Mostrar mensagens com a etiqueta José Luis Munuera. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta José Luis Munuera. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Análise: O Cheiro Dele Depois da Chuva

O Cheiro Dele Depois da Chuva, de José Luis Munuera - Arte de Autor

O Cheiro Dele Depois da Chuva, de José Luis Munuera - Arte de Autor
O Cheiro Dele Depois da Chuva, de José Luis Munuera

Vou começar por dizer uma coisa: quando soube que a Arte de Autor iria editar este livro em Portugal, senti um arrepio. Deixem-e recuar um pouco no tempo e falar-vos duma história pessoal.

No ano passado, em pleno Amadora BD, recebi um telefonema da minha mulher a dizer para ir para casa, pois o nosso cão Quixote, o meu melhor amigo dos últimos anos, estava a finar-se. Já sabíamos que ele estava doente, com um cancro nas supra-renais já diagnosticado, que era tratado com cuidados paliativos, mas a verdade é que, até àquele dia, a sua vida era feita de forma tão normal quanto possível, sem que ele estivesse em sofrimento. Mas, infelizmente, os cães têm este defeito - talvez o único? - de terem vidas curtas quando comparadas com as nossas. O nosso Quixote acompanhou-nos, a mim e a minha mulher, e às duas filhas que entretanto chegaram, durante 14 anos e meio, tendo estado sempre presente nos momentos-chave dessa década e meia. Perdê-lo custou muito, como devem imaginar.

O Cheiro Dele Depois da Chuva, de José Luis Munuera - Arte de Autor
Portanto, quando soube de lançamento deste livro, sobre a relação de um homem com o seu cão, fiquei com uma enorme vontade de o ler, por um lado, e com receio de mergulhar nesta leitura, por outro. 

Esta banda desenhada da autoria de José Luis Munuera resulta da adaptação da obra original de Cédric Sapin-Defour que, em França, alcançou o feito de mais de um milhão de exemplares vendidos.

Este O Cheiro Dele Depois da Chuva é um relato profundamente íntimo e sensível sobre a relação que o autor construiu com o seu cão, Ubac. Mais do que uma simples história sobre um animal de estimação, o livro mergulha na forma como essa ligação se torna central na vida do autor, influenciando o seu quotidiano, os seus pensamentos e até a sua identidade. 

É uma história simples e escorreita, que não procura ser lamechas, mas antes demonstrar a beleza da presença e das pequenas rotinas partilhadas, revelando como o vínculo entre um humano e um animal pode ser tão intenso quanto qualquer relação humana.

À medida que Ubac envelhece, a narrativa ganha uma tonalidade mais melancólica, explorando de forma honesta e poética a inevitabilidade da perda. O autor aborda o luto com grande sensibilidade, captando a dor, mas também a gratidão por tudo o que foi vivido. 

O Cheiro Dele Depois da Chuva, de José Luis Munuera - Arte de Autor
José Luis Munuera - de quem a Arte de Autor já por cá publicou Um Conto de Natal, Bartleby, o Escriturário, A Corrida do Século e Peter Pan de Kensington - dá-nos aqui aquele que, quanto a mim, passa a ser o melhor livro do autor publicado em Portugal. Talvez por ser uma história simples, mas carregada de emoção e contemplação, sem que isso seja um pretexto para uma dramatização em excesso.

Acompanhamos a vida de um homem de meia idade, Cédric, um professor de educação física, que vive sozinho, de forma desprendida, e que decide adotar um Cão da Montanha de Berna, a quem dá o nome de Ubac. A partir daí, a história de Cédric deixa de ser vivida de forma tão solitária e Ubac passa a estar nos momentos mais importantes da sua vida. Daí a conhecer uma mulher por quem se apaixona, por fazer alterações drásticas na sua profissão e localidade onde vive, é apenas um pequeno passo natural.

É possível que quem leu ou viu Marley e Eu, de John Grogan, encontre alguns pontos em comum com este O Cheiro Dele Depois da Chuva. Todavia, são histórias algo diferentes na abordagem. Este livro de que vos falo tem um tom mais contemplativo, quase poético, que não convida tanto às gargalhadas nem às lágrimas, como o famosíssimo Marley e Eu, embora, ainda assim seja pontuado por alguns momentos mais divertidos ou mais emocionantes.

O Cheiro Dele Depois da Chuva, de José Luis Munuera - Arte de Autor
Munuera parece particularmente inspirado, oferecendo-nos um trabalho que nos faz sentir a ideia da obra original, através de um belo texto em monólogo - possivelmente captando o texto original de Cédric Sapin-Defour - e de ilustrações cativantes e poéticas, que além de nos contarem a história, nos fazem senti-la através dos silêncios, dos enquadramentos e dos ritmos visuais lentos - mas nunca enfadonhos - que surgem em cada página.

