Mostrar mensagens com a etiqueta Xico Santos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Xico Santos. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Análise: Os Lusíadas

Os Lusíadas, de Pedro Vieira de Moura, Daniel Silvestre, João Lemos, Miguel Rocha, Rami Tannous e Xico Santos - Levoir e RTP


Os Lusíadas, de Pedro Vieira de Moura, Daniel Silvestre, João Lemos, Miguel Rocha, Rami Tannous e Xico Santos - Levoir e RTP
Os Lusíadas, de Pedro Vieira de Moura, Daniel Silvestre, João Lemos, Miguel Rocha, Rami Tannous e Xico Santos

Foi com o segundo volume de Os Lusíadas, a adaptação para banda desenhada da obra-prima de Luís de Camões, que a Levoir fechou a sua coleção dedicada aos Clássicos da Literatura Portuguesa em BD que a editora editou em parceria com a RTP.

Depois de lidos os dois volumes de uma só vez, para melhor poder imergir na obra, falo-vos hoje neste trabalho que junta o nome de seis autores nacionais! Um argumentista e cinco ilustradores! Algo que não vemos todos os dias!

Os Lusíadas, de Pedro Vieira de Moura, Daniel Silvestre, João Lemos, Miguel Rocha, Rami Tannous e Xico Santos - Levoir e RTP
O que me leva já para à primeira observação de que, com este Os Lusíadas, estamos perante uma empreitada de enorme valor, quer do ponto de vista ludo-educativo, quer do ponto de vista conceptual e artístico. 

Trata-se de uma obra que se apresenta com um vigor estético que merece todas as vénias, uma vez que os vários ilustradores que participam neste trabalho conseguiram dotá-la de uma beleza ímpar e de uma inspiração conjunta, capaz de captar a atenção de leitores de diferentes idades e formações. A própria materialidade da obra, o seu desenho e composição, refletem uma intenção clara de transformar um clássico da literatura portuguesa numa experiência visual intensa e tão acessível quanto possível, tendo em conta o próprio estilo ilustrativo dos autores, claro está.

É natural que, em termos visuais, não se trate de uma obra homogénea, dado o número e diversidade dos estilos gráficos dos autores envolvidos. No entanto, neste caso concreto, essa diversidade não prejudica a continuidade narrativa; antes, contribui para enriquecer a obra. Os Lusíadas é, por si só, um texto repleto de camadas narrativas, episódios distintos e variações de tom, o que permite acomodar diferentes linguagens visuais sem que se quebre a unidade da história. A pluralidade de estilos acaba, pois, por refletir a própria complexidade e riqueza do poema original de Camões e, nesse sentido, podemos dizer que a escolha dos ilustradores foi uma aposta ganha.

Os Lusíadas, de Pedro Vieira de Moura, Daniel Silvestre, João Lemos, Miguel Rocha, Rami Tannous e Xico Santos - Levoir e RTP
Miguel Rocha é o autor que, no somatório dos dois livros, ilustra o maior número de páginas, e o seu trabalho revela-se extremamente evocativo. As suas ilustrações conseguem transmitir a grandiosidade das aventuras marítimas, bem como os momentos de introspeção e de tensão narrativa, criando imagens que permanecem na memória do leitor. A força expressiva de Rocha marca a obra e serve como fio condutor para os diversos outros estilos que surgem depois ao longo do livro, garantindo uma base sólida.

Além do trabalho de Rocha, também as páginas de Daniel Silvestre se destacam através da intensidade e originalidade do seu traço, que confere a certas passagens uma expressividade singular, tornando-as visualmente memoráveis. É inequívoco o talento deste autor, que consegue equilibrar detalhe e dinamismo e, em termos de narrativa, opera como que uma nova passagem, um portal, para o próprio Luís de Camões enquanto personagem cativa dentro da sua própria obra. Refira-se ainda que sendo estilos bastante díspares, os de Miguel Rocha e de Daniel Silvestre, há paginas especialmente bem sucedidas na forma airosa e imaginativa como se passa de um universo para o outro de forma orgânica.

Os Lusíadas, de Pedro Vieira de Moura, Daniel Silvestre, João Lemos, Miguel Rocha, Rami Tannous e Xico Santos - Levoir e RTP
João Lemos oferece páginas mais leves e refrescantes, proporcionando um contraponto bem-vindo às ilustrações mais densas ou dramáticas dos demais ilustradores. A sua abordagem é marcada por traços fluidos e uma paleta que transmite alegria, permitindo que certas passagens do poema, especialmente aquelas de caráter mais contemplativo ou narrativo, ganhem leveza e dinamismo.

