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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Análise: Saga - Volumes 11 e 12

Saga - Volumes 11 e 12, de Brian K. Vaughan e Fiona Staples - G. Floy Studio Portugal

Saga - Volumes 11 e 12, de Brian K. Vaughan e Fiona Staples - G. Floy Studio Portugal
Saga - Volumes 11 e 12, de Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Hoje falo-vos dos mais recentes volumes da série Saga, de Brian K. Vaughan e Fiona Staples, que a editora G. Floy Studio continua a editar por cá.

A série deverá ter, no seu total, 18 volumes, pelo que, não estando para já próximo o seu fim, a verdade é que já faltou mais. 

Falando-vos, então, dos volumes 11 e 12 da série, posso afirmar que a saga de Alana e Marko continua a surpreender, mesmo depois de mais de uma década de histórias. Brian K. Vaughan mantém a habilidade de levantar questões morais e existenciais, explorando temas como a família, o amor, a guerra e a lealdade, sem nunca se tornar pesado ou pretensioso. É um autêntico "guisado" de vários temas, como já pude dar conta na análise conjunta que fiz aos primeiros dez volumes da série.

Saga - Volumes 11 e 12, de Brian K. Vaughan e Fiona Staples - G. Floy Studio Portugal
Como escrevi na altura, "aquilo que é realmente magnífico em Saga, não é a ficção, não é a fantasia, não é a ação, não é a guerra… O que é fantástico é a história e as personagens e, especialmente, a narrativa em que a série se apoia".

E nestes volumes 11 e 12 vemos que a série continua a conseguir equilibrar momentos de ação e drama com pausas mais intimistas. O leitor sente que cada capítulo serve para aprofundar personagens, ao mesmo tempo que move a história em frente de forma consistente.

Apesar de já não ter o fulgor inicial que os primeiros volumes tinham, Saga mantém-se cativante e coerente. Não há tropeços narrativos graves, apenas a sensação de que alguns acontecimentos já não têm o mesmo impacto de surpresa que tiveram em volumes anteriores. Ainda assim, a leitura continua agradável e fluida.

O argumentista Brian K. Vaughan continua a explorar dilemas morais, desta vez de forma mais madura e reflexiva, com as personagens a serem confrontadas com escolhas difíceis, que as testam como família, como guerreiras e como indivíduos. O resultado é um equilíbrio entre ação, reflexão e emoção que mantém o interesse do leitor.

Saga - Volumes 11 e 12, de Brian K. Vaughan e Fiona Staples - G. Floy Studio Portugal
E até mesmo as personagens secundárias, um dos outros pontos fortes da série, continuam a brilhar. Cada figura que cruza o caminho de Alana e Hazel tem motivações claras e distintas, e muitas vezes oferecem momentos de humor, ternura ou tensão que equilibram a narrativa e a tornam verosímil.

Já em termos de ritmo, estes volumes mostram uma série que se acomoda na sua própria narrativa. Não parece haver pressa para resolver certas tramas secundárias ou para lançar novos elementos. Por um lado, isso funciona a favor da profundidade emocional e da construção do universo que Vaughan e Staples criaram, mas por outro lado, pode dar uma certa sensação de "arrastamento" do enredo. Não é que isso aconteça de forma exagerada, como noutras séries, mas confesso ter sentido um pouco nestes dois últimos livros.

No volume 11, a narrativa foca-se na vida de Alana e Hazel após o desaparecimento de Marko. Alana tenta proteger Hazel enquanto lida com os desafios de criar a filha sozinha numa galáxia em guerra, navegando entre alianças frágeis, inimigos persistentes e as consequências emocionais da perda de Marko. 

