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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Arranca hoje a Coleção de Novelas Gráficas da Levoir e do Público!




Já se encontra nas bancas o primeiro livro da nova coleção de Novelas Gráficas da Levoir e do jornal Público! É o acontecimento editorial do ano e, como tal, estou muito satisfeito pelo regresso desta coleção, depois de um hiato de um ano.

O conjunto de obras, do qual já aqui falei, é diverso e heterogéneo, coisa que pode ajudar a estabelecer uma boa qualidade para a coleção.

Cada livro sairá quinzenalmente, a partir de hoje, com o custo de 16,90€.

O primeiro livro é A Aranha de Mashhad, de Mana Neyestani, autor de quem a editora já por cá editou os belos livros Os Pássaros de Papel e Uma Metamorfose Iraniana.
Mais abaixo, deixo-vos com a apresentação desta obra e da própria coleção por parte da editora.

A Aranha de Mashhad, de Mana Neyestani

A colecção "Novela Gráfica" regressa ao Público, em parceria com a Levoir, para uma nova série de doze volumes. Uma nona série, de distribuição quinzenal, que continua a apostar na diversidade de temas e de autores das mais variadas geografias, dando a descobrir aos leitores portugueses doze obras de grande fôlego, inéditas no nosso país.

Dividida entre as biografias e os relatos e reportagens que nos transmitem o pulsar da história e do mundo, esta IX série da "Novela Gráfica" prossegue com alguns dos melhores autores dos quatro cantos do mundo.
Com autores de 11 países diferentes nesta colecção o leitor vai conhecer melhor o Médio Oriente pela mão dos já conhecidos autores Zeina Abirached (Líbano), Mana Neyestani (Irão), mas também através do trabalho do italiano Zerocalcare que nos conta a sua viagem ao norte do Iraque, onde as pessoas que sobreviveram ao genocídio perpetrado pelo ISIS em 2014 e que se encontram sob a proteção das milícias curdas veem a sua autonomia ameaçada pelas tensões internacionais.

Pere Ortín e Nze Esono Ebale apresentam-nos a história real duma expedição à Guiné Equatorial em 1944/1946 no período do colonialismo espanhol em África.

Também o português Daniel Silvestre se encontra nesta colecção com o seu premiado A Armação. E da Ásia vem Li-Chin-Lin com Formosa. A autobiografia em que conta a sua infância passada em Taiwan, dividida entre a cultura da sua família e a doutrina oficial.
O título que abre a colecção A Aranha de Mashhad, sai a 22 de Maio.

O autor Mana Neyestani já é bem conhecido dos leitores portugueses com as obras editadas pela Levoir Uma Metamorfose Iraniana e Os Pássaros de Papel.

Mana exilado em França, nunca deixou de se interessar pela situação do seu país natal, o Irão. Com A Aranha de Mashhad decidiu debruçar-se sobre um caso noticioso do início dos anos 2000: a história de Saïd Hanaï, um aparente e corajoso pedreiro, casado e sem antecedentes criminais, que um dia decidiu eliminar prostitutas e toxicodependentes, em nome da religião, na cidade santa xiita de Mashhad, no nordeste do Irão. Segunda maior cidade do país, é também uma das mais sagradas, albergando o mausoléu de Ali-Ibn-Musa Reza, é local de peregrinação, contudo não é poupada à miséria e à droga.
Com este álbum, Mana Neyestani consegue assim mostrar na perfeição as hipocrisias de uma sociedade rigorosa onde as primeiras vítimas são as mulheres.

No próximo fim-de-semana no Festival Maia BD, este ano dedicado às Vozes do Irão, estarão representadas todas as obras do autor.

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Ficha técnica
A Aranha de Mashhad
Autor: Mana Neyestani
Editora: Levoir
Páginas: 164, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 170 x 240m
PVP: 16,90€






segunda-feira, 11 de maio de 2026

Aí está a nova coleção de Novelas Gráficas para 2026!




Foi neste sábado que saiu com o jornal Público a confirmação de que a Coleção de Novelas Gráficas da Levoir e do jornal Público, está a chegar! Já antes disso vos tinha aqui dado a confirmação de tal boa nova.

Depois de um ano de interregno, em que não houve coleção de novelas gráficas, a mesma regressa com um conjunto de 12 novos livros que serão lançados de quinze em quinze dias com o jornal Público, a partir do próximo dia 22 de Maio. E que terão o preço unitário de 16,90€.

Posso dizer que há aqui várias obras que me estão a deixar bastante entusiasmado, entre as quais destaco No Sleep Till Shangai, de Zerocalcare, e Partir Ficando, de Chabouté. Bem, sendo-vos sincero, e roubando uma frase mítica a Forrest Gump, eu considero que a Coleção de Novelas Gráficas da Levoir, de há uns anos para cá, "é como uma caixa de chocolates... porque nunca sabemos o que vamos encontrar". Embora haja sempre alguns livros dos quais já conhecemos o autor ou a obra, há sempre outros que não conhecíamos até os vermos publicados nesta coleção. Uns são bons, outros são medianos e outros são espetaculares. Como tal, fico sempre muito entusiasmado com o anúncio destas obras.