O traço de Munuera assume aqui um papel determinante. Com uma linha equilibrada, semi-realista e subtil, o autor consegue captar tanto a expressividade das personagens quanto a atmosfera dos espaços naturais que atravessam a obra. Há uma contenção muito eficaz no desenho: nada é excessivo, mas tudo está carregado de intenção, permitindo que o leitor projete as suas próprias emoções nas cenas.

A cor, trabalhada por Sedyas, reforça essa capacidade evocativa. As tonalidades são ricas sem nunca se tornarem excessivas, criando ambientes que oscilam entre o conforto e a melancolia. Há uma sensibilidade cromática que acompanha o estado emocional da narrativa, sublinhando as transições do tempo e, sobretudo, da vida.

A estrutura da obra, dividida em sete partes que percorrem treze anos de convivência entre Cédric e Ubac, é particularmente feliz. Cada segmento funciona quase como um fragmento autónomo, que vai assinalando momentos relevantes na vida do protagonista. E convém aqui explicar que esses momentos relevantes até podem não ser "grandes acontecimentos". Por vezes, até são os gestos aparentemente insignificantes, como um passeio, um olhar ou uma rotina partilhada, aquilo que constrói verdadeiramente uma relação. E é precisamente nessa atenção ao detalhe que a obra encontra a sua verdade, mostrando como os laços mais fortes se tecem a partir de pequenas repetições.

O Cheiro Dele Depois da Chuva, de José Luis Munuera - Arte de Autor
A questão do apego e da perda entre dono e cão surge de forma inevitável, claro, mas não é um assunto que seja explorado em termos dramáticos até à exaustão. Para quem já passou pela perda de um companheiro de quatro patas, o impacto pode ser verdadeiramente intenso. Ainda assim, importa sublinhar que a obra nunca resvala para o sentimentalismo fácil. É comovente, sim, mas mantém sempre uma elegância emocional que a distingue de narrativas mais "manipuladoras". 

É difícil explicar racionalmente porque nos ligamos tanto a um animal, mas a obra consegue tornar essa ligação compreensível através da experiência sensível que nos oferece. E quando chega o momento da despedida, o vazio que fica é grande, mas também é grande a sensação de plenitude de uma vida cheia que tivemos e que devemos guardar, com carinho, nas nossas memórias. 

Há também uma dimensão universal que atravessa toda a obra. Embora se centre numa relação muito específica, ela acaba por falar de algo maior: o amor, o tempo, a memória e a inevitabilidade da perda.

A edição da Arte de Autor é em capa dura, de textura aveludada e com detalhes a verniz. No miolo, o livro apresenta bom papel baço, boa impressão, boa encadernação e bons acabamentos. Há ainda um posfácio do autor do romance original, Cédric Sapin-Defour, que enaltece a adaptação para banda desenhada de José Luis Munuera.

Em suma, O Cheiro Dele Depois da Chuva deixa-nos com a sensação de termos lido algo verdadeiramente especial. Uma história de amor profundamente tocante, que aquece e aperta o coração ao mesmo tempo. Sensível sem ser piegas, sincera sem ser adornada, bela sem ser demasiado plástica, esta obra é um belo livro que nos lembra do quão importantes são as relações que temos com os nossos amigos de quatro patas.


NOTA FINAL (1/10):
9.4


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


-/-

O Cheiro Dele Depois da Chuva, de José Luis Munuera - Arte de Autor

Ficha técnica
O Cheiro Dele Depois da Chuva
Autor: José Luis Munuera
Adaptado a partir da obra original de: Cédric Sapin-Defour
Editora: Arte de Autor
Páginas: 136, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 cms
Lançamento: Maio de 2026

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Vem aí uma BD sobre a relação entre um homem e o seu cão!




Eis uma obra que, por motivos muito pessoais, poderá ser uma leitura emocional para mim. Ou não falasse ela da relação intensa entre um homem e o seu cão.

Esta obra de José Luis Munuera, do qual a Arte de Autor até já editou um bom número de livros (Um Conto de Natal, Bartleby, o Escriturário, A Corrida do Século e Peter Pan de Kensington) adapta para banda desenhada o famoso romance de Cédric Sapin-Defour, que foi um grande sucesso em França, tendo já ultrapassado a barreira do milhão de exemplares vendidos.

Estou muito curioso com este livro e com aquilo que o mesmo me pode dar.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.

O Cheiro Dele Depois da Chuva, de José Luis Munuera

Adaptado do romance de Cédric Sapin-Defour, esta é uma história de amor, vida e morte entre um homem, Cédric, e o seu cão, Ubac, um Cão de Montanha de Berna cuja presença rapidamente se torna essencial. Mas o verdadeiro herói é o laço entre eles: único, universal, que transcende muitas relações humanas.

