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quarta-feira, 30 de julho de 2025

TOP 10 - A Melhor BD lançada pela Arte de Autor nos últimos 5 anos!

TOP 10 - A Melhor BD lançada pela Arte de Autor nos últimos 5 anos!


Se ontem vos falei da melhor banda desenhada editada pela Ala dos Livros, hoje falo-vos daquela que considero ser a melhor banda desenhada editada pela Arte de Autor nos últimos 5 anos, a partir de 2020, em tom de celebração pelos 5 anos de existência do Vinheta 2020.

Não são muitos os anos, mas são muitos os lançamentos de boa banda desenhada por cá, o que dá eco à ideia, que eu subscrevo, que a edição de banda desenhada em Portugal vive um dos seus melhores períodos de sempre... se não for o melhor.

Já escrevi isto ontem, mas deixo novamente aqui esta informação, para o caso de ser o primeiro destes artigos que o leitor desta página encontra:

Convém relembrar que este conceito de "melhor" é meramente pessoal e diz respeito aos livros que, quanto a mim, obviamente, são mais especiais ou me marcaram mais. Ou, naquela metáfora que já referi várias vezes, "se a minha estante de BD estivesse em chamas e eu só pudesse salvar 10 obras, seriam estas as que eu salvava".

Faço aqui uma pequena nota sobre o procedimento: considerei séries como um todo e obras one-shot. Tudo junto. Pode ser um bocado injusto para as obras autocontidas, reconheço, e até ponderei fazer um TOP exclusivamente para séries e outro para livros one-shot, mas depois achei que isso seria escolher demasiadas obras. Deixaria de ser um TOP 10 para ser um TOP 20. Até me facilitaria o processo, honestamente, mas acabaria por retirar destaque a este meu trabalho que procura ser de curadoria. Acabou por ser um exercício mais difícil, pois tive que deixar de fora obras que também adoro, mas acho que quem beneficia são os meus leitores que, deste modo, ficam com a BD que considero ser a "crème de la crème" de cada editora.

Feita a introdução, passemos então àquela que considero como a melhor BD lançada pela Arte de Autor nos últimos 5 anos. Chamo a atenção para o facto de eu considerar que fará sentido fazer um TOP dedicado aos lançamentos que a Arte de Autor fez em conjunto com a editora A Seita. Mas isso ficará para outro dia. Como tal, as obras lançadas em conjunto pelas duas editoras não foram tidas em conta para este TOP.

Por agora, centremo-nos no TOP dedicado aos livros exclusivamente editados pela Arte de Autor.

Ora vejam:

quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Análise: Bouncer #12 - Hecatombe

Bouncer #12 - Hecatombe, de Alejandro Jodorowsky e François Boucq - Arte de Autor

Bouncer #12 - Hecatombe, de Alejandro Jodorowsky e François Boucq - Arte de Autor
Bouncer #12 - Hecatombe, de Alejandro Jodorowsky e François Boucq

Em sentido contrário a diversos heróis do faroeste que a banda desenhada nos deu, com as séries de Blueberry ou Tex a serem as que mais me veem à memória neste ponto, Bouncer sempre primou por tentar ser, com sucesso, o oposto a esse western limpinho, onde os bons são sempre muito perfeitos e onde vence sempre o bem. Não tenho nada contra esse tipo de história mais clássica, atenção, mas a verdade é que a exigência de uma história mais adulta, com vários níveis de interpretação e onde a ação é mais crua e menos "hollywoodesca", vai muito mais ao encontro do que, pelo menos na atualidade, procuro numa história. E não falo apenas de histórias do faroeste. Falo de qualquer tipo de história.

Bouncer mostra-nos o lado mais negro, mais sujo, mais velhaco, mais ingrato, mais chocante do antigo faroeste. E mesmo sendo verdade que o protagonista da série, Bouncer, se reja por um quadro de princípios éticos que até podemos considerar – pelo menos grande parte – como corretos à luz da justiça e da retidão, tudo o que acontece em Barro City, a cidade onde se desenrola a ação, põe em causa qualquer tipo de moralidade e bem que poderíamos esperar. Bouncer não nos dá uma visão positiva das coisas, opta por nos dar uma verdade gutural e amarga. E, por tudo isso, quer-me parecer, talvez seja mais verossímil do que a maioria de todos os outros westerns – e não são tão poucos assim – que há em banda desenhada.

