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sexta-feira, 17 de julho de 2026

Análise: Elric (Volumes 3 e 4)

Elric (Volumes 3 e 4), de Julien Blondel, Jean-Luc Cano, Robin Recht e Julien Telo - Arte de Autor

Elric (Volumes 3 e 4), de Julien Blondel, Jean-Luc Cano, Robin Recht e Julien Telo - Arte de Autor
Elric (Volumes 3 e 4), de Julien Blondel, Jean-Luc Cano, Robin Recht e Julien Telo

Foi com a publicação de O Lobo Branco e A Cidade Que Sonha, respetivamente os tomos 3 e 4, que a adaptação para banda desenhada da obra-prima de Michael Moorcock, Elric, por Julien Blondel, Jean-Luc Cano, Robin Recht e Julien Telo, concluiu o seu primeiro arco narrativo, encerrando de forma particularmente satisfatória e convincente uma obra que já nos dois volumes iniciais tinha demonstrado uma enorme ambição artística e narrativa, conforme escrevi por alturas em que analisei esses dois livros.

Se esses primeiros dois tomos, O Trono de Rubi e Stormbringer, funcionaram sobretudo como uma introdução ao universo de Melniboné e ao conflito entre Elric e Yyrkoon, estes dois volumes finais deste primeiro arco elevam a escala da narrativa, aprofundando a tragédia do protagonista e conduzindo a história para um desfecho simultaneamente épico, melancólico e inevitável.

Elric (Volumes 3 e 4), de Julien Blondel, Jean-Luc Cano, Robin Recht e Julien Telo - Arte de Autor
Começando por vos falar de O Lobo Branco, neste tomo encontramos um Elric profundamente transformado pelos acontecimentos anteriores. Já não estamos perante o jovem imperador dividido entre o dever para com o seu povo e as suas convicções pessoais. Depois de passar um ano em alto mar, navegando pelos Reinos Jovens, Elric tornou-se agora numa figura quase mítica, um mercenário temido por muitos, cuja reputação cresce a grande velocidade. É especialmente interessante observar esta evolução, porque a narrativa explora a forma como o antigo soberano se vai afastando progressivamente da identidade que o definiu durante os livros anteriores. 

Em A Cidade Que Sonha, por sua vez, esta componente trágica que já se poderia antever no final do terceiro tomo, atinge o seu ponto máximo, com Elric a ter que enfrentar os seus maiores inimigos em batalhas épicas e extraordinárias, voltando à sua terra para reconquistar o que é seu por direito.

Os dois livros - aliás, todo o arco narrativo - aprofundam uma das características mais fascinantes da personagem que é a sua permanente luta interior. Elric continua a ser um herói profundamente atípico no panorama da fantasia, pois não é movido pela ambição, pela glória ou pela conquista. Pelo contrário, é uma personagem dorida e melancólica que é consumida pela dúvida, pela culpa e pela reflexão moral. E até mesmo quando Elric exerce uma violência extrema sobre os demais, existe sempre uma consciência crítica relativamente aos seus próprios atos. Essa dimensão oferece profundidade e maturidade à obra e talvez seja mesmo por esse motivo que esta história se mantém atual nos dias de hoje. Como o será nos dias do amanhã.

Elric (Volumes 3 e 4), de Julien Blondel, Jean-Luc Cano, Robin Recht e Julien Telo - Arte de Autor
Houve também uma outra coisa que me agradou nestes volumes que foi o aparecimento da personagem de Smiorgan, que se torna companheiro de viagem e luta de Elric. Bem sei que se trata apenas de uma personagem secundária, mas consegue ser relevante para a história, não só pelo papel que desempenha na progressão da narrativa, mas sobretudo pela forma como complementa a personalidade de Elric. Sendo o protagonista alguém naturalmente reservado, introspetivo e emocionalmente contido, a presença de Smiorgan introduz maior dinamismo, jovialidade e emoção às interações entre personagens. Há uma humanidade e uma leveza na sua presença que ajudam a equilibrar o tom frequentemente sombrio da narrativa. Que jogada de mestre a introdução desta personagem.

Mas é claro que o tema mais central em todo este ciclo, é a relação ambígua entre Elric, Stormbringer e Arioch. A espada negra ceifadora de almas continua a ser simultaneamente uma bênção e uma maldição, pois sendo uma fonte inesgotável de poder, por um lado, também inflige sempre a Elric um elevado a preço a pagar, por outro. Já o vilão Arioch mantém-se como uma presença constante, quase omnipresente, manipulando acontecimentos e conduzindo subtilmente Elric por caminhos que talvez nunca escolhesse livremente. Esta dinâmica cria uma tensão muito eficaz, uma vez que nunca é totalmente claro - pelo menos, para mim não é - onde termina a vontade do protagonista e onde começam as influências das forças sobrenaturais que o rodeiam.