No segundo volume, o trabalho de Xico Santos e Rami Tannous também merece louvor. Xico Santos imprime força e solidez através de uma abordagem de banda desenhada mais clássica na forma, enquanto Rami Tannous demonstra capacidade para dotar a obra de (mais) uma abordagem singular em termos pictóricos, que nos remete para um estilo de outro tempo e de outro lugar. Cada ilustrador traz algo distinto, mas complementar, contribuindo para que a adaptação seja não apenas visualmente apelativa, mas também diversificada e multifacetada.

A adaptação do texto de Camões ficou a cargo de Pedro Vieira de Moura, que já tinha desempenhado semelhante função noutros clássicos desta coleção, como Mensagem ou Sermão de Santo António aos Peixes. E Pedro Moura volta a ter mérito, conseguindo transportar a linguagem e a grandeza da epopeia para o formato da banda desenhada, preservando a essência da narrativa e os principais episódios de Os Lusíadas.

Os Lusíadas, de Pedro Vieira de Moura, Daniel Silvestre, João Lemos, Miguel Rocha, Rami Tannous e Xico Santos - Levoir e RTP
Apesar da escolha acertada de dividir a adaptação em dois volumes, permanece, porém, um sentimento de incompletude quando terminamos a leitura. Ou de uma certa sensação de que fomos apenas presenteados com episódios soltos, sem que depois houvesse uma coluna vertebral que unisse todos os pontos. A densidade e riqueza do texto original exigem uma condensação, e ainda que a divisão seja compreensível, o resultado deixa a sensação de que há episódios ou detalhes que não foram plenamente explorados. 

Por outro lado, e apesar do que acabei de referir, assiste-se também a um sobrepovoamento de texto em muitas páginas que, embora necessário para manter fidelidade ao poema, pode afastar alguns leitores.

O excesso de texto em algumas páginas compromete, sem dúvida, o ritmo visual da banda desenhada. As vinhetas tornam-se carregadas e, em certos momentos, a leitura da imagem compete com a leitura do texto, diminuindo a fluidez narrativa. O que é que poderia ter atenuado este problema? É simples... um maior número de páginas. Ou, não as tendo, uma maior divisão da obra original, abdicando de mais momentos. Assim, como foi feito, ficamos pelo meio: tentou-se meter muita coisa em pouco espaço, mesmo tendo em conta que são dois os livros.

Quanto à edição, os livros apresentam capa dura baça, com bom papel brilhante no interior, e uma boa encadernação e impressão. O primeiro livro é complementado com um dossier informativo acerca da obra original de Camões e do seu contexto histórico, que é bastante relevante. 

O que também é relevante, mas pelas más razões, é que várias páginas do segundo livro se encontrem sem legendas, quando foram pensadas e trabalhadas para serem legendadas. Ora, isto é lastimoso para a experiência do leitor e põe em causa o bom trabalho da editora. Esta, tentou corrigir o erro apresentando uma errata com o texto em falta nas mencionadas páginas, numa tentativa de tornar menos penosa a situação para o leitor. Erros acontecem a toda a gente, bem sei, mas é na resolução dos mesmos e, por ventura mais importante ainda, na garantia que tal coisa não voltará a acontecer no futuro, que as editoras conquistam a confiança dos leitores. Infelizmente, também tinha acontecido coisa semelhante - embora menos badalada - com a mesma editora no livro Dorian Gray - que, por acaso, e com pena minha, é um livro belíssimo - em que também houve páginas com balões sem texto. Se tenho afirmado que, por vezes, certas queixas e críticas feitas à Levoir são injustas, outras há, como é o caso, que são indefensáveis. 

Abaixo, podem ver, à esquerda, um exemplo do que o livro acabou por ser e, à direita, aquilo que o livro seria se não tivesse havido este lamentável erro.

Os Lusíadas, de Pedro Vieira de Moura, Daniel Silvestre, João Lemos, Miguel Rocha, Rami Tannous e Xico Santos - Levoir e RTP


Em síntese, a adaptação para BD, em dois volumes, de Os Lusíadas é uma obra de grande mérito artístico e conceptual. A pluralidade de estilos gráficos e o vigor estético da obra tornam-na rica e envolvente, enquanto a adaptação cuidadosa de Pedro Vieira de Moura garante uma ligação sólida com o poema original. Apesar de algumas limitações no ritmo e na quantidade de texto, bem como um lapso clamoroso com a edição da obra, esta é uma iniciativa louvável, que oferece aos leitores uma experiência visual e literária única, aproximando um clássico português das novas gerações e de um público mais amplo.


