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quarta-feira, 22 de abril de 2026

Análise: O Preço da Desonra 2 - Crónicas de Kubidai

O Preço da Desonra - Crónicas de Kubidai, de Hiroshi Hirata - A Seita

O Preço da Desonra - Crónicas de Kubidai, de Hiroshi Hirata - A Seita
O Preço da Desonra 2 - Crónicas de Kubidai, de Hiroshi Hirata

Lançado pel' A Seita ainda durante o último Amadora BD, este O Preço da Desonra - Crónicas de Kubidai é o segundo volume da série, deixando-a deste modo finalizada. Mas sendo formalmente um segundo volume, diria que este livro funciona menos como continuação narrativa e mais como um aprofundamento conceptual, revelando um autor plenamente consciente do peso moral do universo que criou.

Tal como no primeiro livro, estamos no Japão do período Edo, num mundo aparentemente estabilizado após décadas de guerra, mas moralmente corroído. É verdade que os conflitos entre clãs podem ter abrandado, mas não é menos verdade que esses mesmos conflitos deixaram um rasto de homens quebrados, promessas adiadas e uma honra que acaba por não ser virtude, mas antes um instrumento de controlo social.

O Preço da Desonra - Crónicas de Kubidai, de Hiroshi Hirata - A Seita
O conceito central não muda face ao livro anterior: para escapar à morte imediata no campo de batalha, são muitos os samurais que assinam notas promissórias comprometendo-se a pagar uma avultada quantia, mais tarde, para que a sua vida lhes seja poupada. Hanshiro é o homem encarregado de cobrar essa dívida, bem como o protagonista das quatro histórias que compõem este livro. 

Curiosamente - e talvez de forma algo inesperada, uma vez que o primeiro volume é mais celebrado no universo da banda desenhada - acabei por preferir este livro ao primeiro. Não porque seja mais espetacular ou mais chocante, mas porque Hirata parece aqui ter a personagem mais bem delineada. Hanshiro deixa de ser apenas o dispositivo moral da narrativa e passa a revelar uma identidade mais sólida, ainda que construída a partir do silêncio e da ambiguidade. 

E, claro, também me pareceu que a simples razão de este livro ter apenas quatro histórias - e não as sete do volume anterior - permite que cada uma dessas histórias possa ser mais bem desenvolvida e explanada, fazendo com que acabem por ser mais impactantes para o leitor.

O Preço da Desonra - Crónicas de Kubidai, de Hiroshi Hirata - A Seita
Comparando os dois volumes, nota-se portanto que o primeiro tinha uma força mais conceptual, quase de manifesto, e este segundo parece mais introspetivo e mais seguro da sua própria "voz". 

As quatro histórias são independentes entre si, funcionando como verdadeiras crónicas morais. Cada uma apresenta novas figuras como samurais desonrados, camponeses esmagados pelos desenvolvimentos político-sociais da época ou guerreiros que simplesmente, no calor da batalha, escolheram viver. Todas estas personagens têm que arcar com o peso das suas escolhas, o que atribui à obra - e à própria personagem de Hanshiro - um papel algo moralista. 

Apreciei especialmente a forma como a obra desmonta o bushido, o código dos guerreiros japoneses, sem nunca o ridicularizar, ao mostrar que, na prática, o código de honra poderia perfeitamente ser manipulado para justificar violência desmedida, sacrifício inútil ou culpa perpétua. A "honra" surge-nos, pois, como uma construção social frágil e não como um valor absoluto.

O Preço da Desonra - Crónicas de Kubidai, de Hiroshi Hirata - A Seita
Em termos de desenho, a obra mantém o traço rigoroso a preto e branco, já demonstrado no volume anterior. Por esse motivo, recupero aquilo que, na altura, escrevi na análise que fiz ao primeiro volume da obra: "o desenho é verdadeiramente magnífico, com Hirata a revelar-se um autêntico mestre na ilustração realista das personagens, dos seus combates, dos ambientes e, acima de tudo, das poses que transmitem inequivocamente o ambiente épico e bélico que as histórias de samurais normalmente conseguem criar no nosso imaginário. O traço a preto e branco do autor apresenta alguma sujidade que, quanto a mim, dá o ambiente certo a este tipo de histórias duras e implacáveis onde a morte espreita ao virar da página. Há ilustrações que são de tirar o fôlego!"

Como ponto menos positivo no desenho de Hirata, reconheço que quando há muitas personagens do mesmo género e mais ou menos com a mesma idade, acaba por haver uma certa dificuldade em perceber-se quem é quem, o que retira uma certa fluidez narrativa à leitura. Mas também não é nada que seja muito gritante ou muito presente.

Em termos de edição, a obra apresenta capa mole, com badanas, um bom papel baço no miolo, e uma boa encadernação e impressão. No final, há ainda um glossário de termos onde são explicadas algumas expressões e conceitos culturais presentes na história.

Em suma, O Preço da Desonra 2 - Crónicas de Kubidai é uma obra dura, adulta e profundamente pessimista, mas também extraordinariamente honesta. Se o primeiro volume desta obra do mestre Hiroshi Hirata teve um impacto inegável, há que reconhecer que é neste segundo volume que o autor parece ter encontrado o equilíbrio certo entre personagem, tema e forma. 


NOTA FINAL (1/10)
8.9



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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O Preço da Desonra - Crónicas de Kubidai, de Hiroshi Hirata - A Seita

Ficha técnica
O Preço da Desonra 2 - Crónicas de Kubidai
Autor: Hiroshi Hirata
Editora: A Seita
Páginas: 360, a preto e branco (com 8 páginas a cores)
Encadernação: Capa mole com badanas
Formato: 15,5 x 22,5 cm

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

"O Preço da Desonra", de Hirata, está de volta!



Depois da edição do primeiro volume de O Preço da Desonra, de Hiroshi Hirata, um verdadeiro sucesso editorial que obrigou a nova reimpressão do livro, a editora A Seita lançou recentemente o segundo e último volume da obra, intitulado Crónicas de Kubidai, que nos dá mais quatro histórias sobre samurais e sobre a personagem de Hanshiro.

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa da editora e com algumas imagens promocionais.


O Preço da Desonra 2 - Crónicas de Kubidai, de Hiroshi Hirata

A promessa firmada com uma nota de dívida implica pôr a vida em jogo. Quem não cumpre a promessa, comete um acto sem perdão.

Japão, período Edo. Os clãs e os seus líderes disputam território e guerreiam por poder. No calor da batalha, guerreiros samurais evitam a morte a troco de quantias exorbitantes pagas aos seus executores. Ao longo de quatro novas histórias, voltamos à companhia de Hanshiro, o implacável cobrador de dívidas, que exige que se cumpram estas promissórias. 

Com um desenho magistral, Hirata volta a contar-nos como a glória e a honra, associadas aos códigos samurais, podem cair por terra ou elevarem-se aos extremos da ética e da moral, dependendo de quem os pratica. E Portugal, através d’A Seita, é apenas o segundo país no mundo a ver todas estas histórias num único volume.

Assim como Akira Kurosawa imortalizou as histórias de samurais no cinema, Hirata deu-lhes realismo e grandeza no mangá.

A Seita e a sua chancela de mangá, a Ikigai (生きがい), tem a honra de apresentar, pela segunda vez em português de Portugal, um dos maiores mangakás da história da arte de banda desenhada, Hiroshi Hirata. Trata-se de um (cada vez menos) ilustre desconhecido em terras lusas, com um peso na nona arte que iguala gigantes como Kazuo Koike e Goseki Kojima, os autores do seminal Lone Wolf & Cub, ou Sanpei Shirato, de Kamui-Den, e mesmo Katsuhiro Otomo, do conhecido Akira. A obra que vos trazemos é O Preço da Desonra: Crónicas de Kubidai, um verdadeiro tratado do que são histórias de samurais, que nada deve a outras artes e a outros mestres como Akira Kurosawa (Ran; Yojimbo). Remete-nos para um dos mais importantes momentos da história do Japão, o período Edo, alvo de tanta curiosidade, não só pelos próprios japoneses, como também pelo resto do mundo.
Samurais e ronins, e os poderosos chefes de clãs nobres e guerreiros do Japão da época do final das guerras, no início do século XVII, quando se inicia o período Edo, são algumas das imagens e nomes que mais ressoam em todos os entusiastas de literatura de guerra e de aventura. 

É neste ambiente que decorrem as quatro novas histórias deste Shin Kubidai Hikiukenin, O Preço da Desonra: Crónicas de Kubidai. Hirata voltou à personagem de Hanshiro em 1997, e em 1999 foi publicado o volume com (quase) todas estas novas histórias. Um dos capítulos não tinha sido incluído, e foi a editora Pipoca & Nanquim, do Brasil, quem primeiro publicou este regresso, num integral com as quatro crónicas. E A Seita adapta este volume ao nosso português de Portugal, a partir da tradução de Drik Sada. Este volume inclui as quatro novas histórias da personagem, que podem todas ser lidas independentemente umas das outras (e não é necessário ter lido o primeiro volume para apreciar esta segunda recolha de histórias).

Se a imaginação dos leitores se empolga com os feitos dos samurais, das batalhas e conflitos em que se regiam pelo bushido, a via do guerreiro, toda ela feita de honra e desprezo pela morte, o próprio título deste volume anuncia que as histórias aqui incluídas se afastam dessas premissas. Porque é dos traços opostos aos do bushido que estas histórias tratam: do medo de morrer, de promessas de dinheiro a troco de ter a vida salva, da vergonha e da desonra que isso acarreta para aqueles que assinaram no campo de batalha essas notas promissórias... mas também do outro lado do espelho. Daqueles que, ao ver este lado negro, brilham mais forte, num assomo de ética e moral.

É desse modo que Hanshiro, o cobrador de dívidas, funciona como um observador imparcial, mas sensível, da realidade da vida dos samurais num dos períodos mais conturbados da história do Japão.
A edição portuguesa conta ainda com dois posfácios, um pelo próprio Hiroshi Hirata, e outro por Pedro Bouça, entusiasta da BD e da cultura japonesa em geral e do mangá em particular, e inclui igualmente oito páginas a cores que Hirata coloriu usando pela primeira vez técnicas digitais de cores.

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Ficha técnica
O Preço da Desonra 2 - Crónicas de Kubidai
Autor: Hiroshi Hirata
Editora: A Seita
Páginas: 360, a preto e branco (com 8 páginas a cores)
Encadernação: Capa mole com badanas
Formato: 15,5 x 22,5 cm
PVP: 23,99€

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Análise: O Preço da Desonra

O Preço da Desonra, de Hiroshi Hirata - A Seita

O Preço da Desonra, de Hiroshi Hirata - A Seita
O Preço da Desonra, de Hiroshi Hirata

Foi já depois de se iniciar no lançamento de mangá, com as séries Butterfly Beast e Kyo Kara Zombie, que a editora portuguesa A Seita fez uma aposta de maior fôlego, editando um dos autores mais famosos do género. Falo de Hiroshi Hirata, unanimemente considerado com um dos maiores mestres do mangá que, com este denso volume, com quase 400 páginas, da sua célebre obra O Preço da Desonra, deixa de ser inédito em Portugal!

Só por isso, esta aposta já seria, quanto a mim, uma vitória por parte d’ A Seita. Mas vai além disso. Uma coisa de que tenho vindo a apontar (sem que tal mereça que se encontre um "culpado"… it is what it is) é que o lançamento de mangá em Portugal tem incidindo muito em obras para jovens adolescentes. Nada de mal há nisso e que bom que é que esse grupo etário tenha mangá direcionado para os seus interesses. No entanto, também considero que é por essa mesma razão que o público mais maduro de banda desenhada europeia ou americana, aponte mais resistência ao mangá e a dar-lhe uma oportunidade.

O Preço da Desonra, de Hiroshi Hirata - A Seita
Todavia, temos assistido a uma (ainda) ligeira mudança de paradigma. A Devir lançou recentemente as obras Monster, Sunny ou os contos de Junji Ito que, sem dúvida, são prova clara que o mangá também tem muita oferta destinada a um público mais maduro. De certa forma, com Butterfly Beast, A Seita também já tinha feito esse statement editorial. Mas, claro, é com este O Preço da Desonra que, estou certo e desejoso, a editora vai conquistar um certo tipo de público que normalmente não lê mangá.

Em O Preço da Desonra, um conjunto de sete contos sobre um cobrador de dívidas a samurais, não temos uma história infantil. As histórias são adultas e muitas vezes até trazem consigo uma curiosa reflexão sobre a bravura (ou ausência da mesma) daqueles a que a sociedade gosta de apelidar de valentes heróis de guerra.

O protagonista é Hanshiro que tem como função a cobrança de dívidas que foram contraídas em pleno momento da batalha através de uma nota de dívida. Quando estavam à beira da morte, muitos eram os samurais que, cegos com o medo de perder a vida, agarravam-se como podiam à mesma, implorando para que a sua existência lhes fosse poupada em troca da emissão de uma dívida. Como se estivessem a comprar a própria vida, abdicando de questões mais etéreas como a nobreza, a valentia ou a honra.

O Preço da Desonra, de Hiroshi Hirata - A Seita
E como em qualquer sistema de crédito e cobranças que se preze, não há cá desculpas para ninguém: ou se paga o que se deve em dinheiro, ou se paga com o corpo. Neste caso, com a vida.

A acção toma lugar no Japão, no período Edo. E o que é mais agradável em termos de história é que, contrariamente àquilo que estamos habituados a ver em contos de samurais, em que estes são sempre gloriosos e honrados soldados, em O Preço da Desonra, vemos o outro lado da questão: o dos samurais corruptos, mentirosos, hipócritas e cobardes. Se querem uma opinião meramente pessoal, diria que as histórias que aqui nos são dadas por Hiroshi Hirata aproximar-se-ão muito mais da realidade do que aquela ideia romântica e fabricada de que os samurais eram todos uns valentes guerreiros. Portanto, em via oposta aos valores do Bushido, aqui as histórias tratam temas como o medo de morrer e como contornar essa fraqueza através do dinheiro.

Mas, claro, pagar-se para viver era uma decisão que, depois de tornada pública, trazia vergonha a qualquer família. E, também por isso, interessante é o facto do protagonista, Hanshiro, embora seja implacável na cobrança de dívidas, revelar algum humanismo perante as situações com que se depara na sua atividade. Quase como se ficasse com pena de ter que cobrar uma dívida. Embora o tenha que fazer, claro.

O Preço da Desonra, de Hiroshi Hirata - A Seita
É natural que nos lembremos da emblemática Lone Wolf & Cub, de Koike e Kojima, um dos mais célebres mangás de samurais. Mesmo assim, e muito por causa desta reflexão moral sobre os valores dos samurais que a obra levanta, O Preço da Desonra é bastante original e fiel a si mesmo.

O desenho é verdadeiramente magnífico, com Hirata a revelar-se um autêntico mestre na ilustração realista das personagens, dos seus combates, dos ambientes e, acima de tudo, das poses que transmitem inequivocamente o ambiente épico e bélico que as histórias de samurais normalmente conseguem criar no nosso imaginário. O traço a preto e branco do autor apresenta alguma sujidade que, quanto a mim, dá o ambiente certo a este tipo de histórias duras e implacáveis onde a morte espreita ao virar da página. Há ilustrações que são de tirar o fôlego!

Tenho, porém, uma queixa que, infelizmente, interfere sobejamente na boa fluição da leitura: é que as figuras masculinas desenhadas por Hirata (e em mais de 90% dos casos, são homens que aparecem nestas histórias) são demasiadamente semelhantes entre si. E isso faz com que tenhamos que andar ali à pesca, à procura de um qualquer elemento diferenciador, para perceber quem é quem e quem diz ou faz o quê. Quanto a mim, é algo que me deixa bastante frustrado quando acontece em banda desenhada. Reitero que o desenho é magnífico, sim. Mas se não conseguimos diferenciar as personagens ao longo da leitura, esta sai afetada de forma negativa. Esta é a minha grande queixa acerca deste O Preço da Desonra.

O Preço da Desonra, de Hiroshi Hirata - A Seita
Porque o que é facto é que as histórias não apresentam argumentos complexos ou com dinâmicas narrativas muito audazes, mas apresentam pontos de vista pertinentes e realidades que prendem a ação do leitor. Os desenhos são muito belos e enchem-no o olho. Mas lamentavelmente, as personagens são tão parecidas que acabamos por ficar perdidos na narrativa., que até nem é complexa.

A edição da obra apresenta capa mole, com badanas e bom papel baço, bem escolhido para o tipo de obra que temos em mãos. A encadernação e a impressão também são de boa qualidade. Embora seja um livro muito espesso, e em capa mole, depois de terminada a leitura, a lombada do meu exemplar não ficou com aquele vinco inestético que, por vezes, neste tipo de obras maiores em capa dura, acontece. No final das histórias há ainda espaço para dois posfácios: um de Hiroshi Hirata e outro de Pedro Bouça, um dos editores d’A Seita.

Portanto, concluindo, O Preço da Desonra é uma aposta ganha por parte d’ A Seita, pois traz-nos a publicação (pioneira) de um dos mestres mais bem cotados do mangá, numa bela e integral obra de samurais, completamente adequada para um público mais adulto e, diria, apreciador de banda desenhada europeia e/ou americana. É com a aposta em mangás deste gabarito e teor maduro que, estou certo, o número de leitores mais adultos vai aumentar nos próximos tempos.


NOTA FINAL (1/10):
8.7



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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O Preço da Desonra, de Hiroshi Hirata - A Seita

Ficha técnica
O Preço da Desonra
Autor: Hiroshi Hirata
Editora: A Seita
Páginas: 396, a preto e branco
Encadernação: Capa mole
Formato: 15,5 x 22,6 cm
Lançamento: Agosto de 2023

sexta-feira, 10 de novembro de 2023

A Seita lança edição integral de clássico do mangá!



aqui tinha feito menção a este título, mas volto hoje ao mesmo assunto para vos relembrar que a mais recente aposta d' A Seita no género mangá deu-se recentemente com o lançamento de O Preço da Desonra, de Hiroshi Hirata!

É um lançamento de peso, não só pela qualidade da obra, como também pelo facto de ser um volume com quase 400 páginas! E que marcou todo um género nas histórias de samurais.

Foi lançado no Amadora BD e já pode ser encontrado nas livrarias portuguesas.

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa da editora e com algumas imagens promocionais.
O Preço da Desonra, de Hiroshi Hirata

A promessa firmada com uma nota de dívida implica pôr a vida em jogo. Quem não cumpre a promessa, comete um acto sem perdão.

Japão, período Edo. Os clãs e os seus líderes disputam território e guerreiam por poder. No calor da batalha, guerreiros samurais evitam a morte a troco de quantias de dinheiro exorbitantes pagas aos seus executores. Ao longo de sete histórias, observamos Hanshiro, o implacável cobrador de dívidas, exigir que cumpram as suas promessas. Com um desenho magistral, Hirata mostra-nos como a glória e honra associadas aos códigos samurais caem por terra, revelando-se a corrupção, mentira e hipocrisia.
Assim como Akira Kurosawa imortalizou as histórias de samurais no cinema, Hirata deu-lhes realismo e grandeza no mangá.
A Seita e a sua chancela de Mangá, a Ikigai (生きがい), tem a honra de apresentar, pela primeira vez em português de Portugal, um dos maiores mangakás da história da arte de banda desenhada, Hiroshi Hirata. 

Trata-se de um ilustre desconhecido em terras lusas, mas com um peso na nona arte que iguala gigantes como Kazuo Koike e Goseki Kojima, os autores do seminal Lone Wolf & Cub, Sanpei Shirato, de Kamui-Den e mesmo Katsuhiro Otomo, do conhecido Akira. 

A obra que vos trazemos é O Preço da Desonra, um verdadeiro tratado do que são histórias de samurais, que nada deve a outras artes e a outros mestres como Akira Kurosawa (Ran; Yojimbo). 

Remete-nos para um dos mais importantes momentos da história do Japão, o período Edo, alvo de tanta curiosidade, não só pelos próprios japoneses, como também pelo resto do mundo.
Samurais e ronins, e os poderosos chefes de clãs nobres e guerreiros do Japão da época do final das guerras, no início do século XVII, quando se inicia o período Edo, são algumas das imagens e nomes que mais ressoam em todos os entusiastas de literatura de guerra e de aventura. É neste ambiente que decorrem as histórias de Kubidai Hikiukenin, O Preço da Desonra, um dos mais famosos mangás ambientados num período histórico. E se a imaginação dos leitores se empolga com os feitos dos samurais, das batalhas e conflitos em que se regiam pelo bushido, a via do guerreiro, toda ela feita de honra e desprezo pela morte, o próprio título deste volume anuncia que as histórias aqui incluídas se afastam, e bem, dessas premissas: O Preço da Desonra. Porque é dos traços opostos aos do bushido que estas histórias tratam: do medo de morrer, de promessas de dinheiro a troco de ter a vida salva, da vergonha e da desonra que isso acarreta para aqueles que assinaram no campo de batalha essas notas promissórias...

É desse modo que Hanshiro, o cobrador de dívidas que vem reclamar esse dinheiro que comprou vida a troco de vergonha e desonra, funciona como um observador imparcial, mas sensível, da verdadeira realidade da vida dos samurais num dos períodos mais conturbados da história do Japão. 

A edição portuguesa conta ainda com dois posfácios, um pelo próprio Hiroshi Hirata, e outro por Pedro Bouça, entusiasta da BD e da cultura japonesa em geral e do mangá em particular.




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Ficha técnica
O Preço da Desonra
Autor: Hiroshi Hirata
Editora: A Seita
Páginas: 396, a preto e branco
Encadernação: Capa mole
Formato: 15,5 x 22,6 cm
PVP: 22,99€

segunda-feira, 6 de novembro de 2023

Os 4 novos mangás d' A Seita!


Depois de um começo algo tímido na aposta no mangá, com as séries Butterfly Beast, de Yuka Nagate, e Kyo Kara Zombie, de Ishikawa Yugo e Araki Tsukasa, a editora A Seita tem quatro novidades em termos de mangá!

E a primeira delas até já pode ser encontrada à venda. Falo de o muito aguardao O Preço da Desonra, de Hiroshi Hirata. Uma autêntica obra-prima do mangá que a editora colocou à venda ainda no Amadora BD.

Para além disso, e no mesmo evento, a editora também aproveitou para anunciar três novidades.

A primeira é que lançará a continuação, num ciclo independente, da série Butterfly Beast. Trata-se de um segundo ciclo da série assinada por Yuka Nagate, que conta com 5 volumes. Deverá chegar às livrarias ainda durante este mês de Novembro.

Depois, a editora lançará no próximo mês de Dezembro, a série Gannibal, de Masaaki Ninomiya. É uma obra com 13 volumes e que, entretanto, até já deu origem a uma série televisiva da Netflix e que nos traz um thriller policial.

Finalmente, A Seita aposta ainda num dos mangás mais populares da atualidade que dá pelo nome de Made in Abyss. O autor desta obra de fantasia e ficção científica, que já conta com uma série de anime, é Akihito Tsukushi. A série (composta, até à data, por 12 volumes) será lançada a partir de Janeiro de 2024. 

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa da editora sobre estas três séries que estão quase a chegar às livrarias.


BUTTERFLY BEAST II vol 1, GANNIBAL vol. 1 e MADE IN ABYSS vol. 1

A Seita e a sua chancela de Mangá, a Ikigai (生きがい), tiveram recentemente o prazer de anunciar, junto com a Otaku.PT, a Shoganaicast, a Central Comics e a Amadora BD, três mangás tão diferentes quanto entusiasmantes.


Butterfly Beasrt II - Volume 1
Retomamos a saga de Oshou, geisha do bairro de Yoshiwara, na cidade de Edo no século XVII (actual Tóquio), e que, na realidade, é uma shinobi caçadora de shinobis que perderam o seu caminho. É a segunda série de Butterfly Beast, de Yuka Nagate, que completará a história em cinco volumes.

Estamos em Yoshiwara, conhecido bairro de prazer da cidade de Edo (actual Tóquio) no início do século XVII. Neste volume, Oshou não só será confrontada com uma conspiração que pretende destruir o shogunato dos Tokugawa, mas com a sua própria natureza e as suas dúvidas, quando conhece a história de Toya, o Ensanguentado, e do seu amor pela cortesã Shiraito. Envolvida nesta impossível história de paixão, Oshou acaba por confrontar-se também com sentimentos proibidos ao conhecer Hikoshiro, um homem que mudará o rumo da sua vida. 

O primeiro volume de BB II sairá já em novembro de 2023, e terá uma periodicidade bimestral, com o preço inicial de 9,99€.



Gannibal - Volume 1
Gannibal é a história do polícia Daigo Agawa, que é destacado para Kuge, uma remota vila perdida nas montanhas, para onde vai viver junto com a sua esposa e filha, na busca de uma vida mais calma.  Embora a comunidade local o receba calorosamente, a morte de uma idosa aldeã e o misterioso desaparecimento de um colega levantam dúvidas sobre o que se passa realmente nesta vila...

Série de 13 volumes pelo mangaká Masaaki Ninomiya, Gannibal é um mangá de horror que tem feito as delícias do público, por onde quer que passe. 

Começará a ser publicada em dezembro de 2023, também com uma periodicidade bimestral e com o preço inicial de 9,99€. Acabou por ser adaptada para uma série live action da Disney+, estreada em 2022 e renovada para uma segunda temporada. Neste canal de streaming, foi a série mais vista no Japão. Disponível em Portugal.



Made in Abyss - Volume 1
Made in Abyss é um mangá de fantasia e ficção científica, criado pelo mangaká Akihito Tsukushi. É a história da órfã Riko, que perdeu a mãe num misterioso Abismo. 

Esse Abismo surgiu há cerca de 1900 anos e, desde então, cidades e civilizações ergueram-se à sua volta. Exploradores intrépidos, como a mãe de Riko, desceram para as profundezas do Abismo em busca de riquezas, ou apenas para desvendar os seus enigmas. Nele encontraram relíquias e maquinarias e animais fantásticos. 

Mas Riko encontra outra coisa: um rapaz robô a que chama Reg. E Reg será a chave para o início de uma odisseia em que Riko poderá, ou não, voltar a encontrar a sua mãe. 

Made In Abyss tem, até à data, 12 volumes, mas ainda não chegou ao fim. Foi adaptada para um maravilhoso anime, já com duas temporadas de 13 episódios cada, de grande sucesso. Será editado em Portugal a partir de Janeiro de 2024, com uma periodicidade trimestral.