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segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Análise: Stumptown - Vol. 4

Stumptown Vol. 4, de Greg Rucka, Justin Greenwood e Ryan Hill - G. Floy Studio

Stumptown Vol. 4, de Greg Rucka, Justin Greenwood e Ryan Hill - G. Floy Studio

Stumptown Vol. 4, de Greg Rucka, Justin Greenwood e Ryan Hill

Stumptown tem um efeito interessante em mim. É uma daquelas séries que, à partida, até não aparenta ser nada de extraordinário, mas que, aos poucos, vai-se “entranhando” e, quando dou por mim, estou fã da série. Não tendo ficado logo maravilhado com a série, devo dizer que a mesma me foi conquistando com o tempo. Hoje posso ainda não estar "maravilhado" mas há que admitir que estou "claramente agradado" com Stumptown.

Como disse acima, não é que a arte ou o argumento tenham algo de espetacular. Mas, o que é certo é que a sensação de leitura acaba por ser muito gratificante. Este é, por isso, mais um daqueles casos em que primeiro "se estranha", mas que, ao longo do tempo, se vai "entranhando". Sendo este o quarto e último volume da série de Greg Rucka e de Justin Greenwood/Matthew Southworth, devo dizer que até tenho alguma pena que a série fique por aqui. Gostaria que os autores preparassem mais histórias no futuro.

Stumptown Vol. 4, de Greg Rucka, Justin Greenwood e Ryan Hill - G. Floy Studio

E pela mesma razão: já estava a habituar-me a Dex Parios, a detetive privada de Portland. Sendo que este quarto volume é um dos melhores, sem dúvida.

A história, intitulada O Caso da Chávena de Café, não poderia ser mais inusitada – e talvez seja até isso que a torna mais interessante e convidativa a ler – e coloca-nos num caso de investigação que envolve… café. Sim, leram bem, café. Neste livro a história não se debate sobre um caso de investigação de um assassinato, de tráfico de droga, de casos de violência maquiavélica… não, nada disso. Aqui, Dex Parios terá como missão garantir a segurança do fornecimento de um tipo extremamente raro de café que, por esse motivo, é extremamente valioso. O trabalho é bem pago e parece fácil, mas quando começa a ser seguida pela Máfia Barista, percebe que há muitos interessados naquele carregamento de café. A protagonista é então trazida para uma luta entre "barões do café" (nunca esperei escrever esta expressão!) que deixa o leitor meio desamparado ao longo da história. Mas é uma boa sensação esta de "se estar desamparado", pois não sabemos para onde nos levará a história. Tendo em conta que já li tantos e tantos livros, esta sensação da história de determinado livro não ser óbvia é sempre algo que valorizo

Stumptown Vol. 4, de Greg Rucka, Justin Greenwood e Ryan Hill - G. Floy Studio

Acho, portanto, que Greg Rucka é muito eficaz e original na narrativa que nos monta. E, além disso, introduz neste quarto volume uma nova personagem que é a irmã de Dex, Fuji, que está de visita à casa da protagonista. Mas, em vez de ser uma visita para ajudar com Ansel – o irmão com deficiência intelectual de ambas – Fuji, será uma fonte de problemas para Dex Parios.

Acaba por haver uma boa dose de momentos bem humorados e divertidos, que nos cativam, enquanto desejamos descobrir aonde nos levará toda esta trama que envolve o negócio do café.

E não ficamos por aqui. Porque, na verdade, este livro tem duas histórias. A primeira a envolver o café, que já referi, e uma segunda, intitulada O Caso da Noite Que Nunca Mais Acabava, onde temos um registo bastante diferente. A história é quase totalmente muda e o destaque vai para o ambiente tenso, que nos prende à leitura, que se cria. Uma história curta e muito bem executada por ambos os autores e que ajuda a melhorar ainda mais este livro que acaba por ser o melhor da série.

Stumptown Vol. 4, de Greg Rucka, Justin Greenwood e Ryan Hill - G. Floy Studio

Em termos ilustrativos, relembro que no volume 3 Matthew Southworth havia sido substituído por Justin Greenwood enquanto ilustrador da série. E, quanto a mim, foi uma mudança com alterações positivas para a série. É certo que o traço mais realista de Southworth tinha os seus bons momentos (honra seja feita à espetacular cena de perseguição automóvel no volume 2) mas também é verdade que o seu trabalho me parecia algo “preguiçoso” noutras vinhetas, com muitas camadas de sujidade, uma paleta de cores que não funcionava particularmente bem e expressões das personagens não muito bem conseguidas. Com Greenwood tudo se alterou. O desenho passou de realista a muito mais "cartoonesco" e as cores passaram a assumir um destaque muito significativo (e positivo) para o todo.

Compreendo que muitos leitores que gostavam do trabalho de Southworth se tenham sentido algo defraudados a partir do volume 3, já que o tipo de ilustração mudou tão drasticamente. No entanto, reitero que para mim a série melhorou neste cômputo. As ilustrações de Greenwood sendo, por ventura, mais simples e diretas, acabam por criar uma maior relação de empatia do leitor perante as personagens e ajustam-se melhor às histórias que Rucka fabrica para esta série. Além de que dão alguma identidade própria à série que, na minha opinião, com o autor Southworth, se colavam (de forma não necessariamente satisfatória) ao estilo de Sean Phillips, em Criminal

Stumptown Vol. 4, de Greg Rucka, Justin Greenwood e Ryan Hill - G. Floy Studio

A juntar a isso, considero a paleta de cores – da autoria de Ryan Hill – uma grande mais-valia da obra. Ou seja, os esforços combinados dos três autores, encaixam muito bem, contribuindo para uma boa experiência de banda desenhada. É simples, mas é bom.

