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terça-feira, 14 de julho de 2026

Análise: Brigada de Costumes

Brigada de Costumes, de Zidrou e Jordi Lafebre - A Seita - Arte de Autor

Brigada de Costumes, de Zidrou e Jordi Lafebre - A Seita - Arte de Autor
Brigada de Costumes, de Zidrou e Jordi Lafebre

As duas editoras A Seita e Arte de Autor voltaram a editar, recentemente, e de forma conjunta uma obra de Zidrou, autor de quem as duas editoras portuguesas já por cá editaram Lydie, Emma G. Wildford, Naturezas Mortas e Amore. Desta feita, foi a vez de Brigada de Costumes chegar até nós. De todos os livros editados em parceria pelas duas editoras eu gostei bastante, mas devo até dizer que este Brigada de Costumes está entre os meus favoritos!

Há muito que considero o nome de Zidrou como sinónimo de qualidade. Sou um grande adepto de todos os seus livros e, felizmente, até já são muitas as suas obras que por cá foram editadas. Além das que referi acima, também os excelentes A Fera (A Seita), Verões Felizes (Arte de Autor), Shi e A Adopção (estes últimos da Ala dos Livros) me conquistaram totalmente.

Brigada de Costumes, de Zidrou e Jordi Lafebre - A Seita - Arte de Autor
E não me fico por aí. É que Jordi Lafebre, ilustrador dos já supramencionados Verões Felizes e Lydie, bem como, enquanto autor completo, de Apesar de Tudo, Sou o Seu Silêncio ou Sou um Anjo Perdido, também é dos meus autores preferidos da atualidade.

Ora, juntar estes dois "pesos pesados" não só já se revelou um autêntico sucesso em Verões Felizes ou Lydie, como me fez ficar bastante empolgado para este Brigada de Costumes, bem antes de o ler.

Editado originalmente em 2014, em dois tomos isolados, a narrativa desta obra é ambientada na Paris dos anos 1930, onde acompanhamos o jovem inspetor Aimé Louzeau na sua integração na chamada "Brigada de Costumes", uma força especial da polícia francesa que procura investigar e anular a libertinagem dos cidadãos. 

Recém-chegado à polícia parisiense, Aimé aprende os meandros deste tipo de vigilância sobre as vidas privadas dos outros, especialmente das suas práticas sexuais, recolhendo todas as informações que possam depois ser utilizadas contra esses supostos prevaricadores da moral e da decência. A cidade parisiense que Zidrou nos apresenta é uma cidade fascinante, mas profundamente desigual, onde a corrupção e a hipocrisia convivem lado a lado com os discursos de moralidade. O habitual, diria.

Brigada de Costumes, de Zidrou e Jordi Lafebre - A Seita - Arte de Autor
No entanto, o verdadeiro coração da narrativa está em Aimé Louzeau. Ele é filho de um padre excomungado, carregando consigo uma herança pesada que influencia a sua visão da autoridade, da religião e da justiça. Enquanto investiga os segredos dos outros, é obrigado a confrontar-se com os seus próprios fantasmas. Isto não esquecendo que, entretanto, quer o seu pai, quer a sua mãe, parecem sucumbir à saúde mental. Além disso, tudo muda na vida de Aimé quando este dá de caras com Eeva, uma prostituta exótica que o faz experenciar uma paixão nunca antes vivida. E é nessa dimensão íntima e mais pessoal da personagem de Aimé e de todas as outras que a rodeiam, que Brigada de Costumes se revela muito mais do que uma simples história policial.

A primeira coisa que me impressionou nesta obra foi a forma como Zidrou constrói as personagens. Não é que isso me tenha surpreendido, pois já conheço as valências do autor em conseguir despertar sentimentos de empatia perante as suas personagens profundamente humanas... mas diria que o seu trabalho volta a ser impressionante. Não há aqui heróis perfeitos nem vilões de cartilha. Existem pessoas. Homens e mulheres. E, como sabemos, as pessoas são frágeis, são contraditórias. Por vezes perdem-se e por vezes encontram-se. E são tão capazes de gestos de enorme generosidade, como de atitudes profundamente destrutivas. É esse lado humano que torna a leitura tão absorvente e que nos faz permanecer emocionalmente ligados a este livro. Assim que o terminei, voltei a lê-lo de enfiada.

Brigada de Costumes, de Zidrou e Jordi Lafebre - A Seita - Arte de Autor
E diria que estamos perante uma das histórias mais tristes escritas por Zidrou. Ainda assim, o autor mantém aquela característica tão própria de introduzir uma espécie de luz ao fundo do túnel. Não se trata de um final feliz convencional. Ou de uma resolução que põe tudo em pratos limpos. Pelo contrário, existe neste Brigada de Costumes uma postura agridoce perante a vida que acaba por tornar os momentos alegres menos leves e os momentos dolorosos um pouco mais suportáveis. E poucos argumentistas conseguem trabalhar tão bem esta ambiguidade emocional.

Os temas abordados são particularmente densos. Saúde mental, religião, perversões sexuais, obsessão, solidão e hipocrisia institucional cruzam-se constantemente ao longo da narrativa. A própria polícia surge retratada de forma paradoxal, como uma instituição encarregada de combater práticas que, de uma forma ou de outra, também ajuda a perpetuar. 

Aimé Louzeau espelha bem a complexidade da história. Inicialmente surge como uma personagem extremamente cativante, quase ingénua, com quem simpatizamos imediatamente. Contudo, à medida que a narrativa avança, algo começa a mudar e a sua personalidade revela zonas mais sombrias, cada vez mais inquietantes, levando-nos a olhar para ele de forma diferente. É um retrato duro e, ao mesmo tempo, profundamente humano da incapacidade de controlar determinados impulsos.