Saga - Volumes 11 e 12, de Brian K. Vaughan e Fiona Staples - G. Floy Studio Portugal
No volume 12, a história continua a acompanhar Alana e Hazel enquanto estas enfrentam novas ameaças e dilemas na galáxia em guerra, agora totalmente sem Marko. Alana precisa tomar decisões difíceis para proteger Hazel - que está a crescer a olhos vistos - lidando com inimigos que reaparecem e com os desafios de criar a filha num mundo hostil. Este livro explora ainda mais as tensões familiares, a coragem e a resiliência, alternando momentos de ação, suspense e humor característicos da série. Vaughan mantém a profundidade emocional, mostrando como a perda de Marko molda cada decisão, especialmente o desejo reprimido de Hazel por, de algum modo, ressuscitar o seu pai. Se é que isso é possível. Aguardemos.

Quanto às ilustrações, Fiona Staples segue a mesma toada visualmente. A sua arte continua fiel a si própria, apresentando um traço moderno, singular e verdadeiramente eficiente, sendo rico na caracterização da expressividade das personagens. Mesmo com o tempo, Fiona Staples não parece ter perdido aquilo que, também nesse vetor, tornou célebre esta saga denominada Saga: frescura nas cores, elegância e modernidade no traço e capacidade de transmitir emoções complexas com uma simples expressão facial. Isto já para não falar na originalidade gráfica de algumas das personagens mais alienígenas. 

Em termos de edição, a G. Floy Studio mantém os livros com capa dura baça, bom papel baço no interior, e boa encadernação e impressão. No final do Volume 11, há uma página com esboços de personagens e estudos de capa, enquanto no Volume 12, há duas páginas onde vemos o processo de storyboard de Staples para um dos capítulos da história. Uma pequena nota negativa: algum do texto que é narrado aparece na cor preta em sobreposição a fundos escuros e sem qualquer caixa branca, o que torna difícil a leitura. Não tive oportunidade de ver se isto também acontece na edição original da obra, mas não deixa de ser uma coisa negativa para a edição.

Em resumo, os volumes 11 e 12 de Saga não revolucionam a série, mas mantêm-na firme e interessante. Vaughan e Staples mostram que, mesmo depois de tantos números, o universo por si imaginado continua rico e as personagens continuam cativantes. Para os leitores fiéis, é mais um lembrança de que esta história, com todos os seus altos e baixos, vale a pena continuar a acompanhar.


NOTA FINAL (1/10):
8.9



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Saga - Volumes 11 e 12, de Brian K. Vaughan e Fiona Staples - G. Floy Studio Portugal

Fichas técnicas
Saga #11
Autores: Brian K. Vaughan e Fiona Staples
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 148, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Janeiro de 2024

Saga - Volumes 11 e 12, de Brian K. Vaughan e Fiona Staples - G. Floy Studio Portugal

Saga #12
Autores: Brian K. Vaughan e Fiona Staples
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 152, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Setembro de 2025


terça-feira, 14 de outubro de 2025

"Saga" está de regresso!



A G. Floy Studio prepara-se para lançar o mais recente volume - o 12º - da saga Saga, passo a redundância, série da autoria de Brian K. Vaughan e Fiona Staples!

O livro deverá chegar às livrarias e às bancas a partir do próximo dia 22 de Outubro, quarta-feira.

Recordo que os 10 primeiros volumes desta bela série já mereceram uma análise conjunta que pode ser (re)lida aqui.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Saga - Volume 12, Brian K. Vaughan e Fiona Staples

FIONA STAPLES e BRIAN K. VAUGHAN, a equipa vencedora de vários prémios Hugo e Eisner, trazem-nos SAGA, a história de uma jovem chamada Hazel e da sua malfadada família. 

Neste épico décimo segundo volume, Alana assume um cargo novo e perigoso, os seus dois filhos tomam decisões importantes, e a balança de poder da galáxia começa a pender mais para um dos lados.

Reúne os números #67-72 de Saga.

“Aristocratas robot com TV em vez de cabeças, uma gata careca que sente mentiras, e uma adorável jovem no centro de um conflito galáctico ricamente concebido. Que mais poderia alguém desejar, além de mais capítulos desta já longeva série?”
-Scientific American

“Um dos mais icónicos livros de ficção científica/fantasia do séc. XXI.”
-Reactor

“Adoro este mundo... uma das histórias que mais vezes releio.”
-Lupita Nyong’o na Vanity Fair

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Ficha técnica
Saga - Volume 12
Autores: Brian K. Vaughan e Fiona Staples
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 152, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato:
PVP: 23,00€

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

TOP 10 - A Melhor BD lançada pela G. Floy Studio nos últimos 5 anos!


