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quinta-feira, 17 de julho de 2025

Análise: Batman - Volume 1

Batman - Volume 1, de Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Andy Kubert, Tony S. Daniel, J.H. Williams III e John Van Fleet - Devir

Batman - Volume 1, de Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Andy Kubert, Tony S. Daniel, J.H. Williams III e John Van Fleet - Devir
Batman - Volume 1, de Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Andy Kubert, Tony S. Daniel, J.H. Williams III e John Van Fleet

O ano de 2025 tem sido um ano simpático para os admiradores portugueses de Batman. Depois da Devir ter assegurado os direitos da DC Comics para a publicação de Batman, a editora portuguesa já publicou o muito cativante Batman - Três Jokers e publicou mais recentemente este Batman de Grant Morrison. Além disso, está previsto, ainda para este ano, a publicação do segundo volume desta empreitada e, não esqueçamos, a própria editora A Seita chegou a publicar recentemente Dylan Dog – Batman: A Sombra do Morcego. É, portanto, um bom ano para Batman em Portugal, especialmente se tivermos em conta que durante alguns anos nenhum livro do Homem-Morcego por cá foi editado.

Batman - Volume 1, de Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Andy Kubert, Tony S. Daniel, J.H. Williams III e John Van Fleet - Devir
Este Batman de Grant Morrison – Volume Um que hoje vos trago, marca o início da ambiciosa e influente fase do argumentista escocês Grant Morrison no universo do Cavaleiro das Trevas. Este volume compila as primeiras histórias de Batman sob o comando do autor, que se propôs a integrar décadas de mitologia da personagem numa narrativa coesa, densa e inovadora. Esta abordagem tentou, de algum modo, consolidar alguns eventos - muitas vezes contraditórios - no passado do super-herói, equilibrando alguns elementos mais absurdos(?) da "Era de Prata" com a seriedade moderna da "Era das Trevas".

E, claro, um dos aspetos mais marcantes deste volume é a introdução de Damian Wayne, o filho de Bruce Wayne com Talia al Ghul. Damian é arrogante, violento e treinado pela Liga dos Assassinos, o que me leva a poder afirmar que Damian é uma subversão radical da figura do Robin tradicional. Uma autêntica "peste" que coloca a paciência de Batman à prova. E mais do que ser uma nova personagem, denota-se que a sua grande adição à série é o próprio desafio direto à moralidade e ao método de Batman que traz consigo, o que causa um conflito interno que será um dos motores centrais da narrativa.

Batman - Volume 1, de Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Andy Kubert, Tony S. Daniel, J.H. Williams III e John Van Fleet - Devir
Os elementos de espionagem, drama familiar e alguma ficção científica parecem levar-nos para as aventuras dos anos 50 e 60, o que faz com que as histórias se afigurem clássicas na forma e conteúdo mas, claro, sendo reinterpretadas à luz de uma narrativa mais contemporânea. Em vez de rejeitar os elementos considerados mais "ridículos" ou inverosímeis da história da personagem, Morrison tem o mérito de os abraçar e de os contextualizar de uma forma tão criativa quanto possível. Aprecio e respeito essa vertente conciliadora do autor.

E outra coisa que me parece digna de nota é a capacidade de Grant Morrison na construção de narrativas a longo prazo. Desde cedo o autor consegue inserir sementes na história que depois vai colher mais tarde, em capítulos futuros. Ou seja, deixa propositadamente pontas soltas para depois, a jusante, as amarrar, dando credibilidade a toda a sua criação. Acaba por ser uma leitura que, mais tarde, é compensadora.

Contudo, e ainda que o trabalho de Grant Morrison na série tenha sido - e continue a ser - bastante celebrado por fãs e crítica, considero ter alguns sentimentos mistos face às histórias que compõem este primeiro volume. É que, se por um lado concedo que a maneira como Morrison reimaginou certos eventos na vida de Batman, dando com isso profundidade à personagem e ao seu universo, é mais que meritória, também considero que, enquanto histórias propriamente ditas, são contos que apenas cumprem. Leem-se bem, mas estão longe de poderem ser considerados como as mais inesquecíveis histórias do super-herói.

Batman - Volume 1, de Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Andy Kubert, Tony S. Daniel, J.H. Williams III e John Van Fleet - Devir
Participam na escrita do argumento autores de bastante relevância, como Greg Rucka, Geoff Johns ou Mark Waid. Já quanto ao desenho, também são inúmeros os ilustradores que colaboram nas histórias deste volume, sendo que é Andy Kubert o autor que mais se destaca neste livro, quer em qualidade, quer em quantidade, revelando um desenho dinâmico e exímio na caracterização das personagens, da cidade e dos eventos de ação. O seu desenho consegue equilibrar um tom sombrio e realista com momentos mais surreais e estilizados, que se tornam cada vez mais presentes ao longo da saga. Kubert também é hábil ao retratar expressões e movimentações, o que contribui para a carga emocional e para a fluidez da ação. 

