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terça-feira, 30 de junho de 2026

Análise: Absolute Batman: O Zoo

Absolute Batman: O Zoo, de Scott Snyder, Nick Dragotta e Frank Martin - Devir - Dc Comics

Absolute Batman: O Zoo, de Scott Snyder, Nick Dragotta e Frank Martin - Devir - Dc Comics
Absolute Batman: O Zoo, de Scott Snyder, Nick Dragotta e Frank Martin

Uma das coisas que mais temos visto as grandes editoras de comics americanos a fazer, é a apostar em obras que desconstroem os universos já pré-estabelecidos dos vários super-heróis, subvertendo-os de modo a permitir-nos olhar para as personagens que já todos conhecemos através de um novo ângulo. Por exemplo, o recentemente editado Batman - Cavaleiro Branco, de Sean Murphy, que coloca Batman como o vilão e Joker como o herói, fá-lo brilhantemente.

Este Absolute Batman: O Zoo, inicia um novo arco, arquitetado por Scott Snyder, que nos apresenta, mais uma vez, uma Gotham City reimaginada, em que Batman existe, sim, e é igualmente um lutador contra o mal, mas de um modo muito diferente. Bruce Wayne não é o multimilionário que conhecemos, mas um jovem de classe média, que se tenta sustentar com os trabalhos que aparecem até tirar um curso de engenharia, e que tem uma relação próxima com a sua mãe. Mesmo sendo diferente, há coisas em comum com o Batman que todos conhecemos, nomeadamente o facto de, neste caso, Bruce também ter perdido o seu pai na sua infância, que acabou assassinado numa visita de estudo ao jardim zoológico da cidade.

Absolute Batman: O Zoo, de Scott Snyder, Nick Dragotta e Frank Martin - Devir - Dc Comics
Além disso, Bruce Wayne mantém próximos os seus amigos de infância que são, nada mais, nada menos, do que algumas das personagens que nos habituámos a ver como vilões. Falo de Selina (a Catwoman), Harvey (o Duas-Caras), Ozzie (o Pinguin), Edward (o Enigma) e Waylon (o Crocodilo). Gostei bastante desta dinâmica e até acho que poderia ter sido mais bem explorada. Se bem que fiquei com a ideia que, futuramente, poderemos encontrar novos episódios com estas personagens. Sim, convém dizer-vos que embora possamos considerar este volume como uma história auto-contida, a série Absolute Batman continua noutros volumes, havendo já três deles publicados no mercado norte-americano.

Falando da história, mais em concreto, Gotham é aqui apresentada como uma cidade brutal e quase selvagem, onde o mundo do crime funciona como um ecossistema de predadores. Um dos elementos chave são os Party Animals - desinspiradamente traduzidos, na versão portuguesa, para "Animais da Festa" - que são um gangue violento e caótico que usa máscaras de caveiras negras, semeia o caos e comete crimes como se fossem espetáculos performativos. Bruce está ainda no início da sua carreira como Batman e decide investigar estes crimes enquanto tenta travar a escalada de violência na cidade. Para isso, recorre aos seus amigos de infância, já mencionados por mim acima, para obter mais informações na sua investigação.

Absolute Batman: O Zoo, de Scott Snyder, Nick Dragotta e Frank Martin - Devir - Dc Comics
À medida que o enredo avança, percebemos que a crescente criminalidade na cidade aparenta estar a ser manipulada por forças mais poderosas que os próprios "Animais da Festa", que pretendem desestabilizar Gotham e quebrar Bruce emocionalmente. Isto acaba por colocar os seus antigos amigos em risco, empurrando-os gradualmente para trajetórias mais sombrias. Assim, este Zoo não é só uma história de origem do Batman, mas também o início da transformação do seu próprio “grupo”, sugerindo como aqueles aliados podem vir a tornar‑se algumas das figuras mais perigosas da sua galeria de vilões. E foi esta a parte que mais apreciei neste livro. Uma vez que Scott Snyder consegue trazer para cima da mesa algo que tem pano para mangas.

E depois, há, claro, muita ação e violência. Por vezes, até me pareceu que essa violência era um pouco gratuita, uma vez que se "gastam" demasiadas páginas com cenas de ação que poderiam ter sido mais bem aproveitadas com o desenvolvimento do enredo, parece-me.

