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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Magazine BD Independente - Análise a 10 BDs Independentes Nacionais


Hoje volto a trazer-vos um especial dedicado às últimas bandas desenhadas de cariz mais independente que andei a ler recentemente

Desde fanzines, a edições de autor e a lançamentos que, mesmo apoiados por dinheiros públicos ou pertencentes a "editoras", têm uma distribuição independente.

Embora estas BDs tenham uma distribuição menos presente e mais dispersa, face às obras das editoras mais convencionais, qualquer um destes trabalhos pode ser facilmente adquirido se contactem os responsáveis por estas edições.

Bem sei que poderia fazer um artigo para cada uma das propostas de leitura que hoje vos trago, mas diz-me a experiência - e também as estatísticas de visitas do blog - que cada uma destas bandas desenhadas independentes conseguirá chegar a mais gente se o artigo em que falo delas for mais global, com os leitores do blog a poderem, através de um estilo mais sintético de análise, em género de "magazine", tomar conhecimento das várias propostas que vos trago.

Sem mais demoras, partilho convosco as minhas breves análises a 10 Bandas Desenhadas independentes que li recentemente.


António Arroio 5
de vários Autores


Depois de um quarto volume que me surpreendeu por vários motivos - como a presença de autores de renome, a qualidade da edição e o formato "magazine" e com artigos além de histórias de banda desenhada - o quinto volume da antologia António Arroio foi lançado. 

Esta publicação procura reunir trabalhos de alunos da Escola Artística António Arroio e foi coordenado por Vasco Parracho. Para além dessas histórias curtas feitas pelos alunos, o livro também conta com histórias curtas de Nuno Plati, Ricardo Cabral, Ricardo Venâncio, Francisco Caldas, João Gil, Patrícia Furtado e, claro, Vasco Parracho. 

São histórias muito curtas, a maioria com duas páginas, e que apresentam, expectavelmente, estilos e qualidade muito variada. Como é, aliás, natural neste tipo de publicações. 

A qualidade da edição merece, uma vez mais, nota de destaque, pois não é muito comum encontrarmos antologias com esta qualidade de acabamentos.



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Cadáver Esquisito
de vários Autores


Cadáver Esquisito é, logo à partida, uma aposta ganha! O seu conceito é muito original e nunca antes feito em Portugal, consistindo numa banda desenhada coletiva, que contando com a participação de mais de 50 autores, consegue ser a banda desenhada coletiva jamais feita em Portugal! O que é, claro está, um marco para o projeto.

E quando falo em banda desenhada coletiva, não me refiro a um apanhado de histórias curtas independentes... refiro-me a uma história completa que recebe, depois, o contributo de quase seis dezenas(!) de autores que a vão moldando ao seu estilo e ideias. Ou seja, a obra resulta de um sistema de produção cooperativa encadeada, em que cada interveniente usa o trabalho anterior como inspiração para a sua criação. É óbvio que isto faz com que a história aqui contida seja muito volátil e "selvagem"... mas também acredito que, pelas mesmas razões, a obra consegue funcionar bastante bem, cumprindo os seus propósitos. Até porque também é bom podermos ser surpreendidos enquanto lemos. 

O projeto foi coordenado pelo autor Daniel Maia e ocorreu entre os anos 2008 e 2015 e só há uns meses recebeu a merecida compilação em livro, através de uma publicação da Arga Warga. Acho a ideia tão gira e tão criativa, que gostaria que houvesse mais iniciativas semelhantes no futuro.



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In The Dust Of Our Planet #0
Daniel da Silva Lopes



O universo criado por Daniel da Silva Lopes para os seus Solar Sailors - que incluem as séries In The Dust of Our Planet e Sweet Wind, têm tanto de riqueza, como têm de complexidade. 

É, de facto, necessário muita atenção para não perdermos o fio à meada nestas histórias densas e complexas arquitetadas pelo muito criativo Daniel da Silva Lopes. Especialmente tendo em conta o formato em que as histórias nos são dadas, em capítulos em continuação, é fácil ficarmos perdidos. 

Talvez por isso, considero que este número zero da série In The Dust Of Our Planet foi (mais) uma excelente ideia. 

É quase como um passo atrás que procura ambientar os leitores e dar contexto a este universo. Gostei e achei uma excelente ideia.