Se Andy Kubert é a "estrela da ilustração" neste livro, o trabalho de John Van Fleet chega a ser - e digo-o naturalmente com todo o respeito que tenho pelo autor - risível. É possível que estas ilustrações, feitas em 3D digital, pudessem parecer apelativas no ano em que foram criadas (2007) - e, mesmo assim, tenho as minhas dúvidas quanto a isso - mas, hoje em dia, em 2025, parecem extremamente mal feitas e mal renderizadas. Estão a ver quando jogam um videojogo de 2001 que na altura até parecia ter bons gráficos, mas que hoje em dia parece cómico e obsoleto? É essa a sensação que a história O Palhaço à Meia-Noite nos dá. A própria história que aqui encontramos não é uma banda desenhada, mas um texto em prosa ilustrado - pesado e poético, mas bom, embora talvez denso em demasia - e que depois é parcamente ilustrado pelas ilustrações de John Van Fleet. Não consegue ser aceitável, desculpem.

Batman - Volume 1, de Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Andy Kubert, Tony S. Daniel, J.H. Williams III e John Van Fleet - Devir
A edição da Devir é especialmente cuidada, com o objeto-livro a ser muito apetecível. Apresenta capa dura baça, com elegantes detalhes a verniz. A encadernação e impressão são de excelente qualidade, tal como é o papel brilhante utilizado no miolo do livro. Há ainda um prefácio da autoria de Mike Marts que funciona como uma boa introdução à obra. A editora portuguesa também merece uma nota de louvor pela aposta em trazer para Portugal uma "subsérie" dentro da própria série de Batman - se é que assim lhe podemos chamar - que é aclamada por fãs e crítica e que é indiscutivelmente uma mais-valia para quem aprecia o Cavaleiro das Trevas.

Em suma, Batman de Grant Morrison - Volume Um é uma leitura instigante, ambiciosa e muitas vezes brilhante, que inaugura uma das fases mais criativas e reverenciadas do Cavaleiro das Trevas. Morrison respeita o legado de Batman, mas também desafia as suas convenções, oferecendo ao leitor uma nova forma de ver Bruce Wayne: como uma figura mítica que atravessa o tempo, a lógica e a realidade. Este primeiro volume, embora desiquilibrado em vários momentos, é apenas o começo de uma jornada complexa e provocativa que redefine o que significa ser o Batman.


NOTA FINAL (1/10):
7.0




Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Batman - Volume 1, de Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Andy Kubert, Tony S. Daniel, J.H. Williams III e John Van Fleet - Devir

Ficha técnica
Batman - Volume 1
Autor: Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Andy Kubert, Tony S. Daniel, J.H. Williams III e John Van Fleet
Editora: Devir
Páginas: 172, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27,5 cm
Lançamento: Maio de 2025

sexta-feira, 16 de maio de 2025

Devir vai lançar "Batman" de Grant Morrison!




É já a partir do próximo dia 27 de Maio que deverá chegar às livrarias Batman - Volume 1, que reúne um conjunto de histórias da autoria de Grant Morrison, um dos escritores contemporâneos que mais impactou o universo dos super-heróis e de Batman, em particular, tendo (re)imaginado certos eventos na vida de Bruce Wayne.

Para além de Grant Morrison, também os autores Greg Rucka e Mark Waid colaboram neste livro que inclui ilustrações de Andy Kubert, Tony S. Daniel, J.H. Williams III e John Van Fleet.

Por agora, o livro já se encontra em pré-venda no site da editora Devir.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.

Batman - Volume 1, de Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Andy Kubert, Tony S. Daniel, J.H. Williams III e John Van Fleet

Grant Morrison, um dos grandes contadores de histórias da sua geração, mudou para sempre o universo do Batman, criando narrativas inesquecíveis com o cavaleiro da trevas. 

Histórias de Batman com o seu filho Damian Wayne, que levam o Cavaleiro das Trevas desde a beira da morte até ao limite da loucura. Este volume inclui os já clássicos Batman & Son e Batman in Bethlehem, que desconstroem a banda-desenhada de super-heróis com uma abordagem desafiadora do Cruzado da Capa. 

Coleta BATMAN #655-666 e histórias de DC UNIVERSE #0, 52 #30 e #47, com a participação dos artistas Greg Rucka e Mark Waid. 