Chamo ainda a atenção para o facto desta coleção trazer algumas confirmações que o Vinheta 2020 já vos tinha anunciado há uns meses. De facto, os mais atentos a este espaço, já teriam certamente tomado contacto com algumas destas obras quando, ainda em 2024, e depois em 2025, vos anunciei, em primeira mão, 7 destas 12 obras.

Nota ainda para a agradável surpresa que é a de voltarmos a ter uma obra de origem portuguesa na coleção de Novelas Gráficas. Desta feita, a obra em questão é A Armação, de Daniel Silvestre, que já venceu um prémio no Amadora BD. Esta nova edição terá materiais extra, textos e prefácio do autor provenientes da sua tese. Faz todo o sentido, pois esta era uma publicação com uma distribuição difícil de encontrar.

Mais abaixo, deixo-vos a lista completa de obras.




sexta-feira, 8 de maio de 2026

Vem aí nova coleção de Novelas Gráficas da Levoir e do Público!


A editora Levoir acaba de avançar ao Vinheta 2020, em primeira mão, que a sua Coleção de Novelas Gráficas, está de volta!

Tal como está de volta a sua parceria com o jornal Público para tal empreitada, que já será a nona. Posso dizer-vos que já conheço a totalidade das obras que irão compor esta coleção, mas, por agora, a editora não avança ainda com uma listagem final das obras, mantendo o suspense, que, naturalmente, eu irei respeitar.

No entanto, para os mais expectantes, o anúncio da listagem de obras há de estar muito (muito) próximo. Até porque esta coleção deverá arrancar ainda neste mês de maio, estando previstos 12 novos livros, entre os quais uma obra de autoria nacional.

Seja como for, é uma excelente notícia para todos os amantes de banda desenhada. Se há coisas boas que podem ser ditas sobre esta coleção - e muitas há, certamente - a melhor de todas é mesmo esta: houve muita gente que passou a ler banda desenhada por causa desta coleção. Conheço várias pessoas que poderia referir enquanto exemplo e certamente quem me está aqui a ler conhecerá também.

Portanto, é com muita alegria que vos dou esta confirmação: sim, este ano haverá nova Coleção de Novelas Gráficas da Levoir e do jornal Público.

A editora autorizou-me a avançar-vos 3 das obras que farão parte desta coleção:

A Aranha de Mashhad - Viagem a um Irão Desconhecido
Mana Neyestani

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Dostoievski - O Sol Negro
Henrik Rehr e Chantal Van Den Heuvel

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O Piano Oriental
Zeina Abirached


Além disto, dou-vos nota de que o primeiro livro da coleção, A Aranha de Mashad, será lançado durante o Maia BD, onde decorrerá a exposição Vozes do Irão: Desenhar a Liberdade, que incluirá originais de Shaghayegh Moazzami, autora de Assombrada, que marcará presença no evento.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Levoir regressa ao lançamento de BD!



Sai hoje, Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, com o jornal Público, o primeiro livro de banda desenhada que a Levoir lança em 2026! 

Com edição conjunta com a editora A Seita, trata-se da obra Trilogia Shakespeariana, de Raoul Traverso e Gianni De Luca, um clássico da banda desenhada italiana que adapta para banda desenhada três das mais célebres obras de William Shakespeare: Romeu e Julieta, Hamlet e A Tempestade.

O livro tem o preço de 16,90€ e pode ser comprado nas bancas, juntamente com o jornal Público.

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa e algumas imagens promocionais do livro.
Trilogia Shakespeariana, de Raoul Traverso e Gianni De Luca

Shakespeare um Homem do seu tempo para todos os tempos. Passados 50 anos da sua publicação original, a Levoir, A Seita e o jornal Público uniram-se para apresentar aos leitores portugueses a obra de Gianni De Luca, Trilogia Shakespeariana, que será publicada a 23 de Abril, Dia do Livro e em que se assinalam os 410 anos da morte do célebre autor de língua inglesa William Shakespeare.

Gianni de Luca nasceu em Gagliato, na Calábria, foi desenhador, ilustrador, pintor e gravador, considerado um dos maiores mestres italianos da banda desenhada, dotado de uma elegância gráfica que caracterizou toda a sua obra e capaz de uma pesquisa estilística contínua que, ao experimentar novas soluções gráficas, o tornou um dos artistas italianos mais inovadores de sempre no cenário internacional.

De Setembro de 1975 a Dezembro de 1976, o semanário Il Giornalino publicou A Tempestade, Hamlet e Romeu e Julieta, em BD. De Luca não esteve sozinho, as adaptações são assinadas por Sigma, pseudónimo de Raoul Traverso. Por serem histórias mundialmente conhecidas, não há surpresas… a não ser quando se trata da forma.

