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quinta-feira, 16 de julho de 2026

Análise: A Longa Marcha de Lucky Luke

A Longa Marcha de Lucky Luke, de Matthieu Bonhomme - A Seita

A Longa Marcha de Lucky Luke, de Matthieu Bonhomme - A Seita
A Longa Marcha de Lucky Luke, de Matthieu Bonhomme

Depois dos muito bem recebidos - quer por crítica, quer por público - O Homem Que Matou Lucky Luke e Procura-se Lucky Luke, Matthieu Bonhomme está de volta com o seu terceiro álbum em que revisita a personagem de Lucky Luke, "o cowboy que dispara mais rápido do que a própria sombra" e, também, o cowboy mais célebre da banda desenhada.

Este álbum está inserido na coleção Lucky Luke Visto Por... que já conta com oito volumes, todos publicados por cá pela editora A Seita. Gosto bastante desta coleção, pois considero que tem permitido que diferentes autores reinterpretem Lucky Luke, possibilitando a exploração de novas camadas da personagem e das duas aventuras. E Matthieu Bonhomme surge, quanto a mim, claramente isolado face aos demais autores, brindando-nos com os melhores livros da série. E este A Longa Marcha de Lucky Luke, mesmo sendo, por ventura, o livro que menos me impressionou dos três do autor, continua a ser um bom e sólido álbum, que vos convido a ler.

A Longa Marcha de Lucky Luke, de Matthieu Bonhomme - A Seita
Nesta aventura, Lucky Luke vê-se envolvido numa longa e perigosa travessia pelas florestas geladas do norte dos Estados Unidos, mais concretamente em território da tribo Lakota, sendo acompanhando por um jovem índio branco Nuvem-Vermelha, numa missão que rapidamente ultrapassa os contornos de uma simples missão de escolta. O que começa como uma tarefa relativamente simples transforma-se numa jornada de proteção, sobrevivência e confronto com interesses económicos que ameaçam uma comunidade inteira.

A premissa é eficaz e oferece ao autor um terreno fértil para explorar temas contemporâneos sem abdicar dos códigos clássicos do western. Ao longo da viagem, somos confrontados com a luta pela posse de terras, com a exploração de recursos naturais e com a pressão exercida por figuras de poder económico sobre comunidades mais vulneráveis. Bonhomme utiliza, com desenvoltura, o imaginário do Oeste americano para refletir sobre problemas que permanecem atuais, tecendo as suas próprias críticas ao mundo em que vivemos. O que é algo bem-vindo.

O próprio vilão da história não podia ser mais óbvio, já que o próprio nome, Ronald Cramp - uma clara ligação a Donald Trump - surge como a personificação de um capitalismo agressivo e predatório, interessado apenas no lucro e completamente indiferente às comunidades que prejudica. E também a dimensão ecológica da narrativa merece destaque, pois a terra, enquanto território, não é apresentada apenas como um recurso económico, mas como parte integrante da identidade de um povo e do equilíbrio natural do espaço em que vivemos. 

A Longa Marcha de Lucky Luke, de Matthieu Bonhomme - A Seita
Um dos aspetos mais interessantes da narrativa deste A Longa Marcha de Lucky Luke reside na forma como Lucky Luke assume um papel que não lhe é habitual. Tradicionalmente retratado como um herói solitário, independente e de passagem, surge aqui investido de uma responsabilidade mais prolongada enquanto protetor de uma criança. A ligação que estabelece com Nuvem-Vermelha acrescenta uma dimensão emocional invulgar à personagem e permite explorar facetas mais humanas do cowboy. Confesso que até comecei por não gostar particularmente desta personagem de Nuvem-Vermelha, pois parecia-me demasiadamente unilateral e pouco trabalhada, mas reconheço que, ao longo da narrativa, e especialmente mais para o final da obra, Bonhomme conseguiu fortalecer a relação da criança com o protagonista, o que dá boas sensações ao leitor. E permite, claro, que a história fique mais profunda e verossímil, pois sem nunca perder a sua natureza reservada, a personagem de Lucky Luke acaba por revelar uma proximidade e uma preocupação que o tornam mais profundo e acessível do que o habitual, desempenhando, por vezes, uma figura quase paternal na vida de Nuvem-Vermelha. Já em Lucky Luke - Os Indomados, de Blutch, isso tinha acontecido, mas neste caso parece-me que esse feito é alcançado com uma dose de maior poesia e maturidade. 

No entanto, apesar do interesse dos temas abordados, é precisamente ao nível da construção narrativa que o livro me parece ficar um pouco aquém dos anteriores trabalhos de Bonhomme. Existe a sensação de que a história procura conciliar demasiadas ideias em simultâneo: a jornada iniciática de uma criança, a crítica ao capitalismo, a defesa do ambiente, a questão da herança e da propriedade da terra, bem como o comentário político contemporâneo. Nenhum destes elementos é propriamente mal desenvolvido, mas fica-se pela rama, fazendo com que o conjunto acabe por transmitir uma certa sensação de alguma dispersão.

Há também uma inevitável sensação de déjà vu. Quando reduzimos a história aos seus elementos fundamentais, nomeadamente: 1) uma criança perseguida por interesses económicos; 2) um magnata disposto a tudo para obter terras que não lhe pertencem moralmente e 3) um herói encarregado da  proteção e escolta dessa criança; percebemos que se trata de uma estrutura narrativa amplamente utilizada, não só no western, em concreto, como em histórias de aventura, em termos gerais. Bonhomme consegue introduzir algumas nuances interessantes, concedo, mas raramente consegue libertar-se completamente dessa familiaridade.