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Ficha técnica
Batman - Volume 1
Autor: Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Andy Kubert, Tony S. Daniel, J.H. Williams III e John Van Fleet
Editora: Devir
Páginas: 172, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27,5 cm
PVP: 20,00€

terça-feira, 30 de julho de 2024

Análise: A Velha Guarda - Livro Dois: Força Multiplicada e Histórias Através do Tempo

A Velha Guarda - Livro Dois: Força Multiplicada e Histórias Através do Tempo, de Greg Rucka, Leandro Fernández e Outros Autores

A Velha Guarda - Livro Dois: Força Multiplicada e Histórias Através do Tempo, de Greg Rucka, Leandro Fernández e Outros Autores
A Velha Guarda - Livro Dois: Força Multiplicada e Histórias Através do Tempo, de Greg Rucka, Leandro Fernández e Outros Autores

Hoje falo-vos de dois livros da mesma série: o segundo livro de A Velha Guarda, denominado Força Multiplicada, e que tem argumento de Greg Rucka e ilustrações de Leandro Fernández, autores responsáveis pela série, e a antologia Histórias Através do Tempo, que reúne um vasto e alargado conjunto de autores que concebeu histórias curtas para a franquia A Velha Guarda, com o propósito de homenageá-la, por um lado, e acrescentar-lhe algo, por outro. Ambos os livros foram lançados pela G. Floy Studio com um espaço de um ano, sensivelmente, tendo-se seguido à publicação do primeiro volume de A Velha Guarda, do qual já aqui falei.

Comecemos por A Velha Guarda - Livro Dois: Força Multiplicada.

A Velha Guarda - Livro Dois: Força Multiplicada e Histórias Através do Tempo, de Greg Rucka, Leandro Fernández e Outros Autores
Neste segundo volume da série principal - que, espera-se, venha a receber um terceiro e último volume - continuamos a história do primeiro volume que orbita à volta de Andy, Nicky, Joe, Booker e Nile que, aparentemente, não podem ser assassinados. São imortais. Ou quase.

Este volume mergulha mais fundo nos dilemas éticos e nas complexidades emocionais das personagens, ao mesmo tempo em que intensifica a ação e expande a mitologia da série. Desta vez, o grupo de imortais lida com um inimigo mais pessoal e insidioso. 

Noriko, uma imortal do passado de Andy que se acreditava estar morta, retorna e revela-se como uma interessante antagonista que acrescenta vida à série, pois trata-se de uma personagem enriquecida com um histórico de crueldade e manipulação, assente na busca incessante pela vingança e poder, o que vai ameaçar a coesão do grupo de imortais e expor algumas das suas vulnerabilidades.

Será a imortalidade um dom ou uma maldição? E até que ponto estas personagens são verdadeiramente imortais?

A Velha Guarda - Livro Dois: Força Multiplicada e Histórias Através do Tempo, de Greg Rucka, Leandro Fernández e Outros Autores
Voltamos a ter neste volume uma boa combinação de ação, drama e profundidade emocional, através de uma narrativa que é, ao mesmo tempo, emocionante e faz pensar. Os dilemas das personagens são universais, mesmo dentro do contexto extraordinário de sua imortalidade, fazendo com que a história ressoe a um nível pessoal com os leitores. 

Os desenhos de Leandro Fernández conseguem ser verdadeiramente vistosos e impactantes. Especialmente nas ilustrações de página dupla que nos atiram para o coração de uma batalha onde há espadas, machados, estacas e guerreiros famintos e insaciáveis a lutar pela própria sobrevivência. Neste segundo volume, Leandro Fernández parece sentir-se mais confiante quanto às suas ilustrações, onde a planificação é dinâmica e cinematográfica e a utilização de extensas camadas de sombras pretas, nos remete para o trabalho de Frank Miller em Sin City. Mesmo assim, as influências do argentino Eduardo Risso continuam especialmente bem presentes no trabalho de Fernández embora este, claro, tenha a sua própria identidade visual.

Sendo as personagens imortais, é normal que tenham muita idade e que o seu percurso tenha atravessado longos períodos da história. Ora, isso faz com que a trama se passe não só no período presente, como no período passado. Por vezes, até bastante longínquo. E esta valência acaba por ser uma boa "muleta narrativa" para a história, claro, mas também para a componente visual, pois são vários os cenários, trajes e ambientes que o autor se permite criar devido a esta característica da série. Em termos visuais, a obra torna-se, pois, bastante rica. Tão depressa vemos desenhos de cidades atuais, como vemos desenhos de grandes embarcações à vela que percorriam os oceanos, ou desenhos do tempo dos cavaleiros. Tudo é possível com uma premissa tão abrangente!