Hoje trago-vos as 10 melhores bandas desenhadas editadas pela G. Floy Studio nos últimos 5 anos! 

Esta editora que nos últimos anos até tem andado algo tímida no que ao lançamento de banda desenhada diz respeito, editou inúmeras bandas desenhadas de qualidade superior entre os anos 2020 e 2025, contribuindo com a sua parte para que a 9ª arte tenha vivido um momento tão bom na última meia década.

Convém relembrar que este conceito de "melhor" é meramente pessoal e diz respeito aos livros que, quanto a mim, obviamente, são mais especiais ou me marcaram mais. Ou, naquela metáfora que já referi várias vezes, "se a minha estante de BD estivesse em chamas e eu só pudesse salvar 10 obras, seriam estas as que eu salvava".

Faço aqui uma pequena nota sobre o procedimento: considerei séries como um todo e obras one-shot. Tudo junto. Pode ser um bocado injusto para as obras autocontidas, reconheço, e até ponderei fazer um TOP exclusivamente para séries e outro para livros one-shot, mas depois achei que isso seria escolher demasiadas obras. Deixaria de ser um TOP 10 para ser um TOP 20. Até me facilitaria o processo, honestamente, mas acabaria por retirar destaque a este meu trabalho que procura ser de curadoria. Acabou por ser um exercício mais difícil, pois tive que deixar de fora obras que também adoro, mas acho que quem beneficia são os meus leitores que, deste modo, ficam com a BD que considero ser a "crème de la crème" de cada editora.

Portanto, sem mais demoras, aqui estão elas, as 10 Melhores BDs da G. Floy Studio:

terça-feira, 26 de março de 2024

BD "Saga" está de volta!



A G. Floy Studio acaba de lançar o mais recente volume da série de enorme sucesso Saga, de Brian K. Vaughan e Fiona Staples!

Já aqui falei sobre os belíssimos primeiros 10 volumes da série e, como tal, recomendo uma leitura a essa análise feita à obra.

O livro já se encontra em livrarias e deverá chegar às bancas amanhã.

Por agora, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Saga #11, de Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Da galardoada equipa criativa de FIONA STAPLES e BRIAN K. VAUGHAN, vencedores de múltiplos Eisners, SAGA é a arrebatadora história de uma menina chamada Hazel e a sua família de caminhos cruzados com o destino.

Nesta nova "temporada", a mãe solteira Alana e os seus filhos fazem o que podem para sobreviver, enquanto os ricos e poderosos formam novas alianças na infindável guerra do seu universo.

Reúne os números #61-66 de Saga.

"Saga está de volta e, logo à partida, mostra o porquê de ser considerado o melhor comic da sua geração, continuando a história das aventuras de Alana e Hazel numa história que é tão comovente, violenta e repleta de sexo como os leitores dela esperam."
- SCREEN RANT

"Mais uma bem-sucedida continuação de narrativa em comic após um hiato, bem como um dos mais directos lembretes do que uma guerra interminável significa, aparentemente influenciado pela erupção de novas guerras no nosso mundo."

- THE BEAT

"Saga é uma das mais belas histórias de romance de todos os tempos. A arte de Fiona Staples dá vida a um mundo de personagens e cenários belos que qualquer tipo de adaptação acharia impossíveis de recriar."