Shakespeare é extremamente difícil de transpor para a BD, uma vez que as suas obras decorrem todas nos mesmos cenários e foram concebidas para cenários minimalistas, sem cenários de fundo. Tudo assenta no poder da palavra e do gesto. Basta pensar no famoso solilóquio de Hamlet no início do terceiro ato, mas De Luca encontrou uma solução gráfica, simples e revolucionária, para representar o passar do tempo, na sua banda desenhada o tempo não é representado através de uma divisão em vinhetas, mas sim pelo reaparecimento das personagens em posições diferentes.

No livro, De Luca e Sigma transpõem três das mais populares obras do génio inglês: A tempestade, Hamlet e Romeu e Julieta. Em cada uma delas, a força inovadora da arte de Gianni De Luca salta aos olhos e mostra com clareza porque o autor se tornou um dos mestres da potente escola italiana de fumetti, sendo citado por grandes nomes como Frank Miller, Bill Sienckewicz e Dave McKean como fonte de inspiração.

A Levoir em conjunto com a Academia Público apresenta um curso sobre a Trilogia Shakesperiana ministrado pelo Professor Mário Avelar.


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Ficha técnica
Trilogia Shakespeariana
Autores: Raoul Traverso e Gianni De Luca
Editoras: Levoir e A Seita
Páginas: 144, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 195 x 270 mm
PVP: 16,90€

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

As novidades da Levoir para 2026!


Hoje apresento-vos as novidades que a editora Levoir tem preparadas para 2026!

E se não são muitas, em número, as novas obras que vos apresento neste artigo, merece destaque a estratégia internacional que a editora prepara para este ano, que procurará levar os livros portugueses a mercados estrangeiros, como a Polónia, Espanha ou o Brasil. É um passo importante, que muito aplaudo.

Começando por aí, a editora fez saber que editará, para o mercado polaco, e na língua polaca, sete livros da sua coleção Clássicos da Literatura Portuguesa em BD, nomeadamente, Mensagem, A Dama Pé-de-Cabra, Maria Moisés, Farsa de Inês Pereira, Os Lusíadas I e II e O Crime do Padre Amaro.

Também para o mercado vizinho de Espanha, a Levoir prepara, em castelhano, o lançamento dos livros Mensagem, O Crime do Padre Amaro, Os Lusíadas I e II e O Livro do Desassossego I e II.

Está ainda a ser preparado o lançamento de alguns destes livros no mercado brasileiro, incluindo a obra Carta a El-Rei D. Manuel sobre o Achamento do Brasil.

Por fim, deverá ser editada uma versão em inglês do livro Mensagem, que poderá ser encontrada em Portugal e em mercados externos.

Relativamente a novidades em termos de novos livros para o mercado nacional, eis, mais abaixo, as obras anunciadas pela editora:

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Análise: A Cor das Coisas

A Cor das Coisas, de Martin Panchaud - Levoir

A Cor das Coisas, de Martin Panchaud - Levoir
A Cor das Coisas, de Martin Panchaud

Se há algo que preciso referir em primeiro lugar, é que a aposta da editora Levoir na recentemente lançada obra A Cor das Coisas, do suíço Martin Panchaud, merece o meu aplauso, já que revela coragem, audácia e vontade de fazer diferente. Embora vencedor ou finalista de inúmeros prémios por essa Europa fora, este é um livro que, pela sua abordagem visual, pode afastar muita gente. Especialmente os que não gostam de surpresas ou de saírem da sua zona de conforto. 

De facto, A Cor das Coisas parte de uma premissa gráfica que poderia, à primeira vista, desagradar a muitos adeptos de banda desenhada. É que todo o universo nos é revelado numa perspetiva zenital, ou seja, como se fosse uma planta. Todo o mundo, todos os cenários, todos os ambientes, nos são dados como vistos de cima. Naturalmente, também personagens são representadas dessa forma, enquanto meros pontos coloridos. Estão a ver como é que o célebre videojogo GTA (Grand Theft Auto) começou por ser nas suas primeiras edições? Ou lembram-se dos videojogos Micro Machines para a velhinha consola Sega Mega Drive? É mais ou menos assim que vemos este mundo.

Se esta aposta visual pode parecer quase improvável para sustentar um livro com mais de 200 páginas, deixem-me que vos diga que rapidamente o livro se transforma numa engrenagem narrativa sólida, envolvente e cheia de nervo. 

Se a história não fosse boa, este livro também não o seria. Mas isso pode ser dito de todos, ou quase todos, os livros.

