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quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Análise: Bouncer #12 - Hecatombe

Bouncer #12 - Hecatombe, de Alejandro Jodorowsky e François Boucq - Arte de Autor

Bouncer #12 - Hecatombe, de Alejandro Jodorowsky e François Boucq - Arte de Autor
Bouncer #12 - Hecatombe, de Alejandro Jodorowsky e François Boucq

Em sentido contrário a diversos heróis do faroeste que a banda desenhada nos deu, com as séries de Blueberry ou Tex a serem as que mais me veem à memória neste ponto, Bouncer sempre primou por tentar ser, com sucesso, o oposto a esse western limpinho, onde os bons são sempre muito perfeitos e onde vence sempre o bem. Não tenho nada contra esse tipo de história mais clássica, atenção, mas a verdade é que a exigência de uma história mais adulta, com vários níveis de interpretação e onde a ação é mais crua e menos "hollywoodesca", vai muito mais ao encontro do que, pelo menos na atualidade, procuro numa história. E não falo apenas de histórias do faroeste. Falo de qualquer tipo de história.

Bouncer mostra-nos o lado mais negro, mais sujo, mais velhaco, mais ingrato, mais chocante do antigo faroeste. E mesmo sendo verdade que o protagonista da série, Bouncer, se reja por um quadro de princípios éticos que até podemos considerar – pelo menos grande parte – como corretos à luz da justiça e da retidão, tudo o que acontece em Barro City, a cidade onde se desenrola a ação, põe em causa qualquer tipo de moralidade e bem que poderíamos esperar. Bouncer não nos dá uma visão positiva das coisas, opta por nos dar uma verdade gutural e amarga. E, por tudo isso, quer-me parecer, talvez seja mais verossímil do que a maioria de todos os outros westerns – e não são tão poucos assim – que há em banda desenhada.

Bouncer #12 - Hecatombe, de Alejandro Jodorowsky e François Boucq - Arte de Autor
Este Bouncer, que a Arte de Autor publicou por cá há algumas semanas, já é o 12º volume tomo da série e assinala o regresso de Jodorowsky à escrita do argumento. Com muita satisfação vos digo que há muitos anos que não lia um argumento do autor franco-chileno que considerasse tão bem equilibrado e que me enchesse tanto as medidas. Este é, afinal de contas, pelo menos para os meus gostos, um autor algo "bipolar", pois consegue o melhor e o pior. Como tal, sempre que me aproximo de um livro do autor, engulo em seco, desejando o melhor, mas preparando-me para o pior. Aquela tendência que o autor foi sedimentando de colocar as suas personagens em situações extremas, mais para chocar o leitor do que em prol de uma boa construção narrativa, aliada à vertente metafísica das suas histórias, que sempre me pareceu algo gratuita e vaga em demasia, deixa-me por vezes desapontando.

No entanto, e é por isso que toco no assunto, em Hecatombe, Jodorowsky aparenta estar no pleno das suas capacidades. Esta é uma história verdadeiramente down to earth, sem que haja espaço para desvarios narrativos. Bem, em boa verdade, bem próximo do final da história, Jodorowsky parece não ter resistido a uma certa divagação metafísica que, quanto a mim, até acaba por ser o lado menos bom deste livro. Mas, tirando esse pequeno (grande) detalhe, que não aprofundarei para não estragar a surpresa a ninguém, Jodorowsky revela-se bastante contido, com uma trama bem montada, terra-a-terra, que vai crescendo em interesse e impacto para o leitor.

Bouncer #12 - Hecatombe, de Alejandro Jodorowsky e François Boucq - Arte de Autor
Aprofundando a história de Hecatombe, a mesma segue a linha narrativa dos tomos anteriores, intitulados O Ouro Maldito e O Espinhaço de Dragão – embora não seja obrigatório que tenhamos lido esses tomos para bem compreender este 12º volume – em que Bouncer se viu a braços com um enorme tesouro em lingotes de ouro. Com efeito, Bouncer e a sua trupe depositaram o ouro de origem mexicana no banco de Barro City. Mas, expetavelmente, todo aquele tesouro, embora guardado por um forte e moderno cofre, desperta a cobiça alheia. E não é, portanto, de admirar que comecem a chegar à cidade muitas pessoas – algumas da pior espécie – com intenções algo dúbias, embora ocultas.

Um dia, o ouro desaparece do cofre sem deixar qualquer rastro, sem que se oiça um único tiro e sem que tenha havido, sequer, arrombamento do cofre. Como terá isto acontecido? Jodorowsky brinca muito bem com o leitor, sugerindo-lhe um caminho de interpretação para, logo a seguir, mostrar-lhe que as coisas não são o que parecem.

E como resultado do roubo do dinheiro, a cidade torna-se ainda mais violenta, com a multidão à procura de um bode expiatório para tão enigmático roubo.