- WASHINGTON SQUARE NEWS


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Ficha técnica
Saga #11
Autores: Brian K. Vaughan e Fiona Staples
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 148, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 22,00€

quinta-feira, 9 de março de 2023

Análise: Saga – Volumes de 1 a 10

Saga – Volumes de 1 a 10, Brian K. Vaughan e Fiona Staples - G. Floy Studio

Saga – Volumes de 1 a 10, Brian K. Vaughan e Fiona Staples - G. Floy Studio
Saga – Volumes de 1 a 10, Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Desde que esta série, da autoria de Brian K. Vaughan e Fiona Staples, foi originalmente publicada – estávamos no ano 2012 – que houve um consenso alargado entre crítica e leitores sobre a sua qualidade. Expressões como: “tens que ler, é maravilhosa”, “obrigatória!” ou “que série viciante!” inundaram as conversas que tive com alguns conhecidos sobre Saga. Claro que, face a essas exclamativas afirmações, a questão que se fazia era: “ok, já percebi que é bom. Mas do que se trata?”. E era aí que a porca torcia o rabo. Pelo menos, quanto a mim.

Saga tem, de facto, um nome muito apropriado, mas também poderia chamar-se “Stew” ou “guisado”. Isto porque congrega muitas e muitas e muitas e muitas e, mais uma vez, muitas coisas em si mesmo. É de ficção científica, é futurista, é uma distopia, é WOKE, tem fantasia, tem ação, tem comédia, tem crítica social, tem sexo, tem guerra, tem crítica social… tem tudo. Mas, lá está, dizer isto pode ser algo exacerbado quando se quer falar bem de algo. Pode soar a um certo pedantismo literário.

Saga – Volumes de 1 a 10, Brian K. Vaughan e Fiona Staples - G. Floy Studio
E, certamente por isso, apesar de ler críticas elogiosas à série e apesar de muitos amigos próximos me sugerirem que lesse Saga… passei os últimos 10 anos a "chutar a bola para canto" relativamente a esta obra. Porquê? Bem, porque talvez todas as críticas e todas as sugestões que li ou ouvi sobre a série simplesmente falharam – na minha opinião, atenção! – em dizer aquilo que é realmente magnífico em Saga. Não é a ficção, não é a fantasia, não é a ação, não é a guerra… O que é fantástico é a história e as personagens e, especialmente, a narrativa em que a série se apoia.

O que me remete para a série Game of Thrones. É uma série televisiva que é recomendável para todos os que gostam de uma boa história e de uma boa narrativa. Esse é o cerne da questão. Não será por ter dragões, cavaleiros, sexo, ação, guerra, aventura, comédia, etc. O que ali sobressai é a história e a forma como a mesma nos é dada (narrativa). É por isso que é uma série que se recomenda para todos os que apreciam uma boa história, mesmo que não gostem de dragões, cavaleiros, sexo, ação, guerra, aventura ou comédia. Não é bem “o quê” ou o “quem” que interessa, mas mais o “como”. Como a história é construída. A relevância do conteúdo ultrapassa a forma, pronto. Portanto, tal como a série Game of Thrones poder ser - e bem! - recomendada a pessoas que não gostam de cavaleiros, dragões, sexo ou ação... Saga também é recomendada a pessoas que não gostam de ficção científica, futurismo, fantasia ou ação.

Saga – Volumes de 1 a 10, Brian K. Vaughan e Fiona Staples - G. Floy Studio
E, se me tivessem dito isto desta maneira, eu teria mergulhado de cabeça nesta série há 10 anos, estou certo. Não o fiz porque não achei que os elementos que as pessoas/analistas destacavam como sendo bons, eram muito apetecíveis para mim. Mas foi uma pena que não tivesse conhecido esta bela série há mais tempo.

Isto porque vos posso dizer, mesmo com um atraso de uma década, que Saga é uma série de banda desenhada absolutamente bem construída, bem pensada e bem executada! E sim, é composta por um enorme “guisado” de tantas e tantas coisas, mas, mais importante que isso, é uma história genialmente pensada e escrita pelo seu argumentista, o famoso Brian K. Vaughan.

A série tem sido publicada em Portugal, desde 2014, pela editora G. Floy Studio e já vai em 10 volumes. Foi no final do ano passado, em Dezembro, que a editora publicou o 10º volume, depois de uma espera de 3 anos em que os autores demoraram mais do que o habitual a produzirem um novo volume. E isso foi o gatilho para eu dar, finalmente, uma oportunidade à série. Em boa hora o fiz.