A Cor das Coisas, de Martin Panchaud - Levoir
A história de Simon, um adolescente obeso de 14 anos marcado pelo bullying e por uma estrutura familiar frágil, ganha contornos inesperados quando o jovem decide, após conselho de uma vidente, apostar num cavalo de corrida todas as poupanças do seu pai sem que este, ou alguém, o saiba. E o improvável acontece e a aposta de Simon passa a valer o prémio astronómico de 16 milhões de libras. O problema? Simon é menor e não pode levantar o dinheiro. E é precisamente a partir desta frustração inicial que tudo se começa a desmoronar… e a ganhar densidade, com a narrativa a obrigar-nos, de modo algo inesperado, a um mergulho emocional. 

De um momento para o outro, a mãe de Simon entra em coma, o seu pai desaparece e o rapaz vê-se forçado a atravessar um território desconhecido, feito de decisões difíceis que nenhum miúdo da sua idade deveria ter de tomar. Martin Panchaud constrói este percurso, em estilo de thriller, com uma mestria impressionante, equilibrando drama, humor, suspense e uma crítica social subtil, mas constante. 

Há qualquer coisa de profundamente humano nesta narrativa. Simon não é um herói, nem sequer um anti-herói. É apenas um rapaz perdido num mundo demasiado grande e indiferente, onde os adultos falham sucessivamente. E é nesse espaço, entre a negligência e o acaso, que A Cor das Coisas encontra a sua força. A história agarra-nos não por ser espetacular, mas por ser verosímil,- ou possível, pelo menos - e emocionalmente honesta.

A Cor das Coisas, de Martin Panchaud - Levoir
Importa sublinhar algo essencial: o que mais gostei neste livro foi o facto de a história ser especialmente cativante. Ao ponto de arriscar dizer que, mesmo que A Cor das Coisas fosse uma obra desenhada de qualquer outra forma, a narrativa continuaria a ser relevante, excitante e difícil de largar. Há aqui uma espinha dorsal narrativa forte que não depende exclusivamente do artifício visual para funcionar.

E depois há "o elefante na sala" ou melhor, os círculos de cor na página. Não vos posso dizer que é um livro bonito para observar. Não, não o é. Martin Panchaud tenta que as páginas não sejam sempre iguais umas às outras - e, de algum modo, até o consegue - mas, naturalmente, quando colocado ao lado de grandes livros de banda desenhada de ilustradores consagrados, A Cor das Coisas ficará aquém em termos visuais, pois é um autêntico alien no meio da banda desenhada.

Mas é precisamente aí que reside o seu grande trunfo. Nesta mudança de paradigma visual, quase agressiva na sua diferença, está o grande statement da obra. Panchaud prova que a banda desenhada não é um território exclusivo de quem domina o desenho clássico, virtuoso ou academicamente “bonito”. Qualquer pessoa pode fazer um grande livro de BD. Haja talento e, sobretudo, criatividade.

A Cor das Coisas, de Martin Panchaud - Levoir
A narrativa contada sempre com este ponto de vista, estilo planta, e com personagens representadas por círculos de cor, mais próximas de infografias ou mapas do que de figuras humanas, é uma decisão radical. E radical no melhor sentido possível. Obriga o leitor a participar ativamente na leitura, a reconstruir espaços, movimentos e emoções. Não é uma leitura passiva. É um exercício constante de atenção e envolvimento.

Logicamente, compreendo perfeitamente quem, ao folhear o livro pela primeira vez, sinta algum afastamento. A abordagem visual pode parecer demasiado complexa, fria ou até intimidante. O preconceito — ou pré-conceito, se preferirem desmontar a palavra — toca-nos a todos. Também a mim. Mas basta ler algumas páginas deste livro para que algo mude subitamente. E isso acontece pela história, que impacta e que nos convoca a entrar neste mundo visualmente diferente daquilo a que estamos habituados em banda desenhada.

E assim que nos acostumamos a esta nova forma de representar pessoas e figuras, tudo se torna surpreendentemente fluido. Começamos a reconhecer cores, padrões, trajetos. Começamos a “ver” personagens onde antes só víamos formas geométricas. E isso é absolutamente fascinante. A leitura deixa de ser um esforço e passa até a ser um vício. Este é um daqueles livros que, quando tinha que fazer uma pausa na leitura, me deixava com muitas ânsias de voltar à leitura. 

A Cor das Coisas, de Martin Panchaud - Levoir
Prémios "valem o que valem", bem sei, mas não é por acaso que A Cor das Coisas foi amplamente aclamado pela crítica e premiado em festivais tão relevantes como Angoulême, onde venceu o Fauve d’Or de Melhor Álbum. Estes prémios não surgiram por exotismo, mas porque estamos realmente perante uma obra que empurra os limites da linguagem da banda desenhada sem nunca perder o foco naquilo que realmente importa: contar uma boa história.

A edição da Levoir é em capa dura baça, com bom papel baço no miolo. O trabalho de impressão e encadernação também está bem conseguido. A capa do livro é ligeiramente diferente, em termos visuais, pois em vez de apresentar uma tira a preto com a inscrição "Novel Gráfica" como é assinatura da editora, opta por não ter essa inscrição e por ter a referida tira na cor roxa. Acaba por dar um aspeto mais diferenciado ao livro. 

