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quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Entrevista a Aimée de Jongh: "Não é que os meus livros sejam necessariamente direcionados a um público alargado, mas, por acaso ou por coincidência, aparentemente são."



Foi na passada sexta-feira, de manhã bem cedo, que tive a oportunidade de entrevistar uma das autoras mais badaladas da banda desenhada europeia da atualidade e que, recentemente, viu duas das suas obras mais emblemáticas - Dias de Areia e O Deus das Moscas - serem editadas em Portugal pelas mãos da editora ASA

Falo da autora holandesa Aimée de Jongh que esteve em Portugal para apresentar o seu livro no Amadora BD.

Esta muito especial e intimista conversa decorreu no belo espaço da Livraria Buchholz, em Lisboa, e só foi possível devido à gentileza da equipa ASA e do seu generoso convite para que eu entrevistasse Aimée. Agradeço, pois, a toda a equipa pela oportunidade!

Nesta conversa, Aimée revelou ser uma pessoa absolutamente simpática e interessante, sempre com um sorriso nos lábios e genuína vontade de conversar. E falámos sobre diversos temas que, acredito, transformaram esta conversa em algo muito cativante.

Sem mais demoras, eis a conversa que tive com esta fabulosa autora:

quarta-feira, 2 de outubro de 2024

Análise: O Deus das Moscas

O Deus das Moscas, de Aimée de Jongh - ASA - LeYa

O Deus das Moscas, de Aimée de Jongh - ASA - LeYa
O Deus das Moscas, de Aimée de Jongh

Num ano em que o lançamento de banda desenhada de qualidade por parte da ASA se parece aproximar dos melhores anos da editora, com a edição de belas obras como As 5 Terras, de Lewelyn e Lereculey; Senhor Apothéoz, de Julien Frey e David; Tananarive, de Mark Eacersall e Sylvain Vallée; Quentin por Tarantino, de Amazing Améziane; Spirou - A Esperança Nunca Morre... - Quarta Parte, de Émile Bravo; As Águias de Roma - Livro VI, de Enrico Marini; Gaston #22 - O Regresso de Lagaffe, de Delaf; Airborne 44 - #9 - Black Boys, de Philippe Jarbinet; entre outras boas opções, a aposta na obra da autora holandesa Aimée de Jongh é (mais) um dos bons tiros certeiros da editora este ano. Primeiro, a ASA editou o magnífico Dias de Areia e, agora, há poucos dias, a editora portuguesa fez chegar às livrarias o mais recente álbum de Aimée de Jongh, que dá pelo nome de O Deus das Moscas.

Trata-se, pois, de uma adaptação para banda desenhada do aclamado e célebre romance original homónimo de William Golding. A obra original foi publicada em 1954 e, desde então, tornou-se um clássico obrigatório da literatura mundial. A sua adaptação ao cinema também teve uma forte ressonância - pelo menos na minha geração. É uma história que quase toda a gente conhece.

A premissa narrativa é esta: um avião despenha-se numa ilha deserta e os únicos sobreviventes são um grupo de crianças. Todas elas rapazes. Ao início, a reação das crianças a esta situação até é positiva, pois sentem-se livres para brincar, festejar e fazer aquilo que lhes apetece, sem que haja um adulto a traçar-lhes regras e limites. E mesmo na primeira fase de sobrevivência, em que, juntos, os rapazes começam a cooperar na obtenção de alimentos, na construção de abrigos e no controlo do fogo... corre muito bem. 

Todavia, assim que o tempo vai passando, essa alegria inicial esmorece e dá lugar a uma certa desorganização que, eventualmente, culmina em anarquia, por um lado, e na criação de forças antagónicas, por outro. Afinal de contas, é da natureza humana a instituição das posições de "líder" e de "liderado". Simplesmente, nem sempre os liderados querem determinado líder nem, tampouco, certos líderes procuram satisfazer os desejos dos seus liderados. Eventualmente, surge então o desacordo, o conflito e a guerra. E até a tentativa de, através de uma entidade maior e imaterial - um deus - exercer influência e controlo sobre os outros, é algo que a obra sabe explorar.

O Deus das Moscas, de Aimée de Jongh - ASA - LeYa
Além disso, O Deus das Moscas também aborda a dualidade da natureza humana, a luta entre a civilização e a barbárie, e as consequências da ausência de estruturas sociais. Através da trajetória dos jovens náufragos, a história revela como o instinto de sobrevivência pode desencadear comportamentos primitivos e como a pressão social e o medo podem transformar indivíduos comuns em figuras autoritárias ou em vítimas de opressão.

