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terça-feira, 18 de novembro de 2025

BD portuguesa volta a fazer história!



E, desta vez, volta a acontecer pelas mãos de Luís Louro!

Luís Louro foi condecorado na passada sexta-feira, dia 14 de novembro, como Comendador da Ordem de Mérito, pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa!!! Que notícia espetacular!!!

O autor vive, indubitavelmente, o melhor momento da sua carreira de sempre!

No ano em que festeja o seu 40º aniversário de carreira ao serviço da banda desenhada, Luís Louro ganhou recentemente o prémio de Melhor Obra de Autor Português, do Amadora BD (Prémios de Banda Desenhada da Amadora - PBDA). Já antes disso, havia sido agraciado com a Medalha Municipal de Mérito Cultural da Câmara Municipal de Lisboa, uns meses depois de ver os CTT a lançarem uma coleção de selos personalizados em homenagem aos 40 anos de carreira do autor.

No ano anterior, relembro ainda, quer nos VINHETAS D'OURO, quer nos PBDA, Luís Louro também tinha recebido o Prémio Carreira e o Troféu de Honra, respetivamente. Ser o segundo autor português a receber este raro e prestigiante título, pelas mãos da figura máxima da república portuguesa, representa uma honra marcante para a vida. Só posso dar os parabéns ao Luís por toda a sua carreira, por toda a sua obra, por toda a sua entrega. Merecido, sem dúvida!

Além de que, claro, esta não é apenas uma excelente notícia para o Luís Louro. Também o é para a banda desenhada portuguesa. Relembro que Luís Louro é o segundo autor português a ser condecorado pela Presidência da República, depois de José Ruy, em 2024, ter sido condecorado, a título póstumo, enquanto Grande-Oficial da Ordem de Mérito, um título ainda mais ascendente que o de Luís Louro, embora igualmente prestigiante para a 9ª arte portuguesa. É bom que, mais uma vez, e num curto espaço temporal, se volte a premiar, a distinguir, a relembrar a obra de um autor português de banda desenhada, fazendo com que a mesma mereça mais destaque e, naturalmente, consideração.

Estou feliz com isto!

Nota: não sei quem é o legítimo autor destas fotografias, retirei-as do perfil do próprio Luís Louro.

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Novo livro de BD sobre deficiência junta alguns dos mais importantes autores portugueses!



É uma notícia que há muito vos queria dar e é hoje que, finalmente, o faço! E em primeiríssima mão!

Está a chegar um novo livro de BD, intitulado inVISÍVEIS, que junta grandes nomes da banda desenhada nacional, como Daniel Maia, Joana Afonso, Jorge Coelho, Luís Louro, Osvaldo Medina, Paulo J. Mendes, Ricardo Santo e Susana Resende!

Trata-se de uma antologia de histórias curtas de banda desenhada, lançada pela CERCIOEIRAS, a propósito da comemoração dos seus 50 anos de existência! Um projeto, no mínimo, inovador, já que nada semelhante foi feito até à data por uma instituição semelhante.

Assinalar o 50º aniversário lançando um livro de banda desenhada sobre um tema tão poucas vezes comentado, é algo que merece os meus aplausos!

Posso dizer-vos que participei ativamente no livro, fazendo a coordenação do projeto e sendo argumentista de quatro(!) das seis histórias que compõem o livro. É a minha estreia na produção de BD, portanto. Estou extremamente orgulhoso e satisfeito de ver nascer as minhas primeiras histórias de banda desenhada e, ainda por cima, pelas mãos de autores/ilustradores de quem sou confesso admirador. Dizer que é um sonho tornado realidade não é, portanto, exagero da minha parte.

São histórias que falam sobre o tema da deficiência, como é viver com estas dificuldades e qual é o papel de todos nós numa sociedade que pode e deve fazer mais por todos os que são deficientes.

Todos os autores, sem exceção, fizeram um ótimo trabalho, asseguro-vos!

A maravilhosa capa do livro é da autoria de Jorge Coelho e a legendagem de uma das histórias foi feita por Mário Freitas que, generosamente, também contribuiu com o seu know how para este projeto de grande envergadura.

O livro deverá ter apresentação no Amadora BD, no dia 2 de Novembro, domingo, às 17h20, com presença dos autores, minha e dos responsáveis da CERCIOEIRAS. Está-se a trabalhar também no sentido de se organizar um lançamento do livro além desta apresentação no Amadora BD e, nesse sentido, voltarei ao tema assim que tiver mais informações.

O livro será editado em capa dura, contando com 48 páginas e um formato de 21 x 29,7 cm.

Como devem imaginar, estou super entusiasmado com isto!

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com uma página de cada um dos ilustradores que colaboram no livro.


inVISÍVEIS, de Daniel Maia, Hugo Pinto, Joana Afonso, Jorge Coelho, Luís Louro, Osvaldo Medina, Paulo J. Mendes, Ricardo Santo e Susana Resende

Seis histórias de BD. 

Seis olhares. 

Um mesmo compromisso com a inclusão.

Para assinalar os 50 anos da CERCIOEIRAS, seis dos mais relevantes ilustradores da banda desenhada contemporânea portuguesa reúnem-se numa obra única, coordenada por Hugo Pinto.

