a um simples conflito entre bons e maus, já que todos os bons também são maus ou, pelo menos, revelam atitudes questionáveis, nuances e ambiguidades enquanto se deparam com escolhas difíceis.

Wild West #3 - Escalpes em Série, de Thierry Gloris e Jacques Lamontagne - Ala dos Livros
A atmosfera pesada e adulta do livro contribui para o seu impacto, fazendo com que nós, leitores, nos sintamos constantemente confrontados com a dureza da vida no Velho Oeste, onde cada decisão pode significar a sobrevivência ou a morte da personagem. Naturalmente, esta característica de autenticidade faz com que Wild West não se trate de "mais um western", pois tem uma identidade muito própria que a afasta de outras séries mais romantizadas ou simplistas. Ao mesmo tempo, também não é uma série que seja demasiado documental, tendo uma linha ficcional que faz com que o leitor mergulhe profundamente na história. Diria, pois, que o equilíbrio está encontrado nesta que considero uma das melhores séries do género.

Falando do campo visual, Jacques Lamontagne volta a brilhar com um desenho impressionante que, mesmo sem atingir o nível de detalhe quase obsessivo do primeiro volume, continua a ser de grande qualidade. As expressões faciais, os cenários áridos e os enquadramentos dinâmicos e cinematográficos reforçam o peso emocional da narrativa. É evidente o virtuosismo do autor, que domina tanto a anatomia das figuras quanto a recriação dos ambientes do Oeste. Uma destaque deve ser dado às ilustrações mais explícitas e "gore" dos crimes que vão aparecendo na história, onde Lamontagne não se coíbe de nos dar um detalhado desenho.

Wild West #3 - Escalpes em Série, de Thierry Gloris e Jacques Lamontagne - Ala dos Livros
E se os desenhos são espetaculares, as cores merecem igualmente destaque. A paleta escolhida transmite a poeira, a secura e a rudeza do ambiente do faroeste, ao mesmo tempo que acentua a tensão dramática de certas cenas. O contraste entre sombras e luz é usado com inteligência para realçar os momentos de maior suspense ou violência, contribuindo para a atmosfera global do álbum.

Em termos de edição, o livro apresenta-se como os demais da mesma coleção da Ala dos Livros, envergando capa dura baça, bom papel brilhante no interior e uma boa encadernação e impressão.

Em suma, como western, Escalpes em Série é exemplar. Reúne todos os elementos do género, como violência, dilemas morais, confrontos culturais e paisagens duras, sabendo depois combiná-los com uma execução narrativa e visual de grande qualidade. A sensação é a de que estamos perante uma obra que facilmente poderia ser transposta para o cinema, tal a força imagética e narrativa do álbum. Trata-se de uma leitura obrigatória para os amantes do western, mas também uma excelente surpresa para aqueles que não costumam ser fãs do género. Faço votos para que o próximo tomo nos chegue depressa!


NOTA FINAL (1/10):
9.3



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Wild West #3 - Escalpes em Série, de Thierry Gloris e Jacques Lamontagne - Ala dos Livros

Ficha técnica
Wild West #3 - Escalpes em Série
Autores: Thierry Gloris e Jacques Lamontagne
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 48, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 235 x 310 mm
Lançamento: Junho de 2025

terça-feira, 24 de junho de 2025

Wild West está de regresso!



Já foi lançado o terceiro volume da série Wild West, da autoria de Thierry Gloris e Jacques Lamontagne, que a Ala dos Livros tem vindo a editar por cá!

Este terceiro tomo da série - que na sua edição original já conta com 5 volumes - intitula-se Escalpes em Série.

É uma série do género western que me deixou bastante satisfeito nos dois tomos anteriores, portanto estou bastante empolgado para voltar a ela através deste novo livro.

Mais abaixo, deixo-vos com algumas imagens promocionais e com a sinopse da obra.

Wild West #3 - Escalpes em Série, de Thierry Gloris e Jacques Lamontagne

Após a morte do seu marido índio, assassinado por Wild Bill Hickok, Martha Jane Cannary, a célebre Calamity Jane, é acolhida por Charlie Utter, um generoso colono que não consegue, contudo, evitar o delírio alcoólico da sua protegida, que só pensa em vingança. 

Entretanto, Wild Bill trabalha como responsável pela segurança do estaleiro de construção do caminho de ferro, onde tem de gerir as disputas entre brancos e negros, mas também mortes misteriosas causadas por um misterioso assassino que remove o escalpe das suas vítimas… 

O destino ditará a sua reunião… 

Charlie Utter é o terceiro tomo da série Wild West, editada em Portugal pela Ala dos Livros.