O trabalho de Aimée de Jongh reinterpreta de forma bastante fiel a obra clássica, continuando a explorar os temas da natureza humana, da sociedade e da perda da inocência. Com efeito, através de toda a beleza do trabalho ilustrativo da autora e de todo o detalhe e cadência de relato, assente no tempo pausado de narrativa que Jongh imprimiu à sua adaptação, este é um livro que convida - ou incrementa até - à componente de reflexão da obra original. Não esqueçamos que não é todos os dias que uma adaptação para banda desenhada de um romance da literatura consegue ter um maior número de páginas do que o romance original em que se baseia. Mas é o que acontece neste caso. 

Os desenhos são verdadeiramente maravilhosos. Se em Dias de Areia a autora foi exímia na conceção de paisagens tão áridas e empoeiradas, neste O Deus das Moscas a autora é igualmente fantástica na reprodução de uma ilha onde a vegetação é luxuriantemente verdejante e onde o mar que a rodeia é de tons azuis cristalinos. Um verdadeiro deleite para os olhos! Embora também nós estejamos perdidos nesta bela ilha - e apesar de toda a violência que nela experienciamos, bem como o elevado número de páginas do livro - não nos apetece chegar ao fim da leitura. Apetece, isso sim, continuar na ilha, tal não é a sua vibrante beleza.

O desenho das personagens mantém-se fiel àquilo que a autora já nos mostrou noutros trabalhos. Com um estilo muito europeu - daquele a que gosto de chamar "a nova escola Spirou" - a autora oferece-nos personagens com uma expressividade desarmante que, devido a isso mesmo, nos tocam o coração nos momentos mais tensos e melancólicos da trama. 

O Deus das Moscas, de Aimée de Jongh - ASA - LeYa
É verdade que algumas das personagens apresentam, por ventura, demasiadas parecenças nas feições, podendo ser confundidas entre si, embora, ainda assim, e com a autora certamente ciente disto, as personagens mais importantes da narrativa se distingam bem, devido às diferentes cores dos seus cabelos: Ralph é louro, Merridew é ruivo e Simon tem o cabelo preto. E depois ainda temos Piggy mas este, por ser gordinho e envergar óculos, é o mais facilmente reconhecível. As outras personagens talvez pudessem ter sido mais diferenciadas pela autora, concedo. Mesmo assim, não é algo que, quanto a mim, afete muito negativamente a boa compreensão da história.

De resto, é espetacular a forma como a autora consegue transpor para a banda desenhada esta história, deixando transparecer para a leitura todos os conflitos internos e as rivalidades das personagens. E não o faz meramente por via do texto, mas também através da expressão artística visual que realça as emoções e a tensão latente da narrativa.

A obra também é visualmente muito bonita por haver um bom contraste gráfico entre os momentos de violência e as imagens de beleza natural, intensificando desta forma o impacto emocional da experiência. Quando falarmos em boas adaptações de clássicos da literatura para banda desenhada, este O Deus das Moscas deverá passar a figurar nessa lista dos melhores exemplos!

O trabalho de edição que a ASA faz deste livro também é digno de nota. O livro apresenta capa dura baça e bom papel brilhante no miolo. A impressão e encadernação também são excelentes. No final, ainda há um texto conclusivo da autora e 6 páginas com esboços e desenvolvimentos de cena. Estamos perante uma edição de luxo, portanto. E mesmo que Dias de Areia tenha uma boa edição, a deste O Deus das Moscas consegue ser melhor - embora eu lamente que os dois livros não tenham recebido uma edição mais coerente entre si, tendo em conta que são da mesma autora e da mesma editora.

Concluindo, O Deus das Moscas, de Aimée de Jongh, é uma adaptação poderosa que não só honra o texto original de Golding, como também consegue expandi-lo através de uma nova lente. A combinação desta rica narrativa com ilustrações deslumbrantes torna-a uma obra notável e vibrante. Mais uma que se coloca no restrito rol de melhores bandas desenhadas lançadas em 2024! Altamente recomendável, portanto!


NOTA FINAL (1/10):
9.7



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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O Deus das Moscas, de Aimée de Jongh - ASA - LeYa

Ficha técnica
O Deus das Moscas
Autora: Aimée de Jongh
Adaptado a partir da obra original de: William Golding
Editora: ASA
Páginas: 352
Encadernação: Capa dura
Formato: 275 x 206 mm
Lançamento: Setembro de 2024

quinta-feira, 5 de setembro de 2024

"O Deus das Moscas" recebe adaptação para novela gráfica!