Há livros que se destacam pelo desenho, outros pelo argumento, outros ainda pela ousadia formal. A Cor das Coisas consegue, de forma rara, equilibrar estes três elementos, mesmo quando parece estar deliberadamente a negar um deles. É uma obra que desafia expectativas, hábitos de leitura e até preconceitos estéticos profundamente enraizados.

E, no fim, ficamos com a sensação de ter lido algo verdadeiramente único. Um livro que não se parece com mais nenhum, que não tenta agradar a todos, mas que recompensa generosamente quem aceita o desafio. A Cor das Coisas não é apenas uma grande banda desenhada. É uma prova viva de que o meio ainda tem muito espaço para surpreender, reinventar-se e - acima de tudo - emocionar. Adorei e é o livro do ano da Levoir.


NOTA FINAL (1/10):
9.7

Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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A Cor das Coisas, de Martin Panchaud - Levoir

Ficha técnica
A Cor das Coisas
Autor: Martin Panchaud
Editora: Levoir
Páginas: 232, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 170 x 240 mm
Lançamento: Outubro de 2025

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Análise: Livro do Desassossego

Livro do Desassossego, de Pedro Vieira de Moura, Susa Monteiro e Bernardo Majer - Levoir e RTP

Livro do Desassossego, de Pedro Vieira de Moura, Susa Monteiro e Bernardo Majer - Levoir e RTP
Livro do Desassossego, de Pedro Vieira de Moura, Susa Monteiro e Bernardo Majer

A editora Levoir surpreendeu os leitores portugueses quando, por alturas do mais recente Amadora BD, anunciou o lançamento duplo da adaptação para banda desenhada de O Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa. Especialmente, se tivermos em conta que a coleção dos Clássicos da Literatura Portuguesa em BD já havia chegado ao fim, após a publicação do anunciado 15º volume.

Mas a Levoir decidiu continuar a coleção que convoca os grandes clássicos da literatura portuguesa para uma adaptação em banda desenhada e fê-lo com mais uma adaptação da obra de Fernando Pessoa, desta feita com argumento de Pedro Vieira de Moura e desenhos, no primeiro volume, de Susa Monteiro e, no segundo, de Bernardo Majer.

Livro do Desassossego, de Pedro Vieira de Moura, Susa Monteiro e Bernardo Majer - Levoir e RTP
O Livro do Desassossego
é uma obra literária única, caracterizada pela sua estrutura fragmentária e introspectiva. Não se trata, portanto, de um romance tradicional com enredo linear, mas de uma coleção de pensamentos, reflexões e observações. A obra explora a vida interior do narrador, a sua percepção da cidade, do tempo, da existência e da arte, revelando sentimentos de melancolia, tédio, solidão e um constante questionamento sobre a realidade e a identidade. A escrita é muitas vezes poética, filosófica e profundamente subjetiva, refletindo a complexidade da mente humana e a inquietação existencial de Fernando Pessoa.

A obra não segue uma ordem cronológica e reúne fragmentos que foram escritos ao longo de muitos anos, publicados postumamente. Como tal, é uma das obras mais enigmáticas de Fernando Pessoa, e esta adaptação em banda desenhada propõe um mergulho visual que respeita essa complexidade. Não estamos perante uma narrativa convencional, mas sim diante de uma experiência sensorial que acompanha a pulsação introspectiva do texto. Pedro Vieira de Moura conseguiu transformar a fragmentação da escrita pessoana em algo coeso o suficiente para que o leitor possa navegar pelo labirinto de pensamentos sem se sentir perdido.

Mas não vos vou mentir: este é um livro difícil de ler. A fragmentação do original exige concentração, atenção aos detalhes e paciência. É normal que muitas vezes nos percamos ou que nos pareça que a obra navega em demasia na maionese. Não obstante, a beleza desta adaptação é que não tenta simplificar ou adulterar a obra; pelo contrário, oferece-nos ferramentas visuais para acompanhar a introspeção de Pessoa, mantendo a essência desconexa que caracteriza a escrita do autor. 

Livro do Desassossego, de Pedro Vieira de Moura, Susa Monteiro e Bernardo Majer - Levoir e RTP
O primeiro volume abarca textos escritos sob o heterónimo Vicente Guedes, entre 1913 e 1919. Aqui, o trabalho de Susa Monteiro brilha. O seu estilo contemplativo encaixa-se na perfeição com a natureza abstrata do texto original e a densidade filosófica dos fragmentos iniciais. Cada página transmite um ritmo meditativo, quase hipnótico - bem em linha com aquilo que a autora já nos havia oferecido em Mensagem - que permite ao leitor sentir a Lisboa da época através da lente da subjetividade pessoana. A composição das ilustrações cria um diálogo silencioso entre palavra e imagem que é muito gratificante.