Saga é uma história de amor, nas suas mais diversas formas, mas com especial ênfase no amor de família. A narrativa é ambientada por essas galáxias fora, em planetas de perder de vista, e centra a sua ação no romance que sucede entre dois jovens soldados que se encontram nos lados opostos de uma guerra intergaláctica infindável. Assim um bocado como a história de Romeu e Julieta, ou de Pocahontas ou de Avatar. Bem, talvez mais próxima de Avatar por ser igualmente ambientada no espaço, com figuras meio humanas, meio alienígenas, meio animalescas. 

Saga – Volumes de 1 a 10, Brian K. Vaughan e Fiona Staples - G. Floy Studio
Seja como for, isto é apenas o ponto de partida. Porque assim que Marko e Alana - oriundos de raças, espécies e de planetas diferentes - concebem, contra todas as regras do universo, uma vida… que o caos está instalado. O casal tudo fará para proteger a sua filha, Hazel, mas o universo tudo fará para perseguir, estudar(?) e aniquilar esta família. Dito assim, não parece muito excitante, bem sei, mas asseguro-vos que a história tem reviravoltas e detalhes que fazem o leitor ficar ligado à mesma.

Depois, junta-se ao enredo uma enorme quantidade de criaturas – algumas delas, bem estranhas – que se querem aproximar de Marko, Alana e Hazel. Há um príncipe Robot, com cabeça de écran – sim, leram bem – que quer perseguir e assassinar a família. Mas também há um conjunto de assassinos profissionais mandatados para a aniquilação da improvável família. E há a ex-noiva de Marko que também o quer perseguir. Surgem ainda fantasmas, uma gata que funciona como máquina da verdade e revela logo se uma personagem está a mentir ou não e muitas outras personagens com aspeto de animal. Visualmente falando, há personagens muito originais e com aspetos rocambolescos, dignas da criação de uma mente quer retorcida, quer infinitamente criativa e original. Lembro-me, por exemplo, de uma enorme aranha, com busto de mulher sem braços, entre várias outras personagens que, à primeira vista, e devido à sua estranheza visual, parecem não criar empatia com o leitor, mas que, depois – por consequência do enredo e da narrativa, lá está –, acabam por nos conquistar.

Saga – Volumes de 1 a 10, Brian K. Vaughan e Fiona Staples - G. Floy Studio
Já para não falar que personagens que, em primeira mão, são más, podem alterar os seus comportamentos ao longo da série e, desta forma, mudarem de "equipa", passando a conquistar os leitores. As personagens estão muito bem tratadas e desenvolvidas pelo autor.

E, lá está, como a história é contada em voz off pela filha do casal, Hazel, isso faz com que Brian K. Vaughan utilize muitas ferramentas narrativas para bem unir o relato e, ao mesmo tempo, conseguir deixar em suspense, com um certo grau de incerteza, o leitor. Além de que - e isto foi uma coisa que muito me impressionou – até na própria construção de um texto que seja quotable e marcante, Vaughan parece mais inspirado do que nunca. Não tenho dúvidas de que Saga é a melhor história, com o melhor texto, que o autor escreveu até hoje.

Mas Saga também é crítica social. Afinal de contas, tudo aquilo que aqui nos é dado tem, de uma forma ou de outra, reflexo no universo real e atual que habitamos. Questões como o racismo, a luta entre povos, a política, a vida social, a sexualidade, os meios de comunicação e, basicamente, toda a forma de vivência humana, estão aqui bem refletidos. Sendo povoada por um número gritante de criaturas não humanas, Saga está cheia de humanismo na forma como espelha o mundo em que vivemos. Saibamos nós detetar isso. E, também por isso, é uma obra especial e megalómana nos seus intuitos.