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King of Bones #1
Sérgio Hortelão


King of Bones é uma das mais recentes séries publicadas pela Gorila Sentado e que nos apresenta em grande estilo o autor Sérgio Hortelão. 

Assim que tive conhecimento desta obra, fui automaticamente remetido para Groo, O Errante, de Sergio Aragonés, uma das minhas séries humorísticas de BD preferidas de sempre. E, de facto, há vários pontos em comum.

Acompanhamos a história do bárbaro Ragnar que é povoada de muita ação, violência e um humor bastante próprio de que gostei bastante. 

O estilo de desenho de Sério Hortelão é particularmente original e muito apelativo em termos visuais, dando-nos quase a ideia de que estamos a assistir a um desenho animado dos tempos dourados do canal Nickelodeon. Uma série a ter em conta, sem dúvida. E, entretanto, já saiu o segundo volume.


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Last Call #2 e #3
Gonçalo Fernandes


Não tenho dúvidas de que no dia em que Last Call, de Gonçalo Fernandes, for publicado em volume inteiro e na língua portuguesa, chegará a muitos leitores portugueses que, por agora, e lamentavelmente, ainda não se deliciaram com esta obra. 

Já escrevi sobre o primeiro volume e, depois de lidos estes volumes 2 e 3 da série, reitero toas as boas sensações que tive enquanto lia o primeiro volume. Entretanto, a Gorila Sentado já publicou o quarto volume da série. 

Gonçalo Fernandes tem um potencial enorme enquanto autor de banda desenhada e este Last Call, dividido pelas histórias Triple Threat Terror e Land of The Free, que captura de modo feliz aquele vibe da célebre série televisiva Miami Vice, é absolutamente viciante. 

Sou um grande fã!


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Pessoa Fragmentado - Antologia
de vários Autores



A Associação TágIIde publicou uma das mais interessantes antologias que li recentemente. Com Fernando Pessoa e a sua obra enquanto tema, este trabalho reúne trabalhos muito interessantes que exploram várias valências e facetas da obra de Pessoa, aquele que considero ser o maior poeta português de sempre. 

Nem todas as histórias me deixaram tão satisfeito como outras e, por isso, merecem destaque as histórias Poema em Linha Recta, de Jorge RoD! Rodrigues e Um Jantar Muito Original, de José Macedo Bandeira. 

Houve também outras propostas em que se optou por, mais do que fazer uma história, adaptar diretamente os poemas de Fernando Pessoa. E também nesse ponto, gostei do que li.




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Portugal Jurássico
Henrique Gandum



Produzido em parceira pela Mudnag Edições e pelo Museu da Lourinhã - cujo contributo foi mais ao nível científico, para validação dos dados apresentados neste livro - Portugal Jurássico representa uma iniciativa bem-vinda, visto que procura ser um livro didático sobre os dinossauros que, algures no tempo, povoaram a região da Lourinhã, em Portugal. 

Além de incluir fichas técnicas dos vários dinossauros - e não são assim tão poucos - o livro tem uma história de banda desenhada que procura contextualizar o tema. Mas embora o livro tenha 36 páginas, apenas 8 delas são dedicadas a banda desenhada, o que me deixou um pouco desapontado. Porque a verdade é que este tipo de projeto me parece muito bem-vindo, pois consegue ser lúdico e educativo ao mesmo tempo. 

Uma excelente aquisição para os interessados em dinossauros e até para as bibliotecas das escolas do país. Só tenho mesmo pena que saiba a pouco por ter uma história tão diminuta em número de páginas.



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The Reflecting Void - Part One
Miguel Peres e Majory Yokomizo


Aquilo que Miguel Peres e Majory Yokomizo fazem neste The Reflection Void é muito interessante: dão vida e continuidade ao universo criado por Daniel da Silva Lopes no seu Solar Sailors. Ou seja, partem do universo criado pelo autor e responsável da editora, e desenvolvem a sua própria história e imagética. 

O resultado é uma história cativante que consegue o duplo feito de estar bem inserida na temática narrativa e, ao mesmo tempo, apresentar as suas próprias ideias e independência, numa boa relação de equilíbrio. 

