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segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Análise: O Castelo dos Animais #4 - O Sangue do Rei


O Castelo dos Animais #4 - O Sangue do Rei, de Xavier Dorison e Félix Delep

Acaba de ser lançado o quarto e último volume da série O Castelo dos Animais, de Dorison e Delep, depois de três volumes que deixaram muita gente a salivar por uma conclusão que pudesse ombrear com os belíssimos primeiros três livros. Mas sosseguem, pois posso adiantar-vos desde já que não só este derradeiro capítulo, intitulado O Sangue do Rei, ombreia com esses três tomos, como até os ultrapassa. Estou rendido!

Este último tomo de O Castelo dos Animais fecha a série com chave de ouro, revelando-se um final que não grita, mas que vibra e causa tumulto por dentro. Dorison e Delep não nos oferecem apenas o desfecho de uma boa história, brindam-nos com uma reflexão carregada de ternura, revolta e coragem.

A narrativa começa com o que parece ser uma pequena vitória. O touro ditador, Sílvio, vê-se forçado a organizar uma votação, gesto que para ele soa a veneno, mas que para os outros animais soa a promessa. A eleição não é apenas um processo político. É um ritual de fé, um teste ao limite da esperança dos animais que se veem subjugados pelo touro e pelos seus poucos - mas fortes - seguidores.

Enquanto a campanha eleitoral se desenrola, o ar no castelo vai ficando mais pesado. Do lado de Sílvio, vale tudo, claro: golpes baixos, manipulação, medo, promessas, propaganda. Os animais de mente menos desenvolvida começam a deixar-se levar pelas promessas vãs de Sílvio. Por outro lado, o Movimento das Margaridas, que tendo começado de forma frágil até já se tinha ancorado no coração de muitos animais, começa a perder gás na semana que antecede as eleições devido à sua líder se limitar a responder com verdade aos pedidos dos animais. O povo, já se sabe, gosta de ser enganado. Mas a gata Miss B, o coelho César e o rato Azelar não sendo(?) heróis perfeitos, carregam uma enorme armadura intangível que é a teimosia de continuar a lutar pelos valores em que acreditam. 

À medida que a história avança, sentimos a tensão crescente. O castelo transforma-se num campo de batalha feito de palavras, memórias, jogadas eleitorais e coragem. Não falo mais da história para não estragar o prazer da leitura a ninguém, mas digo-vos que Dorison não poupa os seus leitores a momentos de dor. Há perdas que nos amarguram e há cenas que nos fazem parar um instante só para engolir em seco. 

No entanto, nunca sentimos gratuitidade, pois a fábula ganha corpo político sem perder alma poética. Ecoa George Orwell no seu A Quinta dos Animais, claro, mas a trama desenvolve-se depois para algo mais poético e impactante. Dorison toma de empréstimo o espírito crítico de Orwell enquanto constrói algo que fala aos nossos dias com uma clareza quase inquietante. Veem-se reflexos dos tempos atuais nesta história: a sedução dos discursos fáceis e o fascínio perigoso por figuras que prometem ordem enquanto queimam liberdades. Numa altura em que, por esse mundo fora - e até mesmo por Portugal - há muita gente encantada com discursos propagandistas e demagogos, esta narrativa assume-se como um alerta para alguém que parece não (querer) ver o inegável. 

O livro lembra-nos que a democracia é frágil como cristal, mas também resistente como aqueles que não abrem mão de si. Lembra-nos que a união dos vulneráveis pode derrubar o mais feroz dos tiranos. Lembra-nos que a esperança não nasce do nada. Cresce quando alguém decide não desistir. Há momentos em que o castelo parece desabar. O ritmo aumenta, o medo cresce, mas no horizonte há sempre um fio de luz. É essa luz que faz deste desfecho não apenas emocionante, mas necessário.