O que também apreciei bastante é que, mesmo havendo alguns episódios secundários – que nos levam a conhecer melhor a caminhada de algumas personagens de segundo plano – nunca me pareceu que Brian K. Vaughan perdesse as rédeas da sua própria história como, infelizmente, tantas vezes acontece a outros autores no universo da banda desenhada. Com efeito, e mesmo depois de ler mais de 1000 páginas, não senti que o autor estivesse a dar “palha” aos leitores. A história é grande e vai-se expandindo, mas sempre de forma natural e fluída. O equilíbrio narrativo está, pois, assegurado.

Saga – Volumes de 1 a 10, Brian K. Vaughan e Fiona Staples - G. Floy Studio
Depois, também há a componente de provocação. E essa parte, quanto a mim, será por ventura a menos relevante ou o ponto mais fraco da obra. Bem, o ponto menos forte, vá. São várias as cenas de sexo ou de nudez que nos são dadas, mas pareceu-me sempre, sem exceção, que estas cenas só estão ali para chocar ou para tornar falsamente madura a narrativa. Não há qualquer erotismo ou relevância para a história. Não digo que sejam cenas que eu não tenha apreciado. Apenas digo que achei demasiado forçadas e óbvias com o intuito primordial de corar os leitores. Pode funcionar com adolescentes ou pré-adultos, mas não creio que funcione assim tanto com leitores mais adultos. Funciona mais como capricho dos autores do que como cenas de relevância para o todo.

Não quero alongar-me muito mais sobre a história de Saga, pois precisaria de muitos mais parágrafos e, certamente, estragaria o prazer da leitura àqueles que forem ler esta série depois disto. Mas termino dizendo que o autor está de parabéns por aquilo que conseguiu com esta série.

Em termos de ilustração, há que enaltecer o trabalho da autora Fiona Staples. Confesso que não adorei logo o estilo de ilustração da autora – e talvez isso também me tenha demovido inicialmente de querer ler a série. Mas, à medida que vamos entrando no universo, começamos a ambientar-nos aos desenhos da autora. E não esqueçamos que os próprios desenhos sofreram uma mudança gradual – e para melhor – entre o primeiro e o décimo volume. Quando se lê tudo de uma só vez, como eu fiz, isso ainda é mais notório. 

Saga – Volumes de 1 a 10, Brian K. Vaughan e Fiona Staples - G. Floy Studio
A expressividade dos desenhos da autora é muito bem executada, o que ajuda a que haja uma relevante empatia entre as personagens e o leitor. Em termos cénicos ou paisagísticos, não me parece que a autora seja tão forte, com os cenários a aparecerem, quase sempre, demasiado despidos e simplistas, mas acho que, mesmo assim, o conjunto de todos os seus elementos acaba por funcionar bem.

Isto não esquecendo que a autora se mostra hábil a desenhar os mais variados tipos de cenas que acontecem na série, como as partes mais marcantes ou tristes, as partes mais cómicas, as partes mais sexuais ou as cenas de ação que pressupõem um claro sentido de ritmo e dinâmica.

E não posso deixar de referir que as capas dos diversos volumes são maravilhosas e refrescantes, no estilo e na abordagem que assumem. Poderia nomear outras, mas vou apenas dizer que a capa do volume 3 é das capas mais bonitas e bem conseguidas que me lembro de ter observado nos últimos tempos. Uma absoluta obra de arte do ponto de vista de grafismo e execução.

A qualidade do trabalho de edição com que a G. Floy Studio tem vindo a dotar esta série é bastante boa e em linha com aquilo a que a editora nos tem habituado noutras séries. Os livros apresentam capa dura, bom papel brilhante, bom grafismo e boa encadernação e impressão.

Concluindo, até agora Saga tem sido uma autêntica "saga", uma space opera, onde um conjunto muito alargado de personagens sui generis enfrentam as grandes questões mundanas que a humanidade tem enfrentado desde que existe. Saga revela-nos um Brian K. Vaughan na sua plena capacidade de criar uma bela história, com excelente narrativa e enredo, que permanece na memória do leitor muitos anos após o término da leitura. Indispensável!


