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segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Análise: Druuna – Vol. 5 - Aquela que vem do Vento

Druuna – Vol. 5 - Aquela que vem do Vento, de Serpieri - Arte de Autor


Druuna – Vol. 5 - Aquela que vem do Vento, de Serpieri - Arte de Autor
Druuna – Vol. 5 - Aquela que vem do Vento, de Serpieri

Com este quinto lançamento, a Arte de Autor encerrou a publicação da série de culto Druuna, da autoria do autor italiano Serpieri. 

Esta é uma série que junta erotismo, ficção científica e terror e que, desde o seu lançamento original nos anos 80, conquistou muitos fãs em todo o mundo. É uma série onde a personagem principal, Druuna, aparece quase sempre desnudada, expondo uma forma física luxuriante, composta por curvas generosas. Mas, para além de uma mulher sensual que habita as páginas da série, os leitores também são presenteados por um bom guisado de outras coisas: como duendes, homens-máquina, índios, cavaleiros, monstros, entre outros, que habitam o universo pós-apocalítico de Druuna

Neste quinto livro, intitulado Aquela que vem do Vento, Serpieri coloca-nos no encalço de Druuna, que parece pretender finalizar a sua jornada, com o intuito de encontrar questões às perguntas que lhe atormentam o espírito. Todavia, quer a heróina, quer os leitores, quer, até, o próprio autor Serpieri, parecem não encontrar as tais respostas – ou as perguntas certas? - que vão sendo colocadas ao longo da jornada. 

Druuna – Vol. 5 - Aquela que vem do Vento, de Serpieri - Arte de Autor
O que mais salta à vista em Druuna é, sem qualquer margem para dúvidas, a fantástica arte visual de Serpieri. Dono de um traço virtuoso e preciso, o autor consegue criar um universo visual que dificilmente sai das mentes dos leitores, quando expostos a esta série. É fantástico a todos os níveis, com ilustrações portadoras de uma grande dose artística em tudo o que é desenhado, bem como na aplicação das cores. 

A caracterização do corpo feminino recebe um cuidado especial do autor, havendo oportunidade para todo o tipo de poses da heroína Druuna, que irradia sensualidade por todos os poros do seu corpo. Seja nos longos cabelos pretos e selvagens, seja no olhar sedutor, seja nos lábios carnudos, seja nos seios perfeitos ou seja nas nádegas de glúteos perfeitos que, convenientemente, aparecem assiduamente ao longo das páginas de todo o livro. A arte é verdadeiramente incrível e o resultado de como o corpo de Druuna é retratado, acaba por ser vistoso e apetecível. 

Em termos de arte, apenas tenho uma pequena “queixa” a fazer: é que, a partir da página 12 do livro, o estilo de ilustração do autor muda ligeiramente, apresentando uma arte final, menos detalhada, e com cores mais esbatidas do que nas primeiras páginas do livro. É lógico que o traço é o mesmo e que esta não é uma ruptura tão grande assim com as restantes páginas. Mas é algo que retira alguma fluidez à obra. Dá a sensação que, a partir desse ponto, o livro parece mais antigo em termos de aplicação de cores e arte final. 

Druuna – Vol. 5 - Aquela que vem do Vento, de Serpieri - Arte de Autor
Quanto ao argumento e própria narrativa, devo confessar que, a meu ver, a série Druuna não está ao nível da sua fantástica arte visual. A ideia de juntar elementos do erostimo e da ficção científica, juntamente com uma pitada de terror e figuras do universo fantástico, até é de louvar, por ser extremamente original. No entanto, quer o argumento, quer a própria montagem do mesmo, através da construção dos diálogos, me parece muitas vezes forçado e lato no seu cerne. Não é, pois, de admirar que encontremos Druuna a refletir sobre coisas demasiado intangíveis. Por exemplo, balões como este, que seleciono aleatoriamente enquanto tenho o livro aberto à minha frente, são muito frequentes: “Eis a luz... a angústia é tão forte, terrível, dilacerante... isto dói... então, a morte é isto?”. Ora bem, isto até poderia ser um texto inspirado se não fosse tão vago. Que luz? Que angústia? Que dor é esta? Parece um texto que procura ser eloquente mas sem que os acontecimentos que vão sendo mostrados ao leitor sejam igualmente eloquentes. 

Talvez por isto, muitas vezes eu tenha achado que, perante um arte ilustrativa tão maravilhosa, a única coisa que estava a mais era a própria existência de texto. Muitas vezes, foi o texto e os balões carregados de demasiadas palavras vagas, que me afastaram da beleza contemplativa de observar as fantásticas ilustrações de Serpieri. Neste sentido, não esqueçamos o spin-off que Serpieri fez desta mesma série, intitulado Anima, que ao ser em modo silencioso, acabou por resultar bem melhor, a meu ver. Nesse caso, o autor limitou-se a contar uma história sem o recurso a texto, o seu calcanhar de Aquiles. Funcionou melhor. 

