quinta-feira, 23 de outubro de 2025
Comparativo: "A Vida Oculta de Fernando Pessoa" pela Iguana e pela Bicho Carpinteiro
terça-feira, 4 de fevereiro de 2025
Magazine Especial - 5 Livros ilustrados para quem gosta de BD
sexta-feira, 20 de setembro de 2024
O Corvo recebe adaptação para os mais novos!
segunda-feira, 22 de janeiro de 2024
Comparativo: Turma da Mónica - Laços pel' A Seita e pela Panini Comics
Hoje trago-vos um tipo de artigo que sei que os leitores do Vinheta 2020 valorizam bastante: os comparativos entre edições de banda desenhada.
Desta vez, o comparativo centra-se em duas edições lançadas da obra Turma da Mónica - Laços, dos irmãos Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi.
Esta é, aliás, uma belíssima obra, totalmente recomendada, da qual já falei aqui no Vinheta 2020 e que, por isso, vos convido a (re)ler esse artigo.
Nesta doce e ternurenta história que nos leva aos primórdios das aventuras do grupo de amigos mais conhecido de todo o Brasil, Mónica, Cebolinha, Cascão e Magali, somos confrontados com belos e marcantes momentos, e com uma conceção visual das personagens que é diferente daquela que Mauricio de Sousa imortalizou. Ou não estivéssemos, claro, perante a iniciativa Graphic MSP, que procura fazer isso mesmo: recontar, reescrever e reinterpretar as aventuras clássicas das personagens do universo Mauricio de Sousa.
Focando-me, então, na edição brasileira da Panini Comics e na edição portuguesa das editoras A Seita e Bicho Carpinteiro, posso começar por dizer que, relativamente a extras e formato, a edição portuguesa está em linha com a edição brasileira. O formato das duas obras é exatamente o mesmo e as sete páginas de extras também são iguais em termos de conteúdo e arranjo gráfico.
Também as ilustrações utilizadas para a capa e contracapa, bem como o grafismo das mesmas, está igual entre as edições da Panini Comics e d' A Seita.
Mas há edições entre as duas versões, sim.
Em primeiro lugar, na escolha do tipo de acabamento para a capa e para o papel no miolo do livro.
A edição da Panini apresenta capa brilhante, mas a edição d' A Seita apresenta capa baça. Confesso que, para o estilo de ilustração que nos é dada nesta obra, a opção portuguesa foi a mais ajustada.
E apesar de, no miolo, o papel da edição portuguesa ser brilhante (couché), tem menos brilho do que o papel usado na versão da Panini. Mais uma vez, é algo bem conseguido. Até vou mais longe e acho mesmo que o papel ainda teria sido mais adequado se fosse baço. Mas é uma opinião muito pessoal.
A edição portuguesa não é, ainda assim, isenta de problemas. Tal como nem sequer a edição original brasileira o é. A verdade é que ambas as edições têm problemas ao nível da impressão.
Não acontece em todas as páginas, mas é frequente que, em algumas delas, as cores da edição portuguesa estejam demasiadamente esbatidas. Quase parecendo um velho livro em que as cores acabaram por ficar desgastadas com a passagem do tempo.
Nas cenas da história que decorrem em ambientes noturnos, é ainda mais notório que houve alguns problemas na boa colorização das cenas. Mas, tal como já referi, também é verdade que, olhando para a edição brasileira, estas mesmas cenas noturnas também estavam demasiado escuras, não sendo por isso a impressão perfeita. O que faz com que, pelo menos em alguns casos, algumas cenas da edição portuguesa, não sendo perfeitas, sejam, ainda assim, mais legíveis do que a edição brasileira. Mas também acontece o contrário noutros casos.
Enfim, esta questão da impressão não é, a meu ver, algo que estrague as edições brasileira ou portuguesa, simplesmente é pena que existam, e que façam com que a obra não receba a edição perfeita que merecia.
terça-feira, 10 de outubro de 2023
Turma da Mónica está de regresso a Portugal!
Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra.
sexta-feira, 4 de novembro de 2022
Análise: O Infeliz Pacto de George Walden
terça-feira, 22 de junho de 2021
Análise: Cemitério dos Sonhos
Mas um dia é visitado por uma entidade, a personagem Cristal, que o ajuda a colocar em questão e perspetiva certos eventos e traumas, que Amos tinha como certos, e com isso redescobrir-se a si próprio e à alegria de viver. O “Cemitério dos Sonhos” é, pois, uma alegoria para todos os sonhos que deixamos morrer sem que encetemos os esforços necessários para os alcançar. E, neste ponto, creio que Miguel Peres se afirma como um argumentista inteligente e emotivo ao mesmo tempo. O que é de louvar. Se há uma certa racionalidade na forma – e nas soluções – que o autor nos oferece para, nós próprios, combatermos a procrastinação e resignação fácil que, não raras vezes, assombram a luta pelos nossos sonhos, por outro lado, Miguel Peres também se serve de uma boa dose de sentimentalismo – sem nunca se aproximar, sequer, de ser “lamechas” – para nos ajudar a acatar a moral da obra.
Como ponto menos positivo em termos de argumento, acho que é na materialização da luta contra os problemas que Miguel Peres quase perde a boa história que tinha em mãos. Ao querer formar uma alegoria mais clássica, com exemplos mais lineares, que na obra aparecem como o combate literal contra os seus problemas, parece-me que o autor não é tão bem-sucedido. Esta é uma história mais profunda e intensa que, a meu ver, dispensava este tipo de combate físico. Bem sei que tudo isto não passa de uma metáfora para a real luta interior, mas insisto que, na minha opinião, fica um bocado over the top. Mesmo assim, o autor demonstra ter a noção exata para não “nadar fora de pé” e a partir do momento em que Dre Amos confronta a sua mãe e a visão do passado desta, a história volta a ganhar a força inicial, acabando por ser bem agarrada por Miguel Peres.
Em termos de arte, há que conceder que este é um álbum audaz. Audaz porque como estamos perante uma história que nos remete para algumas questões metafísicas, ao nível do subconsciente e das realidades alternativas assentes num mundo onírico, naturalmente havia oportunidade para a construção de um universo visual menos mundano e com elementos do fantástico.
Mais uma vez refiro: o meu problema nem sequer é o estilo ou a falta de beleza neste ou naquele método de desenho. O meu problema – se é que assim o podemos considerar – é mesmo a demasiada heterogeneidade entre géneros. Embora Miguel Peres faça o que pode e até consiga, de certa forma, dividir a história de forma a que a mesma possa apresentar algumas alterações, que procuram atenuar a diferença do ilustrador – e isto é particularmente bem sucedido na primeira mudança de ilustradores, quando passamos da arte de Rodrigo Martins para a arte de Marília Feldhues - acho que, ainda assim, e tendo em conta que é uma história com um certo grau de complexidade e diferentes camadas ao nível narrativo, teria funcionado melhor com apenas um ilustrador – ou dois, vá.