A Longa Marcha de Lucky Luke, de Matthieu Bonhomme - A Seita
Mesmo assim, não foi isso que mais me apoequentou nesta leitura, pois o aspeto que me parece menos conseguido em A Longa Marcha de Lucky Luke é a introdução dos irmãos Dalton na história. Que fique bem assente que eu adoro os irmãos Dalton. E saber que os mesmos entrariam nesta terceira aventura de Bonhomme até começou por me deixar satisfeito. Todavia, esta opção simplesmente não funciona. E é fácil perceber porquê: é que a representação dos quatro irmãos segue de forma muito próxima a tradição humorística estabelecida por Morris e Goscinny, surgindo como figuras essencialmente estúpidas e caricaturais. Em circunstâncias normais - leia-se na série canónica - isso seria perfeitamente legítimo e bem-vindo. Contudo, dentro do universo criado por Bonhomme para Lucky Luke, esta abordagem gera alguma estranheza e um total deslocamento de Joe, William, Jack e Averell. Recordo que desde O Homem que Matou Lucky Luke, Bonhomme tem construído uma visão mais realista, sóbria e madura deste universo, com as personagens a serem mais humanas, os conflitos mais ambíguos e a violência mais plausível. Por isso, a presença dos Dalton nesta versão excessivamente cómica parece pertencer a um registo diferente da restante narrativa, quebrando o tom da mesma. Tendo em conta que os Dalton até nem são tão importantes assim para a forma como a narrativa se desenrola, até fica a ideia que estão ali mais por um motivo comercial, para agradar a antigos fãs da série. Mas o resultado é, pelo menos quanto a mim, o oposto. 

Em consequência, a narrativa revela ocasionalmente um certo caráter remendado. A sucessão de acontecimentos é suficientemente fluida para manter o interesse, mas falta-lhe talvez a força e a unidade dramática de O Homem que Matou Lucky Luke ou de Procura-se Lucky Luke. Não me interpretem mal: a obra continua a ser sólida e envolvente, e volta a estar entre os melhores desta coleção, porém fica um pouco - não muito - aquém dos álbuns anteriores de Bonhomme. 

Já graficamente, Matthieu Bonhomme volta a confirmar o enorme talento que o tem tornado  numa das vozes mais interessantes da banda desenhada franco-belga mais recente. O seu traço semi-realista afasta-se claramente do estilo original da série, mas preserva-lhe a essência. E acho que este equilíbrio não é nada fácil de conseguir. Requer muito talento e capacidade. Isto porque reconhecemos imediatamente Lucky Luke, apesar de praticamente todos os detalhes que compõem a personagem terem sido reinterpretados por Matthieu Bonhomme. E quão especial é esse feito? Trata-se de uma harmonia difícil entre fidelidade e reinvenção que o autor domina com grande habilidade.

A Longa Marcha de Lucky Luke, de Matthieu Bonhomme - A Seita
As paisagens nevadas constituem um dos grandes triunfos visuais do álbum. A vastidão dos espaços, o silêncio transmitido pelos cenários e a dureza das condições naturais criam uma atmosfera muito particular, simultaneamente bela e ameaçadora. E a opção de manter o vilão Ronald Cramp frequentemente oculto ou envolvido em sombras funciona igualmente bem, reforçando a sua dimensão quase misteriosa e ameaçadora. Em termos visuais, parece-me que Bonhomme continua a evoluir e, nesse ponto em concreto, este até pode ser o melhor dos seus Lucky Luke.

Já agora, permitam-me dizer ainda que o autor também é um excelente capista. Todas as capas dos seus livros de Lucky Luke têm sido espetaculares, e este A Longa Marcha de Lucky Luke não é exceção.

Quanto à edição, estamos perante mais um bom trabalho da editora A Seita. O livro apresenta capa dura brilhante, bom papel baço e um belo trabalho a nível de impressão, encadernação e acabamentos. No final do livro, há ainda um dossier de extras, com 10 páginas, que inclui esboços, estudos de capa e de pranchas, que são um deleite para observarmos. Tal como em edições anteriores, a loja Wook recebeu uma capa exclusiva - também ela muito bonita.

Em suma, A Longa Marcha de Lucky Luke é uma leitura muito recomendável, que confirma a qualidade da abordagem de Bonhomme à célebre personagem. Embora fique, na minha opinião, um pouco abaixo dos seus dois álbuns anteriores, continua a oferecer uma visão inteligente, pessoal e respeitosa do cowboy solitário que tantas gerações de leitores tem conquistado. Pela ambição temática, pela inegável qualidade gráfica e pela capacidade de dialogar simultaneamente com a tradição e com o presente, merece ser lido por toda a gente.


NOTA FINAL (1/10):
8.5





Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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A Longa Marcha de Lucky Luke, de Matthieu Bonhomme - A Seita

Ficha técnica
A Longa Marcha de Lucky Luke
Autor: Matthieu Bonhomme
Editora: A Seita
Páginas: 88, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 240 x 320 mm
Lançamento: Abril de 2026



quarta-feira, 24 de junho de 2026

A Seita edita novo "Lucky Luke" de Matthieu Bonhomme!



Já está disponível o mais recente livro de Lucky Luke, da coleção Lucky Luke Visto Por..., que a editora A Seita tem vindo a publicar em Portugal!

O novo título chama-se A Longa Marcha de Lucky Luke e volta a trazer-nos a interpretação do "cowboy que dispara mais rápido que a própria sombra" de Matthieu Bonhomme, autor que já nos deu os belíssimos Procura-se Lucky Luke e O Homem Que Matou Lucky Luke. Que são, aliás, os melhores álbuns da série, quanto a mim. Pelo que, não fosso negar, estou muito curioso para mergulhar nesta terceira aventura da personagem que Bonhomme arquiteta.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.
A Longa Marcha de Lucky Luke, de Matthieu Bonhomme

“Talvez ainda estejamos a tempo de salvar o nosso mundo!”

