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quarta-feira, 11 de junho de 2025

Análise: Dylan Dog – Batman: A Sombra do Morcego

Dylan Dog – Batman: A Sombra do Morcego, de Roberto Recchioni, Werther Dell’Edera e Gigi Cavenago - A Seita

Dylan Dog – Batman: A Sombra do Morcego, de Roberto Recchioni, Werther Dell’Edera e Gigi Cavenago - A Seita
Dylan Dog – Batman: A Sombra do Morcego, de Roberto Recchioni, Werther Dell’Edera e Gigi Cavenago

Se há coisas que, na maior parte das vezes, me parecem forçadas, por vezes fabricadas por mero apelo comercial, são os crossovers. Este encontro entre personagens de universos diferentes e independentes, muitas vezes utilizado em banda desenhada, mas não só, embora possa ser apelativo, especialmente quando já apreciamos um ou os dois universos que passam a estar juntos, é muitas vezes um exercício forçado, sem grande substância. Partindo deste pressuposto, e depois de ter ligo este Dylan Dog – Batman: A Sombra do Morcego, posso dizer-vos que esta nova aposta da editora A Seita foi uma agradável surpresa.

Reunindo duas personagens de primeira linha, Dylan Dog, pelos fumetti, e Batman, pelos comics americanos, este é um livro que consegue o quase milagroso feito de ser equilibrado, de ter uma história consistente e que, mais importante que tudo, nunca se atropela a si mesmo. Ou quase nunca. Mas já lá irei.

Dylan Dog – Batman: A Sombra do Morcego, de Roberto Recchioni, Werther Dell’Edera e Gigi Cavenago - A Seita
Com argumento de Roberto Recchioni e desenhos por parte de Werther Dell’Edera e Gigi Cavenago, este Dylan Dog – Batman: A Sombra do Morcego até pode muito bem representar uma das mais inesperadas e bem-sucedidas colaborações intereditoriais da banda desenhada contemporânea. Ao unir dois universos aparentemente tão distintos como o sombrio e surreal mundo do investigador do pesadelo Dylan Dog e o universo noir e urbano do Cavaleiro das Trevas, os autores demonstram uma sensibilidade rara e uma compreensão profunda das personagens que têm em mãos.

A história arranca quando é forjada uma aliança entre os dois vilões Joker e Doutor Xabaras, que acaba por levar Batman a Londres, à cidade de Dylan Dog. A partir deste momento, os dois heróis deverão  colocar de lado as suas visões divergentes sobre a natureza do Mal, e unir forças para eliminar a terrível ameaça que se lhes apresenta.

A narrativa estabelece desde cedo um equilíbrio delicado entre o realismo psicológico e a fantasia gótica. A história decorre entre Londres e Gotham, cidades que espelham as características dos protagonistas: uma mais espectral e melancólica, a outra mais urbana e violenta. O enredo aproveita essa dualidade para explorar o trauma, o medo e a obsessão - temas que são comuns a ambos os heróis, apesar das suas diferentes formas de enfrentá-los.

Dylan Dog – Batman: A Sombra do Morcego, de Roberto Recchioni, Werther Dell’Edera e Gigi Cavenago - A Seita
Recchioni mostra mestria ao fundir as mitologias de Dylan Dog e Batman sem que uma se sobreponha à outra. A construção da história é coesa, e os acontecimentos fluem com naturalidade, o que evita o risco típico de crossovers: o de parecerem artificiais ou forçados. Com efeito, é particularmente eficaz o modo como os dois protagonistas interagem. Em vez de uma simples união para combater um mal comum, há um verdadeiro confronto de métodos, éticas e até de fragilidades. Batman, metódico e controlado, encontra em Dylan uma figura mais intuitiva, sem grandes regras, aberta ao irracional e ao paranormal. Essa diferença é explorada com inteligência e traz-nos bons momentos de diálogo.