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Ficha técnica
Wild West #3 - Escalpes em Série
Autores: Thierry Gloris e Jacques Lamontagne
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 48, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 235 x 310 mm
PVP: 17,50€

segunda-feira, 21 de março de 2022

Análise: Wild West 2 - Wild Bill

Wild West 2 - Wild Bill, de Thierry Gloris e Jacques Lamontagne - Ala dos Livros

Wild West 2 - Wild Bill, de Thierry Gloris e Jacques Lamontagne - Ala dos Livros
Wild West 2 - Wild Bill, de Thierry Gloris e Jacques Lamontagne

Wild West 2 – Wild Bill foi o primeiro livro que a editora Ala dos Livros editou durante este ano de 2022. Correspondendo ao segundo volume da série Wild West, da autoria de Gloris e Lamontagne, cujo terceiro volume da série acaba de ser editado em França, este livro continua os eventos deixados em standby no álbum anterior, Wild West 1 – Calamity Jane.

E ainda que o álbum receba o subtítulo de Wild Bill, e que se dedique ao percurso do célebre caçador de prémios, a verdade é que grande parte da obra se continua a focar na vida de Calamity Jane. Para mim, isso não foi um problema pois considero Calamity Jane uma personagem muito interessante e com um percurso pessoal muito impressionante. Por ventura, até mais do que Wild Bill. Pelo menos, até àquilo que, por ora, os autores Gloris e Lamontagne nos permitiram descobrir nesta série semi-biográfica.

O enredo volta, por isso, a dar-nos as duas histórias de ambas as personagens, mas cruzando-as de tempos a tempo. Se James Butler Hickok, mais conhecido por Wild Bill, se cruzou com Calamity Jane no primeiro tomo, isso volta a acontecer neste segundo volume. Tudo feito de uma forma bastante fluída, sem parecer demasiado forçada.

Wild West 2 - Wild Bill, de Thierry Gloris e Jacques Lamontagne - Ala dos Livros
Wild Bill é um veterano da Guerra Civil Americana que procura os assassinos de um crime que jurou vingar. Enquanto que Calamity Jane é uma mulher que procura apenas fugir do passado nefasto que o duro oeste americano reservou para si, tal como já pudemos testemunhar no primeiro tomo.

Em termos de história, parece-me que a mesma não consegue ser tão impactante como no álbum anterior. Não se torna chata, nem nada que se pareça, mas parece-me que, especialmente a parte dedicada a Wild Bill, parece não oferecer aquilo que eu gostaria de ter visto. Há alguns bons momentos de tensão – especialmente na excelente cena de abertura do álbum – mas depois pareceu-me que a demanda de Wild Bill pelos assassinos que procura vingar, me pareceu algo politico-burocrática. 

Já quando à história paralela de Calamity Jane, tenho uma opinião diferente. Essa acabou por me entusiasmar bem mais. Primeiro Calamity Jane vê-se forçada a fingir ser um homem, para se alistar nos Túnicas Azuis, de forma a deixar para trás o seu maldito e traumatizante passado que conhecemos no tomo anterior. Mas acaba por ser raptada (ou salva?) pelos índios e acompanhamos o seu percurso já como pertencente aos índios. Essa parte foi a que mais gostei. Mesmo podendo ser algo clichet (a mulher que finge ser um soldado, a mulher branca que tem que viver com os índios…) acho que funcionou bem e é a garantia de um álbum equilibrado entre a procura, mais monótona, de Wild Bill e o percurso mais acidentado, de Jane.

Wild West 2 - Wild Bill, de Thierry Gloris e Jacques Lamontagne - Ala dos Livros
Uma coisa que me surpreende também é que este segundo álbum tenha sido apresentado – pelo menos em França – como o final de um ciclo, tratando-se os dois primeiros álbuns de um díptico. Se assim for, devo dizer que a história fica muito, mas mesmo muito, mal resolvida. Fui ficando sempre com a ideia que esta era uma narrativa que procurava criar pontes e sedimentar eventos. Se o terceiro álbum continuar a história a partir daqui – como eu acredito que seja e como, aliás, faz sentido – acho que isto não será um problema. E até quererá dizer que o argumentista Gloris utiliza este segundo tomo para preparar o terreno para contar a sua história. Ou seja, se é para continuar a história de Wild Bill e Calamity Jane a partir daqui, tudo bem. Se é para deixar assim a história de ambos os personagens, tudo mal!

