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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Análise: O Grande Poder do Chninkel

O Grande Poder do Chninkel, de Van Hamme e Rosinsky - Arte de Autor

O Grande Poder do Chninkel, de Van Hamme e Rosinsky - Arte de Autor
O Grande Poder do Chninkel, de Van Hamme e Rosinsky

Seguramente um dos grandes (re)lançamentos de banda desenhada em Portugal do ano 2025, foi este O Grande Poder do Chninkel, dos autores Van Hamme e Rosinski, que hoje vos trago e que a Arte de Autor nos fez chegar no passado mês de Setembro.

Esta é uma dessas obras raras que parecem existir fora do tempo, pois, mesmo sendo lida nos dias de hoje, quase quatro décadas após a sua publicação original em 1988, mantém intacta a sua força simbólica, narrativa e visual. Van Hamme e Rosinski oferecem-nos com este O Grande Poder do Chninkel um álbum que não só marcou a banda desenhada franco-belga, como ajudou a alargar definitivamente as fronteiras do que a BD podia - e pode - ser: um espaço de reflexão filosófica, espiritual e profundamente humana.

E o mais engraçado é que, à primeira vista, nada leva a crer que esta obra seja assim tão filosófica e profunda, pois a mesma lança-nos num universo de fantasia heroica, habitado por pequenas criaturas oprimidas, guerras tribais e deuses caprichosos. Dentro do seu género, parece "mais do mesmo". Mas rapidamente se percebe que O Grande Poder do Chninkel não está interessado apenas em espadas e batalhas. O que está em jogo é algo bem mais vasto: a eterna luta entre o destino imposto e o desejo visceral de liberdade. O livre arbítrio em oposição a ser-se supostamente predestinado para isto ou para aquilo. Um tema que o argumentista Jean Van Hamme trabalha aqui com uma bela dose de clareza.

O Grande Poder do Chninkel, de Van Hamme e Rosinsky - Arte de Autor
J'On, o improvável herói da história, é uma figura fascinante precisamente por não corresponder ao arquétipo clássico do salvador triunfante. Inspirado em figuras bíblicas como Moisés e Jesus, ele é simultaneamente mártir e redentor. E, por muito que o próprio J'On se convença disso, o seu verdadeiro poder não reside na força física - e muito menos na intervenção divina direta -, mas na capacidade de perdoar, de resistir ao ódio e de aceitar o sofrimento como parte do caminho. É isso, afinal de contas, o que nos faz grandiosos. Algo que já nos foi dito mil vezes, mas que parece que o acabamos por esquecer no mesmo número de vezes.

Essa dimensão espiritual da obra, com forte influência no Novo Testamento da Bíblia Sagrada e, portanto, na vida de Jesus Cristo, nunca é apresentada de forma dogmática. Pelo contrário, Van Hamme mistura referências bíblicas com um humor negro e fatalista, quase cruel, que sublinha a fragilidade da condição humana. As repetidas tentativas falhadas de J’On para conquistar a voluptuosa G'Well, a sua mais desejada do que amada, são um exemplo perfeito dessa ironia trágica que atravessa todo o álbum e lhe confere uma humanidade verossímil. Não parece haver uma crítica aguda à religião, mas, acima de tudo, uma reinterpretação dos seus cânones. Ou uma colocação dos mesmos em perspetiva.

Este universo da fantasia imaginada por Van Hamme é depois construído com uma verosimilhança impressionante e com um enorme conjunto de referências óbvias, com vários mitos a serem revisitados, desconstruídos e reinventados ao longo da obra, numa mistura ousada de fantasia heroica, inspiração bíblica e imaginário cinematográfico. E, ainda assim, o grande feito da obra é que tudo soa coeso, natural e bastante bem pensado. Continuando a mencionar algumas das referências, há aqui ecos evidentes dos hobbits de Tolkien. A estas influências juntam-se referências cinematográficas que ampliam ainda mais o alcance da obra, sendo que a alusão final a 2001: Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick, com os australopitecos a dançar em torno do monólito, não é apenas um piscar de olho cinéfilo, mas uma afirmação poderosa sobre os ciclos que marcam qualquer existência, incluindo a própria evolução, fechando o álbum com uma ambição quase cósmica. 

O Grande Poder do Chninkel, de Van Hamme e Rosinsky - Arte de Autor
Por falar em fecho, uma das muitas coisas cabalmente bem conseguidas com esta obra é a forma como Van Hamme conduz tudo para um final absolutamente certeiro em que nada parece aleatório ou gratuito. Um final que nos deixa um sorriso discreto no rosto e uma pergunta persistente na mente.

