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quinta-feira, 31 de julho de 2025

TOP 10 - A Melhor BD lançada pel' A Seita nos últimos 5 anos!



Hoje trago-vos aquela que, na minha opinião, foi a melhor banda desenhada lançada pela editora A Seita nos últimos cinco anos!

Recordo que esta iniciativa surge pela comemoração dos 5 anos do Vinheta 2020, que me fez olhar um pouco para trás e ver a enorme quantidade de excelente banda desenhada que por cá foi publicada durante um período bastante pequeno de cinco anos.

Tendo em conta o enorme sucesso que estes artigos estão a ter aqui no blog, já tendo eu feito artigos dedicados à Ala dos Livros e à Arte de Autor, prometo fazer o mesmo tipo de artigo para a melhor banda desenhada editada por cada uma das principais editoras portuguesas de banda desenhada durante o mês de agosto. Mesmo que, pelo meio, haja uma certa quebra devido às minhas férias que se avizinham.

Convém relembrar que este conceito de "melhor" é meramente pessoal e diz respeito aos livros que, quanto a mim, obviamente, são mais especiais ou me marcaram mais. Ou, naquela metáfora que já referi várias vezes, "se a minha estante de BD estivesse em chamas e eu só pudesse salvar 10 obras, seriam estas as que eu salvava".

Faço aqui uma pequena nota sobre o procedimento: considerei séries como um todo e obras one-shot. Tudo junto. Pode ser um bocado injusto para as obras autocontidas, reconheço, e até ponderei fazer um TOP exclusivamente para séries e outro para livros one-shot, mas depois achei que isso seria escolher demasiadas obras. Deixaria de ser um TOP 10 para ser um TOP 20. Até me facilitaria o processo, honestamente, mas acabaria por retirar destaque a este meu trabalho que procura ser de curadoria. Acabou por ser um exercício mais difícil, pois tive que deixar de fora obras que também adoro, mas acho que quem beneficia são os meus leitores que, deste modo, ficam com a BD que considero ser a "crème de la crème" de cada editora.

Chamo a atenção para o facto de eu considerar que fará sentido fazer um TOP dedicado aos lançamentos que A Seita fez em conjunto com a Arte de Autor. Mas isso ficará para outro dia. Como tal, as obras lançadas em conjunto pelas duas editoras não foram tidas em conta para este TOP. Também a Comic Heart merecerá um artigo isolado.

Bem, sem mais delongas, deixo-vos a melhor BD lançada em exclusivo pel' A Seita.

terça-feira, 29 de julho de 2025

Análise: O Corcunda de Notre Dame

O Corcunda de Notre Dame, de Georges Bess - A Seita

O Corcunda de Notre Dame, de Georges Bess - A Seita
O Corcunda de Notre Dame, de Georges Bess

Depois das fantásticas adaptações para banda desenhada de Drácula e Frankenstein, do autor francês Georges Bess, chegou-nos recentemente a sua terceira adaptação de clássicos da literatura mundial. Desta vez, a obra em questão é O Corcunda de Notre Dame (no original Notre Dame de Paris), de Victor Hugo, que, à semelhança das obras acima referidas, é publicada por cá pela editora A Seita, na sua coleção Nona Literatura.

Esta banda desenhada mergulha-nos na atmosfera sombria e intensa da Paris medieval, onde a catedral de Notre Dame se impõe como uma personagem quase viva, testemunha silenciosa das tragédias humanas que ali se sucedem em catadupa. Georges Bess opta por uma abordagem profundamente fiel ao original, distanciando-se das versões mais ligeiras e populares, como a dos estúdios Disney, o que confere à narrativa um peso e uma densidade que a tornam uma experiência mais exigente, mas também, diria, mais recompensadora.