Apetecia-me falar das interessantíssimas e bem desenvolvidas personagens que entram neste Hecatombe, mas opto por não o fazer, para não desvendar mais do que pretendo em relação à história. Posso, no entanto, dizer que são personagens cheias de carisma e que sabem ser más e astutas, elevando o enredo em termos de qualidade. E, claro, há um grande número de momentos trágicos, com várias baixas importantes. O que seria de prever se pensarmos em como hostil e violenta esta história consegue ser. Uma autêntica “hecatombe”, portanto.

Bouncer #12 - Hecatombe, de Alejandro Jodorowsky e François Boucq - Arte de Autor
Falando das ilustrações, acho que, se tenho que dar mérito à crueza com que Jodorowsky arquiteta esta história, também tenho que prestar louvores à forma como François Boucq dá vida, forma e cor a este faroeste sujo, agreste, inóspito e tantas vezes desumano. É algo que já vimos nos tomos anteriores, sim, e talvez por esse motivo, não surpreende particularmente (nem desilude) os que já conhecerem a série. Ainda assim, diga-se que o início da história, marcado pela chuva torrencial que jorra nas ruas de Barro City, é verdadeiramente genial. O autor consegue transportar-nos para aquele ambiente vívido e carregado de lama. Sem prados belos ou montanhas floridas porque o "verdadeiro faroeste" era assim mesmo: vazio, badalhoco e cheio de pó e lama.

E, claro, o desenho das personagens – algumas delas com uma fealdade que encaixa perfeitamente na personalidade das mesmas – é verdadeiramente soberbo. E também a nível de cores este é um belo álbum, com as mesmas a darem a cada uma das cenas o ambiente cromático que era necessário.

Quanto à edição da Arte de Autor, estamos perante mais um bom trabalho de edição, sem algo de negativo a apontar. O livro apresenta capa dura brilhante, bom papel brilhante e uma boa impressão e encadernação. Nota positiva para o facto deste volume ter sido lançado em simultâneo com a edição francesa. É sempre bom quando estamos alinhados com a atualidade de lançamentos em mercados estrangeiros.

Em suma, este Bouncer #12 é o regresso em grande de um dos melhores westerns em banda desenhada! Sendo a série que é, já estava à espera de algo bom, mas não esperava que fosse tão bom! História e ilustrações caminham de mãos dadas para nos dar um dos mais maduros e bem concebidos tomos de toda a série. E, por conseguinte, de todos os westerns em BD, uma vez que coloco esta série bem lá em cima, entre as melhores das melhores bandas desenhadas com o tema do faroeste como pano de fundo. Numa palavra: fantástico!


NOTA FINAL (1/10):
9.6



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Bouncer #12 - Hecatombe, de Alejandro Jodorowsky e François Boucq - Arte de Autor

Ficha técnica
Bouncer #12 - Hecatombe
Autor: Alejandro Jodorowsky e François Boucq
Editora: Arte de Autor
Páginas: 144, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 23,2 x 31 cm
Lançamento: Novembro de 2023

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Arte de Autor prepara-se para lançar o novo Bouncer!


A Arte de Autor prepara-se para lançar o novo livro da aclamada série Bouncer! E, desta vez, temos o autor Alejandro Jodorowsky a regressar à série para assumir o argumento deste 12º volume, intitulado Hecatombe.

Como não podia deixar de ser, as ilustrações estão a cargo de François Boucq.

Estou muito contente, pois esta é das minhas séries western preferidas! 

O livro deverá chegar às livrarias a partir do próximo dia 3 de Novembro. Note-se que o álbum é lançado em simultâneo com a edição francesa, coisa que merece sempre os meus louvores.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.
Bouncer #12 - Hecatombe, de Alejandro Jodorowsky e François Boucq

QUANDO A FEBRE DO OURO SE APODERA DE BARRO CITY!

Há dias que chove torrencialmente em Barro-City. Os caminhos que levam ao banco são apenas lamaçais. Foi lá que Bouncer e os seus amigos depositaram o ouro mexicano que trouxeram dos confins do Deserto de Sonora. 

Mas os lingotes armazenados ali despertam a cobiça. Não só a cidade está inundada, como todo o tipo de bandidos e de canalhas da pior espécie chegam de toda a parte, prontos para fazer qualquer coisa para se apropriar desse ouro.
Entre eles, um grupo de ladrões tão espertos quanto implacáveis criaram um engenhoso projecto de roubo para se apoderar do saque. Quando o coronel Carter chega com os seus homens para garantir a segurança do ouro, o prefeito espera um retorno à calma, mas a situação piora quando os lingotes desaparecem como por um passe de mágica.

No entanto, o cofre vazio está intacto! A tensão está no auge. Numa cidade em que a multidão se deleita com julgamentos sumários e linchamentos, as vítimas colaterais serão numerosas e as aparências são muitas vezes enganadoras. O êxtase do ouro gera a pior das violências e a cidade poderia desaparecer rapidamente num dilúvio de fogo e sangue.