Bouncer #12 - Hecatombe, de Alejandro Jodorowsky e François Boucq - Arte de Autor
Este Bouncer, que a Arte de Autor publicou por cá há algumas semanas, já é o 12º volume tomo da série e assinala o regresso de Jodorowsky à escrita do argumento. Com muita satisfação vos digo que há muitos anos que não lia um argumento do autor franco-chileno que considerasse tão bem equilibrado e que me enchesse tanto as medidas. Este é, afinal de contas, pelo menos para os meus gostos, um autor algo "bipolar", pois consegue o melhor e o pior. Como tal, sempre que me aproximo de um livro do autor, engulo em seco, desejando o melhor, mas preparando-me para o pior. Aquela tendência que o autor foi sedimentando de colocar as suas personagens em situações extremas, mais para chocar o leitor do que em prol de uma boa construção narrativa, aliada à vertente metafísica das suas histórias, que sempre me pareceu algo gratuita e vaga em demasia, deixa-me por vezes desapontando.

No entanto, e é por isso que toco no assunto, em Hecatombe, Jodorowsky aparenta estar no pleno das suas capacidades. Esta é uma história verdadeiramente down to earth, sem que haja espaço para desvarios narrativos. Bem, em boa verdade, bem próximo do final da história, Jodorowsky parece não ter resistido a uma certa divagação metafísica que, quanto a mim, até acaba por ser o lado menos bom deste livro. Mas, tirando esse pequeno (grande) detalhe, que não aprofundarei para não estragar a surpresa a ninguém, Jodorowsky revela-se bastante contido, com uma trama bem montada, terra-a-terra, que vai crescendo em interesse e impacto para o leitor.

Bouncer #12 - Hecatombe, de Alejandro Jodorowsky e François Boucq - Arte de Autor
Aprofundando a história de Hecatombe, a mesma segue a linha narrativa dos tomos anteriores, intitulados O Ouro Maldito e O Espinhaço de Dragão – embora não seja obrigatório que tenhamos lido esses tomos para bem compreender este 12º volume – em que Bouncer se viu a braços com um enorme tesouro em lingotes de ouro. Com efeito, Bouncer e a sua trupe depositaram o ouro de origem mexicana no banco de Barro City. Mas, expetavelmente, todo aquele tesouro, embora guardado por um forte e moderno cofre, desperta a cobiça alheia. E não é, portanto, de admirar que comecem a chegar à cidade muitas pessoas – algumas da pior espécie – com intenções algo dúbias, embora ocultas.

Um dia, o ouro desaparece do cofre sem deixar qualquer rastro, sem que se oiça um único tiro e sem que tenha havido, sequer, arrombamento do cofre. Como terá isto acontecido? Jodorowsky brinca muito bem com o leitor, sugerindo-lhe um caminho de interpretação para, logo a seguir, mostrar-lhe que as coisas não são o que parecem.

E como resultado do roubo do dinheiro, a cidade torna-se ainda mais violenta, com a multidão à procura de um bode expiatório para tão enigmático roubo.

Apetecia-me falar das interessantíssimas e bem desenvolvidas personagens que entram neste Hecatombe, mas opto por não o fazer, para não desvendar mais do que pretendo em relação à história. Posso, no entanto, dizer que são personagens cheias de carisma e que sabem ser más e astutas, elevando o enredo em termos de qualidade. E, claro, há um grande número de momentos trágicos, com várias baixas importantes. O que seria de prever se pensarmos em como hostil e violenta esta história consegue ser. Uma autêntica “hecatombe”, portanto.

Bouncer #12 - Hecatombe, de Alejandro Jodorowsky e François Boucq - Arte de Autor
Falando das ilustrações, acho que, se tenho que dar mérito à crueza com que Jodorowsky arquiteta esta história, também tenho que prestar louvores à forma como François Boucq dá vida, forma e cor a este faroeste sujo, agreste, inóspito e tantas vezes desumano. É algo que já vimos nos tomos anteriores, sim, e talvez por esse motivo, não surpreende particularmente (nem desilude) os que já conhecerem a série. Ainda assim, diga-se que o início da história, marcado pela chuva torrencial que jorra nas ruas de Barro City, é verdadeiramente genial. O autor consegue transportar-nos para aquele ambiente vívido e carregado de lama. Sem prados belos ou montanhas floridas porque o "verdadeiro faroeste" era assim mesmo: vazio, badalhoco e cheio de pó e lama.

E, claro, o desenho das personagens – algumas delas com uma fealdade que encaixa perfeitamente na personalidade das mesmas – é verdadeiramente soberbo. E também a nível de cores este é um belo álbum, com as mesmas a darem a cada uma das cenas o ambiente cromático que era necessário.