O Corcunda de Notre Dame, de Georges Bess - A Seita
E ao contrário da célebre adaptação da Disney que se centra quase exclusivamente na personagem do corcunda Quasimodo, esta adaptação, à semelhança do texto original, divide-se mais irmãmente  entre as personagens de Quasimodo, o corcunda que vive enclausurado na catedral, Esmeralda, a jovem cigana de beleza hipnótica, e Dom Frollo, o arquidiácono atormentado por desejos reprimidos e consequentes culpas. Aparecem ainda várias outras personagens que acabam por reclamar para si mesmas mais peso e relevância para o desenlace da história. A teia de sentimentos contraditórios, paixões proibidas e impossíveis, bem como os variados conflitos morais, habilmente arquitetada por Victor Hugo, é trazida à 9ª arte por Georges Bess, que consegue reproduzir todo esse peso narrativo, revelando-se, novamente, um mestre na forma como conduz a narrativa visual, equilibrando a grandiosidade do texto com uma componente visual notável.

Não posso negar que sou um verdadeiro fã destas adaptações de Georges Bess. Gostava do trabalho do autor em O Lama Branco ou Juan Solo, mas é nestas grandiosas adaptações a preto e branco que o virtuosismo do autor mais sobressai. Autor que, já agora, divide os créditos da criação da obra com a sua esposa, Pia Bess - embora essa informação não conste na capa da obra.

O Corcunda de Notre Dame, de Georges Bess - A Seita
Do ponto de vista gráfico, este álbum é verdadeiramente uma obra de arte! O domínio do preto e branco por parte de Bess mantém-se fulgurante. As sombras profundas, os contrastes intensos e a expressividade das personagens conferem à obra um caráter dramático, ao mesmo tempo belo e perturbador. Os detalhes da arquitetura gótica de Notre Dame, os rostos marcados pelo sofrimento ou pela obsessão, tudo está meticulosamente desenhado, revelando um cuidado quase obsessivo com a fidelidade estética e emocional, por parte do autor.

Os desenhos do autor já me tinham arrebatado em Drácula e Frankenstein e voltam a fazê-lo neste O Corcunda de Notre Dame, embora reconheça que, em certos momentos deste livro - não tantos assim - se sinta uma ligeira oscilação no aprumo visual. Nada de muito gritante, mas um olho atento encontrará algumas vinhetas que aparentam ter recebido menos tempo ou atenção, com fundos mais vazios e traços menos elaborados e mais rabiscados. Reitero que são ligeiras oscilações e que, olhando para o todo, não comprometem a obra, mas fazem-se notar, sobretudo porque o padrão geral é tão elevado. 

Há momentos particularmente memoráveis nesta adaptação como certas cenas de grande tensão dramática ou passagens visuais que nos tiram o fôlego pelo seu impacto artístico. A cena da execução iminente de Esmeralda, por exemplo, é retratada com uma intensidade visual que encapsula perfeitamente o desespero e a injustiça da situação. Da mesma forma, a solidão de Quasimodo ganha vida nas sombras do campanário, numa representação comovente e profundamente humana.

Em termos de adaptação narrativa, a densidade da história original de Hugo impõe-se de forma clara. A complexidade dos enredos secundários, os múltiplos pontos de vista e as reviravoltas constantes podem tornar a leitura algo desafiante, reconheço. Mas se isso puder ser considerado como menos positivo, não será por culpa de Georges Bess, que opta deliberadamente por manter a estrutura e a profundidade da obra original, mas da própria história de Victor Hugo que, quanto a mim, tem alguns volte faces algo rebuscados. Enfim, convém não esquecer que a obra foi originalmente escrita em 1831, há quase 200 anos.

O Corcunda de Notre Dame, de Georges Bess - A Seita

Portanto, será nesse sentido, na tal componente narrativa e não tanto na visual, que na comparação com as anteriores adaptações de Georges Bess, este O Corcunda de Notre Dame fica uns ligeiros furos abaixo. Quer Drácula, quer Frankenstein, apesar da sua densidade temática, apresentavam uma fluidez narrativa ligeiramente superior. Talvez isso suceda pelo facto de O Corcunda de Notre Dame ser mais enraizado em conflitos humanos e menos centrado em elementos fantásticos.