Sendo a banda desenhada, não só, mas essencialmente constituída por dois grandes vectores – o argumento e os desenhos – há muitas obras de bd que me deixam totalmente satisfeito mas, infelizmente, apenas num destes vectores. E Druuna é uma dessas séries. Se é verdade que a arte é magnífica e merece nota máxima, sendo uma maravilha de observar o enorme talento do autor no desenho; relativamente à questão do argumento, já acho que é uma banda desenhada que não me enche as medidas. Claro que poderão dizer-me que isto é uma questão meramente pessoal. De gosto. No entanto, como já referi, há várias coisas ao nível do argumento, onde me parece que a série poderia ser muito melhor. 

Druuna – Vol. 5 - Aquela que vem do Vento, de Serpieri - Arte de Autor
É que a própria demanda de Druuna, e as questões que a mesma se coloca, parecem-me, se não sempre, pelo menos muitas vezes, questões algo vazias e desinspiradas. E extremamente vagas. Chega-me a parecer que Serpieri, tendo o enorme talento que tem nos desenhos e gostando, especialmente, de desenhar mulheres desnudadas, índios, cavaleiros, figuras mitológicas e alguns monstros, se colocou a si mesmo a seguinte questão: “Ora bem, apetece-me fazer uma banda desenhada com todas estas figuras que me dão gosto desenhar. Quanto à história... bem, isso logo se vê, vou lançando umas perguntas vagas para o ar. Busca de si mesma, e tal. Com uns desenhos tão bons a acompanhar... o público há-de gostar.”. É claro que estou apenas a especular mas é mesmo esta a sensação com que fico quando leio Druuna. A arte é fabulosa. O argumento, nem tanto. 

Quanto à edição, para além da editora portuguesa ter fechado uma série inteira de banda desenhada – e isso merecer o meu respeito e agradecimento -, este é mais um trabalho de muita classe por parte da Arte de Autor. E a verdade é que o parágrafo que, normalmente, nas análises que faço, dedico à edição dos livros, no caso da Arte de Autor, já começa a ser algo redundante. É que todos os lançamentos da editora – repito, TODOS os lançamentos da editora – que me chegam às mãos, apresentam uma qualidade de topo. São objetos bonitos de se ter em qualquer coleção premium de banda desenhada. Relativamente à série Druuna, temos aquelas capas duras com uma textura aveludada, tão suave ao toque, que enriquece a qualidade do objeto. Sou confesso fã deste tipo de textura. O papel é de boa gramagem, a qualidade da encadernação é boa e a própria edição gráfica da obra é muito bem conseguida. Nada poderia ser melhorado, a meu ver. E não esqueçamos os muitos e fantásticos extras que este Aquela que vem do Vento nos traz. Porque, na verdade, quase metade do livro é dedicado a extras. Temos, portanto, uma boa seleção de ilustrações raras ou inéditas – incluindo capas das primeiras edições da série Druuna, bem como esboços do autor e uma compilação de páginas a preto e branco. Os fãs da série vão concerteza adorar. 

Druuna – Vol. 5 - Aquela que vem do Vento, de Serpieri - Arte de Autor
Concluindo, este volume 5 que encerra a série Druuna – e a própria série, diga-se - apresenta um sabor agri-doce por ser uma banda desenhada que merece nota máxima na ilustração, demais maravilhosa, mas que, no final, deixa várias lacunas relativamente às próprias questões que levanta de forma vaga. Não deixa de ser uma proposta obrigatória para os fãs do género ou do aclamado autor, mas, quanto a mim, gostaria de ver este autor, tão majestoso no desenho, a fazer uma história mais unida em si mesma e menos lata nas questões que meramente contempla. Acaba por parecer um poema bonito para observar mas que, lá no fundo, é apenas um exercício estético, sem tanto significado assim. Se há significados relevantes em Druuna – e há-os seguramente – acabam um pouco embrulhados em si mesmos. 


NOTA FINAL (1/10): 
8.0 


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Druuna – Vol. 5 - Aquela que vem do Vento, de Serpieri - Arte de Autor
Ficha técnica
 
Druuna – Vol. 5 - Aquela que vem do Vento 
Autor: Paolo Eleuteri Serpieri 
Editora: Arte de Autor 
Páginas: 96, a cores 
Encadernação: capa dura 
Lançamento: Setembro de 2020

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Lançamento: Druuna - Volume 5 - Aquela que vem do Vento



Entre os vários lançamentos que a Arte de Autor tem vindo a anunciar para este mês de Outubro, este é mais um deles! Trata-se do 5º e inédito álbum de Druuna que, certamente, muitos fãs aguardavam!

Fiquem com a nota de imprensa e imagens promocionais abaixo.


Druuna - Volume 5 - Aquela que vem do Vento, de Serpieri

A tão esperada sequência de uma série de culto!

Druuna pousa misteriosamente num mundo que lembra as grandes planícies do nosso passado. 

Deixada por conta própria, ela vagueia por esta imensa extensão coberta de cadáveres até encontrar um chefe índio que a chama de "aquela que vem do vento". 