Cada história cruza o universo da deficiência com a missão transformadora da CERCIOEIRAS, dando voz a experiências reis, imaginadas e sentidas.

Entre o traço e a palavra, esta antologia de banda desenhada celebra a diversidade, a empatia e a força de uma Organização que, há meio século se dedica a Integrar a Diferença, Construir a Inclusão.



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Ficha técnica
inVISÍVEIS - Histórias de Banda Desenhada que Desmistificam Preconceitos sobre a Deficiência
Autores: Daniel Maia, Hugo Pinto, Joana Afonso, Jorge Coelho, Luís Louro, Osvaldo Medina, Paulo J. Mendes, Ricardo Santo e Susana Resende
Editora: CERCIOEIRAS
Páginas: 48, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 21 x 29,7 cm
PVP: 14,90€










terça-feira, 9 de setembro de 2025

TOP 10 - A Melhor BD lançada pela parceria A Seita/Arte de Autor nos últimos 5 anos!


Depois de um período de férias, regresso ao tema que fui desenvolvendo ao longo do mês de agosto: qual a melhor banda desenhada que cada editora lançou nos últimos 5 anos? O período dos 5 anos é apenas escolhido devido a ser o período de atividade aqui do Vinheta 2020. E porque é um número redondo, claro.

Hoje trago-vos algo um pouco diferente: em vez de me focar na banda desenhada editada por uma editora apenas, trago-vos o conjunto de melhores obras editadas pelo esforço conjunto de duas editoras: a Arte de Autor e A Seita. Sei que já publiquei um TOP 10 sobre cada uma destas editoras, mas tendo em conta a muito prolífera parceria editorial entre A Seita e a Arte de Autor, apresento-vos o meu TOP 10 das duas editoras.

Convém relembrar que este conceito de "melhor" é meramente pessoal e diz respeito aos livros que, quanto a mim, obviamente, são mais especiais ou me marcaram mais. Ou, naquela metáfora que já referi várias vezes, "se a minha estante de BD estivesse em chamas e eu só pudesse salvar 10 obras, seriam estas as que eu salvava".

Faço aqui uma pequena nota sobre o procedimento: considerei séries como um todo e obras one-shot. Tudo junto. Pode ser um bocado injusto para as obras autocontidas, reconheço, e até ponderei fazer um TOP exclusivamente para séries e outro para livros one-shot, mas depois achei que isso seria escolher demasiadas obras. Deixaria de ser um TOP 10 para ser um TOP 20. Até me facilitaria o processo, honestamente, mas acabaria por retirar destaque a este meu trabalho que procura ser de curadoria. Acabou por ser um exercício mais difícil, pois tive que deixar de fora obras que também adoro, mas acho que quem beneficia são os meus leitores que, deste modo, ficam com a BD que considero ser a "crème de la crème" de cada editora.

Eis então, as melhores obras que, quanto a mim, a Arte de Autor e A Seita já editaram em conjunto:

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

TOP 10 - A Melhor BD lançada pela Polvo nos últimos 5 anos!



Cá estou eu para mais um TOP 10 com a melhor banda desenhada editada nos últimos 5 anos em Portugal! Hoje é dia de ficarmos a conhecer quais os melhores livros de BD que a editora Polvo lançou nos últimos 5 anos.

A Polvo é uma das editoras de banda desenhada mais antigas em Portugal, tendo já editado perto de 200 livros, desde o seu início de atividade há quase 30 anos. Sendo uma editora de cariz independente, não tem uma assiduidade muito constante no lançamento de novos livros, ao longo dos meses, embora, todos os anos, seja quase garantido que haverá novos livros desta editora a serem lançados por alturas do Amadora BD

Com um catálogo que se concentra numa clara aposta em obras de origem brasileira, a editora tem também editado muitas obras de referência de autores nacionais, bem como de outros autores europeus.

Convém relembrar que este conceito de "melhor" é meramente pessoal e diz respeito aos livros que, quanto a mim, obviamente, são mais especiais ou me marcaram mais. Ou, naquela metáfora que já referi várias vezes, "se a minha estante de BD estivesse em chamas e eu só pudesse salvar 10 obras, seriam estas as que eu salvava".

Faço aqui uma pequena nota sobre o procedimento: considerei séries como um todo e obras one-shot. Tudo junto. Pode ser um bocado injusto para as obras autocontidas, reconheço, e até ponderei fazer um TOP exclusivamente para séries e outro para livros one-shot, mas depois achei que isso seria escolher demasiadas obras. Deixaria de ser um TOP 10 para ser um TOP 20. Até me facilitaria o processo, honestamente, mas acabaria por retirar destaque a este meu trabalho que procura ser de curadoria. Acabou por ser um exercício mais difícil, pois tive que deixar de fora obras que também adoro, mas acho que quem beneficia são os meus leitores que, deste modo, ficam com a BD que considero ser a "crème de la crème" de cada editora.

