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quarta-feira, 6 de abril de 2022

Análise: Sete para a Eternidade – Livro Dois

Sete para a Eternidade – Livro Dois, de Rick Remender e Jerome Opeña - G. Floy Studio

Sete para a Eternidade – Livro Dois, de Rick Remender e Jerome Opeña - G. Floy Studio
Sete para a Eternidade – Livro Dois, de Rick Remender e Jerome Opeña

A G. Floy Studio lançou recentemente este Sete para a Eternidade – Livro Dois que, sendo, também, um álbum duplo, conclui a saga criada por Rick Remender e Jerome Opeña.

E, sinceramente, a minha análise não podia ser mais igual em relação à análise que fiz ao Livro Um de Sete para a Eternidade. Aliás, se eu simplesmente fizesse copy/paste desse texto, a análise serviria igualmente bem para explicar os meus sentimentos perante este segundo e último volume.

Bem, por um lado, isso até revela que houve uma clara e autêntica sensação de continuidade e de unidade, do primeiro para o segundo volume. Esse será o lado bom. Quem adorou o primeiro livro certamente adorará este segundo. Por outro lado, tudo aquilo que os autores não fizeram, quanto a mim, tão bem no primeiro álbum, permanece, neste segundo livro, na exata mesma maneira. Com a agravante deste novo livro me ter deixado algo desiludido com o não aproveitamento de algumas pontas soltas que eu esperaria que tivessem sido mais bem fechadas neste livro.

Sete para a Eternidade – Livro Dois, de Rick Remender e Jerome Opeña - G. Floy Studio
Neste Livro Dois de Sete para a Eternidade, uma saga de fantasia épica, acompanhamos novamente Adam Osidis na sua luta contra tudo o que está de errado nas terras de Zhal, onde o Deus dos Sussurros reina de forma absoluta controlando até aquilo que os habitantes destas terras pensam. Mas os acontecimentos decorridos no Livro Um levaram a que, de alguma forma, o Deus dos Sussurros e Adam Osidis tivessem que construir uma estranha aliança entre o bem e o mal, de forma a conseguirem alcançar os objetivos que ambos almejam. 

O protagonista, Adam Osidis, estando doente, com pouco tempo de vida, sente-se divido entre honrar os valores de liberdade que o pai lhe passou e o seu desejo de viver (com saúde) mais tempo, junto da sua mulher e filhos. Mas, num mundo à beira do colapso generalizado, Osidis terá que enfrentar tragédia atrás de tragédia, bem como tomar decisões verdadeiramente impossíveis já que, trazem sempre, alocadas a si, algo de muito mau. Entre ele e a cura para a sua doença está o pirata do céu Volmer, o filho do Deus dos Sussurros, que fará tudo para se vingar do seu odiado pai. Para que a traição e o sacrifício de Adam não sejam em vão, o nosso herói terá pois de salvar o assassino do seu pai.

Sete para a Eternidade – Livro Dois, de Rick Remender e Jerome Opeña - G. Floy Studio
A história é assim meio rocambolesca e, em certos pontos, algo rebuscada, pois pareceu-me muitas vezes que não era muito claro para onde Rick Remender queria levar a narrativa. Bem, se calhar, o autor até poderia saber para onde queria que a narrativa fosse, mas talvez não soubesse bem o “como”. Isto porque me parece que há um clima de tensão injustificado (essa tensão é mais referida pelas personagens do que sentida pelo leitor); cenas de ação que, mesmo que visualmente encham o olho, acabam por ser demasiado vazias, do ponto de vista narrativo; e há, também, um enorme rol de personagens, com quem Adam Osidis uniu forças no Livro Um que pouca ou nenhuma importância têm para o enredo neste Livro Dois.

Mas se a história em si me deixou algo desapontado, devo dizer que este é um livro verdadeiramente maravilhoso do ponto de vista da qualidade da escrita. Remender é um verdadeiro talentoso com as palavras, dando-nos um texto belo e filosófico, e proporcionando elementos de pura reflexão. 