Brigada de Costumes, de Zidrou e Jordi Lafebre - A Seita - Arte de Autor
Confesso que a única reserva que tenho em relação à obra resulta precisamente da riqueza do material apresentado. Isto porque fiquei diversas vezes com a sensação de que havia aqui matéria suficiente para uma série bastante mais longa. Dira até de uns seis ou sete volumes. Ou mais. É que temos a questão das práticas da polícia e do ambiente boémio da prostituição; a relação amorosa de Aimé; a paixão que este nutre por Eeva; a questão da religião e do convento; a própria relação dos pais de Aimé; e até mesmo o flashforward que nos coloca em 1944 numa Paris bombardeada. É muita coisa para um díptico apenas. E não é que os principais acontecimentos da obra não fiquem devidamente bem encerrados -poruq ficam - mas sinto que havia riqueza para muito mais.

Nesse sentido, tenho a sensação de que Zidrou colocou demasiadas ideias em apenas dois volumes. Não porque a narrativa fique incompreensível ou desequilibrada, repito, mas porque existe tanta substância que acabamos por desejar mais espaço para explorar cada fio desta teia. 

Apesar disso, Brigada de Costumes permanece uma obra notável. Está impregnada de uma melancolia constante que acompanha o leitor do princípio ao fim. Há uma tristeza difusa em muitas das situações e personagens, mas nunca uma tristeza gratuita ou manipuladora. Tudo surge organicamente integrado na história e contribui para a sua autenticidade emocional.

Brigada de Costumes, de Zidrou e Jordi Lafebre - A Seita - Arte de Autor
Relativamente aos desenhos de Jordi Lafebre, é impossível não destacar o extraordinário trabalho do autor. Uma vez mais. À partida, e tendo em conta a história que temos em mãos, até poderia pensar-se que o seu talento para histórias mais luminosas e optimistas entraria em conflito com uma narrativa tão sombria. Mas acontece precisamente o contrário. O desenhador entrega belas páginas, belas opções visuais e velos enquadramentos. As cores nos desenhos, a recriação da Paris dos anos 30, as roupas de época, a elegância dos cenários, os corpos femininos e, acima de tudo, a expressividade das personagens são absolutamente magníficos. 

A edição é em capa dura baça, de textura aveludada e com detalhes a verniz. No miolo, o papel é baço e de boa qualidade. Também de boa qualidade é a encadernação, impressão e acabamentos. A opção das editoras por lançarem a obra num único volume integral também foi a mais ajustada, claro.

Em suma, Brigada de Costumes é uma belíssima obra que em boa hora foi editada em Portugal. No final da leitura, fica uma sensação agridoce: a tristeza de abandonar estas personagens, por um lado, e a gratidão por termos podido acompanhá-las, por outro. E isso, para mim, é sinal de uma grande obra!


NOTA FINAL (1/10):
9.5


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Brigada de Costumes, de Zidrou e Jordi Lafebre - A Seita - Arte de Autor

Ficha técnica
Brigada de Costumes
Autores: Zidrou e Jordi Lafebre
Editoras: A Seita e Arte de Autor
Páginas: 136, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 cm
Lançamento: Junho de 2026

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Arte de Autor e A Seita editam nova BD de Zidrou e Jordi Lafebre!



Já aqui tinha sido anunciado, mas agora é facto consumado! As editoras Arte de Autor e A Seita preparam-se para editar a obra Brigada de Costumes, que conta com argumento de Zidrou e ilustrações de Jordi Lafebre.

O livro já se encontra em pré-venda no site da editora Arte de Autor e deverá chegar às livrarias a partir do próximo dia 30 de junho.

Eu, enquanto confesso fã dos dois autores, estou com enorme vontade de mergulhar nesta leitura! Esta obra foi originalmente editada em dois volumes, mas a edição portuguesa será de um só volume integral.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.

Brigada de Costumes, de Zidrou e Jordi Lafebre

A dupla Zidrou e Jordi Lafebre (Lydie, Verões Felizes) reencontra-se na esquadra de Paris na década de 1930!

Esta história em duas partes retrata o quotidiano da esquadra: o jovem inspetor Aimé Louzeau inicia-se na infiltração e vigilância para desvendar segredos cruciais para os mais altos escalões governamentais. 

Mas a polícia também tem os seus segredos, e Aimé, filho de um padre excomungado, não é excepção…

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Ficha técnica
Brigada de Costumes
Autores: Zidrou e Jordi Lafebre
Editoras: A Seita e Arte de Autor
Páginas: 136, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 cm
PVP: 27,00€



quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Análise: Sou Um Anjo Perdido

Sou Um Anjo Perdido, de Jordi Lafebre - Arte de Autor

Sou Um Anjo Perdido, de Jordi Lafebre - Arte de Autor
Sou Um Anjo Perdido, de Jordi Lafebre

Depois do excelente e, quanto a mim, algo subvalorizado Sou o Seu Silêncio, Jordi Lafebre, autor de outras obras relevantes como Apesar de Tudo ou Verões Felizes - este último, com argumento de Zidrou - está de volta para mais um livro que se intitula Sou Um Anjo Perdido.

Voltamos à personagem de Eva Rojas por quem eu admiti estar apaixonado na análise que fiz ao anterior livro daquilo a que, julgo, já se pode considerar a série "Eva Rojas".