A edição da editora G. Floy Studio desta série - que é mais uma que a editora publica na íntegra e que merece os devidos louvores por isso - foi, desde o início, muito boa. E o volume 4 mantém os mesmos níveis de qualidade. Capa dura, bom papel baço, prefácio e ainda uma entrevista de 10(!) páginas aos três autores, que aparece complementada por esboços de Greenwood. Muito interessante! O grafismo desta série é muito bem conseguido, também, embora eu considere que o texto do prefácio e entrevista mereciam ter uma melhor leitura. Para isso bastaria que o tipo e tamanho de letra fosse outro ou, pelo menos, que o fundo não tivesse tanto ruído visual que dificulta a leitura. Mesmo assim, é uma “queixa” pequena e acredito que a G. Floy apenas se tenha limitado a reproduzir aquilo que havia sido feito no lançamento original.

Em conclusão, devo dizer que, relativamente a Stumptown, o meu conselho para os meus leitores é o seguinte: experimentem. Há forte probabilidade de virem a ficar fãs! Além disso, há que dizer que este 4º e último volume encerra a série de forma muito airosa, com duas histórias que estão entre as mais interessantes que esta série já nos deu. Se ainda não leram nenhum volume de Stumptown, bem que podem começar por este. O melhor de todos.


NOTA FINAL (1/10):
8.6


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Stumptown Vol. 4, de Greg Rucka, Justin Greenwood e Ryan Hill - G. Floy Studio

Ficha técnica
Stumptown - Vol. 4
Autores: Greg Rucka, Justin Greenwood e Ryan Hill
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 152, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Junho de 2021

sexta-feira, 16 de julho de 2021

Lançamento: Stumptown #4 - O Caso da Chávena de Café





A G. Floy Studio prepara-se para lançar o quarto e último volume da série Stumptown, da autoria de Greg Rucka e que, neste número, tal como no volume anterior, conta com as ilustrações de Justin Greenwood.

Uma série que se tem revelado bastante interessante e que me conquista, um pouco mais, de volume para volume.

Os primeiros três volumes já foram analisados no Vinheta 2020:



Stumptown Vol. 3 - O Caso do Rei de Paus
O quarto livro deverá chegar às bancas no próximo dia 4 de Agosto.

Abaixo, fiquem com a sinopse da obra e algumas imagens promocionais.

Stumptown #4 - O Caso da Chávena de Café, de Greg Rucka, Justin Greenwood e Ryan Hill

A melhor detective privada de Portland - Dex Parios - está de volta, mas desta vez as respostas à altura e um pouco de sorte não são suficientes para resolver outro caso!

Quando Dex aceita garantir a segurança do fornecimento de um tipo extremamente raro de café, não faz ideia de que está a ser seguida pela Máfia Barista e por homens ricos, excêntricos e sem escrúpulos, dispostos a tudo para obter os grãos mais cobiçados do mundo.

Mas não é tudo! A irmã de Dex chega à cidade, complicando ainda mais a vida pessoal de uma detective tensa...

“As melhores histórias de detectives privados têm sempre duas coisas: um protagonista cativante e memorável e um ambiente vívido, palpitante e vibrante. O local é tão importante quanto a personagem. Por exemplo, Marlowe e a Los Angeles manchada de batom depois da II Guerra Mundial. Matt Scudder e a Nova iorque violenta e perigosa. Tess Monaghan e as esquinas peculiares da mortífera Baltimore. São mundos por si mesmos, locais que nós, enquanto leitores, queremos explorar através dos olhos de personagens humanas e falíveis com quem nos preocupamos e com quem gritamos. Não é fácil de conseguir. Foi por isso que quase me senti enganado quando abri a minha cópia do primeiro número de Stumptown. Algumas coisas são boas demais para ser verdade, certo?”
- Do prefácio, ALEX SEGURA

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Ficha técnica
Stumptown #4 - O Caso da Chávena de Café
Autores: Greg Rucka, Justin Greenwood e Ryan Hill
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 152, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 16,00€

terça-feira, 25 de maio de 2021

Análise: Stumptown - Vol. 3

Stumptown – Vol. 3, de Greg Rucka, Justin Greenhood e Ryan Hill - G. Floy

Stumptown – Vol. 3, de Greg Rucka, Justin Greenhood e Ryan Hill - G. Floy
Stumptown – Vol. 3, de Greg Rucka, Justin Greenhood e Ryan Hill

Se há coisas que podem alterar uma série de banda desenhada – para melhor ou para pior – é a troca de um dos artistas. Essa troca pode ser nefasta quer a alteração seja feita em termos de argumentista, quer seja feita relativamente ao desenhador. Isto porque pode afetar negativamente a série aos olhos daqueles que já eram fãs da mesma. Mas, claro, também pode fazer o inverso e tornar a série muito melhor.

Por esse motivo, começo esta análise a Stumptown - Vol. 3 com o foco na questão da arte visual.

Depois de dois volumes que contaram com as ilustrações de Matthew Southworth, o argumentista Greg Rucka regressa com a série Stumptown – que até já teve uma adaptação para o pequeno écran, com Cobie Smulders no papel de Dex Parios – mas, desta feita, as rédeas da ilustração são entregues a outro ilustrador. Trata-se de Justin Greenhood.

Stumptown – Vol. 3, de Greg Rucka, Justin Greenhood e Ryan Hill - G. Floy
E aviso desde já: as mudanças são drásticas. E quando digo “drásticas” não quero dizer que os novos desenhos sejam piores do que os anteriores. Nem que sejam melhores. Simplesmente, quero chamar a atenção para o facto de serem muito diferentes. De uma maneira quase disruptiva.

Olhando para os álbuns lançados, quer o Volume 1, quer o Volume 2, apresentavam, a meu ver, uma arte muito intermitente, por parte de Matthew Southworth. Ora encontrávamos ilustrações verdadeiramente maravilhosas, ora encontrávamos alguns desenhos, nomeadamente ao nível das expressões faciais das personagens, que pareciam verdadeiramente feitos à pressa. Na análise ao Volume 2 cheguei a referi que a minha grande queixa nesta série era a inconsistência visual pois “há ilustrações muito belas mas também há outras que puxam a obra para baixo. Que a prejudicam.”