NOTA FINAL (1/10):
8.3




Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens dos álbuns. www.instagram.com/vinheta_2020




-/-

Os Lusíadas, de Pedro Vieira de Moura, Daniel Silvestre, João Lemos, Miguel Rocha, Rami Tannous e Xico Santos - Levoir e RTP

Fichas técnicas
Os Lusíadas - Primeira Parte
Autores: Pedro Moura, Daniel Silvestre, João Lemos e Miguel Rocha
Adaptado a partir da obra original de: Luís de Camões
Editora: Levoir
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
Lançamento: Outubro de 2024

Os Lusíadas, de Pedro Vieira de Moura, Daniel Silvestre, João Lemos, Miguel Rocha, Rami Tannous e Xico Santos - Levoir e RTP

Os Lusíadas - Segunda Parte
Autores: Pedro Moura, Daniel Silvestre, Miguel Rocha, Rami Tannous, Xico Santos
Adaptado a partir da obra original de: Luís de Camões
Editora: Levoir
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
Lançamento: Maio de 2025

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

TOP 10 - A Melhor BD lançada pela Escorpião Azul nos últimos 5 anos!


Hoje é dia de vos dar a conhecer quais os 10 melhores livros de banda desenhada editados pela editora Escorpião Azul nos últimos 5 anos!

A Escorpião Azul é uma editora de pequena dimensão que tem sabido trilhar o seu próprio caminho, à sua própria maneira, apostando especialmente em obras de autores portugueses, embora dando espaço a outros autores estrangeiros num registo mais autoral.

Tenho notado um acréscimo de qualidade nos últimos anos, quer na qualidade das edições, quer na qualidade das apostas das editoras. 

Convém relembrar que este conceito de "melhor" é meramente pessoal e diz respeito aos livros que, quanto a mim, obviamente, são mais especiais ou me marcaram mais. Ou, naquela metáfora que já referi várias vezes, "se a minha estante de BD estivesse em chamas e eu só pudesse salvar 10 obras, seriam estas as que eu salvava".

Faço aqui uma pequena nota sobre o procedimento: considerei séries como um todo e obras one-shot. Tudo junto. Pode ser um bocado injusto para as obras autocontidas, reconheço, e até ponderei fazer um TOP exclusivamente para séries e outro para livros one-shot, mas depois achei que isso seria escolher demasiadas obras. Deixaria de ser um TOP 10 para ser um TOP 20. Até me facilitaria o processo, honestamente, mas acabaria por retirar destaque a este meu trabalho que procura ser de curadoria. Acabou por ser um exercício mais difícil, pois tive que deixar de fora obras que também adoro, mas acho que quem beneficia são os meus leitores que, deste modo, ficam com a BD que considero ser a "crème de la crème" de cada editora.

Deixo-vos então as melhores 10 BDs lançadas pela Escorpião Azul entre o período de 2020 a 2025, período de existência do Vinheta 2020:

quarta-feira, 2 de julho de 2025

Vinheta 2020 tem nova imagem feita por mais um autor nacional!


Como é hábito desde que este blog começou, em 2020, o Vinheta 2020 abre o segundo semestre do ano com uma nova imagem!

Desta vez, contei com o contributo e generosidade do autor Xico Santos - autor de obras como Vil - A Tragédia de Diogo Alves, Please Be Nice To Me e outras estórias ou o mais recente Em Redes, de que gostei muito.

Para a imagem do Vinheta 2020, o autor desenhou a Mônica, a personagem de banda desenhada mais icónica e célebre do Brasil, criada pelo incontornável Mauricio de Sousa.

Xico Santos junta-se a um belo conjunto de autores que já ilustraram a imagem do Vinheta 2020: Diogo Carvalho, Paulo J. Mendes, Jorge Coelho, Henrique Gandum, Daniel Maia, Joana Afonso, Ricardo Santo, Luís Louro, Osvaldo Medina e Telmo Estrelado.

Obrigado, Xico!

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Análise: Em Redes

Em Redes, de Audrey Caillat e Xico Santos - Escorpião Azul

Em Redes, de Audrey Caillat e Xico Santos - Escorpião Azul
Em Redes, de Audrey Caillat e Xico Santos

Não sabia bem o que esperar desta nova aposta da editora Escorpião Azul, denominada Em Redes, um álbum do autor português Xico Santos que se faz acompanhar, no argumento, pela francesa Audrey Caillat, e posso dizer-vos que fiquei rendido à relevância, maturidade, ambiente e ritmo deste novo livro. Passou a ser, quanto a mim, um dos melhores livros do catálogo da editora portuguesa.

