sexta-feira, 1 de agosto de 2025
TOP 10 - A Melhor BD lançada pela ASA nos últimos 5 anos!
sexta-feira, 9 de julho de 2021
Análise: Peter Pan (Série Completa)
Mas, por agora, centremo-nos em Peter Pan. Quando soube que a ASA iria apostar nesta série, publicando os seus seis volumes numa coleção lançada com o jornal Público, não pude deixar de ficar agradecido e maravilhado por esta aposta da editora portuguesa. Não apenas por ser uma série que vai ao encontro dos meus gostos pessoais de banda desenhada mas também, e principalmente, por ser inequivocamente uma obra-prima da banda desenhada mundial! Por esse motivo, a aposta da ASA em Peter Pan assume-se como sendo "serviço público", tal não é a importância e obrigatoriedade para um fã de banda desenhada que se preze, ter esta série na sua coleção.
Mas este não é um Peter Pan para crianças. A história é adulta, negra e pesada e está repleta de cenas violentas aterrorizantes, inúmeras cenas de nudez e uma linguagem que, por vezes, até é ordinária. Loisel fez a tarefa prodigiosa de misturar o universo fantástico de J.M. Barrie com o ambiente de uma Londres suja e pobre, bem ao jeito das obras de Charles Dickens, mais concretamente da sua maior obra, Oliver Twist.
Mas se esta Terra do Nunca parece um local de sonho, isso não quer dizer que não aconteçam também eventos horríveis. E um desafio com que Peter se depara, logo à partida, é a região de Opikanoba, onde cada um se vê forçado a enfrentar os seus próprios medos. A partir daqui, a trama vai-se adensando com um conflito sempre presente entre o capitão Gancho, que procura incessantemente o tesouro escondido na ilha, e Peter que, entretanto, passa a adoptar o nome de Pan por se sentir, de certa forma fundido nessa outra personagem que era o líder das criaturas mitológicas.
Já para não falar da enorme quantidade de significados ocultos e metáforas com que polvilha este Peter Pan. Até as coisas mais ínfimas parecem trazer uma dupla interpretação à história. E se isto é verdadeiramente genial, talvez traga consigo o único defeito – se é que assim se lhe pode chamar – desta obra majestosa. Mas, quanto a isso, já lá irei.
Se há uma única crítica, menos positiva, que posso fazer a este Peter Pan é que não me parece que a história fique verdadeiramente resolvida. E quando digo isto, não me refiro ao facto de eu gostar ou não do final que Loisel escolheu para a sua obra. Ou por ser um final “aberto”. Não. Refiro-me, isso sim, ao facto de me parecer que Loisel embora tenha sabido abrir brechas na trama tão relevantes e pertinentes, acabou por não as agarrar na íntegra. Faz perguntas, levanta questões, faz sugestões, desenvolve muito bem a componente metafórica de toda a história mas depois, parece que não agarra todas essas belas ideias. Que deixa cair algumas dessas ideias sem que atribua à sua história um sentido de closure. De plenitude. Por outras palavras, ao longo da história Loisel levanta tanto as expetativas que, à medida que nos vamos aproximando do final, sentimos um subaproveitamento de tão maravilhosas ideias, analogias, metáforas e recriação da obra de J.M. Barrie. Talvez se a obra tivesse mais um ou dois volumes fosse possível agarrar e resolver todas as pequenas e grandes ideias de Loisel.
Quanto à arte ilustrativa, estamos também perante uma obra acima da média. A arte de Loisel é uma coisa magnífica em Peter Pan. Não que sejam os desenhos mais bonitos de sempre. Loisel não é aquele autor que nos vai dar as personagens mais bonitas na banda desenhada. Mas, por ventura, conseguirá algo muito melhor e mais raro do que produzir “apenas” desenhos bonitos: o autor consegue criar um universo próprio, onde as personagens são compostas por um traço cheio de dicotomias: ora belo na conceção, ora grotesco. As mulheres, de seios fartos e ancas generosas, ora parecem feias, com corpos deixados ao abandono e ao descuido, ora parecem belas em toda a sua voluptuosidade e curvas de perder de vista. As dicotomias estão por toda a parte e sentem-se particularmente nos desenhos de Loisel.
E para além de desenhar bem em termos técnicos há aqui outra coisa que quero destacar: é que em termos de character builiding, isto é, a forma como é imaginado - e depois recriado graficamente - cada personagem, é muito bem conseguida e mais outro dos trunfos de Loisel. Sininho e o seu corpo de ancas largas e grandes seios, que parecem estar sempre em vias de sair da sua apertada e sensual indumentária será, por ventura, o maior apanágio do que acabei de escrever. Mas, também a própria personagem de Peter, de dentes salientes, de Gancho, de tez sempre tão carregada, ou mesmo de personagens mais secundárias como a bela índia Lírio-Tigre, as sereias de fartos seios, Smee ou Pholus, são fantásticas. No total, Loisel cria de forma soberba um conjunto de personagens carismáticas em termos gráficos que não mais esqueceremos depois de feita a leitura desta obra.