Pode ser que esse ouro amaldiçoado leve Bouncer para muito mais longe do que ele gostaria, por um caminho funesto e selvagem de coragem e morte.

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Ficha técnica
Bouncer #12 - Hecatombe
Autor: Alejandro Jodorowsky e François Boucq
Editora: Arte de Autor
Páginas: 144, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 23,2 x 31 cm
PVP:31,00€

terça-feira, 11 de abril de 2023

Análise: Go West - Young Man

Go West - Young Man, de Tiburce Oger e Vários Autores - Gradiva

Go West - Young Man, de Tiburce Oger e Vários Autores - Gradiva
Go West - Young Man, de Tiburce Oger e Vários Autores

Dizer que Go West – Young Man se trata de uma antologia de banda desenhada está certo e errado ao mesmo tempo. Com efeito, as antologias de banda desenhada não costumam ter as características basilares que este Go West – Young Man tem. Normalmente, são histórias muito dispersas entre si, apresentando conceitos muito díspares e sem que haja, salvo algumas exceções, um tema muito homogéneo – pelo menos ao nível do tratamento gráfico-narrativo. Obviamente, e consequentemente, do ponto vista dos desenhos, também é natural que as antologias apresentem uma panóplia enorme de estilos de desenho diferentes.

Por isso, sim, Go West – Young Man é uma antologia de banda desenhada, uma vez que nos apresenta um conjunto de 14 histórias desenvolvidas pelo mesmo argumentista, mas ilustradas e coloridas por um grande conjunto de autores. Mas, por outro lado, por haver um fio condutor que vai ligando as histórias entre si e, também, pelo facto de haver um grafismo muito típico do estilo de traço franco-belga para western – não obstante ser verdade que, naturalmente, cada história ter um estilo de ilustração próprio – pode-se dizer que Go West – Young Man chega a parecer uma só história e não uma antologia de banda desenhada.

Go West - Young Man, de Tiburce Oger e Vários Autores - Gradiva
O fio condutor deste conjunto de histórias criadas por Tiburce Oger reside num relógio de bolso. É ele a personagem principal do livro e não as diferentes personagens que vão aparecendo nas 14 histórias. Essas apenas protagonizam o momento em que o relógio lhes vai parar às mãos. Será esse relógio de bolso que passando de mão para mão, através de uma diversidade de formas para tal, que fará com que cada uma das histórias tenha ligação entre si. Mesmo havendo, igualmente, uma independência entre cada uma das histórias.

Explico o paradoxo que acabei de escrever: é verdade que cada uma das histórias é uma mini-história auto-conclusiva, que funciona como um breve capítulo, e que até pode ser lida de forma independente. Com personagens novas, com um mini-enredo independente. Todavia, como aparece sempre a menção do relógio de bolso, de uma forma ou de outra, podemos dizer que há aqui uma ligação natural entre personagens. Afinal de contas, se fôssemos contar a história de alguns objetos, que circularam de mãos para mãos até chegarem até nós, que histórias mirabolantes não teria esse objeto para contar?

A premissa é muito criativa e fez-me logo gostar do livro. Pode até ser uma ligação algo artificial, mas, lá está, consegue dar à história uma grandeza maior. Mais não seja porque, como acompanhamos a história do relógio a partir do ano 1763, e que se estende até ao ano 1938, também acompanhamos a história do faroeste americano nesse período de tempo. Estão cá muitos momentos relevantes como a a presença dos mexicanos, dos índios, dos caçadores de prémios, dos pioneiros, dos foras-da-lei, dos túnicas azuis, das prostitutas que davam beleza aos saloons e até da personagem emblemática de Wild Bill. Nesse cômputo de tentar bem resumir as temáticas que naturalmente associamos ao western, pode-se dizer que Oger fez um grande trabalho.

Go West - Young Man, de Tiburce Oger e Vários Autores - Gradiva
Gostei também que cada história apareça separada por uma página em branco onde, através de quatro linhas de texto, Oger aproveita para ligar, de uma forma ainda mais clara, as histórias entre si. Sem estas linhas talvez algumas das histórias ficassem algo mais dispersas entre si. Portanto, parece-me mais um bom truque narrativo utilizado pelo argumentista e que serve, acima de tudo, para dar coesão à narrativa global da obra. Gostei.

É claro que, tal como em todas as antologias de banda desenhada, algumas histórias funcionam melhor do que outras. E acredito que, neste caso, isso nem se deve assim tanto à maior ou menor qualidade dos ilustradores, mas sim a momentos mais ou menos inspirados do argumentista. Há histórias que pura e simplesmente me pareceram meras divagações, que acrescentam pouco ao todo. Mas também há outras mais marcantes onde, em meras páginas, conseguimos, ainda assim, criar uma ligação com as personagens.

Por falar em número de páginas, as 14 histórias que nos são dadas também variam no número de páginas, havendo uma história com apenas 2 páginas e outra com 9 páginas. Mas, na maior parte das vezes, as páginas têm entre 6 e 8 páginas.