Durante treze anos, partilham risos, preocupações e momentos fugazes de intensidade, até que a morte impõe a sua ausência. Uma verdadeira ode à vida, esta história explora o amor incondicional, a vida que passa demasiado depressa e aquelas memórias duradouras, como um aroma querido que permanece gravado na memória, mesmo depois da chuva.

-/-

Ficha técnica
O Cheiro Dele Depois da Chuva
Autor: José Luis Munuera
Adaptado a partir da obra original de: Cédric Sapin-Defour
Editora: Arte de Autor
Páginas: 136, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 cms
PVP: 27,00€


terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Análise: Peter Pan de Kensington

Peter Pan de Kensington, de José-Luis Munuera - Arte de Autor e A Seita

Peter Pan de Kensington, de José-Luis Munuera - Arte de Autor e A Seita
Peter Pan de Kensington, de José-Luis Munuera

A mais recente aposta conjunta das editoras Arte de Autor e A Seita dá pelo nome de Peter Pan de Kensington, do autor José-Luis Munuera, de quem a editora Arte de Autor já havia publicado os livros A Corrida do Século e as adaptações para banda desenhada dos clássicos da literatura Bartleby, o Escriturário e Um Conto de Natal.

Desta feita, A Seita junta-se à Arte de Autor para a edição de mais um livro do autor espanhol que, no caso em questão, adapta para banda desenhada Peter Pan, de J.M. Barrie. Mas, convém não deixar de referir, esta não é a história de Peter Pan que todos conhecemos.

Na verdade, Peter Pan de Kensington, originalmente apresentado em O Pequeno Pássaro Branco (1902) e depois publicado separadamente como Peter Pan in Kensington Gardens (1906), conta a história de um Peter muito diferente do herói aventureiro que voa até à Terra do Nunca. Peter é um rapaz que deambula pelos jardins de Kensington à noite, onde criaturas mágicas - fadas, pássaros falantes e espíritos assombrados - convivem longe do olhar dos adultos. 

Peter Pan de Kensington, de José-Luis Munuera - Arte de Autor e A Seita
A história acompanha a pequena Maimie Mannering, perdida à noite num parque que se transforma num território encantado e perigoso. É nesse espaço onde a imaginação suplanta a realidade que ela encontra fadas ameaçadoras, criaturas fantásticas e, claro, Peter Pan. Somos presenteados com um sentimento de deslocamento de Peter, que não pode regressar completamente ao mundo dos humanos nem integrar-se por inteiro no universo fantástico das fadas, com José-Luis Munuera a oferecer-nos, por isso, um misto de melancolia e encanto, enquanto nos revela um Peter vulnerável, solitário e eternamente suspenso entre dois mundos.

A partir deste ponto, Maimie e Peter encontram-se com a Rainha das Fadas e com um enigma que precisam resolver. Enigma esse que acaba por funcionar como o motor da aventura, impondo um limite temporal claro - o amanhecer - que acentua a tensão da narrativa. 

Começo por dizer-vos que este não foi um livro que me agradou logo no início. No começo da leitura e até metade, até o estava a achar um pouco "trapalhão" em termos narrativos, já que a história parecia feita de pequenos momentos algo desconexos da trama principal, parecendo ter sido ali colocados de modo algo aleatório. No entanto, este é um daqueles livros em que o fim consegue salvar toda a história. Continua a não ser um livro perfeito no argumento, mas consegue chegar a uma conclusão satisfatória.

Peter Pan de Kensington, de José-Luis Munuera - Arte de Autor e A Seita
E um dos grandes méritos desta obra de Munuera é trazer ao leitor um Peter Pan inspirado diretamente no material de Barrie anterior ao romance homónimo mais famoso. Desta forma, Munuera resgata um Peter menos cristalizado pela cultura popular, permitindo que a obra se destaque de adaptações que repetem a mesma história conhecida. É uma versão diferente, mais próxima do espírito inaugural e mais estranha, mas no melhor sentido da palavra "estranha".

A alternância entre encanto e escuridão é uma das marcas mais interessantes do livro. Para além das fadas ameaçadoras, há criaturas fantasmagóricas e atmosferas carregadas que tornam esta incursão pelos Jardins de Kensington menos inocente do que à primeira vista se poderia pensar. Munuera abraça, pois, a vertente mais sombria da fantasia de Barrie, sem nunca a tornar opressiva. Não será uma história tão boa, pesada ou densa como a adaptação - ainda mais livre - de Régis Loisel, mas este livro de Munuera também consegue ter vida própria e, por isso, merecer alguma reflexão.

Para equilibrar o tom sombrio da abordagem, o autor insere momentos de humor que quebram a tensão e tornam a leitura mais leve. Embora se perceba claramente a intenção de trazer ritmo com esta opção, também se sente que há vários destes momentos que se aproximam de fillers narrativos, como se Munuera estivesse a esticar uma história que, na sua essência, talvez fosse mais curta e direta.