Quanto à edição da Arte de Autor, estamos perante mais um bom trabalho de edição, sem algo de negativo a apontar. O livro apresenta capa dura brilhante, bom papel brilhante e uma boa impressão e encadernação. Nota positiva para o facto deste volume ter sido lançado em simultâneo com a edição francesa. É sempre bom quando estamos alinhados com a atualidade de lançamentos em mercados estrangeiros.

Em suma, este Bouncer #12 é o regresso em grande de um dos melhores westerns em banda desenhada! Sendo a série que é, já estava à espera de algo bom, mas não esperava que fosse tão bom! História e ilustrações caminham de mãos dadas para nos dar um dos mais maduros e bem concebidos tomos de toda a série. E, por conseguinte, de todos os westerns em BD, uma vez que coloco esta série bem lá em cima, entre as melhores das melhores bandas desenhadas com o tema do faroeste como pano de fundo. Numa palavra: fantástico!


NOTA FINAL (1/10):
9.6



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Bouncer #12 - Hecatombe, de Alejandro Jodorowsky e François Boucq - Arte de Autor

Ficha técnica
Bouncer #12 - Hecatombe
Autor: Alejandro Jodorowsky e François Boucq
Editora: Arte de Autor
Páginas: 144, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 23,2 x 31 cm
Lançamento: Novembro de 2023

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Arte de Autor prepara-se para lançar o novo Bouncer!


A Arte de Autor prepara-se para lançar o novo livro da aclamada série Bouncer! E, desta vez, temos o autor Alejandro Jodorowsky a regressar à série para assumir o argumento deste 12º volume, intitulado Hecatombe.

Como não podia deixar de ser, as ilustrações estão a cargo de François Boucq.

Estou muito contente, pois esta é das minhas séries western preferidas! 

O livro deverá chegar às livrarias a partir do próximo dia 3 de Novembro. Note-se que o álbum é lançado em simultâneo com a edição francesa, coisa que merece sempre os meus louvores.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.
Bouncer #12 - Hecatombe, de Alejandro Jodorowsky e François Boucq

QUANDO A FEBRE DO OURO SE APODERA DE BARRO CITY!

Há dias que chove torrencialmente em Barro-City. Os caminhos que levam ao banco são apenas lamaçais. Foi lá que Bouncer e os seus amigos depositaram o ouro mexicano que trouxeram dos confins do Deserto de Sonora. 

Mas os lingotes armazenados ali despertam a cobiça. Não só a cidade está inundada, como todo o tipo de bandidos e de canalhas da pior espécie chegam de toda a parte, prontos para fazer qualquer coisa para se apropriar desse ouro.
Entre eles, um grupo de ladrões tão espertos quanto implacáveis criaram um engenhoso projecto de roubo para se apoderar do saque. Quando o coronel Carter chega com os seus homens para garantir a segurança do ouro, o prefeito espera um retorno à calma, mas a situação piora quando os lingotes desaparecem como por um passe de mágica.

No entanto, o cofre vazio está intacto! A tensão está no auge. Numa cidade em que a multidão se deleita com julgamentos sumários e linchamentos, as vítimas colaterais serão numerosas e as aparências são muitas vezes enganadoras. O êxtase do ouro gera a pior das violências e a cidade poderia desaparecer rapidamente num dilúvio de fogo e sangue.

Pode ser que esse ouro amaldiçoado leve Bouncer para muito mais longe do que ele gostaria, por um caminho funesto e selvagem de coragem e morte.

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Ficha técnica
Bouncer #12 - Hecatombe
Autor: Alejandro Jodorowsky e François Boucq
Editora: Arte de Autor
Páginas: 144, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 23,2 x 31 cm
PVP:31,00€

sábado, 20 de fevereiro de 2021

Análise: Bouncer – O Ouro Maldito e O Espinhaço de Dragão

Bouncer – O Ouro Maldito e O Espinhaço de Dragão, de Boucq - Arte de Autor

Bouncer – O Ouro Maldito e O Espinhaço de Dragão, de Boucq - Arte de Autor
Bouncer – O Ouro Maldito e O Espinhaço de Dragão, de Boucq

Esta obra, editada pela Arte de Autor em 2018, reúne os dois últimos tomos desta série, cujo universo e personagens foram criados por Alejandro Jodorowsky e François Boucq. É uma série já com uma longevidade considerável que muito aprecio. E daquelas em que mesmo os leitores de banda desenhada que, normalmente, não apreciam o género western, (até) podem ficar fãs da série. Há fortes probalidades de que isso aconteça, pelo menos. Mas o factor mais assinalável neste álbum duplo, que congrega duas histórias, nomeadamente, O Ouro Maldito e O Espinhaço de Dragão é que, pela primeira vez, Jodorowsky não participa como argumentista, tendo o argumento ficado também a cargo de Boucq.