Go West - Young Man, de Tiburce Oger e Vários Autores - Gradiva
Dentro dos ilustradores, devo dizer que os nomes que eram por mim mais bem conhecidos eram os de Ralph Meyer (Undertaker), Boucq (Bouncer) ou Gastine (O Último Homem). Além do trabalho destes, que não desilude, posso dizer que fiquei agradavelmente surpreendido com os desenhos de Olivier Taduc, Benjamin Blasco-Martinez ou Ronan Toulhoat.

Os dois autores que apresentam estilos mais diferentes serão, por ventura, Patrick Prugne, devido à forma como usa as aguarelas, e Dominique Bertail, que nos oferece desenhos em tons de sépia e com forte impacto visual.

Mas, como já disse, apresentando naturais diferenças em termos de desenho, acho que o livro consegue alcançar, ao mesmo tempo, uma forte homogeneidade visual. Todos os estilos de ilustração coabitam bastante bem entre si e não há nenhuma história que seja particularmente superior – ou inferior – às demais.

Em termos de edição, a Gradiva dá-nos um belo trabalho com este livro. O livro apresenta capa dura e baça, com bom papel brilhante e boa qualidade ao nível da encadernação e da impressão. Já agora, aproveito para dizer que depois desta obra também já foi lançado, em França, Indians! - L'ombre noire de l'homme blanc, do mesmo autor que é outra antologia nos mesmos moldes e que, portanto, faria sentido que Gradiva editasse por cá.

Em suma, Go West - Young Man é uma bela aposta da Gradiva, que nos vai permitir 14 breves viagens no tempo até ao coração do faroeste americano, através de uma bengala narrativa bem engendrada pelo argumentista Tiburce Oger que, através da narração do que acontece a um relógio de bolso, consegue percorrer quase 200 anos da história do lado oeste dos Estados Unidos. E tudo isto com a participação de célebres ilustradores da banda desenhada franco-belga!


NOTA FINAL (1/10):
8.8



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Go West - Young Man, de Tiburce Oger e Vários Autores - Gradiva

Ficha técnica
Go West - Young Man
Autores: Tiburce Oger, Bertail, Blanc-Dumont, Blasco-Martinez, Boucq, Cuzor, Gastine, Hérenguel, Labiano, Meyer, Meynet, Prugne, Rossi, Rouge, Taduc e Toulhoat
Editora: Gradiva
Páginas: 112, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Março de 2023

quinta-feira, 2 de junho de 2022

Análise: Little Tulip

Little Tulip, de Jerome Charyn e François Boucq - Ala dos Livros

Little Tulip, de Jerome Charyn e François Boucq - Ala dos Livros
Little Tulip, de Jerome Charyn e François Boucq

Depois de cerca de um ano e meio a pós o lançamento de New York Cannibals, a Ala dos Livros lançou finalmente uma das obras mais emblemáticas dos autores Jerome Charyn e François Boucq, que dá pelo nome de Little Tulip. E quando digo “finalmente” quero dizer que a espera ainda foi um pouco longa para aqueles que já tinham lido New York Cannibals que, de alguma forma, continua os eventos vivenciados em Little Tulip. As histórias são consideradas independentes – e, de facto, são-no, pois podem ser lidas de forma separada – mas a verdade é que depois de finalizada a leitura de Little Tulip decidi reler New York Cannibals e posso agora dizer que a leitura dos dois álbuns de forma seguida, valoriza as leituras de ambos. Portanto, é algo que recomendo.

Olhando agora, com detalhe para Little Tulip, é fácil entrar na bela história do consagrado autor Jerome Charyn. Para que um livro de banda desenhada seja bom – e por muito que o mesmo apresente belíssimas ilustrações – é necessário que a história e a própria narrativa também o sejam. E devo dizer que neste livro, Charyn demonstra a sua prolífica imaginação e boa capacidade para bem contar uma história.

Little Tulip, de Jerome Charyn e François Boucq - Ala dos Livros
Trata-se do percuso de vida de Pavel que passamos a acompanhar em duas linhas cronológicas diferentes: o tempo atual, em que trabalha num estúdio de tatuagens em Manhattan, e o tempo passado, desde a sua tenra infância em que ficamos a conhecer o seu percurso de vida. 

Quando os seus pais são condenados por espionagem e transportados num comboio com o destino de um campo de trabalhos forçados - conhecido como gulag - na Sibéria. Com apenas sete anos, e totalmente traumatizado por tudo aquilo a que tem de assistir, acaba por ficar separado dos seus pais e terá que lutar pela sua sobrevivência fazendo tudo ao seu alcance para o conseguir. É uma história de uma grande violência emocional que, sem dúvida, nos deixa com a boca seca ao presenciarmos todos os momentos a que Pavel terá que fazer frente. 