É uma das grandes apostas do ano da editora ASA e chega-nos já no próximo dia 17 de Setembro!

Falo da obra O Deus das Moscas, originalmente escrita por William Golding, e que agora é adaptada para banda desenhada por Aimée de Jongh, depois da editora também ter lançado recentemente, da mesma autora Aimée de Jongh, a excelente obra Dias de Areia, quanto a mim, uma das melhores bandas desenhadas do ano, até agora.

Posso dizer, pois, que estou muito empolgado com este novo livro, O Deus das Moscas, cuja edição portuguesa ocorrerá em simultâneo com o lançamento mundial!

Trata-se de um livro com mais de 350 páginas e que, em Portugal, é lançado em capa dura. Já tinha sido anunciado aqui no Vinheta 2020 quando falei com o editor a propósito das novidades editoriais da ASA para o segundo semestre de 2024.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.

O Deus das Moscas, de Aimée de Jongh

Publicado originalmente em 1954, O Deus das Moscas é um dos mais perturbadores e aclamados romances da atualidade. 

Um avião despenha-se numa ilha deserta, e os únicos sobreviventes são um grupo de rapazes. Inicialmente, desfrutando da liberdade total e festejando a ausência de adultos, unem forças, cooperando na procura de alimentos, na construção de abrigos e na manutenção de sinais de fogo.

Porém, à medida que o frágil sentido de ordem dos jovens começa a fraquejar, também os seus medos começam a tomar sinistras e primitivas formas. De repente, o mundo dos jogos, dos trabalhos de casa e dos livros de aventuras perde-se no tempo.
Agora, os rapazes confrontam-se com uma realidade muito mais urgente – a sobrevivência - e com o aparecimento de um ser terrível que lhes assombra os sonhos. Nas livrarias a 17 de setembro.

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Ficha técnica
O Deus das Moscas
Autora: Aimée de Jongh
Adaptado a partir da obra original de: William Golding
Editora: ASA
Páginas: 352
Encadernação: Capa dura
Formato: 275 x 206 mm
PVP: 33,90€

quarta-feira, 31 de julho de 2024

Análise: Dias de Areia

Dias de Areia, de Aimée de Jongh - ASA - LeYa

Dias de Areia, de Aimée de Jongh - ASA - LeYa
Dias de Areia, de Aimée de Jongh

Dias de Areia era um livro que há muito eu queria ler. Sendo finalista para variados prémios aquando o seu lançamento, em 2021, e tendo um aspeto que, julgando pelas imagens promocionais que pude ver na web ou pelas vezes em que folheei a edição estrangeira em livrarias, era muito do meu agrado, posso dizer que estava ansioso para o ler na edição portuguesa.

Ora, isto de ter fortes expectativas perante uma obra pode ser problemático, pois não são raras as vezes em que tanto esperamos por algo, tendo forte expectativa, que, quando esse algo nos chega às mãos, fica aquém daquilo que esperávamos. 

Porém, Dias de Areia, da autora holandesa Aimée de Jongh, lançado há umas semanas pela editora ASA, não será disso exemplo. Dias de Areia mais que corresponde às minhas (altas) expectativas e é mais um dos livros de 2024 que, já agora, se apresenta como um dos anos mais profícuos de sempre, no que ao lançamento de banda desenhada de qualidade superior diz respeito.

Dias de Areia, de Aimée de Jongh - ASA - LeYa
Esta é uma obra muito forte a todos os níveis, pois combina uma narrativa histórica interessante - sobre um tema de que não se fala muito - com uma forte componente visual, enquanto nos dá conteúdo para reflexão. Não é apenas um livro histórico bem desenhado, é (bastante) mais do que isso!

A história passa-se durante a Grande Depressão nos Estados Unidos, mais especificamente durante o "Dust Bowl", um período de tempestades de areia devastadoras que atingiram o centro-sul dos EUA na década de 1930. Este cenário histórico é crucial para entender o ambiente e as dificuldades enfrentadas pelas personagens.

O protagonista, John Clark, é um jovem fotógrafo contratado pela Farm Security Administration para documentar as condições de vida dos agricultores afetados pelo Dust Bowl. A missão de John é capturar imagens que possam sensibilizar o público e o governo sobre a gravidade da situação. De resto, convém dizer, o ato de fazer reportagens fotográficas para demonstrar uma realidade vivida no resto do país, era prática comum durante este período da história dos Estados Unidos da América.