Peter Pan de Kensington, de José-Luis Munuera - Arte de Autor e A Seita
Ainda assim, a obra consegue manter interesse graças à forma como integra subtilezas temáticas, sobretudo a reflexão sobre a infância eterna. Embora, a determinada altura, fique claro porque é que Peter Pan, afinal de contas, não cresce, permanecendo criança para sempre, gostei da alegoria que aqui nos é trazida, dando talvez até, mais maturidade a uma história que já era bonita mas que, deste modo, pode ser encarada de outra forma pelos adultos que a lerem, podendo a figura de Peter ser reinterpretada à luz de um simbolismo mais profundo.

Essa perspectiva mais adulta não rouba a leveza do conto, mas dá-lhe uma camada emocional que sustenta o impacto do final. E mesmo com alguns tropeções ao longo do caminho, com pequenas quebras de ritmo ou soluços na transição entre episódios, a história acaba por desembocar em algo sólido que deixa uma boa - embora triste - sensação ao leitor quando terminada a leitura. 

Visualmente, o livro é muito bonito. Os desenhos de Munuera são expressivos, fluidos e cheios de personalidade, revelando um domínio notável da linguagem da BD. Já tinha apreciado bastante o seu trabalho nos livros anteriormente editados pela Arte de Autor que já mencionei acima, e volto a ficar muito satisfeito com a componente visual deste livro. As personagens, com traços mais "cartoonescos", contrastam de forma muito feliz com os cenários, que se aproximam de uma estética mais realista e poética. E nas partes mais fantásticas e humorísticas, até encontramos personagens com uma estética demarcadamente caricatural. Este casamento cria uma sensação que poderá ser um pouco inusitada, mas que, a meu ver, acaba por funcionar muito bem.

Peter Pan de Kensington, de José-Luis Munuera - Arte de Autor e A Seita
As cores de Sedyas complementam muito bem o traço de Munuera, acrescentando-lhe profundidade, beleza e textura. Além de que os jogos de luz e sombra, especialmente nas cenas nocturnas, reforçam o sentimento de maravilhamento e perigo, elevando a qualidade visual do livro. 

A única crítica que posso fazer no plano gráfico poderá recair na caracterização de Peter Pan: os seus traços apresentam-se excessivamente andrógenos e - talvez por isso - com uma expressividade menos bem conseguida, por vezes. Há cenas em que o rosto de Peter parece menos vivo e menos convincente do que o restante elenco, causando uma pequena dissonância visual. Não é nada de excessivamente grave, mas é uma nota que deixo.

Em termos de edição, o trabalho da Arte de Autor e d' A Seita apresenta-se muito agradável aos olhos. A capa do livro é dura, com textura aveludada e com detalhes a verniz localizado. No miolo do livro, encontramos bom papel baço, boa encadernação e boa impressão. Há ainda um texto introdutório de Richard Comballot e, no final, encontramos um epílogo escrito por um tal de Sir James Hook. Estão a ver quem poderá ser?

Concluindo, no conjunto, Peter Pan de Kensington é uma obra muito bonita e inspirada, especialmente na forma original como nos convida a conhecer uma outra abordagem ao célebre rapaz que não crescia, apoiada pelos textos originais de J.M. Barrie. É um voo que, em termos de argumento, encontra alguns tropeções, admito, mas que acaba por não se deixar cair e apresentar-nos um final que, mesmo sendo triste, nos deixa perante uma bela e profunda reflexão sobre Peter Pan.


NOTA FINAL (1/10):
8.4

Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


-/-

Peter Pan de Kensington, de José-Luis Munuera - Arte de Autor e A Seita

Ficha técnica
Peter Pan de Kensington
Autor: José-Luis Munuera
Baseado na obra original de: James Matthew Barrie
Editoras: Arte de Autor e A Seita
Páginas: 96, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
Lançamento: Setembro de 2025

terça-feira, 3 de setembro de 2024

Análise: A Corrida do Século

A Corrida do Século, de Kid Toussant e José Luis Munuera - Arte de Autor

A Corrida do Século, de Kid Toussant e José Luis Munuera - Arte de Autor
A Corrida do Século, de Kid Toussaint e José Luis Munuera

Lançado pela editora Arte de Autor há umas semanas, ainda durante a febre (infelizmente efémera) dos Jogos Olímpicos de Paris, este A Corrida do Século, da autoria de Kid Toussaint e José Luis Munuera, conta-nos a história da maratona de 1904, que ocorreu em Saint-Louis, no ano em que os Estados Unidos organizaram pela primeira vez os Jogos Olímpicos.