Seja como for, estamos aqui a falar de detalhes, importando destacar também o respeito quase reverencial com que Georges Bess trata a obra de Victor Hugo. Sente-se que o autor tem um gosto especial por esta história, o que se reflete na forma cuidadosa como a representa. E ao contrário de adaptações mais livres, esta é um tributo fiel, onde as palavras e os silêncios são igualmente poderosos. A escolha de manter o tom trágico, sem aligeirar a narrativa, é uma decisão corajosa e honesta, que dá credibilidade à obra.

Em termos de edição, o livro apresenta capa dura baça, com detalhes a verniz, bom papel baço no miolo e um bom trabalho em termos de encadernação e impressão. Há ainda um caderno extra de 10 páginas que nos oferece um magnífico conjunto de ilustrações de Georges Bess.

Em suma, neste O Corcunda de Notre Dame, Bess entrega-nos mais uma vez uma obra de primeira linha, marcada por uma estética requintada e uma fidelidade intransigente ao texto de origem. Pode não ser a sua adaptação mais acessível ou imediata, e ficar uns pontos abaixo de Frankenstein ou Drácula, mas é um trabalho de elevado mérito artístico, que alia a qualidade gráfica à densidade literária, e que, por isso, é fortemente recomendado. 


NOTA FINAL (1/10):
9.2



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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O Corcunda de Notre Dame, de Georges Bess - A Seita

Ficha técnica
O Corcunda de Notre Dame
Autor: Georges Bess
Editora: A Seita
Páginas: 216, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 225 x 290 mm
Lançamento: Maio de 2025

terça-feira, 22 de agosto de 2023

Análise: Frankenstein

Frankenstein, de Georges Bess - A Seita - Nona Literatura

Frankenstein, de Georges Bess - A Seita - Nona Literatura
Frankenstein, de Georges Bess

Depois de ter lido a adaptação de outro clássico da literatura, Drácula, por parte de Georges Bess, devo dizer que estava “em pulgas” para ler este Frankenstein. E afirmo isto porque Drácula é um livro verdadeiramente espantoso. Um dos melhores livros de todo o catálogo da editora A Seita. O desenho de Bess é sublime, a adaptação é fiel e a edição é em grande estilo.

Agora, depois de ter mergulhado nesta adaptação para banda desenhada da igualmente famosa obra Frankenstein, devo dizer que Georges Bess volta a trazer-nos um trabalho de primeira qualidade. Se é verdade que admiro aquilo que o autor fez em O Lama Branca ou em Juan Solo, há que dizer que este registo a preto e branco, que Georges Bess nos oferece em Drácula e em Frankenstein, traz-nos um autor nas suas capacidades plenas!

Portanto, sem surpresas, Frankenstein não desilude e assume-se com um dos livros do ano. É recomendado aos fãs da obra original de Frankenstein, àqueles que nunca a leram e a todos os que gostam simplesmente de uma boa banda desenhada!

Frankenstein, de Georges Bess - A Seita - Nona Literatura
A história desta obra que é tida como a primeira obra de ficção científica de sempre, foi concebida por Mary Shelley e segue a jornada do cientista Victor Frankenstein que, apaixonado pela ciência e pelo poder da criação, consegue criar uma criatura através de partes de cadáveres. As coisas não correm bem, pelo menos no plano estético, e a criatura é abandonada pelo seu próprio criador. A partir daí, a vida do Monstro Frankenstein é feita de rejeição por parte de todos aqueles que o rodeiam, levando-o a um enorme sofrimento e a uma gritante sensação de injustiça. Procurando tirar satisfações perante Victor, o Monstro irá persegui-lo e fazer um acordo com ele. Eventualmente, criador e criatura acabam por se destruir mutuamente, ficando sós no mundo.