Sete para a Eternidade – Livro Dois, de Rick Remender e Jerome Opeña - G. Floy Studio
O que me leva a uma questão que nem sempre é tida em conta, quando se fala da parte não ilustrativa de um livro de banda desenhada. É que, uma coisa é o argumento, a história que se cria, e outra coisa é a qualidade do texto onde essa história se alicerça. Não considero o argumento de Sete para a Eternidade grande coisa, mas considero a qualidade do texto de Remender como verdadeiramente magistral. Pode parecer que me estou a contradizer, mas o que é certo é que são coisas muito diferentes. Uma coisa é ter uma boa ideia para uma história, e para um conjunto de personagens, e outra coisa é a capacidade para usar um texto belo e “quotable” para acompanhar essa narrativa. Se Remender não me cativa muito na primeira opção, na segunda é um verdadeiro mestre! Talvez por isso, as páginas de texto em prosa que abrem cada capítulo sejam, também, verdadeiramente impactantes e tornem a leitura de Sete para a Eternidade em algo bastante profundo e cheio de reflexões.

Relativamente à arte ilustrativa, o trabalho de Opeña também é verdadeiramente genial. Tudo o que foi fantástico nos seus desenhos no livro anterior, volta a sê-lo nesta conclusão da obra. Como escrevi a propósito do Livro Um, “diria que, por muito bom que o trabalho de Remender seja nesta obra, é a arte de Opeña que a torna em algo majestoso. (...) O desenho do autor é muito estilizado, com muita personalidade, excelentes enquadramentos, diversidade na planificação das pranchas e sabe ser impressionante em cada coisa que retrata. Seja uma cena introspetiva do protagonista a pensar, seja uma batalha com muitos guerreiros numa frenética cena de ação, ou seja, na conceção - quer gráfica, quer criativa – das personagens, que são muito originais, embora familiares.

Sete para a Eternidade – Livro Dois, de Rick Remender e Jerome Opeña - G. Floy Studio
Cada ilustração é verdadeiramente uma obra de arte. Sinceramente, acho que em nada esta obra poderia ser melhorada em termos de ilustrações. Com efeito, a juntar aos magníficos desenhos de Opeña, ainda temos as belas cores que Matt Hollingsworth oferece a esta obra. Tudo feito de forma perfeita.

A qualidade da edição por parte da G. Floy Studio volta a estar em grande. Este robusto livro é composto por uma capa bem grossa, bom papel brilhante, bom grafismo, boa encadernação e boa impressão. E, no final, ainda há espaço para, nada mais, nada menos, do que 24(!) páginas de extras, onde nos são mostradas capas alternativas, esboços e artes-finais, a preto e branco, de Opeña. Fantástico!

Portanto, em conclusão, é com bons olhos que vejo a aposta da G. Floy Studio nesta obra épica de fantasia. Com um texto muito inspirado de Rick Remender, com ilustrações sublimes de Opeña e com uma edição de ótima qualidade, diria que o único lado menos positivo da obra é o argumento algo difuso e complexo, que muitas vezes aparenta ser aleatório nos eventos que nos oferece. Não obstante, estou certo que os fãs do género vão adorar.


NOTA FINAL (1/10):
8.3



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Sete para a Eternidade – Livro Dois, de Rick Remender e Jerome Opeña - G. Floy Studio

Ficha técnica
Sete para a Eternidade – Livro Dois (de 2)
Autores: Rick Remender e Jerome Opeña
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 240, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Fevereiro de 2022

quinta-feira, 10 de março de 2022

A mini-série Sete para a Eternidade chega ao fim!




Hoje é dia de grandes novidades para os leitores das coleções da G. Floy Studio!

Sete para a Eternidade, a mini-série épica de fantasia, da autoria de Rick Remender e Jerome Opeña, chega ao fim com o seu segundo volume!

O livro deverá chegar às livrarias especializadas já a partir de 18 de Março e, às bancas, a partir de 6 de Abril. Quanto às livrarias generalistas - como a FNAC ou a Wook, por exemplo - o livro deverá chegar no final de junho.

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa da editora e com algumas imagens promocionais.
Sete para a Eternidade – Livro Dois (de 2), de Rick Remender e Jerome Opeña

No segundo volume da sua épica obra de fantasia, Rick Remender e Jerome Opeña incorporam mais elementos no mosaico moral em constante evolução do mundo de Zhal, em que Adam Osidis continua a sua jornada cheia de tragédias e decisões impossíveis.

