Mostrar mensagens com a etiqueta Thomas Ott. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Thomas Ott. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 17 de julho de 2025

Análise: A Floresta

A Floresta, de Thomas Ott - Levoir

A Floresta, de Thomas Ott - Levoir
A Floresta, de Thomas Ott

Aplaudo com especial carinho a última coleção editada pela Levoir em conjunto com o jornal Público. Chama-se 25 Imagens e congrega 7 volumes (incluindo autores de renome internacional e ainda uma obra inédita do português Vasco Colombo) que têm a particularidade de nos contarem uma história, recorrendo apenas a 25 pranchas mudas. É algo diferente daquilo a que estamos habituados em Portugal e que, só por isso, é refrescante e bem-vindo. Faço votos para que seja uma série com sucesso comercial.

O primeiro volume que abriu esta coleção foi este A Floresta, de Thomas Ott, que é um autor que já havia sido publicado pela mesma editora Levoir aquando de uma das suas coleções de Novelas Gráficas com a obra O Número 73304-23-4153-6-96-8. Obra essa que me agradou bastante.

Thomas Ott é conhecido pelo seu estilo sombrio e pela sua técnica meticulosa de scratchboard (raspagem) que nos apresenta desenhos brancos em fundo preto que nascem através desse mesmo processo de raspagem da superfície escura de uma prancha para revelar linhas brancas. O livro é curto - como, aliás, são todos os livros desta coleção -,  mas denso em simbolismo e atmosfera, funcionando como um pesadelo envolvente.. ou um conto de fadas invertido. Como queiram.

A Floresta, de Thomas Ott - Levoir
A história acompanha um jovem rapaz que, depois de uma tragédia familiar, toma a iniciativa de fazer uma viagem pela floresta. Esta, apresenta-se-lhe misteriosa e sombria, remetendo o leitor para um espaço simbólico de perda, medo e transformação. A floresta, no contexto da obra, não é apenas um lugar físico, mas uma metáfora profunda para o inconsciente e para o trauma.

O contraste entre luz e sombra é intenso e cuidadosamente trabalhado, criando uma atmosfera opressiva, quase claustrofóbica. Cada painel parece uma gravura, cheia de detalhes e textura, o que o torna verdadeiramente impressionante. Esta técnica, associada ao silêncio da narrativa, contribui para a sensação de inquietação constante, funcionando como uma parábola sobre o luto infantil, em que o protagonista precisa enfrentar os seus medos mais profundos para encontrar algum tipo de reconciliação interior.

O exercício visual torna-se especialmente relevante, pois não havendo balões de fala, narração ou legendas, tudo nos é comunicado pelo enquadramento, pelos gestos, pelas expressões e pelo ritmo. Isso exige uma leitura atenta e sensível por parte do leitor, que precisa preencher lacunas e interpretar símbolos para melhor compreender a jornada emocional do protagonista.

A Floresta, de Thomas Ott - Levoir
A edição da Levoir merece destaque. O livro apresenta capa dura baça, com textura em tecido. No interior o papel utilizado é baço e de boa qualidade. Possivelmente, o melhor papel já utilizado numa coleção da Levoir. Numa coleção como estas, torna-se claro que a qualidade da impressão, o papel espesso, a encadernação... tudo contribui para a experiência sensorial, pelo que me agrada especialmente que a Levoir tenha tido este tipo de cuidado e aprumo editorial.

Tenho lido alguns leitores a dizerem que 13,90€ por um livro de 32 páginas a preto e branco é caro. Bem sei que a noção de "caro" e de "barato" nem sempre é tão linear assim mas - e também por isso - focando-me em algo mais concreto e menos subjetivo, posso dizer-vos que na sua edição original francesa, o preço destes mesmos livros começa nos 19,90€ e acaba nos 22,00€. Portanto, a meu ver, o preço da edição portuguesa até é bastante simpático.

Em suma, A Floresta é uma narrativa gráfica poética, sombria e profundamente humana. Thomas Ott prova mais uma vez que é um autor singular, capaz de transformar o horror em arte e o silêncio em linguagem. Apesar da ausência de palavras, este é um livro profundamente emocional. Até porque essa referida ausência de palavras não é uma limitação, mas uma libertação: cada leitor encontrará ecos diferentes nas imagens, de acordo com sua própria bagagem emocional. Uma história que é simples e curta, mas que nos marca e que abre muito bem esta coleção 25 Imagens!