Se há elementos comuns a esta série é que estamos perante um argumento espetacularmente bem pensado por Jodorowsky. Já li muitas obras do autor e, não raras vezes, e ao contrário de uma grande quantidade dos seus fãs, acabo desiludido com o trabalho do autor. E digo isto porquê: parece-me que o autor tem uma grande facilidade em se deixar levar pelas suas ideias, por vezes boas, por vezes “espatafúrdias”, perdendo a noção da própria história. Já quando analisei o interessantíssimo segundo volume de Os Cavaleiros de Heliópolis, do mesmo autor, referi isso. Despejar ideias avulsas numa só mesma narrativa não traz, por si só, a garantia de um bom argumento. Pelo menos, na minha opinião. Uma coisa é ser-se criativo – ter-se muitas ideias. Outra coisa é ser-se um BOM criativo – ter-se muitas e BOAS ideias. Nem sempre Jodorowsky encaixa neste segundo grupo, a meu ver. E digo-o sabendo que, possivelmente, estarei a chocar muitos fãs do autor. Eu sou fã de algumas coisas do autor. E Bouncer é seguramente uma dessas coisas. Se não for mesmo a minha preferida. Acho que tudo aquilo que esta série tem – a violência, as mutilações, o conjunto muito bem equilibrado de personagens marcantes, o sexo, o desfile de aberrações, a componente mística – contribui para que a história seja um bom guisado de coisas que se tornam inolvidáveis para o leitor. É interessante, divertido, marcante, chocante e repugnante ler Bouncer. O mais difícil mesmo é ficarmos indiferentes. Ou amamos ou simplesmente não é a nossa cup of tea.

Bouncer – O Ouro Maldito e O Espinhaço de Dragão, de Boucq - Arte de Autor
E claro que, fãs da série como eu, podem ter torcido o nariz quando souberam que este álbum duplo – que abre e fecha um arco em si mesmo – não tinha Jodorowsky como argumentista. Mas não há razões para alarme. Boucq dá conta do recado. Tenho lido alguns comentários espalhados pela internet – quer em sites portugueses, quer em sites estrangeiros – que afirmam que esta história é “fraquinha” ou que não está ao nível das anteriores. Não concordo. Mesmo que possa não ser a minha favorita, acho que é justo dizer que está ao nível das anteriores. A enorme qualidade da série mantém-se lá.

Enquanto argumentista, Boucq foi inteligente. Para além do óbvio protagonista Bouncer, o cowboy maneta, o autor soube pegar em personagens já conhecidas e bem desenvolvidas da série como Yin Li, Job, Panchita e Blabbermouth e introduzir um conjunto de novas personagens marcantes, como o infame El Cuchillo, a muito obesa Condessa Esperanza, o cadavérico Skull e o aventureiro Capitão Ledrillant. Isto já para não falar da tribo das índias amazonas que assassinam, de forma mais do que violenta, todo e qualquer homem com quem se cruzam depois de, naturalmente, o obrigarem (à força) a engravidar uma das suas índias, de forma a assegurar as novas gerações da tribo, sem homens. Ou seja, por todos estes elementos, já se torna óbvio que este álbum de Bouncer navega em águas conhecidas.

Bouncer – O Ouro Maldito e O Espinhaço de Dragão, de Boucq - Arte de Autor
No entanto, Boucq consegue transformar esta história em algo mais terra-a-terra. Menos “louco” do que os antigos álbuns de Bouncer. Dizer isto não é dizer que não há aqui espaço para todos os elementos, já assinalados por mim, característicos da série. Claro que os há. No entanto, parece ser uma história mais sensata, de forma geral, em que há uma demanda mais clássica no género western.

Em termos de história, tudo começa quando a filha do relojoeiro de Barro City aparece morta e sem escalpe. E, desde cedo, Bouncer percebe que esse foi um asssassinato equivocado. Alguém procurava Panchita, cuja tatuagem parece assinalar um mapa para um tesouro maldito. É por isso que El Cuchillo rapta Panchita. E Bouncer, que tinha prometido olhar sempre pela sua protegida, parte então no encalço do raptor, que se faz acompanhar por uma enorme e obesa mulher – a Condessa Esperanza. Pelo caminho, acontecem vários eventos marcantes e voltas e reviravoltas.