A Velha Guarda - Livro Dois: Força Multiplicada e Histórias Através do Tempo, de Greg Rucka, Leandro Fernández e Outros Autores
Falando agora um pouco sobre o segundo livro que hoje vos trago, Histórias Através do Tempo, devo dizer que a iniciativa me parece muito bem pensada, tendo em conta a riqueza de possibilidades que um conceito tão livre como a imortalidade permite. Portanto, foram criadas doze histórias que reúnem autores de renome mundial, como Brian Michael Bendis, Jason Aaron, Rafael Albuquerque, Matt Fraction e vários outros. Os próprios criadores originais da série, Greg Rucka e Leandro Fernández também assinam duas histórias curtas deste livro, a primeira a e a última.

Este exercício pareceu-me muito agradável e interessante, pois permitiu uma boa heterogeneidade, quer visual, quer de enredo, ao conjunto, tornando o universo de A Velha Guarda bastante mais rico. Naturalmente, há histórias mais bem conseguidas do que outras, mas isso é algo frequente neste tipo de antologias. Alguns temas pareceram-me introduzidos de forma algo forçada mas, ainda assim, gostei da liberdade em termos de output criativo que uma premissa tão abrangente como a da imortalidade pode criar. Acho que acaba por ser um exercício muito rico para o estudo dessa mesma característica.

A Velha Guarda - Livro Dois: Força Multiplicada e Histórias Através do Tempo, de Greg Rucka, Leandro Fernández e Outros Autores
Os ilustradores apresentam-nos trabalhos de topo e é-me difícil dizer quais as histórias que mais me agradaram. Acho que, sinceramente, pelo menos tendo em conta a componente do desenho, me agradaram todas. 

Olhando para a globalidade de cada história (argumento e desenho) talvez as minhas preferidas tenham sido: Remédio Forte, de Eric Trautmann e Mike Henderson, Lacus Solitudinis, de Robert Mackenzie, Dave Walker e Justin Greenwood, Como Criar Uma Vila-Fantasma, de Matt Fraction e Steve Lieber, Uma Alma Velha, de Jason Aaron e Rafael Albuquerque e a peculiar história Nunca é Demais, de Alejandro Arbona e Kano.

Ambas as edições destes livros são em capa dura baça, com bom papel brilhante no miolo e uma boa impressão e encadernação. O livro Histórias Através do Tempo traz ainda uma bela galeria com as belíssimas capas de cada um dos números, capas alternativas e uma breve biografia de cada um dos autores que participou na antologia.

Em suma, A Velha Guarda é uma daquelas séries de banda desenhada que tem uma premissa tão boa - mesmo que não seja especialmente original - que é sempre interessante ver até onde a mesma pode ser explorada. E quer o segundo volume da série, quer Histórias Através do Tempo, revelam bem isso em dois livros cuja leitura se aconselha.


NOTA FINAL (1/10):
8.5


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A Velha Guarda - Livro Dois: Força Multiplicada e Histórias Através do Tempo, de Greg Rucka, Leandro Fernández e Outros Autores

Fichas técnicas
A Velha Guarda - Livro Dois: Força Multiplicada
Autores:  Greg Rucka e Leandro Fernández
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 168, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27,5 cm
Lançamento: Novembro de 2022

A Velha Guarda - Livro Dois: Força Multiplicada e Histórias Através do Tempo, de Greg Rucka, Leandro Fernández e Outros Autores

A Velha Guarda: Histórias Através do Tempo
Autores: Greg Rucka, Leandro Fernández e vários autores convidados
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 184, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27,5 cm
Lançamento: Setembro de 2023

quinta-feira, 11 de julho de 2024

Análise: Black Magick - O Primeiro Livro das Sombras

Black Magick - O Primeiro Livro das Sombras, de Greg Rucka e Nicola Scott - G. Floy Studio

Black Magick - O Primeiro Livro das Sombras, de Greg Rucka e Nicola Scott - G. Floy Studio
Black Magick - O Primeiro Livro das Sombras, de Greg Rucka e Nicola Scott

Face àquilo que a G. Floy Studio nos habituou em anos recentes, a editora tem decrescido, de há um par de anos para cá, o seu número de edições. Mas mesmo sendo as suas edições em menor número, a editora tem conseguido trazer-nos boas obras de banda desenhada. Black Magick, a sua mais recente aposta, é apenas mais um exemplo.

A autoria desta obra, que a editora reúne num só volume, pertence a Greg Rucka (autor de séries como Stumptown, Lazarus ou A Velha Guarda), no argumento, e a Nicola Scott, nas ilustrações. 

Black Magick é uma obra que mescla elementos de mistério e de thriller policial com o sobrenatural. Poderá parecer algo por ventura mais inusitado, mas que, tenho que admitir, funciona bem. E acreditem que até estava um pouco cético quando iniciei a leitura.

Black Magick - O Primeiro Livro das Sombras, de Greg Rucka e Nicola Scott - G. Floy Studio
A história centra-se em Rowan Black, uma detetive da polícia, que, além da sua profissão, também gosta, nas suas horas vagas, de ser bruxa praticante num culto local. O equilíbrio entre estas duas facetas da sua vida é, pois, posto à prova quando Rowan passa a ser o alvo de forças sobrenaturais e inimigos desconhecidos que ameaçam tanto a sua vida profissional quanto pessoal. Esta dualidade da personagem, da trama e do próprio tema da obra, é explorada pelo argumentista Greg Rucka de forma profunda, mostrando os conflitos internos e externos que Rowan enfrenta. E esta dicotomia acaba por ser particularmente interessante devido a Rowan Black perseguir o responsável por uma série de crimes, e, paralelamente, acabar ela própria perseguida por forças ocultas. Esta vertente algo cíclica do enredo acaba por impactar o leitor.

Já conhecia a obra - não de a ter lido, mas sim de ter lido sobre a mesma - e devo dizer que, inicialmente, este duplo género policial-sobrenatural até me estava a deixar de festa franzida. Lá estamos nós sempre com preconceitos... eu inclusive! No entanto, à medida que fui mergulhando na leitura, foi bom deixar-me levar pela trama criada por Greg Rucka que, felizmente, até é bem mais policial do que sobrenatural. É claro que essa vertente mais fantástica da obra está sempre presente, mas não consegue tomar conta da narrativa. Pelo menos durante este livro, já que a história ainda fica aberta. E esta prevalência do aspeto policial face ao aspeto sobrenatural torna o livro, para os meus gostos pessoais, muito mais maduro, verossímil e agradável para ler.

Black Magick - O Primeiro Livro das Sombras, de Greg Rucka e Nicola Scott - G. Floy Studio
De resto, a investigação criminal de Rowan acaba por ficar intricadamente ligada aos elementos mágicos, criando uma trama densa e multifacetada, e fazendo com que história avance a um ritmo bem balanceado, misturando momentos de tensão com revelações surpreendentes.

Se a história, sem ser algo de maravilhoso, funciona bem, a estrela da companhia desta obra é o trabalho de Nicola Scott nas ilustrações. O seu desenho em tons de sépia apresenta um traço hiper realista que tem o condão de deixar o leitor de boca aberta. Os desenhos não só são muito realistas, carregados de detalhes impressionantes, como também apresentam uma qualidade inegável ao nível de cenários, expressividade das personagens, linguagem corporal ou até mesmo nas cenas de maior ação. O uso de tons sombrios e a técnica de sombreado criam uma atmosfera de mistério e tensão, apropriada para o tom da história. As sequências de ação são dinâmicas e bem coreografadas, enquanto os momentos mais introspetivos são capturados com expressividade.

A escolha de uma paleta de cores predominantemente monocromática, com toques ocasionais de cores vibrantes para acentuar momentos mágicos ou dramáticos, é uma decisão estilística eficaz. Isso não destaca apenas os elementos sobrenaturais, como também contribui para a atmosfera noir da série.

Black Magick - O Primeiro Livro das Sombras, de Greg Rucka e Nicola Scott - G. Floy Studio
É, sem dúvida, um trabalho sublime ao nível do desenho que, só por si, já chama interessados para a série. Embora não seja o caso, pois o trabalho de Rucka também me deixou agradado, o desenho de Nicola Scott é de tal forma belo que, mesmo que a história não fosse minimamente interessante, já justificava a compra do livro.

A edição da G. Floy Studio é muito boa! O livro apresenta capa dura baça e bom papel brilhante no interior. A encadernação e a impressão também são boas. Esta edição traz um dossier de extras com impressionantes 28(!) páginas, onde podemos encontrar capas variantes, esboços de personagens (que incluem interessantes comentários da autora Nicola Scott), processos de feitura de uma página, uma biografia dos autores e uma relevante entrevista com os mesmos. É uma das melhores edições do ano.

E relembro ainda que esta bela edição congrega toda a história da série Black Magick até ao momento atual. Assim, e deixando bem clara esta ideia, já que é uma dúvida que vi surgir nas redes sociais, a edição portuguesa reúne toda a história que existe até ao momento, embora, não esqueçamos, a história não fique fechada neste volume. Os autores Greg Rucka e Nicola Scott certamente trabalharão no desenvolvimento do que falta contar da série.