Elric (Volumes 3 e 4), de Julien Blondel, Jean-Luc Cano, Robin Recht e Julien Telo - Arte de Autor
E, claro, temos ainda a bela amada de Elric, Cymoril, por quem o protagonista atravessa todos os mares que sejam necessários atravessar, mas que, curiosamente, tem um papel que pode surpreender alguns. E mais, não digo.

Sendo uma série de espadas e batalhas, uma coisa que aprecio especialmente nela é a maturidade narrativa da obra que, em vez de transformar a história numa mera sucessão de batalhas e confrontos espetaculares, tenha, também, um especial cuidado no desenvolvimento das implicações emocionais e filosóficas dos acontecimentos. As grandes revelações não servem apenas para surpreender o leitor... servem sobretudo para aprofundar o drama pessoal de Elric e o peso das suas escolhas.

Não li a obra original, mas daquilo que pude perscrutar, há nestes terceiro e quarto volumes uma maior independência na forma como a obra é adaptada. No entanto, essa liberdade parece sempre colocada ao serviço da narrativa e nunca em oposição ao espírito da obra original.

Elric (Volumes 3 e 4), de Julien Blondel, Jean-Luc Cano, Robin Recht e Julien Telo - Arte de Autor
E talvez seja mesmo esse um dos vários triunfos desta adaptação. É que adaptar não significa reproduzir mecanicamente. E isso é sentido até nas próprias declarações de Moorcock sobre esta banda desenhada. O grande feito passou por reapropriar a matéria-prima criada originalmente por Michael Moorcock para construir uma verdadeira banda desenhada, pensada para tirar partido das potencialidades específicas do meio. O resultado é uma narrativa fluida, moderna e visualmente impressionante, que sabe respeitar as bases da saga original sem ficar totalmente aprisionada por elas.

No plano gráfico, a qualidade da obra também se mantém em elevado nível. Tal como nos volumes anteriores, encontramos aqui uma obra visualmente magnífica, capaz de alternar bem entre a grandiosidade épica e a intimidade emocional das personagens. Quando a história exige escala, os desenhadores oferecem panoramas monumentais, cidades impossíveis, paisagens fantásticas, embarcações impressionantes e cenas de combate de enorme impacto. Mas quando o foco se desloca para as emoções das personagens, a expressividade dos rostos e das poses assume o papel principal.

Elric (Volumes 3 e 4), de Julien Blondel, Jean-Luc Cano, Robin Recht e Julien Telo - Arte de Autor
É igualmente digno de elogio o facto de uma equipa com tantos desenhadores ter conseguido preservar uma identidade visual tão consistente. Com tantos desenhadores no projeto "tinha tudo para correr mal", diria, mas a verdade é que, ao longo dos quatro volumes, a homogeneidade gráfica não é posta em causa, não havendo nunca a sensação de fragmentação ou de mudança brusca de estilo. Pelo contrário, todo o projeto apresenta uma coerência estética admirável, fruto de um evidente esforço coletivo e de uma visão artística partilhada. Vê-se que houve cuidado, logo de iníco, na preparação e concepção da obra.

As cores continuam também a desempenhar um papel fundamental, com a paleta utilizada a contribuir para reforçar a atmosfera simultaneamente gótica, melancólica e grandiosa da obra.

Em termos de edição, a Arte de Autor mantém os elevados padrões de qualidade já demonstrados nos volumes anteriores. Os livros apresentam capa dura, com textura aveludada e detalhes a verniz. No miolo, o papel utilizado é brilhante e de excelente qualidade. A impressão, encadernação e acabamentos também são de primeira linha. No final do terceiro volume, encontramos um dossier com oito páginas que reúne ilustrações, esboços e estudos de página. Por sua vez, o quarto volume, apresenta um caderno de extras, com cinco páginas, em que nos é dada bastante informação sobre Melniboné. por William Blanc. Os livros têm prefácios de Neil Gaiman e Jean-Pierre Dionnet.

Nota positiva, ainda, para o facto deste arco da série ter sido finalizado em meros dois meses, o que não é nada comum. Bem sei que a presença dos autores no Maia BD há de ter estimulado a editora portuguesa a não perder a oportunidade de editar o maior número possível de volumes. Mas, seja como for, a verdade é que os leitores portugueses puderam deitar mãos a uma mini-série de 4 volumes que foi completada em pouquíssimo tempo, o que é sempre positivo.