Se dito desta forma poderemos considerar que não haveria numa simples maratona suco suficiente para desenvolver um livro de banda desenhada, posso dizer-vos que foram tantas as peripécias a circundar esta maratona que seriam, por ventura, necessárias mais páginas para as melhor explanar!

Com efeito, esta foi - e não sou eu que o digo, pois é comummente aceite como tal - a pior maratona dos Jogos Olímpicos de sempre, com o pior tempo de corrida de sempre, onde tudo foi mal organizado, onde havia interesses políticos sombrios e onde a polémica e a batotice também fizeram a sua aparição.

A Corrida do Século, de Kid Toussant e José Luis Munuera - Arte de Autor
Depois de, em 1900, os franceses terem organizado os Jogos Olímpicos e aí terem arrecadado o dobro das medalhas dos americanos - também, em parte, pelo facto dos franceses terem utilizado o seu próprio regulamento e as suas próprias medidas - os americanos estão, passados quatro anos, sedentos de uma vingança que sirva, acima de tudo, como estandarte político. Além disso, o responsável pela organização americana, James E. Sullivan, não só tem uma rivalidade sórdida com Pierre de Coubertin, Presidente do Comité Olímpico Internacional, como revela ter ideias racistas e supremacistas que procuram, de forma injusta, passar a ideia de que a raça branca - e a pátria americana em particular - é mais capaz no desporto do que as restantes raças e nações.

Logo desde o início, a organização destes Jogos Olímpicos se apresenta muito incapaz. Acontecendo em simultâneo com a Exposição Universal - que também ocorre na mesma cidade de Saint-Louis, o que, logicamente, envolve a alocação de muitos meios para esse enorme evento - a maratona revela-se extremamente desorganizada, acontecendo na pior hora do calor, sem quaisquer indicações sinaléticas para os atletas que terão que correr pelo meio das multidões das ruas movimentadas da cidade, atravessar passagens de nível e tentar, pelo seu sentido de orientação, perceber para que lado hão de correr.

A Corrida do Século, de Kid Toussant e José Luis Munuera - Arte de Autor
A obra não se centra especialmente numa só personagem que corre a maratona, mas em várias: em Thomas Hicks, o homem que não queria ficar em segundo lugar; em Fred Lorz, o homem que, acima de tudo, gostava de fama; em Andarín Carvajal, o homem que, mesmo tendo um enorme potencial para a corrida, não recusava uma sesta, mesmo que essa sesta ocorresse durante a própria maratona(!); e em Jan Mashiani e Len Taunyane, dois negros que tinham uma enorme rivalidade entre si. No total, os atletas que iniciaram a partida desta maratona eram 32, mas só 14 atletas conseguiram terminá-la.

As peripécias são, portanto, muitas. Sem querer referi-las a todas, digo-vos apenas que há batota, doping, um atleta que corre com uma perna de pau ou dois corredores que participaram na maratona sem sequer serem atletas, mas sim figurantes na Exposição Universal. 

Se esta história não fosse baseada em factos verídicos, poderíamos dizer que o argumentista, Kid Toussaint estava a "navegar em demasia na maionese". Porém, e por mais rocambolesco que possa ser o relato, há aqui um fundo de verdade que, já depois de concluída a leitura da banda desenhada, é desenvolvido e explicado no muito interessante dossier de extras que acompanha esta edição. Confesso que só depois de ler este dossier é que atribuí mais relevância, em retrospetiva, à história que tinha acabado de ler.

É verdade que o argumento traçado por Toussaint é bastante leve, o que pode dar a ideia de menos seriedade na concepção da obra, no entanto, também é verdade que esta leveza e simplicidade tornam a leitura divertida e, ao mesmo tempo, informativo-histórica.

A Corrida do Século, de Kid Toussant e José Luis Munuera - Arte de Autor
Quanto às ilustrações do espanhol José Luis Munuera, estamos novamente perante um belíssimo trabalho! Sou um confesso amante do estilo de desenho do autor, que parece resultar de um casamento feliz entre a escola franco-belga - com destaque para Spirou - e os filmes de animação clássica da Disney. Por conseguinte, os desenhos de Munuera são extremamente expressivos, o que causa uma espontânea empatia com os leitores. É daqueles tipos de ilustração em que se torna fácil a sua apresentação/sugestão a alguém que normalmente não lê banda desenhada desenhada.

Desde Um Conto de Natal, e passando também por Bartleby, o Escriturário, que Munuera tem cruzado o desenho de fundos e ambientes mais realistas com personagens de estilo mais "cartoonesco". Podendo parecer, quiçá à primeira vista, um casamento algo forçado, não deixa de ser verdade que Munuera tem vindo a apurar o seu estilo e neste A Corrida do Século revela-se ainda mais confiante na junção destes dois tipos de desenho. O mais caricatural e o mais realista. Devo até dizer que, neste cômputo, Munuera até consegue melhorar face aos anteriores livros supramencionados que já eram muito bonitos em termos visuais.