Quando a história alcança finalmente o seu clímax, sentimos o peso da jornada. Não é uma vitória simples. Não é um triunfo limpo. É uma conquista que custa, que dói, que exige. E exatamente por isso... tem valor. A série termina em apoteose, não pela grandiosidade, mas pela verdade emocional que deixa no leitor. E tudo com uma beleza ímpar, onde as personagens ficam na memória, onde os momentos dramáticos nos entristecem, mas onde, no final, há uma réstia de esperança na humanidade. Esta pode muito bem ser a série que todos nós precisamos de ler. Majestosa, impressionante e uma das melhores histórias arquitetadas por Xavier Dorison, um argumentista que, convém não esquecer, tem muitas outras belas histórias. 

Delep, por sua vez, ilustra este volume com uma maturidade visual que nos maravilha e comove. As expressões dos animais parecem carregadas de vida interior: o olhar de Miss B transmite mais que muitos monólogos, a brutalidade de Sílvio pesa no desenho como se o papel rangesse. A cada página sentimos uma evolução no desenho, com o autor a saber pegar na beleza dos três volumes anteriores e a conseguir elevá-la, como se estivesse a tocar o auge da sua arte. É verdadeiramente impressionante o trabalho detalhado, meticuloso e poético que nos oferece Delep.

E tenho que referir ainda que, para isso, também conta o fantástico e inesquecível trabalho de cores de Julien Leplâtre, Sophie Dhénin e Oya Lydia Bierschwale. São das cores mais bonitas que já vi em banda desenhada. Os verdes da vegetação, o azul do céu e os amarelos da terra quase parecem palpáveis. Que trabalho magnífico! As cores e desenho da restante série sempre foram fantásticas, mas neste O Sangue do Rei estão ainda melhores.

A edição da Arte de Autor permanece muito bonita. A capa é dura, com detalhes a verniz e com uma textura aveludada, suave ao toque, que adoro. No miolo, o papel é brilhante e de boa qualidade, tal como também assim é a impressão e encadernação. É uma edição muito bonita. Julgo que, tratando-se do último volume da série, teria sido bom ter recebido uma caderno adicional esboços, estudos de personagem ou outro tipo de conteúdo extra, mas compreendo que se trata de uma co-impressão e que, naturalmente, a edição portuguesa espelha apenas a edição original, pelo que não há nada a criticar negativamente.

Em suma, e olhando para o conjunto da obra, O Castelo dos Animais entra para aquele pequeno círculo de bandas desenhadas que não se fecham quando a contracapa se fecha. Ficam na cabeça, no coração e no modo como olhamos o mundo. Dorison prova aqui ser um argumentista no auge, capaz de arquitetar uma história que, mesmo sendo uma fábula, nos atinge como sendo a mais pura das realidades. E este último volume não só conclui uma série magnífica. Coroa-a. Com beleza, com coragem, com inteligência e com alma. É difícil não lhe dar nota máxima. É difícil não recomendar esta série como uma das BDs que mais valem a pena ler nos dias de hoje. Porque precisamos deste tipo de histórias. Histórias que nos lembram que o poder sem limites pode ser feroz, mas que a esperança, quando encontra companhia, se torna imparável.


NOTA FINAL (1/10):
10.0


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Ficha técnica
O Castelo dos Animais #4 - O Sangue do Rei
Autores: Xavier Dorison e Félix Delep
Editora: Arte de Autor
Páginas: 96, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 232 x 310 mm
Lançamento: Novembro de 2025

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Vem aí o último volume de "O Castelo dos Animais"!



Finalmente está a acontecer! A Arte de Autor prepara-se para editar o quarto e último volume de O Castelo dos Animais

Embora a data de lançamento oficial (e mundial!) da obra seja no dia 12 de Novembro, o livro já pode ser previamente comprado no stand da editora, localizado no Amadora BD, o que é uma boa oportunidade para todos aqueles que, como eu, estão sedentos de saber como termina esta bela fábula!

Para os que não puderem correr para comprar este livro no Amadora BD, podem pelo menos pré-encomendá-lo no site da editora.