Deixo-vos então, as 10 melhores BDs editadas pela Polvo nos últimos 5 anos.

quarta-feira, 21 de maio de 2025

Análise: Os Filhos de Baba Yaga

Os Filhos de Baba Yaga, de Luís Louro - A Seita e Arte de Autor

Os Filhos de Baba Yaga, de Luís Louro - A Seita e Arte de Autor
Os Filhos de Baba Yaga, de Luís Louro

Sempre disse que Luís Louro precisava de um álbum que, no teor e forma, fosse mais sério. Sempre o disse! E não o dizia por não gostar dos livros de Luís Louro, pois sempre fui fã do trabalho do autor. Também não o dizia por não gostar, genericamente, de trabalhos humorísticos. Gosto, claro. Ou por achar que uma obra dramática ou sorumbática é melhor só por não ser humorística. Claro que não. Dizia-o porque sempre me pareceu que Luís Louro parecia não dar o "passo seguinte" na sua carreira, que era o de fazer uma história mais séria, que pudesse fazer com que o autor fosse/seja levado mais a sério.

Pois bem, Os Filhos de Baba Yaga, o seu novo livro recentemente publicado pelas editoras A Seita e Arte de Autor é o passo que a carreira de Luís Louro precisava. É o seu livro mais sério e, de longe, o melhor. Um clássico instantâneo da banda desenhada nacional que será celebrado daqui a um ano, daqui a 10 anos e daqui a 100 anos. A banda desenhada portuguesa tem mais um livro obrigatório e esse livro é este Os Filhos de Baba Yaga! Digo até mais: por ser um livro com uma história bastante universal, ambientada até fora da realidade portuguesa, este livro tem tudo para ser "exportável", permitindo ao autor, quiçá, ter o reconhecimento no estrangeiro que, por ora, já aufere em terras nacionais.

Mas vamos por partes.

Os Filhos de Baba Yaga, de Luís Louro - A Seita e Arte de Autor
A história de Os Filhos de Baba Yaga coloca-nos na Segunda Guerra Mundial, nas densas florestas russas, no período histórico em que as tropas alemãs e soviéticas se enfrentavam depois de Hitler ter decretado a invasão da Rússia no evento que ficou conhecido como Operação Barbarossa. Acompanhamos a luta pela sobrevivência - a qualquer custo - de um conjunto de onze crianças órfãs. São crianças que foram juntas pela necessidade de sobrevivência num território completamente devastado, onde a fome impera, onde o frio enregela e onde os estilhaços das explosões e os ruídos dos disparos dos tanques, são uma contante ameaça de morte. 

Trata-se, pois, de uma história de sobrevivência que, naturalmente, nos remete para outras obras célebres em que vimos as crianças a terem que se juntar para sobreviver a um conjunto de privações. O Deus das Moscas, de William Golding - que até recebeu uma belíssima adaptação recente para banda desenhada pelas mãos de Aimée de Jongh - será a obra que mais ecoa na cabeça quando lemos este Os Filhos de Baba Yaga. Porém, ambas as histórias são bastante diferentes, sendo apenas a temática sociológica onde existe maior familiaridade. O novo livro de Luís Louro lembrou-me também dos filmes Fury ou Inglorious Basterds, por motivos diferentes. E outra obra que me lembrou este Os Filhos de Baba Yaga foi o videojogo Heavy Rain, da Quantic Dream, que - sendo ainda mais diferente do que as obras supramencionadas - também nos remete para a questão de até onde somos capazes de ir para assegurar a sobrevivência de nós mesmos ou daqueles que amamos?

Os Filhos de Baba Yaga, de Luís Louro - A Seita e Arte de Autor
Os Filhos de Baba Yaga
, sendo uma obra duríssima e fortemente recomendada para um público adulto, é ainda mais gutural nos seus pressupostos. O romantismo do amor ao próximo não é propriamente aquilo que Louro nos apresenta, mas sim o instinto natural da sobrevivência humana para, através de todas as forças que ainda restarem, mentais ou físicas, não se sucumbir à morte. É o nosso mais primordial instinto e acaba por ser um conceito bastante aberto que permite uma boa exploração narrativa.

Se a premissa é boa, a história também é bem explanada pelo autor, levando o leitor a embrenhar-se na leitura, querendo saber qual será o destino destas personagens. Personagens essas que são bastante carismáticas. Confesso que, ao início, estava um pouco cético com um tão grande número de personagens. São onze e considerei que isso poderia desfocar um pouco a atenção do leitor, até porque nenhuma das personagens assume um claro protagonismo em relação às demais. Percebi depois que talvez o intento do leitor não fosse o enfoque numa personagem em concreto, mas no grupo das crianças como um todo. E, com efeito, a própria personagem principal não é esta ou aquela criança, mas o grupo das crianças a que podíamos dar o nome de "infância corrompida". Mesmo assim, entre as parcas críticas que possam ser feitas em relação à obra, admito que se considere que talvez certas personagens pudessem ter sido mais desenvolvidas. 