Agora, com Justin Greenwood aos comandos das ilustrações, o estilo de desenho mudou consideravelmente. E, se anteriomente a arte era inconsistente, agora a consistência visual está presente da primeira à última página. Greenwood apresenta um traço mais “cartoonizado”, que procura ser menos realista do que o de Southworth. Com personagens mais “abonecadas”, a fazerem lembrar, em parte, o trabalho dos irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon.

Stumptown – Vol. 3, de Greg Rucka, Justin Greenhood e Ryan Hill - G. Floy
Se calhar já não temos algumas vinhetas tão impressionantes como as de Southworth. Mas, com Greenwood temos um trabalho mais equilibrado no cômputo geral. Southworth poderá ter algumas vinhetas nota 18 (em 20) mas tem outras que são nota 8. Já as vinhetas de Greenwood têm uma nota constante de 14. No final, a ter que escolher entre um e o outro autor, acho que talvez a minha escolha recaia em Greenwood.

Portanto, acho que esta alteração acaba por ser uma boa notícia para os fãs da série.

E para isso também contam as cores de Ryan Hill. Com tons bastante baços, acho que encaixam perfeitamente nas ilustrações de Greenwood. Graças a esta harmonia cromática, esta é uma banda desenhada mais agradável de acompanhar a partir deste terceiro volume. Portanto, nas cores a série evoluiu bastante com a introdução de Hill.

Abordando agora a questão do argumento, este Volume 3, intitulado O Caso do Rei de Paus, traz-nos Dex Parios em mais uma aventura que, desta vez, tem um tom mais pessoal. 

Stumptown – Vol. 3, de Greg Rucka, Justin Greenhood e Ryan Hill - G. Floy
Toda a história circula muito à volta do futebol (europeu) – aquele que se joga, efetivamente com o pé. A seguir a um jogo do clube de futebol Portland Timbers, um amigo de Dex acaba espancado e abandonado à sua sorte. Sentindo na sua pele - pois trata-se de um amigo pessoal - esta enorme injustiça, Dex decide investigar quem foi o responsável. Mesmo sem o pedir, contará com a ajuda da detetive privada de Seattle, CK Banes. Devo dizer que esta personagem não acrescenta grande coisa à história. Por vezes é mais um engodo, ou uma causa, para que Dex dialogue. Creio que talvez fizesse mais sentido se nos fosse dada a informação destes diálogos em caixas narrativas com o pensamento solitário de Dex do que na forma destes diálogos com CK. Estive sempre à espera que CK mostrasse algo de surpreendente ou de impactante mas o livro terminou sem que tal acontecesse. Pareceu-me uma personagem bastante unidimensional e cuja presença é pouco justificável. 

A própria investigação também me pareceu algo vazia sem que fosse passada para o leitor aquela urgência de encontrar o malfeitor. Nunca senti que Dex estivesse em real perigo ou que o mistério a envolver o espancamento do seu amigo fosse verdadeiramente marcante. Creio até que, entre os 3 livros lançados até agora, este é aquele onde Greg Rucka aparece menos inspirado.

Stumptown – Vol. 3, de Greg Rucka, Justin Greenhood e Ryan Hill - G. Floy
A história lê-se bem, a presença do irmão de Dex, Ansel, que tem necessidades especiais, é sempre bem-vinda. Além desta interessante relação entre irmãos, o que me pareceu mais bem conseguido na história foi o desenvolvimento da relação de Dex com Grey. Se isso for novamente explorado nas próximas histórias da série, penso que é uma personagem muito interessante que Greg Rucka criou e que pode explorar (ainda) melhor. Porque a história e a investigação em si, pareceram-me algo insípidas neste Volume 3.

A edição da G. Floy Studio continua a ser excelente! Capa dura e bastante espessa, bom papel baço – que é a escolha ideal para o tipo de ilustração e cores desta série, diria – e uns extras muito pertinentes. E outra coisa que gosto bastante nesta série Stumptown é o grafismo meio vintage dos livros. 

Como nota negativa, acho apenas que o texto dos extras, na cor preta e com um fundo verde escuro, naturalmente, tem uma legibilidade muito fraca. Não pude verificar se isto já aconteceu na edição original mas acho incrível e lamentável que ninguém tenha dito algo como “texto preto em cima de fundo verde escuro, simplesmente não se vai ler bem”. Bastaria que o texto fosse em branco para ter boa leitura. São coisas básicas que por vezes me fazem confusão como não são revistas antes de avançar para a gráfica. É apenas o texto dos extras, eu sei. Não é isso que estraga o prazer desta obra, eu sei. Mas era fácil ter feito isto bem. Isso também eu sei.

Em conclusão, parece-me que o terceiro volume de Stumptown surpreende pela mudança de ilustrador, que acaba por nos oferecer uma arte mais "cartoonizada" mas muito mais consistente no seu todo, do que a arte do ilustrador anterior. Acho que foi uma mudança para melhor. É uma série que, sem apaixonar logo, se tem vindo a afirmar. Primeiro estranha-se, depois entranha-se.


NOTA FINAL (1/10):
8.5


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Stumptown – Vol. 3, de Greg Rucka, Justin Greenhood e Ryan Hill - G. Floy

Ficha técnica
Stumptown Vol. 3 - O Caso do Rei de Paus
Autores: Greg Rucka e Justin Greenwood
Editora: G. Floy
Páginas: 144, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Fevereiro de 2021

quarta-feira, 21 de abril de 2021

Lançamento: Stumptown Vol. 3 - O Caso do Rei de Paus




Chega hoje às bancas o novo volume de Stumptown, intitulado O Caso do Rei de Paus e editado em Portugal pela G. Floy Studio.

Este é o primeiro volume em que Justin Greewood passa a assumir o papel de ilustrador da série, substituindo o anterior artista Matthew Southworth. O argumento continua a ser da autoria de Greg Rucka.