Dias de Areia, de Aimée de Jongh - ASA - LeYa
E quando chega ao Oklahoma, Clark depara-se com uma região em que a terra, de tanto explorada pela agricultura, encontra-se insípida e morta, dando lugar a pó. Pó esse que, sempre que há rajadas de vento mais fortes, se transforma em tempestade de areia. Ou, melhor dizendo, em tempestades de pó. Este, impregna-se na roupa, nas casas e até nos pulmões das gentes locais que vão sucumbido a este desastre ambiental onde a miséria impera por tudo o que é lado.

À medida que o protagonista avança na sua demanda, começa a sentir que as fotografias que tira, por melhores que sejam os seus enquadramentos ou o seu jogo de luz e sombra, talvez não consigam captar a real essência do que ali se vive. E conforme vai tomando contacto com as gentes locais do Oklahoma, de quem fica amigo, John Clark acaba por confrontar as suas próprias percepções e preconceitos, e o seu papel enquanto observador e narrador da realidade.

A resiliência humana é, pois, um tema chave da obra, que explora como as pessoas enfrentam adversidades extremas e a força do espírito humano em tempos de crise. Mas como esta é uma obra profunda, não ficamos por aí: a autora Aimée de Jongh vai mais longe e, numa segunda linha, também explora o poder que a fotografia pode ter para a sensibilização e mudança social, enquanto aborda igualmente a ética no trabalho de um fotógrafo. Será justo que, para sensibilizar os outros, o fotógrafo interaja com a realidade para sublinhar más condições de vida? Numa altura em que vemos os media a explorar cada vez mais cada uma das "notícias" que nos chegam diariamente, importa saber: qual o limite entre a importância social do jornalismo para informar e educar as pessoas e, ao mesmo tempo, permanecer fiel aos factos recolhidos de forma neutra? É, sequer, possível que tenhamos jornalismo verdadeiramente neutro e imparcial?

Dias de Areia, de Aimée de Jongh - ASA - LeYa
Com o desenvolvimento da trama, John Clark começa a entender a profundidade do sofrimento humano, enquanto cria empatia com as personagens que habitam à sua volta. Isto também lhe permite encontrar respostas para aquilo que ele mesmo quer ser, já que é mais uma daquelas pessoas que, como tantas outras, seguiu os passos profissionais do seu pai sem perceber se era mesmo essa a caminhada que queria percorrer.

Para além de tudo o que já referi, ainda há um outro nível subentendido - mas não "escarrapachado" na cara do leitor - que é a dimensão de preocupação ambiental. O que o livro demonstra é que o Dust Bowl só existiu por uma total libertinagem na forma como a agricultura explorou, sem rei nem roque, as terras do centro dos Estados Unidos. Se as mesmas tivessem sido exploradas com conta e medida, provavelmente o Dust Bowl nunca teria acontecido. E isso dá-nos, lá está, (mais) uma reflexão sobre a forma como é importante tomar decisões de forma consciente e responsável sempre que a humanidade explora os recursos naturais do planeta.

Dias de Areia, de Aimée de Jongh - ASA - LeYa
Se a história é bela, bem documentada e bem construída, os desenhos de Aimée de Jongh também são verdadeiramente bonitos! O seu estilo de ilustração é moderno e acessível para muitos gostos, apresentando um traço semi-caricatural, de aspeto muito franco-belga. As personagens exibem um código de expressividade muito bem desenvolvido. A própria conceção dos cenários também é verdadeiramente bela.

Sobre esse ponto, e tendo em conta que estamos a falar de uma obra que retrata as tempestades de areia, era mandatório que a ilustração desse fenómeno fosse bem conseguida. E, também aí, Jongh revela-se exímia, fazendo com que o leitor se sinta mesmo dentro das tempestades de areia, experienciando todo o sufoco, medo e apreensão que este tipo de fenómeno certamente gera a quem se vê afetado por ele.

As cores também contribuem para que as ilustrações de Jongh ganhem um aspeto verossímil que nos parece transportar para aquela região central e árida dos Estados Unidos. A autora faz-se ainda valer de uma planificação airosa e dinâmica, que torna a narrativa fluída e não repetitiva e onde as imagens têm espaço para respirar devido ao uso de vinhetas grandes e belos planos cinematográficos.

Também será importante referir que este não é um livro com muito texto, sendo várias as páginas onde não existe sequer um balão de fala. Ora, isso acentua o registo de solidão, de desolação, de aridez do local onde se passa a ação, conferindo à obra um quase cariz de "road movie" e dando espaço ao leitor para refletir e para estreitar o seu relacionamento com o protagonista.