Neste Sou Um Anjo Perdido a história começa pelo fim de algo e pelo princípio de tudo o que queremos descobrir. Um homem aparece morto numa zona de obras, enterrado em cimento, de cabeça para baixo e tendo apenas as pernas de fora. A inspetora Merkel e o agente Garcia são chamados ao local da ocorrência para investigar o caso e eis que surge Eva Rojas, a psicóloga endiabrada com um jeito especial para brincar aos detetives que, rapidamente começa a desenrolar uma história complexa que é, acima de tudo, mais um daqueles episódios dignos da sua vida caótica. 

Sou Um Anjo Perdido, de Jordi Lafebre - Arte de Autor
Daí a que Eva passe a ser constituída suspeita do crime ocorrido é um passo curto e a protagonista acaba mesmo por ser interrogada pelos dois agentes. Há um crime, há uma vítima, ou talvez haja apenas um conjunto de azares e coincidências. E depois há Eva Rojas, esta personagem carismática e inesquecível que nunca bate certo com nada, mas bate sempre de frente com a vida. E quando nos damos conta, já estamos presos à sua voz, àquele fio narrativo que se enrola e desenrola como se estivéssemos sentados num café a ouvir alguém que sabe contar histórias demasiado bem. Assim é esta personagem de Jordi Lafebre, um autor que além de exímio ilustrador, é um excelente contador de histórias. 

E é mesmo pela história, divertida e dinâmica, com um travo agridoce, que este Sou Um Anjo Perdido nos conquista: pela forma como Eva nos toma pela mão e nos fala. Como se estivéssemos ali, ao lado dela, a ouvir uma crónica de amor, tragédia e riso. Lafebre não escreve apenas uma história policial; escreve sobre a pequena turbulência humana que é sermos alguém no mundo. E Eva - que se julga perdida, mas nunca está totalmente perdida - é um mapa imperfeito onde temos prazer em deixarmo-nos perder. 

A estrutura em interrogatório utilizada pelo autor para nos contar os acontecimentos que levaram àquele homem morto, funciona como um mecanismo delicioso. O diálogo de Eva Rojas com os inspetores cria ritmo, humor, hesitações, pausas, desvios... enfim, tudo aquilo que acontece quando alguém tenta relatar um episódio e se lembra de tantas coisas, aparentemente sem importância, pelo meio. É verosímil e cómico, e tão real como a própria vida. Eva interrompe-se a si mesma, suspira, ri de si própria, perde o fio à meada, recupera-o. Esta textura narrativa dá alma ao livro e transforma a leitura numa conversa viva.

A história, novamente ambientada na cidade de Barcelona, envolve muitas coisas que, a bem de não estragar o prazer de leitura a quem vai mergulhar nesta obra, refiro apenas, sem dar mais indicações ou explicações: toca os temas do futebol, da prostituição, do nazismo, do rapto. Confesso que bastante cedo percebi a forma como a história se iria desenrolar, o que pode ser um ponto menos a favor da obra, já que se trata de uma história de mistério que procura, idealmente, não revelar o desenlace até ao final da mesma.

Seja como for, não deixa de ser curioso que, com Sou Um Anjo Perdido, Jordi Lafebre reitere quase um “modo Lafebre” de contar histórias. Aquela mistura de humor, melancolia, erotismo suave e uma certa esperança positiva faz parte da sua fórmula de contar histórias, em especial nestes dois álbuns dedicados a Eva Rojas. Digo até mais: Eva Rojas tem tudo para nos continuar a dar mais livros, mais momentos, mais capítulos. O autor parece ter encontrado a sua receita, urgindo apenas que nos continue a servir mais belos livros como este. 

Sou Um Anjo Perdido, de Jordi Lafebre - Arte de Autor
Mesmo sendo uma série policial, como assim faz crer o subtítulo da obra Um Policial em Barcelona, é Eva Rojas quem rouba a atenção do leitor, pois esta personagem é uma autêntica tempestade em forma humana. É impossível não nos apaixonarmos um pouco por ela. A sua sensualidade natural, o seu humor, a sua honestidade emocional, a sua loucura luminosa... tudo nela é irresistível. A parte policial do livro quase se dissolve perante o magnetismo da própria personagem. O crime é apenas o pretexto; o mundo interior de Eva é o verdadeiro mistério.

E, claro, neste livro a protagonista continua a ser afetada pelas vozes das mulheres do seu passado, que permitem uma dinâmica ainda maior ao relato, e uma forma de tornar os  monólogos de Eva Rojas mais realistas, enquanto se pisca, novamente, o olho à importância da saúde mental.

Por falar em saúde mental, desta vez Jordi Lafebre abre-nos uma porta para o passado de Eva ao introduzir a sua mãe, internada num hospital psiquiátrico. É um encontro algo duro, mas necessário. Todo o brilho de Eva tem sombras a sustentá-lo, e o livro deixa-nos espreitar essas camadas profundas sem nunca cair no melodrama. Este olhar íntimo ajuda-nos a compreender as cicatrizes que moldaram a mulher que vemos: divertida, sensual, mas também vulnerável e ferida.

E é nessa abertura emocional que Sou Um Anjo Perdido cresce. A relação com a mãe não é apenas um elemento narrativo; é uma respiração funda no meio da leveza cómica, uma âncora que impede o livro de se tornar demasiado leve. Lafebre sabe equilibrar o riso e o silêncio como poucos autores de BD contemporânea.

Aceito que talvez este livro não consiga surpreender-nos tanto como o anterior, Sou O Seu Silêncio, em que pudemos conhecer, primeiramente, a dinâmica da personagem, das suas vozes interiores, da psicanálise, da investigação criminal, pois todos esses elementos voltam a ser-nos dados neste Sou Um Anjo Perdido, enquanto "round two", mas mesmo não tendo o fator "novidade", este novo livro não deixa de estar muito bem feito. E, quem sabe, talvez este segundo livro possa fazer com que mais gente leia o primeiro volume. Assim espero.