Os Filhos de Baba Yaga, de Luís Louro - A Seita e Arte de Autor
Não obstante, a verdade é que o ritmo com que Luís Louro nos entrega esta história e estas personagens é, felizmente, bastante lento - especialmente para o habitual modus operandi que conhecemos do autor. Ora, isto permite que a história se vá desenvolvendo de forma mais natural e orgânica, exigindo uma leitura mais atenta do leitor e ofertando à narrativa uma credível passagem do tempo que sedimenta e torna mais complexas as personagens, fazendo-nos refletir sobre a guerra, sobre as crianças e sobre tudo aquilo que uma criança num cenário bélico tem que enfrentar. Se já é difícil para os adultos, imagine-se para as crianças! Sendo um relato histórico fictício, bem que poderia ter sido uma história real. Além disso, a temática também se mantém tristemente atual nos tempos que correm, quando a guerra continua a ser uma realidade nas vidas de milhares de crianças. E até neste ponto, na universalidade do tema proposto, Luís Louro acertou.

O autor português parece, aliás, ter dado tudo de si neste álbum. As coisas foram feitas com mais propósito, com mais tempo, com mais coração e com mais cabeça. E um exemplo claro disto é o próprio humor que, sim, também aparece neste álbum, mas com um maior requinte, pois também nessa área, o autor se revela mais inteligente do que nunca: é que, ao utilizar as crianças enquanto móbile para as suas tiradas humorísticas, o autor consegue não se desfocar da sua história. Não é Luís Louro a fazer uma piada ou trocadilho... são as personagens que as fazem... porque são crianças num cenário hediondo que, através de uma piada, podem sacudir o peso da sua existência. E isso muda tudo! Considero até que talvez essa tenha sido uma das maiores fraquezas do também muito aconselhável Dante. A grande maioria dos outros livros de Luís Louro pode ser inserida na categoria de humor - e isso não é algo que eu considere redutor, mas sim acrescentador -, mas este Os Filhos de Baba Yaga, está longe de poder figurar numa categoria humorística. Pode arrancar-nos um sorriso, aqui e ali, mas apenas e só pela forma como as personagens se comportam entre si, por oposição ao drama reinante à sua volta.

Os Filhos de Baba Yaga, de Luís Louro - A Seita e Arte de Autor
Outra opção narrativa muito bem conseguida - que foi por ventura a maior surpresa para mim - neste Os Filhos de Baba Yaga, foi a utilização de uma voz off, que funciona como a narração dos acontecimentos, que é feita por uma das crianças do grupo. Ora, não só esta voz off une muito bem os acontecimentos, a passagem do tempo e nos revela o sentimento que vai imperando no grupo de crianças, tornando a narrativa mais bem montada e com menos pontas soltas, como tem o condão de nos oferecer belas frases e metáforas, que nos põem a pensar, revelando-se, inequivocamente, como o melhor texto já escrito pelo autor. São várias as frases e ideias que são - e permitam-me o termo em inglês - "quotable", e isto é uma coisa por que me bato nas minhas análises: considero que quando um livro tem uma ou várias frases que nos ficam na memória, é forçosamente um melhor livro, pois impacta-nos de uma outra forma. Não sabia que Luís Louro (também) tinha esta faceta, mas fiquei a sabê-lo a partir de agora!

Se isto foi uma surpresa, não posso dizer o mesmo do aspeto visual da obra. Na vertente da ilustração, Luís Louro tem apresentado nos últimos anos uma evolução gritante, estando os seus desenhos melhores de livro para livro. Recentemente reli O Corvo III e já não me lembrava como o traço e cores do autor tinham evoluído tanto daí para os mais recentes tomos da série. Também em Dante, o trabalho do autor já havia sido fantástico. Não foi, portanto, uma enorme surpresa que o trabalho de Luís Louro continuasse a evoluir neste Os Filhos de Baba Yaga. Mesmo assim, esperando já algo de fantástico, consegui ficar surpreendido, pois também no cômputo da ilustração, este é o melhor trabalho do autor até à data.

Os Filhos de Baba Yaga, de Luís Louro - A Seita e Arte de Autor
Os desenhos são impressionantes! Cada página revela uma mestria gráfica inquestionável, com uma paleta cromática que reforça o mistério, a tensão e a beleza sombria da narrativa. As composições são cinematográficas e o detalhe visual é tal que convida à releitura, permitindo sempre descobrir novos elementos que antes haviam passado despercebidos. Louro demonstra aqui um domínio absoluto do ritmo visual e da construção de ambiente. A reprodução da neve, da floresta, dos uniformes dos soldados, dos veículos, dos tanques de guerra e dos detalhes minuciosos nas expressões faciais das personagens contribui para criar uma atmosfera densa. Tudo está representado de forma perfeita e com uma atenção ao detalhe absolutamente impressionante. As personagens apresentam uma excelente expressividade, sendo fiéis em traços àquilo a que o autor já nos habituou, mas apresentando um maior aprimoramento visual. Os enquadramentos, frequentemente cinematográficos, e a composição das pranchas revelam uma maturidade artística que coloca Louro num patamar restrito de autores nacionais. O trabalho de cores é absolutamente notável, sendo imprescindível para que visualmente este livro seja tão forte. Faço ainda uma nota para as várias ilustrações de grande dimensão que pululam no livro, que permitem que Luís Louro se apresente ao seu melhor nível de sempre.

Outra coisa bem conseguida no trabalho de ilustração nesta obra é que embora a história seja dura e tenha alguma violência, Luís Louro não recorre ao "espetáculo fácil"; em vez disso, sabe alternar entre as partes mais violentas da narrativa e um conjunto de ilustrações onde impera a serenidade, através de uma experiência de leitura contemplativa, quase litúrgica, onde cada página convida à pausa e à reflexão. Os Filhos de Baba Yaga consegue ser, portanto, notável tanto pela sua profundidade temática como pelo seu virtuosismo gráfico. 