Uma aventura de Lucky Luke nas florestas geladas e percorridas por lobos do território Lakota, no norte da América, na companhia de um jovem rapaz, Nuvem-Vermelha… um western simultaneamente clássico e actual, que demonstra mais uma vez o virtuosismo gráfico de Matthieu Bonhomme! A edição portuguesa d’A Seita inclui um caderno de extras adicional.

Nascido em Paris, em 1973, Matthieu Bonhomme iniciou-se na BD como assistente de Christian Rossi, o extraordinário desenhador que substituiu Jean ‘Moebius’ Giraud como desenhador da série Jim Cutlass – o “outro” western a que o desenhador do Tenente Blueberry esteve ligado.

Grande fã do western, Bonhomme confessa que “aprendi a desenhar com Lucky Luke, série que foi um dos pilares da minha formação como leitor” e agarrou a possibilidade de escrever e desenhar uma aventura da sua personagem preferida sem hesitação, e produziu um dos mais aclamados álbuns do cowboy de Morris, “O Homem que Matou Lucky Luke”. Vencedor de vários prémios em Angoulême ao longo da sua carreira, Bonhomme voltou ao período do western com a sua série ‘Charlotte Imperatriz’, sobre a princesa belga que se tornou imperatriz do México em 1864, antes de assinar “Procura-se Lucky Luke”. 

Neste momento é de longe o mais popular e aclamado autor de homenagens a Lucky Luke, pelo que não se estranha que neste ano em que se festejam os 80 anos do cowboy que dispara mais rápido que a sombra, tenha regressado ao seu universo com eles “A Longa Marcha de Lucky Luke”.

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Ficha técnica
A Longa Marcha de Lucky Luke
Autor: Matthieu Bonhomme
Editora: A Seita
Páginas: 88, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 240 x 320 mm
PVP: 18,99€

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Análise: Lucky Luke - Dakota 1880

Lucky Luke - Dakota 1880, de Appollo e Brüno - A Seita

Lucky Luke - Dakota 1880, de Appollo e Brüno - A Seita
Lucky Luke - Dakota 1880, de Appollo e Brüno

Com já sete volumes editados até à data - e estando nós perto de vermos chegar um novo Lucky Luke por Matthieu Bonhomme - a verdade é que esta série Lucky Luke Visto Por... , que A Seita nos tem feito chegar, já apresenta um conjunto bastante interessante e alargado de obras e autores. Este Dakota 1880, com argumento de Appollo e ilustração de Brüno, é a mais recente entrada na coleção.

Eis-nos perante uma banda desenhada que revisita o imaginário do faroeste, e de Lucky Luke em particular, para nos contar uma história maior dividida em várias histórias mais curtas. E fá-lo abordando este ícone da banda desenhada mundial com respeito, inteligência e uma clara vontade de o compreender para lá da caricatura. 

Talvez por isso, este álbum não parece focado em tentar competir diretamente com a série canónica criada por Morris; antes, propõe-se a dialogar com ela, preenchendo lacunas, explorando silêncios e oferecendo uma leitura mais séria e madura de um herói que todos julgamos conhecer de cor e salteado.

Lucky Luke - Dakota 1880, de Appollo e Brüno - A Seita
Acontecendo, como o próprio título da obra indica, no ano de 1880 e nas terras áridas do Dakota, a narrativa acompanha Lucky Luke numa fase anterior àquela que o consagrou enquanto figura lendária do Oeste. Aqui, Lucky Luke ainda é um jovem que trabalha enquanto guarda de uma diligência que viaja até à Califórnia. Esqueçam os irmãos Dalton, o Rantanplan e até mesmo Jolly Jumper. Aqui, temos apenas Lucky Luke. Mas o cowboy não está só. São várias as personagens históricas que desfilam diante de si nesta viagem atribulada. Louis Riel, Annie Oakley, Paul V. Sullivan, John Arthur Cullingam, Curly Wilcox ou Baldwin Chenier são apenas algumas dessas personagens. É uma travessia física, mas também simbólica, em que o mito começa lentamente a ganhar forma.

A estrutura do álbum assenta em sete histórias curtas, inspiradas por relatos e personagens históricas reais. À primeira vista, esta opção episódica poderia sugerir uma leitura fragmentada, mas rapidamente se percebe que Appollo constrói algo mais ambicioso. Cada episódio acrescenta uma camada à personagem e ao contexto, funcionando como peças de um mesmo percurso narrativo, que ganha coerência e fôlego à medida que avançamos. E como são histórias que acontecem durante a viagem de diligência - ou, pelo menos, nos são contadas durante essa travessia -, há todo um fio condutor que granjeia dinâmica e unidade à soma do todo. Não estamos, portanto, perante uma antologia de histórias curtas sobre Lucky Luke. Não. Estamos perante uma história que se espraia por sete capítulos que, mesmo podendo parecer distantes entre si, contribuem para um todo. E esta opção narrativa é muito bem conseguida.

Lucky Luke - Dakota 1880, de Appollo e Brüno - A Seita
Há uma continuidade temática e emocional que liga todos estes diferentes encontros e situações, criando a sensação de estarmos perante uma única grande viagem, marcada por perigos, descobertas e pequenas epifanias. É nesse percurso que Lucky Luke começa verdadeiramente a tornar-se Lucky Luke.

Um dos aspetos mais interessantes do álbum é precisamente a forma como nos é revelada a origem da alcunha “Lucky”. Sem recorrer a grandes dramatismos ou explicações forçadas, Appollo integra esse momento na narrativa de forma orgânica, quase casual, mas suficientemente marcante para ganhar peso simbólico. Passando-se a ação no ano de 1880, fica claro que estas são as primeiras aventuras da personagem, ainda antes de Morris, o seu criador, nos ter dado a sua primeira aventura com Arizona.