Olhando para as ilustrações, podemos considerar que Lamontagne continua a fazer um trabalho deveras impressionante. Recupero, por esse motivo, as palavras que escrevi, a propósito da minha análise ao tomo 1: “O traço realista de Lamontagne é virtuoso e perfeito para ilustrar com mestria o faroeste e as suas gentes. A juntar a isto tudo, este é um álbum com um trabalho fantástico de cores que dá primazia a efeitos de luz verdadeiramente espetaculares. Aquele sol de tons alaranjados do oeste americano aparece aqui retratado de forma exímia. As expressões das personagens, a sua linguagem corporal, enfim tudo é feito com bastante rigor e talento por parte do autor. Um daqueles livros que sabe como "encher o olho" a um leitor.

Destaque para a ilustração dos cenários por parte de Lamontagne que é verdadeiramente fabulosa e que funciona, até, como um postal histórico do Velho Oeste americano. A planificação também apresenta bastante dinamismo, com a presença de vinhetas de diferentes tamanhos."

Wild West 2 - Wild Bill, de Thierry Gloris e Jacques Lamontagne - Ala dos Livros
As cores, que são asseguradas por Lamontagne, também são, portanto, muito importantes para assegurar o belo resultado final das ilustrações, conferindo-lhes profundidade e dramatismo. Todavia, considero que uma coisa que merece menção é que, contrariamente ao álbum anterior, que era todo ele muito "pesado" nas cores e no ambiente, este segundo tomo é muito mais luminoso, com cores mais leves, dias soalheiros e prados verdejantes. Continuam a ser cores muito bonitas e muito bem executadas por Lamontagne mas confesso ter gostado mais do ambiente pesado e dark – não tanto comum em bandas desenhadas western – do primeiro volume da série.

Quanto à edição da Ala dos Livros, a mesma mantém-se muito boa. Capa dura, papel brilhante de máxima qualidade, boa impressão, boa encadernação, enfim, tudo bem feito. Nota positiva, também, para o facto de, contrariamente ao livro anterior em que foi colocado, na capa, um círculo com a descrição “Calamity Jane – As Origens de uma Lenda do Oeste” por motivos comerciais, neste segundo álbum esse círculo – que agora diz “Wild Bill – A História de uma Lenda do Oeste” - continua a existir, mas agora, em vez de diretamente impresso, foi colocado em autocolante, dando a oportunidade ao leitor de o deixar na capa ou de o retirar, caso não goste dele. Excelente opção! Se fiz essa chamada de atenção menos positiva, para o primeiro álbum, tenho agora de destacar a incrível e constante energia da editora em fazer mais e melhor. Até mesmo nas coisas mais ínfimas! E isso merece mil vénias, quanto a mim!

Em conclusão, este Wild West 2 - Wild Bill, mesmo sendo um pouco menos excitante e impactante do que o tomo anterior, mantém, não obstante, uma excelente qualidade. A história é cativante; as duas personagens principais (Wild Bill e Calamity Jane) continuam muito interessantes – especialmente a segunda – e a arte de Lamontagne continua a encher muito bem o olho e a brindar-nos com magníficas cores. Obrigatório para quem é fã do género e, até, muito apetecível para aqueles que, normalmente, não lêem westerns. Recomenda-se.


NOTA FINAL (1/10):
9.0



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Wild West 2 - Wild Bill, de Thierry Gloris e Jacques Lamontagne - Ala dos Livros

Ficha técnica
Wild West 2 - Wild Bill
Autores: Thierry Gloris e Jacques Lamontagne
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Março de 2022

segunda-feira, 7 de março de 2022

Ala dos Livros prepara-se para lançar o seu primeiro livro de 2022!



A Ala dos Livros tem andado discreta nos primeiros meses de 2022. Embora isso não belisque, parece-me, o ambicioso plano de lançamentos que a editora tem para este ano e que até já partilhou com o Vinheta 2020.

Nesse sentido, há boas notícias para os leitores porque o segundo livro da série Wild West, da autoria de Gloris e Lamontagne, e cujo primeiro número foi uma muito agradável surpresa, já se encontra em pré-venda no site da editora e deverá, por esse motivo, chegar às livrarias nas próximas semanas.