No entanto, a introdução da personagem de John Constantine e da ida ao inferno - numa alusão direta à obra de Dante - assume-se, claramente, como o excesso cometido pelos autores. Compreendo que a simples presença de uma personagem carismática como Constantine seja, por si só, uma escolha tentadora para qualquer história que envolva ocultismo, mas, neste caso específico, a sua entrada surge como um artifício que quebra o ritmo e a coerência interna da narrativa. A dimensão infernal, embora visualmente impressionante, acrescenta pouco à estrutura narrativa principal e desvia o foco da relação entre Batman e Dylan Dog. 

Dylan Dog – Batman: A Sombra do Morcego, de Roberto Recchioni, Werther Dell’Edera e Gigi Cavenago - A Seita
Esta parte da história parece, pois, mais motivada por um desejo de introduzir mais uns "cameos" e referências, do que por uma real necessidade de enredo. O inferno de Dante, ainda que estilisticamente coerente com o tom onírico e perturbador do universo de Dylan Dog, soa mais a homenagem do que a desenvolvimento de enredo. E, quanto a mim, acaba por ser a parte mais forçada de um livro que, tal como já referi, até consegue não ser muito "forçado" e que até ali se mantinha sóbrio e bem doseado.

Tirava-se a parte de Constantine deste livro e, para mim, ele seria perfeito. É demasiado o  destaque dado a esta personagem, que acaba por cortar mais do que o devido com a linha narrativa principal da obra. Note-se que há muitas outras personagens que deambulam por este livro, como Alfred, Catwoman, Joker, Crocodilo, Comissário Gordon, Inspetor Bloch e o próprio Groucho... e todas elas foram mais bem introduzidas no espaço que a trama principal lhes permitia ocupar. O próprio Groucho, um comic relief à séria, aparece com tiradas especialmente inspiradas e divertidas que dão alguma luz e cor a uma história mais sombria. 

Apesar do erro da presença do carismático Constantine, o saldo final da obra é amplamente positivo. A ousadia da proposta é sustentada por uma execução sólida, que respeita profundamente os cânones dos dois heróis. Em vez de diluir as suas essências, o livro reforça o que há de mais icónico em cada um: o detetive do insólito, cuja mente é assombrada por sonhos e mortes, e o justiceiro de Gotham, prisioneiro de um trauma infantil que o transforma num símbolo.

Dylan Dog – Batman: A Sombra do Morcego, de Roberto Recchioni, Werther Dell’Edera e Gigi Cavenago - A Seita
É também digno de nota o modo como os autores evitam o fan service gratuito. Cada referência, cada elemento de ambos os universos é integrado com conta e medida. A sensação que fica é a de uma celebração madura das personagens e não a de um desfile nostálgico para agradar a fãs.

Falando nas ilustrações desta obra, há que referir que a arte de Werther Dell’Edera e Gigi Cavenago é, sem exagero, deslumbrante. A expressividade das personagens, o uso dramático das sombras e a paleta cromática alternando entre tons frios e quentes, refletem com precisão os estados emocionais das cenas. Há um trabalho pictórico que valoriza tanto a tensão da narrativa quanto a beleza estética do cruzamento entre o terror e o policial. 

O desenho é, portanto, de altíssimo nível, com as personagens totalmente reconhecíveis e carregadas de expressividade e carisma, o que torna cada cena ainda mais envolvente. Os ambientes são ricos em detalhes e contribuem para a atmosfera densa e imersiva da narrativa. A cinematografia dos planos utilizados é muito bem pensada, com enquadramentos dinâmicos que valorizam a ação e o suspense, criando uma leitura fluida e impactante. Além disso, o belo trabalho de cores complementa perfeitamente o clima sombrio, realçando as emoções e o tom de mistério que permeiam a história. Tudo isso junto resulta numa experiência visual marcante e memorável.

Em termos de edição, o trabalho da editora A Seita é bastante bem conseguido. O livro apresenta capa dura baça e bom papel brilhante no seu interior, bem como um bom trabalho em termos de encadernação e impressão. As dimensões do livro são maiores face àquelas que a editora tem utilizado nos seus outros livros dedicados a Dylan Dog. Em termos de extras, o livro inclui um caderno de 12 páginas, que nos traz desenhos inéditos, um guia das personagens dos universos DC e Dylan Dog e uma galeria das capas alternativas. No início, a edição abre com um prefácio de Luca del Salvio. É uma bela edição, portanto.