O texto de Miguel Peres, expectavelmente, é bom e ressonante; e as ilustrações de Majory Yokomizo - que volta a trabalhar com Miguel Peres depois de O Pescador de Memórias e A Foz do Esquecimento - são bastante bem-vindas. 

Fiquei curioso para ler o próximo volume.



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Umbra #5 e #6
de vários Autores


Reúno os mais dois recentes da Antologia Umbra neste artigo, por dois motivos. Em primeiro lugar, por terem sido os dois volumes editados com uma menor janela temporal entre si. Alguns meses, apenas, separaram estes dois lançamentos. Em segundo lugar, a própria continuidade na história de Fernando Relvas, fez-me esperar para ler os dois volumes de enfiada. Eu já teci vários elogios a Umbra, e volto a fazê-lo: esta é das melhores antologias de BD editadas em Portugal. Um autêntico sucesso. 

O projeto conta com histórias de autores portugueses já consagrados no meio e alguns autores estrangeiros menos conhecidos, mas com propostas interessantes em termos de banda desenhada. As histórias são circunscritas ao universo da ficção científica o que, por si só, já permite muitos tipos de abordagens diferentes. 

Como notas positivas, destaco as histórias em que Vasco Colombo participa, a introdução, pela primeira vez, de uma história mangá - que, à boa maneira da banda desenhada de origem japonesa, se lê da direita para a esquerda (e que conta com uma colaboração editorial entre a Umbra Edições e a Sendai) - e, claro, do resgate da história Kris 3, de Fernando Relvas. As capas destes volumes 5 e 6, uma de Rita Alfaiate e outra de Pedro Potier, respetivamente, voltam a ser fantásticas na execução e inspiração.


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Zé Povinho nos Dias de Hoje
de Vários Autores


Que belo projeto, este! A propósito da celebração dos 150 anos da criação do Zé Povinho, por Rafael Bordalo Pinheiro, a Associação Tentáculo, em parceria com a Biblioteca Municipal das Caldas da Rainha e o Museu Bordalo Pinheiro, decidiu criar esta antologia que procura levar os autores participantes a apresentar a sua visão pessoal sobre esta personagem icónica da cultura portuguesa, adaptando-a à contemporaneidade. 

O resultado foi um belo conjunto de bandas desenhadas, ilustrações e texto ilustrado. 

Em termos globais, considero que os trabalhos apresentados reúnem bastante qualidade e é interessante verificar, também, como Zé Povinho é uma personagem maior do que o seu criador e continuará a ser símbolo futuro de todos os portugueses. Ou da maioria dos portugueses, vá, porque podemos excluir da equação os grandes ricos e poderosos de Portugal.

terça-feira, 14 de março de 2023

Comparativo: Congo 1 - Edição Original VS Edição Definitiva


Os irmãos Gandum lançaram recentemente uma nova edição do primeiro álbum da sua saga Congo conforme, aliás, já aqui tinha dado conta.

Como tal, e para que alguns dos que me lêem e já têm na sua coleção a edição original de Congo 1 - Um Mundo Esquecido, possam averiguar se esta nova edição vale, efetivamente, a pena, trago-vos mais um dos meus comparativos.

Este comparativo incidirá em duas vertentes, na parte do objeto livro e na parte do livro em si já que, Duarte e Henrique Gandum optaram por fazer de raiz este seu primeiro volume da sua série, pensada para quatro volumes, Congo.

Assim, e olhando primeiro para o objeto em si, há diferenças que saltam à vista assim que colocamos os dois livros lado a lado.

A nova edição apresenta uma nova ilustração. Se é verdade que gosto do ambiente de mistério que a ilustração da capa da edição original (bem como o segundo volume da série) apresenta, também tenho que admitir que a nova ilustração não só é muito bela como é, parece-me, muito mais apelativa em termos comerciais.



Embora os dois livros apresentem capa mole, a edição definitiva tem capa mole com badanas, que dão consistência ao livro e são bem aproveitadas pelos autores, com uma breve biografia sobre os mesmos na primeira badana e informação, através de QR Code, sobre Congo 2 - No Caminho das Trevas e Amélia - Uma História do Congo.

O design da contracapa desta nova edição, não sendo feio, não me parece muito apelativo. Acho que neste ponto, talvez a informação pudesse ter sido apresentada, graficamente, de um modo mais moderno, e talvez tivesse sido benéfico introduzir uma ilustração mais colorida. Mas é uma opinião muito pessoal, reconheço.