O segundo volume, dedicado a Bernardo Soares e aos fragmentos escritos entre 1929 e 1935, introduz um contraste visual evidente com o primeiro livro. Bernardo Majer imprime cores mais soturnas e uma representação do ambiente lisboeta que é complexa, mas também mais acessível para o leitor contemporâneo. O equilíbrio entre abstração e referência realista é notável, levando o leitor a conseguir perceber a cidade, o movimento das ruas e a solidão do heterónimo sem perder a intensidade poética do texto.

Livro do Desassossego, de Pedro Vieira de Moura, Susa Monteiro e Bernardo Majer - Levoir e RTP
A divisão da obra entre dois ilustradores foi arriscada por haver o perigo de se perder alguma continuidade visual. No entanto, o próprio caráter desconexo da obra funciona como uma espécie de "cola" entre os dois estilos de ilustração. Susa Monteiro domina a parte mais introspectiva e etérea, enquanto Bernardo Majer traz densidade e textura urbana à fase mais tardia da obra, tornando a transição aceitável e até enriquecedora. A mistura de dois ilustradores acabou por, embora arriscada, funcionar bem.

O trabalho de ilustração de Susa Monteiro cumpre as expectativas que eu já tinha do seu estilo: contemplativo, poético e belo. Já Bernardo Majer surpreendeu-me de forma muito positiva. A forma como usa a cor, as sombras e o próprio desenho, transmite aquela sensação de inquietação e fragmentação interna do narrador. Confesso que, em termos de desenho, este pode ser o meu livro preferido do autor até agora. Gostei mesmo muito.

Em termos de edição, o trabalho da Levoir está em linha com os outros livros desta coleção. Cada livro tem capa dura baça, bom papel brilhante no miolo, e boa encadernação e impressão. No final de cada livro há um dossier de extras - maior no segundo volume - sobre a obra, o autor e o contexto social de ambos.

Em suma, estes dois livros constituem um acréscimo importante à coleção de Clássicos da Literatura Portuguesa em BD da Levoir. Mantêm a integridade da obra original, oferecem novas vias de interpretação e leitura, e combinam de modo eficiente o talento de dois belos estilos de ilustração diferentes. Quem se aventurar neste Livro do Desassossego encontrará não apenas uma obra literária, mas também uma experiência visual e sensorial única, tão complexa, abstrata e fascinante quanto a própria obra original de Fernando Pessoa.


NOTA FINAL (1/10):
8.5


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens dos álbuns. www.instagram.com/vinheta_2020


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Livro do Desassossego, de Pedro Vieira de Moura, Susa Monteiro e Bernardo Majer - Levoir e RTP

Fichas técnicas
Livro do Desassossego I
Autores: Pedro Vieira de Moura e Susa Monteiro
Baseado na obra original de: Fernando Pessoa
Editora: Levoir
Páginas: 58, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
Lançamento: Outubro de 2025

Livro do Desassossego, de Pedro Vieira de Moura, Susa Monteiro e Bernardo Majer - Levoir e RTP

Livro do Desassossego II
Autores: Pedro Vieira de Moura e Bernardo Majer
Baseado na obra original de: Fernando Pessoa
Editora: Levoir
Páginas: 58, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
Lançamento: Outubro de 2025

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Levoir edita banda desenhada premiada!



A Levoir acaba de lançar o livro A Cor das Coisas, da autoria de Martin Panchaud, uma obra amplamente premiada que tem conquistado público e crítica pela sua audaz abordagem e desconstrução do próprio cânone que normalmente associamos à banda desenhada.

Como tal, mal posso esperar para conhecer melhor esta obra que tem apresentação dupla com a presença do autor: hoje, às 18h30, na FNAC do Colombo e no domingo, às 15h, no auditório do Amadora BD.

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa e com algumas imagens promocionais.

A Cor das Coisas, de Martin Panchaud

A editora Levoir tem o prazer de anunciar o lançamento em Portugal da novela gráfica A Cor das Coisas, do autor suíço Martin Panchaud, uma das obras mais inovadoras e premiadas da banda desenhada europeia dos últimos anos.

A Cor das Coisas mistura drama, comédia, suspense e crítica social, através da história de Simon, um adolescente de 14 anos, vítima de bullying e negligência familiar. Quando decide apostar todas as poupanças do pai num cavalo de corrida, acaba por ganhar 16 milhões de libras - mas, sendo menor, não pode levantar o prémio. 

A partir daí, a sua vida dá uma volta completa: a mãe entra em coma, o pai desaparece, e Simon mergulha numa jornada inesperada.

Visualmente, a obra rompe com todos os formatos convencionais da banda desenhada. A narrativa é contada em “planta baixa”, com as personagens representadas por círculos de cor, evocando infografias e mapas. O resultado é uma experiência de leitura única, onde o leitor reconstrói, página a página, as emoções e os espaços da história.