A narrativa de Shelley, originalmente publicada em 1818, explora temas como a busca do conhecimento sem limites, as consequências éticas da ciência e da criação, além de questões sobre a natureza da humanidade, empatia e isolamento. Tornou-se um marco na literatura gótica e de ficção científica, não só por ter cativado os leitores pelo seu argumento intrigante e inteligente, como por ter explorado também várias questões filosóficas e éticas, que continuam relevantes nos dias de hoje. O próprio monstro criado por Frankenstein, sendo monstruoso, revela uma grande dose de humanismo e será essa outra das reflexões a retirar desta brilhante história. Porque, mesmo podendo ser um clichet, a verdade é que aquilo que distingue os humanos entre si e entre os demais animais, não é a aparência física mas o conjunto das suas ações. Por algum motivo, se chama humanismo.

Frankenstein, de Georges Bess - A Seita - Nona Literatura
E a relevância da obra parece não se esgotar com a passagem dos anos. Aliás, diria até que nunca Frankenstein esteve tão atual como nos dias atuais, em que a tecnologia está cada vez mais presente nas nossas vidas. Que papel e que responsabilidade têm os criadores de tecnologia na forma como alteram a vida dos humanos e, consequentemente, de tudo aquilo que nos rodeia?

Quanto às ilustrações, o trabalho de Bess é verdadeiramente magnífico. Com uma técnica carregada de detalhes, e com um traço a preto e branco realista, o autor parece ter encontrado a sua melhor forma de desenho, explorando todas as valências que o estilo a preto e branco permite. A caracterização do próprio monstro Frankenstein é verdadeiramente impactante, fazendo até com que nos esqueçamos daquela representação mais clássica da personagem, que habitua o nosso imaginário. A própria história também possibilita que sejam em grande número os desenhos de paisagens onde, mais uma vez, Georges Bess brilha.

Frankenstein, de Georges Bess - A Seita - Nona Literatura
Comparando o trabalho ilustrativo de Bess neste Frankenstein com aquilo que o autor fez em Drácula, talvez haja, neste Frankenstein, menos espaço para nos surpreender a nível de planificação de página. Algo que, em Drácula, o autor soube potenciar muito bem nas situações mais esotéricas e de terror. Claro que há muitos bons exemplos onde, também nesta vertente, Bess se transcende em Frankenstein, mas parece-me ser justo afirmar que Drácula ainda consegue ser melhor nessa vertente. O que também é compreensível visto que a obra criada por Mary Shelley é muito mais uma história de ficção e mais humana, onde as questões metafísicas e de terror não abundam tanto como em Drácula. Seja como for, que não haja qualquer engano: quer Drácula, quer Frankenstein, são sublimemente desenhados por Bess!

Em termos de edição, estamos perante mais um belo trabalho d' A Seita. O livro que é lançado na chancela Nona Literatura da editora, apresenta capa dura - com alguns pormenores da mesma a verniz - bom papel baço e bom trabalho ao nível da encadernação e da impressão. No final, foram incluídas quatro ilustrações do autor. Nota para a existência de uma segunda capa que é exclusiva ao site Wook.

Em suma, depois do magnífico Drácula, Frankenstein é tudo aquilo que poderíamos esperar, não ficando atrás da primeira obra. Tendo em conta o tipo de história mais universal e, apesar de tudo, mais terra-a-terra, até pode agradar a mais gente do que Drácula. Seja como for, Georges Bess revela-se fantástico em ambas as obras. Entretanto, já é conhecida a mais recente adaptação do autor nos mesmos moldes, que é o romance de Victor Hugo Notre-Dame de Paris (ou O Corcunda de Notre Dame). Tendo em conta o nível qualitativo que Bess apresenta nas suas adaptações a preto e branco, resta-nos esperar que A Seita lance a mencionada nova obra tão depressa quanto possível!


NOTA FINAL (1/10):
9.7



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Frankenstein, de Georges Bess - A Seita - Nona Literatura

Ficha técnica
Frankenstein
Autor: Frankenstein
Editora: A Seita
Páginas: 208, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 215 x 285 mm
Lançamento: Maio de 2023

sexta-feira, 7 de julho de 2023

A Seita lança o muito aguardado Frankenstein!