Os Filhos de Baba Yaga, de Luís Louro - A Seita e Arte de Autor
Em termos de edição, aplaudo o cuidado especial com que A Seita e a Arte de Autor trataram este livro, numa edição bastante luxuosa. A capa é dura e baça, com textura aveludada e detalhes a verniz, e tem uma lombada em tecido vermelho com o texto em letras douradas. Tudo muito requintado. O interior do livro apresenta bom papel brilhante, boa encadernação e boa impressão. Há ainda um prefácio da autoria de David Soares - que, quanto a mim, não aparece especialmente alinhado com a obra em questão, perdendo-se em divagações abstratas e latas que acrescentam pouco ou nada e que se revelam "muita parra e pouca uva", mas, enfim - e um belo dossier de extras com 16 páginas, que inclui esboços e estudos com comentários do autor, mostrando-nos o seu processo criativo. Há ainda uma boa entrevista de João Miguel Lameiras que se revela pertinente e especialmente inteligente por responder a questões que a leitura do livro poderia suscitar como a questão da presença das folhas secas esvoaçantes (uma imagem de marca do autor), as expressões não traduzidas em russo, entre outras informações bem-vindas. Foi igualmente lançada uma edição exclusiva da loja Wook, com uma capa alternativa e que vinha acompanhada por um ex-libris autografado pelo autor. Estamos pois, perante uma bela edição que inaugura o selo editorial Folha de Louro que, espera-se, venha a publicar mais obras do autor. 

Em suma, Os Filhos de Baba Yaga é uma obra absolutamente fantástica, um marco incontornável da banda desenhada portuguesa contemporânea. Louro atinge aqui um novo patamar criativo, superando-se tanto a nível narrativo como visual. Conhecido há décadas como um dos nomes mais relevantes da BD nacional, o autor consegue que este livro transcenda as suas obras anteriores, impondo-se, sem qualquer hesitação, como o seu melhor livro até à data! Mais do que apenas um excelente álbum, Os Filhos de Baba Yaga afirma-se como um dos melhores livros portugueses de banda desenhada de sempre! É uma obra madura, ambiciosa e profundamente envolvente, que não só confirma o talento de Luís Louro como o eleva. Verdadeiramente obrigatório, este livro é indispensável não apenas para os leitores habituais do autor, mas também para todos os amantes de banda desenhada. Até mesmo para aqueles que nunca deram a devida oportunidade a Luís Louro, terão aqui uma porta de entrada impressionante para o seu universo criativo. É uma leitura que marca, que desafia e que perdura - como só os grandes livros conseguem fazer. Que ótima maneira de assinalar os 40 anos de carreira de Luís Louro!


NOTA FINAL (1/10):
10.0



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Os Filhos de Baba Yaga, de Luís Louro - A Seita e Arte de Autor

Ficha técnica
Os Filhos de Baba Yaga
Autor: Luís Louro
Editoras: A Seita e Arte de Autor
Páginas: 132, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 230 x 310 mm
Lançamento: Abril de 2025

terça-feira, 15 de abril de 2025

"Os Filhos de Baba Yaga", o novo livro de Luís Louro, está quase a chegar!


A espera está a chegar, finalmente, ao fim! A Seita e a Arte de Autor preparam-se para lançar o novo livro de Luís Louro!

Intitula-se Os Filhos de Baba Yaga e é um dos lançamentos do ano, estou certo! Posso, aliás, dizer-vos que já tive oportunidade de ver todas as páginas deste novo livro do autor nacional e que fiquei embasbacado perante a qualidade do seu trabalho.

A história, ambientada durante a Segunda Guerra Mundial, promete ser dura e impactante, com um conjunto de personagens que vão deixar marca nos leitores.

O livro terá lançamento no festival de banda desenhada Coimbra BD, no próximo dia 26 de abril, pelas 15h30, pelas mãos das editoras A Seita e Arte de Autor, que juntam esforços para lançar o álbum. 

Nota para o facto do autor justificar a criação de uma chancela que lhe é exclusivamente dedicada, denominada Folha de Louro, o que pode significar o lançamento de mais álbuns da sua autoria. Para além, claro, da série O Corvinho.

Chamo ainda a vossa atenção para a existência de uma edição exclusiva da loja Wook, que contém uma capa alternativa e que vem acompanhado por um ex-libris autografado pelo autor. 

O livro já se encontra em pré-venda nos respetivos sites das editoras A Seita e Arte de Autor.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.
Os Filhos de Baba Yaga, de Luís Louro

Até onde podemos ir, quando a nossa sobrevivência está em causa?

Estamos na Segunda Guerra Mundial, algures na frente russa, no meio das florestas percorridas por tropas alemãs e soviéticas e marteladas pelo estrondo constante da artilharia e o roncar dos motores dos tanques... onze crianças órfãs juntam-se por necessidade, empurradas pelas circunstâncias, e terão de fazer tudo para sobreviver à guerra, às rivalidades e traições, e ao General Inverno.