Ao mesmo tempo, essa narrativa do passado vai sendo entrecortada pelos momentos do tempo presente, em Nova Iorque, onde começa a aparecer uma vaga de assassinatos a mulheres indefesas que, aparentemente, são levados a cabo por um homem que esconde a sua identidade com um gorro natalício e, por isso, começa a ser apelidado de Bad Santa. Tendo aprendido a arte de fazer tatuagens quando ainda era criança no gulag, Pavel tornou-se, entretanto, num conceituado tatuador e desenhador em Nova Iorque e acaba por colaborar com a polícia no desenho de retratos robot. É, aliás, por esse motivo que Pavel passa a estar envolvido neste caso dos assassinatos do Bad Santa. É interessante porque são ambientes muito diferentes – o da Sibéria e o de Nova Iorque – e, portanto, aguçam a nossa curiosidade para ficar a saber quais os eventos que alteraram tanto a vida de um homem. Como é que ele conseguiu obter a sua vida tão pacata e normal em Nova Iorque se, em criança, teve todos aqueles traumas no gulag?

Little Tulip, de Jerome Charyn e François Boucq - Ala dos Livros
Devo dizer que gostei bastante de New York Cannibals mas considero Little Tulip uma leitura que, embora seja muito mais clássica e, por ventura, menos original que a outra, acaba por me parecer mais verosímil e, consequentemente, mais marcante. Se New York Cannibals é bastante bom, Little Tulip é verdadeiramente excelente.

Boucq aparece nesta obra em grande forma, oferecendo-nos desenhos muito inspirados, com fantásticas expressões e uma bela representação dos corpos das personagens, demonstrando saber oferecer à narrativa todo o apelo emotivo que ela precisa, quando estamos perante as tais partes mais angustiantes da história, mas também saber ilustrar cenas de ação de forma maravilhosa.

Posso dizer que a página 81 do livro, em que Azami trava uma feroz luta pela vida contra os homens do Conde, é das melhores pranchas de luta que me lembro de ter visto nos últimos anos. Porquê? Bem porque para além do fantástico e dinâmico "bailado de luta", em que se deteta uma ferocidade e urgência incríveis, a maneira como parece que Azami não luta bem contra os seus oponentes, mas sim, contra as criaturas que os mesmos têm tatuadas nos braços, é de uma poesia visual extrema. Maravilhoso na ideia e maravilhoso na conceção da mesma.

Little Tulip, de Jerome Charyn e François Boucq - Ala dos Livros
Todos sabemos o quão Boucq gosta de desenhar algumas coisas mais bizarras. E, com justiça se diga, normalmente fá-lo muito bem e tem nessa característica um traço comum do seu trabalho. Isso também acontece neste Little Tulip em alguns momentos que visualmente nos marcam pela sua bizarria, mas também é justo dizer que provavelmente este estará entre os livros mais comedidos do autor nessa vertente. Quer isto dizer que para aqueles que, por vezes, dizem: “hmm, este Boucq parece ser bom, mas só gosta de desenhar coisas estranhas”, este livro servirá, certamente, como uma possível porta de entrada para conhecerem o fantástico trabalho do autor. As cores também representam um papel importante na forma como a história nos é dada, sendo mais frias na Sibéria e mais quentes em Nova Iorque. O trabalho de Boucq acaba, pois, por ser sublime. 

Se me posso queixar de alguma coisa é da ilustração que o autor decidiu fazer para a capa do livro (e aqui ainda acrescento, também, New York Cannibals). Não é que sejam maus desenhos, nem nada que se pareça, mas acho que não mostram em nada o poderio visual e virtuosismo técnico do autor.

Quanto à edição, temos mais um belo trabalho da Ala dos Livros. Capa dura, excelente papel com a quantidade certa de brilho, boa impressão e encadernação. Nota ainda para o breve, mas belo, dossier gráfico, com três páginas, que nos oferece várias ilustrações e esboços de Boucq.

Em suma, Little Tulip é um livro fantástico, que nos conta a comovente história de um belíssimo protagonista, que retemos na memória já bem depois de finalizada a leitura do livro. E, claro, no topo de tudo isso ainda temos as sublimes ilustrações de Boucq, que contribuem para que este livro figure entre os melhores lançamentos de 2022. Muito bom, de uma ponta à outra!


NOTA FINAL (1/10):
9.4



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Little Tulip, de Jerome Charyn e François Boucq - Ala dos Livros

Ficha técnica
Little Tulip
Autores: Jerome Charyn e François Boucq
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 96, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Abril de 2022





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Mais abaixo, deixo o convite para a leitura da análise ao álbum que continua o percurso destas personagens:



segunda-feira, 2 de maio de 2022

Little Tulip é (finalmente) publicado em Portugal!



Little Tulip
, uma obra emblemática da dupla Jerome Charyn e François Boucq, prepara-se para chegar às livrarias portuguesas!!!

Por agora, a obra já pode ser comprada através do site da editora Ala dos Livros.

Relembre-se que os eventos relatados neste livro antecedem a história de New York Cannibals, da mesma dupla - e também da editora Ala dos Livros - que já aqui foi analisado. Pelo que, parece-me, o lançamento de Little Tulip até pode - e deve - despoletar uma maior procura pelo livro New York Cannibals.