A Corrida do Século, de Kid Toussant e José Luis Munuera - Arte de Autor
Nota ainda, muito positiva, para a utilização de cores, com tons sépia, que não só acrescentam mais um pouco de beleza à componente gráfica do livro, como ainda funcionam bem para nos remeterem para a época do início do século XX. Os efeitos de grão e ruído visual até fazem uma referência aos filmes mudos a preto e branco da mesma altura.

Em termos de edição, o livro apresenta uma bonita capa dura, com uma igualmente e original contracapa que simula uma capa de jornal. No interior, o livro oferece-nos bom papel baço e um excelente trabalho de impressão e encadernação. Nota ainda para as já mencionadas 8 páginas de extras onde, de uma forma não demasiado exaustiva, mas cativante, podemos saber mais sobre os factos que a história nos oferece. É um daqueles cadernos de extras que valorizam, em muito, a própria história, pois, na ausência do mesmo, o livro seria mais pobre e menos credível para os desconhecedores dos factos vivenciados nesta (louca) corrida de 1904.

Em suma, A Corrida do Século é uma divertida, interessante e, por vezes, incrível história e apresenta belíssimos desenhos de um José Luis Munuera que continua muito inspirado. Com todas as peripécias mirabolantes que a obra nos dá, diria que estamos perante uma leitura leve e que se faz de um só trago. Uma boa aposta da Arte de Autor, que merece ser lida.


NOTA FINAL (1/10):
9.1



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020




-/-

A Corrida do Século, de Kid Toussant e José Luis Munuera - Arte de Autor
Ficha técnica
A Corrida do Século
Autores: Kid Toussaint e José Luis Munuera
Editora: Arte de Autor
Páginas: 96, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
Lançamento: Julho de 2024

segunda-feira, 15 de julho de 2024

Está a chegar o muito aguardado A Corrida do Século!



Já aqui tinha falado por duas vezes neste livro que muito me está a empolgar!

Trata-se de A Corrida do Século, uma obra com base verídica que nos revela a mirabolante história da maratona de 1904, o primeiro ano em que os Estados Unidos da América organizaram os Jogos Olímpicos.

Os autores são Kid Toussant e José Luis Munuera, de quem a editora Arte de Autor já lançou Um Conto de Natal ou Bartleby, o Escriturário. Obras que me agradaram bastante!

O livro deverá chegar às livrarias na próxima semana.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.

A Corrida do Século, de Kid Toussant e José Luis Munuera

1904. Os Estados Unidos organizavam pela primeira vez os Jogos Olímpicos e estavam determinados a provar a sua superioridade. A maratona teve lugar em Saint-Louis, no Missouri, e iria deixar a sua marca… como a corrida mais incrível da história do desporto!

Trinta e dois corredores partiram para a linha de partida, mas apenas catorze terminaram. Entre o doping experimental, a batota e os trilhos marcados ao acaso, tudo pode – e vai – acontecer.

Façam as vossas apostas, nada vai correr bem!

-/-

Ficha técnica
A Corrida do Século
Autores: Kid Toussant e José Luis Munuera
Editora: Arte de Autor
Páginas: 96, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
PVP: 24,50€

terça-feira, 18 de junho de 2024

Arte de Autor vai lançar BD sobre a maratona de 1904!



A Arte de Autor vai lançar a nova obra de José Luis Munuera, de quem a editora já publicou os belos livros Um Conto de Natal ou Bartleby, o Escriturário.

Só que, desta vez, não estamos perante a adaptação de um clássico da literatura, mas sim diante de uma obra com argumento original, pelo argumentista Kid Toussaint, que é baseada em factos verídicos sobre a maratona de 1904, nesse ano em que os Estados Unidos organizaram, pela primeira vez, Os Jogos Olímpicos.

O desenho maravilhoso semi-caricatural de Munuera, do qual sou fã, mantém-se, numa história que me parece bem a propósito do tempo em que vivemos, em vésperas de mais uns Jogos Olímpicos.

Posso dizer-vos que, há uns meses, pude verificar o destaque e admiração que o livro estava a recolher em livrarias belgas.

Este livro, que em princípio terá o título de A Corrida do Século, deverá chegar-nos durante o segundo semestre, em data a confirmar.

Por agora, e porque estou bastante entusiasmado, deixo-vos com algumas imagens da versão francesa da obra.






sexta-feira, 28 de julho de 2023

Análise: Bartleby, o Escriturário

Bartleby, o Escriturário - Uma História de Wall Street, de José-Luis Munuera - Arte de Autor

Bartleby, o Escriturário - Uma História de Wall Street, de José-Luis Munuera - Arte de Autor
Bartleby, o Escriturário, de José-Luis Munuera

Não sei bem como, nem porquê, mas este Bartleby, O Escriturário, de José-Luis Munuera, publicado pela Arte de Autor, tem passado despercebido a muitos. E isso deixa-me especialmente espantado, pois considero esta obra como uma das melhores bandas desenhadas do ano, publicadas até agora em Portugal!