Até onde poderemos ir quando temos fome?

Uma novela gráfica muito dura, de grande fôlego, que mostra como a fome consegue quebrar as fronteiras morais, mesmo entre crianças.

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Ficha técnica
Os Filhos de Baba Yaga
Autor: Luís Louro
Editoras: A Seita e Arte de Autor
Páginas: 132, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 230 x 310 mm
PVP: 32,00€

quinta-feira, 27 de março de 2025

Luís Louro recebe prémio histórico!



Definitivamente, o ano 2025 será um ano de celebração e consagração para o autor português Luís Louro!

Depois de, no ano passado, a sua obra mais célebre, O Corvo, ter comemorado 30 anos de existência; depois de ter recebido o Troféu de Honra do Município da Amadora, nos últimos Prémios de Banda Desenhada do Amadora BD; e depois de, já neste ano de 2025, o autor assinalar 40 anos de carreira... surge mais um prémio, mais uma honraria, para Luís Louro!

Falo da Medalha Municipal de Mérito Cultural que o autor agora vê ser-lhe atribuída pela Câmara Municipal de Lisboa

E tal acontecimento é histórico pois, segundo o que pude apurar, e corrijam-me se estiver equivocado, esta homenagem nunca havia sido dada a um autor de banda desenhada por parte do Munícipio de Lisboa!

Deixo-vos a nota oficial que me chegou sobre este importante feito, enquanto aproveito para dar os parabéns a Luís Louro por toda a carreira ao serviço da banda desenhada que, justamente, é digna de todos os louvores e homenagens!


LUÍS LOURO É AGRACIADO COM A MEDALHA DE MÉRITO CULTURAL DA CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA

40 anos a desenhar a sua cidade, onde nasceu e cresceu, Luís Louro conseguiu através da Banda Desenhada captar toda a beleza e essência de Lisboa.

Criou o primeiro Herói Lisboeta no activo, O Corvo, cuja missão é proteger a cidade e cujo superpoder é ajudar os outros.

Também recentemente, com O Corvinho, fez chegar a força desse herói aos mais pequenos, encaminhando-os até à magia da cidade.

O seu traço arejado, único e reconhecível, a par do uso de cores vibrantes que também o caracteriza, revela em cada monumento, casa, telhado, janela, rua, ou viela, a luz tão especial que banha a cidade e, principalmente, o seu amor por Lisboa.

Luís Louro e as suas histórias fazem de Lisboa uma cidade ainda maior e dão a Portugal um brilho que vai muito além do papel, marcando na memória de cada um, abarcando até a beleza da fealdade, como fez magistralmente em Alice, Watchers ou Sentinel.

É a primeira vez que a Banda Desenhada é distinguida com esta Insígnia pela cidade de Lisboa, mas não é só Luís Louro que é homenageado, é também a cidade das sete colinas que honra assim a nona arte. 

Sempre Lisboa!

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Magazine Especial - 5 Livros ilustrados para quem gosta de BD

Magazine Especial - 5 Livros ilustrados para quem gosta de BD


Embora o Vinheta 2020 se centre mais na análise a livros de banda desenhada, não é tão incomum assim que, de tempos a tempos, vos traga algum livro de ilustração que me marcou. Até porque sou muito adepto de um (bom) livro ilustrado.

Um livro ilustrado e um livro de banda desenhada são coisas diferentes, bem o sei, mas também têm alguns pontos em comum.

Com efeito, quatro dos cinco livros ilustrados que hoje vos trago neste Magazine Especial, até foram feitos por autores cuja obra em banda desenhada é mais conhecida do que a obra em livros ilustrados. Trago-vos também as obras recentes de dois nacionais, mais conhecidos pela sua obra em banda desenhada.

Assim, sem mais demora, eis 5 livros ilustrados, todos bons, que li recentemente e que merecem o meu destaque neste especial:

sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

Luís Louro desvenda novidades sobre a sua nova BD de grande fôlego!



Luís Louro prepara-se para lançar um dos seus livros mais aguardados! A esse propósito, o autor português revela algumas informações e, gentilmente, partilha com os leitores do Vinheta 2020 uma prancha inédita da sua nova banda desenhada!

Luís Louro publicou recentemente a capa do seu mais recente livro que se denominará Os Filhos de Baba Yaga e será uma história de grande fôlego, ambientada durante o período da Segunda Guerra Mundial, num cenário frio, com belíssimas paisagens pontilhadas de neve. O livro deverá ser extenso em dimensão, ultrapassando as 120 páginas, e assumindo-se como uma das obras mais sérias e profundas na muito vasta criação de Luís Louro.


Capa de Os Filhos de Baba Yaga, de Luís Louro


O livro será editado pel' A Seita, o que para mim, quando soube, foi uma surpresa, pois achava que uma obra deste fulgor seria lançada pela Ala dos Livros, à semelhança daquilo que foi feito com Dante, outra obra de grande fulgor de Luís Louro.

Este Os Filhos de Baba Yaga está a gerar muita expectativa e com razão. Posso dizer-vos que já tive a oportunidade de o "folhear" digitalmente, na casa do autor, e que, em termos gráficos, é um trabalho de deixar água na boca. Talvez o melhor de sempre até à data.