Para já, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.

Little Tulip, de Jerome Charyn e François Boucq

Little Tulip é uma história de sobrevivência e de vingança pessoal, que se desenrola ao ritmo de misteriosos assassinatos que ocorrem em Nova Iorque.

Mas Little Tulip é, também, a história da vida de Pavel, vinte anos antes dos acontecimentos de New York Cannibals.

Feito prisioneiro ao mesmo tempo que os seus pais, a infância de Pavel chega ao fim quando, aos sete anos de idade, descobre o inferno do Gulag. Separado dos seus, é forçado a absorver as regras que regem o seu novo universo: a violência permanente e o poderio absoluto dos chefes dos gangues.
Convertido num temível lutador, Pavel consegue sobreviver como tatuador graças ao que aprendera com o pai e às lições do seu novo mestre de desenho. Com o decorrer dos anos, a fama de Pavel estende-se a todos os campos e o seu talento torna-se uma lenda. Prequela de New York Cannibals, lançada em Portugal também pela Ala dos Livros em 2020, ao mesmo tempo que em França, Little Tulip é mais uma brilhante obra de François Boucq na adaptação do escritor Jerome Charyn.

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Ficha técnica
Little Tulip
Autores: Jerome Charyn e François Boucq
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 96, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 24,00€

quinta-feira, 14 de abril de 2022

Análise: O Guardião – Volumes 3, 4 e 5

O Guardião – Volumes 3, 4 e 5, de François Boucq e Yves Sente - Gradiva

O Guardião – Volumes 3, 4 e 5, de François Boucq e Yves Sente - Gradiva
O Guardião – Volumes 3, 4 e 5, de François Boucq e Yves Sente

Por vezes acontecem destas coisas. Séries de banda desenhada que têm arranques lentos ou que não cativam muito à primeira, mas depois, limando algumas arestas, nos conseguem conquistar. O Guardião, da autoria de Boucq e Sente, é um bom exemplo dessa situação.

O tomo 1, O Anjo de Malta, serviu para nos apresentar a personagem. O arranque foi lento, mas promissor. Contudo, o tomo 2, Fim de Semana em Davos, levou-nos a uma certa conspiração político-económica - quase burocrática! - que perdeu qualquer que fosse o ímpeto inicial da série. Na verdade, e olhando em retrospetiva para esse tomo 2, quase que sou levado a crer que o argumentista, Yves Sente, não sabia bem para onde ir e perdeu-se numa história carregada de "palha" que se afasta do curso narrativo seguinte.

O Guardião – Volumes 3, 4 e 5, de François Boucq e Yves Sente - Gradiva
Mas tenho boas notícias para vós, leitores! O Guardião consegue ser uma boa série especificamente a partir do terceiro tomo. E, com efeito, como a história só começa a ser verdadeiramente bem explorada a partir do tomo 3, e com a conclusão no tomo 5, acho que é justo considerar que os volumes 3, 4 e 5, Fantasmas em Porto Cervo, A Persistência do Passado e A Incubadora de Satanás, respetivamente, formam, por si só, uma história. Não será necessário ler os tomos 1 e 2 para bem compreender esta história.

A série conta-nos a história de Vince, um suposto padre que trabalha como agente secreto ao serviço do Vaticano. Uma espécie de 007 ao serviço de sua Santidade. E nestes 3 livros que são aqui analisados como um só, pois têm a narrativa forte e eficazmente interligada entre si, a história vai-se focar muito mais no protagonista Vince e no seu passado. Bem como no seu suposto irmão gémeo. E em muitas mais coisas, diga-se!

Embora a operação da "Ordem da Renovação do Templo" tenha fracassado no segundo tomo da série, Fim de Semana em Davos, essa mesma organização maléfica prepara uma retaliação perante o Vaticano. Mas, quando avistados por um padre a bordo de um iate, os líderes da Organização terão que medir forças com Vince que procura, mais uma vez, destabilizar os planos malvados da Organização. Nisto, Vince acaba por descobrir que esta Organização influente tem uma forte ligação aos nazis que se refugiaram em países remotos, após o término da Segunda Guerra Mundial. Aparece então o tal irmão gémeo que Vince julgava morto, desde os tempos em que era uma criança no Bronx de Nova Iorque, e que agora está ao serviço dos rivais do Vaticano e de Vince. Surge ainda uma curiosa dupla formada por uma mulher punk e um velho que procuram aniquilar os antigos nazis que, por esta altura, não passam de idosos, alheados do seu próprio passado, a gozar a sua velhice.