NOTA FINAL (1/10):
9.7


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Fichas técnicas
Saga – Volumes de 1 a 10, Brian K. Vaughan e Fiona Staples - G. Floy Studio

Saga #1
Autores: Brian K. Vaughan e Fiona Staples
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 168, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Outubro de 2014

Saga – Volumes de 1 a 10, Brian K. Vaughan e Fiona Staples - G. Floy Studio

Saga #2
Autores: Brian K. Vaughan e Fiona Staples
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 152, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Maio de 2015

Saga – Volumes de 1 a 10, Brian K. Vaughan e Fiona Staples - G. Floy Studio

Saga #3
Autores: Brian K. Vaughan e Fiona Staples
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 152, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Outubro de 2015

Saga – Volumes de 1 a 10, Brian K. Vaughan e Fiona Staples - G. Floy Studio

Saga #4
Autores: Brian K. Vaughan e Fiona Staples
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 152, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Maio de 2016

Saga – Volumes de 1 a 10, Brian K. Vaughan e Fiona Staples - G. Floy Studio

Saga #5
Autores: Brian K. Vaughan e Fiona Staples
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 152, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Outubro de 2016

Saga – Volumes de 1 a 10, Brian K. Vaughan e Fiona Staples - G. Floy Studio

Saga #6
Autores: Brian K. Vaughan e Fiona Staples
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 152, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Março de 2017

Saga – Volumes de 1 a 10, Brian K. Vaughan e Fiona Staples - G. Floy Studio

Saga #7
Autores: Brian K. Vaughan e Fiona Staples
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 152, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Dezembro de 2017

Saga – Volumes de 1 a 10, Brian K. Vaughan e Fiona Staples - G. Floy Studio

Saga #8
Autores: Brian K. Vaughan e Fiona Staples
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 152, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Setembro de 2018

Saga – Volumes de 1 a 10, Brian K. Vaughan e Fiona Staples - G. Floy Studio

Saga #9
Autores: Brian K. Vaughan e Fiona Staples
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 152, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Novembro de 2019

Saga – Volumes de 1 a 10, Brian K. Vaughan e Fiona Staples - G. Floy Studio

Saga #10
Autores: Brian K. Vaughan e Fiona Staples
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 168, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Dezembro de 2022

sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

A espera chegou ao fim! Saga está de volta!



É já na próxima quarta-feira, dia 14 de Dezembro, que Saga chega às bancas portuguesas, pelas mãos da editora G. Floy Studio, depois de uma espera de 3 anos! 

O volume 10 desta série de sucesso também estará presente nas livrarias especializadas e generalistas do país.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Saga #10, de Brian K. Vaughan e Fiona Staples
O muito esperado décimo volume da série bestseller SAGA chegou finalmente! Os criadores Brian K. Vaughan e Fiona Staples recomeçam onde deixaram há 3 anos, com mais um cativante capítulo da série SAGA, sobre uma jovem família que luta para encontrar o seu lugar na vastidão do universo hostil.

Fantasia e ficção científica - e sexo, traição, morte, amor verdadeiro e vinganças obsessivas - juntam-se como nunca antes neste épico subversivo e provocante do escritor Brian K. Vaughan e da artista Fiona Staples, que questiona incessantemente as narrativas e preconceitos do nosso tempo através do contraste com o seu mundo surreal e bizarro.

SAGA ganhou múltiplos prémios Eisner e Harvey, assim como um Hugo, para melhor romance gráfico.

Reúne os números #1-6 de Saga.
”Saga, possivelmente o maior épico de banda desenhada da história moderna, regressa aos escaparates depois de um intervalo de três anos e de um suspense emocionante.”
-The Week

”A arte de Fiona Staples continua a ser um dos estilos mais singulares da banda desenhada, com concepção de personagens de uma criatividade infinita executados com a expressividade da pintura e o rigor da tinta.”
-Polygon

”Uma das melhores séries de novela gráfica para adultos do século XXI.”
-Toronto Star

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Ficha técnica
Saga #10
Autores: Brian K. Vaughan e Fiona Staples
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 168, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 22,00€