Sombria, gótica, violenta, bárbara, romântica, trágica e profundamente fantástica, esta adaptação de Elric afirma-se como uma das mais impressionantes obras de fantasia publicadas em banda desenhada nos últimos anos. Para os admiradores de Michael Moorcock, trata-se de leitura obrigatória. Para os fãs de fantasia épica em geral, é uma recomendação facílima. E até para todos aqueles que procuram uma BD capaz de combinar espetáculo visual, densidade temática e personagens memoráveis, esta série é uma proposta que não deve ser ignorada.


NOTA FINAL (1/10):
9.4



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Elric (Volumes 3 e 4), de Julien Blondel, Jean-Luc Cano, Robin Recht e Julien Telo - Arte de Autor

Fichas técnicas
Elric #3 - O Lobo Branco
Autores: Julien Blondel, Jean-Luc Cano, Robin Recht e Julien Telo
Editora: Arte de Autor
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 232 x 310 cm
Lançamento: Maio de 2026

Elric (Volumes 3 e 4), de Julien Blondel, Jean-Luc Cano, Robin Recht e Julien Telo - Arte de Autor

Elric #4 - A Cidade que Sonha
Autores: Julien Blondel, Jean-Luc Cano e Julien Telo
Editora: Arte de Autor
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 232 x 310
Lançamento: Maio de 2026

terça-feira, 12 de maio de 2026

Arte de Autor não perde tempo e lança o 3º volume de Elric!


Passados cerca de dois meses desde que a editora portuguesa apostou na série Elric, com o lançamento conjunto de dois volumes, chega-nos agora o terceiro volume desta espetacular série de fantasia.

O terceiro volume desta obra que adapta para BD a obra original de Michael Moorcock, intitula-se O Lobo Branco, e tem argumento assegurado por Julien Blondel e Jean-Luc Cano, sendo que o trabalho de desenho e cores é da autoria de Robin Recht e Julien Telo.

O livro deverá chegar às livrarias nas próximas semanas e, por agora, já se encontra em pré-venda no site da editora.

Relembro ainda, para aqueles que quiserem saber mais sobre a série, que já aqui analisei os primeiros dois volumes da obra.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse deste terceiro livro e com algumas imagens promocionais.

Elric #3 - O Lobo Branco, de Julien Blondel, Jean-Luc Cano, Robin Recht e Julien Telo

Uma figura lendária da fantasia adaptada para uma novela gráfica!

Um ano passou desde que Elric deixou Imrryr, o seu palácio e o seu trono, deixando para trás uma Cymoril profundamente ferida e devastada pela dor. Um ano em que deambulou pelos Reinos Jovens, sob o olhar distante, mas sempre presente, de Arioch, o seu protetor. Um ano em que negociou as suas capacidades de feiticeiro e guerreiro com o maior lance, forjando a cada batalha a lenda do guerreiro albino cuja Espada Negra ao seu lado faz tremer até os guerreiros mais corajosos. 

Hoje, já não é Elric de Melniboné, o 428º imperador do povo de R'lin K'ren A'a. Hoje, os Reinos Jovens conhecem-no como o Lobo Branco.

A fabulosa saga de Elric, figura de culto na literatura fantástica, continua nesta adaptação da banda desenhada aclamada por leitores e críticos. 

No final do livro, encontrará os bastidores da produção do álbum e homenagens gráficas à personagem por parte de grandes nomes da ilustração e da banda desenhada.



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Ficha técnica
Elric #3 - O Lobo Branco
Autores: Julien Blondel, Jean-Luc Cano, Robin Recht e Julien Telo
Editora: Arte de Autor
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 232 x 310 cm
PVP: 19,50€

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Análise: Elric (Volumes 1 e 2)


Elric (Volumes 1 e 2), de Julien Blondel, Didier Poli, Robin Recht e Julian Telo

Foi com algum estrondo e pompa que a Arte de Autor editou, há algumas semanas a obra Elric, a adaptação para banda desenhada de Elric de Melniboné, uma obra original de Michael Moorcock. Apanhando os leitores portugueses desprevenidos, a editora optou por editar, de uma só vez, os dois primeiros tomos da série, O Trono de Rubi e Stormbringer, respetivamente, cujo primeiro ciclo tem quatro tomos.

Criada nos anos 60, a saga de Elric de Melniboné, é um dos pilares da fantasia épica moderna e do subgénero sword and sorcery, na tradição de Conan, O Bárbaro e comparável em relevância - com as devidas distâncias - com a saga de O Senhor dos Anéis, de Tolkien.