Sou Um Anjo Perdido, de Jordi Lafebre - Arte de Autor
Quanto ao desenho… que maravilha! O traço de Jordi Lafebre revela-se, mais uma vez, dinâmico, elegante e profundamente humano. Limpo, mas vibrante; simples, mas de uma expressividade arrebatadora. Jordi Lafebre parece desenhar sem esforço aparente e com uma vitalidade que se sente em cada vinheta. As personagens movem-se como se existissem para além da página, e Eva então… Eva transborda vida.

A sua expressividade corporal, a sua teatralidade dos gestos, a forma como cada uma das suas poses revela mais do que mil palavras, tudo isto confirma que Lafebre domina a arte de criar personagens que habitam cada centímetro do papel. Quando o texto exige intensidade, o desenho acompanha, bem como quando exige subtileza.

Também as cores são outro destaque. Há uma harmonia cálida, luminosa, que se mistura com tonalidades mais melancólicas quando a história assim o exige. Enfim, é um livro brilhantemente desenhado, difícil de não apreciar, especialmente para leitores habituados ao melhor que a banda desenhada europeia pode oferecer.

A edição da Arte de Autor está muito bem feita, com o livro a apresentar capa dura, com textura aveludada e detalhes a verniz. No interior, o papel é brilhante e de boa qualidade, tal como a impressão e encadernação. Há ainda um caderno suplementar, com generosas 16 páginas, em que somos brindados com um importante testemunho de Jordi Lafebre sobre esta obra e sobre como se inspirou nos seus tempos de criança a viver na cidade de Barcelona. A acompanhar o texto do autor, estão várias páginas com esboços de personagens e ilustrações promocionais. Estamos, portanto, perante uma bela edição da Arte de Autor!

No fim, Sou Um Anjo Perdido confirma aquilo que já suspeitávamos: Jordi Lafebre é um contador de histórias único, capaz de equilibrar humor, policial, poesia e humanidade com uma facilidade que desconcerta. Este livro não é apenas uma boa leitura, é um espaço emocional onde gostamos de regressar porque Eva Rojas nos dá mais do que uma aventura - dá-nos um pouco de vida. E continuo apaixonado por ela!


NOTA FINAL (1/10):
9.6


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020

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Sou Um Anjo Perdido, de Jordi Lafebre - Arte de Autor

Ficha técnica
Sou Um Anjo Perdido
Autor: Jordi Lafebre
Editora: Arte de Autor
Páginas: 128, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 225 x 298 mm
Lançamento: Outubro de 2025 

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Jordi Lafebre está de volta com nova BD!



Aquele que já vem sendo um autor muito acarinhado pelo público português, Jordi Lafebre, está de volta com mais uma banda desenhada!

A nova obra chama-se Sou Um Anjo Perdido e volta a trazer-nos uma aventura policial da personagem Eva Rojas, da qual cedo me afirmei um grande fã, tal como referi na análise que fiz ao anterior livro de Lafebre, Sou O Seu Silêncio.

Este livro que é editado pela Arte de Autor já se encontra à venda no Amadora BD. Além disso, encontra-se em pré-venda no site da editora.

Nota para o facto de esta edição contar com um caderno gráfico de extras com 16 páginas, ilustrado com esboços das personagens do álbum, e onde o autor conta a sua infância em Barcelona, bem como de onde lhe vieram as ideias para este trabalho.

Mal posso esperar para o ler!

Por agora deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Sou um Anjo Perdido, de Jordi Lafebre

Um Policial em Barcelona

Óculos escuros, cigarro nos lábios, pele sobre uma mini saia, a psiquiatra excêntrica Eva Rojas está de volta!

Dezoito meses após os episódios relatados em Je suis leur silence, ela observa de cima de um guindaste duas pernas que sobressaem de uma laje de betão, o que não augura nada de bom. A inspetora Merkel e o seu adjunto Garcia terão de interrogá-la como única testemunha ocular. Mas nada é simples com Eva: ela aceita responder, mas apenas na presença do seu... psiquiatra! E então conta em detalhe à polícia, mas também ao Dr. Llull, os sete dias que antecederam o incidente.

Um dos seus pacientes, João, 19 anos, estrela em ascensão do futebol, desapareceu. O clube responsabiliza-a e exige que ela o encontre em seis dias. Para o bem e para o mal, Eva pode contar com as «vozes» que a acompanham, as de suas antepassadas, falecidas há muito tempo, mas ainda muito presentes! E ainda mais presentes quando Eva visita sua mãe no hospital psiquiátrico ou quando se aproxima um pouco demais dos neonazistas...

Jordi Lafebre teve a excelente ideia de voltar a reunir as personagens de Je suis leur silence para uma nova investigação! Alterna o suspense e o humor em diálogos irresistíveis, sem deixar de evocar as neuroses que se transmitem de geração em geração... Um regresso inesperado e mais do que bem-sucedido!

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Ficha técnica
Sou Um Anjo Perdido
Autor: Jordi Lafebre
Editora: Arte de Autor
Páginas: 128, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 225 x 298 mm
PVP: 29.50€

quarta-feira, 30 de julho de 2025

TOP 10 - A Melhor BD lançada pela Arte de Autor nos últimos 5 anos!

TOP 10 - A Melhor BD lançada pela Arte de Autor nos últimos 5 anos!


Se ontem vos falei da melhor banda desenhada editada pela Ala dos Livros, hoje falo-vos daquela que considero ser a melhor banda desenhada editada pela Arte de Autor nos últimos 5 anos, a partir de 2020, em tom de celebração pelos 5 anos de existência do Vinheta 2020.