Naturalmente, a espessura de ambos os livros é muito diferente mas isso também se justifica pela alteração no número de páginas. É que o novo livro tem 64 páginas e a edição original do livro contava com 96 páginas. Voltarei a este assunto mais à frente mas, por agora, digo apenas que foi uma bela decisão dos autores.

O papel em ambos os livros, sendo algo diferente, mantém uma qualidade equilibrada.

De resto, no interior, a nova edição apresenta uma nova ilustração de página inteira, assim que abrimos o livro, embora tenha perdido o texto introdutório de José Alex Gandum. No final, a edição original tinha uma prancha que funcionava como teaser do segundo volume. Nesta nova edição definitiva, essa prancha saiu, mas deu lugar a uma lindíssima ilustração do ator Pedro Lima (que, antes de falecer, chegou a dar vida a Afonso Ferreira, o protagonista de Congo); e ainda duas páginas dedicadas aos críptidos feitos por Henrique Gandum, bem como uma página com 24(!) ilustrações de fan art. Infelizmente, estão em tamanhos tão pequenos que é difícil observar estes desenhos numa dimensão tão pequena.

Olhando para o interior da obra e para aquilo que os autores fizeram, devo dizer que fiquei verdadeiramente impressionado. Não estamos perante um "reajustezinho", uma pequena melhoria de Congo 1. Não. Estamos, isso sim, perante uma autêntica revolução que vai aos mais ínfimos detalhes!

Primeiro que tudo, importa dizer que Congo 1 foi o primeiro álbum dos irmãos, lançado originalmente em 2017, e, expetavelmente, não tinha a maturação de técnicas e conhecimento que, posteriormente, os irmãos acabaram por adquirir. Note-se que a história já lá estava, o interessante world building também mas, no que diz respeito à planificação, aos desenhos, às cores, à narrativa e, até, aos próprios diálogos, Duarte e Henrique Gandum ainda eram bastante "verdinhos". Não há nada de mal nisto até porque "ninguém nasce ensinado" e este Congo 1 é uma bela prova desta expressão idiomática.

Conheço ambos os autores e posso dizer que são pessoas muito humildes, sem quaisquer ideias de grandeza ou manias, sempre dispostos a ouvir e a aprender. E essas características são, a meu ver, relevantes para uma evolução mais rápida e forte. E foi isso que se passou com os autores.

Quando, em 2019, nos apresentarem Congo II, houve, naturalmente uma evolução gritante, a todos os níveis, do primeiro para o segundo álbum da série. Se isso foi algo bom e que deixou toda a gente muito bem impressionada com o trabalho executado - incluindo a minha pessoa, tal como prova a análise que, na altura, fiz a esse segundo livro - a verdade é que a melhoria de qualidade nesse segundo volume trouxe um sabor agri-doce ao todo.

É que a melhoria era tão gritante que, de alguma forma, parecia que Congo 1 era o patinho feio em relação a Congo 2. Talvez por isso - mas não só - Duarte e Henrique Gandum meteram mãos à obra e desenharam de raiz todo o primeiro volume. Ora, isto não é algo que aconteça muitas vezes.

Todos nós sabemos a dificuldade e tempo que pressupõe a feitura de um álbum. Portanto, faço vénias aos dois irmãos, e em especial a Henrique Gandum, por ter tido a coragem e devoção à sua arte para ter feito tamanho empreendimento.

Pode ter dado muito trabalho mas uma coisa fica na retina: valeu muito a pena! Com esta edição definitiva, Congo 1 é um álbum com belos desenhos, com cativantes cores, com uma história mais escorreita, com melhores diálogos e com melhor planificação de páginas. E é, aliás por ter uma melhor planificação que o álbum acaba por ter menos páginas. E não pensem que foi para poupar nos custos. Nada disso! Foi para melhor contar a história porque, de facto, não era necessário ter vinhetas tão grandes como acontecia no primeiro álbum, que retiravam dinâmica à narração visual. Enfim, este novo Congo é em tudo melhor do que o primeiro! Possivelmente, até fica um pouco acima de Congo 2, embora a diferença (agora) já não seja gritante e se consiga, portanto, uma mais premente homogeneidade visual entre volumes.