Elric é o último imperador da antiga e decadente ilha/império de Melniboné, uma civilização outrora dominante que governou o mundo com crueldade, magia e pactos com forças sobrenaturais. Diferente de seus antepassados, Elric é fisicamente frágil, albino e doente, dependendo de poções e feitiços para sobreviver. Intelectual e introspectivo, Elric rejeita a brutalidade tradicional do seu povo, o que o coloca em conflito com a própria herança cultural e política que deveria defender, sendo que o seu oponente máximo passa a ser o seu primo Yyrkoon que, colidindo com estas supostas fraquezas do protagonista, tenta reclamar para si mesmo o direito ao trono rubi. E tudo fará ao seu alcance para conseguir este objetivo pessoal.

O que desperta a ira adormecida de Elric que se vê forçado a restaurar a sua autoridade e a forjar pactos com Arioch, o mais poderoso dos Senhores do Caos. A história destes primeiros dois volumes decorre muito em torno deste conflito entre Elric e Yyrkoon.

Um dos elementos centrais da narrativa também é stormbringer, a espada negra e senciente de Elric, que acaba por ser trazida à sua mão impiedosa para que Elric combata o seu primo. A arma concede-lhe força, saúde e poder, mas cobra-lhe, claro, um preço terrível, visto que a espada se alimenta das almas dos mortos, frequentemente de aliados e de inocentes. 

O que é especialmente interessante na obra - se bem que isso não seja ainda totalmente explorado nestes primeiros dois volumes - é a profundidade da personagem de Elric, cuja tragédia pessoal se intensifica à medida que as suas decisões, mesmo quando bem-intencionadas, resultam em sofrimento e destruição. Isto faz com que Elric se torne numa figura sombria e solitária. Mas como é uma personagem com uma consciência moral mais desenvolvida do que a dos muitos heróis de fantasia do seu tempo - e da atualidade? - acho que podemos considerar que Elric é uma personagem profundamente moderna e ambígua.

É importante referir que esta adaptação da obra original para banda desenhada não se limita a transpor literalmente os romances de Moorcock, com o argumentista Blondel a optar por reorganizar, condensar e dramatizar o material original, criando uma narrativa fluida e moderna, pensada como banda desenhada desde a raiz. Tenha-se em conta que o próprio Michael Moorcock declarou publicamente que esta é a melhor transposição de Elric que já viu, elogiando tanto o tom trágico como o rigor conceptual da adaptação.

Apreciei especialmente que a obra não tente apenas utilizar a temática sword and sorcery para se focar num conjunto infindável de batalhas, sem grande substância de enredo. Pelo contrário, a narração dos acontecimentos dedica tempo ao enquadramento do universo e à construção da personagem principal, explorando cuidadosamente as suas várias facetas e permitindo ao leitor compreender as suas motivações e evolução ao longo da história.

Relativamente aos desenhos, que são assegurados pelos autores Didier Poli, Robin Recht (autor do belíssimo Thorgal - Adeus Aaricia)   Julien Telo, esta é uma obra soberba que dificilmente não apelará à grande maioria dos leitores portugueses. 

Com desenhos grandiosamente arrebatadores, os ilustradores conseguiram trazer para a nossa visão um mundo frio e cruel, digno das maiores sagas épicas. Os cenários são de cortar a respiração, as personagens são marcantes, expressivas e cheias de personalidade, e as cenas de ação revelam não só dinamismo, mas também uma clara consciência da escala épica e megalómana que uma obra deste género exigiria. Nota‑se, igualmente, um cuidadoso trabalho de pesquisa associado à conceção tanto das personagens como dos ambientes retratados. Fica no ar a ideia de que cada decisão, por ínfima que fosse, foi devidamente ponderada entre os vários autores que colaboraram na obra.

Há, pois, uma dimensão épica nos desenhos que não só encaixa perfeitamente no tema da obra, como revela bem o talento do esforço colaborativo dos desenhadores Didier Poli e Robin Recht. E mesmo quando, a partir da página 12 do segundo volume, Didier Poli decidiu abandonar o projeto, a transição é praticamente imperceptível, visto que Julien Telo assumiu o seu lugar de forma extremamente fiel, assegurando uma continuidade visual que em nada compromete a qualidade artística da obra. Nota ainda, positiva, para o trabalho de Jean Bastide e Scarlet Smulkowski nas cores que contribuem para o espetáculo visual da obra.