A Cor das Coisas tem sido aclamada pela crítica e premiada em vários festivais de renome:

Fauve d’Or – Melhor Álbum no Festival de BD de Angoulême (2023)

Grand Prix da Crítica ACBD (2023)

Prix Delémont’BD (Melhor estreia suíça)

Prix “Toute première fois” no Festival BD Colomiers

Medalha de prata no concurso internacional ICMA

Nomeações para diversos outros prémios em França, Suíça e Alemanha


A chegada de A Cor das Coisas a Portugal será assinalada com duas sessões abertas ao público:

FNAC Colombo – 31 de outubro, 18h
Sessão de lançamento com apresentação da obra e sessão de autógrafos.

Festival Amadora BD – 2 de novembro, 15h
Apresentação oficial da obra com o autor e sessão de autógrafos com máquina.

Ambas as sessões contarão com momentos de conversa com o autor e sessões de autógrafos, com uma particularidade inédita: Martin Panchaud autografará os livros com o auxílio de uma máquina criada especialmente para o efeito, numa performance que junta arte, tecnologia e humor — uma inovação nunca vista em eventos do género em Portugal.

Estas serão oportunidades únicas para conhecer Martin Panchaud, conversar sobre o seu trabalho inovador e assistir a uma performance de autógrafos como nunca se viu.

Convidamos livreiros, imprensa, profissionais do setor cultural e amantes da banda desenhada a juntarem-se a nós nestes momentos especiais de celebração de uma obra que desafia as convenções visuais e narrativas do género.

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Ficha técnica
A Cor das Coisas
Autor: Martin Panchaud
Editora: Levoir
Páginas: 232, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 170 x 240 mm
PVP: 29,90€

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Análise: O Profeta (Volumes 1 e 2)

O Profeta (Volumes 1 e 2), de Zeina Abirached - Levoir

O Profeta (Volumes 1 e 2), de Zeina Abirached - Levoir
O Profeta (Volumes 1 e 2), de Zeina Abirached

Uma das mais recentes novidades da Levoir dá pelo nome de O Profeta, da autora Zeina Abirached - de quem a editora ja por cá publicou A Dança das Andorinhas e Ovelha. Lançado em parceria com o jornal Público em dois volumes (já lá irei), O Profeta já se encontra à venda no Amadora BD 2025. Em termos de lançamentos com o jornal, o primeiro livro já saiu no passado dia 24 de Outubro e o segundo volume deverá chegar às bancas uma semana depois, no dia 31 de Outubro.

Posso dizer-vos que já tive a oportunidade de ler e dissecar os dois livros de O Profeta, uma obra que se inspira no famoso texto de Khalil Gibran, publicado originalmente em 1923. Há mais de 100 anos, portanto! A autora libanesa Zeina Abirached serve-se do texto da obra original - não o adaptando, portanto - de forma a transformar este trabalho clássico da literatura filosófico-poética numa experiência visual, unindo palavra e imagem de forma harmoniosa. É uma obra que apresenta uma narrativa poética que se divide em pequenos capítulos, cada um dedicado a um tema da vida, com mensagens profundas sobre a existência humana.

O Profeta (Volumes 1 e 2), de Zeina Abirached - Levoir
A história gira em torno de um profeta, Al-Mustafá, que vive numa cidade estrangeira e se prepara para partir. Antes de partir, ele responde às perguntas dos habitantes da cidade sobre questões fundamentais da vida, como o amor, a liberdade, a amizade, a morte, a educação, entre outros temas. Cada resposta é apresentada como uma reflexão filosófica e poética, que transcende barreiras culturais e temporais.

A proposta de Zeina Abirached não é apenas ilustrar o texto de Gibran, mas criar uma experiência completa que combina a beleza da palavra com a estética visual. Deste modo, a obra torna-se simultaneamente numa peça artística visual e num texto literário rico em significados, tornando-se acessível tanto para leitores jovens como adultos, curiosos sobre filosofia, poesia e espiritualidade.

O Profeta (Volumes 1 e 2), de Zeina Abirached - Levoir
É uma obra bonita, com belas mensagens que me lembram um misto entre um manual de autoajuda, um livro de filosofia e um conjunto de textos religiosos. E embora, convém dizer, algumas das mensagens da obra pareçam de cariz religioso, a obra não preconiza diretamente qualquer crença específica, o que é um ponto positivo, tornando a mensagem universal. É fácil encontrar nos textos conselhos e pensamentos que nos convidam à introspeção e à contemplação da vida de forma mais serena e consciente.