Não é difícil imaginar esta história adaptada ao cinema. O seu universo visual forte, a estrutura quase bíblica e o arco emocional de J’On dariam origem a um filme poderoso, capaz de dialogar tanto com o grande público como com espectadores mais exigentes. É uma narrativa que pede outras leituras, outros meios, sem nunca perder a sua essência.

Outra coisa positiva é que este livro, originalmente publicado no final dos anos oitenta, envelheceu muito bem. Este é um assunto delicado para muitos, bem sei, mas por vezes sinto que certas obras consideradas marcos na banda desenhada - com toda a legitimidade, diga-se - não envelheceram muito bem, tornando-se demasiado datadas e presas aos constrangimentos e modus operandi da própria época em que foram feitas. O Grande Poder do Chninkel não é um desses casos. Sendo uma história universal, poderá ser lida daqui a 10, 50 anos com a mesma relevância. Bem, talvez a brigada woke se choque com o flirt despudorado de de J'On a G'Wel, mas quero acreditar que não. Todos estes elementos de fantasia, bem como as mensagens e as referências se mantêm bem-vindos e atuais.

E a própria edição da obra a preto e branco também permite isso. Mais uma vez, talvez esta afirmação seja polémica, mas se há coisas em que a passagem do tempo se revela com mais veemência é na questão das cores. Mais do que o desenho, os processos de colorização passaram a ser muito diferentes com a passagem dos anos. Tal como a cor da fotografia, ou do cinema ou da televisão. E não quer dizer que a cor de obras das outras décadas seja melhor ou pior... quer dizer isso mesmo: que é de "outra época". E se isso pode agradar a um público que procura esse regresso ao passado, não agradará às franjas maiores que, entretanto, evoluíram para outras abordagens cromáticas. Ora, quando estamos a falar do preto e branco, nada disto acontece. O preto e o branco, especialmente o puro, sem escala de cinzentos, não muda e mantém-se sempre atual. Mas já falo desta questão do preto a branco novamente, mais abaixo.

O Grande Poder do Chninkel, de Van Hamme e Rosinsky - Arte de Autor
Importa ainda sublinhar o trabalho de Grzegorz Rosinski, que em O Grande Poder do Chninkel nos apresenta uma criação plena de liberdade, talvez precisamente por estar fora das amarras canónicas e narrativas da série Thorgal. É óbvio que há semelhanças entre uma e outra obra em termos visuais, mas aqui, o desenhador sente-se mais solto, mais experimental, mais autoral. O preto e branco não é apenas uma opção estética, mas uma verdadeira ferramenta expressiva que lhe permite explorar contrastes, texturas e atmosferas com uma força quase visceral. Há um traço mais cru e mais arriscado que reforça a dimensão trágica e simbólica da história. O resultado é uma obra visualmente poderosa, que não serve apenas o argumento de Van Hamme, mas dialoga com ele de igual para igual, elevando O Grande Poder do Chninkel a um patamar verdadeiramente excecional.

Graficamente, Rosinski atinge, pois, com esta obra um dos pontos mais altos da sua carreira. Liberto da cor, o preto e branco ganha uma expressividade brutal. As páginas respiram, os enquadramentos são precisos e a escala das cenas impressiona ainda hoje.

A edição da Arte de Autor está um mimo para os olhos e mente. O livro apresenta capa dura baça, com verniz localizado. A lombada é em tecido e com impressão a prateado. No miolo, o papel é baço e de boa qualidade, tal como a impressão e a encadernação. Há ainda uma breve nota introdutória de João Miguel Lameiras. No final do livro, encontramos um grande dossier de extras, com 20 páginas, em que somos convidados a mergulhar ainda mais na obra. Há um texto de Benoît Mouchard e extensas entrevistas feitas aos autores Van Hamme e Rosinski, que são acompanhadas por várias ilustrações a cores, esboços e pranchas coloridas, bem como as capas dos três volumes em que a obra foi originalmente editada. É demonstrada ainda a comparação entre uma prancha a preto e branco e uma prancha colorida.

Sobre esse assunto, convém que não esqueçamos que a edição da obra a preto e branco vai ao encontro da ideia inicial dos dois autores. Esta obra foi pensada e concebida para ser a preto e branco. Portanto, são infundadas algumas das críticas que li em relação à opção da Arte de Autor por lançar a obra em preto e branco. Não se pode ser mais fiel a uma obra do que editá-la da exata forma que os autores queriam, certo? Compreendo que, com o anterior lançamento da obra na sua versão a cores, no início dos anos 2000, pela Meribérica, muitos de nós - inclusive eu - nos tenhamos apaixonado por essas cores. De facto, essas cores estavam boas. Mas, lá está, essa versão, sim, desvirtuava a ideia original que os autores tinham para a obra. Façam como eu e optem por ter as duas versões da obra em casa. Acho que justifica, sinceramente. Se só poderem ter uma, optem pela versão a preto e branco.