Mas ele não parece ser o único que a conhece. Eles logo serão acompanhados por uma tropa de conquistadores, Druuna apanhada no fogo cruzado... Este mundo é mesmo real? Pode Druuna estar lá?

Depois de 15 anos e do silencioso spin-off Anima, Paolo Serpieri finalmente oferece-nos a continuação das aventuras da sensual e intrépida Druuna! 

Um novo álbum em que o mestre da banda desenhada erótica prova que não perdeu nenhum de seu talento em retratar as curvas voluptuosas de sua heroína. 

Inclui um caderno gráfico de ilustrações.

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Ficha técnica
Druuna - Volume 5 - Aquela que vem do Vento
Autor: Paolo E. Serpieri
Editora: Arte de Autor
Páginas: 96, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 21,00€

sexta-feira, 19 de junho de 2020

À Conversa Com: Arte de Autor - Novidades para 2020



No À Conversa Com: de hoje, apresentam-se algumas das novidades que a Arte de Autor ainda tem reservadas para 2020. Àquelas já esperadas, junta-se uma série que, sendo ainda uma incógnita, nos deixa com água na boca, tendo em conta o trabalho fenomenal de edição e de prospeção de novas séries, que a Editora tem vindo a fazer.

Neste segundo À Conversa Com: conversei com Vanda Rodrigues, Editora da Arte de Autor, que nos revela de que forma a editora está a contornar as vicissitudes causadas pela pandemia de covid-19 e, ao mesmo tempo, levanta um pouco (só um pouco!) o véu em relação a algumas novidades que podemos esperar.

Na calha está a continuação da série Corto Maltese; a finalização da série Druuna, com a publicação do inédito Druuna 5 - Aquela que veio do Vento; a edição de um volume duplo para assinalar os 100 anos de Agatha Christie; e o lançamento de uma nova série, em 4 volumes, a preto e branco que é inédita em Portugal e feita por autores consagrados. Foi também revelado por Vanda Rodrigues que a Arte de Autor tem um outro inédito contratado, cujo lançamento foi adiado para 2021.

Abaixo, fiquem com a entrevista.


1. Como tem a Arte de Autor superado os constrangimentos sofridos com a pandemia de Covid-19? Quais têm sido as maiores dificuldades e que estratégia tem a Editora adotado?
Acreditamos que vamos ultrapassar este interregno e temos continuado a trabalhar, a partir de casa, e a adaptarmo-nos à realidade. A principal estratégia foi a de manter o nosso plano editorial e a maior dificuldade a venda dos livros. Nós não vendemos em bancas pelo que durante o confinamento ficamos praticamente reduzidos ao on-line e a meia dúzia de livrarias. Para minimizar os efeitos da falta de pontos de venda, enviamos comunicação directa aos nossos clientes e a todos os bloggers a solicitar a divulgação do nosso produto. Optámos por melhorar o nosso site, o que nos permitiu automatizar as campanhas (Páscoa e Feira do Livro em Casa). 

2. Apesar das dificuldades, a Editora tem lançado livros. Já em pleno surto de Covid-19, quer a série Verões Felizes, como Os Cavaleiros de Heliópolis, receberam a publicação dos respetivos segundos volumes. Mais recentemente ainda, a Arte de Autor lançou O Castelo dos Animais - 1. Miss Bengalore. Podemos por isto, concluir que a Arte de Autor conseguiu manter o seu plano de lançamentos para o primeiro semestre de 2020? Ou alguns títulos/séries tiveram que ser descartados ou adiados?
Sim, mesmo durante o confinamento mantivemos o nosso plano de edições, de todos os livros em que somos nós a controlar todo o processo. Inclusive antecipámos o lançamento do livro Os Filhos de El Topo 2 – Abel para Julho, originalmente previsto para Setembro.
Tivemos que adiar a publicação da série Corto Maltese, pois é feita em co-produção com a Casterman e por isso teve que ser calendarizada para Setembro. 

3. Quais são os novos lançamentos que os leitores da Arte de Autor poderão esperar no segundo semestre de 2020?
Vamos continuar com o nosso plano e retomar a publicação da série Corto Maltese no final de Setembro, finalizar a série Druuna com a publicação do Inédito – Druuna 5 – Aquela que veio do Vento, comemorar os 100 anos de Agatha Christie com a edição de um volume duplo e ainda uma novidade que vamos reservar para divulgar no festival Amadora BD.

4. Há alguma série ou livro que possa ter ficado para o próximo ano, devido ao estado pandémico que atingiu Portugal?
Sim, temos um inédito contratado que adiámos o lançamento para 2021, pois esperamos que no próximo ano, o autor aceite o convite para vir a Portugal.

5. Por último, há alguma série surpresa que ponderem lançar ainda este ano e que queiram dar a conhecer, em primeira mão, aos leitores do Vinheta 2020, através desta entrevista?
O que podemos divulgar neste momento é que vamos editar – festival Amadora BD - uma nova série em 4 volumes a preto e branco de autores consagrados, que ainda não fazem parte das nossas publicações e que são inéditos em Portugal.