A Seita lança um dos livros de banda desenhada mais aguardados do ano!

Falo de Frankenstein, de Georges Bess, de quem a editora já havia lançado o fantástico Drácula, um dos melhores livros do belo catálogo d' A Seita, quanto a mim.

Relembro que esta edição inclui as pranchas adicionais e as ilustrações de extra da edição de luxo francesa. Além de que a Wook, à semelhança do que tem sido feito com alguns álbuns d' A Seita, recebe uma capa especial para esta obra. 

Este livro, pertencente à coleção Nona Literatura, já tinha sido apresentado, com a presença do autor, no Maia BD, mas agora pode ser encontrado nos principais pontos de venda.
Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.

Frankenstein, de Georges Bess

Uma fabulosa e fiel adaptação gráfica do romance de Mary Shelley, obra fundadora da ficção científica, pelo desenhador de “O Lama Branco”, “Juan Solo”, e “Drácula de Bram Stoker”.

Frankenstein vive no imaginário ocidental há mais de 200 anos, e é uma leitura obrigatória, não só para fãs de ficção científica, mas também para cientistas e tecnólogos praticantes ou futuros, que devem considerar o impacto de seu trabalho no mundo à sua volta, uma obra recorda aos cidadãos comuns que a ciência afecta as suas vidas assim que é colocada à sua disposição.

Numa época em que a tecnologia cada vez mais molda o futuro, este é um conto que se vai tornando mais real e menos imaginário, e prova que as atitudes dos criadores podem ajudar a mudar o mundo, e que é da sua responsabilidade a maneira como essa mudança é feita.

A edição d’A Seita inclui as pranchas adicionais e ilustrações da edição de luxo francesa, e também uma tiragem especial com uma capa alternativa prateada, exclusiva da Wook.



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Ficha técnica
Frankenstein
Autor: Frankenstein
Editora: A Seita
Páginas: 208, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 215 x 285 mm
PVP: 26,00€

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

A Seita anuncia a aposta em mais 3 novas obras de BD!



A editora A Seita aproveitou - e bem! - o Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja para anunciar, através de dois dos seus editores, José Pedro Castello-Branco e João Miguel Lameiras, mais três obras a lançar futuramente, numa das suas coleções que é, igualmente, uma das mais recentes apostas da editora em banda desenhada.

A coleção em questão é dedicada a adaptações para bd de obras clássicas da literatura, e intitula-se Nona Literatura. Abriu em grande com o lançamento, há uns meses, da sua primeira obra, Drácula, de Georges Bess, um livro soberbo que já aqui foi analisado.

Mas agora são conhecidos mais alguns títulos que deverão chegar ao mercado nos próximos meses.

Avancemos, então, para a partilha com os leitores do Vinheta 2020 das novidades referentes a esta coleção d' A Seita:

terça-feira, 27 de julho de 2021

Análise: Drácula

Drácula, de Georges Bess - A Seita

Drácula, de Georges Bess - A Seita

Drácula, de Georges Bess

A adaptação para banda desenhada do famosíssimo romance Drácula, de Bram Stoker, feita por Georges Bess, já havia sido anunciada pela editora A Seita há alguns meses e chega agora às livrarias. Depois de uma dupla leitura da obra, posso dizer que fiquei maravilhado com este livro!

E aproveito até para começar por aquilo que mais me fascinou neste Drácula: a fantástica, requintada, personalizada, virtuosa, sentida e plena de significados arte ilustrativa de Georges Bess. Convém dizer algo nesse sentido: estou bastante bem familiarizado com o trabalho do autor em séries como Juan Solo ou O Lama Branco. E, embora aprecie o trabalho de Bess em todos os seus livros que conheço, devo dizer que não estava preparado para que Drácula fosse uma experiência visual deste gabarito. Por outras palavras, estava à espera de algo bom mas não tão bom! Sem dúvida, o melhor trabalho do autor que já pude observar. E muito afastado daquele que seja o seu segundo melhor trabalho em qualidade, diga-se. Um novo e superior nível para o autor e, por conseguinte, a sua obra-prima.