Prancha inédita de Os Filhos de Baba Yaga, de Luís Louro


Sobre a história não tenho muito para dizer, até porque me obriguei a não aferir demasiado sobre a mesma, sob pena de depois, quando o livro sair, eu já saber com o que contar. Coisa de que não gosto, pois prefiro ser tão surpreendido quanto possível quando me inicio numa nova leitura.

Espera-se que Os Filhos de Baba Yaga saia no próximo Coimbra BD, agendado para os dias 25, 26 e 27 de Abril. Já faltou mais... mas a espera está difícil!


Detalhe de vinheta de Os Filhos de Baba Yaga, de Luís Louro

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Passatempo Especial Luís Louro!




O Vinheta 2020, em parceria com a editora Polvo e com o autor Luís Louro, traz-vos um passatempo muito especial para esta quadra natalícia: a oferta do novo integral do Cogito Ego Sum com um autógrafo e dedicatória de Luís Louro!

Não é todos os dias que são oferecidos livros de banda desenhada autografados por autores de renome da BD nacional, mas o Vinheta 2020 quer fazer a diferença premiando os seus leitores.

E este pode muito bem a ser o presente de natal que procuravam, pois é um livro absolutamente recomendado para qualquer fã do trabalho de Luís Louro, garanto-vos!





REGRAS

Para que se habilitem a vencer este prémio, peço-vos o envio para vinheta2020@gmail.com de uma frase com as palavras Cogito Ego Sum, Vinheta 2020 e Polvo.

A frase mais divertida e criativa vencerá este fantástico prémio!

O passatempo é válido até à próxima sexta-feira, dia 6 de Dezembro.

Boa sorte a todos!

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Comparativo: "Cogito Ego Sum" pela Polvo, pela Meribérica e pela Booktree

Comparativo: "Cogito Ego Sum" pela Polvo, pela Meribérica e pela Booktree

Foi com alguma surpresa que soube que a obra Cogito Ego Sum, de Luís Louro, iria receber uma nova edição, não pelas mãos da Ala dos Livros, com quem Luís Louro tem vindo a trabalhar nos últimos anos, lançando os seus novos projetos e reeditando alguns trabalhos mais antigos como O Corvo, mas sim pela editora Polvo, com quem o autor nunca havia publicado.

Mas, enfim, jogadas de bastidores da edição à parte, foi com muito gosto que soube desta notícia, pois sempre fui, desde adolescente, um grande fã de Cogito Ego Sum. Acho até que, quando se fala da extensa e rica obra de Luís Louro, Cogito Ego Sum aparece muitas vezes - e injustamente - esquecido. 

E, claro, tendo em conta que os dois volumes originais da obra - o primeiro editado pela Meribérica/Liber e o segundo editado pela Booktree - há muito estavam extintos das livrarias - bem como extintas estão, há muitos anos, as referidas editoras - parece-me muito bem-vinda esta reedição integral, num só volume, de uma obra de Luís Louro que considero um marco para bem conhecer e bem mergulhar na mente criativa do autor.

Como tal, trago-vos hoje um comprativo entre as várias edições da obra, tentando apresentar as diferenças entre esta nova reedição da Polvo e as edições originais de Cogito Ego Sum.

Em primeiro lugar, a principal alteração que salta logo à vista, é que há uma nova capa nesta nova edição. Não sendo tão bela, a meu ver, como a capa do segundo volume - uma das minhas capas favoritas de todos os livros de Luís Louro, onde se notava uma clara inspiração no universo pictórico de Peter Pan, de Régis Loisel - esta nova capa é, ainda assim, bonita e impactante. 

As contracapas também são diferentes mas, neste caso, foi utilizada uma faixa da contracapa do segundo volume, editado pela Booktree. 

A adição da impactante assinatura do autor na capa e contracapa do novo livro, embora seja um pormenor, também me parece bem-vinda. Não só em termos estéticos, como em termos de "branding" de autor.


Comparativo: "Cogito Ego Sum" pela Polvo, pela Meribérica e pela Booktree


Também o formato da obra é diferente. A nova edição perde apenas alguns milímetros de largura e ganha mais de um centímetro de altura.

Logicamente, a lombada da edição da Polvo também será diferente, por reunir dois livros num só. E em capa dura. 

Já que falo nisso, convém não esquecer que, embora o livro lançado pela Meribérica tivesse capa dura, o livro lançado pela Booktree apresentava capa mole com badanas. Era, pois, obrigatório, diria, que esta reedição integral tivesse capa dura. E ainda bem que assim foi feito.


Comparativo: "Cogito Ego Sum" pela Polvo, pela Meribérica e pela Booktree


Quando abrimos cada um dos três livros, encontramos guardas muito diferentes. 

Na edição da Meribérica, as guardas, em fundo amarelo, apresentam um prefácio à obra por João Miguel Lameiras. A edição da Booktree, sendo em capa mole e com badanas, não tem guardas. 

Já a nova edição da Polvo, apresenta umas guardas muito belas e bem-vindas. No início do livro temos, numa escala cromática de vermelhos, a ilustração completa da capa e contracapa do primeiro livro, e nas segundas guardas temos, em iguais tons, a ilustração completa da capa e contracapa do segundo volume. Uma solução muito bem pensada que não só dá requinte ao livro como permite que se recuperem estas duas belas ilustrações.