Bartleby, o Escriturário resulta da adaptação da obra original de Herman Melville – autor amplamente conhecido pela obra Moby Dick – que nos conta a história de Bartleby e da sua forma indecorosa, embora educada, de dizer: “Preferiria não o fazer”.

Aliás, é sobre esta expressão e o que ela encerra – essa liberdade para se dizer que não a algo, mesmo quando esse algo é um pedido de uma chefia – que toda esta obra se apoia. Como se fosse um exercício de sociologia que, por mais simples que possa ser, tenha o potencial para abanar os alicerces de toda uma sociedade criada à semelhança do Homem. É um exercício verdadeiramente delicioso!

Bartleby, o Escriturário - Uma História de Wall Street, de José-Luis Munuera - Arte de Autor
A trama passa-se em Wall Street, Nova Iorque, o coração do capitalismo mundial, e é centrada em Bartleby, um misterioso e taciturno escriturário que é contratado por um advogado para trabalhar no seu escritório. Mas depressa se torna evidente que o comportamento do protagonista é enigmático e cheio de ambiguidade. Por um lado, parece um bom trabalhador e uma pessoa respeitosa. Mas, por outro lado, a partir do momento em que responde ao seu patrão com a já mencionada frase “Preferiria não o fazer”, tudo começa a tornar-se embaraçoso.

O mundo dos homens é um mundo de regras e de papéis sociais. Todos nós, de uma forma ou de outra, nos fazemos valer dessas regras. Quando um indivíduo tem uma atitude de contestar pacífica e educadamente o regime estabelecido, eis que surge um comportamento desviante. Mas, lá está, mesmo por ser uma contestação pacífica e educada, é que o problema se torna maior. É fácil reprimir e castigar os comportamentos oriundos de uma postura agressiva antissistema, mas reprimir um comportamento pacífico e simples como a negação educada a um pedido, é algo bem mais difícil. 

Bartleby, o Escriturário - Uma História de Wall Street, de José-Luis Munuera - Arte de Autor
Imaginem o que era fazermos um pedido num restaurante e o empregado dizer-nos: “Preferiria não o fazer”. Ou o árbitro de futebol apitar para que um jogador marcasse um penálti e o jogador dizer: “Preferiria não o fazer”. Ou um músico subir ao palco de um concerto para dizer, simplesmente: “Preferiria não o fazer”. Ou termos que pagar por uma despesa e dizermos ao nosso cobrador: “Preferiria não o fazer”. Ou que o nosso chefe nos pedisse algo, que estivesse relacionado com o nosso trabalho, e nós simplesmente disséssemos: “Preferiria não o fazer”. Enfim, a frase pode ser dita por qualquer pessoa, em qualquer circunstância. E abrir o precedente para acabar com o livre arbítrio em oposição à possibilidade de dizer que não de um individuo é a abrir a caixa de Pandora do papel social e da liberdade de escolha. Porque a verdade é esta: em sociedade, só somos livres até certo ponto. Somos livres dentro da enclausura de um conjunto finito de oportunidades de escolha. É uma premissa fabulosa e é nela que assenta toda a história deste Bartleby, o Escriturário.

Focando-me na adaptação de José-Luis Munuera, considero que a ideia foi muito bem explanada e, em 72 páginas, o autor consegue captar muito bem a ideia base da obra original de Melville. É certo que nunca li o texto original e não posso afirmar com exatidão se esta adaptação para BD perdeu – ou não – muitas coisas da obra original. Decerto, perdeu algumas. Porém, e de acordo com todas as sinopses e textos que li sobre o conto original de Melville, creio ser justo afirmar que esta adaptação para banda desenhada reflete bem a ideia e reflexão base da obra original.

Bartleby, o Escriturário - Uma História de Wall Street, de José-Luis Munuera - Arte de Autor
Do mesmo autor José-Luis Munuera, a Arte de Autor já tinha publicado o igualmente belo Um Conto de Natal, uma adaptação para banda desenhada do clássico de Charles Dickens. Nesse caso concreto, e talvez por - ao contrário do que se passa nesta situação - eu conhecer tão bem a obra original e as múltiplas adaptações da mesma, gostei muito, claro, mas não fiquei tão maravilhado como fiquei com este Bartleby que, de facto, ainda não tinha lido.

