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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Análise: Batman - Grant Morrison - Volumes 4, 5 e 6


Batman - Grant Morrison - Volumes 4, 5 e 6, de Grant Morrison, Tony Daniel, Lee Garbett, Frank Quitely, Philip Tan, Cameron Stewart, Scott Kolins, Andy Kubert, David Finch, Andy Clarke e Chris Sprouse 

A Devir tem continuado ativa na edição de livros dedicados a Batman e, em particular, à saga desenvolvida por Grant Morrison. Hoje falo-vos dos três volumes mais recentes desta famosa run do autor.

E estes números 4, 5 e 6 que hoje vos trago representam uma fase particularmente ambiciosa da longa saga que o autor construiu para o Cavaleiro das Trevas. Depois dos acontecimentos de Batman R.I.P. e da aparente morte de Bruce Wayne em Crise Final, que fecham o 4º volume da saga, Morrison afasta-se deliberadamente da abordagem tradicional ao mito de Batman para explorar questões de legado, identidade e continuidade. O resultado é uma obra que continua a distinguir-se pela enorme densidade conceptual e pela capacidade de transformar décadas de histórias dispersas numa narrativa surpreendentemente unificada. Quer dizer, mais ou menos unificada. Porque embora haja um esforço hercúleo do autor em atar muitas das pontas soltas da célebre franquia, isso também acaba por ser feito à custa de uma densidade narrativa que, por vezes, pode ser assoberbante e desconexa. Mas já lá irei.

Antes disso, reconheço que grande parte do fascínio desta obra de Morrison reside precisamente na forma como o argumentista parece encarar Batman não como um único homem, mas como uma ideia, um conceito capaz de sobreviver à ausência do seu criador. Um homem pode morrer sem que a sua ideia morra, certo? E a substituição temporária de Bruce Wayne por Dick Grayson dá força a este ponto, revelando-se uma opção corajosa. Em vez de procurar um mero imitador de Batman, Grant Morrison explora como diferentes personalidades podem encarnar o mesmo símbolo sem que este perca a sua força.

Esta nova dinâmica ganha particular relevância através da relação entre Dick Grayson e Damian Wayne. Morrison já havia introduzido Damian nos primeiros volumes, mas é aqui que, quanto a mim, a personagem encontra verdadeiramente o seu espaço. A inversão dos papéis clássicos da dupla Batman e Robin, com um Batman mais leve e acessível a contracenar com um Robin agressivo, arrogante e imprevisível, dá-nos alguns dos melhores momentos dos três volumes.

Ao mesmo tempo, Grant Morrison continua a demonstrar uma impressionante capacidade para expandir o universo da série. Talvez até em demasia, diria eu. Gotham deixa de ser apenas uma cidade dominada pelo crime e transforma-se num palco onde coexistem conspirações seculares, organizações internacionais, vilões extravagantes e até mesmo algumas reflexões metafísicas sobre o próprio conceito de heroísmo. É um guisado com muitos ingredientes. 

Por esse motivo, nestes três volumes volta a consolidar-se, por um lado, aquela que considero ser a grande virtude da escrita de Morrison em Batman: a criação de um universo rico em camadas. Quase todas as personagens parecem possuir múltiplas dimensões, motivações contraditórias e ligações inesperadas a acontecimentos anteriores. Não existem apenas heróis e vilões. É este grau de complexidade que torna a leitura especialmente estimulante para quem aprecia narrativas mais exigentes.

Por outro lado, essa mesma complexidade constitui também o principal obstáculo da obra. Morrison parece por vezes tão fascinado pelas possibilidades do seu próprio universo que acaba por sacrificar a clareza narrativa. Existem momentos em que as histórias avançam através de associações simbólicas e referências internas que nem sempre produzem uma recompensa emocional proporcional ao esforço exigido ao leitor. Sim, se aquele que me lê procura mergulhar pela primeira vez em Batman, talvez os livros de Grant Morrison não sejam a melhor porta de entrada. Pelo contrário, considero que esta saga se destina bem mais ao fã mais conhecedor de Batman.

Esta sensação torna-se particularmente evidente na enorme quantidade de subtramas que atravessam os três volumes. Conspirações internacionais, identidades secretas, mistérios ligados a várias personagens, o regresso de Bruce Wayne, os planos de organizações criminosas e os conflitos familiares sucedem-se a um ritmo quase vertiginoso. Embora seja admirável a forma como Grant Morrison tenta articular todas estas peças, nem sempre é bem-sucedido.

Na verdade, uma das conclusões a que cheguei durante a leitura destes três livros é que quantidade de subplots nem sempre é qualidade de subplots. Algumas ideias parecem existir porque contribuem para a arquitetura geral do projeto de Morrison, mas não porque sejam verdadeiramente cativantes enquanto histórias autónomas. 