Além disso, esta adaptação de O Profeta acaba por funcionar como uma excelente porta de entrada para o texto original de Gibran, que é célebre pela sua profundidade, pela delicadeza da linguagem e pela capacidade de tocar questões existenciais com uma simplicidade surpreendente. É um manual a que podemos recorrer sempre que sentirmos falta de inspiração sobre os diversos aspetos da vida. Estão a ver aqueles dias em que estamos particularmente desapontados com algo nas nossas vidas? Talvez a resposta para as nossas dúvidas ou receios possa ser encontrada neste livro de banda desenhada. E que bom é poder proferir uma frase destas, acreditem.

O Profeta (Volumes 1 e 2), de Zeina Abirached - Levoir
Não esqueçamos que temas são universais. A obra de Gibran, e por extensão esta adaptação de Abirached, mantém-se, pois, atual porque aborda questões que nos acompanham desde sempre e que, naturalmente, continuarão a acompanhar-nos no futuro. Este caráter intemporal reforça o valor da obra, permitindo que cada leitura se torne um momento de reflexão e descoberta, independentemente da época ou da idade do leitor.

Os desenhos de Zeina Abirached encaixam que nem uma luva no tom da obra. O seu estilo onírico transporta o leitor para uma dimensão quase etérea, onde a viagem proposta pelo texto exige um desligamento temporário da azáfama do dia a dia. As ilustrações evocam nuvens, mares e paisagens de sonho, criando uma experiência sensorial que complementa perfeitamente a profundidade das palavras.

O Profeta (Volumes 1 e 2), de Zeina Abirached - Levoir
Mantendo o seu traço a preto e branco puro, reconhecível pelos leitores portugueses que já leram A Dança das Andorinhas ou Ovelha, este é um livro que não parece ser tanto um livro de banda desenhada, mas mais um livro ilustrado, porque muito embora haja balões nos diálogos das personagens, a planificação da obra e a própria sequência parece emanar mais de um livro ilustrado do que de um livro de banda desenhada mais clássica. Esta fidelidade ao estilo, contribui para que este O Profeta seja não só uma leitura literária, mas também uma experiência estética, capaz de cativar visualmente enquanto conduz à reflexão. Há alguns exemplos particularmente felizes e inspirados (e inspiradores) de como a autora interpretou o texto original de Khalil Gibran.


É verdade que a leitura pode tornar-se, por vezes, um pouco densa, dada a abrangência de temas e o volume do livro. E para isso também conta uma certo sentimento de repetição visual, que deixa mesmo a ideia de que alguns dos elementos, como a figura de Al-Mustafá, por exemplo, foram repetidos e copiados de páginas para páginas, sem que tenham sido redesenhados. No entanto, o texto é apresentado em doses equilibradas, permitindo pausas de contemplação. Um detalhe muito importante é a presença de um índice, que confere à obra uma função consultiva extremamente útil. É possível recorrer a capítulos específicos sem necessidade de leitura contínua, tornando a obra prática e versátil. Aliás, até acho mais conviente que esta obra seja lida desse modo mais consultivo do que de fio a pavio, como eu fiz.
O Profeta (Volumes 1 e 2), de Zeina Abirached - Levoir

Em termos de edição, os livros apresentam capa mole, com badanas, bom papel no miolo e um bom trabalho a nível de impressão e encadernação. O primeiro livro conta com prefácio da própria Zeina Abirached e o segundo brinda-nos com um prefácio de Safaa Dib, escritora. São livros muito bonitos, com um grafismo diferenciado. A obra original foi lançada num só volume e, naturalmente, eu teria preferido que também fosse lançada desse modo em Portugal. No entanto, e segundo informações da editora, esta opção por dividir a obra em dois volumes não advém tanto da escolha da editora, mas do próprio jornal Público que manifesta preferência em editar obras mais longas, de forma repartida. Não aprecio tanto, mas compreendo.

Em suma, O Profeta, na adaptação de Zeina Abirached, é um livro que alia beleza visual e profundidade filosófica. É uma obra que permite leituras lineares ou consultas pontuais, tornando-se um trabalho intemporal e multifacetado. Cada página convida à reflexão, cada ilustração evoca a imaginação e, juntas, palavra e imagem criam uma experiência única, que nos faz flutuar entre poesia, filosofia e sonho, lembrando-nos da importância de refletir sobre a vida com serenidade e sensibilidade. Eis uma boa aposta da Levoir.


NOTA FINAL (1/10):
8.4


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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O Profeta (Volumes 1 e 2), de Zeina Abirached - Levoir

Fichas técnica
O Profeta - Volume 1
Autora: Zeina Abirached
Editora: Levoir
Páginas: 192 páginas, a preto e branco
Encadernação: Capa mole, com badanas
Formato: 182 X 227 mm
Lançamento: Outubro de 2025

O Profeta (Volumes 1 e 2), de Zeina Abirached - Levoir

O Profeta - Volume 2
Autora: Zeina Abirached
Editora: Levoir
Páginas: 192 páginas, a preto e branco
Encadernação: Capa mole, com badanas
Formato: 182 X 227 mm
Lançamento: Outubro de 2025