Em suma, Black Magick - O Primeiro Livro das Sombras é uma obra que apresenta uma narrativa intrigante e que se destaca especialmente pelas suas ilustrações lindas e excecionais! Greg Rucka e Nicola Scott criam um universo rico e multifacetado, onde o sobrenatural e o mundano se entrelaçam de forma convincente. Estamos perante mais uma bela aposta da G. Floy Studio que, ainda por cima, envolve a obra numa belíssima edição de luxo.


NOTA FINAL (1/10):
8.6



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Black Magick - O Primeiro Livro das Sombras, de Greg Rucka e Nicola Scott - G. Floy Studio

Ficha técnica
Black Magick - O Primeiro Livro das Sombras
Autores: Greg Rucka e Nicola Scott
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 304, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27,5 cm
Lançamento: Abril de 2024


sexta-feira, 24 de maio de 2024

Devir vai lançar 6º volume de Lazarus!



A série Lazarus, pela qual muitos leitores portugueses andaram ávidos, vai receber o seu sexto volume durante este mês de Junho!

Será no dia 17 de Junho que este livro, da autoria de Greg Rucka,  Michael Lark e Santiago Arcas, deverá chegar às livrarias portuguesas. A editora Devir anuncia também que o livro terá um pré-lançamento, na Feira do Livro de Lisboa, no dia 15 de Junho.

Por agora, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Lazarus #6, de Greg Rucka, Michael Lark e Santiago Arcas

Com a guerra do Conclave a entrar no seu quarto ano, a família Carlyle mal consegue aguentar-se no terreno contra inimigos que a atacam de todos os lados.

Agora, Forever e Johanna Carlyle passaram à ofensiva, quebrando as alianças formadas entre os seus inimigos e removendo violentamente do mapa os LAZARUS rivais.

No entanto, os segredos começam a cobrar o seu preço e, quando forem revelados, os resultados poderão vir a ser devastadores.



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Ficha técnica
Lazarus #6
Autores: Greg Rucka e Michael Lark e Santiago Arcas
Editora: Devir
Páginas: 152, a cores
Encadernação: Capa mole
Formato: 17 x 26 cm
PVP: 14,99€

terça-feira, 21 de maio de 2024

Black Magick é finalmente lançado em Portugal!


Esta era uma obra há muito prometida pela G. Floy Studio e que vai chegar finalmente aos leitores portugueses de banda desenhada!

Falo de Black Magick, dos autores Greg Rucka e Nicola Scott, naquele que será um lançamento robusto, com mais de 300 páginas e com a edição da G. Floy Studio a recolher os volumes de 1 a 11 desta série.

O livro deverá chegar às livrarias e bancas a partir de amanhã!

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Black Magick - O Primeiro Livro das Sombras, de Greg Rucka e Nicola Scott

O primeiro capítulo completo da série aclamada pela crítica dos criadores best-sellers do New York Times, Greg Rucka e Nicola Scott, reunidos pela primeira vez!

Rowan Black desperta para o poder quase inimaginável que é a sua herança – um poder que ela não deseja nem é capaz de recusar. 

Mas todo o poder tem um preço, e aqueles que procuram destruí-la podem não ser tão perigosos como aqueles que desejam controlá-la. 

No entanto, quando a vontade de alguém consegue alterar a realidade, o inimigo derradeiro pode ser o coração humano.

Reúne Black Magick #1-11, além de conteúdo adicional, artefactos e design de publicação por Eric Trautmann. 

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Ficha técnica
Black Magick - O Primeiro Livro das Sombras
Autores: Greg Rucka e Nicola Scott
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 304, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27,5 cm
PVP: 40,00€

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

G. Floy Studio lança novo livro de A Velha Guarda!



Este novo livro, que chega hoje às livrarias, tem a particularidade de ser uma antologia de histórias em que particiam grandes nomes da banda desenhada mundial como Brian Michael Bendis, Jason Aaron, Rafael Albuquerque, Nicola Scott e outros!

Relembro que a G. Floy Studio já havia editado por cá o primeiro e segundo volume de A Velha Guarda.

Mais abaixo, deixo-vos com as habituais sinopse e imagens promocionais da obra.


A Velha Guarda: Histórias Através do Tempo, de Greg Rucka e Leandro Fernández

O best-seller aclamado pela crítica A VELHA GUARDA, agora um filme de sucesso da Netflix com Charlize Theron e KiKi Layne, está de volta com novas histórias por GREG RUCKA, LEANDRO FERNÁNDEZ e um alinhamento de estrelas de criadores convidados. 