Em termos de edição, ambos os livros apresentam um trabalho cuidado e especial. Têm capa dura, com a textura aveludada, que tanto aprecio, e detalhes a verniz. No miolo, o papel é bom, tendo a quantidade certa de brilho, e o trabalho de impressão e encadernação também é de qualidade superior. Como extras, o primeiro livro tem um prefácio do próprio Michael Moorcock e o segundo tem um prefácio de Alan Moore. Além disso, o primeiro volume tem um caderno adicional de extras muito bom, que inclui textos explicativos sobre o processo de criação da banda desenhada e das personagens, que são acompanhados por esboços e estudos de personagem. Há ainda uma página que nos permite perceber como foi o processo colaborativo entre Didier Poli, Robin Recht e Jean Batisde. Muito interessante. E, no final, ainda há uma galeria com oito ilustrações de homenagem, feitas por vários autores. O segundo volume não tem um dossier tão extenso de extras, mas mesmo assim ainda apresenta 5 páginas de esboços.

Como cereja em cima do bolo, os livros vinham acompanhados por uma pasta em veludo vermelha, com uma tira de cetim, o que ainda ofereceu uma dose extra de charme e requinte à edição. Não é comum vermos algo assim - para ser sincero, acho que nunca o tinha visto. E, por isso, dou os meus parabéns à editora pela ousadia e sofisticação.

Devo dizer que, tendo em conta que existe um integral do primeiro ciclo publicado em França, talvez eu tivesse preferido que a editora portuguesa tivesse optado por editar a obra desse modo, reunindo num volume integral os quatro tomos que compõem o primeiro ciclo de Elric.  Mas também compreendo que, com o preço da edição francesa a 55,00€, o preço da edição portuguesa - por motivos de quantidade da tiragem, tradução, etc - deveria ser anda maior, o que poderia tornar a compra incomportável para muitas carteiras portuguesas. Aceita-se, pois, a opção da Arte de Autor, que permite diluir o esforço financeiro dos leitores ao dar-lhes a oportunidade de comprar cada um dos tomos abaixo dos 20€. 

Em suma, Elric é uma obra imponente e cheia de personalidade que sabe impressionar o leitor menos impressionável, nunca perdendo o sentido de grandiosidade sombria que a define. Com personagens duras, moralmente dúbias e por vezes abertamente maléficas, e um mundo onde a tragédia e o excesso fazem parte do quotidiano, esta BD é uma recomendação fácil para qualquer fã do género fantástico. Melhor ainda: é também leitura obrigatória para quem vibra com o imaginário do power metal, feito de heróis condenados, atmosferas épicas e sentimentos levados ao limite. Não terá sido o próprio power metal influenciado pela obra original de Moorcock? Em Elric tudo é grande, majestoso, intenso, excêntrico e megalómano...  e isso joga claramente a favor da obra!


NOTA FINAL (1/10):
9.5



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020




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Fichas técnicas

Elric #1 - O Trono de Rubi
Autores: Julien Blondel, Didier Poli, Robin Recht e Jean Bastide
Adaptação a partir da obra original de Michael Moorcock
Editora: Arte de Autor
Páginas: 64, a cores - inclui extenso caderno de extras
Encadernação: Capa dura
Formato: 232 x 310 mm
Lançamento: Março de 2026

Elric #2 - Stormbringer
Autores: Julien Blondel, Didier Poli, Robin Recht e Julien Telo
Adaptação a partir da obra original de Michael Moorcock
Editora: Arte de Autor
Páginas: 56, a cores - inclui extenso caderno de extras
Encadernação: Capa dura
Formato: 232 x 310 mm
Lançamento: Março de 2026

segunda-feira, 16 de março de 2026

Pára tudo! Arte de Autor surpreende com nova aposta em BD!



Ora, eis uma notícia que me surpreendeu e que, muito provavelmente, vai surpreender muita gente!

Isto porque muitas vezes - tenho que o confessar - até vos apresento aqui novidades que já conhecia há algum tempo, mas que não estava autorizado a anunciá-las antes do momento definido pelos editores. Mas, neste caso, até hoje de manhã, há pouco mais de 30 minutos, eu não tinha qualquer conhecimento acerca desta grande aposta da Arte de Autor. Foi uma agradável surpresa!

E digo "grande" por várias razões. Por um lado, porque estamos diante de uma série que adapta para banda desenhada a saga de Elric de Melniboné, uma obra original de Michael Moorcock, criada nos anos 60, e que é um dos pilares da fantasia épica moderna e do subgénero sword and sorcery.

Por outro lado, porque esta é uma série que envolve autores de renome como Julien Blondel, Robin Rech ou Julien Telo, entre vários outros. Em último lugar, é uma obra de excelente reputação junto da crítica e fãs.

Não a conheço, mas fiquei super entusiasmado com esta aposta. Até porque os desenhos da mesma aparentam ser espetaculares!