Em suma, contra as expectativas mais conservadoras e negativas de muitos leitores que, como eu, se habituaram a ver nascer crossovers fracos que procuravam apenas vender livros apoiando-se em franquias de sucesso, Dylan Dog – Batman: A Sombra do Morcego é uma bela surpresa. Não só demonstra a viabilidade de cruzamentos improváveis, como também eleva o género de crossover ao propor algo mais do que uma simples junção de mundos: uma verdadeira história com substância, atmosfera e arte. Mesmo que possa não ser perfeita, é uma leitura recomendada tanto para fãs de longa data de Dylan Dog e/ou Batman quanto para novos leitores. E, com sorte, até pode trazer novos leitores ou para os fumetti, ou para os comics americanos! Boa aposta!


NOTA FINAL (1/10):
8.9





Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020




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Dylan Dog – Batman: A Sombra do Morcego, de Roberto Recchioni, Werther Dell’Edera e Gigi Cavenago - A Seita

Ficha técnica
Dylan Dog – Batman: A Sombra do Morcego
Autores: Roberto Recchioni, Werther Dell’Edera e Gigi Cavenago
Editora: A Seita
Páginas: 224, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 20 x 26,5 cm
Lançamento: Março de 2025


terça-feira, 4 de maio de 2021

Análise: Dylan Dog / Dampyr - O Detective e o Caçador



Dylan Dog / Dampyr - O Detective e o Caçador, de Roberto Recchioni, Giulio Antonio Gualtieri, Daniele Bigliardo, Mauro Boselli e Bruno Brindisi

Quando, em 2017, a Sergio Bonelli decidiu fazer um crossover com duas das suas personagens mais emblemáticas, Dylan Dog e Dampyr, certamente foram muitos os fãs que ficaram radiantes com esta opção. Até porque, na verdade, a editora nunca tinha feito um verdadeiro crossover, isto é, a junção de duas personagens de universos diferentes numa só história. Contrariamente ao mercado americano, onde os crossovers são mais do que habituais, no mercado europeu é algo bem mais raro de acontecer. Portanto, acho que a iniciativa demonstrou coragem e modernidade por parte da editora. 

E embora a minha primeira reação a esta iniciativa tenha sido: “Porreiro, e faz sentido com estas duas personagens”, a verdade é que, vendo bem, até são personagens de universos bastante distintos. Dylan Dog é uma personagem que se move num mundo que considero filosófico, onírico e, até mesmo, poético. Com uma premissa tão aberta como sendo o “detective do pesadelo”, há abertura para uma variedade enorme de situações e aventuras. Já quanto a Dampyr, estamos perante um herói muito mais clássico no seu cerne e que se move num universo com regras e barreiras muito mais específicas e previamente delineadas.

Por este motivo, e com alguma pena minha, parece-me que este crossover assume-se mais como um “Dampyr convida Dylan Dog”, do que o contrário. Ou seja, este O Detective e o Caçador parece-se mais com um clássico livro de Dampyr. A grande diferença é que, neste caso, Dylan Dog aparece como convidado. Como sou muito mais fã de Dylan do que Dampyr, tive alguma pena que assim fosse. Mas, tal como já disse, também compreendo que os envolvidos nesta obra tenham feito esta opção, pois seria mais fácil trazer Dylan Dog para o universo mais fechado de Dampyr, do que o oposto.

Se Dylan Dog é detective do pesadelo, Dampyr é filho de uma humana e de um vampiro e, por ter essa mistura rara, o seu sangue é letal para matar vampiros. O que faz dele um guerreiro verdadeiramente poderoso e temível pelos seus inimigos.