Sem ser uma leitura que considerei espetacular, reconheço que me diverti bastante a ler este livro e que o mesmo me entreteu enquanto o lia. Há boas ideias e bons diálogos, mesmo que, por vezes, possa parecer que o Scott Snyder se limitou a pegar nos estereótipos da série e a subvertê-los apenas, sem um real e mais complexo estudo das personagens ou das suas possibilidades. Pelo menos, por agora. Porém, funciona bem. É giro. Mas não é, aos meus olhos, algo fantástico ou que iremos recordar daqui a 10 anos.

Absolute Batman: O Zoo, de Scott Snyder, Nick Dragotta e Frank Martin - Devir - Dc Comics
Quanto aos desenhos de Nick Dragotta, estes apresentam-se como um dos grandes pontos fortes da obra. O trabalho do autor é muito sólido e cheio de personalidade, com composições dinâmicas, poses altamente estilizadas e várias imagens marcantes que ajudam a dar identidade própria a esta versão da personagem. Há vários momentos em que o desenho ganha um impacto especialmente icónico, nomeadamente, quando Batman surge em posturas amplas, dominando a página, e reforçando a ideia da sua força incrível e presença marcante. De resto, a narrativa visual é fluida, com páginas bem construídas que conseguem equilibrar ação com atmosfera, contribuindo para esse tom mais cru e físico que a série pretende transmitir. A planificação também é muito diversificada, havendo vinhetas de todos os tamanhos.

Ainda assim, não gostei particularmente da maneira exagerada, carregada de esteroides, como o corpo de Batman é representado. Dragotta opta por uma representação extremamente musculada, fazendo Bruce parecer quase um “tanque humano”, mais próximo de figuras como o Coisa, do Quarteto Fantástico, ou o Hulk do que do Batman tradicional. Essa fisicalidade extrema reforça a brutalidade do personagem, mas ao mesmo tempo afasta‑o da elegância e agilidade que associo ao Cavaleiro das Trevas. Um contraponto interessante surge, todavia, no capítulo desenhado por Gabriel Hernández Walta (autor que desenhou Senciente, de Jeff Lemire). Sendo esta parte da história um flashback, a diferença, por ventura abrupta, entre o estilo de Walta e Dragotta, até funciona bem, permitindo que a história pare um pouco para respirar.

De resto, as cores de Frank Martin funcionam bastante bem, encaixando-se bem no espírito da história e dos desenhos. Nota ainda para as ilustrações entre capítulos, de página dupla, que são verdadeiramente espetaculares, deixando-nos de queixo caído.

Em termos de edição, o trabalho da Devir é bastante bem-feito. Estamos perante um livro em capa dura baça, com bom papel brilhante no miolo e um bom trabalho ao nível da encadernação, impressão e acabamentos. Como material adicional, o livro inclui ainda uma galeria de capas alternativas (todas elas verdadeiramente espetaculares), estudos de personagem e um posfácio de José Castello-Branco.

Em suma, Absolute Batman: O Zoo revela-se uma abordagem interessante e competente dentro desta tendência de reinvenção dos grandes mitos dos super‑heróis, trazendo ideias frescas - sobretudo na relação entre Bruce e o seu círculo de amigos - e um ambiente mais cru e físico que resulta em vários momentos impactantes. Não sendo uma obra extraordinária ou particularmente memorável a longo prazo, é um arranque sólido, com identidade própria, que justifica a curiosidade para acompanhar o desenvolvimento desta nova visão de Batman.


NOTA FINAL (1/10):
8.2



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Absolute Batman: O Zoo, de Scott Snyder, Nick Dragotta e Frank Martin - Devir - Dc Comics

Ficha técnica
Absolute Batman: O Zoo
Autores: Scott Snyder, Nick Dragotta e Frank Martin
Editora: Devir
Páginas: 190, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27,5 cm
Lançamento: Maio de 2026

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Devir vai lançar novo Batman!



A Devir prepara-se para lançar, a partir do próximo dia 15 de junho, um novo livro de Batman!