A Arte de Autor opta por lançar, de uma só vez, os dois primeiros volumes, que devem chegar às livrarias no final desta semana. Para já, a série tem 6 volumes, sendo que o primeiro ciclo é constituído por 4 tomos, cuja edição da Arte de Autor já está confirmada.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse dos dois primeiros volumes e com algumas imagens promocionais.

Elric #1 - O Trono de Rubi, de 
Julien Blondel, Didier Poli, Robin Recht e Jean Bastide

A adaptação para banda desenhada da famosa saga de Elric de Melniboné! 

Criado pelo autor britânico Michael Moorcock em 1955, este anti-herói decadente, imbuído de um romantismo trágico raro na fantasia, é hoje uma referência essencial no género, ao lado de Conan, o Bárbaro, e O Senhor dos Anéis. Épica, gótica, extravagante e encantadora, esta adaptação 100% francesa recebeu a aprovação entusiástica do próprio Michael Moorcock.

O Trono de Rubi
Uma figura lendária da fantasia adaptada para uma novela gráfica! Imperador da antiga Ilha dos Dragões de Melniboné, Elric, um albino e doente, governa um povo cujo poder foi herdado dos deuses há milénios. Mas a sua saúde frágil obriga-o a usar drogas e magia para sobreviver. O seu primo Yyrkoon, que despreza estas fraquezas, tenta desafiar o seu direito ao trono rubi. 

Ao saber de um ataque iminente de piratas sanguinários, Elric aproveita a oportunidade para tentar restaurar a sua autoridade. Ao fazê-lo, revelará uma personalidade complexa, mas também a sua lealdade aos planos obscuros de Arioch, o mais poderoso dos Senhores do Caos…

A saga de Elric foi adaptada de inúmeras formas ao longo de mais de cinquenta anos: literatura, banda desenhada (primeiro por Philippe Druillet em 1969!), videojogos, jogos de role-playing…

Épica, gótica, extravagante, fascinante, esta nova adaptação 100% francesa, sumptuosamente ilustrada por Didier Poli e Robin Recht, recebeu a entusiástica aprovação do próprio Michael Moorcock e já está a ser vendida nos países de língua inglesa antes mesmo de ser publicada em França!

Prefácio: Michael Moorcock

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Ficha técnica
Elric #1 - O Trono de Rubi
Autores: Julien Blondel, Didier Poli, Robin Recht e Jean Bastide
Adaptação a partir da obra original de Michael Moorcock
Editora: Arte de Autor
Páginas: 64, a cores - inclui extenso caderno de extras
Encadernação: Capa dura
Formato: 232 x 310 mm
PVP: 19,50€
Elric #2 - Stormbringer, de Julien Blondel, Didier Poli, Robin Recht e Jean Bastide

Uma figura lendária da fantasia adaptada para uma novela gráfica!

Yyrkoon fugiu de Melniboné, levando consigo Cymoril, a noiva do Imperador. Elric, entretanto, faz tudo o que está ao seu alcance para a encontrar e descobre que ela está a ser mantida prisioneira nas ruínas de Dhoz Kham, no coração dos Reinos Jovens. Com um pequeno grupo e a bênção de Straasha, o Senhor dos Mares, Elric parte para confrontar o seu primo traiçoeiro...

Depois de um primeiro volume aclamado pela crítica e pelos leitores, a adaptação em novela gráfica de Elric — reconhecida pelo próprio Michael Moorcock como «a melhor alguma vez feita» — continua, tão ricamente ilustrada como sempre. 

Este segundo volume, no qual Elric encontra a sua lendária espada amaldiçoada, Stormbringer, apresenta um prefácio do lendário Alan Moore!

Prefácio: Alan Moore


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Ficha técnica
Elric #2 - Stormbringer
Autores: Julien Blondel, Didier Poli, Robin Recht e Jean Bastide
Adaptação a partir da obra original de Michael Moorcock
Editora: Arte de Autor
Páginas: 56, a cores - inclui extenso caderno de extras
Encadernação: Capa dura
Formato: 232 x 310 mm
PVP: 19,50€

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Análise: Thorgal - Adeus Aaricia

Thorgal - Adeus Aaricia, de Robin Recht - A Seita

Thorgal - Adeus Aaricia, de Robin Recht - A Seita
Thorgal - Adeus Aaricia, de Robin Recht

Depois de dois lançamentos inseridos na continuidade original de Thorgal, nomeadamente O Eremita de SkellingarA Selkie, a editora A Seita regressou recentemente à edição de obras da série em questão.