Comparativo: "Cogito Ego Sum" pela Polvo, pela Meribérica e pela Booktree



Comparativo: "Cogito Ego Sum" pela Polvo, pela Meribérica e pela Booktree



Todos os livros apresentam frontispícios diferentes, devido à escolha de ilustrações diferentes para esta página introdutória.


Comparativo: "Cogito Ego Sum" pela Polvo, pela Meribérica e pela Booktree


Folheando as primeiras páginas de cada livro, encontramos coisas diferentes, também. No caso de Cogito Ego Sum I, pela Meribérica, além do prefácio de João Miguel Lameiras constante nas guardas do livro, já por mim mencionado, nada temos além de uma referência ao facto de o livro ser dedicado a Rebeca Louro, filha do autor. 

Em Cogito Ego Sum II, pela Booktree, encontramos um prefácio de Maria José Magalhães Pereira e cinco desenhos de Luís Louro. Quatro esboços a lápis e um desenho de estudo de capa do primeiro livro. Diria que são belos desenhos que, lamentavelmente não entram na reedição da Polvo. Numa edição tão interessante como aquela que a Polvo nos traz, diria mesmo que é a única coisa a lamentar. Mas já lá irei.

Mesmo assim, importa referir as novidades da nova edição da obra assim que folheamos as primeiras páginas: temos um novo esboço para esta nova edição, um novo e emotivo prefácio de Rebeca Louro, e uma nota introdutória da minha autoria.


Comparativo: "Cogito Ego Sum" pela Polvo, pela Meribérica e pela Booktree


Avançando para o miolo do livro, o papel desta nova edição é brilhante e de bela qualidade. Para ser sincero, o papel utilizado nas duas versões originais também era bom. Mesmo assim, a nova edição apresenta mais requinte neste cômputo.

O que também melhorou, foi o tratamento cromático da obra, onde os contrastes de cor e os tons mais amarelados foram melhorados, ficando mais credíveis e orgânicos. A legendagem também está melhor e mais moderna.


Comparativo: "Cogito Ego Sum" pela Polvo, pela Meribérica e pela Booktree


O facto do formato da obra ser ligeiramente maior, bem como a ligeira diminuição das margens a branco, também permitem que as pranchas e vinhetas possam ser um pouco maiores face à edição original da obra. 


Comparativo: "Cogito Ego Sum" pela Polvo, pela Meribérica e pela Booktree


No final da obra, a reedição da Polvo ainda nos dá alguns "bombons". 

Ao contrário das edições originais dos livros que, no seu final, não tinham quaisquer extras - à exceção de um esboço solitário em Cogito Ego Sum II -, esta nova edição da obra dá-nos uma galeria de extras com quatro páginas. 

Nela podemos encontrar as duas ilustrações das capas dos dois livros originais - desta vez sem o gradiente a vermelho utilizado nas guardas do livro -, três ilustrações adicionais, uma nota biográfica sobre Luís Louro e um retrato do autor pelas mãos da sua filha Verónica Louro.


Comparativo: "Cogito Ego Sum" pela Polvo, pela Meribérica e pela Booktree


Em suma, a nova edição de Cogito Ego Sum não só é um livro, quanto a mim, essencial na carreira de Luís Louro e, portanto, totalmente recomendado aos fãs de outras obras do autor que ainda não tenham mergulhado em Cogito Ego Sum, como apresenta um belo trabalho de edição da Polvo que assinala e celebra a própria obra. 

Tenho apenas pena que alguns dos esboços contidos no segundo volume não tenham sido introduzidos nesta reedição que, sendo integral, é ainda mais propensa a este tipo de material extra. Mas tirando esse detalhe, a verdade é que outro material extra também foi incluído e produzido especialmente para esta edição que merece estar sempre disponível em loja.

Se (ainda) não conhecem, façam um favor a vós mesmos e incluam este livro na vossa estante!


Comparativo: "Cogito Ego Sum" pela Polvo, pela Meribérica e pela Booktree


sexta-feira, 20 de setembro de 2024

O Corvo recebe adaptação para os mais novos!


No ano em que celebra 30 anos, O Corvo, uma das personagens mais célebres e acarinhadas da banda desenhada portuguesa, prepara-se para receber uma adaptação para um público infantil sob a forma de um livro ilustrado!

Talvez por isso, a personagem criada por Luís Louro passa a usar o sufixo inho, chamando-se Corvinho.

Esta nova aposta de Luís Louro, dirigida aos mais pequenos, será lançada pela editora A Seita - chancela Bicho Carpinteiro - conforme já aqui tinha sido avançado em primeira mão, no próximo dia 11 de Outubro e terá o nome de O Corvinho - O Menino que queria ser Herói.

Haverá, nesse mesmo dia 11 de Outubro, o lançamento do livro, na Sala do Rei, da Estação do Rossio, em Lisboa.

Posso dizer que estou bastante curioso com esta nova empreitada de Luís Louro, um autor incansável que sempre procura surpreender os seus leitores.

Deixo-vos com algumas das páginas que já são conhecidas.