Henrique Gandum tem um traço muito mais confiante, fino e detalhado, que consegue contar bem melhor a história. Também nas cores a diferença é impressionante pois essa até era uma fraqueza na edição original e aqui passou a ser uma das mais valias do livro, pois são muito belas as cores dos desenhos. Os próprios textos foram reescritos para serem mais verossímeis o que revela, também, o bom envolvimento de Duarte Gandum nesse cômputo. 

Eu olho para a edição original e para a edição definitiva de Congo 1 como se estivesse a olhar para as diferentes fases da produção de uma música: a edição original de Congo 1 é como se fosse uma demo de música. Já dá para perceber a ideia da música, o ritmo, a melodia, a letra. Mas é tudo feito de forma algo crua, arcaica e pouco trabalhada. Mas esta nova edição definitiva de Congo 1 é como se estivéssemos a ouvir a produção final de uma música gravada em Abbey Road e, depois, produzida, mixada e masterizada por produtores profissionais, com toda a compressão, equalização e pormenores de produção que apreciamos ouvir.

Portanto, voltando ao início, e respondendo à questão se vale (ou não) a pena comprar este Congo 1? Não tenho quaisquer dúvidas que sim! Aliás, a resposta a esta questão é um autêntico no brainer. Esta é a edição que todos nós, adeptos de banda desenhada, devemos ter nas nossas prateleiras, quer nunca tenhamos lido Congo 1 ou quer já tenhamos a edição original da obra.

O bom trabalho (re)compensa e este Congo 1 - Edição Definitiva é a prova disso! 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

Primeiro Álbum de Congo é totalmente redesenhado!


O remake do primeiro Congo, dos irmãos Gandum, está quase a chegar até nós!

A Mudnag Edições, o selo editorial dos dois irmãos, já fez saber que a edição definitiva do primeiro Congo - Um Mundo Esquecido, originalmente lançado em 2017, que foi totalmente redesenhada, deverá ser lançada neste mês de Fevereiro.

Convém, portanto, sublinhar que não se trata de uma versão "remasterizada", em que se pegou no original e se fizeram umas melhorias aqui e ali. Não. O que aqui temos é uma versão totalmente "refeita" e totalmente de raíz. E acho que isso, em primeira análise, revela um envolvimento dos autores, em especial do ilustrador Henrique Gandum, com a obra que é de louvar. 

Com efeito, não é muito comum que um autor refaça todo um álbum só para devolver ao mesmo a harmonia gráfica que, entretanto, e à medida em que foi evoluindo, foi alcançando. É difícil para mim não abanar a cabeça, positivamente, em sinal de respeito.

O livro deverá ser lançado no final do mês de Fevereiro mas, a partir do próximo Domingo, dia 5, já se encontrará em pré-venda aqui.

Para já, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens em que se faz o comparativo entre a versão original e a nova versão. Que diferença para melhor, meus caros!



CONGO: Um Mundo Esquecido - Edição Definitiva

Congo, 1880. Uma expedição portuguesa à região mais inexplorada da África Central não começa da melhor forma. Afonso Ferreira, explorador de renome, e os seus homens, deparam-se com a morte impiedosa de um dos membros do grupo. Agora embrenhados na inóspita selva africana, enfrentam horrores primitivos e criaturas vorazes que os aguardam nas sombras.

A edição definitiva de “CONGO: Um Mundo Esquecido”, com o argumento de Duarte e Henrique Gandum e desenho de Henrique Gandum, revela-nos, em maior detalhe e profundidade, a aventura do major Ferreira e dos seus homens pelas vastas florestas tenebrosas do Congo, no ano de 1880. Este é o primeiro volume de uma saga que nos revela lendas e mitos, com base em relatos reais da época contados por exploradores de vários países, entre os quais, portugueses.

De modo a trazer uma maior consistência à linguagem artística da saga, nasce este álbum, completamente feito de raiz, com melhorias significativas a todos os níveis, e acontecimentos totalmente inéditos. Objetivamente, é a versão que melhor serve a narrativa, na sua totalidade, sendo também a obra indicada para quem tenciona espreitar a série pela primeira vez. Como autores, acreditamos que é assim que o primeiro capítulo merece ser contado.