O leque de personagens secundárias é outro dos pontos fortes da obra. Escravos libertos, mulheres determinadas, fotógrafos visionários, poetas e pistoleiros cruzam-se com Lucky Luke de forma episódica, mas nunca gratuita. Cada encontro serve para refletir uma faceta do Oeste americano e, ao mesmo tempo, para revelar algo do próprio protagonista, mesmo quando este permanece, como sempre, lacónico e reservado.

Lucky Luke - Dakota 1880, de Appollo e Brüno - A Seita
No campo gráfico, o trabalho de Brüno destaca-se pela sua aparente simplicidade. O seu traço linear, direto e em linha clara pode, à primeira vista, parecer minimalista, mas revela-se profundamente eficaz. Há uma elegância discreta no desenho, uma clareza narrativa que nunca distrai da história, antes a serve com rigor e contenção.

Não me é, pois, difícil imaginar este traço a ilustrar outras grandes séries clássicas da BD franco-belga. Imagino, por exemplo, Brüno a ilustrar com sucesso séries como Blake e Mortimer ou mesmo Tintin - caso fosse possível que outros autores ilustrassem histórias do famoso repórter, claro está.

E embora a abordagem estética contribua para uma (bem-vinda) atmosfera séria e quase melancólica do livro, também reconheço que pode parecer algo fria para alguns leitores. Especialmente para os fãs mais acérrimos da série canónica. As personagens surgem por vezes algo rígidas, com expressões contidas e gestos pouco expansivos. Ainda assim, tendo em conta o tom da narrativa, não considero que isso funcione necessariamente mal. Pelo contrário, essa contenção reforça a ideia de um Oeste duro, pouco dado a sentimentalismos, mas que, ao mesmo tempo, abre espaço para algumas paisagens idílicas.

Lucky Luke - Dakota 1880, de Appollo e Brüno - A Seita
E já que falo na componente séria deste Dakota 1880, permitam-me afirmar que é precisamente nesta abordagem mais séria e realista que, quanto a mim, este tipo de adaptações de Lucky Luke Visto Por... melhor funciona. Sempre que os álbuns da coleção tentam recuperar o humor da série canónica - e mesmo quando o conseguem pontualmente - acabam inevitavelmente por ser comparados com algo que dificilmente superam. O humor visual dos desenhos de Morris, bem como os argumentos divertidos de Goscinny - depois reproduzidos com maior ou menor sucesso por outros autores que se lhes seguiram, como Achdé nas ilustrações, e um conjunto alargado de argumentistas - raramente conseguem ser superados nos Lucky Luke Visto Por... que procuram ser humorísticos. Por outro lado, as abordagens mais sérias das duas adaptações assinadas por Matthieu Bonhomme e, agora, este Dakota 1880, permitem que esta iniciativa faça aquilo que deve fazer: humanizar a personagem e o seu universo, libertando-os para algo diferente. Dito por outras palavras, uma coisa é um músico tocar uma canção feita por outro músico, fazendo-o da forma mais parecida possível com o original. Outra coisa, mais interessante a meu ver, é um músico pegar na mesma canção e mudá-la completamente. É assim que nascem as verdadeiras homenagens. 

Lucky Luke - Dakota 1880, de Appollo e Brüno - A Seita
É que, ao optar por uma leitura mais madura, Dakota 1880 oferece-nos um Lucky Luke mais humano, mais vulnerável e, paradoxalmente, mais próximo do leitor. Não perde o estatuto de herói, mas ganha profundidade. Passa a ser alguém moldado pelas circunstâncias, pelos encontros e pela dureza do caminho, e não apenas um símbolo imutável.

Em termos de edição, voltamos a ter um bom trabalho d' A Seita. O livro apresenta capa dura brilhante, com bom papel baço no interior. A encadernação e a impressão são boas. No final, há ainda uma curiosa entrevista de duas páginas com Gustav Frankenbaum. Nota para a opção da editora em lançar a obra com uma capa alternativa - exclusiva da loja online Wook - e dois ex-libris: um para os 100 primeiros leitores que compraram o livro no site da editora, e outro para os primeiros 100 compradores da versão da Wook.

No balanço geral, Lucky Luke - Dakota 1880 é um belo livro e uma homenagem muito bem conseguida ao "cowboy que dispara mais rápido do que a própria sombra". Se excluirmos os álbuns de Matthieu Bonhomme - que considero os melhores desta coleção - Dakota 1880 é, muito provavelmente, o ponto mais alto de Lucky Luke Visto Por…. Não é um livro que seja uma obra prima, mas é uma obra bastante sóbria, bem pensada e carregada de bom gosto autoral. 


NOTA FINAL (1/10):
8.7



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Lucky Luke - Dakota 1880, de Appollo e Brüno - A Seita

Ficha técnica
Lucky Luke - Dakota 1880
Autores: Appollo e Brüno
Editora: A Seita
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 24,5 x 33 cms
Lançamento: Novembro de 2025

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Já saiu uma nova BD de Lucky Luke!


A editora A Seita acaba de lançar o seu novo livro de Lucky Luke!

Sendo já o 7º volume da coleção Lucky Luke Visto Por... que procura homenagear o célebre "cowboy que dispara mais depressa do que a sombra", este novo trabalho denomina-se Dakota 1880 e é da autoria da dupla formada por Appollo e Brüno.

Este é um livro que me está a deixar muito entusiasmado e com muita vontade de o ler. Não só porque aprecio a abordagem visual de Brüno, como me parece que esta ideia de contar uma viagem de Lucky Luke, através de 7 contos, independentes mas interligados, que ocorrem ainda durante a juventude de Lucky Luke, me parece muito interessante.