Drácula, de Georges Bess - A Seita

Bess utiliza nesta adaptação a preto e branco, um fino traço eloquente que nos mergulha de forma magnífica no ambiente de Drácula. E, como as verdadeiras obras-primas, aqui não parecem existir coisas feitas à pressa ou sem uma razão de ser. E é por isso que em cada página parece existir uma dupla-intenção do autor na forma como dispõe as personagens, como planifica determinada página ou nas mais variadas soluções narrativas gráficas que esgrime orgulhosamente enquanto nos vai surpreendendo de página a página. A força gráfica do álbum é tanta que, às tantas, até parece demais!

Os cenários são magníficos e apresentados com um enorme rigor. As personagens são marcantes e cheias de personalidade. As mulheres são bonitas e misteriosas, os homens são clássicos no estilo e recebem todos uma boa dose de carisma. Até há espaço para uma peculiar e engraçada utilização da imagem de Keith Richards, dos Rollling Stones, para o aspeto físico da personagem de Renfield. E isto já para não falar na caracterização da personagem principal, Drácula, que recebe nesta adaptação a melhor caracterização de todas aquelas que já tive a oportunidade de ver até esta parte. Este Drácula é medonho, misterioso, convidativo, nojento, fantástico, assustador. E Bess consegue passar todos esses sentimentos para o leitor através do seu traço altamente realista. A partir de agora, sempre que ouvir o termo “Drácula” passará a ser a personagem desenhada por Bess a primeira imagem a vir-me ao pensamento. O Gary Oldman que me desculpe.

De salientar, também, é a maneira inspirada e original como Bess decora as suas próprias páginas desconstruindo a própria noção de prancha. Por vezes, encontramos belíssimas ilustrações, hiper-detalhadas que ocupam duas páginas inteiras; noutros casos, encontramos as vinhetas sem delimitação de traços, a fazer lembrar Will Eisner. Por vezes as vinhetas são grandes. Noutros casos são pequenas. Também podem ser retangulares, quadradas ou circulares. Há espaço para tudo! Mas chamo a atenção para o facto do autor não usar toda esta dinâmica e criativade de forma aleatória. Tudo parece obedecer a um grande intuito: o de narrar consistentemente a história e o de ser uma adaptação muito fiel ao texto original de Bram Stoker.

Drácula, de Georges Bess - A Seita

Digna ainda de nota é a maneira inteligente e tecnicamente perfeita como Bess domina o preto e branco, aproveitando espaços negativos para deixar a ilustração respirar ou fazendo maravilhosos efeitos de luz e sombra, que acentuam o ambiente clássico, misterioso e assustador da obra. A utilização de planos de câmara também é diversificada e muito bem doseada.

Portanto, em termos de arte ilustrativa, é verdadeiramente soberbo. Nada aqui falha! Um autêntico festim do bom e do melhor. Mas também na maneira como adapta a história é muito fiel e, por isso, também reveste esta adaptação de um cariz literário maior. Esta adaptação não dá apenas "uma ideia" de como é a história. Não. Conta-nos, isso sim, a história de fio a pavio. Abreviando - claro! - algumas partes mas não deixando cair nada de verdadeiramente importante do ponto de vista do enredo.

O enredo desta obra, esse, é tão conhecido que não me merece grandes palavras mas posso sintetizar rapidamente que nos conta a história de Drácula, que começa este conto no seu castelo na Transilvânia, sendo visitado por Jonathan Harker, um advogado que aí se desloca para a compra de propriedades em Inglaterra, por parte de Drácula. Depois disso, o misterioso e maléfico personagem viaja para Inglaterra onde começa a procurar as suas vítimas para lhes beber o sangue. Sendo uma criatura portadora de poderes sobrenaturais - como a capacidade para adquirir a forma de outros animais, entre muitos outros atributos - este vampiro é um vilão fortíssimo e só um estudo profundo e racional acerca das suas fraquezas, conseguirá conduzi-lo à sua destruição.