Com o escritores BRIAN MICHAEL BENDIS, KELLY SUE DeCONNICK, MATT FRACTION, VITA AYALA, JASON AARON, DAVID F. WALKER e mais, e os artistas VALENTINE DE LANDRO, NICOLA SCOTT, MICHAEL AVON OEMING, RAFAEL ALBUQUERQUE, MIKE HENDERSON, MATTHEW CLARK, KANO e muitos outros.

Inclui os volumes A VELHA GUARDA: HISTÓRIAS ATRAVÉS DO TEMPO #1-6.
“Se o que é passado é prólogo, qualquer história sobre de onde viemos é, em última análise, uma história sobre para onde estamos a ir. E penso que estas personagens, no específico, irradiam de um núcleo de humanismo: se a morte não importa, então tudo o que importa é como vivemos.”
– MATT FRACTION

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Ficha técnica
A Velha Guarda: Histórias Através do Tempo
Autores: Greg Rucka, Leandro Fernández e vários autores convidados
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 184, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27,5 cm
PVP: 25,00€

sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Segundo volume de A Velha Guarda prepara-se para ser lançado!




No próximo dia 14 de Dezembro, chegará às bancas e às livrarias especializadas e generalistas o novo volume de A Velha Guarda, dos autores Greg Rucka e Leandro Fernández.

Relembro que o primeiro volume, também lançado pela G. Floy Studio, já aqui foi analisado.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


A Velha Guarda - Livro Dois: Força Multiplicada, de Greg Rucka e Leandro Fernández
Greg Rucka, o escritor vencedor do prémio Eisner (Stumptown, Lazarus, Lois Lane) e o artista Leandro Fernández (American Carnage, Deadpool, Punisher: MAX) continuam a história de A VELHA GUARDA, agora um filme de enorme sucesso com Charlize Theron e KiKi Layne.

É uma história sobre o tempo, e a idade, e as idades, sobre a amizade e o amor, e o arrependimento. É a história de duas mulheres e três homens que não podem morrer. A maioria das vezes. Os seus nomes são Andy, Nicky, Joe, Booker e Nile. Durante imenso tempo, Andy estava sozinha. Depois Andy conheceu Noriko. Os outros apareceram mais tarde. E, depois, Noriko afogou-se -- ou assim pensavam eles. Nile juntou-se a eles. Booker deixou-os. E o sofrimento de Noriko deu-lhe uma visão bastante sombria da humanidade. É tudo demasiado para uma jovem imortal como Nile. Isto é o que acontece depois...
Reúne os números #1-5 de The Old Guard: Force Multiplied.

“A VELHA GUARDA mergulha no trauma duradouro da guerra através da experiência de personagens incapazes de parar de combater.”
- THE AV CLUB


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Ficha técnica
A Velha Guarda - Livro Dois: Força Multiplicada
Autores:  Greg Rucka e Leandro Fernández
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 168, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27,5 cm
PVP: 24,00€

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Análise: Lazarus #04 - Veneno





Lazarus #04 - Veneno, de Greg Rucka e Michael Lark - Devir
Lazarus #04 - Veneno, de Greg Rucka e Michael Lark

Presumivelmente - mas não só - devido à crise e incerteza que a pandemia covid-19 trouxe ao mercado de banda desenhada, a editora Devir demorou mais do que dois anos a publicar o quarto volume da série Lazarus, de Greg Rucka e Michael Lark. E, se é verdade que todos nós, leitores de banda desenhada, gostamos que as séries vão sendo publicadas de forma assídua e a uma boa cadência, acho que, não obstante, é louvável que a Devir não tenha deixado esta série órfã. Passou bastante tempo, sim, mas a editora não esqueceu os fãs da série e voltou ao lançamento da mesma, através deste quarto volume. E que bom isso é!

Esta é uma série onde Greg Rucka nos oferece um universo vagamente futurista, onde o mundo aparece dividido por fronteiras económicas, em detrimento das fronteiras políticas ou geográficas que conhecemos nos dias de hoje. Como tal, esse controlo económico do planeta é assegurado por um punhado de relevantes famílias, polarizando posições e aumentando o constante grau de conflito que paira no planeta. Todas estas famílias têm um “Lazarus” que consiste, basicamente num “super-soldado” geneticamente modificado. No caso da família Carlyle, a sua Lazarus é Forever Carlyle.

Lazarus #04 - Veneno, de Greg Rucka e Michael Lark - Devir
Nesse quarto volume vemo-la a ser enviada para Duluth, com o objetivo de impedir que a cidade seja conquistada por Hock, pertencente a uma família rival dos Carlyle. Mas Forever Carlyle, a protagonista, terá que encetar a sua luta munida apenas com uma pequena força de apenas quatro soldados no território inimigo. Parece uma missão impossível, não?