Abaixo fiquem com a nota da editora e com algumas imagens promocionais.

Stumptown Vol. 3 - O Caso do Rei de Paus, de Greg Rucka e Justin Greenwood

Uma série escrita por um dos nomes grandes do policial, Greg Rucka, e que, depois de ter sido nomeada para um Eisner para Melhor Nova Série, serviu de base à série de TV Stumptown da ABC, com Cobie Smulders no papel de Dex.

O Caso do Rei de Paus reúne o terceiro número de Stumptown, a série aclamada pela crítica, de Greg Rucka, vencedor do Prémio Eisner, e do novo artista da série Justin Greenwood (Image The Fuse, Image Comics).

Dex Parios, detective privada e proprietária da Stumptown Investigations está de volta à acção - mas desta vez, é pessoal. 

Quando um dos seus amigos mais próximos é espancado depois de um jogo dos Portland Timbers, Dex está determinada a encontrar os responsáveis pelo ataque, não importa quem se intrometa no seu caminho. 

Com a ajuda de CK Banes, uma detective privada de Seattle, Dex pode ter apenas uma oportunidade de apanhar os agressores sem infringir demasiadas leis e regras pessoais.

"Greg Rucka e o novo artista Justin Greenwood dão vida às personagens e aos ambientes e criam uma história espantosa para os fãs e leitores de Stumptown." 
- Geeked OutNation

"Eu conheço o Greg Rucka, mas não o conheço bem. Temos muitos amigos em comum e já estivemos juntos algumas vezes. Mas, depois de ler Stumptown, sinto que ele deve ter algum acesso secreto ao meu cérebro. Que outra explicação pode haver para a forma como ele e a equipa criativa de Stumptown parecem estar a criar uma série de comics mesmo ao meu gosto?" - Jay Faerber, da Introdução

Ficha técnica
Stumptown Vol. 3 - O Caso do Rei de Paus
Autores: Greg Rucka e Justin Greenwood
Editora: G. Floy
Páginas: 144, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 16,00€






quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Análise: Stumptown - Vol. 2

Stumptown – Vol. 2, de Greg Rucka e Matthew Southworth - G. Floy Studio


Stumptown – Vol. 2, de Greg Rucka e Matthew Southworth - G. Floy Studio
Stumptown – Vol. 2, de Greg Rucka e Matthew Southworth
 

No espaço de poucos meses, a G. Floy Studio lançou o segundo volume da série Stumptown. O primeiro volume já aqui foi analisado e, na altura, a ideia que me deixou foi bastante positiva, embora a história me parecesse, por ventura, algo “morna” demais. Com este segundo volume, Greg Rucka consegue melhorar a história – que já era interessante no primeiro volume, diga-se – dando-nos uma personagem que vai sendo, cada vez mais, uma figura carismática. Admito pois, que tive ainda muito mais prazer do que no primeiro volume. Se anteriormente não estava totalmente convencido com esta série, posso dizer que, após a leitura de Stumptown – Vol. 2, estou a gostar muito do embalo da história e da construção das personagens por parte de Greg Rucka. 

E é, de facto, um embalo. Não sendo uma história com um ritmo muito rápido, nem com um tema muito pesado - o que é bem comum neste tipo de comics americanos que derivam do estilo de crime e detectives, diga-se - vai-nos conquistando aos poucos. Quando damos por nós, já criámos uma relação consistente com a personagem principal Dex Parios. E não deixa de ser interessante verificar que este tipo de “conquista ao longo do tempo” é uma coisa que, muitas vezes, também acontece nas séries televisivas. Por vezes, há séries que não se destacam logo ao princípio mas que nos vão conquistando ao longo do tempo. E, também por isso, é curioso que Stumptown tenha recebido uma adaptação televisiva, da ABC, com a atriz Cobie Smulders no papel de Dex. 

Stumptown – Vol. 2, de Greg Rucka e Matthew Southworth - G. Floy Studio

Na história deste segundo volume, intitulada O Caso da Bebé no Estojo de Veludo, Dex Parios irá investigar o desaparecimento da guitarra elétrica de eleição de Mim Bracca, a guitarrista da banda de rock Tailhook. E embora, à partida, o desaparecimento de um guitarra possa não parecer algo muito preocupante, a verdade é que há várias pessoas à procura do instrumento musical, para além da protagonista, Dex Parios. Há também aqui uma questão que Greg Rucka explora e que é pertinente: que possibilidades surgem às bandas de rock para, através dos seus equipamentos musicais, e das tours que fazem por todo o planeta, poderem ter um papel ativo no tráfico de droga? A temática deste segundo volume acaba por ser menos clichet do que no livro anterior, onde Dex é posta contra o chefe criminoso Hector Marenco, numa narrativa mais comum, diria. O volume 2 traz-nos uma história simples e linear, mas que funciona e respira muito bem. Algo na onda dos filmes de ação dos anos 70 ou 80. 

E, depois, este livro tem um grande bónus ao qual é impossível não se fazer referência: a fantástica cena de perseguição entre carros, que ocupa um capítulo inteiro(!) neste livro composto por 5 capítulos. Perseguições entre carros é um clichet no género policial, bem sei, e algo visto vezes sem conta no cinema – e até na banda desenhada. Mas posso dizer que há muito tempo não me sentia tão empolgado com uma perseguição automóvel enérgica e emocionante, como me aconteceu na perseguição deste Stumptown - Vol. 2. Matthew Southwort faz aqui um trabalho espetacular, digno de admiração. A opção por usar as páginas do livro, de lado, é certamente uma referência às perseguições entre carros dos filmes clássicos, em que o formato era em landscape. Fantástico, audaz e a grande jóia da coroa deste livro. 