Não são muitos os anos, mas são muitos os lançamentos de boa banda desenhada por cá, o que dá eco à ideia, que eu subscrevo, que a edição de banda desenhada em Portugal vive um dos seus melhores períodos de sempre... se não for o melhor.

Já escrevi isto ontem, mas deixo novamente aqui esta informação, para o caso de ser o primeiro destes artigos que o leitor desta página encontra:

Convém relembrar que este conceito de "melhor" é meramente pessoal e diz respeito aos livros que, quanto a mim, obviamente, são mais especiais ou me marcaram mais. Ou, naquela metáfora que já referi várias vezes, "se a minha estante de BD estivesse em chamas e eu só pudesse salvar 10 obras, seriam estas as que eu salvava".

Faço aqui uma pequena nota sobre o procedimento: considerei séries como um todo e obras one-shot. Tudo junto. Pode ser um bocado injusto para as obras autocontidas, reconheço, e até ponderei fazer um TOP exclusivamente para séries e outro para livros one-shot, mas depois achei que isso seria escolher demasiadas obras. Deixaria de ser um TOP 10 para ser um TOP 20. Até me facilitaria o processo, honestamente, mas acabaria por retirar destaque a este meu trabalho que procura ser de curadoria. Acabou por ser um exercício mais difícil, pois tive que deixar de fora obras que também adoro, mas acho que quem beneficia são os meus leitores que, deste modo, ficam com a BD que considero ser a "crème de la crème" de cada editora.

Feita a introdução, passemos então àquela que considero como a melhor BD lançada pela Arte de Autor nos últimos 5 anos. Chamo a atenção para o facto de eu considerar que fará sentido fazer um TOP dedicado aos lançamentos que a Arte de Autor fez em conjunto com a editora A Seita. Mas isso ficará para outro dia. Como tal, as obras lançadas em conjunto pelas duas editoras não foram tidas em conta para este TOP.

Por agora, centremo-nos no TOP dedicado aos livros exclusivamente editados pela Arte de Autor.

Ora vejam:

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

Comparativo: Lydie pel' A Seita e Arte de Autor e pela Norma Editorial

E como não há duas sem três, esta semana ainda vos trago um terceiro comparativo entre edições da mesma obra de banda desenhada.

Desta vez, foco-me na edição portuguesa e na edição espanhola do livro Lydie, da autoria de Zidrou e Jordi Lafebre, do qual já falei aqui no Vinheta 2020. Aconselho, aliás, a (re)leitura desse artigo, onde dou conta do quanto a obra me tocou. Este é um lindo livro, onde a escrita e argumento de Zidrou são verdadeiramente inspirados e onde, mais uma vez, o trabalho de Jordi Lafebre impressiona. E não tenho nem uma dúvida de que Lydie merecia ser editado em Portugal!

Por esse motivo, e mesmo já tendo na minha coleção pessoal a versão espanhola da obra, pela Norma Editorial, foi com enorme satisfação que soube que este livro iria ser publicado em Portugal através da parceria formada pelas editoras A Seita e Arte de Autor.

Esta é, aliás, a primeira obra que Zidrou e Jordi Lafebre fizeram em colaboração, ainda antes da belíssima série Verões Felizes, por cá publicada também pela Arte de Autor.

Passarei agora, então, a analisar as diferenças entre as edições portuguesa e espanhola deste Lydie.

E, desta vez, por muito que eu tenha sempre um especial carinho pelas edições portuguesas em detrimento das edições estrangeiras - porque, caramba, mesmo que eu consiga ler bem em inglês, espanhol e, mais ou menos, em francês, prefiro sempre ler em português, a minha língua mãe e, portanto, aquela onde se consegue maior profundidade na real captação dos significados, por vezes, complexo das palavras e expressões - por uma questão de honestidade intelectual, tenho que dizer o óbvio: em quase todas as valências, a edição espanhola supera a edição portuguesa.

Até porque, convenhamos, eu tinha a versão especial espanhola, o que pode, por si só, desnivelar um pouco este comparativo.

Mesmo assim, também há algumas coisas na edição portuguesa que superam, quanto a mim, a edição espanhola.

Em primeiro lugar, as duas edições têm capas diferentes. E, neste ponto, a edição portuguesa vence facilmente. A capa portuguesa da obra é muito mais apelativa, não só em termos de ilustração como, até mesmo, ao nível do grafismo do arranjo gráfico. A capa portuguesa vende por si só... a capa espanhola, não. Portanto, neste ponto, tenho que dar os parabéns às duas editoras portuguesas.

Ainda no grafismo das obras, refira-se que também na contracapa, a obra portuguesa é mais bonita. Para mim, pelo menos.


Mas, olhando para as duas capas, há também uma outra coisa que salta à vista: o formato dos dois livros. A edição espanhola é substancialmente maior em relação à edição portuguesa. E, neste ponto, mantenho-me firme no que sempre digo: prefiro sempre que as edições tenham a dimensão maior possível (salvo raras e concretas exceções), embora também não ache que uns cms a mais, ou a menos, arruinem a experiência de leitura. Não é isso que me faz deixar de comprar uma edição. Portanto, preferindo a edição maior, também é verdade que não me sinto ultrajado pela edição relativamente mais pequena portuguesa.

Imagino que, como o plano das duas editoras portuguesas é lançarem uma coleção de obras de Zidrou, tenham tido a ideia de estandardizar as dimensões dos vários livros. Pelo menos, o Emma G. Wildford, já lançado pel' A Seita e pela Arte de Autor, tem a mesma dimensão deste Lydie. Portanto, goste-se ou não, pelo menos parece haver uma certa lógica nesta opção da dimensão dos livros.