Para já, deixo-vos com algumas imagens promocionais e a sinopse da obra.
Wild West 2 - Wild Bill, de Thierry Gloris e Jacques Lamontagne

James Butler Hickok, que ficou para a história com o nome de Wild Bill Hickok, é uma das muitas personagens do Oeste Americano imortalizadas através do cinema, da televisão ou até de inúmeras novelas.

Mas como é que os caminhos de Martha Cannary, a célebre Calamity Jane, se cruzam com os de Wild Bill, esse veterano da Guerra Civil Americana que se tornou caçador de prémios e justiceiro por conta própria?

Wild West é um western deslumbrante que nos transporta ao coração do Oeste Americano, um mundo selvagem sem fé e sem lei.
No rescaldo da guerra civil, com as guerras índias ao rubro, Wild Bill procura os assassinos de um crime que jurou vingar. Mortos ou vivos. E é neste território a ferro e fogo que encontrará Martha novamente.

Wild Bill é o segundo tomo da série Wild West, editada em Portugal pela Ala dos Livros.

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Ficha técnica
Wild West 2 - Wild Bill
Autores: Thierry Gloris e Jacques Lamontagne
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 16,90€

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Análise: Wild West 1 - Calamity Jane



Wild West 1 - Calamity Jane, de Jacques Lamontagne e Thierry Gloris

Num ano editorial em que a banda desenhada dedicada ao género western tem sido em número maior do que o habitual, a Ala dos Livros presenteou-nos recentemente com o lançamento de mais uma série de cowboys. Desta vez, a aposta recaiu na série Wild West, dos autores Jacques Lamontagne e Thierry Gloris.

E sendo Wild West um western, não me parece que seja “mais um western”, pois traz consigo algumas características distintivas, procurando ter um pendor muito mais biográfico do que ser simplesmente uma aventura passada no faroeste americano. E talvez seja por isso que cada um dos seus tomos (que, para já, são apenas dois) nos contam a história de figuras do tempo dos cowboys que ficaram famosas. No primeiro tomo, o destaque é Calamity Jane e no segundo tomo - que calculo que a Ala dos Livros venha a publicar nos próximos meses - dá-se destaque a Wild Bill Hickok.


Mas, concentrando a atenção neste primeiro tomo da série, posso dizer que este Wild West 1 - Calamity Jane constituiu mais uma excelente surpresa. Já conhecia a figura – especialmente pela divertidíssima versão de Morris e Goscinny em Lucky Luke – Calamity Jane – mas a verdade é que não conhecia muito do seu percurso pessoal da protagonista deste livro. Aquilo que a fez tornar-se em Calamity Jane.

Até porque, convenhamos, Calamity Jane nem é o seu nome de baptismo. Na verdade, esta mulher desprovida de sorte nasceu como Martha Cannary. Tendo ficado órfã em tenra idade, viu-se na necessidade de trabalhar num bordel. Aos 16 anos já é “mulher das limpezas” num bordel, mas acaba mesmo por ter que prostituir o seu corpo perdendo, deste modo, o único bem que conservava: a sua dignidade.

Nisto, entra em cena o caçador de recompensas Wild Bill Hickok – aquele a que o segundo título desta série é dedicado, conforme já referi – que ajuda Martha a perceber um conceito chave do faroeste: com uma arma e coragem suficiente para a usar, qualquer um se pode tornar forte e temível perante os demais. Até mesmo uma mulher aparentemente fraca e só. E será, quiçá, esta lição que fará com que Martha se torne Calamity, incentivada por um desejo de vingança e movida por um enorme conjunto de humilhações, violações, desrespeito e momentos trágicos a que a sua vida tem sido pautada. Este Wild West 1 - Calamity Jane é, pois, uma obra de introdução à personagem, que nos explica de onde ela vem e qual foi o seu percurso inicial antes de se tornar Calamity Jane.


Trata-se de um relato triste, dramático e faz-nos sempre antever um momento de catarse que faça Martha transformar-se em Calamity. Eventualmente esse momento acontece e traz consigo o ponto alto da narrativa. Julgo que, em termos de argumento, a tal parte da revelação podia ter sido mais bem trabalhada e gerida pelo autor. Fiquei por vezes com a ideia que havia uma certa aleatoriedade nos acontecimentos. Mas, mesmo dito isso, não deixa de ser verdade que, também em termos de argumento, estamos perante uma boa leitura que nos mantém embrenhados no desenlace narrativo.