A ver vamos.

Chamo a atenção que esta edição inclui duas capas diferentes - sendo que uma deles é exclusiva da Wook - e dois ex-libris separados, um para os 100 primeiros compradores do livro no site da editora, e outro para os primeiros 100 compradores da versão da Wook.

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa da editora portuguesa e com algumas imagens promocionais da obra.


Lucky Luke: Dakota 1880, de Appollo e Brüno

Dakota, 1880. 

Acompanhado por Hank Bully e pelo jovem Baldwin, Lucky Luke acompanha uma diligência até à Califórnia. Uma viagem do norte ao oeste dos Estados Unidos, contada em sete histórias e outros tantos encontros. 

Escravos libertos, mulheres românticas ou impetuosas, um fotógrafo visionário, pistoleiros experientes, poetas e nativos americanos cruzam-se com Lucky Luke e os seus companheiros.

Antes de encontrar Jolly Jumper e defrontar os irmãos Dalton, Lucky Luke foi guarda de diligência e atravessou o Oeste, sobrevivendo a um enforcamento (o que lhe valeu a alcunha de “Lucky”).
Uma longa viagem, em que, além de índios e desperados, enfrentou a fúria da Natureza selvagem e encontrou personagens históricas como Louis Riel, Annie Oakley, os poetas Paul V. Sullivan e John Arthur Cullingam, o fotógrafo Curly Wilcox e o escritor Baldwin Chenier, cujos relatos inspiraram as sete histórias curtas deste livro, onde a História e a lenda se confundem, criadas pelo argumentista Appollo e pelo artista Brüno, duas importantes vozes da nova banda desenhada franco-belga, e que nos mostram um Lucky Luke na sua juventude, antes de ser o Luke que conhecemos, numa homenagem que nos apresenta um herói mais realista.

A Seita continua a sua colecção de homenagens Lucky Luke visto por... com o magnífico Dakota 1880, de Brüno e Appollo que recolhe sete histórias curtas de um jovem Lucky Luke, passadas imediatamente antes de Morris começar a contar as suas aventuras no álbum Arizona 1880, de 1946.

Uma recolha de sete histórias curtas, seguindo o modelo de Sept Histoires de Lucky Luke, álbum de Morris e Goscinny, de 1974, que reúne uma das mais prestigiadas duplas de autores da moderna BD franco-belga. 

A edição portuguesa d’A Seita, lançada em simultâneo com a edição francesa, conta com duas capas diferentes, uma delas exclusiva da Wook, e dois ex-libris separados, um para a edição normal, para os 100 primeiros compradores no nosso site, e outro para os primeiros 100 da versão da Wook.


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Ficha técnica
Lucky Luke: Dakota 1880
Autores: Appollo e Brüno
Editora: A Seita
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 24,5 x 33 cms
PVP: 18,99€

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Análise: Lucky Luke - Um Cowboy Sob Pressão


Lucky Luke - Um Cowboy Sob Pressão, de Achdé e Jul - ASA - LeYa
Lucky Luke - Um Cowboy Sob Pressão, de Achdé e Jul

Sou dos poucos leitores de Lucky Luke, creio, que não tem estado "zangado" com aquilo que os autores Achdé e Jul têm feito pela série há quase uma dúzia de álbuns. Concordo que a qualidade e inspiração dos mesmos, em termos de argumento, tem sido algo incerta, com altos e baixos, mas, de um modo geral, sou adepto (e agradecido até!) pelo trabalho de Achdé e Jul ao continuarem a dar vida a uma das séries mais emblemáticas da banda desenhada europeia, que é Lucky Luke. Originalmente criada por Morris e, numa segunda fase, muito bem desenvolvida por Goscinny, esta é uma série que moldou a minha vida e o meu gosto por banda desenhada desde a minha tenra infância. E podendo ser uma afirmação algo polémica, quiçá, até diria que coloco Lucky Luke à frente de séries tão célebres como Astérix ou Tintin (embora também as adore, claro está!).

Mas, como dizia, desde que Achdé e Jul se lançaram na nova série do "cowboy que dispara mais rápido do que a própria sombra", em As Aventuras de Lucky Luke Segundo Morris, o seu trabalho me tem deixado satisfeito. Não apaixonado, concedo, mas satisfeito.

E isso acontece porque me parece haver uma grande fidelidade de Achdé, nos desenhos, ao melhor momento de Morris; e de Jul aos mirabolantes e infinitamente criativos argumentos de Goscinny. Nem sempre Jul tem chegado ao nível de Goscinny, mas é provável que o seu melhor momento de aproximação seja mesmo neste Um Cowboy Sob Pressão. Se eu já estava satisfeito com os últimos álbuns, especialmente com Um Cowboy no Negócio do Algodão, fiquei extremamente bem impressionado com o mais recente álbum da série, lançado em Novembro último.

Lucky Luke - Um Cowboy Sob Pressão, de Achdé e Jul - ASA - LeYa
Começando pelos desenhos, o trabalho de Achdé volta a encantar-me, pois consegue o melhor de dois mundos: por um lado, é totalmente fiel ao trabalho de Morris, fazendo com que haja uma impressionante continuidade visual dentro da série clássica. Por outro lado, Achdé permite-se algumas modernidades visuais - chamar-lhe ia mesmo "melhorias" - que permitem que a planificação seja mais airosa e bela, com algumas ilustrações que fogem ao expectável e onde vislumbramos dinâmica e uma certa dose de poesia - como aquela constante na página 11 do livro, por exemplo. Em termos de desenho, só mesmo na componente da capa é que o livro ficou um pouco aquém do seu potencial, a meu ver. Não é que seja uma má capa, mas não tem o brio de outras com que Achdé já nos brindou.