Drácula, de Georges Bess - A Seita

Se não considero esta obra perfeita é apenas e só por um facto. É que à medida que começa a busca final e incessante por Drácula, perde-se um pouco da chama de mistério e de terror que envolvia este ser maléfico e as ações deste. E, a partir do momento em que a personagem de Van Helsing vai desvendando os truques e a magia de Drácula, a história vai perdendo um pouco do seu fulgor. A culpa não é de Bess, já que sucede o mesmo no romance origem de Bram Stoker. E, diga-se, é apenas uma opinião minha, muito pessoal. Digamos que acho que se a descoberta de como vencer Drácula fosse feita mais perto do final, a catarse da narrativa seria maior. Assim, temos quase uma metade do livro em que são os bons a perseguir o vilão. Continua a ser bom e interessante mas não tão magnífico, quanto a mim. E mesmo aquela viagem final, quando Drácula foge para a sua terra natal e que é retratada com inúmeras páginas e vinhetas, indicando com detalhe como é que "a equipa dos bons" se dividiu para capturar o vilão é, a meu ver, bastante irrelevante. Embora eu admita que continua a ser magnífico olhar para estas pranchas de Bess. Sim, meus caros. Tudo neste livro é, aliás, digno de uma observação maravilhada, já que o trabalho do ilustrador é perfeito. Mas a minha crítica menos positiva – e que não é assim tão negativa, na verdade – incide mesmo é na forma como na segunda metade do livro (neste e no original, de Bram Stoker) se perde a aura de mistério e de terror, em detrimento do chavão clássico do “bem contra o mal”, e a narrativa se transforma mais em livro de aventura e ação, do que em livro de terror. São opções narrativas e há que respeitá-las. E é o que Bess faz em relação ao texto original de Bram Stoker.

Drácula, de Georges Bess - A Seita

Quanto à edição, temos (mais) um fantástico objeto-livro em mãos. Capa dura, robustez na encadernação, papel de boa qualidade e baço, que é ideal para esta arte a preto e branco. O prefácio de José Pedro Castello Branco também sabe situar bem a obra original e a adaptação da mesma, funcionando como um bom acrescento à leitura. Nota ainda para o lançamento da obra com uma capa exclusiva (dourada) para a livraria online Wook e que também é muito bonita. Sendo este o livro que abre a nova coleção d’A Seita, intitulada Nona Lieratura, e que será dedicada a adaptações para bd de grandes textos literários ou históricos, acho que a editora não poderia começar melhor. Quer na escolha da obra, quer na forma como trata a edição da mesma.

Em conclusão, Drácula é mais um dos lançamentos do ano em Portugal e assume-se como uma obra linda para se ter numa boa estante de banda desenhada. E completamente adequada para oferecer a quem gosta de bd; a quem nem lê muita bd mas gosta de terror; ou, simplesmente, a quem gosta de boas ilustrações. Todo o livro é uma verdadeira orgia de ilustrações maravilhosas, feitas através de uma técnica perfeita e virtuosa de Bess. Esta é a melhor adaptação (incluindo cinema, teatro e banda desenhada) que já tive a oportunidade de ver. Sinceramente, até vou mais longe e digo que, tendo em conta que Bess adapta com tanto requinte e respeito o texto original, até acho mais apetecível ler este livro do que o próprio texto original de Bram Stoker. Fantástico e, até ver, a melhor obra de banda desenhada publicada pel’ A Seita. Parabéns à editora.