A história de Bartleby, o Escriturário é pertinente, inteligente e dá que pensar, sendo uma daquelas rábulas que todos devíamos ler uma vez na vida. Por sua vez, a banda desenhada, como um todo, funciona muitíssimo bem, com Munuera a revelar-se hábil na forma como combina a profundidade da história original com o dinamismo visual e emocional próprio da banda desenhada.

Pode-se, por isso, dizer que esta adaptação consegue manter fielmente a essência da história original, explorando temas profundos como a alienação, a busca de significado na vida e a própria natureza humana.

Bartleby, o Escriturário - Uma História de Wall Street, de José-Luis Munuera - Arte de Autor
Quanto aos desenhos de Munuera, temos algo semelhante, no tom e no ambiente, ao que o autor nos deu em O Conto de Natal. Mantêm-se dois registos visuais diferentes que confluem entre si: na parte das personagens, o estilo é bastante "cartoonesco", assumindo similaridades com o universo Disney, por um lado, e remetendo-nos, por outro, para o estilo da escola Spirou que, aliás, o autor conhece bem enquanto autor de alguns álbuns da série; na parte dos ambientes e dos cenários, temos um estilo bem mais realista onde os efeitos de luz e cor chegam a apresentar uma certa poesia visual. Pode parecer uma junção algo forçada, mas que, tenho que admitir, acaba por funcionar muito bem e ser bastante original.

A arte de Munuera é simplesmente deslumbrante. As próprias cores utilizadas (pelo autor Sedyas) conseguem transportar-nos para o universo sombrio e introspetivo de Bartleby. A representação dos ambientes do escritório, com tons cinzentos e composições cuidadosamente elaboradas, é especialmente notável, pois reflete a monotonia e a alienação da vida corporativa.

A edição da Arte de Autor é em capa dura, com alguns detalhes da mesma a receberem aplicação de verniz. No miolo, o papel é baço e de boa qualidade. A impressão e a encadernação também apresentam boa qualidade. O livro é complementado por um prefácio de Philippe Delerm e um posfácio de Álex Romero que muito acrescentam à edição, pois permitem uma imersão ainda maior na temática da obra.

Em suma, este é um dos belos lançamentos do ano que a Arte de Autor, em boa hora, faz chegar aos leitores portugueses. Munuera consegue honrar o legado de Herman Melville ao mesmo tempo que imprime a sua própria marca, tornando este trabalho uma leitura obrigatória para amantes de banda desenhada e de literatura clássica.


NOTA FINAL (1/10):
9.4


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


-/-

Bartleby, o Escriturário - Uma História de Wall Street, de José-Luis Munuera - Arte de Autor

Ficha técnica
Bartleby, o Escriturário - Uma História de Wall Street
Autor: José-Luis Munuera
Editora: Arte de Autor
Páginas: 72, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
Lançamento: Abril de 2023

segunda-feira, 22 de maio de 2023

Arte de Autor prepara-se para lançar novo livro de Munuera!



A Arte de Autor prepara-se para lançar, a partir do próximo dia 2 de Junho, a sua próxima aposta do autor José Luis Munuera!

Depois da adaptação para BD que o mesmo autor fez do clássico Um Conto de Natal, de Charles Dickens, a editora portuguesa volta a apostar num novo livro de Munuera que resulta da adaptação de um clássico da literatura. 

Desta vez, falamos de Bartleby, o Escriturário, de Herman Melville. Estou bastante curioso porque nunca tive a oportunidade de ler a obra original.

O livro já se encontra em pré-venda no site da editora.

Deixo-vos, mais abaixo, com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Bartleby, o Escriturário, de José Luis Munuera

Adaptação do conto epónimo de Herman Melville

Nova Iorque, distrito de Wall Street.

Um jovem é contratado para um escritório de notário. O seu nome é Bartleby e o seu trabalho consiste em copiar documentos legais.

No início, Bartleby revela-se irrepreensível. Consciente, eficiente, incansável, faz um trabalho colossal, dia e noite, sem nunca se queixar. A sua energia é contagiante. Leva os seus colegas, muitas vezes rebeldes, a darem o seu melhor.

Um dia, tudo se altera. Quando o patrão lhe dá um trabalho, Bartleby recusa-se a fazê-lo. Educadamente, mas com firmeza: “Prefiro não o fazer”, responde.

A partir de então, Bartleby deixará de obedecer a ordens, cingindo-se nestas poucas palavras que pronuncia como um mantra. Prefiro não. Não só deixa de trabalhar, como se recusa a abandonar o local…

José Luis Munuera pega no conto de Herman Melville e adapta-o de forma magistral, lançando um olhar original sobre este texto, uma reflexão estimulante sobre a obediência e a resistência passiva.

-/-

Ficha técnica
Bartleby, o Escriturário
Autor: José Luis Munuera
Editora: Arte de Autor
Páginas: 72, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
PVP: 18,50€