Mas se o trabalho de Achdé convence desde o início da sua entrada na série, é Jul quem mais me deixou satisfeito com este que é o seu melhor argumento para Lucky Luke e que tem uma premissa divertida e original. 

A história arranca em Nova Munique, uma pequena vila em Dakota fundada por alemães, o que faz com que, tal como acontece em boa parte das cidades e localidades dos Estados Unidos, haja uma forte presença da cultura e costumes da nacionalidade do povo estrangeiro que colonizou as referidas terras. E se falamos de alemães, é quase impossível não falar de cerveja. E é essa a fonte de problemas com que Lucky Luke se vê confrontado assim que chega a Nova Munique.

Lucky Luke - Um Cowboy Sob Pressão, de Achdé e Jul - ASA - LeYa
A apreciada cerveja, que é produzida em grande quantidade naquela cidade, e que abastece a insaciável sede de muitos cowboys, está a parar de ser produzida devido à greve geral convocada pelos sindicalistas que, por arrasto, paralisa todas as unidades cervejeiras do país. Para resolver o problema, Lucky Luke ruma ao Milwaukee, a capital americana da cerveja. A ele juntam-se várias personagens novas divertidas e algumas por todos nós conhecidas, como os infames irmãos Dalton ou o "cão mais estúpido do que a própria sombra", Rantanplan.  

A premissa é divertida, mas é na forma como Jul consegue construir a narrativa, de um modo muito orgânico, com momentos cómicos não forçados que nos fazem sorrir, ao mesmo tempo que são tecidas algumas críticas sociais e paralelismos com a sociedade atual, que está o segredo para que este Um Cowboy Sob Pressão funcione tão bem e nos remeta para os melhores álbuns de Lucky Luke assinados por Goscinny. Não é que Jul tente algo de especialmente diferente. Pelo contrário, diria, o autor conseguiu repescar tudo aquilo que nos fez adorar as histórias mais clássicas de Lucky Luke - como o ritmo, o humor, as personagens impactantes, os bons jogos de palavras, a crítica social e a base histórica - de um modo pleno de graciosidade. Não é uma cópia do trabalho de Goscinny, é uma justa inspiração.

A edição da ASA acompanha o cânone da série: capa dura brilhante, com bom papel baço no interior do livro e um bom trabalho ao nível da impressão e da encadernação.

Em suma, este é provavelmente o melhor Lucky Luke feito por Achdé e Jul, com uma história interessante, divertida e sólida, em que encontramos ambos os autores a demonstrarem-se muito inspirados. Se há um bom livro, mais contemporâneo, capaz de introduzir os mais jovens à série Lucky Luke ou, paralelamente, se há um livro que pode (re)conquistar aquele público mais "zangado" com estas novas aventuras que procuram dar nova vida ao Lucky Luke de Morris e Goscinny, esse livro é mesmo este Um Cowboy Sob Pressão. Recomenda-se totalmente!


NOTA FINAL (1/10):
9.0


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Lucky Luke - Um Cowboy Sob Pressão, de Achdé e Jul - ASA - LeYa

Ficha técnica
Lucky Luke - Um Cowboy Sob Pressão
Autores: Jul e Achdé
Editora: ASA
Páginas: 48, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 298 x 228 mm
Lançamento: Novembro de 2024

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Análise: Lucky Luke - Os Indomados

Lucky Luke - Os Indomados, de Blutch - A Seita

Lucky Luke - Os Indomados, de Blutch - A Seita
Lucky Luke - Os Indomados, de Blutch

Depois de cinco álbuns lançados na coleção Lucky Luke Visto Por..., que tem como objetivo criar histórias com abordagens gráficas (e temáticas?) diferentes da série canónica Lucky Luke, foi a vez de nos chegar o sexto álbum desta coleção. Novamente editado em Portugal pela editora A Seita que, deste modo, igual o número de álbuns lançados no mercado franco-belga. Desta vez, a homenagem ao "cowboy que dispara mais depressa do que a própria sombra" chega-nos pelas mãos de Blutch, um autor já bastante veterano, com larga experiência na banda desenhada.

Devo dizer que esta é uma coleção que acarinho bastante, pois tem-nos dado abordagens bastante interessantes do célebre cowboy criado por Morris, sendo que, dessas várias abordagens, as do autor Matthieu Bonhomme, em O Homem Que Matou Lucky Luke ou em Procura-se Lucky Luke, são substancialmente melhores do que as restantes, quanto a mim.

Lucky Luke - Os Indomados, de Blutch - A Seita
Este Os Indomados, sendo um álbum bastante competente, acaba por ser um pouco "morno" em demasia, ressoando menos no leitor do que aquilo que seria conveniente. E talvez isso até seja consequência direta do facto de este ser o álbum que, dos seis da coleção, é o mais próximo da série clássica criada por Morris, em termos de desenho e história. Compreendo que esse sentimento de contenção criativa por parte de Blutch até lhe deu uma certa rede de segurança, mas, em contraponto, impede o álbum de ter mais personalidade e impacto. Parece uma pálida comparação ao Lucky Luke mais clássico. A meu ver, neste tipo de homenagens, ou bem que se faz igual, ou bem que se faz totalmente diferente. Aqui, Blutch não é audaz o suficiente para cortar com a série clássica, mas também não consegue ser próximo o suficiente da série clássica. Fica a "meio caminho" e, portanto, nem é "peixe" nem "carne". E foi isso que me deixou mais desiludido. Muito embora o álbum seja, repito, competente.