De Xico Santos apenas conhecia o livro Vil – A Tragédia de Diogo Alves, com argumento de André Oliveira, publicado pela editora Kingpin Books. Sinceramente, e apesar de alguns bons atributos desse trabalho, esse até não foi um livro que me tenha convencido muito. Quer no argumento, quer na ilustração. E, também por isso, lá está, este novo livro que vos trago hoje, me surpreendeu bastante. E pela positiva.

O trabalho de ilustração de Xico Santos neste Em Redes parece ter evoluído bastante, apresentando várias vinhetas de belíssima inspiração e execução, numa história que tem muito de evocativa e que nos faz pensar. Se de Xico Santos eu não conhecia muito, da autora francesa Audrey Caillat eu não sabia absolutamente nada.

Lendo a nota introdutória deste livro, percebemos que Audrey Caillat não assumiu, sozinha, os desígnios deste argumento mas que, ao invés, colaborou na escrita do mesmo com Xico Santos, sendo, portanto, co-autora do argumento. 

Em Redes, de Audrey Caillat e Xico Santos - Escorpião Azul
Xico Santos afirma na mesma nota que é natural da zona onde decorre a ação para este Em Redes: a zona da Ria Formosa, no Algarve. Mais concretamente, a Ilha da Culatra onde, a partir da Primeira Guerra Mundial, esta pequena ilha funcionou como um centro de aviação naval destinado à luta antissubmarinos, onde aterravam hidroaviões, já que as condições naturais da região eram perfeitas para que os franceses pudessem aterrar os seus hidroaviões que serviam de apoio à luta submarina.

Com base neste facto da história portuguesa, poucas vezes comentado ou conhecido, Xico Santos e Audrey Caillat oferecem-nos uma história que se passa em dois períodos diferentes: os anos 40 e os anos 80. Durante essas duas épocas, acompanhamos a história de duas personagens: Rafael, um solitário pescador local, e Jean, um cativante piloto francês que, já depois da Segunda Guerra Mundial terminar, nos anos 40, continua na ilha. Eventualmente, acaba por nela assentar bases e construir família com uma portuguesa dali.

E Jean não era o único a proceder de tal forma. Já antes dele, as gentes locais, quase todos pescadores ou familiares dos mesmos, tinham-se fixado na ilha recorrendo à construção de casas de madeira ilegais. E isso acaba por servir como pano de fundo para que, na segunda parte da história, que se passa nos anos oitenta, acompanhemos a reação da população local ao anúncio de demolição daquelas casas por parte do Governo português. Confrontada com esta opção governamental, a população residente nesta ilha da Culatra não teve outra opção que, mesmo protestando, ver as suas antigas casas deitadas abaixo. Tudo isto é factual e pertence à nossa história. 

É esta a contextualização histórica, bem explanada, da obra, mas Em Redes é muito mais do que um livro com o propósito único de ser informativo ou histórico. Este é um livro de profunda reflexão, de profunda contemplação e de profundo amadurecimento.

É na história destas duas personagens, Jean e Rafael, aparentemente desconexas uma da outra, que reside toda a beleza deste livro. Ambas as personagens são completamente díspares mas, de algum modo, encontram pontos em comum de um modo bastante incomum. Jean é o tipo de homem que cativa todas as mulheres locais e que, eventualmente, até acaba por se casar com uma delas. Já o pescador Rafael, é daquelas pessoas lunáticas, totalmente solitárias, que até é alvo de um certo gozo e desdém por parte daqueles com quem se cruza. Mas a vida tem caminhos insondáveis. E as emoções também.

Em Redes, de Audrey Caillat e Xico Santos - Escorpião Azul
E acaba por haver (?) uma relação amorosa não resolvida entre os dois homens. Nada que seja muito denunciado, panfletário ou que tente sequer politizar o tema da homossexualidade. Nada disso. Muito mais puro, honesto e subtil que tudo isso. Tal como no ato da pesca, apenas as redes são lançadas, cabendo ao leitor a sua própria reflexão sobre o tema. A sua própria "pesca".

O tempo era outro e se calhar nem passou pela cabeça dos dois homens envolverem-se para um relação amorosa assumida que, nos dias atuais, seria algo aceitável e relativamente normal. Mas os sentimentos são coisas difíceis de contrariar e fica muito bem presente, mas sempre com a maturidade e a classe que o tema também merece, que houve algo especial entre aquelas duas personagens.