Ainda assim, é impossível não admirar a capacidade do autor para planear histórias a longo prazo. Elementos introduzidos centenas de páginas antes regressam com novo significado, personagens secundárias ganham importância inesperada e referências aparentemente insignificantes revelam afinal uma função precisa dentro do conjunto. E isso é riqueza narrativa, claro.

No plano gráfico, estes três volumes mantêm um nível qualitativo muito elevado. A alternância de artistas continua a conferir diversidade visual à série, mas sem comprometer muito a identidade global do projeto. Há um equilíbrio interessante entre espetacularidade, ação, atmosfera e caracterização das personagens. Sendo talvez injusto sublinhar o trabalho de alguns desenhadores - tendo em conta que todos eles são bons - tenho que referir que apreciei especialmente os contributos de Frank Quitely, pela conhecida originalidade do traço, e de Philip Tan, pela grandiosidade do seu desenho.

Em termos de edição, o trabalho da Devir está bastante bom em todos os livros. As capas são duras, com detalhes a verniz; o papel é brilhante e de bela qualidade; e a edição, impressão e acabamentos também são muito bons. No final do volume 4, há cinco capas alternativas e um texto que procura fazer um ponto de situação da história de Grant Morrison até esse ponto. Já nos volumes 5 e 6, o conteúdo extra ainda se torna mais interessante, com 10 páginas dedicadas a explicar-nos, por texto, o trabalho de prospeção e execução das capas, dos visuais das personagens, do desenho do batmobile, incluindo vários esboços e estudos. Belas edições.

Em suma, os volumes 4, 5 e 6 reforçam aquilo que já me parecia evidente nos livros anteriores: Grant Morrison criou uma das interpretações mais complexas, ambiciosas e intelectualmente estimulantes de Batman alguma vez publicadas. Contudo, também permanece a sensação de que, por vezes, o autor se deixa seduzir em demasia pela complexidade da sua própria construção. Nem todas as subtramas justificam o espaço que ocupam e nem todos os mistérios possuem um desfecho à altura das expectativas criadas. Ainda assim, mesmo quando tropeça nos seus próprios excessos, Morrison continua a oferecer uma visão singular e fascinante de Batman que vale a pena conhecer.


NOTA FINAL (1/10):
8.2


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Fichas técnicas
Batman - Grant Morrison - Volume 4
Autores: Grant Morrison, Tony Daniel e Lee Garbett
Editora: Devir
Páginas: 176, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27 cms
Lançamento: Outubro de 2025


Batman - Grant Morrison - Volume 5
Autores: Grant Morrison, Frank Quitely, Philip Tan e Cameron Stewart,
Editora: Devir
Editora: Devir
Páginas: 152, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27 cms
Lançamento: Fevereiro de 2026


Batman - Grant Morrison - Volume 6
Autores: Grant Morrison, Cameron Stewart, Tony Daniel, Frank Quitely, Scott Kolins, Andy Kubert, David Finch, Andy Clarke e Chris Sprouse 
Editora: Devir
Páginas: 188, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27 cms
Lançamento: Abril de 2026

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Lançamento: Novos X-Men Vol. 3 - Ómega




Já está nas bancas o novo álbum da saga Novos X-Men, de Grant Morrison e que é acompanhado por nomes de peso da ilustração.

Abaixo fiquem com a nota de imprensa e com as imagens promocionais.

Novos X-Men Vol. 3 - Ómega, de Grant Morrison, Frank Quitely, Keron Grant, Phil Jimenez e Chris Bachalo

Uma das melhores séries de sempre dos X-Men está de volta, neste terceiro volume cheio de acção e revelações que te irão surpreender. Vindos da imaginação de Grant Morrison, este tomo tem na arte nomes não menos fabulosos como Frank Quitely, Keron Grant, Phil Jimenez e Chris Bachalo.

O Instituto do Professor Xavier é um santuário, um lar para jovens mutantes oprimidos por um mundo que não os compreende. Mas o inimaginável acontece quando um dos alunos assume o nome de Kid Ómega, e decide conquistar a escola. Entretanto, a relação entre Emma e Ciclope ameaça causar mais uma fenda profunda entre mutantes, que irá ameaçar os X-Men. Mutante contra mutante numa explosão de violência... poderá a escola sobreviver? 

Na segunda parte desta saga, Wolverine, Ciclope e o enigmático mutante conhecido como Fantomex viajam para o outro lado do mundo à procura da chave para o seu passado, e da revelação dos segredos mutantes. Mas o que irão encontrar no interior do misterioso e letal programa Arma X será bem mais assustador do que os seus piores pesadelos.