Mesmo assim, também admito perfeitamente que um fã da série clássica que não aprecia propriamente abordagens mais "fora da caixa", como as de Bonhomme ou, especialmente, a de Ralf König no seu Os Choco-Boys, possa até aceitar melhor esta alternativa mais "suave" de Blutch. Contrariamente, os leitores que apreciam reais "versões" e não tanto "emulações" da obra clássica, como é o meu caso, poderão ficar algo desiludidos com este livro.

Mas olhemos para a história que Blutch nos propõe:

Lucky Luke - Os Indomados, de Blutch - A Seita
Depois de entregar mais um criminoso ao xerife da localidade Rubbish Gulch, Lucky Luke depara-se com Rose, uma criança que o ameaça com uma arma de fogo. Esta menina não está só, está acompanhada pelo seu irmão Casper. Depois de mantidas as "rédeas curtas" destas crianças endiabradas, o protagonista procura entregá-las aos seus pais. Mas, chegados à cabana da família, Lucky Luke dá-se conta de que os pais de Rose e Casper desapareceram. E, mesmo contra sua vontade, vê-se forçado a fazer de "babysitter" destes miúdos, o que vai ser uma enorme e constante fonte de dores de cabeça e problemas. Não sendo uma premissa especialmente original - esta de uma personagem solitária e com poucos instintos paternais ter que lidar com crianças de outrem -, o resultado funciona bem e mostra-nos uma nova valência de Lucky Luke, se bem que também lembra a relação que o personagem teve com o ainda mais endiabrado Billy The Kid no álbum com esse mesmo título.

O enredo deste Os Indomados vai-se depois adensando com a introdução de outros familiares de Rose e Casper e com uma caça a um tesouro perdido pelo meio, que ajudam a que a história se vá enchendo de reviravoltas e dinâmica, bem ao jeito daquilo que Goscinny fez com Lucky Luke, mas sem a mesma inspiração ou humor. Há bons momentos humorísticos que nos arrancam um sorriso dos lábios, mas também há alguns momentos escusados ou mais desinspirados. Servir-se das personagens infantis para criar situações divertidas é um bom truque de Blutch, mas que se finda a ele mesmo ainda durante a primeira metade do livro.

Lucky Luke - Os Indomados, de Blutch - A Seita
Os desenhos do autor funcionam bem, apresentando opções cromáticas que aproximam o resultado final dos desenhos de Morris que tornaram a série célebre. A própria planificação, bastante clássica, homenageia a série original. Mais uma vez, os desenhos têm a sua própria personalidade, mas também não chegam a ser tão diferentes assim da série original. Em termos de expressividade, a ilustração das personagens é bem conseguida, com a exceção de alguns momentos onde as mesmas parecem demasiadamente inanimadas. Especialmente, ao nível dos olhos/olhares. Mesmo assim, e talvez pelo bom uso de cores, é um livro que acaba por (também) ser competente em termos visuais.

A edição d' A Seita está muito bem conseguida a vários níveis! O livro apresenta capa dura baça, tendo uma capa alternativa (muito gira!) exclusiva para a loja Wook. Além disso, a editora lançou uma edição limitada, que incluía um ex-libris e dois prints, numerados de 1 a 100. Se estas alternativas editoriais à obra são positivas, os editores também estão de parabéns por terem incluído no interior do livro um extenso caderno de extras, com 24 páginas, que conta com uma entrevista ao autor, uma biografia sobre o mesmo, ilustrações especiais e ainda vários esboços e estudos preparatórios com a planificação das páginas. 

Lucky Luke - Os Indomados, de Blutch - A Seita
Como cereja em cima do bolo, a edição portuguesa ainda inclui a história curta Pecos Jim, uma das primeiras bandas desenhadas de Blutch, publicada entre 1988 e 1990 na revista Fluide Glacial. Uma autêntica relíquia com cinco pranchas que enriquece ainda mais uma edição já de si rica. Tenho que dar os parabéns à Seita pelo excelente trabalho de edição neste livro. É este tipo de trabalho editorial que melhora a própria obra.

Em suma, Lucky Luke - Os Indomados é um álbum competente, mas que é demasiadamente comedido, perdendo o apelo que uma abordagem diferente a uma série tão emblemática como Lucky Luke poderia sugerir. Nota-se que há uma reverência humilde por parte de Blutch à série original e que o autor domina bem os códigos de Lucky Luke, resgatando personagens, situações e técnicas narrativas da série canónica, mas, quanto a mim, o álbum peca por querer ser demasiadamente "bem comportado". O que é, diga-se a título de curiosidade, uma própria incoerência se tivermos em conta que a história é sobre crianças rebeldes. Não é um livro minimamente mau, atenção, mas perdeu-se a oportunidade de fazer um álbum mais impactante.

NOTA FINAL (1/10):
6.7



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Lucky Luke - Os Indomados, de Blutch - A Seita

Ficha técnica
Lucky Luke - Os Indomados
Autor: Blutch
Editora: A Seita
Páginas: 72, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 215 x 285 mm
Lançamento: Setembro de 2024

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Primeiro álbum de Lucky Luke é finalmente editado em Portugal!




Chegou ontem às livrarias, com 75 anos de atraso, aquele que é o primeiro álbum da série Lucky Luke, originalmente lançado em 1949, e que, por incrível que pareça, nunca havia sido publicado em Portugal! Até agora!

Ainda antes de adquirir o aspeto que todos conhecemos, ou da entrada de Goscinny para o argumento da série, já existia o Lucky Luke de Morris. E é essa primeira versão em álbum que a editora ASA nos propõe agora.

Um achado para colecionadores, diria.

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa da editora e com algumas imagens promocionais.

Lucky Luke - A Mina de Ouro de Dick Digger, de Morris

Tendo o seu cavalo Jolly Jumper como único companheiro, “o homem que atira mais rápido que sua própria sombra” faz a ordem e a justiça reinarem em uma fantasia de Faroeste mil vezes mais real do que a realidade.