A abordagem ao tema por parte dos dois autores, através de bons diálogos que deixam certas ideias no ar sem nunca as materializar ou através de belíssimos e inspirados desenhos, que tanto evocam, de Xico Santos, tornam a obra uma verdadeira beleza. Diria até que esta história daria um ótimo filme que, mantendo o mesmo tom, poderia ser um verdadeiro sucesso.

Como se o tema, as personagens e a relação platónica vivida não fosse algo já suficientemente bom de ver e evocar, a história liga bem os pontos ao encontrar, através da questão da demolição das casas, o evento certo para uma certa resolução, uma certa conquista, um certo "silver lining" para a relação entre ambas as personagens, já com o peso da idade, mostrando que um amor ou uma admiração entre duas pessoas pode existir durante toda uma vida, mesmo quando não existe uma relação física entre ambas. Bela mensagem.

Quanto às ilustrações de Xico Santos, devo dizer que a forma como o autor representa os ambientes locais, o mar, as embarcações e as personagens, através de um traço a preto e branco, com escala de cinzentos, bem mais confiante do que em Vil – A tragédia de Diogo Alves, tal como o modo como as suas ilustrações "respiram" calmamente, com uma boa gestão de silêncios ou da cadência do tempo, me pareceram muito convincentes e em total harmonia com aquilo que a história nos procura dar.

Relativamente à edição, também é bom ver que a Escorpião Azul tem vindo a estabilizar a qualidade e homogeneidade dos seus lançamentos: o livro apresenta capa mole, com badanas, e bom papel no interior, com boa encadernação e impressão. No final, há um caderno de extras, com oito páginas, em que nos são dados muitos esboços e estudos de personagem. Como elemento diferenciador, as páginas têm na sua extremidade um tratamento a cor azul - que simboliza a cor do mar, sempre presente na história - e que, mais uma vez, oferece beleza ao objeto-livro.

Em suma, Em Redes é uma bela, subtil e madura obra. Confesso-vos: o livro tinha despertado o meu interesse, mas honestamente não esperava que fosse tão bom. Dentro das bandas desenhadas nacionais lançadas até agora, em 2024, Em Redes está claramente entre as minhas preferências!


NOTA FINAL (1/10):
9.2



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



-/-


Em Redes, de Audrey Caillat e Xico Santos - Escorpião Azul

Ficha técnica
Em Redes
Autores: Xico Santos e Audrey Caillat
Editora: Escorpião Azul
Páginas: 120, a preto e branco
Encadernação: Capa mole
Formato: 17 x 24 cm
Lançamento: Setembro de 2024

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Escorpião Azul lança nova BD de Xico Santos!



Embora já aqui tenha dado conta, de um modo geral, de quase todas as novidades que se podiam encontrar no Amadora BD, no último fim de semana, tentarei dar nota, de um modo mais detalhado, de cada uma dessas novas obras, nos próximos dias.

E hoje trago-vos a nova aposta da editora Escorpião Azul, que acaba de publicar Em Redes, a nova obra do português Xico Santos, que já havia lançado, pela Kingpin Books, a obra Vil – A tragédia de Diogo Alves, com argumento de André Oliveira.

Desta feita, Xico Santos faz-se acompanhar no argumento pela autora francesa Audrey Caillat.

Já pude folhear o livro e posso dizer-vos que fiquei com bastante vontade de me iniciar nesta leitura.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.

Em Redes, de Audrey Caillat e Xico Santos

Durante a primeira metade do século XX, a Ilha da Culatra, uma das ilhas barreira do sotavento algarvio, é sede de uma base de aviação naval e não é raro ver hidroaviões a deslizar no espelho de água da Ria Formosa. 

Jean, um charmoso piloto francês de sorriso fácil, continua a frequentar e a encantar os habitantes locais depois da guerra. Rafael, um enigmático e contemplativo pescador de olhos grandes, tem raízes fortes no lodo da Ria. 

Os percursos de ambos e dos seus conterrâneos estão interligados de formas nem sempre óbvias, sem limites geográficos ou temporais.

Vão ser igualmente importantes no futuro das comunidades de moradores das ilhas. Têm algo a ensinar e a aprender. Ambos são nós indispensáveis na malha da rede.

-/-

Ficha técnica
Em Redes
Autores: Xico Santos e Audrey Caillat
Editora: Escorpião Azul
Páginas: 120, a preto e branco
Encadernação: Capa mole
Formato: 17 x 24 cm
PVP: 22€