Por vezes, os maiores inimigos dos mutantes são... outros mutantes!

Este é o terceiro volume que colecta toda a fase escrita por Grant Morrison, em quatro edições de luxo de capa dura e formato prestige.

Os Novos X-Men, foi uma das sequências mais inovadoras na história dos X-Men de uma forma que nunca mais foi replicada. A série renovou quase tudo sobre a equipa dos super-heróis mutantes mais famosos da Marvel, desde os seus uniformes até seu status público, e introduziu uma série de novas ideias que a franquia explorou a partir de então. 

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Ficha técnica
Novos X-Men Vol. 3 - Ómega
Autores: Grant Morrison, Frank Quitely, Keron Grant, Phil Jimenez e Chris Bachalo
Editora: G. Floy
Páginas: 304, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: €30

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Lançamento: Novos X-Men Vol. 2 - Império



Já há alguns dias que se encontra nas bancas o segundo volume de NOVOS X-MEN, a grande saga de Grant Morrison, uma das mais importantes histórias dos mutantes da Marvel de sempre que é editada em Portugal pela G. Floy. 

A editora esclarece que o livro estará em bancas até ao dia 23 de Agosto.

Abaixo, fiquem com a nota de imprensa e imagens promocionais.


Novos X-Men Vol. 2 - Império, de Grant Morrison e Frank Quitely

O MUNDO ESTÁ A MUDAR... E VAI PRECISAR DOS X-MEN!

Cada vez surgem mais mutantes em todo o mundo, nas cidades, nos desertos, nas selvas. E vão precisar de professores, de mentores, de pessoas que consigam ajudá-los a ultrapassar o seu medo e a sua cólera, e mostrar-lhes como usar os seus estranhos talentos de maneira responsável. Mas o maior mentor dos mutantes, o Professor X, está em coma, a morrer, preso no corpo arruinado da sua irmã gémea maléfica... Cassandra Nova possuiu o corpo de Xavier e fugiu em direcção às estrelas, depois da sua confrontação inicial com os X-Men. E agora, uma das mais poderosas mentes mutantes telepatas de sempre vai regressar à Terra - com o poder inteiro do império Shi’ar a apoiá-la!

Conseguirão os X-Men deter o seu assalto, quando nem um império interestelar o conseguiu?

O segundo volume de Novos X-Men resolve dois grandes arcos de história da saga de Grant Morrison, por um lado o conflito com Cassandra Nova, a irmã gémea do Professor Xavier, com um final surpreendente e que terá importantes consequências para o resto da história dos X-Men, e por outro, inicia uma nova sequência narrativa focada na Corporação X e nas suas actividades pelo mundo em prol dos mutantes, com a introdução de uma das personagens mais inovadoras (e populares) da série, o mutante renegado Fantomex. É, portanto, um volume chave da saga, mas queremos também chamar a atenção para um capítulo intermédio, que serve de transição entre os dois arcos de história, e que é talvez um dos mais belos capítulos soltos dos X-Men de sempre: a história Sobre Viver e Sobre Morrer (correspondente a New X-Men #127). 

Desenhado por John Paul Leon (com arte-final de Bill Sienkiewicz), este interlúdio foca-se em Xorn, o novo mutante introduzido anteriormente, e é uma reflexão profunda sobre os mutantes e a ideia da “alteridade” no meio da vida normal, e uma reflexão “metatextual” sobre este género de super-heróis, na medida em que mergulha fundo e de maneira realística nas desvantagens dos poderes mutantes, sobretudo daqueles poderes sem grande utilidade prática: poderes meio inúteis, ou nojentos, ou simplesmente inexplicáveis... Como é que as pessoas lidam com a existência dessas “diferenças” incompreensíveis no meio da sua sociedade, como evitam “desumanizar” esses mutantes ainda mais? Morrison está aqui no auge da sua escrita, numa pequena história ao mesmo tempo poética e filosófica, que inova conceptualmente em muito do que é a ideia do mutante no universo Marvel. E mais, chamamos a atenção dos leitores para os diálogos entre Xorn e o Prof. Xavier, já que estão cheios de um potencial terrível quanto ao futuro da saga, como veremos mais tarde! Mas por enquanto, realçamos esta história deste volume, um momento de transição com um desenho excelente e distinto do resto, uma pausa de inteligência e imaginação ainda maiores do que aquelas a que Morrison nos habituou na sua escrita.

Reúne os títulos New X-Men #122-133.

Ficha técnica
Novos X-Men Vol. 2 - Império
Autores: Grant Morrison e Frank Quitely
Editora: G. Floy
Páginas: 304, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 30€