Quanto ao tipo de papel utilizado, volto a preferir a escolha feita pela edição portuguesa da obra que opta por um papel baço em detrimento de um papel brilhante. 

Acho que certos tipos de traços, bem como certos tipos de histórias, funcionam melhor num papel baço. E é o caso deste Lydie.


De resto, em termos de encadernação e impressão, ambas as edições têm uma boa qualidade onde nenhuma se destaca em relação à outra.

E chegados a este ponto deste comparativo, até poderão achar que, além da questão do formato da obra, eu até gostei mais da versão portuguesa de Lydie, pois gostei mais da capa portuguesa, bem como do papel utilizado. 

No entanto, há algo que a edição espanhola tem e que, infelizmente, a edição portuguesa optou por não ter: um muito generoso e completo dossier de extras onde há textos sobre a obra e muitos e belos esboços do autor Jordi Lafebre. Um verdadeiro mimo.

Acho que, neste ponto, a A Seita e a Arte de Autor perderam a oportunidade de incluir estes belos extras e de tornar a sua edição em algo muito mais especial.

Também é verdade que o preço da edição portuguesa é relativamente inferior ao da edição espanhola - o que é sempre uma boa notícia para os leitores portugueses - mas, mesmo assim, julgo que, mesmo que o preço do livro português fosse ligeiramente superior ao que é, seriam muitos os portugueses a apreciar tão belo dossier de extras na edição portuguesa, como partilho convosco mais abaixo.







Resumindo e concluindo, sim, A Seita e a Arte de Autor dão-nos uma bem conseguida edição da totalmente recomendada obra Lydie, de Zidrou e Jordi Lafebre, mesmo que, comparando com a edição da espanhola Norma Editorial desta mesma obra que eu já detinha na minha coleção, a oferta em português não seja superior em termos qualitativos.

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

Análise: Sou o Seu Silêncio

Sou o Seu Silêncio, de Jordi Lafebre - Arte de Autor

Sou o Seu Silêncio, de Jordi Lafebre - Arte de Autor
Sou o Seu Silêncio, de Jordi Lafebre

Tenho uma nova paixão por uma personagem da BD! Chama-se Eva Rojas e é a protagonista do novo livro de Jordi Lafebre, intitulado Sou o Seu Silêncio, que a Arte de Autor acaba de publicar!

E é mesmo por aí que quero começar. Pela personagem. Personagens é o que não falta para aqueles que, como eu, já leram muita banda desenhada. O mesmo poderia, aliás, ser dito para os que acompanham cinema, videojogos ou literatura. Há sempre alguém que protagoniza a história em que nos detemos. No entanto, e como saberão tão bem como eu, nem sempre essas personagens são inesquecíveis. Ou originais. Ou marcantes. Por vezes, parece que só ali estão para servir a história que se pretende contar. Depois há – e que bom que isso é – algumas personagens que, ou pela sua originalidade, ou pelo seu carisma, ou por nos identificarmos ou preservarmos algo nelas, ficam connosco para o resto da vida. Eva, a personagem principal de Sou o Seu Silêncio é uma dessas personagens. Passarão anos depois de eu ler este livro e continuarei a lembrar-me, com saudade, desta magnífica personagem!

Sou o Seu Silêncio, de Jordi Lafebre - Arte de Autor
E esse será, quanto a mim, o maior trunfo de mais um trabalho carregado de trunfos de Jordi Lafebre. O autor começou por se tornar mais célebre por trabalhar com Zidrou nas obras Verões Felizes, Lydie e La Mondaine (que espero que, tal como as outras obras referidas, venha a ser publicado em Portugal). Nos livros que brotaram dessa parceria tornou-se óbvio para todos que Lafebre era dono de uma qualidade invejável a nível de desenhos. Com um traço moderno, onde são claras as influências da escola Spirou, o autor é especialmente sublime na caracterização de expressões faciais impactantes. O sonho para um argumentista de banda desenhada, diria.

E se essa capacidade de desenho de Lafebre já era, pois, um facto consumado quando, em 2020, o autor se aventurou enquanto autor completo - assegurando argumento e desenhos – com a obra Apesar de Tudo ficou claro que Jordi Lafebre também tinha cartas para dar nesse cômputo do argumento e do texto. De facto, Apesar de Tudo tornou-se instantaneamente num das minhas BDs one shot preferidas de sempre! Como tal, a minha expetativa para este Sou o Seu Silêncio, em que Jordi Lafebre assegura, novamente, argumento e ilustrações era, por tudo o que já disse acima, altíssima.

E não saí defraudado! De todo! Pelo contrário, Lafebre continua a surpreender-me. Desta feita, fê-lo acima de tudo com a personagem de Eva. Trata-se de alguém adorável, extremamente empertigada (sem ser irritante), divertida, inteligente, sensual e sensível. Fiquei fã! Só pela personagem, este livro já valia a pena e, sinceramente, gostaria de a ver a ser resgatada, no futuro, para novas histórias do autor.

Sou o Seu Silêncio, de Jordi Lafebre - Arte de Autor
A história de Sou o Seu Silêncio é, na verdade, um romance policial. A ação decorre na cidade de Barcelona e a protagonista, Eva Rojas, é uma psiquiatra brilhante que se encontra a fazer terapia psiquiátrica, como paciente. O seu médico é o Dr. Llull que vai-lhe fazendo algumas perguntas para melhor a ajudar a lidar com os seus fantasmas. E sim, “fantasmas” não foi um substantivo usado ao calhas por mim. O aparente objetivo destas sessões psiquiátricas é que Eva recupere a sua licença para continuar a exercer a sua profissão.