O Guardião – Volumes 3, 4 e 5, de François Boucq e Yves Sente - Gradiva
Parece muita coisa para digerir? E é, na verdade. Citando a velha máxima “less is more” devo dizer que talvez me pareça que a história tenha demasiadas ramificações e realidades – o passado em Nova Iorque dos irmãos, os nazis, os padres, a conspiração da Ordem, etc. Talvez se tirássemos uma destas coisas da equação, a história – e as personagens – pudessem ser enriquecidas por Yves Sente. No entanto, também há que ser justo e admitir que fiquei bastante “agarrado” à história. Incrível como nos primeiros dois tomos as ideias do argumentista para esta série me pareceram algo desinspiradas e “batidas”, mas aqui, nestes 3 últimos tomos, as suas ideias deram origem a uma história intrincada, violenta, com ação e mistério, e que, mesmo sendo algo rocambolesca, por vezes, consegue ser impactante e transformar O Guardião numa melhor série do que, inicialmente, aparentava ser. Mesmo não sendo perfeita em termos de argumento, estes três álbuns são tão melhores do que os dois álbuns anteriores!

O Guardião – Volumes 3, 4 e 5, de François Boucq e Yves Sente - Gradiva
Quanto às ilustrações do fantástico ilustrador François Boucq, posso dizer que o seu trabalho é sempre maravilhoso de se observar. O seu traço, cheio de personalidade, está aqui bem presente e a sua capacidade técnica para a boa ilustração de cenas de ação mantém-se impecável. Por vezes, senti que o autor tinha feito alguns desenhos mais à pressa e onde os detalhes eram menos presentes. Mesmo assim, este é um daqueles autores que, mesmo quando não está inspirado a 100%, o seu trabalho continua a ser, não obstante, acima da média e maravilhoso de se absorver. 

Tal como escrevi na análise que fiz aos volumes 1 e 2 desta série, “as ilustrações de Boucq primeiro "estranham-se" e depois "entranham-se". O nome do autor é já uma garantia de qualidade. Se me chegar às mãos um livro em que Boucq assina as ilustrações, já posso dar por garantido que, nesse cômputo, será um bom livro. E em O Guardião, não há exceções, com o autor a apresentar um estilo mais clássico na ilustração do que noutras obras como Bouncer ou o fantástico, New York Cannibals, recentemente publicado pela Ala dos Livros. O uso de planos de câmara é bom e a aplicação de cores também está bem conseguida.

O Guardião – Volumes 3, 4 e 5, de François Boucq e Yves Sente - Gradiva
Relativamente à edição destes três livros, a Gradiva mantém o nível de qualidade registado nos primeiros dois volumes da série: capa dura envernizada, bom papel com brilho, boa encadernação e boa impressão. 

Mas mais que falar no objeto-livro, sinto-me na necessidade de falar no fantástico e inédito (?) comprometimento da editora nas séries de banda desenhada em que tem apostado nos últimos tempos. Mesmo sendo verdade que entre a publicação do segundo e do terceiro volumes de O Guardião tenha passado um ano, há que dá os devidos louvores à editora por ter editado os últimos 3 volumes em apenas 4(!) meses. Ou seja, entre janeiro e abril! 

Isto traz duas consequências boas que não me canso de referir: por um lado, quem está a acompanhar a série pode ter uma leitura mais intensa, sem ter que esperar muito tempo para poder continuar a história. Por outro lado, e talvez ainda mais importante que a primeira consequência, isto faz com que a editora – entre outras editoras portuguesas que nos últimos anos têm começado e terminado séries – ganhe a confiança dos leitores portugueses. Quantos de nós, no passado, decidimos não apostar em séries com receio de que as mesmas fossem deixadas a meio? Cada vez mais, os leitores portugueses podem sentir-se confiantes para começar uma série, pois é cada vez mais frequente e expectável que a mesma possa ser publicada na íntegra. Hoje em dia é, portanto, mais seguro apostar nas edições portuguesas, em detrimento das edições originais estrangeiras. Há uma ou outra exceção em que as séries são abandonadas a meio – como Gus, da própria Gradiva, por exemplo – mas têm sido casos singulares. 

Atualmente, a regra é que as editoras portuguesas comecem e terminem as séries em que apostam. E a Gradiva termina aqui mais uma série. Bem, na verdade, O Guardião parece não estar totalmente terminado e os autores poderão voltar a esta série, para um novo ciclo. Mas, por agora, a edição portuguesa acompanha a edição original francesa. Portanto, aproveito este espaço para dar os meus parabéns à Gradiva.

Portanto, em suma, O Guardião até pode ter começado com dois volumes um bocado “sem sal”, mas é a partir do número 3 que a série finalmente entra nos eixos. O argumento até podia ser mais percetível mas o que é certo é que a história nos prende como nunca antes o tinha feito. Quanto aos desenhos de Boucq, o autor não cessa de nos oferecer belas ilustrações. E, claro, é sempre bom ver mais uma boa série de banda desenhada a ser editada na íntegra em português. Parabéns, Gradiva!