Ainda por cima, Forever Carlyle parece ter motivações pessoais que a levam a iniciar uma revolta e a deixar de responder àquilo que lhe é pedido pelos seus superiores. E embora Forever pareça ser imortal – pois sempre regressa à vida – os desafios estão a ficar cada vez maiores.

Se a vertente bélica e de ação da história montada por Rucka é bastante interessante, pareceu-me que há depois toda uma envolvente política que é um pouco forçada em variados momentos do livro, com o aparente e único motivo de tornar a leitura mais densa. Não há mal nenhum nisso – o de acrescentar camadas de interpretação e de bastidores político-estratégicos à trama principal, entenda-se – mas parece-me que Rucka abusa um pouco disso. Que enrola um pouco o "blablabla", diga-se por outras palavras. Dei por mim, muitas vezes, a desejar que a parte de diálogos avançasse rapidamente para poder acompanhar a carismática e bem conseguida personagem central da trama. É isso que torna a série Lazarus apelativo!

Lazarus #04 - Veneno, de Greg Rucka e Michael Lark - Devir
Por tudo isto, aviso que aqueles que não leram os anteriores volumes poderão sentir-se um pouco perdidos se se iniciarem na série com a leitura deste volume. E mesmo àqueles que, como eu, já conheciam a série, apelo para que a releiam novamente para apanharem tudo. Afinal de contas, passou muito tempo entre o lançamento do terceiro álbum e este quarto volume.

Em termos visuais, também a minha opinião converge com aquilo que senti no argumento. Isto é, as partes mais lentas e de maior diálogo e trama familiar, não só são as mais maçadoras em termos de história, como também o são em termos de ilustrações. E não é que Michael Lark as desenhe mal. Mas simplesmente parecem ser desenhos menos inspirados e com uma representação cénica de interiores mais pobre.

Onde Lazarus mais impressiona visualmente é mesmo quando estamos perante momentos de ação. As representações da guerra e combates viscerais, sangrentos e muito gory estão desenhadas de uma forma que impressiona. O trabalho de Michael Lark também é muito bom ao nível da caracterização das expressões faciais que, através de uma ótima utilização das sombras, bem como de alguns elementos como a neve ou o sangue que espirra nos combates, consegue pontuar os desenhos com um maior nível de detalhe, que os torna mais reais e, também, mais apelativos à vista.

Mas para que os desenhos de Lark se destaquem, também contribuem – e muito – as belas cores de Santi Arcas, que consegue oferecer ao todo as cores adequadas para cada cena.

Lazarus #04 - Veneno, de Greg Rucka e Michael Lark - Devir
Embora, no final, se sinta um resultado bastante digital, quer nas ilustrações de Lark, quer no processo de colorização de Arcas, considero que, usadas desta forma, as ferramentas digitais conseguem ser muito positivas. Lazarus é bastante apelativa em termos visuais.

A edição da Devir é em capa mole, com bom papel brilhante e boa encadernação e impressão. Considero que este livro talvez merecesse capa dura, de forma a ficar mais robusto, mas, tendo em conta os números anteriores também editados em capa mole, esperava-se, naturalmente, que a capa continuasse a ser mole. Nota positiva para os materiais de bónus que aparecem no fim do livro e que consistem na ilustração de uma capa adicional e uma ilustração dupla. Menos positiva é o trabalho de legendagem, ao nível da font utilizada, para as legendas em voz off que acabam por ficar praticamente ilegíveis. Há muito tempo que eu não encontrava um estilo de letra tão difícil de ler. Valha-nos que, em termos de balões de diálogo, que são mais frequentes do que as legendas em voz off, isto não aconteça e a leitura não seja prejudicada. 

Em suma, é bom ver que a Devir manteve o seu compromisso com os leitores de Lazarus e que voltou à publicação da série. Sendo, por vezes, e quanto a mim, uma série desnecessariamente complexa em termos políticos, tem uma bela vertente de ação apressada e violenta que nos deixa em suspense para aquilo que a próxima página – ou livro – nos trará a seguir. E, por esse motivo, acaba por ser algo viciante.


NOTA FINAL (1/10):
7.8



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Lazarus #04 - Veneno, de Greg Rucka e Michael Lark - Devir

Ficha técnica
Lazarus #04 - Veneno
Autores: Greg Rucka e Michael Lark
Editora: Devir
Páginas: 146, a cores
Encadernação: Capa mole
Lançamento: Outubro de 2022