Stumptown – Vol. 2, de Greg Rucka e Matthew Southworth - G. Floy Studio
Mas, se esperam que eu (apenas) enalteça o trabalho de Matthew Southworth, desenganem-se, pois os parágrafos seguintes são dedicados à “irritação” - julgo ser essa a melhor palavra – que este autor me causa. É que ele é aquilo que eu considero – e digo isto com todo o respeito, não me levem a mal – um ilustrador “calão”. Consegue o melhor e o “fraquito”. E explico o porquê desta irritação: é que, tão depressa encontro ilustrações fabulosas de Matthew Southworth, como encontro meros rabiscos feitos à pressa, onde as expressões faciais são demasiado pobres ou onde até a anatomia básica de certos corpos das personagens parece enviesada. E quero deixar uma coisa bem clara: o que me “irrita” nem é bem que existam desenhos mais simplistas. Considero-me um leitor bastante batido em vários estilos diferentes de ilustração. E há ilustrações simplistas e lineares de muitos autores, que muito me agradam e que servem bem a história. O que me “irrita” em Stumptown é a inconsistência do trabalho de Southworth.Tão depressa nos são dadas ilustrações lineares e pobres nas páginas 42 e 43, por exemplo, como, umas páginas à frente, nas páginas 66 e 67, ou 78 e 79, temos um trabalho de ilustração refinado e belo. Em que é que ficamos, afinal? Não tenho dúvidas de que Matthew Southworth consegue ser um ilustrador muito bom. Mas, aparentemente, só quando o quer. É por isso que, por vezes, o seu trabalho me parece "preguiçoso". 

Stumptown – Vol. 2, de Greg Rucka e Matthew Southworth - G. Floy Studio
Há um tema que não se fala muito quando o assunto é a banda desenhada mas que, em cinema, é fundamental. Que se trata da “continuidade” ou raccord. A continuidade é aquilo que torna credível uma história que nos é contada por cenas. Um exemplo clássico: se estivermos a ver um filme em que a ação decorre durante a noite, então não podemos ter imagens em que o céu fica mais claro em relação à cena anterior. Ou se vemos uma atriz a representar determinado papel, na cena seguinte não poderemos ver outra atriz – mesmo que seja parecida – a representar o mesmo papel. A não ser que isso seja um jogo narrativo. Tal como a falta de continuidade estraga os filmes, também a falta de continuidade pode estragar um bom livro de banda desenhada. Portanto, se Dex Parios aparece desenhada num mero rabisco básico numa página e, na página seguinte, aparece com um traço cuidado e bem polido, sem que narrativamente haja uma intenção lógica para tal feito, perdoem-me mas, a meu ver, é erro de continuidade. Erro de raccord

E esta é a minha grande queixa em Stumptown: a inconsistência. Repito que há ilustrações muito belas mas também há outras que puxam a obra para baixo. Que a prejudicam. Se eu disser que a arte de Southworth não tem momentos de grande beleza e inspiração, estarei a ser injusto. Há vinhetas que são muito bonitas. Por outras palavras, se me perguntarem como são os desenhos em Stumptown a minha resposta será: “tem desenhos muito bonitos e tem outros desenhos bem fraquinhos”. Já era assim no primeiro volume e continua a sê-lo neste segundo livro. Tanto quanto sei, Matthew Southworth será substituído por Justin Greenwood no próximo volume da série. Eventualmente, Stumptown poderá melhorar neste cômputo. Veremos. 

Stumptown – Vol. 2, de Greg Rucka e Matthew Southworth - G. Floy Studio
Em termos de cores, e talvez por esta função estar entregue a três artistas – Lee Loughridge, Rico Renzi e o próprio Matthew Southworth – em Stumptown – Vol. 2 temos um trabalho que também apresenta alguma inconsistência ao longo do livro. Se bem que não duma forma tão visível como a própria arte. As cores conseguem, apesar de tudo, manter um certo ambiente constante ao longo do livro. Em termos de design, tenho que dizer que Stumptown apresenta muita personalidade, num estilo muito grungy, tão em linha com a matriz da história de Greg Rucka. Separadores, menus, capas e contracapas, há uma identidade muito própria e muito bem encetada. E, claro, a G. Floy, volta a fazer aqui um bom trabalho com uma edição em capa dura, boa encadernação e papel baço de gramagem generosa. No final, há ainda espaço para 4 páginas dedicadas a extras. 

Em conclusão, para os que já gostaram do primeiro volume de Stumptown, ficarão felizes por saber que este segundo livro eleva a qualidade da série, relativamente ao argumento. Depois de um arranque morno, com o primeiro volume, estamos agora perante um livro mais quente e mais bem conseguido em termos de argumento e, principalmente, na construção do caráter de Dex Parios; enquanto que os desenhos, ora nos dão ilustrações de qualidade superior, ora se arrastam pela mediocridade. Estou muito curioso para com o tercerio álbum da série. Que venha ele! 


NOTA FINAL (1/10): 
8.6 


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Stumptown – Vol. 2, de Greg Rucka e Matthew Southworth - G. Floy Studio
Ficha técnica

Stumptown Vol. 2 - O Caso da Bebé no Estojo de Veludo 
Autores: Greg Rucka e Matthew Southworth 
Editora: G. Floy Studio 
Páginas: 114, a cores 
Encadernação: Capa dura 
Lançamento: Novembro de 2020

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Lançamento: Stumptown Vol. 2

Stumptown Vol. 2 - O Caso da Bebé no Estojo de Veludo, de Greg Rucka e Matthew Southworth  - G. Floy Studio Portugal


Stumptown Vol. 2 - O Caso da Bebé no Estojo de Veludo, de Greg Rucka e Matthew Southworth  - G. Floy Studio Portugal
Passados apenas alguns meses desde o lançamento do primeiro volume de Stumptown, a G. Floy brinda-nos com o lançamento do segundo volume desta série policial da autoria de Greg Rucka e Matthew Southworth.

Fiquem com a nota de imprensa da editora e respetivas imagens promocionais.