NOTA FINAL (1/10):
9.7



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Drácula, de Georges Bess - A Seita

Ficha técnica
Drácula
Autor: Georges Bess
Adaptado a partir da obra original de: Bram Stoker
Editora: A Seita
Páginas: 208, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Julho de 2021

segunda-feira, 26 de julho de 2021

Lançamento: Drácula




Já saiu a mais recente aposta da editora A Seita!

Trata-se de Drácula, uma adaptação para banda desenhada da obra original de Bram Stoker, que é feita por Georges Bess (O Lama Branco, Juan Solo, entre outros). 

É uma grande aposta da editora portuguesa e que inaugura a sua nova coleção, intitulada Nona Literatura, que consiste em adaptações para bd de obras clássicas da literatura.

Saliente-se o facto de existirem duas capas para a obra: a normal e a capa exclusiva para a loja online Wook, que pode ser encontrada no respetivo site.

Abaixo, fiquem com a nota da editora.

Drácula, de Georges Bess

« Seja bem-vindo à minha casa! E rogo-lhe, entre de sua livre vontade.
Quando finalmente partir, deixará aqui um pouco da alegria que trouxe consigo. »
Conde Drácula

Uma das mais fiéis e brilhantes adaptações gráficas do Drácula de Bram Stoker, pelo desenhador de O Lama Branco e Juan Solo.

Drácula, de Bram Stoker, geralmente considerado como um dos maiores romances de terror gótico, conheceu inúmeros adaptações ao cinema, claro, mas também à banda desenhada. 
Desde os anos 1970, em Tomb of Dracula, por exemplo, onde encontramos um Conde Drácula que se move junto das personagens típicas da Marvel, até ao Drácula de Mike Mignola, que adapta a versão cinematográfica de Francis Ford Coppola, passando pelo bizarro e comédico Don Dracula, de Osamu Tezuka, ou o Drácula ilustrado por John J. Muth, foram muitas as adaptações ou livros que se inspiraram mais ou menos livremente do célebre vampiro de Stoker. 

A Seita inaugura agora a sua colecção Nona Literatura, dedicada a adaptações de grandes textos literários ou históricos à BD, com aquela que é talvez uma das mais fiéis adaptações do romance original. E talvez uma das mais belas também, pelas mãos de um dos maiores autores de BD franco-belga contemporâneos, Georges Bess.
Desafiado pelo seu editor, Phillipe Hauri, a desenhar esta adaptação usando o seu magnífico traço a preto e branco, Bess acabaria por se apaixonar pelo tema depois de uma visita ao cemitério de Highgate, em Londres, e pela sua atmosfera romântica e gótica. E o resultado é esta magnífica obra, que adapta com fidelidade o romance original, mantendo vivos muitos dos seus sub-entendidos e simbolismos, desde o seu aflorar de sexualidades problemáticas para a era Vitoriana, de sedução e libertinagem, que assombravam a sociedade da época, passando pela sua evocação da ansiedade e medo da doença e da infecção, e das tensões à volta da religião e da vida moderna desses tempos. Mas é uma adaptação que mantém viva também a chama da aventura que sempre fascinou os leitores do romance, com as suas paisagens majestosas nos Cárpatos, perseguições, vampiro terrível, confrontos e terrores, aqui retratados num glorioso desenho a preto e branco. A edição d’A Seita inclui também uma versão com capa especial (a capa dourada) disponível como exclusivo via Wook online.

Nascido em França em 1947, Georges Bess iniciou a sua carreira na BD na Suécia, desenhando histórias do Fantasma, de Lee Falk, para os países nórdicos, mas foi o encontro com Alejandro Jodorowsky, no seu regresso a Paris, em 1987, que iria mudar a sua carreira. Com Jodorowsky, Bess vai realizar as séries O Lama Branco, Anibal 5 e Juan Solo, títulos que, a par com as séries que escreveu e desenhou, o ajudaram a afirmar-se como um nome incontornável da BD europeia.

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Ficha técnica
Drácula
Autor: Georges Bess
Adaptado a partir da obra original de: Bram Stoker
Editora: A Seita
Páginas: 208, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
PVP: 25,00€