Esta é uma série que, se é que isso é possível, tem vindo a melhorar de tomo para tomo e, agora que chega ao fim, estou com uma enorme vontade de mergulhar neste quarto livro intitulado O Sangue do Rei.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


O Castelo dos Animais #4 - O Sangue do Rei, de Dorison e Delep

É uma pequena vitória para os animais: o ditador Sílvio teve de se resignar a organizar uma votação... e, portanto, talvez a colocar o seu mandato em jogo! 

No Castelo, a campanha para a eleição presidencial está em pleno andamento e, do lado do touro-déspota, todos os golpes (baixos) são permitidos. 

Mas o Movimento das Margaridas está mais mobilizado do que nunca para derrubar o touro ditador, também decidido a lembrar todas as injustiças das quais os animais são vítimas! 

Será que Miss B, César e Azelar vão conseguir derrotar o cruel touro Sílvio? A liberdade está ao alcance das patas?

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Ficha técnica
O Castelo dos Animais #4 - O Sangue do Rei
Autores: Xavier Dorison e Félix Delep
Editora: Arte de Autor
Páginas: 96, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 232 x 310 mm
PVP: 23,50€




quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Análise: O Castelo dos Animais #3 - A Noite dos Justos

O Castelo dos Animais #3 - A Noite dos Justos, de Delep e Dorison - Arte de Autor

O Castelo dos Animais #3 - A Noite dos Justos, de Delep e Dorison - Arte de Autor
O Castelo dos Animais #3 - A Noite dos Justos, de Delep e Dorison

Foi preciso esperar cerca de um ano e meio por um novo volume da linda e maravilhosa série O Castelo dos Animais, mas posso dizer-vos que valeu a pena cada momento de espera. É que, se não havia dúvidas acerca da qualidade da série até ao momento, parece-me que este terceiro tomo ainda consegue elevar mais a qualidade da obra. Quer no texto, quer na mensagem, quer nas ilustrações. Esta é, afinal, uma das melhores séries de banda desenhada da atualidade!

Mas vamos por partes.

Antes de avançarmos nesta análise ao terceiro volume, intitulado A Noite dos Justos, convido-vos a (re)lerem as minhas análises aos volumes 1 e 2, Miss Bengalore e As Margaridas do Inverno, respetivamente, para melhor se ambientarem ao tema desta belíssima série.

O Castelo dos Animais #3 - A Noite dos Justos, de Delep e Dorison - Arte de Autor
Livremente inspirado no clássico da literatura O Triunfo dos Porcos (Animal Farm, no título original), de George Orwell, O Castelo dos Animais apresenta-nos um universo onde os vários animais de uma quinta são liderados (e subjugados) por um infame touro e pelos seus cães que funcionam enquanto seu exército pessoal. Perante todas as injustiças praticadas, começa a haver, tímida mas gradualmente, uma força de oposição a este regime totalitário, que é encabeçada por uma gata viúva e mãe de duas crias, um coelho gigolo e um velho rato sábio e viajado.

Neste terceiro volume, essa luta, que se pretende feita sem violência, levam a gata Miss B, o coelho César e o rato Azelar a focarem-se, pois, nesse ponto: o de convencer os outros animais da quinta a não cederem à violência, de forma a terminarem com o reinado do touro Sílvio. O primeiro instinto para resolver um confronto é, quer em animais, quer em humanos, o de recorrer à violência. Mas esse instinto também acaba por ser muito primário e, por esse motivo, é relevante - embora mais difícil, sem dúvida - que a luta justa pelos direitos seja pacata e sem violência. A rude e rigorosa ditadura do ditador Sílvio mantém-se bastante ativa e, face ao movimento pacifista das margaridas, o touro começa a claudicar nas suas ações que, antes do início da rebelião, pareciam tão bem sedimentadas. Afinal, como controlar um povo, deixando-o feliz mas, ao mesmo tempo, à sua mercê, lucrando com o fruto do seu trabalho? Não é tarefa fácil.