Este livro é subsequentemente acompanhado pelo volume 2, que foi publicado a 1 de novembro de 2019, e tem o título CONGO: No Caminho das Trevas. Apesar de não ser uma entrada direta na narrativa principal, é importante referir também o spin-off Amélia - Uma História do Congo, que foi publicado a 7 de setembro de 2021, numa coedição com a Ego Editora.

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Ficha técnica
CONGO: Um Mundo Esquecido - Edição Definitiva
Autores: Duarte e Henrique Gandum
Editora: Mudnag Edições
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa mole, com badanas
Formato: 208 x 298 mm
PVP: 15,00€





sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Henrique Gandum regressa com uma nova BD!




Chama-se A Última Arte e trata-se de uma pequena história, muda, em formato fanzine, que o autor português, Henrique Gandum, acaba de lançar de forma independente.

É sabido que o autor, em conjunto com o seu irmão, Duarte, se encontra a ultimar o remake do primeiro álbum da série Congo - que foi integralmente redesenhado e que há-de ser lançado brevemente - enquanto a feitura do 3º álbum da série também prossegue.

Recorde-se que, no ano passado, os dois irmãos lançaram Amélia: Uma História do Congo, que funciona como spinoff da série principal.

Segundo palavras do autor, este A Última Arte versa "sobre a arte num mundo que já não é o mesmo".

A obra pode ser encontrada no seguinte link e tem o custo unitário de 3,00€, a que acrescem 1,90€ de portes de envio.

Deixo-vos com algumas imagens promocionais.





terça-feira, 14 de setembro de 2021

Análise: Amélia: Uma História do Congo

Amélia: Uma História do Congo, de Duarte e Henrique Gandum - Mudnag e Ego Editora

Amélia: Uma História do Congo, de Duarte e Henrique Gandum - Mudnag e Ego Editora

Amélia: Uma História do Congo, de Duarte e Henrique Gandum

Se, tal como em alguns desportos, houvesse uma seleção portuguesa de esperanças de criadores de banda desenhada, estou certo que os irmãos Gandum marcariam sempre presença na lista de convocados. É que, sendo ainda tão jovens, vê-se uma progressão natural na forma como vão evoluindo a sua forma de contar uma história em banda desenhada e, além disso - e, possivelmente, mais importante do que isso até – parecem sentir-se como "peixe na água" nesta sua temática - sobre o Congo histórico e seus "monstruosos animais" - que é original e fora da caixa.

Desta vez, em Amélia: Uma História do Congo, acompanhamos o percurso de Amélia Valim, uma das enfermeiras ao serviço do missionário Rogério Fonseca, que sofrerá várias privações, num ambiente tão hostil como a selva do Congo, que a levarão a ter que ultrapassar traumas e tragédias.

Amélia: Uma História do Congo, de Duarte e Henrique Gandum - Mudnag e Ego Editora

De uma forma geral, Amélia: Uma História do Congo é uma obra interessante e bem conseguida. Todavia, não posso deixar de concluir que fica alguns furos abaixo do fantástico Congo II. E isso está patente quer no trabalho de Duarte, quer no trabalho de Henrique. Embora, quanto a Henrique, isso seja um pouco menos evidente e, possivelmente, mais subjetivo. Mas já lá irei.

Porque, quanto ao argumento, e ainda que a história de Amélia, sendo um spinoff da série principal Congo, funcione de forma independente, dando para ler perfeitamente sem se ter lido nenhum dos outros dois livros, pareceu-me algo perdido em si mesmo. Se olharmos para o facto do livro ter apenas 33 pranchas de bd, parece-me que Duarte Gandum poderia ter equacionado um argumento mais linear, com um desenvolvimento mais simples e mais direto. Ao invés, o autor dá-nos um argumento com algumas boas ideias e que permite traçar um bom retrato da personagem principal mas, ainda assim, com várias pontas soltas. Parece quase que o autor tinha pensado numa história com 100 pranchas mas que acabou por ter apenas 33. E que, por esse motivo, a história não se consegue fechar em si mesma de forma totalmente conveniente. Se a ideia fosse continuar a história de Amélia em muitos mais álbuns, eu não estaria a levantar estas objeções. Mas, e tendo em conta que a obra é apresentada como um one shot, auto-contido, então a história poderia estar mais bem talhada. Não obstante, gostei da forma como Amélia, a protagonista, é uma personagem bem construída, com um carácter e uma atitude muito próprias e que acaba por ser colocada pelo o autor em diversas situações que exigem uma reação da personagem face às mesmas. É nesse ponto, quanto a mim, que Duarte Gandum aparece mais inspirado neste livro.