Desta vez, estamos perante Absolute Batman: O Zoo, de Scott Snyder, Nick Dragotta e Frank Martin.

Trata-se de uma reimaginação da personagem de Batman, num conceito que nos apresenta o Cavaleiro das Trevas - e toda a sua envolvente - de uma forma diferente.

O livro já se encontra em pré-venda no site da editora.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.
Absolute Batman: O Zoo, de Scott Snyder, Nick Dragotta e Frank Martin

O Cavaleiro das Trevas Absoluto

Um gangue de assassinos mascarados aterroriza as ruas de Gotham.

Um vigilante luta pela cidade, mas não é o Batman que conhecemos. O Universo Absoluto nasceu da batalha apocalítica da Liga da Justiça contra Darkseid e deu origem a um novo leque de realidades que reimaginam os seus heróis favoritos como nunca antes os viu.

Em Absolute Batman, conheça um jovem Bruce Wayne sem a Mansão Wayne, sem Alfred ao seu lado e pronto a dar uma machadada ao crime enquanto Cavaleiro das Trevas.

Uma criação de Scott Snyder e do artista Nick Dragotta, que inclui o artista convidado Gabriel Hernández Walta, numa história de origem imperdível.

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Ficha técnica
Absolute Batman: O Zoo
Autores: Scott Snyder, Nick Dragotta e Frank Martin
Editora: Devir
Páginas: 190, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27,5 cm
PVP: 20,00€

sábado, 16 de maio de 2020

Lançamento: Batman: O Último Cavaleiro da Terra




É hoje que a Levoir nos brinda com mais um livro de Batman. Desta vez é Batman: O Último Cavaleiro da Terra, da autoria de Scott Snyder e Greg Capullo. O livro sai com o jornal Público.

Fiquem com as imagens promocionais e com a nota de imprensa da editora.


Batman: O Último Cavaleiro da Terra, de Scott Snyder e Greg Capullo
A 16 de Maio a Levoir em parceria com o jornal Público apresentam Batman: O Último Cavaleiro da Terra. Considerada uma das melhores histórias do selo DC Black Label tem a equipe criativa formada pelo escritor Scott Snyder e o artista Greg Capullo, a dupla que reinventou Batman das profundezas emocionais de Corte das Corujas (já editado pela Levoir).

Ao longo dos tempos, Batman tem sido um dos personagens mais usados pela DC Comics, já o vimos ser morto várias vezes, ganhar e perder poderes e agora vamos vê-lo como uma espécie de última esperança da Terra.

Batman: O Último Cavaleiro da Terra introduz os leitores no futuro sombrio de um Universo DC, onde a humanidade se voltou contra os super-heróis do mundo, seguindo um esquema desonesto de Lex Luthor.

Bruce Wayne tenta descobrir o mistério do seu passado, enquanto procura desvendar a causa desse futuro terrível e rastrear a força indescritível que destruiu o mundo tal como ele o conhecia... Uma história que não podia ter um início mais surpreendente e inesperado, com um jovem Bruce Wayne que acorda no Asilo Arkham… para descobrir que Batman nunca existiu, senão na sua imaginação perturbada. A maioria dos membros da Liga da Justiça está morta ou desaparecida, cidades inteiras foram reduzidas a ruínas e vilões aterrorizantes parecem esconder-se em todos os cantos das terras áridas que compõem essa realidade distópica. Batman tem como companhia a cabeça decapitada de Joker dentro de um frasco. Mas o facto de ter perdido o corpo não acabou com a verve do príncipe palhaço do crime, bem pelo contrário. Além de nunca se calar ao longo de toda a história, é ele o inesperado narrador desta aventura, funcionando igualmente como o guia do Cavaleiro das Trevas nesta descida (literal) aos Infernos.

Desde o início, ficou claro que aquele mundo sombrio e violento afetou qualquer um que ainda tentasse lutar pelo bem. Não era um lugar para se gostar, era um lugar feito apenas para sobreviver. 

Ficha técnica
Batman: O Último Cavaleiro da Terra
Autores: Scott Snyder e Greg Capullo
Editora: Levoir
Páginas: 176, a cores
Encadernação: Capa Dura
Preço – 24,90€