Perseguindo os terríveis irmãos Dalton ou cruzando-se com diversos personagens históricos, Lucky Luke faz-nos descobrir com bom humor o lado avesso da conquista do Ocidente. 

Nas livrarias a 19 novembro.

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Ficha técnica
Lucky Luke - A Mina de Ouro de Dick Digger
Autor: Morris
Editora: ASA
Páginas: 48, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 297 x 228 mm
PVP: 12,90€

terça-feira, 12 de novembro de 2024

Vem aí o novo Lucky Luke!


A editora ASA prepara-se para lançar, durante a próxima semana, o mais recente álbum de Lucky Luke.

O novo livro chama-se Um Cowboy Sob Pressão e tem argumento de Jul e ilustração de Achdé, como tem vindo a acontecer nos mais recentes álbuns da série.

O livro já se encontra em pré-venda no site da editora, mas deverá chegar às livrarias na próxima semana, a partir do dia 19 de Novembro.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Lucky Luke - Um Cowboy Sob Pressão, de Jul e Achdé

A atmosfera é sombria em Nova Munique, uma pequena vila em Dakota fundada por colonos alemães.

A razão? A escassez de cerveja causada pela greve geral que paralisa todas as cervejarias do país! 

Assim, Lucky Luke é chamado para o resgate, terá de ir a Milwaukee, a capital americana da cerveja, para aliviar as tensões entre os sindicalistas marxistas e os barões industriais. 

E se o nosso cowboy solitário já está dominado pelos espasmos do conflito social, isso sem contar com os Daltons que vêm se envolver no jogo.

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Ficha técnica
Lucky Luke - Um Cowboy Sob Pressão
Autores: Jul e Achdé
Editora: ASA
Páginas: 48, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 298 x 228 mm
PVP: 12,90€

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

A Seita lança novo Lucky Luke de autor!



Este já é o sexto álbum da coleção/série Lucky Luke visto por... editado em Portugal! Todos pelas mãos da editora A Seita que, desta forma, iguala o número de álbuns lançados no mercado franco-belga.

Desta vez, estamos perante a edição de Lucky Luke - Os Indomados, da autoria do veterano Blutch. 

Nota positiva para o facto de esta edição incluir um extenso caderno de extras (com 24 páginas, incluindo uma história adicional de Blutch e uma entrevista ao autor!), uma capa alternativa para a Wook e ainda uma edição limitada que inclui um ex-libris e dois prints, numerados de 1 a 100. Gosto quando as editoras se esforçam para tentar diferenciar os seus livros. É o caso.

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa da editora e com algumas imagens promocionais.



Lucky Luke - Os Indomados, de Blutch

Pobre cowboy solitário, longe do seu lar...

Para Lucky Luke, é o descanso. Uma última missão, e finalmente a paz... Pelo menos é nisso que acredita, antes de uma miúda obstinada o ameaçar com uma arma, gritando "Mãos para cima, coiote!" Lucky Luke vai descobrir que esta menina, Rose, vive sozinha numa cabana isolada com o seu irmão Casper, depois dos seus pais terem desaparecido.

Lucky Luke decide levá-los de volta ao xerife da cidade... Mas rapidamente percebe que até lá terá de brincar às "amas" com estas crianças particularmente endiabradas! Um papel totalmente inesperado para ele...

Blutch é um dos maiores nomes da banda desenhada franco-belga, vencedor do Grande Prémio da cidade de Angoulême, que cultiva uma visão algo alternativa e sonhadora na nona arte. 

Com este álbum, presta homenagem a uma das suas personagens preferidas, que o ajudou a definir-se como autor, numa história original e invulgar, em que o cowboy que “dispara mais depressa do que a sua própria sombra” é promovido a “cara pálida que atira primeiro e vê depois”!

Os Indomados é mais uma das homenagens a Lucky Luke, em que a Lucky Comics tem sido pródiga, e talvez uma das mais sensíveis e mais certeiras na sua vontade de reencontrar o espírito de Morris e dos álbuns originais da série, comparando com os outros álbuns da nossa colecção Lucky Luke visto por... 

Cheio de piscares de olhos aos livros de Morris e de Goscinny, e cheio de personagens divertidos, desde os dois endiabrados miúdos que vão tornar a vida de Lucky Luke infernal, aos xerifes mais preocupados com a burocracia e a papelada, passando pelo índio que rebaptiza o nosso herói e pelo gang de bandidos clássicos, este álbum é talvez o mais próximo dos originais, num desenho ao mesmo tempo clássico, mas subtilmente cheio do traço mais aventuroso de Blutch.

Blutch que admite ter colocado em cena os seus próprios filhos, incluindo o seu mais novo, autista, que inspira a desarmante personagem de Casper. Este é talvez um dos mais conseguidos álbuns de homenagem a Lucky Luke, por um dos grandes autores contemporâneos.

Como sempre, a nossa edição inclui um extenso caderno de extras, inédito na versão francesa, com esboços, exemplos de planificação, uma biografia e uma entrevista com o autor. Mais ainda, e de especial interesse para os fãs da Blutch (ou para aqueles que acabam de descobrir a sua obra), incluímos uma história curta de 5 páginas criada em 1989, de Pecos Jim, uma personagem de western, num episódio em que ele se encontra com um tal de... Luke, o Sortudo! Deste álbum fizeram-se duas edições distintas, uma normal, e uma com uma capa exclusiva da Wook, de 200 exemplares, 100 dos quais serão vendidos numa caixa que inclui um ex-libris e dois prints, numerados de 1 a 100.

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Ficha técnica
Lucky Luke - Os Indomados
Autor: Blutch
Editora: A Seita
Páginas: 72, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 215 x 285 mm
PVP: 17,90€