O Castelo dos Animais #3 - A Noite dos Justos, de Delep e Dorison - Arte de Autor
E se no início, a luta dos animais começou por procurar ter direito ao acesso a coisas mais básicas, como a comida ou o calor, em A Noite dos Justos, os animais começam a reclamar o direito à democracia e à eleição daquele que os governa. Não falo mais da história para não vos tirar o prazer da leitura, mas posso assegurar-vos que tudo está meticulosamente bem pensado e bem feito.

E tudo aparece carregado de um forme humanismo que faz o leitor criar um elo emocional com as personagens e com todos os obstáculos que as mesmas têm que ultrapassar.

Sinceramente, olhando agora para o terceiro tomo, aquilo que me parece mais brilhante em O Castelo dos Animais é a tentativa, bem sucedida e graciosamente bem arquitetada, dos autores em nos proporcionarem uma breve síntese da introdução à génese de vários sistemas políticos. À primeira vista até pode parecer que estamos a ler uma simples “historiazita com animais simpáticos”… mas a verdade é que estamos a ler uma muito bem pensada e extremamente madura, história política. Quase como se fosse “totalitarismo, socialismo e luta de classes para dummies”. 

O Castelo dos Animais #3 - A Noite dos Justos, de Delep e Dorison - Arte de Autor
Mas tudo isto é feito de forma natural, sem que a história pareça cinicamente política ou paternalista ou que se procure, sequer, fazer do livro um instrumento para veicular correntes de pensamento de forma maniqueísta. E que grande feito isto é! Já li muitas belas histórias de Dorison, mas esta parece-me ser aquela que vai mais fundo, que consegue ser mais do que um mero argumento com boas ideias. É, sem dúvida, a história mais humana que o autor já fez. E quão curiosa esta afirmação é, se tivermos em conta que nem sequer aparecem humanos nesta história.

E já para não falar das ilustrações de Delep que, por incrível que possa parecer, me parecem estar a melhorar, em termos qualitativos, de volume para volume. Desde o início, que os belos desenhos de O Castelo dos Animais me conquistaram, sim. Mas sinto que o autor não parou de evoluir desde então. E a maneira como ilustra a expressividade das feições dos animais, tornando-os tão humanos, por um lado, mas, ainda assim, preservando, por outro lado, as suas características naturais de animais; ou a forma como ilustra momentos tensos, momentos tristes ou momentos de redenção; ou mesmo o modo como desenha as diferentes estações do ano – sejam elas o branco manto de neve, as tristes chuvas outonais ou os verdejantes cenários primaveris, tudo é feito com uma singular mestria. Um verdadeiro gáudio para os olhos, garanto-vos!

A própria maneira como o autor utiliza a planificação das páginas, com uma diversidade impressionante, que junta ilustrações de grande dimensão, a outras mais pequenas, e alterando entre planos de todo o tipo, fazem com que fiquemos rendidos ao modo como Delep se mostra um magnífico narrador visual. A título de exemplo, a página 19, que mostra a passagem das estações por uma árvore; ou as flores que, nas páginas, 36 e 37, circundam as pranchas, são, aos meus olhos, verdadeiras obras de arte. Algo não tão comum assim em banda desenhada. E é também por isso que digo que este terceiro volume é o melhor de todos. Os primeiros foram muito bons. Este é ainda melhor!

O Castelo dos Animais #3 - A Noite dos Justos, de Delep e Dorison - Arte de Autor
Com efeito, se há autores que estão bem alinhados, em termos de inspiração, esses autores são Delep e Dorison. Cada um, na sua vertente, parece estar demasiado mergulhado e focado em nos dar uma banda desenhada que, se não for perfeita, não anda nada longe disso.

A edição da Arte de Autor, que acompanhou o lançamento mundial da obra, mantém-se em linha com o que já havia sido feito nos tomos anteriores. O livro é provido de uma bela capa dura, com textura aveludada, tão agradável ao toque, e vários detalhes a verniz, como o título da obra e as folhas verdes que adornam a capa, cuja ilustração é qualquer coisa de maravilhoso. O papel é brilhante, de boa qualidade e o trabalho de encadernação e de impressão também não apresenta defeitos.