Stumptown Vol. 2 - O Caso da Bebé no Estojo de Veludo, de Greg Rucka e Matthew Southworth 

Uma série escrita por um dos nomes grandes do policial, Greg Rucka, e que, depois de ter sido nomeada para um Eisner para Melhor Nova Série, serviu de base à série de TV Stumptown da ABC, com Cobie Smulders no papel de Dex. 

Stumptown Vol. 2 - O Caso da Bebé no Estojo de Veludo, de Greg Rucka e Matthew Southworth  - G. Floy Studio Portugal
Dex Parios, proprietária das Investigações Stumptown, tem um escritório novo… e uma lista enorme de clientes que não pode aceitar por estarem ligados ao chefe criminoso Hector Marenco. 

Por isso, quando a estrela de rock Mim Bracca entra na sua vida com um caso que parece simples, de uma guitarra roubada, Dex decide aceitar, especialmente quando Mim propõe pagar adiantado. 

Mas Dex vai descobrir que não foi só a guitarra que desapareceu... e que não é a única à procura dela. 

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Ficha técnica
Stumptown Vol. 2 - O Caso da Bebé no Estojo de Veludo 
Autores: Greg Rucka e Matthew Southworth
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 114, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 16,00€ 

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Análise: Stumptown Vol. 1




Stumptown Vol. 1, de Greg Rucka e Matthew Southworth

Este primeiro volume da série Stumptown é mais um lançamento na linha de alguns romances noir – a fazer lembrar, com as devidas diferenças no estilo e na forma, Criminal, The Fade Out ou O Cemitério dos Esquecidos, também lançados pela G. Floy Studio – que faz com que a editora portuguesa tenha um catálogo cada vez melhor e mais maduro, que vale a pena conhecer.

A série Stumptown, com argumento de Greg Rucka e ilustrações de Matthew Southworth, chegou a receber a adaptação para uma série de televisão – que em Portugal passa na Fox Life – protagonizada pela atriz Cobie Smulders, da série How I Met Your Mother, que também participou em inúmeros filmes de super-heróis como The Avengers, Capitão América, ou o mais recente filme de Homem-Aranha. O facto da série televisiva Stumptown ter tido bastante sucesso e ter sido anunciado em Maio último que a mesma iria receber uma segunda temporada, atesta o bom sentido de oportunidade da G.Floy, que lança a série de bd no mercado português, com excelente timing. É também assinalável que esta seja a série que marca a estreia no catálogo da G. Floy de Greg Rucka.


Stumptown
é, na verdade, a alcunha dada à cidade de Portland, no Oregon, e é um policial noir contemporâneo, de estilo hard-boiled, que nos conta a história de Dex Parios, uma detetive privada viciada no jogo.

E, de facto, é esse vício ao jogo que acende o rastilho para que a história deste primeiro volume – entitulado a O Caso da Rapariga que Levou o Champô (mas deixou o carro) – se desenrole. Tudo começa quando uma maré de azar leva Dex Parios a contrair uma dívida de vários milhares de dólares no casino das Tribos Confederadas da Costa do Vento. Ficando a nossa protagonista sem capacidade de pagar a multa, Sue-Lynne, a directora do casino, sabendo das qualidades de Dex enquanto investigadora, sugere-lhe que passe a investigar o desaparecimento misterioso da neta de Sue-Lynne. Se a encontrar, a dívida de Dex perante o casino é eliminada. Não tendo grandes alternativas, a detetive privada aceita a proposta e começa a investigar. Mas logo percebemos que esta será uma demanda que mergulhará a protagonista numa teia de crime, que a coloca em grande perigo de vida. 


Não é de admirar que Greg Rucka seja unanimemente considerado como um mestre em ficção policial, já que o autor consegue montar bem a história, deixando o leitor agarrado à mesma. Não é uma história com um ritmo muito acelerado – como é comum em alguns policiais – e, admito, por vezes até achei que o ritmo estava um pouco lento demais. No entanto, o autor sabe dosear os bons momentos, oferecendo-nos uma investigação envolvente e que nos deixa a lançar as nossas próprias perguntas e a lançar suspeições a várias personagens. A ideia de começar o livro contando a história ao contrário em termos temporais, ou seja, do momento mais recente para o momento mais longínquo no tempo, é algo que aqui também funciona muito bem, para irmos conhecendo a protagonista bissexual que vive com o seu irmão, que tem necessidades especiais.

Dex Parios apresenta um singular e subtil sentido de humor que lhe dá carisma. A construção da personagem de Parios está muito bem conseguida, tornando-a numa mulher forte e com carácter mas muito real e credível. Na verdade, a história é ficcional mas poderia muito bem ser baseada em factos verídicos, tal é a verossimilhança das características de personalidade de Dex Parios. Diria até, que esse é o maior trunfo desta obra: o de conseguir criar uma personagem marcante. Não é apenas "mais uma detetive". E talvez por isso, seja uma leitura madura, mais para adultos do que para jovens. Podíamos talvez dizer que esta é uma história que tem algumas parecenças com Jessica Jones – também publicada em Portugal pela G. Floy – embora, claro está, Stumptown seja mais terra-a-terra e a protagonista não tenha super-poderes.


Em termos de arte ilustrativa, Matthew Southworth entrega-nos um bom trabalho, com um traço rabiscado e marcado com personalidade, que encaixa muito bem no tom da obra. A concepção dos ambientes e das personagens está muito bem conseguida. Há no entanto, algo que a meu ver não resulta tão bem. E que tem a ver com a aplicação das cores. Enquanto lia o livro, pensava que as mesmas não estavam a puxar pela qualidade das ilustrações. E pensei: "será que os desenhos de Stumptown não funcionariam melhor se fossem apenas a preto e branco?". Ora, qual não é o meu espanto quando, no final do livro, há uma pequena história bónus a preto e branco e que me parece visualmente muito mais apelativa do que a história principal? É curioso que o próprio volume tenha respondido de forma inequívoca à minha suspeição. Atente-se numa coisa: não é que as cores – a cargo de Lee Loughridge, Rico Renzi e do próprio Matthew Southworth - estraguem a obra. Não o fazem, de todo. Possivelmente até poderão existir alguns leitores que apreciem as cores da obra. Mas para mim, as cores simplesmente, não estão ao nível das ilustrações e da própria história. Há pranchas muito bonitas, sim. Mas há outras onde as cores me distraíram da história, pela negativa.