Um destaque deve ser dado ainda à forma como os desenhos de Loisel vão evoluindo de álbum para álbum. O primeiro tomo, Londres, apresenta muito menos detalhes nos cenários e na conceção das personagens, do que o último tomo, Destinos. Assim, as expressões de personagens como Gancho, Sininho ou o próprio Peter, vão ficando cada vez mais detalhadas e mais bem concebidas. Além de que a linguagem corporal das personagens, se já era boa no primeiro tomo, fica ainda melhor ao longo da série.
Quero aqui demonstrar uma palavra de apreço perante a editora ao ter apostado nesta série. Durante muitos anos, sempre achei que as apostas que a ASA fazia em parceria com o jornal Público eram demasiado sóbrias, apostando em séries muito clássicas e de certa forma algo obsoletas. Muitas delas, recebendo novas edições para títulos que ainda se encontravam no mercado. Mas, desde o ano passado, a editora parece estar a mudar este paradigma. Primeiro, foi a aposta na interessantíssima série RIO que, confesso, me surpreendeu e foi, a meu ver, uma escolha muito acertada, dada a qualidade da obra e o certo desconhecimento da mesma que havia em Portugal. Agora, apostou em Peter Pan, colmatando um buraco editorial que havia em Portugal, pois nunca tinham sido cá editados os volumes 5 e 6. Mil vénias à editora! Pelo sentido de oportunidade, pela boa curadoria no que à qualidade de banda desenhada tem editado e por querer dar um passo em frente, e diferente, em relação aos últimos anos. Parece-me que esta aposta em mini-séries franco-belgas, com histórias finitas e contidas em si mesmas, como disso exemplo são RIO ou este Peter Pan, tem tudo para ser uma boa aposta. É por aqui o caminho certo, ASA.
quinta-feira, 24 de junho de 2021
Lançamento: Peter Pan #6 - Destinos
quinta-feira, 10 de junho de 2021
Lançamento: Peter Pan #5 - Gancho
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quinta-feira, 27 de maio de 2021
Comparativo: Peter Pan, de Loisel, pela Booktree e pela ASA
Tal como fiz na edição do primeiro tomo, Londres, da presente coleção Peter Pan, da autoria de Régis Loisel, que a ASA tem estado a editar em parceria com o jornal Público, desta vez faço um comparativo entre as edições do tomo 3, Tempestade, que foram lançadas em Portugal, quer pela extinta editora Booktree, quer, agora, pela ASA.
Quem já leu o comparativo entre as edições da Bertrand e a ASA, saberá que esta nova edição, que a ASA nos apresenta, tem um formato maior. Assim, tal como na versão dos 2 tomos publicados pela Bertrand, os dois tomos que a Booktree publicou, também tinham um formato mais pequeno do que a nova edição da ASA. E também as capas tinham uma moldura em verde que, na edição da ASA foram (bem) retiradas. As capas - especialmente a partir deste tomo 3 - ficam verdadeiramente maravilhosas e qualquer moldura que lhes retire dimensão, tira-lhes destaque. Portanto, boa escolha, ASA.
Além disso, também as páginas de guarda da versão da Booktree tinham uma ilustração. Na nova versão da ASA, essas páginas passaram a ser a azul, apenas. A meu ver, teria sido melhor ter deixado ficar estas as ilustrações nas páginas de guarda.
Lançamento: Peter Pan #4 - Mãos Vermelhas
quinta-feira, 13 de maio de 2021
Lançamento: Peter Pan #3 - Tempestade
Hoje já pode ser encontrado nas bancas o terceiro tomo, intitulado Tempestade, da magnífica série Peter Pan, de Régis Loisel, lançada pela ASA em parceria com o jornal Público.
quinta-feira, 29 de abril de 2021
Lançamento: Peter Pan #2 - Opikanoba
Sai hoje com o Público o segundo tomo da série Peter Pan, de Régis Loisel, publicado pela editora ASA.
A título de curiosidade apenas, gosto tanto ou tão pouco desta fantástica série de banda desenhada que, em 2015, quando lancei um dos meus projetos musicais, |UGO|, a faixa de abertura do disco até se chamava "Opikanoba", numa clara homenagem à obra de Loisel.
É, portanto, e como já tive oportunidade de escrever várias vezes, uma das bandas desenhadas da minha vida.
Peter Pan #2 - Opikanoba
Autor: Régis Loisel
Editora: ASA
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 10,90€