E desta vez fê-lo não com um álbum da série canónica em continuidade, mas através de Adeus Aaricia, um "Thorgal de Autor" que abre, aliás, a série Thorgal Saga, uma iniciativa que permite a autores de renome explorarem o universo de Thorgal sob perspectivas únicas. Embora estas histórias estejam fora da continuidade da série original, mantêm-se fiéis ao espírito mitológico da série criada por Jean Van Hamme e Grzegorz Rosiński.

O autor deste Adeus Aaricia, que assina argumento e ilustração, é Robin Recht.

Thorgal - Adeus Aaricia, de Robin Recht - A Seita
Nesta narrativa, encontramos um Thorgal já bastante idoso que, no crepúsculo da sua vida, vê-se forçado a ter que enfrentar a perda irreparável de Aaricia, a sua eterna amada. A história arranca com Thorgal, só e devastado pela dor, a ter que observar o barco que leva Aaricia na sua última viagem. É o fim de uma era para o protagonista neste começo arrojado e poético do livro.

Mas a trama logo ganha profundidade quando Nidhogg, um antigo inimigo de Thorgal, surge do nada, como que por magia, e lhe oferece o anel de Ouroboros. Este artefacto místico tem o poder de transportar o seu portador de volta ao passado, o que proporciona a Thorgal a possibilidade de viajar no tempo e, por conseguinte, voltar a estar com Aaricia, alterando o curso dos acontecimentos. A proposta é mais que tentadora e Thorgal acaba mesmo por ceder, entrando numa jornada que tem muito de perigoso - pois não devemos mexer com o passado - e muito de introspetivo, pois aquilo que nos acontece no passado, sejam coisas boas ou más, também converge no sentido de nos moldar enquanto homens e mulheres.

Thorgal - Adeus Aaricia, de Robin Recht - A Seita
A premissa não é propriamente nova - lembro-me, por exemplo, que, com as devidas diferenças, o recentemente publicado Bairro Distante, de Jiro Taniguchi, toca em pontos semelhantes -, mas pareceu-me bem explanada por Robin Recht. Se os mais céticos ou puristas da série Thorgal estão a torcer o nariz perante esta premissa de voltar atrás no tempo, deixem-me assegurar-vos que esta opção narrativa funciona bem e consegue ser minimamente credível. Ou aceitável, vá.

Ao revisitar momentos cruciais do seu passado, Thorgal terá que confrontar não apenas as memórias compartilhadas com Aaricia, mas também os desafios e sacrifícios que moldaram a sua vida. Esta viagem temporal levanta questões sobre o destino, o arrependimento e o verdadeiro custo de se alterar o passado.

Teremos acesso a um Thorgal velho a coexistir com um Thorgal novo, numa história que consegue ser cativante e facilmente perceptível mesmo para aqueles que não estão familiarizados com a série. Há depois vários momentos de ação, a utilização de personagens recorrentes da série, como Gandalf, e a introdução de uma nova personagem, por sinal muito interessante, que dá pelo nome de Skraeling.

Thorgal - Adeus Aaricia, de Robin Recht - A Seita
As ilustrações de Recht são belíssimas, conseguindo acompanhar a força do trabalho miraculoso de Rosiński, com os cenários, as personagens, os momentos de ação e de introspeção a remeterem-nos para o frio das regiões nórdicas da Escandinávia. As expressões das personagens são bem conseguidas também, dotando a obra de um tom dramático. Ao contrário de Fred Vignaux, que, em temor de ilustração, me parece assumir uma abordagem mais moderna para a série, Recht parece mais alinhado com o estilo de desenho de Rosiński. Por esse motivo, julgo que os fãs da vertente visual da série mais clássica ficarão, pois, muito satisfeitos. Curiosamente, até prefiro os desenhos de Fred Vignaux, mas não posso deixar de dizer que também o trabalho de Rech é do meu agrado por ser verdadeiramente impressionante. Gostos, portanto.

A edição que A Seita faz deste livro é verdadeiramente cativante, com o livro a apresentar capa dura com textura aveludada e detalhes a verniz. O formato também é grande, sendo bastante superior aos outros Thorgal publicados pela editora. No miolo, o livro oferece-nos bom papel brilhante e uma excelente encadernação e impressão. Há ainda um belo dossier de extras, com 10 páginas, composto por uma nota final do autor e com um "making of" do livro, onde nos são mostrados esboços das personagens acompanhados por comentários de Robin Recht, bem como o processo de desenvolvimento do storyboard e duas belas ilustrações. É mesmo um daqueles livros bonitos, com uma edição muito cuidada.

Como nota final, espero que este livro represente o regresso da editora ao lançamento desta série que, infelizmente, tem sido publicada em Portugal aos tropeços deixando muitos e belos livros por publicar ainda.