Assinalo ainda outro ponto negativo em relação à ilustração. Mesmo sendo verdade, como já referi, que a arte de Matthew Southworth é apelativa para os meus olhos, houve uma coisa que dificultou a fluidez na minha leitura. É que o desenho de algumas personagens está demasiado próximo entre si, o que não permite a clara distinção entre personagens. E isso está (mais) patente nas personagens de Isabella e Charlotte – mas não só. Felizmente, é um livro que não conta com uma grande quantidade de personagens diferentes. Se assim fosse, penso que esta incapacidade de diferenciar melhor as diferentes personagens poderia ter um maior peso negativo na obra.


Quanto à edição da G. Floy só posso repetir-me em relação ao que tenho dito a análises a outros livros do catálogo da editora: aqui impera a qualidade. Bom papel - baço e de gramagem generosa -, capa mais dura do que o habitual nas comuns "capas duras", e extras verdadeiramente apelativos para o leitor. Vou confessar uma coisa: penso que por vezes as editoras colocam extras que pouco ou nenhum interesse têm para o leitor. Parece que estão ali só para que se possa dizer: "atenção, este volume tem extras!". Aqui, não é o caso. Em Stumptown Vol. 1 os extras são verdadeiramente interessantes e oferecem real valor acrescentado à obra. Este livro traz os designs de Stumptown utilizados em t-shirts, posters que foram feitos para apresentações da série em eventos e, a cereja no topo do bolo, é-nos dada com o mini-comic de oito páginas, que foi originalmente impresso no formato de um cartão de visita, e que era acompanhado por uma lupa(!) para poder ser lido. Um autêntico mimo e que, ainda por cima, conforme já referi, veio atestar aquilo que já mencionei acima: esta série em preto e branco seria visualmente mais apelativa. 

Em suma, Stumptown é mais uma boa série adulta, totalmente direcionada para fãs de policiais, com personagens carismáticas, que a G. Floy acrescenta ao seu excelente catálogo. No final, e sabendo que existem mais volumes da série, fica-se com a vontade de continuar a ler os números seguintes. Resta esperar que a G. Floy continue a publicar os próximos Stumptown com a assiduidade e periodicidade com que publica outras séries.


NOTA FINAL (1/10)
8.5


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020 


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Ficha técnica
Stumptown Vol. 1: O Caso da Rapariga que Levou o Champô (mas deixou o carro)
Autores: Greg Rucka e Matthew Southworth
Editora: G. Floy
Páginas: 160, a cores
Encadernação: capa dura
Lançamento: Junho de 2020

domingo, 21 de junho de 2020

À Conversa Com: G. Floy Studio - Novidades para 2020



Hoje no À Conversa Com: foi a vez de falar com José Hartvig de Freitas, Editor da G. Floy Studio, que amavelmente compartilhou o ambicioso plano editorial da editora, até final do ano.

Para além da continuação de séries em andamento, tais como Harrow County, Descender, Criminal, Gideon Falls ou Novos X-Men, a G. Floy Studio lançará as séries The Old Guard, StumptownBlack Magick. Todas de Greg Rucka. Lançará ainda o volume auto-contido de Jeff Lemire, entitulado Berserker Unbound. 

E há duas novidades que estavam no segredo dos deuses até ao dia de hoje e que foram avançadas ao Vinheta 2020 em primeira mão! Uma delas é uma história que roça o sobrenatural e o erótico, da autoria de Brian Azarello, e que dá pelo nome de Faithless. E a segunda novidade consiste num clássico da banda desenhada, com mais de 500 páginas: Moonshadow, escrito por J. M. DeMatteis.

Não percam esta pertinente conversa, onde José Hartvig de Freitas, fala abertamente dos planos da editora, das dificuldades causadas pelo covid-19 e do próprio funcionamento da G. Floy Studio.

Uma entrevista mais do que interessante, que podem ler abaixo. 

1. Como tem a G. Floy superado os constrangimentos sofridos com a pandemia de Covid-19? Quais têm sido as maiores dificuldades e que estratégia tem a Editora adotado?
O principal problema que enfrentámos foi, obviamente, o facto de os nossos principais clientes (Fnac, Bertrand, etc...) terem estado fechados, e agora que se iniciou o desconfinamento, estarmos a assistir a um recomeçar muito tímido em termos de vendas e de encomendas por parte dos clientes.

Fizemos um esforço para manter um fluxo de facturação constante, fazendo promoções para vendas online, e tivemos a satisfação de ver que os nossos fãs corresponderam bem, e encomendaram MUITOS livros, nunca pensámos que conseguíssemos vender tanto directamente. Alguns dos nossos clientes mantiveram o seu trabalho, e nomeadamente a Wook aumentou muito as suas encomendas. Como somos uma editora com poucos custos fixos, as coisas não foram dramáticas, e no geral podemos dizer que passámos bem este período.

Dito isto, se as vendas levarem muito tempo a recuperar para o nível anterior - que já não era particularmente bom - as coisas podem complicar-se. Temos a vantagem de estarmos “acoplados” aos nossos colegas na Polónia, e de lá as coisas terem corrido bastante melhor (quase não perdemos vendas em termos absolutos lá). Esperamos agora que os nossos clientes reabram completamente, e claro, que os leitores recomecem a ir às livrarias comprar. Vamos também continuar a apostar nas vendas online, mas queremos ter algum cuidado na nossa gestão do relacionamento com as livrarias, porque não queremos ganhar essas vendas online à custa da diminuição das vendas nos nossos clientes.