Entre ele e a cura para a sua doença consumptiva está o pirata do céu Volmer, o filho do Deus dos Sussurros, que fará tudo para se vingar do seu odiado pai. Para que a traição e o sacrifício de Adam não sejam em vão, o nosso herói terá de salvar o assassino do seu pai. 

O que estará ele disposto a fazer para obter a dádiva prometida pelo Rei da Lama? Mas será esta um engodo, ou a sua salvação? E valerá ela mesmo os sacrifícios que Adam teve de fazer?

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Ficha técnica
Sete para a Eternidade – Livro Dois (de 2)
Autores: Rick Remender e Jerome Opeña
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 240, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 30,00€




quarta-feira, 30 de junho de 2021

À Conversa Com: G. Floy Studio - Novidades para o 2º Semestre de 2021




É tempo de ficarmos a saber quais são os planos da G. Floy Studio para o resto de 2021! 

Se a primeira parte do ano foi algo escassa em termos de número de obras lançadas - pelo menos, comparando com outros anos - o segundo semestre promete ser rico em número de obras editadas. São 13 (!) os novos livros que a editora planeia lançar antes do final do ano!!!

Destaque para várias séries que serão finalizadas e para uma obra em concreto, que promete deliciar inúmeros leitores de banda desenhada!

Fica a conhecer, mais abaixo, que obras são essas, através da entrevista que tive com a responsável da G. Floy Studio, a simpática Christine Meyer.


Entrevista


1. Como foi este primeiro semestre do ano editorial de 2021 para vós? Editaram tudo o que tinham planeado ou houve títulos que foram adiados para o segundo semestre de 2021 (ou mesmo para 2022)?
Os primeiros meses de 2021 foram extremamente lentos devido a mais um confinamento. Mas agora as coisas estão a começar a ficar muito melhores.

Não fomos capazes de lançar tudo conforme tínhamos planeado: em parte, devido ao confinamento, em parte devido ao atraso nos Estados Unidos de alguns ds nossos títulos (Wolverine: Black, White and Blood; Outcast; Family Tree e Sete para a Eternidade). Mas todas estes títulos vão sair durante o segundo semestre de 2021.


2. Sei que ainda é cedo para aferir este tipo de resultados mas, para já, com base na informação e perceção de mercado que vão tendo, que título lançado em 2021 está a ser uma agradável surpresa de vendas?
A adaptação de Ricard Corben de Espíritos dos Mortos, de Edgar Allan Poe, está a vender muito bem e acima das expectativas. :)


3. E que obra é que está a vender mais devagar do que aquilo que tinham planeado?
Todo o resto está a vender conforme o esperado.


4. Quais são os vossos lançamentos agendados para o segundo semestre de 2021?
Aqui está a lista dos títulos que pretendemos lançar durante o segundo semestre deste ano:

Moonshine #3 (Volume 3 de 5)
de Brian Azzarello e Eduardo Risso

Faithless #2 (Volume 2 de 3)
de Brian Azzarello e Maria Llovet

Stumptown #4 (Último Volume da série)
de Greg Rucka, Justin Greenwood e Ryan Hill

Wolverine: Black, White & Blood
de Duggan, Kubert, Shalvey e outros

Criminal Livro 5: Cruel Summer (Último Volume da série)
de Ed Brubaker e Sean Phillips

Gideon Falls #6 (Último Volume da série)
de Jeff Lemire, Andrea Sorrentino e Dave Stewart

Outcast #6 (Último Volume da série; contém os números 7 e 8)
de Robert Kirkman e Azaceta

Family Tree (Contém os números de 1 a 12)
de Jeff Lemire, Phil Hester, Eric Gapstur e Ryan Cody

Carnage: Black, White & Blood (Contém os números de 1 a 4)
de Howard, Percy, Ewing e outros

Sete para a Eternidade #2 (Último Volume da série; contém os números de 10 a 17)
de Rick Remender, Jerome Opeña, James Harren e Matt Hollingsworth


Monsters
de Barry Windsor-Smith

Ascender #2 (Volume 2 de 4)
de Jeff Lemire e Dustin Nguyen

Black Magick: The First Book Of Shadows (Contém os números de 1 a 11)
de Greg Rucka e Nicola Scott