Amélia: Uma História do Congo, de Duarte e Henrique Gandum - Mudnag e Ego Editora

Já quanto às ilustrações de Henrique Gandum, é admirável o trabalho que o autor tem vindo a desenvolver. Olhando para o primeiro Congo e para este Amélia é quase incrível a evolução do autor. Voltando à metáfora desportiva, parece que Henrique Gandum começou a jogar num Beira Mar e que rapidamente passou para o SL Benfica (ou para o Sporting CP, ou para o FC Porto, vá, para não criar guerras entre os três grandes). O que quero dizer é que Henrique Gandum rapidamente ascendeu a uma outra liga, a uma outra classe, em termos de ilustrações, planificação de páginas, caracterização das expressões das personagens, etc. E isso até aconteceu logo na passagem de Congo I para Congo II, tenho que reconhecer.

Porque, quando peguei neste Amélia: Uma História do Congo, até já estava à espera desta evolução de Henrique Gandum. E vou mais longe e reconheço até que o autor não nos dá vinhetas tão impressionantes como em Congo II. Por esse motivo, até sou capaz de ficar mais rendido a Congo II do que a Amélia, em termos de arte ilustrativa. No entanto, não posso deixar de reconhecer que Henrique Gandum está mais maduro nas suas ilustrações e sendo este Amélia menos propenso à ação e aos animais monstruosos, e mais focado nas personagens, nas suas relações e nas suas demandas, esta acaba por ser uma história mais humana onde o objetivo seria muito mais focar-se em Amélia, a personagem, do que dar-nos uma aventura muito emocionante. Portanto, assim sendo, seria muito importante que Henrique soubesse ilustrar bem as expressões das personagens para conseguir transmitir essa aura mais emocional desta obra. E consegue-o muito bem. As personagens, especialmente Amélia, estão bem conseguidas, não se confundido minimamente entre si – algo que acontecia em Congo I, por exemplo – e transmitindo as expressões que importa transmitir. Um excelente trabalho nesse cômputo.

Amélia: Uma História do Congo, de Duarte e Henrique Gandum - Mudnag e Ego Editora

Depois, se é verdade que, por vezes, ainda se denota alguma rigidez no traço do autor para a ilustração de movimento e da linguagem corporal das personagens, já em termos de aplicação da cor, Henrique Gandum parece estar no pleno das suas faculdades neste Amélia. Parece-me que o autor encontrou a segurança e os procedimentos certos para colorir, com graciosidade e beleza, os seus desenhos. 

Assim, temos uma diversidade muito grande de diferentes ambientes e cenários – especialmente se tivermos em conta que é um livro curto em número de páginas. Dias solarengos e claros, selvas verdejantes, pores do sol alaranjados, cenas nocturnas à luz das fogueiras ou cenas onde impera a verdadeira escuridão. Em todos estes tipos diferentes de cena, as cores – e o subjacente jogo de luz e sombra – asseguram um trabalho coeso por parte de Henrique Gandum.

Amélia: Uma História do Congo, de Duarte e Henrique Gandum - Mudnag e Ego Editora

Olhando para a edição, que é assegurada em parceria com a Mudnag – editora dos irmãos Gandum - e a Ego Editora, devo dizer que achei bastante bem conseguida. Pela primeira vez, uma obra dos Gandum apresenta capa dura – que já por mim tinha sido sugerida para os próximos lançamentos da série Congo – que contribui para o bom aspeto do objeto livro. 

O grafismo/design do livro está bastante interessante e o papel utilizado é brilhante e de boa qualidade. Destaque positivo para um pequeno texto de introdução ao universo de Congo – que acho sempre positivo para situar os que não leram as obras anteriores. 

Nota ainda para a capa – da autoria de Margarida Matias – que está muito bem conseguida e apelativa. Infelizmente, na impressão, ficou com tons bem mais escuros do que o pretendido.