No fim de contas, O Grande Poder do Chninkel é uma história magnífica, poética e filosófica que ainda hoje está atual e impactante. Um verdadeiro marco da banda desenhada franco-belga, um conto universal que todos deveríamos ler - sejamos nós adeptos de BD ou não. Um daqueles livros que merece, sem discussão, um lugar de destaque numa boa estante de banda desenhada.


NOTA FINAL (1/10):
9.6



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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O Grande Poder do Chninkel, de Van Hamme e Rosinsky - Arte de Autor

Ficha técnica
O Grande Poder do Chninkel - Edição Integral
Autores: Van Hamme e Rosinski
Editora: Arte de Autor
Páginas: 184, a preto e branco (con caderno de extras a cores)
Encadernação: Capa dura
Formato: 235 x 310 mm
Lançamento: Setembro de 2025

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Arte de Autor prepara-se para publicar edição integral de O Grande Poder do Chninkel!



Eis uma das grandes apostas da editora Arte de Autor para este ano!

É já durante a próxima semana que deverá chegar às livrarias portuguesas uma nova edição, integral e a preto e branco, da conceituada obra O Grande Poder do Chninkel, dos autores Van Hamme e Rosinsky!

Embora a obra tenha já tido publicação em Portugal em edições a cores, esta sempre foi uma obra originalmente imaginada para ser lançada a preto e branco, de forma a apreciar a beleza do trabalho de Rosinsky. Esta edição inclui ainda um generoso caderno de extras.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.

O Grande Poder do Chninkel - Edição Integral, de Van Hamme e Rosinski

A obra-prima da fantasia dos autores de Thorgal.

O Grande Poder do Chninkel oferece a Van Hamme a oportunidade de abordar sob um novo ângulo um dos seus temas preferidos, a saber, «o antagonismo latente entre a força do destino que nos oprime e o desejo de todo o ser apaixonado pela liberdade de escapar a esse destino», como ele mesmo esclarece nas colunas de (A SUIVRE) em março de 1987. Ele vê em J'On um redentor inspirado nas figuras combinadas de Moisés e Jesus, ao mesmo tempo mártir e figura expiatória. O seu verdadeiro «grande poder» reside na sua capacidade de perdoar as faltas do próximo, mesmo que seja o seu pior inimigo.

Para construir de forma verossímil os costumes e tradições do povo Chninkel, Van Hamme inspira-se tanto nos hobbits do Senhor dos Anéis como na tradição judaica. Além disso, combina certos diálogos com um humor fatalista centrado na decisão da má sorte, da infelicidade e do sofrimento - como quando o infeliz herói fracassa todas as vezes em que tenta unir-se à sua amada G'Well. 

Às referências cristãs - a provação no deserto, os milagres, a Última Ceia ou a crucificação, entre outras - somam-se alusões profanas. A mais evidente diz respeito ao filme 2001, Odisseia no Espaço, do qual O Grande Poder do Chninkel poderia ser uma introdução, na medida em que termina com uma sequência em que vemos australopitecos a dançar em torno de um monólito, como nos primeiros minutos do filme de Kubrick...

Liberto das restrições da cor, o traço de Rosinski floresce na representação épica de cenas de batalhas com inúmeros combatentes.

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Ficha técnica
O Grande Poder do Chninkel - Edição Integral
Autores: Van Hamme e Rosinski
Editora: Arte de Autor
Páginas: 184, a preto e branco (con caderno de extras a cores)
Encadernação: Capa dura
Formato: 235 x 310 mm
PVP: 31,00€

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Análise: Blake e Mortimer: O Último Espadão

Blake e Mortimer: O Último Espadão, de Jean Van Hamme, Teun Berserik e Peter Van Dongen - ASA

Blake e Mortimer: O Último Espadão, de Jean Van Hamme, Teun Berserik e Peter Van Dongen - ASA
Blake e Mortimer: O Último Espadão, de Jean Van Hamme, Teun Berserik e Peter Van Dongen