Dias de Areia, de Aimée de Jongh - ASA - LeYa
Se para mim este livro não é perfeito, é apenas e só por uma razão: porque o final me pareceu algo apressado. Não é que não tenha gostado do final. Gostei. E da reflexão que o mesmo nos oferece. Mas se tivermos em linha de conta que durante toda a restante obra a trama é lenta (e ainda bem que assim o é, pois permite um maior envolvimento do leitor com a história) o final não é congruente com essa ideia, ficando resolvido num ritmo muito mais rápido e linear.

A edição da ASA está bastante bem conseguida. O livro possui capa mole baça, com badanas. No miolo, o livro apresenta um bom papel brilhante e um bom trabalho em termos de impressão e encadernação. No final, há ainda um dossier de extras com 8 páginas, onde nos é explicado com mais detalhe o Dust Bowl, o funcionamento da Farm Security Administration e temas subjacentes à leitura da obra. Trata-se de um extra relevante.

Devo dizer que, dada a qualidade e relevância da obra, teria preferido que a mesma tivesse sido editada em capa dura. Acho que isso atribui sempre - ou quase sempre - mais classe e seriedade às edições. Não obstante, também não tenho nenhum problema com capas moles. E convém não esquecer: é preferível que as editoras portuguesas editem muitas e boas bandas desenhadas em edições em capa mole, do que não as editem de todo. Mais do que tudo, e quer seja em capa dura ou mole, a ASA revela com a publicação de este Dias de Areia que o seu comprometimento com a edição de banda desenhada é sério e deve ser tido em conta. Há anos e anos que não via a editora tão apostada no lançamento de tanta banda desenhada de qualidade!

Em jeito de conclusão, posso dizer-vos que Dias de Areia é uma obra comovente que combina história, arte e narrativa de forma magistral. Aimée de Jongh cria uma experiência imersiva que não só informa, mas também toca o coração do leitor. É uma leitura recomendada para todos e que é uma forte candidata a melhor BD do ano. 


NOTA FINAL (1/10)
9.9


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Dias de Areia, de Aimée de Jongh - ASA - LeYa

Ficha técnica
Dias de Areia
Autora: Aimée de Jongh
Editora: ASA
Páginas: 288, a cores
Encadernação: Capa mole
Formato: 269 x 204 mm
Lançamento: Julho de 2024

terça-feira, 16 de julho de 2024

ASA prapara-se para lançar "Dias de Areia"!


Está a chegar às livrarias uma das bandas desenhadas mais aguardadas do ano!

Falo de Dias de Areia, um livro que há muito queria ler, mas que, acima que soube que haveria uma edição portuguesa, me obriguei a esperar pela mesma!

Dias de Areia é da autoria da holandesa Aimée de Jongh e tem conquistado crítica e leitores, tendo sido finalista de vários prémios para banda desenhada.

Posso dizer-vos que é este o livro que estou a ler no preciso momento em que vos escrevo estas linhas e, pelo menos até agora, tenho estado a adorar! De qualquer maneira, e a seu tempo, publicarei aqui uma habitual análise à obra.

O livro chegará às livrarias na próxima semana, a partir do dia 23 de Julho.

A ASA também já anunciou que, ainda este ano, lançará outro livro da mesma autora: O Deus das Moscas, a adaptação para banda desenhada do clássico de William Golding.

Por agora, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Dias de Areia, de Aimée de Jongh

"Na desolação coberta de areia desta nossa Terra de Ninguém, de chapéus na cabeça, lenços a cobrir o rosto e vaselina nas narinas, temos tentado salvar a nossa casa da poeira soprada pelo vento que penetra por todo o lado. É quase uma tarefa sem esperança, porque é raro haver um dia em que, por um momento, as nuvens de pó serenem.

A 'visibilidade' é quase nula e tudo acaba por voltar a ficar coberto de uma espécie de camada de lodo cuja espessura pode variar entre uma película e verdadeiras ondas no chão da cozinha."

Caroline A. Henderson descreve a vida no Dust Bowl, numa carta datada de 30 de junho de 1935. 

Nota para o leitor: Este é um trabalho de ficção histórica. 

O cenário e os eventos relacionados com o Dust Bowl e a Grande Depressão são baseados em factos, mas as personagens do livro são fictícias. 





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Ficha técnica
Dias de Areia
Autora: Aimée de Jongh
Editora: ASA
Páginas: 288, a cores
Encadernação: Capa mole
Formato: 269 x 204 mm
PVP: 29,90€