A história, que mais para o fim, especialmente no segundo livro, se torna demasiado rocambolesca, arranca em Londres quando vários vampiros invadem de surpresa um baile de máscaras e começam a fazer vítimas. Entretanto, o maquiavélico Lordbrok – retirado do universo de Dampyr – tem planos nefastos para com o mundo e para com o seu rival Marsden que, nesta aventura, faz com que Harlan Draka, Dampyr, seja involuntariamente seu aliado na luta contra Lordbrok. Dampyr faz-se acompanhar por Kurjak e Tesla. Já do lado do universo de Dylan Dog, aparece-nos o irresistível Groucho e o malvado inimigo John Ghost também faz uma aparição. As belas mulheres que, naturalmente, se apaixonam por Dylan Dog também não faltam. No primeiro livro é a bela Lagertha – cujo aspeto há-de ter sido inspirado em Angelina Jolie – que encanta o detetive do pesadelo. No segundo livro é Selkie com quem Dylan estabelece (mais) um breve romance.

A narrativa arranca com uma fantástica cena de ação e sabe colocar muito bem Dampyr no caminho de Dylan Dog (ou será o oposto que acontece?). De uma forma natural as duas personagens vêem-se na necessidade de trabalharem juntas, mesmo sendo bastante diferentes entre si. Essa dinâmica aparece especialmente bem trabalhada no primeiro álbum, sublinhando as diferenças de ambas as personagens na abordagem aos eventos com que se deparam: Dylan Dog é um romântico e uma persona algo frágil, enquanto que Dampyr é um guerreiro-nato e pragmático, que passa rapidamente para a ação.

Um destaque tem que ser dado a Groucho que aparece em ambos os livros com tiradas muito divertidas, que melhoram a leitura da obra. Diria até que foi a personagem mais bem trabalhada por ambos os autores. Ainda mais do que os dois heróis protagonistas! Interessante também é a dinâmica entre Kurjak – um autêntico brutamontes – e Groucho, que tão bem representa a função de comic relief. Muito bem conseguido.

Depois, e eventualmente, à medida que os eventos se vão desenrolando, ambos os protagonistas têm que ceder um ao outro: Dylan Dog acaba por perceber que os métodos agressivos e pragmáticos de Dampyr são muitas vezes a forma mais eficaz de lidar com o mal. Todavia, em sentido contrário, Dampyr também irá descobrir que há nobreza nos métodos ponderados e sentido de justiça de Dylan Dog.

Há uma coisa que convém desde já dizer e que se torna muito relevante para a análise deste duplo lançamento: é que, o facto deste O Detective e o Caçador ter duas equipas criativas independentes entre si, faz com que ambos os livros difiram muito entre si mesmos. Não só em termos de ilustração (já lá irei) mas, também, em termos de argumento. 

É certo que a história do primeiro livro tem continuação no segundo, mas é uma continuação demasiado livre. Como se a obra se tratasse dum exercício criativo em que os argumentistas de ambos os livros, Roberto Recchioni (que é ajudado por Giulio Antonio Gualtieri ) e Mauro Boselli combinassem entre si, “eu levo a história até aqui… e depois disso faz o que quiseres com a mesma”. Se isso traz alguns elementos de surpresa à trama, devo dizer que o segundo livro é manifestamente inferior em comparação com o primeiro. Parece-me até que a história no segundo volume resolve a trama de uma forma algo preguiçosa, apoiando-se na introdução de vikings mortos-vivos, dragões e demais elementos que acabam por ser inseridos de uma forma algo forçada, sem grande linha condutora. No primeiro livro, como a história ainda nos está a ser apresentada aos poucos, está mais conseguida e funciona melhor. E não me refiro apenas à construção do argumento porque mesmo na construção dos próprios diálogos, a obra apresenta-se menos inspirada no segundo livro.