A história passa-se após a guerra civil, em que se registou um enorme êxodo em direção ao Oeste americano, impulsionado pela construção da linha férrea que ia sendo gradualmente construída, de forma a ligar a costa este à costa oeste. Um tema interessante – este da construção da linha férrea – que também é abordado no fantástico western O Último Homem…, de Jérôme Félix e Paul Gastine, que a Gradiva publicou este ano.


Se o argumento de Wild West 1 - Calamity Jane é interessante, a arte que acompanha esta obra é, no mínimo, entusiasmante. O traço realista de Lamontagne é virtuoso e perfeito para ilustrar com mestria o faroeste e as suas gentes. A juntar a isto tudo, este é um álbum com um trabalho fantástico de cores que dá primazia a efeitos de luz verdadeiramente espetaculares. Aquele sol de tons alaranjados do oeste americano aparece aqui retratado de forma exímia. As expressões das personagens, a sua linguagem corporal, enfim tudo é feito com bastante rigor e talento por parte do autor. Um daqueles livros que sabe como "encher o olho" a um leitor. 

Destaque para a ilustração dos cenários por parte de Lamontagne que é verdadeiramente fabuloso e que funciona, até, como um postal histórico do Velho Oeste americano. A planificação também apresenta bastante dinamismo, com a presença de vinhetas de diferentes tamanhos. Saliente-se a boa aposta do autor em nos presentear, várias vezes, com grandes vinhetas que ocupam metade de uma prancha e que são representativas dos locais onde é ambientada a história.


Quanto à edição da Ala dos Livros, a qualidade do trabalho da editora volta a fazer-se notar. Capa dura, papel brilhante de máxima qualidade, boa impressão, boa encadernação, enfim, tudo bem feito. 

A editora optou por colocar um círculo na capa com a descrição: “Calamity Jane – As Origens de uma Lenda do Oeste”. Percebo a opção comercial desta iniciativa, que tenta desde logo apelar a interessados em história ou no estilo western, mas não creio que tenha beneficiado visualmente a capa que tem, diga-se, uma ilustração muito bonita, em estilo de "quadro-retrato" de Calamity Jane.

Em conclusão, este é mais um excelente livro da Ala dos Livros. Obrigatório para fãs do género western e muito recomendável para qualquer fã de uma boa história dramática em banda desenhada. Wild West é mais uma ótima aposta que vence e convence. Não deixem de o ler.



NOTA FINAL (1/10):
9.2

Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020

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Ficha técnica
Wild West 1 - Calamity Jane
Autores: Jacques Lamontagne e Thierry Gloris
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Setembro de 2021

terça-feira, 24 de agosto de 2021

A Ala dos Livros estreia mais uma série de banda desenhada!




Conforme já ontem aqui dei nota, a Ala dos Livros prepara-se para lançar o primeiro volume da série Wild West, dos autores Jacques Lamontagne e Thierry Gloris.

Trata-se do primeiro número de uma série que, em França, conta, até ao momento, com dois volumes publicados. Neste primeiro tomo, conhecemos o percurso da célebre Calamity Jane.

Não conheço muito sobre a obra mas devo dizer que estou bastante empolgado com a mesma, a julgar pelas ilustrações maravilhosas que já pude observar.

Abaixo fiquem com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.
Wild West 1 - Calamity Jane, de Jacques Lamontagne e Thierry Gloris

Após a Guerra Civil, o movimento em direcção ao Oeste era imparável. Para alguns, o vasto território era sinónimo de riqueza e novas oportunidades. A linha férrea, em construção, significava novas oportunidades e enriquecia muitos. Mas nem todos os que se aventuravam na travessia do vasto continente americano conseguiam chegar ao seu destino.

Num bordel em Omaha, Martha tem 16 anos e está suficientemente desesperada para se tornar prostituta. É então que conhece o caçador de recompensas Wild Bill Hickok, que lhe revela uma verdade simples: o Velho Oeste não é lugar para quem tem um coração mole. Mas em contrapartida, a liberdade está ao alcance de todos. Basta um colt, alguns cartuchos e vontade de usá-los.
Com isso, até uma donzela aparentemente frágil se pode libertar das garras de um proxeneta corpulento.

E assim começa a incrível história de Martha Cannary, que viria a ficar conhecida como Calamity Jane, uma das grandes lendas do Velho Oeste.

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Ficha técnica
Wild West 1 - Calamity Jane
Autores: Jacques Lamontagne e Thierry Gloris
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 14,90€