Em suma, Thorgal - Adeus Aaricia é um belo livro que oferece uma exploração profunda do luto, do amor e das escolhas que definem a nossa existência. Mesmo situado fora da continuidade principal da série, este é um livro que acaba por enriquecer o universo de Thorgal, proporcionando aos fãs uma perspectiva renovada sobre a icónica personagem e o seu legado. 


NOTA FINAL (1/10):
9.2


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Thorgal - Adeus Aaricia, de Robin Recht - A Seita

Ficha técnica
Thorgal Saga - Vol. 1 - Adeus Aaricia
Autor: Robin Recht
Editora: A Seita
Páginas: 120, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 235 x 340 mm
Lançamento: Setembro de 2024

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

Thorgal volta a ser lançado em Portugal!




Entre os vários lançamentos que a editora A Seita fez durante o Amadora BD, esteve este novo livro de Thorgal que se assume como um "Thorgal visto por" e que está a chegar às livrarias portuguesas nos próximos dias.

Trata-se de um álbum independente da continuidade narrativa da série principal. A autoria deste trabalho pertence a Robin Recht, sendo a obra apresentada numa edição luxuosa, que inclui um belo caderno gráfico como extra. Uma edição que ainda só pude folhear, mas que achei muito bonita.

Brevemente o livro será lido e analisado por aqui, como é prática comum.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.

Thorgal Saga - Vol. 1 - Adeus Aaricia, de Robin Recht

Adeus Aaricia é o primeiro título de Thorgal Saga, uma colecção que permite a autores conhecidos criar a sua interpretação do universo de Thorgal. Histórias fora da continuidade da série original, mas que respeitam o espírito do mito construído por Jean van Hamme e Grzegorz Rosinski.

O tempo é o mais cruel dos deuses. Aaricia suspirou pela última vez. Sozinho na margem, no crepúsculo da sua vida, Thorgal observa o barco que transporta a sua amada para a sua última viagem, esmagado pela dor.
É nesse momento que Thorgal vê ser-lhe oferecido pelo seu velho inimigo, a serpente Nidhogg, o anel de Ouroboros... Se o colocar no dedo, poderá voltar ao passado e rever o amor da sua vida. Uma tentação terrível, à qual nem o herói mais sensato consegue resistir. Começa então para Thorgal uma perigosa aventura cujo desafio não será apenas a sua vida e a daqueles que amou, mas a própria existência do seu destino.

Robin Recht é uma das estrelas actuais da BD francesa. Nascido na geração que se estreou nos role-playing games, como Dungeons & Dragons, e na fantasia heróica, Recht adora Thorgal, uma das séries da sua infância, e criou com este álbum uma história que tem as suas raízes no amor que une o herói a Aaricia. Graficamente, o desafio de assinar um álbum desta personagem está mais que conseguido, seguindo nos passos de Rosinski, com um desenho talvez ainda mais majestoso.
Recht sai do formato clássico do álbum de 48 páginas franco-belga, libertando-se dessa limitação, com um livro que conta com cerca de cem pranchas belíssimas, no formato maior da BD franco-belga, com uma planificação generosa e imponente.

Quanto ao cenário, utiliza muitos elementos conhecidos, antes de virar para uma direcção inesperada. E o início não poderia ser melhor, dando-nos a ver um Thorgal idoso a contracenar com um Thorgal jovem, num enredo onde o amor e a aventura surgem interligados num maravilhoso cenário nórdico. A inclusão de uma viagem no tempo confere originalidade ao enredo e representa, de certa forma, um piscar de olhos à longevidade da saga. Jogando em dois espaços temporais diferentes, o autor permite contrapor um Thorgal solitário, no crepúsculo da sua vida, desgastado, mas mais maduro, com a essência da personagem, o Thorgal mais jovem, fresco e imaturo.

Quer gráfica, quer narrativamente, Adeus Aaricia destaca-se como um dos melhores títulos de Thorgal dos últimos anos. 

Tal como os álbuns mais recentes, este livro pode ser lido sem grande conhecimento prévio da série, e os fãs podem mergulhar directamente na leitura emocionante de uma narrativa que não se limita a copiar o original.

A edição portuguesa d’A Seita inclui um caderno final inédito na versão normal francesa, com uma dúzia de páginas, que inclui esboços e estudos gráficos, exemplos de planificação e ilustrações várias, e um conjunto de observações do autor.


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Ficha técnica
Thorgal Saga - Vol. 1 - Adeus Aaricia
Autor: Robin Recht
Editora: A Seita
Páginas: 120, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 235 x 340 mm
PVP: 28,00€