NOTA FINAL (1/10):
8.5


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



-/-


A Floresta, de Thomas Ott - Levoir

Ficha técnica
A Floresta
Autor: Thomas Ott
Editora: Levoir
Páginas: 32, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 190 x 265 mm
Lançamento: Maio de 2025

sexta-feira, 6 de junho de 2025

Começa hoje a nova coleção da Levoir!



É já hoje que sai com o jornal Público a nova coleção da Levoir, conforme já aqui anunciado previamente

A coleção abre com a obra A Floresta, de Thomas Ott, de quem a editora já havia publicado O Número 73304-23-4153-6-96-8, numa das suas coleções de Novelas Gráficas. Um belíssimo livro, já agora.

Estou muito curioso com esta coleção, pois a mesma assume-se como algo novo e diferente face àquilo que por cá tem sido lançado nos últimos tempos.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.

A Floresta, de Thomas Ott

A colecção 25 Imagens da Levoir e jornal Público chega às bancas a 6 de Junho. Uma coleção em 6 volumes internacionais e um original da autoria de Vasco Colombo. Dedicada à criação de histórias em imagens sem palavras cujo objectivo é criar um formato curto de 25 imagens, uma por página, a preto e branco, sem texto, tal como definido em 1918 por Frans Masereel com o seu livro 25 images de la passion d'un homme, considerado o primeiro romance moderno sem palavras.

Em 2019 na colecção Novela Gráfica a Levoir publicou uma das obras mais conhecidas de Thomas Ott, O Número: 73304-23-4153-6-96-8.

A colecção conta com um leque de reconhecidos ilustradores, a começar pelo suiço Thomas Ott, autor premiado, em 1995 recebeu o Prémio Bloody Mary pela sua contribuição para L'Argent roi, em 1996 o Prémio Max e Moritz pelo conjunto da sua obra e em 2006 o Prémio Micheluzzi para a melhor banda desenhada estrangeira para Cinema Panopticum.

Ott nasceu em Zurique em 1966 e cresceu em Birmensdorf, uma pequena aldeia na orla de uma floresta no cantão de Zurique. É licenciado pela Escola Superior de Belas Artes de Zurique e pela Universidade de Artes de Zurique. Vive e trabalha como cartunista e ilustrador em Zurique e Paris. As suas ilustrações são publicadas em jornais e revistas de todo o mundo. Os seus desenhos estão expostos em galerias de Berlim, Milão, Paris e Zurique.

A Floresta é uma abordagem original sobre o tema do luto, tanto no cenário que oscila entre o sonho e a realidade, como nas imagens sumptuosas. Thomas Ott joga habilmente com a direcção da leitura, a luz, o equilíbrio entre o preto e o branco, os ângulos de visão e as perspectivas para nos convidar a entrar nesta história carregada de emoção.

Próximos volumes:
Marguerite
Joe Pinelli
20/06/2025

Ter 20 anos em Maio de 1871
Jacques Tardi
04/07/2025

Rumo ao Sul
Blair Landis
18/07/2025

A Restauração
Nina Bunjevac
01/08/2025

Nachave
Lucas Harari
15/08/2025

O Cabo de 2.102.400 km 
Vasco Colombo
29/08/2025

-/-

Ficha técnica
A Floresta
Autor: Thomas Ott
Editora: Levoir
Páginas: 32, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 190 x 265 mm
PVP: 13,90€







quarta-feira, 28 de maio de 2025

A Levoir vai lançar uma nova coleção de BD com o jornal Público!


Foi há poucos dias que a editora Levoir fez saber que, a partir do próximo dia 6 de Junho, vai lançar uma nova coleção de banda desenhada com o jornal Público! E trata-se de uma aposta nova e refrescante que, naturalmente, aplaudo!

Será uma coleção quinzenal - sairá às sextas-feiras - e contará com sete histórias mudas em banda desenhada. Ou seja, todos os livros terão histórias contadas sem o recurso às palavras, aos balões de fala e às legendas. O conjunto de autores reunido é significativo no que à qualidade diz respeito, contando com Thomas Ott, Joe Pinelli, Jacques Tardi, Landis Blair, Nina Bunjeac, Lucas Harari e o português Vasco Colombo.

Os livros serão lançados em cada dura, com um preço bastante simpático de 13,90€ (exceto para o livro do autor português Vasco Colombo, que terá um preço de 15,90€). Andei a pesquisar a edição original destas obras e encontrei preços que vão desde os 19,90 aos 22.0€. Bem mais acima da edição portuguesa, portanto, que, segundo a Levoir, terá um "tamanho semelhante à edição francesa e um papel igual". 

A coleção chama-se 25 Imagens e são estes os títulos que poderemos encontrar: