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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Análise: Ascender - Volumes 2, 3 e 4

Ascender - Volumes 2, 3 e 4, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen - G. Floy Studio Portugal

Ascender - Volumes 2, 3 e 4, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen - G. Floy Studio Portugal
Ascender - Volumes 2, 3 e 4, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen

Hoje falo-vos de Ascender, uma minisérie composta por 4 volumes, da autoria de Jeff Lemire e de Dustin Nguyen. Esta é uma obra que funciona como sequela da série maior Descender, da qual já aqui falei. Aliás, o próprio primeiro volume de Ascender - A Galáxia Assombrada, também já aqui foi analisado.

Agora que voltei a pegar nesta obra, a minha sensação não difere muito daquela com que tinha ficado quando li esse primeiro volume da série. É que Ascender nasceu com uma tarefa algo ingrata: a de dar continuidade a Descender, que é em tudo superior a este segundo trabalho. Depois de um universo dominado por máquinas, inteligência artificial e conflitos galácticos, o argumentista Jeff Lemire, do qual sou confesso fã, optou por uma mudança radical de paradigma, substituindo a tecnologia pela magia e transformando uma space opera futurista numa fantasia mais cósmica. 

Ascender - Volumes 2, 3 e 4, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen - G. Floy Studio Portugal
Nestes volumes 2, 3 e 4, intitulados, respetivamente, O Mar dos Mortos, O Mago Digital e Semente Estelar, a jovem Mila continua a assumir o centro da ação. À medida que os segredos da sua origem e do seu papel neste novo universo vão sendo revelados, aos poucos, a protagonista vê-se envolvida num conflito cada vez maior, onde magia, destino e sobrevivência se cruzam constantemente. Paralelamente, algumas personagens oriundas de Descender, como Andy, Effie ou o carismático TIM-21, aparecem nesta nova narrativa, permitindo a Jeff Lemire criar uma ponte mais sólida entre as duas séries.

Aquilo que inicialmente parecia ser apenas uma luta de sobrevivência transforma-se gradualmente numa história acerca da natureza do poder, da herança e do equilíbrio entre forças opostas. Ascender é quase o oposto simétrico de Descender. E procura ser um final para ambas as sagas. Sem entrar em detalhes que estraguem a experiência de quem ainda não leu a obra, diria apenas que os vários fios narrativos são reunidos para um desfecho que procura fazer justiça às personagens e ao universo criado pelos autores ao longo de dez volumes, somando Descender e Ascender.

Ascender - Volumes 2, 3 e 4, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen - G. Floy Studio Portugal
Tal como já tinha sentido ao ler o primeiro tomo desta nova série, continuo a considerar que Ascender não alcança o mesmo fulgor da série que a precedeu. A saga original apresentava uma premissa particularmente forte e abordava temas fascinantes relacionados com a inteligência artificial, a consciência das máquinas e a relação entre criador e criatura. Eram ideias muito estimulantes e que davam à obra um peso conceptual significativo. Em Ascender, a aposta na fantasia e na magia trouxe novidade ao universo criado pelos autores, é certo, mas também retirou alguma da identidade que tornava Descender tão especial. Pelo menos, quanto a mim.

Além de que um dos problemas que já tinha identificado em Descender continua igualmente presente aqui. Jeff Lemire tem uma enorme imaginação e uma grande capacidade para criar universos ricos e complexos. No entanto, também demonstra alguma tendência para introduzir demasiadas personagens, demasiadas ramificações e demasiados subplots. Por vezes, a história parece mais preocupada em expandir o seu universo do que em aprofundar a narrativa principal. Apesar disso, importa reconhecer que Ascender continua a ser uma leitura cativante. 

Ascender - Volumes 2, 3 e 4, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen - G. Floy Studio Portugal

Onde não existe quebra de qualidade é na componente gráfica ao nível da originalidade. Dustin Nguyen continua absolutamente extraordinário. O seu estilo permanece inconfundível e imediatamente reconhecível. As linhas soltas, os esboços assumidos e a utilização das aguarelas criam uma estética visual que considero única no panorama da banda desenhada atual.

E is cenários naturais, os ambientes mágicos e as criaturas fantásticas que aparecem nesta história parecem feitos à medida do seu talento. Muitas páginas assemelham-se mais a ilustrações de um livro de arte do que a vinhetas de uma série de banda desenhada convencional, havendo uma beleza muito própria na forma como as cores se espalham pelas páginas e ajudam a criar uma atmosfera simultaneamente delicada e fantástica.

Mesmo assim, nem neste ponto as coisas são perfeitas. Há alguns desenhos, especialmente no quarto e último volume da série, que revelam claramente terem sido feitos um pouco "à pressa". Bem sei que o estilo do autor é este mesmo, assumindo o esboço do desenho, mas ainda assim, torna-se mais evidente no último volume que houve um desenho menos aprimorado, talvez pela necessidade do cumprimento de um prazo mais apertado. Digo eu.

Em termos de edição, o trabalho da G. Floy Studio volta a demonstrar-se bastante bem executado. Os livros apresentam capa dura baça, bom papel brilhante no miolo e uma boa encadernação e impressão. Apenas o livro 3 apresenta conteúdo adicional. Neste caso, trata-se de um excerto de um guião.

Em suma, os livros 2, 3 e 4 de Ascender confirmam aquilo que já me parecia evidente após a leitura do primeiro volume: estamos perante uma continuação interessante para o universo criado por Jeff Lemire e Dustin Nguyen, ainda que sem atingir o mesmo nível de qualidade da série original. A história mantém interesse, as personagens continuam cativantes e a arte permanece deveras deslumbrante. Pode não possuir o impacto emocional e conceptual de Descender, mas continua a ser uma leitura recomendável para quem deseja regressar a este fascinante universo de máquinas, magia, família e destino.


NOTA FINAL (1/10):
8.2



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Ascender - Volumes 2, 3 e 4, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen - G. Floy Studio Portugal

Fichas técnicas
Ascender #2 – O Mar dos Mortos
Autores: Jeff Lemire e Dustin Nguyen
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 128, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Fevereiro de 2022

Ascender - Volumes 2, 3 e 4, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen - G. Floy Studio Portugal

Ascender #3 – O Mago Digital
Autores: Jeff Lemire e Dustin Nguyen
Editora: G. Floy Studio Portugal
Páginas: 104, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27,5 cm
Lançamento: Setembro de 2022

Ascender - Volumes 2, 3 e 4, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen - G. Floy Studio Portugal

Ascender #4 - Semente Estelar
Autores: Jeff Lemire e Dustin Nguyen
Editora: G. Floy Studio Portugal
Páginas: 112, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27,5 cm
Lançamento: Fevereiro de 2023

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Análise: Batman - Grant Morrison - Volumes 4, 5 e 6


Batman - Grant Morrison - Volumes 4, 5 e 6, de Grant Morrison, Tony Daniel, Lee Garbett, Frank Quitely, Philip Tan, Cameron Stewart, Scott Kolins, Andy Kubert, David Finch, Andy Clarke e Chris Sprouse 

A Devir tem continuado ativa na edição de livros dedicados a Batman e, em particular, à saga desenvolvida por Grant Morrison. Hoje falo-vos dos três volumes mais recentes desta famosa run do autor.

E estes números 4, 5 e 6 que hoje vos trago representam uma fase particularmente ambiciosa da longa saga que o autor construiu para o Cavaleiro das Trevas. Depois dos acontecimentos de Batman R.I.P. e da aparente morte de Bruce Wayne em Crise Final, que fecham o 4º volume da saga, Morrison afasta-se deliberadamente da abordagem tradicional ao mito de Batman para explorar questões de legado, identidade e continuidade. O resultado é uma obra que continua a distinguir-se pela enorme densidade conceptual e pela capacidade de transformar décadas de histórias dispersas numa narrativa surpreendentemente unificada. Quer dizer, mais ou menos unificada. Porque embora haja um esforço hercúleo do autor em atar muitas das pontas soltas da célebre franquia, isso também acaba por ser feito à custa de uma densidade narrativa que, por vezes, pode ser assoberbante e desconexa. Mas já lá irei.

Antes disso, reconheço que grande parte do fascínio desta obra de Morrison reside precisamente na forma como o argumentista parece encarar Batman não como um único homem, mas como uma ideia, um conceito capaz de sobreviver à ausência do seu criador. Um homem pode morrer sem que a sua ideia morra, certo? E a substituição temporária de Bruce Wayne por Dick Grayson dá força a este ponto, revelando-se uma opção corajosa. Em vez de procurar um mero imitador de Batman, Grant Morrison explora como diferentes personalidades podem encarnar o mesmo símbolo sem que este perca a sua força.

Esta nova dinâmica ganha particular relevância através da relação entre Dick Grayson e Damian Wayne. Morrison já havia introduzido Damian nos primeiros volumes, mas é aqui que, quanto a mim, a personagem encontra verdadeiramente o seu espaço. A inversão dos papéis clássicos da dupla Batman e Robin, com um Batman mais leve e acessível a contracenar com um Robin agressivo, arrogante e imprevisível, dá-nos alguns dos melhores momentos dos três volumes.

Ao mesmo tempo, Grant Morrison continua a demonstrar uma impressionante capacidade para expandir o universo da série. Talvez até em demasia, diria eu. Gotham deixa de ser apenas uma cidade dominada pelo crime e transforma-se num palco onde coexistem conspirações seculares, organizações internacionais, vilões extravagantes e até mesmo algumas reflexões metafísicas sobre o próprio conceito de heroísmo. É um guisado com muitos ingredientes. 

Por esse motivo, nestes três volumes volta a consolidar-se, por um lado, aquela que considero ser a grande virtude da escrita de Morrison em Batman: a criação de um universo rico em camadas. Quase todas as personagens parecem possuir múltiplas dimensões, motivações contraditórias e ligações inesperadas a acontecimentos anteriores. Não existem apenas heróis e vilões. É este grau de complexidade que torna a leitura especialmente estimulante para quem aprecia narrativas mais exigentes.

Por outro lado, essa mesma complexidade constitui também o principal obstáculo da obra. Morrison parece por vezes tão fascinado pelas possibilidades do seu próprio universo que acaba por sacrificar a clareza narrativa. Existem momentos em que as histórias avançam através de associações simbólicas e referências internas que nem sempre produzem uma recompensa emocional proporcional ao esforço exigido ao leitor. Sim, se aquele que me lê procura mergulhar pela primeira vez em Batman, talvez os livros de Grant Morrison não sejam a melhor porta de entrada. Pelo contrário, considero que esta saga se destina bem mais ao fã mais conhecedor de Batman.

Esta sensação torna-se particularmente evidente na enorme quantidade de subtramas que atravessam os três volumes. Conspirações internacionais, identidades secretas, mistérios ligados a várias personagens, o regresso de Bruce Wayne, os planos de organizações criminosas e os conflitos familiares sucedem-se a um ritmo quase vertiginoso. Embora seja admirável a forma como Grant Morrison tenta articular todas estas peças, nem sempre é bem-sucedido.

Na verdade, uma das conclusões a que cheguei durante a leitura destes três livros é que quantidade de subplots nem sempre é qualidade de subplots. Algumas ideias parecem existir porque contribuem para a arquitetura geral do projeto de Morrison, mas não porque sejam verdadeiramente cativantes enquanto histórias autónomas. 

Ainda assim, é impossível não admirar a capacidade do autor para planear histórias a longo prazo. Elementos introduzidos centenas de páginas antes regressam com novo significado, personagens secundárias ganham importância inesperada e referências aparentemente insignificantes revelam afinal uma função precisa dentro do conjunto. E isso é riqueza narrativa, claro.

No plano gráfico, estes três volumes mantêm um nível qualitativo muito elevado. A alternância de artistas continua a conferir diversidade visual à série, mas sem comprometer muito a identidade global do projeto. Há um equilíbrio interessante entre espetacularidade, ação, atmosfera e caracterização das personagens. Sendo talvez injusto sublinhar o trabalho de alguns desenhadores - tendo em conta que todos eles são bons - tenho que referir que apreciei especialmente os contributos de Frank Quitely, pela conhecida originalidade do traço, e de Philip Tan, pela grandiosidade do seu desenho.

Em termos de edição, o trabalho da Devir está bastante bom em todos os livros. As capas são duras, com detalhes a verniz; o papel é brilhante e de bela qualidade; e a edição, impressão e acabamentos também são muito bons. No final do volume 4, há cinco capas alternativas e um texto que procura fazer um ponto de situação da história de Grant Morrison até esse ponto. Já nos volumes 5 e 6, o conteúdo extra ainda se torna mais interessante, com 10 páginas dedicadas a explicar-nos, por texto, o trabalho de prospeção e execução das capas, dos visuais das personagens, do desenho do batmobile, incluindo vários esboços e estudos. Belas edições.

Em suma, os volumes 4, 5 e 6 reforçam aquilo que já me parecia evidente nos livros anteriores: Grant Morrison criou uma das interpretações mais complexas, ambiciosas e intelectualmente estimulantes de Batman alguma vez publicadas. Contudo, também permanece a sensação de que, por vezes, o autor se deixa seduzir em demasia pela complexidade da sua própria construção. Nem todas as subtramas justificam o espaço que ocupam e nem todos os mistérios possuem um desfecho à altura das expectativas criadas. Ainda assim, mesmo quando tropeça nos seus próprios excessos, Morrison continua a oferecer uma visão singular e fascinante de Batman que vale a pena conhecer.


NOTA FINAL (1/10):
8.2


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Fichas técnicas
Batman - Grant Morrison - Volume 4
Autores: Grant Morrison, Tony Daniel e Lee Garbett
Editora: Devir
Páginas: 176, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27 cms
Lançamento: Outubro de 2025


Batman - Grant Morrison - Volume 5
Autores: Grant Morrison, Frank Quitely, Philip Tan e Cameron Stewart,
Editora: Devir
Editora: Devir
Páginas: 152, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27 cms
Lançamento: Fevereiro de 2026


Batman - Grant Morrison - Volume 6
Autores: Grant Morrison, Cameron Stewart, Tony Daniel, Frank Quitely, Scott Kolins, Andy Kubert, David Finch, Andy Clarke e Chris Sprouse 
Editora: Devir
Páginas: 188, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27 cms
Lançamento: Abril de 2026

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

TOP 10 - A Melhor BD lançada pela G. Floy Studio nos últimos 5 anos!


Hoje trago-vos as 10 melhores bandas desenhadas editadas pela G. Floy Studio nos últimos 5 anos! 

Esta editora que nos últimos anos até tem andado algo tímida no que ao lançamento de banda desenhada diz respeito, editou inúmeras bandas desenhadas de qualidade superior entre os anos 2020 e 2025, contribuindo com a sua parte para que a 9ª arte tenha vivido um momento tão bom na última meia década.

Convém relembrar que este conceito de "melhor" é meramente pessoal e diz respeito aos livros que, quanto a mim, obviamente, são mais especiais ou me marcaram mais. Ou, naquela metáfora que já referi várias vezes, "se a minha estante de BD estivesse em chamas e eu só pudesse salvar 10 obras, seriam estas as que eu salvava".

Faço aqui uma pequena nota sobre o procedimento: considerei séries como um todo e obras one-shot. Tudo junto. Pode ser um bocado injusto para as obras autocontidas, reconheço, e até ponderei fazer um TOP exclusivamente para séries e outro para livros one-shot, mas depois achei que isso seria escolher demasiadas obras. Deixaria de ser um TOP 10 para ser um TOP 20. Até me facilitaria o processo, honestamente, mas acabaria por retirar destaque a este meu trabalho que procura ser de curadoria. Acabou por ser um exercício mais difícil, pois tive que deixar de fora obras que também adoro, mas acho que quem beneficia são os meus leitores que, deste modo, ficam com a BD que considero ser a "crème de la crème" de cada editora.

Portanto, sem mais demoras, aqui estão elas, as 10 Melhores BDs da G. Floy Studio:

quarta-feira, 19 de abril de 2023

G. Floy Studio lança último volume de Ascender!



A editora G. Floy Studio prepara-se para lançar o último volume da série de Ascender, um spinoff da série Descender, dos autores Jeff Lemire e Dustin Nguyen.

O livro deverá chegar às livrarias e bancas no próximo dia 26 de Abril.

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa da editora e com algumas imagens promocionais .

Ascender #4 - Semente Estelar, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen

A épica saga de fantasia espacial dos criadores JEFF LEMIRE e DUSTIN NGUYEN que começou nas páginas de DESCENDER chega aqui à sua espectacular conclusão!

Enquanto a Mãe reúne as suas forças para dizimar a Resistência, os nossos heróis encontram um velho amigo que lhes revela os segredos mais obscuros do universo. Com o destino de tudo em jogo, quem permanecerá de pé quando as forças da magia e da tecnologia colidirem?

Reúne os números #15-18 da série ASCENDER.

ASCENDER é uma história de Jeff Lemire (GIDEON FALLS, Sweet Tooth) e Dustin Nguyen (Batman, Secret Hero Society), que nos levam numa inesquecível aventura de fantasia tão ambiciosa e emotiva quanto o seu clássico de ficção científica, DESCENDER.


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Ficha técnica
Ascender #4 - Semente Estelar
Autores: Jeff Lemire e Dustin Nguyen
Editora: G. Floy Studio Portugal
Páginas: 112, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27,5 cm
PVP: 17,00€

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

G. Floy Studio publica mais um volume de Ascender!




O terceiro volume de Ascender, intitulado O Mago Digital, prepara-se para chegar às livrarias!

A saga de Jeff Lemire e Dustin Nguyen que continua, ou melhor, desenvolve os acontecimentos vividos em Descender, já vai no seu terceiro volume. 

A edição deste álbum que chegará às livrarias a partir do dia 19 de Outubro é, como não podia deixar de ser, da G. Floy Studio.

Mais abaixo, deixo-vos a nota de imprensa e algumas imagens promocionais.

Ascender #3 – O Mago Digital, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen
A série de fantasia de sucesso da equipa criativa de JEFF LEMIRE e DUSTIN NGUYEN continua!

A capitã Telsa faz o que pode para se livrar da jovem Mila e de Bandit, mas as coisas tornam-se mais complicadas ainda quando outro elemento se tenta juntar ao grupo: Broca, o robô assassino! Com este e o seu fiel companheiro, o feiticeiro Mizerd, talvez o grupo consiga por fim fazer frente à Mãe e ao seu exército de vampis. Enquanto isso, Andy tenta ressuscitar o seu amor, Effie, do estado de não-morte em que se encontra.

Reúne os números #11-14 da série ASCENDER.

ASCENDER é uma história de Jeff Lemire (GIDEON FALLS, Sweet Tooth) e Dustin Nguyen (Batman, Secret Hero Society), que nos levam numa inesquecível aventura de fantasia tão ambiciosa e emotiva quanto o seu classico de ficção científica, DESCENDER.

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Ficha técnica
Ascender #3 – O Mago Digital
Autores: Jeff Lemire e Dustin Nguyen
Editora: G. Floy Studio Portugal
Páginas: 104, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27,5 cm
PVP: 17,00€

quinta-feira, 10 de março de 2022

G. Floy Studio publica o segundo livro da série Ascender!




Ascender
, a série que serve como continuação da obra Descender, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen, está de volta!

Este livro, da G. Floy Studio, deverá chegar às livrarias especializadas e generalistas já a partir de 18 de Março e, às bancas, a partir de 23 de Março. 

Abaixo, fiquem com a nota de imprensa e imagens promocionais.

Ascender #2 – O Mar dos Mortos, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen

Passou-se uma década desde os eventos da série DESCENDER. Tudo mudou desde então. A magia destronou as máquinas, e as regras são agora bem diferentes.

A série de fantasia de sucesso da equipa criativa de luxo de Jeff Lemire e Dustin Nguyen continua! Após uma tentativa de fuga falhada do planeta Sampson, Andy encontra-se nas garras da Milícia, o que significa que a terrível Mãe não tarda. Entretanto, Mila encontra-se a bordo de um barco pilotado pela irascível capitã Telsa, e os vampiros que dominam esta estranha nova galáxia vêem-se alvo da atenção de Kanto, o mais implacável caçador devampiros do universo!

Em Ascender, os criadores best-seller do New York Times Jeff Lemire (Gideon Falls, Sweet Tooth) e Dustin Nguyen (Batman, Secret Hero Society) levam os leitores numa inesquecível aventura de fantasia com o mesmo vasto fôlego e alma do seu clássico de ficção científica Descender.

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Ficha técnica
Ascender #2 – O Mar dos Mortos
Autores: Jeff Lemire e Dustin Nguyen
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 128, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 17,00€

quinta-feira, 8 de julho de 2021

Análise: Ascender #1 - A Galáxia Assombrada

Ascender #1 - A Galáxia Assombrada, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen - G. Floy Studio

Ascender #1 - A Galáxia Assombrada, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen - G. Floy Studio

Ascender #1 - A Galáxia Assombrada, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen

Jeff Lemire e Dustin Nguyen, autores da série Descender, cujos 6 volumes estão publicados na íntegra em Portugal pela editora G. Floy Studio, estão de volta ao mesmo universo com este Ascender.

Ascender continua os eventos de Descender embora existam algumas diferenças entre ambas as séries. Passados 10 anos desde a apoteose que o último volume, Descender - A Guerra das Máquinas, trouxe consigo, com os colectores a destruírem tudo à sua volta, encontramo-nos agora perante um universo totalmente alterado. Já não há naves nem robots e as máquinas foram derrotadas pela magia. Quem domina este mundo é, por isso, a bruxa vampira Mãe que, juntamente com o seu exército, persegue qualquer tipo de inteligência artificial que ainda não tenha sido aniquilada.

Portanto, se Descender era mais ficção científica “pura e dura”, Ascender mantendo-se, claro está, uma história sci-fi, dá lugar a um conto mais marcado por elementos fantásticos, assentes na magia e no sobrenatural.

Ascender #1 - A Galáxia Assombrada, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen - G. Floy Studio
E, ao contrário do jovem andróide TIM-21, que protagonizava a saga anterior, aqui a personagem principal é Mila, a filha de Andy e Effie. A história arranca com a pequena Mila a explorar as florestas do planeta Sampson, onde os seus pais se tentaram refugiar dos discípulos que operam para a bruxa vampira Mãe. Mas, tal como os seus pais, Mila não cumpre as regras que lhe são impostas pelo pai e todos acabam por mergulhar em mais uma aventura alucinante, alicerçada numa perseguição por toda a galáxia com bons momentos de ação.

Jeff Lemire trabalha muito bem a personagem de Mila e o relacionamento e dúvidas existenciais que a habitam num universo que, aos seus olhos, é tão desprovido de vida. E a relação desta com o seu pai – e com o velho amigo que acabam por encontrar – também é muito cativante de acompanhar. Também os próprios flashbacks, que nos permitem conhecer o que aconteceu com Andy e Effie, no tal período de 10 anos, são o que de mais interessante este primeiro Ascender traz consigo. No entanto, devo admitir que a história me parece mais embrulhada em si mesma. É certo que apenas estou a analisar o primeiro volume e, eventualmente, Jeff Lemire pode – e deve – unir as pontas, que até agora deixou algo soltas, e criar mais uma saga impactante. Porém, mantenho-me ainda algo cético quanto a isso.

Ascender #1 - A Galáxia Assombrada, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen - G. Floy Studio

Já em relação à arte ilustrativa de Dustin Nguyen, tenho uma opinião diferente. O estilo característico do autor, mantém-se fiel àquilo que fez em Descender. Todavia, olhando com atenção, vemos que a sua arte aparece mais depurada. Assim, e especialmente na parte dos cenários, são vários os exemplos onde o autor parece ter aplicado diretamente as cores sem que, anteriormente, tivessem sido feitas linhas-guia. Isto faz com que vários cenários – especialmente os da natureza – ganhem uma vivacidade e beleza singular, e que façam lembrar quadros pintados em bonitas aguarelas. Quanto às partes que são desenhadas, antes de receberem a cor, o autor mantém o seu estilo que, sendo simplista, está agora – parece-me! – mais cuidadoso com as expressões das personagens. Mila é particularmente graciosa na forma como é ilustrada pelo autor.

De resto, e tal como escrevi na análise a Descender, o modus operandi de Nguyen mantém-se o mesmo, “conferindo (…) um estilo muito próprio e personalizado que faz com que seja facilmente reconhecível só por folhearmos as páginas. O autor teve a brilhante ideia de apresentar um estilo de traço fino, baseado no esquisso, mas que deixa as linhas guias sobrepostas e visíveis. Como depois aplica as cores através de suaves aguarelas, ficamos com um resultado muito bonito que, quase sempre, funciona muito bem. Parecem, pois, ilustrações futuristas por um lado mas, ao mesmo tempo, igualmente clássicas devido à forma, a lembrar pintura antiga, com que são coloridas. Certos fundos das ilustrações apresentam uma textura que fazem com as que as mesmas tenham uma aura artesanal. O resultado acaba por ser raro e original.”

Ascender #1 - A Galáxia Assombrada, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen - G. Floy Studio

É certo que certas ilustrações permanecem, tal como em Descender, demasiado cruas ou inacabadas, parecendo que mereciam mais algum trabalho por parte do autor, mas, não obstante, também é isso que torna a arte de Nguyen em algo único. E, globalmente, relevante e belo.

Faço um destaque para a bonita capa deste volume. Descender já tinha tido belas capas, mas a capa deste Ascender tem uma classe e uma beleza sofisticada, que nos convida a querer entrar neste universo. Tantas vezes refiro a importância de se ter uma boa capa para cativar os leitores para o resto. E, neste caso concreto, Dustin Nguyen foi muito feliz nos seus intentos.

A edição da G. Floy está em linha com aquilo a que a editora nos tem acostumado: boa encadernação, boa impressão, capa dura e papel brilhante de boa qualidade. Nada a apontar negativamente, portanto.

Em suma, este é um arranque interessante para a série, que vai beber a Descender relativamente ao universo criado e algumas das suas personagens mas que consegue, ainda assim, não ser “mais do mesmo”. Na verdade, o facto de a premissa ter sido alterada tão significativamente, com o universo da ficção científica a dar lugar a uma aura do fantástico e da magia, até pode afastar alguns fãs da série anterior. Por outro lado, também é verdade que, por essa mesma razão, também pode conquistar novos leitores que não tinham gostado tanto da série anterior. No meu caso, e mesmo ficando aquém do que eu esperava, não deixa de me deixar intrigado e com interesse para o que ainda vem aí para estas personagens.


NOTA FINAL (1/10):
8.0



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Ascender #1 - A Galáxia Assombrada, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen - G. Floy Studio

Ficha técnica
Ascender #1 - A Galáxia Assombrada
Autores: Jeff Lemire e Dustin Nguyen
Editora: G. Floy Studio Portugal
Páginas: 136, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Abril de 2021

segunda-feira, 24 de maio de 2021

Lançamento: Ascender #1 - A Galáxia Assombrada



E aí está ele! A G. Floy Studio publica na próxima semana o primeiro livro da série Ascender, que continua os eventos de Descender. Os autores são os mesmos: Jeff Lemire e Dustin Nguyen.

O livro chegará às livrarias e bancas no próximo dia 2 de Junho.


Abaixo, fiquem com algumas imagens promocionais e com a sinopse da obra.


Ascender #1 - A Galáxia Assombrada, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen
Passou-se uma década desde os eventos da série DESCENDER. Tudo mudou desde então. A magia destronou as máquinas, e as regras são agora bem diferentes. Mila, a filha de Andy e Effie, passa os dias a explorar as florestas do planeta Sampson, tentando manter-se a salvo dos discípulos malignos da toda-poderosa bruxa vampira conhecida como Mãe.

Mas, tal como os pais, Mila não joga segundo as regras, e, assim que surge um certo amigo robótico do pai dela, tudo acaba virado do avesso. 

Em ASCENDER, os criadores best-seller do New York Times Jeff Lemire (GIDEON FALLS, Sweet Tooth) e Dustin Nguyen (Batman, Secret Hero Society) levam os leitores numa inesquecível aventura de fantasia com o mesmo vasto fôlego e alma do seu clássico de ficção científica DESCENDER. 
Originalmente publicado em formato comic como Ascender #1-5 (2019) 

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Ficha técnica
Ascender #1 - A Galáxia Assombrada
Autores: Jeff Lemire e Dustin Nguyen
Editora: G. Floy Studio Portugal 
Páginas: 136, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 15,00€ 

segunda-feira, 3 de maio de 2021

Análise: Descender - Série Completa

Descender – Série Completa, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen - G. Floy Studio


Descender – Série Completa, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen - G. Floy Studio
Descender – Série Completa, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen

Já andava para ler há bastante tempo esta série da autoria de Jeff Lemire e Dustin Nguyen. Tendo esperado para que a mesma se encontrasse fechada, li agora, e sem pausas, os seis volumes que compõem Descender que, em Portugal foram editados pela G. Floy Studio.

Esta história de ficção científica passa-se num universo futurista povoado por numerosos planetas. E depois de, passados dez anos, ter acontecido uma invasão de robots do tamanho de planetas, os "Colectores", que devastaram toda a galáxia e dizimaram milhões de humanos, um jovem andróide chamado TIM-21 acorda isolado de qualquer forma de vida. Por essa altura, decorridos os tais 10 anos do ataque dos máquinas gigantes, já os robots passaram a ser proibidos, destruídos ou procurados enquanto foras-da-lei. Mas quando inúmeras fações desobrem que TIM-21 possui no seu ADN mecânico o segredo dos Colectores, este pequeno robot que fora concebido enquanto robot de companhia, transporma-se na máquina mais procurada por todos. Entretanto a história vai avançando, com o argumentista Jeff Lemire a saber dosear alguns momentos marcantes que, no final de cada um dos volumes, funcionam como cliff hangers para prender o leitor. À medida que a narrativa se desenrola, tudo caminha para que haja uma guerra total entre todas as fações e que irá opor as máquinas contra os humanos.