E, claro, as diferenças não se sentem apenas em termos de argumento. Na parte ilustrativa, as diferenças também são gritantes. Enquanto que Daniele Bigliardo nos dá um trabalho soberbo no primeiro livro, com as personagens, com trato realista, a parecerem que querem sair das páginas do livro, e onde o autor também apresenta um ótimo domínio da luz, dos altos contrastes, das cenas de ação, dos planos de câmara e enquadramentos; Bruno Brindisi, por sua vez, oferece-nos uma ilustração mais clássica, menos estilizada e impactante. Pobre nos detalhes, por vezes até parece ter sido feita algo “à pressa”. Não é que seja má, mas fica, indubitavelmente, muito aquém da arte de Daniele Bigliardo. E ainda que haja um esforço por continuidade na caracterização gráfica das personagens – especialmente das principais – a própria ilustração de algumas personagens, com destaque para os inimigos, por vezes afasta-se entre ambos os livros.

Quanto à edição, a editora A Seita preparou uma edição em linha com os outros livros da sua Coleção Aleph: boa encadernação, capa dura e papel baço. Há também uma entrevista com os argumentistas que está dividida entre os dois livros. 

Mas claro que, em termos de edição, o destaque principal tem que ser dado às fantásticas capas que, quando colocadas ao lado uma da outra, formam uma bonita ilustração entre si. Como se fossem duas peças para um puzzle. No primeiro livro temos Dylan Dog em primeiro plano e, lá em cima, no título temos “Dylan Dog & Dampyr”, como se fosse o primeiro que convida o segundo. No segundo livro temos todos estes elementos inversamente colocados: Dampyr é que aparece em primeiro plano e no título aparece “Dampyr & Dylan Dog”. São duas capas espetaculares que, juntas, tornam os dois “objetos-livro” ainda mais colecionáveis e verdadeiramente apetecíveis. Julgo que A Seita foi inteligente ao escolher esta opção de capas pois dificilmente um leitor só comprará um dos livros.

Concluindo, acho que mais do que uma oportunidade para que os fãs de Dylan Dog conheçam Dampyr, esta obra dupla permite, acima de tudo, que os fãs de Dampyr possam acolher nas páginas do seu herói, a personagem maravilhosa de Dylan Dog, que vem muito bem acompanhada por Groucho. O Detective e o Caçador ficou um pouco aquém das minhas expetativas – mais pela divisão de tarefas entre autores do que por outra coisa - mas não deixa de ser uma boa iniciativa da Sergio Bonelli. E o final da obra deixa uma porta aberta para que uma nova aventura com Dylan Dog e Dampyr possa ocorrer no futuro. A ver vamos.

Desta vez, embora ambos os livros formem um todo, parece-me que a diferença de qualidade por mim percepcionada, merece notas distintas. 


NOTA FINAL LIVRO 1: A Noite de Dampyr: 8.4
NOTA FINAL LIVRO 2: O Detective do Pesadelo: 6.8


NOTA FINAL dos 2 ÁLBUNS (1/10):
7.6



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Fichas técnicas
O Detective e o Caçador vol. 1: A Noite do Dampyr
Autores: Roberto Recchioni, Giulio Antonio Gualtieri e Daniele Bigliardo
Editora: A Seita
Páginas: 104, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Março de 2021


O Detective e o Caçador vol. 2: O Detective do Pesadelo
Autores: Mauro Boselli e Bruno Brindisi
Editora: A Seita
Páginas: 104, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Março de 2021

sexta-feira, 30 de abril de 2021

Lançamento: Dylan Dog / Dampyr - O Detective e o Caçador





Já estão disponíveis os dois álbuns que correspondem ao crossover entre as personagens do fumetti, Dylan Dog e Dampyr, e que assinalam uma interessante aposta dupla da editora A Seita.

O primeiro tomo chama-se O Detective e o Caçador Vol. 1: A Noite do Dampyr e o segundo volume intitula-se O Detective e o Caçador Vol. 1: O Detective do Pesadelo. Uma coisa curiosa é que as equipas criativas mudam: no primeiro livro temos o argumento a cargo de Roberto Recchioni e Giulio Antonio Gualtieri, com desenho de Daniele Bigliardo; e no segundo livro o argumento é de Mauro Boselli e arte ilustrativa fica a cargo de Bruno Brindisi. 

Desde já, destaca-se a capa conjunta que os dois álbuns, alinhados um ao outro, completam entre si. Fantástica ideia.