E, então, vai narrando ao Dr. Llull a história onde se viu metida pela sua amiga (e paciente) Penelope, que lhe pediu apoio através da sua presença durante a leitura do testamento da avó da Penelope. Acontece que a família desta é uma das mais influentes e ricas da região, sendo produtora de vinhos e detentora de uma enorme fortuna. Como tal, e tendo em conta os skills de psiquiatra de Eva, esta acaba por conhecer os segredos obscuros dos vários membros da família. E é durante a sua estadia na propriedade que um membro da família Monturó, qual romance de Agatha Christie, aparece morto. As suspeitas parecem apontar para Eva que terá que provar a sua inocência, investigando ela própria, pelos seus meios, o misterioso caso.

A história vai assumindo um estilo de humor leve, à boa maneira das comédias românticas que passam na televisão aos sábados à tarde, onde, apesar disso, há espaço para momentos mais sérios e introspetivos. E, claro, para a investigação. Não tendo, por sinal, a classe e método nos procedimentos de investigação de um Sherlock Holmes ou de um Hércule Poirot, Eva Rojas é “despachada” e, com desenvoltura e alguns percalços pelo caminho, tudo fará para levar a bom porto a investigação.

Sou o Seu Silêncio, de Jordi Lafebre - Arte de Autor
Em termos narrativos, Jordi Lafebre volta a aproximar-se da genialidade. A história até pode não ser nada do outro mundo, mas a forma como é contada, é brilhante. O autor faz uso de vários níveis narrativos, aproveitando os bem construídos diálogos de Eva e do Dr. Llull, com o relato dos acontecimentos e ainda com os comentários de três mulheres que, não estando materialmente presentes, nunca deixam de marcar presença na vida de Eva. E para aqueles que gostam de histórias mais terra-a-terra, sem partes de fantasia, refiro que não há nada de fantasioso na utilização destas três personagens. Mas terão que ler o livro para perceber do que falo.

Para além disso, Lafebre ainda nos reserva um bom conjunto de surpresas que nos enganam e nos levam por caminhos que, à partida, pareciam não estar no nosso horizonte interpretativo. Fantástico! Por muito que adore as obras de Lafebre com Zidrou – e acreditem que adoro todas elas! – acho que já podemos afirmar sem receios que Lafebre é um autor completo. Se na ilustração é fantástico, também o consegue ser em termos de argumento!

Interessante ainda é que Sou o Seu Silêncio aborde questões de saúde mental. Não o faz de uma forma académica ou enfadonha, mas também não o faz de forma superficial. Pelo contrário, acaba por assumir um tom emotivo que justifica muitas das emoções e comportamentos da irresistível Eva.

É verdade que há umas “coisitas” no argumento que talvez pareçam um pouco mais forçadas ou menos verosímeis e que a resolução final do caso também poderia ter sido mais fantástica, mas, pelo menos olhando para o meu crivo de qualidade pessoal, essas coisas não beliscam em nada a inegável qualidade da obra. Aliás, creio que quando chegar o final do ano e eu olhar para as minhas leituras preferidas de BD de 2023, Sou o Seu Silêncio estará entre o meu TOP 10.

Sou o Seu Silêncio, de Jordi Lafebre - Arte de Autor
Os que procuram uma história romântica como Apesar de Tudo talvez fiquem algo desiludidos por não verem abordadas questões amorosas neste livro, mas, convenhamos, também nunca pareceu ser essa a premissa sugerida pelo autor para este livro. Com efeito, trata-se de um policial leve, extremamente bem pensado, maravilhosamente narrado e com uma inolvidável protagonista. E os desenhos… bom, os desenhos são lindos!

Para os que gostaram das ilustrações de Verões Felizes ou de Apesar de Tudo, encontrarão aqui mais um trabalho de qualidade superior. Sem que lhes demos autorização para tal, as expressões das personagens criam empatia connosco. Nota ainda, curiosa, para o facto de o estilo de desenho do autor, demarcadamente europeu, conseguir, em várias vinhetas, remeter-nos de forma subtil para o mangá - pelo menos, em relação à personagem de Eva com o seu cabelo curto pontiagudo e grandes olhos expressivos.

Quanto à edição da Arte de Autor, o livro apresenta capa dura de textura aveludada e detalhes a verniz. Bom papel ligeiramente brilhante no miolo, boa encadernação e boa impressão. Tudo muito bem feito, exceto a introdução do nome da editora na capa que não aparece alinhada ao centro - eu sei que isto é um preciosismo meu e, portanto, desculpem o meu O.C.D., mas não consegui evitar de reparar nisto. Mas já que falo na capa, Jordi Lafebre também volta a dar-nos uma capa soberba. Verdadeiramente linda e impactante. Eu já comprava o livro só por causa desta capa.

Em suma, não só fiquei apaixonado com a personagem de Eva Rojas, a protagonista deste Sou o Seu Silêncio, como ficou provado (e comprovado) que Jordi Lafebre é um autor completo, maravilhoso no argumento e na ilustração e que nos dá, uma vez mais, uma das melhores bandas desenhadas do ano! Ponham na lista de compras, este é obrigatório!


NOTA FINAL (1/10):
9.8



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Sou o Seu Silêncio, de Jordi Lafebre - Arte de Autor

Ficha técnica
Sou o Seu Silêncio
Autor: Jordi Lafebre
Editora: Arte de Autor
Páginas: 112, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 225 x 298
Lançamento: Outubro de 2023

terça-feira, 3 de outubro de 2023

Arte de Autor prepara-se para lançar nova BD do criador de Verões Felizes!