Em suma, Amélia: Uma História do Congo, da dupla portuguesa formada pelos irmãos Gandum, mesmo não correspondendo à totalidade das minhas expetativas que tinham sido alimentadas pelo fantástico Congo II, é, ainda assim, um livro interessante de bd que merece ser conhecido enquanto aguardamos com ansiedade pelo terceiro volume da série principal.


NOTA FINAL (1/10):
7.9


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Amélia: Uma História do Congo, de Duarte e Henrique Gandum - Mudnag e Ego Editora

Ficha técnica
Amélia: Uma História do Congo
Autores: Duarte e Henrique Gandum
Editora: Mudnag e Ego Editora
Páginas: 40, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Agosto de 2021

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Lançamento: Amélia: Uma História do Congo




aqui havia sido anunciado, há uns dias, mas faço agora este novo artigo para vos apresentar algumas imagens promocionais da obra, bem como fornecer-vos mais algumas informações sobre o novo livro dos irmãos Gandum.

Amélia: Uma História do Congo trata-se de um spinoff da série Congo, que pode ser lido em separado, e que conta a história do ponto de vista da enfermeira Amélia, que acompanha a expedição portuguesa ao Congo. 

Os autores vão estar na Feira do Livro de Lisboa, no próximo dia 12 de setembro, a dar autógrafos, e no dia 18 de setembro, no Festival de Beja.

Abaixo, fiquem com as tais imagens promocionais e sinopse da obra.
Amélia: Uma História do Congo, de Duarte e Henrique Gandum

Congo, 1880. Uma expedição portuguesa é dada como desaparecida.

Amélia Valim é uma das enfermeiras ao serviço do missionário Rogério Fonseca, e terá de sobreviver num mundo esquecido em que a linha entre o mito e a realidade se desvanece.

No desenrolar do caos, Amélia vê-se igualmente forçada a enfrentar fantasmas do seu passado.

Conseguirá a enfermeira suportar toda a tragédia que se desenvolve?
Este é um livro que marca uma grande evolução dos autores, quer ao nível do argumento quer ao nível gráfico. São, sem dúvida, dois dos mais promissores autores portugueses de banda desenhada e estamos certos de que terão um futuro brilhante à sua frente!


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Ficha técnica
Amélia: Uma História do Congo
Autores: Duarte e Henrique Gandum
Editora: Mudnag e Ego Editora
Páginas: 40, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 15,10€

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Os Irmãos Gandum preparam-se para lançar um novo livro!



E o Vinheta 2020 já teve acesso a uma das páginas da obra em primeira mão!

Por esse motivo, agradeço ao caríssimo Henrique Gandum pela partilha e consideração perante este espaço.

Esta dupla criativa formada pelos irmãos Duarte e Henrique Gandum tem-me deixado muito curioso com o seu enorme potencial. O primeiro Congo apresentava ideias interessantes mas várias debilidades também mas, com Congo II, a dupla de autores conseguiu mesmo um "lugar ao sol", graças à enorme evolução que registou de um álbum para o outro como, aliás, já pude referir na análise que fiz a essa obra.

O novo livro, que deverá ser lançado já no próximo mês de Setembro, na Feira do Livro em Lisboa, chama-se Amélia: Uma História do Congo. A edição é feita pela chancela dos autores, a Mudnag, mas desta vez, em regime de co-edição com a Ego Editora. A bonita capa da obra foi feita por Margarida Matias.

O volume contém 40 páginas a cores, num álbum de capa dura e que nos revelará a história da personagem Amélia - a bonita enfermeira que já marcou presença em Congo II.

Abaixo fiquem com a sinopse da obra e com a tal primeira página da obra em primeira mão:

Amélia: Uma História do Congo, de Duarte e Henrique Gandum

Congo, 1880. Uma expedição portuguesa é dada como desaparecida.

Amélia Valim é uma das enfermeiras ao serviço do missionário Rogério Fonseca, e terá de sobreviver num mundo esquecido em que a linha entre o mito e a realidade se desvanece.

No desenrolar do caos, Amélia vê-se igualmente forçada a enfrentar fantasmas do seu passado.

Conseguirá a enfermeira suportar toda a tragédia que se desenvolve?

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Ficha técnica
Amélia: Uma História do Congo
Autores: Duarte e Henrique Gandum
Editora: Mudnag e Ego Editora
Páginas: 40, a cores
Encadernação: Capa dura