Descender – Série Completa, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen - G. Floy Studio
Este é um universo muito bem encetado pelo autor canadiano Lemire que, em Descender, sabe lançar-nos várias questões sobre como seria (ou como será?) um universo em que as máquinas tão desenvolvidas começam a tornar-se sentientes, com consciência de si mesmas e até com sentimentos, o que poderá ser uma ameaça para a humanidade. É verdade que a ideia já foi explorada várias vezes noutros meios, mas o célebre autor parece querer levar-nos por um novo caminho. Nesta grande saga, é levantada a questão da ética de homens para máquinas. E mesmo que as máquinas tenham sido pensadas para ajudar os homens, fazendo o seu trabalho, abre-se-nos toda uma nova dimensão de análise, se pensarmos que o facto destas máquinas, tão desenvolvidas, terem adquirido pensamento próprio, as levaria a travar com a humanidade uma guerra baseada num conflito de valores. Porque, afinal de contas, ser-se inteligente e escravo em simultâneo não é algo congruente e, logicamente, as máquinas começariam a rebelar-se. É esta a premissa principal que Lemire nos oferece neste épico Descender

Tendo em TIM-21 a personagem principal de toda esta saga, é justo dizer que o autor foi muito feliz na introdução de TIM-22 que funciona como nemésis de TIM-21, mostrando-nos um outro lado, totalmente inverso, em relação à forma como um robot com uma sensibilidade e inteligência emocional tão desenvolvida, poderia funcionar.

Descender – Série Completa, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen - G. Floy Studio
Onde Jeff Lemire se perdeu um pouco foi na tentativa de tentar criar um universo (demasiado) complexo, colocando muitas coisas na sua “panela” narrativa, que acabam por retirar foco e atenção à história principal. Ponho as coisas desta forma: se olharmos bem para a narrativa destes 6 livros, até estamos perante uma história mais do que linear. Senão vejamos: existe um robot que tem no seu ADN mecânico os segredos dos Colectores, os enormes robots que, sendo autênticos colossos, podem ser usados como poderosas máquinas de guerra. E depois de se descobrir este pequeno grande segredo, todas as fações vão atrás deste pequeno andróide. Assim, embora existam 3 narrativas principais: a de TIM-21; a de Telsa e Quon; e a de Andy, o irmão de TIM-21, que se faz acompanhar da sua namorada Effie, de Broca e de Bandit. É lógico que todas estas personagens têm alguma relevância para a história. Mas creio que teria sido mais bem conseguido se existissem menos personagens mas melhor trabalhadas. Acaba por me parecer que Lemire se desvia um pouco da premissa principal.

Acho também – embora isto já seja uma observação bem mais pessoal – que toda esta narrativa de homem vs máquina e da relação entre ambos poderia muito bem ter sido ambientada no planeta Terra, numa realidade temporal mais próxima, em vez de num conjunto algo denso de planetas que, mais uma vez, parecem ser utilizados pelo autor mais para construir um universo narrativo do que, propriamente, para servir a narrativa principal. 

Descender – Série Completa, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen - G. Floy Studio
Todo o conjunto de planetas são mais uma distração do que um verdadeiro plus. Talvez até seja por isso que em cada um dos livros os autores se tenham visto forçados a colocarem um Atlas dos Planetas Principais do Conselho Galáctico Unido que mais não é do que uma cábula para ajudar o leitor a não se perder. Todos estes nomes de planetas, de espécies, são algo dispensáveis para a história principal. 

Percebo a tentativa de tentar apelar a um conjunto de leitores fãs de obras como Bladerunner, Star Wars, 5º Elemento ou Star Trek. Se bem que, a referência que, a meu ver, está mais presente em Descender é mesmo o clássico de cinema Terminator por colocar em oposição o homem contra a máquina. Já para não falar que a capa do 5º volume parece um cartaz (ou homenagem) à célebre saga de James Cameron, protagonizada por Arnold Swarzenegger. E, lá está, não foi por se passar no planeta Terra apenas que essa história não foi marcante. Obviamente que compreendo que Jeff Lemire tenha procurado a sua própria história e certamente não quereria fazer outro Terminator mas insisto que toda a saga espacial da narrativa foi exatamente o que me fez não ficar tão agarrado à história. 

Porque o seu suco é mesmo o desenvolvimento relacional das máquinas, a criação de laços e o que distingue, no fim de contas, o homem da máquina. Foi isso o que mais gostei em Descender. E isso é muito bem explorado por Jeff Lemire. Mas lamento que o autor e a história tenha enverederado para demasiadas ramificações e subplots

Descender – Série Completa, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen - G. Floy Studio
Assinalo ainda que, até ao quarto volume, eu estava muito maravilhado com a história que me estava a ser contada. Mas, infelizmente, a partir daí, parece-me que a narrativa fica um bocado all over the place e que Jeff Lemire não é capaz de agarrar convenientemente a premissa nuclear do conto futurista que racional e inteligentemente criou. A partir do quinto volume, até ao sexto, parece haver um urgência do autor em finalizar a história. Mas poderia fazê-lo de forma mais marcante, na minha opinião.