[Antes de avançar nesta análise, permitam-me uma nota pessoal: estou bem ciente de como nos últimos tempos tenho escrito menos análises de banda desenhada aqui no Vinheta 2020. Sei que as análises de bd são a principal razão de ser deste blog, bem como o primordial motivo para as muitas visitas que o Vinheta 2020 recebe, diariamente. Não pensem que tenho lido menos bd nos últimos tempos. Na verdade, até tenho lido mais banda desenhada do que noutras alturas do ano. Mas, simplesmente, por vários motivos, em que destaco o lançamento do novo disco de uma das minhas bandas (Alves Baby) mas, também, e principalmente, a preparação da Gala dos VINHETAS D'OURO, que me tem ocupado muitas horas, não tenho tido tanto tempo para escrever. Mas, não se preocupem, tenho muitos livros já lidos e prontos a serem analisados. E espero voltar ao meu normal durante os próximos dias. Obrigado pela compreensão. Passemos, agora, à análise ao mais recente livro da série Blake e Mortimer.]

Blake e Mortimer: O Último Espadão, de Jean Van Hamme, Teun Berserik e Peter Van Dongen - ASA
Depois do último volume de Blake e Mortimer, O Grito do Moloch, da autoria de Jean Dufaux, Christian Cailleaux e Étienne Schréder, que aqui analisei, há cerca de um ano, e que considerei medíocre, tendo-me deixado profundamente desiludido com a obra, confesso que não estava com um apetite muito voraz para este novo lançamento da série Blake e Mortimer. Mas, felizmente, devo confessar que fiquei amplamente convencido com este regresso da série.

Antes de mais, há que dizer que também é normal que a experiência de leitura entre este O Último Espadão e O Grito de Moloch seja diferente, se tivermos em conta que as equipas criativas também são outras. Mesmo assim, confesso que não estava à espera de uma diferença qualitativa tão grande entre ambas as obras. É que, se O Grito de Moloch foi verdadeiramente medíocre, com uma história mal concebida e desenhos preguiçosos, O Último Espadão, é totalmente o oposto, com uma história simples, mas lógica e bem estruturada, e um desenho que faz uma boa homenagem à série originalmente criada por Edgar P. Jacobs.

E note-se que a premissa base deste livro, de servir como continuação para o álbum inaugural da série, O Segredo do Espadão, até me fez franzir a testa inicialmente, pelo simples facto de me parecer uma abordagem algo gratuita e totalmente focada na vertente comercial, por parte dos autores. Estava errado. E ainda bem! Sendo uma boa homenagem ao livro original da série, este 28º livro traz algumas ideias próprias, conseguindo um balanço muito interessante entre o clássico e o moderno. E, embora sejam invocados alguns eventos de O Segredo do Espadão, a verdade é que este livro funciona bem, se lido sem conhecimento prévio do primeiro livro. Algumas coisas poderão não ser tão bem assimiladas pelos leitores que não conheçam a obra seminal, mas a grande maioria da história será bem-apanhada, sem dificuldades.

Blake e Mortimer: O Último Espadão, de Jean Van Hamme, Teun Berserik e Peter Van Dongen - ASA
A história arranca com uma boa cena, bastante cinematográfica, quando, algures numa estrada em Inglaterra, um veículo circula em direção ao aeroporto militar de Hasley e, no seu interior, encontra-se o major Rupert Humbletweed, a quem o governo britânico confiou uma missão secreta. Enquanto isso acontece, também o capitão Francis Blake confia ao Professor Philip Mortimer uma operação da mais alta importância: deslocar-se ao Paquistão para alterar o código de ativação dos cinco Espadões estacionados na base de Makran, de forma a permitir a sua transferência para Inglaterra. 

Entretanto, a organização IRA prepara um ataque sem precedentes a Londres, procurando estabelecer parcerias com velhos inimigos da dupla Blake e Mortimer. Com efeito, estamos perante uma história bem arquitetada por Jean Van Hamme. Pode não ser maravilhosa ou ser um livro que nos vai marcar para o resto da vida – não o é, seguramente – mas é indiscutível que é um dos bons livros da série Blake e Mortimer. Quiçá, um dos melhores dos últimos anos. E, então comparado com O Grito do Moloch, este O Último Espadão é poesia a todos os níveis: no da história, no da narrativa e até no do desenho.

Blake e Mortimer: O Último Espadão, de Jean Van Hamme, Teun Berserik e Peter Van Dongen - ASA
O desenho, de Teun Berserik e Peter Van Dongen, é extremamente bem conseguido para os adeptos do estilo de linha clara, com uma boa dose de pormenores, de Edgar P. Jacobs. É simples e clássico, mas, ao mesmo tempo, e talvez por ser um estilo não tanto utilizado nos dias de hoje, traz uma certa sensação de frescura e modernidade, embora, claro está, não deixe de ser fiel ao estilo original da série – como deveria ser. As cores também o tornam um bonito álbum. Os fãs da série vão adorar, certamente.