NOTA FINAL (1/10):
8.8



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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O Guardião – Volumes 3, 4 e 5, de François Boucq e Yves Sente - Gradiva

Fichas técnicas
O Guardião #3 - Fantasmas em Porto Cervo
Autores: François Boucq e Yves Sente
Editora: Gradiva
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Janeiro de 2022

O Guardião – Volumes 3, 4 e 5, de François Boucq e Yves Sente - Gradiva

O Guardião #4 - A Persistência do Passado
Autores: Yves Sente e François Boucq
Editora: Gradiva
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Fevereiro de 2022

O Guardião – Volumes 3, 4 e 5, de François Boucq e Yves Sente - Gradiva

O Guardião #5 - A Incubadora do Inferno
Autores: Yves Sente e François Boucq
Editora: Gradiva
Páginas: 80, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Abril de 2022

quinta-feira, 31 de março de 2022

Gradiva prepara-se para publicar o último volume de O Guardião!


Em menos de três meses, a Gradiva conseguiu o feito de publicar os últimos três volumes da série O Guardião, da autoria de Yves Sente e François Boucq!

A série que, supostamente, ainda não terminou na sua publicação original, apenas tem 5 volumes editados. Pelo que, com o lançamento deste 5º tomo - intitulado A Incubadora do Diabo, que encerra o primeiro ciclo (e único, para já) da série - os leitores portugueses ficam com toda a série publicada em português.

A aposta desenfreada da Gradiva na publicação e, talvez mais importante, término das sériesé algo que merece rasgados louvores!

O livro já se encontra em pré-venda no site da editora e deverá chegar às restantes livrarias a partir do próximo dia 5 de Abril.
Abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e algumas imagens promocionais.


O Guardião #5 - A Incubadora do Inferno, de Yves Sente e François Boucq

Quem são os caçadores de nazis que seguem na peugada de Vince?

Quem são os verdadeiros dirigentes da «Ordem da Renovação do Templo»?

Quem é esse irmão gémeo, supostamente morto, reaparecido nas fileiras dos seus inimigos?
Tudo questões a que o terceiro guardião terá de dar resposta, no inferno húmido do mangal mexicano.


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Ficha técnica
O Guardião #5 - A Incubadora do Inferno
Autores: Yves Sente e François Boucq
Editora: Gradiva
Páginas: 80, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 16,50€

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Gradiva lança mais um número de O Guardião!



Ainda nem tive a oportunidade de pegar no volume 3 da série O Guardião - embora já esteja na minha "pilha" de livros para ler - e já a Gradiva colocou o volume 4 da série nas livrarias portuguesas!

O ritmo de lançamentos da editora tem estado a ser a toda a velocidade! Se, por um lado, isso pode congestionar o mercado editorial de banda desenhada em Portugal, por outro lado, tem o condão de permitir aos leitores que não fiquem muito tempo à espera dos novos tomos.

A ver vamos, se a estratégia é bem sucedida por parte da editora. Faço votos para que sim, naturalmente!

O quarto volume, intitulado A Persistência do Passado, continua a acompanhar o percurso de Vince, um agente secreto que trabalha para o Vaticano. A série é da autoria de Yves Sente e François Boucq.

Abaixo, podem encontrar algumas imagens promocionais e a sinopse da obra.


O Guardião #4 - A Persistência do Passado, de Yves Sente e François Boucq

Vince, o terceiro Guardião, persegue os dirigentes da «Ordem da Renovação do Templo» e tenta opor-se aos seus planos interessando-se pelas atividades do cardeal Dri Origio. 

Para isso, tem de mergulhar nas páginas mais negras da História… e da sua própria vida!
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Ficha técnica
O Guardião #4 - A Persistência do Passado
Autores: Yves Sente e François Boucq
Editora: Gradiva
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 15,00€

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Já está disponível o primeiro lançamento da Gradiva para 2022!




O primeiro lançamento da Gradiva para este ano já está, de facto, disponível para compra. Trata-se do terceiro volume da série O Guardião, da autoria de François Boucq e Yves Sente.

Note-se que, depois de um ano de interregno, a editora portuguesa retoma a publicação desta série, que já conta com cinco álbuns publicados na sua língua original.

Boas notícias para os leitores portugueses, portanto!

Abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.
O Guardião #3 - Fantasmas em Porto Cervo, de François Boucq e Yves Sente

«Há doze guardiões em todo o mundo, meu filho. Nem mais um. Agem sempre sozinhos e não se conhecem uns aos outros. Pedimos-te que te tornasses Trias, filho, porque o terceiro Guardião acaba de nos deixar...»

Em Davos, a poderosa organização denominada «Ordem da Renovação do Templo» viu gorar-se a sua tentativa de desestabilização mundial.

Reagrupados a bordo de um iate ao largo de Porto Cervo, os seus líderes preparam uma resposta que poderá ser comprometida por dois pequenos grãos de areia na engrenagem: um padre demasiado curioso, e Vince, o terceiro Guardião.
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Ficha técnica
O Guardião #3 - Fantasmas em Porto Cervo
Autores: François Boucq e Yves Sente
Editora: Gradiva
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 15,00€