5. Há algum título novo que queiram avançar, em primeira mão, aos leitores do Vinheta 2020, mesmo que seja uma novidade a ser preparada apenas para 2022?
É seguro dizer que publicaremos Moonshine vol. 4, bem como Sara de Garth Ennis durante o primeiro semestre de 2022. :)

Moonshine #4 (Volume 4 de 5)
de Brian Azzarello e Eduardo Risso

Sara
de Garth Ennis e Steve Epting






segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Análise: Sete para a Eternidade – Livro Um

Sete para a Eternidade – Livro Um, de Rick Remender, Jerome Opeña e James Harren - G. Floy

Sete para a Eternidade – Livro Um, de Rick Remender, Jerome Opeña e James Harren - G. Floy
Sete para a Eternidade – Livro Um, de Rick Remender, Jerome Opeña e James Harren 

Sete para a Eternidade é uma história épica, repleta de fantasia e ação, da autoria de Rick Remender e Jerome Opeña, que a G. Floy publicou há já quase um ano. De resto, o segundo volume – que encerarrá a série – também já está prometido para o primeiro semestre de 2021, conforme aqui dei conta no artigo relacionado com os novos lançamentos da editora, para a primeira parte deste ano.

Sete para a Eternidade é uma banda desenhada com muitas coisas interessantes. Claro que nem tudo é perfeito e até há uma sensação de um certo over the top, por vezes. Com um universo carregado de uma enorme dose de fantasia, somos levados para um mundo que, por vezes, me lembrou o do filme Avatar, de James Cameron, O Senhor dos Anéis, de Tolkien, ou a famosa saga Star Wars, de George Lucas. Nesta história temos criaturas fantásticas, forças malignas, poderes sobrenaturais e uma grande quantidade de personagens, cada uma com as suas próprias características e identidade gráfica.

Sete para a Eternidade – Livro Um, de Rick Remender, Jerome Opeña e James Harren - G. Floy
A história é bastante complexa, devido a ter muitos intervenientes, o que faz com que não seja um livro muito fácil para pegar. É uma leitura que exige atenção por parte do leitor. Sete para a Eternidade conta-nos a história de Adam Osidis que habita nas terras de Zhal, onde o Deus dos Sussurros reina de forma absoluta, controlando até os pensamentos dos seus habitantes. Mas já o pai de Adam o tinha ensinado a sempre se opor a este Ditador e agora o protagonista, que está doente e tem pouco tempo de vida, sente-se dividido entre honrar os valores de liberdade que o pai lhe passou e o seu desejo de viver (com saúde) mais tempo, junto da sua mulher e filhos. O seu caminho leva-o a juntar-se a um grupo de soldados - cada um com os seus próprios poderes e background - que procura formar um pequeno grupo de guerrilha, de forma a derrubar o Deus dos Sussurros.

Rick Remender, autor de vários títulos de sucesso, incluindo Uncanny X-Force, oferece-nos ainda um texto muito inspirado, com frases marcantes, que podemos retirar da história e adaptar a um cem número de coisas. Uma coisa que a história tenta ser também, é uma alegoria face ao universo real que nos rodeia, onde o populismo e a xenofobia têm, recentemente, e cada vez mais, ocupado um lugar de destaque nas esferas políticas de todo o mundo ocidental, desde o velho continente europeu até ao continente americano.

Sete para a Eternidade – Livro Um, de Rick Remender, Jerome Opeña e James Harren - G. Floy
Por tudo o que já escrevi sobre esta obra até agora, já dá para ter uma ideia que temos uma rapsódia da 9ª arte em mãos: fantasia, espiritualidade, aventura, ação, política e um universo totalmente novo, fazem de Sete para a Eternidade uma obra que parece querer jogar em “todos os campeonatos”. E, embora faça quase todas estas coisas bem, não chega a ser perfeita em nenhuma delas. Acaba por ser superficial na sua abordagem. Julgo que se tivesse sido desenvolvida com mais profundidade uma ou duas destes várias vertentes que compõem a obra, a experiência seria mais marcante.

Em primeiro lugar, sendo este um universo tão vasto e com “regras” e funcionamentos tão próprios, a série teria beneficiado se o mundo fosse revelado e explicado de forma mais lenta. Afinal de contas, estamos perante um mundo muito próprio. Mas ao colocar o leitor em contacto com este universo complexo de forma abrupta, Remender faz com que o leitor se tenha que esforçar para conseguir acompanhar e mergulhar no mundo apresentado. E nada de mal existe nisso. Nem sempre é bom os leitores terem a “papinha toda feita” em termos de argumento ou premissa. No entanto, o ónus desta opção é que a imersão na leitura acaba por não ser tão grande. Senti-me sempre como “fora” da narrativa, tentando artificialmente entrar nela. Ponho as coisas desta maneira: esta obra teria funcionado melhor para mim, numa destas duas situações: 1) se o seu foco fosse mais a componente política e de reflexão sobre o bem e o mal e sem o universo fantástico; ou 2) se a história fosse num universo fantástico e com muita ação mas sem tanto foco na questão política e filosófica. Parece-me que quer ir “a todas” e acaba por não ir realmente a nenhuma.

Sete para a Eternidade – Livro Um, de Rick Remender, Jerome Opeña e James Harren - G. Floy
Não obstante, é verdade que o texto de Remender, especialmente nas partes mais filosóficas e introspetivas, é bastante inspirado (com material muito quotable). Destaque para a introdução/reflexão, em texto corrido, que abre cada um dos 9 capítulos deste volume. Isso foi muito pertinente e bem explorado pelo autor para conseguir dar profundidade ao protagonista desta aventura. Remender é um bom escritor, há que reconhecer. E algumas personagens, especialmente o vilão Rei dos Sussurros e Adam Osidis são personagens muito interessantes, com variadas camadas nas suas condutas que tornam ténues as barreiras entre o bem e o mal. Será que o Rei dos Sussurros não é tão mau como parece?

E depois ainda existe a arte de Jerome Opeña que é extremamente impressionante! Diria que, por muito bom que o trabalho de Remender seja nesta obra, é a arte de Opeña que a torna em algo majestoso. Este terá sido dos livros mais bonitos que a G. Floy editou no ano passado, relativamente à arte ilustrativa. O desenho do autor é muito estilizado, com muita personalidade, excelentes enquadramentos, diversidade na planificação das pranchas e sabe ser impressionante em cada coisa que retrata. Seja uma cena introspetiva do protagonista a pensar, seja uma batalha com muitos guerreiros numa frenética cena de ação ou seja na concepção - quer gráfica, quer criativa – das personagens, que são muito originais, embora familiares.

De facto, senti que já tinha visto estas personagens em algures e por isso facilmente foi criada uma relação de familiaridade mas, em oposição, também senti que estas personagens eram algo novo, refrescante e com o qual eu não tinha tido contacto ainda. As próprias capas dos 9 capítulos são, por si só, verdadeiras obras de arte. E, como se não bastasse, as cores do experiente Matt Hollingsworth elevam ainda mais esta obra fantástica.

Sete para a Eternidade – Livro Um, de Rick Remender, Jerome Opeña e James Harren - G. Floy
Como ponto a lamentar, há que referir que dois dos capítulos deste volume foram desenhados por James Harren. As ilustrações de Harren são "cartoonizadas" e pouco polidas. Se já seriam capítulos algo fracos em termos de ilustração, se tivermos em conta que estão inseridos numa história tão magnificamente desenhada por Opeña, chegam a parecer anedóticos. Compreendo que, especialmente no mercado americano dos comics, e devido a questões contratuais e de prazos,é frequente que parte de um trabalho de ilustração de uma obra seja assegurado por outro ilustrador. Mas, neste caso, o casting correu muito mal, a meu ver. Seria aceitável se esse capítulo tivesse sido usado para um flashback ao passado das personagens. E até é isso que começa, e bem, por acontecer. Mas quando a história regressa ao tempo presente, com um estilo de ilustração tão diferente – e inferior – do de Opeña, confesso que achei que foi uma grande machadada na qualidade da série.

Há ainda que realçar o fantástico trabalho de edição por parte da G. Floy. Este é um grosso volume de 264 páginas, com uma elegante capa baça e um papel brilhante e de boa qualidade. Há ainda uma generosa seleção de magníficos esboços de Opeña, que são um acrescento muito generoso para a obra. A opção de reunir uma história, que no total terá 17 números, em dois livros apenas - em vez de os agrupar em 3 ou 4 livros com menos capítulos - é uma decisão adequada e acertada.

No final, acho que Sete para a Eternidade é uma obra muito interessante e com várias coisas espetaculares mas que acaba por ter mais "olhos que barriga". Faz muitas coisas maravilhosas – como o texto inspirado de Remender, os desenhos espantosos de Opeña, ou as cores lindas de Hollingsworth. Mas depois, também parece ser uma manta de retalhos relativamente ao universo criado, com demasiadas personagens e eventos que, naturalmente, acabam por deixar o leitor algo perdido e incapaz de absorver a história de um trago. Com mais sensatez poderia ser uma obra de arte intemporal. Assim, é “só” um excelente livro.


NOTA FINAL (1/10):
8.8


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Sete para a Eternidade – Livro Um, de Rick Remender, Jerome Opeña e James Harren - G. Floy

Ficha técnica
Sete para a Eternidade - Livro Um
Autores: Rick Remender, Jerome Opeña e James Harren
Editora: G. Floy
Páginas: 264, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Março de 2020

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Lançamento: Sete para a Eternidade




Já  se encontra disponível em banca o novo lançamento da G. Floy. Desta vez, trata-se de Sete para a Eternidade, de Rick Remender, Jerome Opeña e James Harren. Este é o primeiro volume de dois, desta obra do universo do fantástico. 

Fiquem com a nota da editora e imagens promocionais.

Sete para a Eternidade: Livro Um (de Dois), de Rick Remender, Jerome Opeña e James Harren

O Deus dos Sussurros lançou a paranoia total sobre as terras de Zhal, e os seus espiões e esbirros escondem-se por todo o lado, espalhando medo e desconfiança. Adam Osidis, um cavaleiro moribundo nascido numa família caída em desgraça, tem de escolher entre juntar-se a um grupo de mercenários e guerreiros mágicos desesperados numa tentativa desesperada de libertar o mundo do seu Deus maléfico, ou aceitar a promessa que esse deus fez a Adam de lhe dar tudo aquilo com que sempre sonhou...

Num tempo em que os homens capitularam e aceitaram trocar a sua liberdade pelo medo, um último homem livre terá de escolher entre o destino do seu mundo e os desejos do seu coração...

Sete para a Eternidade é a magistral saga de fantasia escrita por Rick Remender, e ilustrada por Jerome Opeña, uma dupla que já encontrámos nalguns arcos de história de Uncanny X-Force. Em Sete para a Eternidade, Remender constrói um universo de fantasia complexo e original, que lhe servirá de pano de fundo para contar uma história que é uma poderosa alegoria contra os populismos e as xenofobias e racismos, temas que são centrais nesta saga. Mas a estrutura da história é feita a partir da típica estrutura de um western, com um grupo de estranhos que se encontram para uma longa viagem, através de paisagens desertas e perigosas, um aspecto reforçado pelas cores maravilhosas de Matt Hollingsworth e a sua paleta de cores castanhas e próximas da terra, das montanhas, da vegetação seca e desolada do mundo de Zhal (e pela ocasional aparição de armas de fogo - mesmo que encantadas! - com um visual muito western).

Com o seu protagonista longe de ser perfeito, um vilão complexo e com uma racionalidade muito coerente, uma trama de família e a dinâmica entre o herói, o espírito do seu pai, e a sua relação com uma filha independente, e um conjunto de personagens secundárias distintas e importantes na narrativa, Sete para a Eternidade é um dos melhores trabalhos de sempre de Remender.

Sete para a Eternidade está planeado para um total de 17 comics, o primeiro volume (Livro Um) reúne os números #1-9, o segundo (Livro Dois) reunirá os números #10-17. A série ficará completa nos EUA em 2020.

Ficha técnica
Sete para a Eternidade
Autores: Rick Remender, Jerome Opeña e James Harren
Editora: G. Floy
Páginas: 264, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 28€