Destaque positivo para alguns momentos narrativos que considerei muito bons: quando, no segundo volume, e através de vários flashbacks, voltamos atrás no tempo, percebendo a importância que TIM-21 teve na vida de Andy, são-nos dadas sequências muito boas. Quer em termos de texto, quer em termos de ilustração, com Nguyen mais inspirado do que nunca. E, também, no quarto volume, quando a ação é-nos dada de forma tripartida, qual circo de 3 pistas, mostrando-nos a luta de TIM-21 e TIM-22, o romance entre Andy e Effie e a fuga de Telsa e Quon, estamos perante uma sequência fantástica!

A arte de Dustin Nguyen é extremamente marcante e bela, conferindo a esta série um estilo muito próprio e personalizado que faz com que seja facilmente reconhecível só por folhearmos as páginas. O autor teve a brilhante ideia de apresentar um estilo de traço fino, baseado no esquisso, mas que deixa as linhas guias sobrepostas e visíveis. Como depois aplica as cores através de suaves aguarelas, ficamos com um resultado muito bonito que, quase sempre, funciona muito bem. Parecem, pois, ilustrações futuristas por um lado mas, ao mesmo tempo, igualmente clássicas devido à forma, a lembrar pintura antiga, com que são coloridas. Certos fundos das ilustrações apresentam uma textura que fazem com as que as mesmas tenham uma aura artesanal. O resultado acaba por ser raro e original. 

Descender – Série Completa, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen - G. Floy Studio
A conceção gráfica das personagens também merece menção. De facto, as personagens de Descender são bastante originais, havendo desde figuras humanas, a robots de todas as formas e feitios e personagens mais monstruosas no aspeto. Tudo executado com bastante criatividade e com cores frias que assentuam o cariz sintético de uma obra futurisa, de ficção científica onde as máquinas são preponderantes. Porém, devo dizer que, na minha opinião, o estilo adotado por Nguyen não funciona tão bem em cenas de ação e luta. Aí, o tal traço simplista e as cores em aguarela tornam-se muito difusas, não ficando muito claro o que está a acontecer. Diria que é o único calcanhar de Aquiles da obra em termos ilustrativos. Porque, fora isso, é uma obra espetacular em tantos momentos.

A boa edição da G. Floy Studio mantém-se constante ao longo dos 6 volumes. Capas duras, papel brilhante de boa qualidade e um bom grafismo fazem com que a série seja muito apelativa no cômputo da edição. Uma nota positiva deve ter ser dada à editora por ter completado a série. Além disso, aqueles que ficaram/ficarem fãs da série têm uma boa notícia: é que, ainda neste mês de Maio, deverá chegar-nos Ascender, dos mesmos autores, continuando a história aqui iniciada, tal como já tinha sido revelado aqui no Vinheta 2020.

Em suma, esta é uma saga grandiosa e megalómana que nos leva a um mundo futurista onde máquinas passaram a ter consciência de si mesmas e operam uma enorme guerra contra a humanidade. Cheia de momentos marcantes e de uma ótima ilustração por parte de Nguyen, acho que a história poderia ser mais bem conjuntada em si mesma, não divagando para tantas subplots de outras personagens. Não obstante, também é verdade que Lemire sabe prender o leitor a esta inteligente e oportuna trama e, por esse motivo - e mais uns tantos - é uma leitura que se recomenda.


NOTA FINAL (1/10):
8.8



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Descender – Série Completa, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen - G. Floy Studio

Fichas técnicas
Descender Vol. 1 – Estrelas de Lata
Autores: Jeff Lemire e Dustin Nguyen
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 152, a cores
Encadernação: capa dura
Lançamento: Fevereiro de 2018

Descender – Série Completa, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen - G. Floy Studio

Descender Vol. 2 – Lua Máquina
Autores: Jeff Lemire e Dustin Nguyen
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 136, a cores
Encadernação: capa dura
Lançamento: Julho de 2018

Descender – Série Completa, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen - G. Floy Studio

Descender vol. 3: Singularidades
Autores: Jeff Lemire e Dustin Nguyen
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 120, a cores
Encadernação: capa dura
Lançamento: Fevereiro de 2019

Descender – Série Completa, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen - G. Floy Studio

Descender Vol. 4 – Mecânica Digital
Autores: Jeff Lemire e Dustin Nguyen
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 120, a cores
Encadernação: capa dura
Lançamento: Agosto de 2019

Descender – Série Completa, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen - G. Floy Studio

Descender vol. 5: Ascensão das Máquinas
Autores: Jeff Lemire e Dustin Nguyen
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 118, a cores
Encadernação: capa dura
Lançamento: Janeiro de 2020

Descender – Série Completa, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen - G. Floy Studio

Descender vol. 6: A Guerra das Máquinas
Autores: Jeff Lemire e Dustin Nguyen
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 160, a cores
Encadernação: capa dura
Lançamento: Julho de 2020