Já aqui tinha dado conta desta novidade quando, em Março, confirmei que seria a Arte de Autor a editar a próxima obra a solo de Jordi Lafebre, autor do brilhante Apesar de Tudo e co-autor da série Verões Felizes que, rápida e justamente, se tornou um sucesso de vendas.

Posso agora confirmar-vos que a Arte de Autor já fez saber que espera lançar o novo livro do autor, intitulado Sou o Seu Silêncio ainda durante o Amadora BD. Portanto, já não falta muito!

Sou tão fã do trabalho de Lafebre enquanto ilustrador e fiquei tão bem impressionado com a sua obra a solo Apesar de Tudo, que vos digo que estou com muitas e altas expetativas para este Sou o Seu Silêncio.

Mais abaixo deixo-vos algumas imagens promocionais da edição francesa da obra, bem como a sinopse da obra.


Sou o Seu Silêncio, de Jordi Lafebre

Barcelona, hoje em dia. 

Eva Rojas, uma jovem psiquiatra brilhante, está relutante em responder às perguntas do Dr. Llull. No entanto, não tem outra hipótese senão colaborar, se quiser recuperar a sua licença e voltar a exercer a sua profissão. 

Há alguns dias, uma das suas pacientes, Penelope, pediu a Eva que actuasse como pessoa de apoio e a acompanhasse durante a leitura do testamento da sua avó. 

Embora a sua avó ainda esteja viva, a reunião familiar não será menos difícil.

À sua chegada a Can Monturós, a excêntrica psiquiatra descobre rapidamente os segredos obscuros que pairam sobre a adega. E com razão: o seu negócio é ir ao fundo dos segredos das pessoas. A família Monturós, que fez fortuna com as suas vinhas durante o período franquista, parece estar a esconder alguns segredos inomináveis... 

Durante a sua estadia na propriedade, um membro da família foi assassinado. Não demora muito para que os olhos curiosos se voltem para Eva, que lidera a investigação na tentativa de provar sua inocência. Na sequência do poético Apesar de Tudo, Jordi Lafebre apresenta-nos uma novela gráfica luminosa, com um ritmo decididamente moderno e um tom humorístico, com histórias entrelaçadas e personalidades coloridas. 

É uma história que se situa entre a comédia e o thriller criminal catalão.

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Ficha técnica
Sou o Seu Silêncio
Autor: Jordi Lafebre
Editora: Arte de Autor
Páginas: 112, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 225 x 298
PVP: 25,95€



terça-feira, 12 de setembro de 2023

A Seita e a Arte de Autor lançam a primeira de várias obras de Zidrou!


Se há nomes consensuais na banda desenhada, o nome do argumentista Zidrou será um dos mais consensuais. Sinceramente, já li vários livros do autor e ainda nao houve nenhum que não me agradasse!

Também ajuda que o autor se saiba rodear de excelentes ilustradores. Só em Portugal, já foram lançadas obras soberbas como Verões Felizes (pela Arte de Autor), A Fera (pel'A Seita) ou A Adopção (por Ala dos Livros). E todas elas são histórias tocantes e bem escritas que também são brilhantemente ilustradas por, respetivamente, Jordi Lafebre, Frank Pé ou Monin.

Portanto, é com muita satisfação que vejo as esditoras A Seita e Arte de Autor juntarem-se para o lançamento de uma coleção dedicada às obras de Zidrou! O primeiro dessa coleção intitula-se Lydie e já chegou às livrarias. Traz-nos, novamente, a parceria entre os autores Zidrou e Jordi Lafebre, autores da série Verões Felizes.

Posso dizer que já li este livro e achei-o absolutamente obrigatório e tocante. Aconselho, por isso, a leitura da análise que fiz à obra na sua edição espanhola.

Depois de Lydie, as duas editoras portuguesas já anunciaram as obras Emma G. Wildford, com desenhos de Edith, (que deverá sair ainda em Setembro) e Naturezas Mortas, com desenhos de Oriol.

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa dedicada à obra.


Lydie, de Zidrou e Jordi Lafebre

Já está disponível em livrarias o nosso mais recente lançamento e o primeiro de uma colecção dedicada a um dos melhores e mais prolíficos argumentistas de BD franco-belga contemporâneo: Zidrou!

Maravilhosamente ilustrado por Jordi Lafébre, que já colaborou com Zidrou na série Verões Felizes, este é um pequeno romance gráfico que aborda de modo terno e afectuoso, e cheio de humor, um drama terrível: a perda de um filho recém-nascido.

"Têm razão ao dizer que uma mãe não é nada sem o seu filho. Sei do que falo: não foi à toa que me apelidaram de «Nossa Senhora do filho perdido»! 

Por isso, quando a Camille Tirion — sabem, a filha do Augustin, o maquinista de locomotivas — pois bem, quando a Camille perdeu o seu à nascença, fiquei muito abalada. 

Uma menina. Era uma menina. Iria chamar-se Lydie…"
A jovem Camille perde o seu bebé, que se iria chamar Lydie, algo que desencadeia uma crise terrível, nela, na sua família, e nos seus vizinhos, e toda a pequena comunidade da rua em que vive... comunidade que vai responder a esta crise com compaixão, e com originalidade!

Um livro a não perder! 

E já em finais de Setembro, teremos encontro marcado com o segundo volume da colecção: Emma G. Wildford!




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Ficha técnica
Lydie
Autores: Zidrou e Jordi Lafebre
Editoras: A Seita e Arte de Autor
Páginas: 60, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 218 x 295 mm
PVP: 18,50€