Abaixo fiquem com a nota do editor e com algumas imagens promocionais.


Dylan Dog / Dampyr - O Detective e o Caçador, de Roberto Recchioni, Giulio Antonio Gualtieri, Daniele Bigliardo, Mauro Boselli e Bruno Brindisi 

Um vive em Londres e é um detective do pesadelo, investigador do paranormal, melancólico, introspectivo e sonhador. 

O outro é filho de uma humana e de um vampiro, e viaja pelo mundo para combater o mal, utilizando o seu sangue letal, capaz de queimar e matar os vampiros. 

Nunca se tinham cruzado, porque o mundo é demasiado grande e os seus mistérios infindáveis. Até ao Verão de 2017, quando a Sergio Bonelli Editore publicou o seu primeiro crossover, uma aventura que junta Dylan Dog e Dampyr numa luta lado a lado contra as criaturas do Mestre da Noite Lodbrok!

Harlan Draka, o Dampyr, e Dylan Dog, cruzam-se finalmente a tempo da chegada de um conjunto de visitantes estranhos – e perigosos! - a Craven Road, que irão mergulhar Londres no terror. E qual o papel do temível Lodbrok, um dos arqui-vampiros que Draka persegue incansavelmente? Dylan Dog acaba por fazer uma promessa que não pode quebrar à morta-viva Lagertha, inimiga jurada de Harlan Draka, o caçador de vampiros. Nas remotas ilhas Hébridas, para onde viajaram em busca de resolver o mistério de Lodbrok, o Senhor da Noite, os nossos dois heróis terão de sobreviver a uma multidão de personagens horrendas, dragões, vikings mortos-vivos, e outras criaturas sobrenaturais.

Esta história, que junta Dylan Dog e Dampyr, duas das mais emblemáticas personagens da Sergio Bonelli Editore, foi o primeiro crossover jamais criado pela editora (já tinham existido alguns team-ups, em que personagens diferentes tinham aparecido nas revistas umas das outras). Assim, esta aventura que junta o detective do pesadelo ao caçador de vampiros acabou por ser uma grande estreia, e o evento dos fumetti do Verão de 2017 em Itália, uma vez que a história foi dividida por duas revistas diferentes, iniciada em Dylan Dog #371 e concluída em Dampyr #209.

Dylan Dog e Dampyr são, no entanto, bem diferentes enquanto personagens e séries. Numa entrevista concedida há uns anos, Mauro Boselli sublinhou que no caçador de vampiros sobressai um lado algo realista, uma vez que as suas aventuras devem dar a ilusão de que acontecem no nosso mundo, na nossa realidade. Ao contrário do que acontece com Dylan Dog, onde o fantástico pode ser apresentado repetidas vezes com contornos menos realistas e onde tudo é possível. 
Por seu lado, Roberto Recchioni acrescenta que a maneira como os dois heróis lidam com o horror também é diferente: de um lado a dureza e intransigência de um Dampyr pragmático frente aos monstros, qual herói clássico, em contraponto com a visão mais irónica, romântica e empática de Dylan Dog, anti-herói por excelência ou herói por acaso, que diz que os verdadeiros monstros somos nós, os seres humanos.

Duas personagens com pouco em comum, mas com um importante ponto de ligação entre ambas: o horror dos ambientes em que se movem. Como tal, não é de estranhar que, mais tarde ou mais cedo, acabariam por aliar forças, o que só não tinha acontecido antes porque, a acreditar nas palavras de Dylan, “o mundo é demasiado grande”.

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Fichas técnicas
O Detective e o Caçador vol. 1: A Noite do Dampyr
Autores: Roberto Recchioni, Giulio Antonio Gualtieri e Daniele Bigliardo
Editora: A Seita
Páginas: 104, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
PVP: 13,00€

O Detective e o Caçador vol. 2: O Detective do Pesadelo
Autores: Mauro Boselli e Bruno Brindisi
Editora: A Seita
Páginas: 104, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
PVP: 13,00€