Claro que, depois, e gostemos ou não, temos todas as idiossincrasias que poderíamos esperar de um livro de Blake e Mortimer: a balonagem, o excesso de texto por prancha, o tipo de planos utilizados, o comportamento demasiado "british" das personagens, etc. Se bem que, não esqueçamos, há algumas vinhetas de maior dimensão que os autores utilizam muito bem para deixar a história e o texto respirarem um pouco. É, por ventura, um dos traços de maior modernidade deste livro.

Em termos de edição, toda ela está ao nível dos padrões a que a editora ASA já nos habituou nas suas séries de banda desenhada. E em especial na de Blake e Mortimer: capa dura com acabamento em verniz, bom papel baço e boa encadernação e impressão. Nada a objetar, portanto. Nota para o facto da edição da loja FNAC ter, como já vem sendo hábito, uma capa exclusiva. 

Em conclusão, finalmente passados tantos anos de "tiros ao lado", li um Blake e Mortimer que me encheu as medidas. História simples, mas interessante, narrativa com bom ritmo e um desenho muito bem conseguido. Tudo bem feito, de forma a prestar uma boa homenagem ao legado de Jacobs. Não será, repito, um livro magnífico ou perfeito… mas é um bom livro para juntarmos à série. Ideal para os fãs de Blake e Mortimer e bastante indicado como porta de entrada para novos leitores, que não conheçam a série e tenham curiosamente em conhecê-la.


NOTA FINAL (1/10):
8.4



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Blake e Mortimer: O Último Espadão, de Jean Van Hamme, Teun Berserik e Peter Van Dongen - ASA

Ficha técnica
Blake e Mortimer: O Último Espadão
Autores: Jean Van Hamme, Teun Berserik e Peter Van Dongen
Editora: ASA
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Novembro de 2021

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Blake e Mortimer estão de volta!




A célebre dupla criada por Edgar P. Jacobs está de volta para mais uma aventura. Desta vez, são os autores Jean Van Hamme e Peter Van Dongen que comandam os desígnios da série neste novo volume, intitulado O Último Espadão, que é publicado pela ASA.

O livro deverá estar disponível nas livrarias a partir de amanhã, 23 de Novembro. Na rede de lojas FNAC haverá uma capa exclusiva, que apresento aqui, no lado esquerdo.

Abaixo, deixo-vos com algumas imagens promocionais e nota de imprensa.

Blake e Mortimer: O Último Espadão, de Jean Van Hamme e Peter Van Dongen
Neste 28º volume da coleção «As Aventuras de Blake e Mortimer», Jean Van Hamme imagina uma continuação para o álbum inaugural da série. Esta vibrante homenagem a Egdar P. Jacobs conta com o desenho muito “jacobsiano” de Teun Berserik e Peter Van Dongen, e chega às livrarias já no próximo dia 23 de novembro de 2021.

Algures numa estrada em Inglaterra, um veículo circula em direção ao aeroporto militar de Hasley e, no seu interior, encontra-se o major Rupert Humbletweed, a quem o governo britânico confiou uma missão secreta. Entretanto, no Centaur Club (Londres), o capitão Francis Blake janta um roastbeef bem passado com o seu amigo, o Professor Philip Mortimer, a quem confia uma operação da mais alta importância: deslocar-se ao Paquistão para alterar o código de ativação dos Espadões estacionados na base de Makran, de forma a permitir a sua transferência para Scaw-Fell, em Inglaterra.
Blake, que acaba de assumir o comando do MI 5, tem por sua vez de partir imediatamente para o Ulster, já que, segundo um dos seus agentes, o IRA estaria a preparar um ataque de grande envergadura contra Inglaterra…

Ideal para os apreciadores de BD, os fãs de Blake e Mortimer certamente não quererão perder este novo volume que conta com os desenhos de Teun Berserik e Peter Van Dongen, os mesmos desenhadores de «O Vale dos Imortais» (nºs 25 e 26). 

Esta conhecida série de BD franco-belga foi lançada em 1946 e constitui, ainda hoje, um verdadeiro fenómeno editorial, estando traduzida em 17 línguas, e contando com vendas mundiais acumuladas que ultrapassam os 12 milhões de exemplares!





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Ficha técnica
Blake e Mortimer: O Último Espadão
Autores: Jean Van Hamme e Peter Van Dongen
Editora: ASA
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 15,90€