2. Apesar das dificuldades, a Editora lançou já em pleno surto de Covid-19 bastante banda desenhada, como The Wicked + The Divine vol. 4: Escalada; Roughneck - Um tipo duro; Criminal - Livro Três ou os Novos X-Men Vol. 1 - E de Extinção. Podemos por isto concluir que a G.Floy conseguiu manter o seu plano de lançamentos de banda desenhada para o primeiro semestre de 2020? Ou alguns títulos/séries tiveram que ser descartados ou adiados?
Muitos desses livros já tinham sido lançados antes (entre finais de Novembro e Março), simplesmente dado o nosso sistema de distribuição em fases (primeiro em bancas, e só dois a três meses depois em livrarias), alguns desses livros foram cair durante o período da pandemia. Os únicos livros que lançámos na altura como novidade absoluta foram o Roughneck e o Criminal Livro Três, que foram também os nossos motores de venda online durante o confinamento.

O que é preciso ter em conta é isto: nós TEMOS de imprimir junto com os nossos colegas Polacos, e na Polónia o mercado manteve-se mais ou menos estável e não podíamos parar de imprimir os livros. Conseguimos um acordo com a nossa gráfica para espalhar pelo tempo o pagamento da meia-dúzia de livros que imprimimos em português nessa altura, mas continuámos sempre a produzir os livros, porque não podemos prejudicar o ritmo de lançamento dos nossos colegas polacos.

A nossa maior atrapalhação foi que acumulámos uns 6 ou 7 livros para enviar para livrarias agora em Junho (tinham sido distribuídos no início do ano em bancas, e por causa do confinamento não começaram a ir para livrarias quando deviam ter começado a ir, em Abril) e em simultâneo 6 novidades que foram para bancas entre Maio e Junho (ainda estão a sair neste momento).

E, infelizmente, e para preservar a tesouraria da empresa, e dado também que as vendas em Portugal estavam já numa trajectória descendente, há séries que acabaram por ser canceladas e que só sairão na Polónia. Porque não nos podemos dar ao luxo de estar a imprimir livros que vão levar um ano a pagar-se, e a ter o dinheiro empatado sob a forma de paletes no armazém, nesta altura. Assim, 2 ou 3 coisas que sairão na Polónia, não sairão cá, títulos que achámos que cá iriam vender mais devagar.

3. Quais são os novos lançamentos que os leitores de banda desenhada poderão esperar no segundo semestre de 2020?
Iremos publicar em breve o nosso plano para a segunda metade do ano, mas obviamente, iremos continuar as séries que temos em curso. Descender e Harrow County terminarão entre Julho e Setembro, nos seus volumes 6 e 8, respectivamente, que vai marcar mais uma série de colecções nossas terminadas, e continuaremos também com Criminal, Gideon Falls e Novos X-Men. Como séries novas posso confirmar que se resolveram finalmente os problemas contratuais com os agentes do Greg Rucka, e que The Old Guard e Black Magick estão ambos a caminho, mas vamos dar prioridade a The Old Guard, cujo filme estreia para o mês na Netflix. Vamos estrear também a série Stumptown (também de Rucka), que deu origem à série de TV que está neste momento a passar na Fox. E teremos também um volume auto-contido de Jeff Lemire, com arte de Mike Deodato, Berserker Unbound. Contamos lançar um total de cerca de mais 15 a 17 livros este ano. Para mais novidades, vejam a última pergunta!

4. Há alguma série ou livro que possa ter ficado para o próximo ano, devido ao estado pandémico que atingiu Portugal?
Exceptuando aqueles livros que decidimos simplesmente não fazer cá, os atrasos ou adiamentos têm mais que ver com a situação nos EUA do que cá. Em primeiro lugar, porque tem levado muito tempo a negociar séries e títulos, os agentes estiveram em layoff ou fora dos escritórios, e muita coisa está a levar muito tempo. É o caso, p.ex. do terceiro volume de Moonshine, que estávamos quase certos de conseguir lançar este ano, mas que talvez deslize para o próximo porque ainda não recebemos os contratos. E o outro factor tem que ver com séries que viram a sua edição suspensa durante alguns meses nos EUA, e que por causa disso atrasarão cá também. É nomeadamente o caso da conclusão de Outcast, que tínhamos esperança de lançar este ano, e de Saga cujo relançamento está atrasado por causa disso (mas Saga provavelmente teria sido sempre um lançamento para 2021). Possivelmente, Black Magick de Greg Rucka será também apenas agendado para o início de 2021.

5. Por último, há alguma série surpresa que ponderem lançar ainda este ano e que queiram dar a conhecer, em primeira mão, aos leitores do Vinheta 2020, através desta entrevista?
Temos duas novidades que ainda não estavam anunciadas e estavam no “segredo dos Deuses”. Em primeiro lugar, iremos lançar Faithless, uma história entre o sobrenatural e o erótico, escrita por Brian Azzarello, e desenhada pela artista catalã Maria Llovet, uma série que teve bastante impacto nos EUA.

E iremos lançar um grande clássico, numa edição ENORME de mais de 500 pgs, o integral de Moonshadow, escrito por J. M. DeMatteis no final dos anos 80, o primeiro comic US que foi integralmente pintado, com arte de Jon J. Muth, e Kent Williams e George Pratt. É uma das primeiras “novelas gráficas” dos comics americanos - ou mega-romance gráfico, dado o tamanho! - e teve um imenso impacto. É uma espécie de clássico esquecido, que recebeu recentemente uma nova edição, que é a que vamos editar nós também. Originalmente saiu na Epic, o selo editorial da Marvel em que saíam os comics que não eram de super-heróis, e onde foram publicadas algumas das BDs mais arrojadas dessa época, e passou mais tarde para Vertigo, onde atingiu enorme popularidade. Um romance gráfico poético e filosófico, e visualmente inovador, que marcou uma época.