Devo dizer que é uma história muito bem pensada e desenvolvida. O início até arranca com alguma lentidão mas acaba por ser importante para que Boucq aproveite para traçar bem a história, apresentar os seus novos personagens, e deixar o leitor sem grandes respostas acerca daquilo que vai acontecer adiante. E isso é muito bom. Quanto ao segundo tomo, já nos encontramos mais a acompanhar os desenvolvimentos da demanda de todas as personagens. É também onde há mais ação e onde a história se torna, a meu ver, mais linear. Mais focada no objetivo. Não é tão inspirada como a primeira parte da história mas também não desilude.

Bouncer – O Ouro Maldito e O Espinhaço de Dragão, de Boucq - Arte de Autor
De forma global, talvez este díptico seja mais terra-a-terra do que os outros volumes, com Jodorowsky. Talvez não tenha tanta violência (mas tem-na, ainda assim); talvez não tenha tanto misticismo (mas tem-no, ainda assim); talvez não tenha personagens tão chocantes (mas tem-nas, ainda assim); talvez não tenha tantas cenas de mutilações (mas tem-nas, ainda assim); nem tantas cenas de sexo (mas tem-nas, ainda assim). Ou seja, parece um Bouncer mais adulto e menos chocante. Uns acharão que ficou mais “chato”, outros acharão que ficou mais “maduro”. No meu caso, não sendo o meu Bouncer favorito, não deixa de ser um livro magnífico e que não mancha – em nada – esta fantástica série.

Quanto à arte, estamos perante mais uma obra de excelente qualidade por parte de Boucq (haverá alguma que não tenha qualidade?). O seu estilo é muito próprio e até admito que não seja do fácil agrado de todos. Lembro-me que, no meu caso, quando conheci pela primeira vez a arte do autor, há já largos anos, até não gostei muito. No entanto, é um estilo de arte que “primeiro estranha-se e depois entranha-se”. Hoje em dia, considero-o um autêntico mestre do desenho. Neste álbum de Bouncer as suas qualidades inegáveis mantêm-se bem presentes. Devo dizer, todavia, que não é dos melhores álbuns em termos de arte ilustrativa. E talvez isso se justifique pela abundância de cenas no deserto branco que levam a uma aridez demasiado pobre em termos visuais. Também certas cenas me pareceram um pouco rabiscadas demais, com pouco polimento gráfico – mesmo tendo em conta o estilo de ilustração do autor. São pequenas “queixas” ainda assim, porque, afinal de contas, continua a ser um livro muito bem ilustrado por Boucq.

Bouncer – O Ouro Maldito e O Espinhaço de Dragão, de Boucq - Arte de Autor
A edição da Arte de Autor é mais do que apetecível. A encadernação deste álbum em grande formato é excelente, com bom papel e um bom tratamento gráfico. Como nota menos positiva, achei o tipo de letra das legendas ligeiramente difícil de ler. Para comparar, fui ver o álbum anterior da editora, Bouncer - To Hell And Back e, embora o tipo de letra me pareça o mesmo, fico com a ideia que se lê melhor. Como se, nesse caso, as letras estivessem mais bem impressas que neste O Ouro Maldito e O Espinhaço de Dragão. É apenas um detalhe mas fez-me alguma confusão. Ou então sou eu que já estou a ficar um pouco “pitosga”.

Em conclusão, este Bouncer dá-nos mais uma fantástica aventura do cowboy maneta mais famoso de sempre. Com Boucq a assumir o papel de argumentista, para além do de ilustrador, posso dizer que os fãs da série não deverão ficar desiludidos e que, por ventura, a série até pode conquistar alguns interessados em western que, normalmente, não têm muita paciência para as excentricidades de Jodorowsky. Seja como for, não há como fugir a isto: Bouncer é dos meus westerns favoritos. E recomendo-o até àqueles que não gostam de obras deste género.


NOTA FINAL (1/10):
8.9


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Bouncer – O Ouro Maldito e O Espinhaço de Dragão, de Boucq - Arte de Autor

Ficha técnica
Bouncer – O Ouro Maldito e O Espinhaço de Dragão
Autor: François Boucq
Editora: Arte de Autor
Páginas: 164, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Outubro de 2018