Nota ainda, positiva, para a breve síntese dos primeiros dois tomos que foi colocada no início do livro. Tendo em conta o espaçamento temporal que existiu entre o lançamento do volume 2 e este livro, parece-me uma excelente ideia para captar, novamente, a atenção dos leitores.

Em suma, estou rendido a esta série! O terceiro volume de O Castelo dos Animais melhorou o que era possível melhorar e aproximou a série da perfeição. A mesma está pensada para 4 volumes, o que deixa apenas a dúvida se Xavier Dorison saberá fechar, com chave de ouro, esta brilhante e obrigatória série de banda desenhada. Estou muito curioso para como a série irá acabar e apenas tenho pena que tenhamos que esperar um ou dois anos – digo eu! - por esse desfecho.


NOTA FINAL (1/10):
9.9



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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O Castelo dos Animais #3 - A Noite dos Justos, de Delep e Dorison - Arte de Autor

Ficha técnica
O Castelo dos Animais #3 - A Noite dos Justos
Autores: Delep e Dorison
Editora: Arte de Autor
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Novembro de 2022

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

O Castelo dos Animais está de volta!


A brilhante série O Castelo dos Animais, dos autores Félix Delep e Xavier Dorison, tem sido tão apreciada, que foi difícil para muitos esperar todos estes meses pelo terceiro e novo volume da série.

Mas, já faltam poucos dias para que o livro chegue às livrarias portuguesas, pelas mãos da Arte de Autor.

É já no próximo dia 16 de Novembro - o mesmo dia em que o livro é lançado em França - que este terceiro volume, intitulado, A Noite dos Justos, deverá chegar às livrarias portuguesas.

Relembro que a série está pensada para ter quatro volumes no seu todo.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais da versão original, em francês.
O Castelo dos Animais #3 - A Noite dos Justos, de Delep e Dorison

Juntamente com o coelho César e o velho rato Azelar, Miss B deve convencer os animais a não cederem à violência para conseguirem pôr fim ao reinado de Silvio...

No castelo, a ditadura continua.

Graças aos esforços da Miss B, os animais estão a lutar para reacender o movimento pacifista das Margaridas.

Mas Silvio certamente não vê as coisas dessa forma, e o touro ditador está desesperado por manter o seu poder. Com a ajuda das suas cruéis milícias caninas, decide mandar colocar os animais rebeldes nas masmorras.
Mas Miss B e os seus amigos responderão mais uma vez com astúcia... e solidariedade!

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Ficha técnica
O Castelo dos Animais #3 - A Noite dos Justos
Autores: Delep e Dorison
Editora: Arte de Autor
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 24,1 x 32,1 cm

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Análise: O Castelo dos Animais 2 – As Margaridas do Inverno

O Castelo dos Animais 2 – As Margaridas do Inverno, de Delep e Dorison - Arte de Autor

O Castelo dos Animais 2 – As Margaridas do Inverno, de Delep e Dorison - Arte de Autor
O Castelo dos Animais 2 – As Margaridas do Inverno, de Delep e Dorison
 

O início de 2021 arranca com uma obra de peso para a editora Arte de Autor. Trata-se do segundo volume de O Castelo dos Animais. Quando, em Junho do ano passado, a editora lançou esta série em Portugal, fiquei muito surpreendido, pela positiva, com o primeiro volume, intitulado Miss Bengalore, a deixar uma forte marca em mim. Aconselho aliás, uma leitura à análise que fiz a esse volume, antes que prossigam com a leitura deste texto. O Castelo dos Animais 1 - Miss Bengalore foi, aliás, nomeado para 3 categorias dos VINHETAS D'OURO, nomeadamente Melhor Obra Estrangeira, Melhor Edição e Melhor Capa. Agora, depois de lido este segundo volume, que dá pelo nome de As Margaridas do Inverno (excelente nome, já agora), posso dizer que o meu entusiasmo perante esta série de banda desenhada se mantém em altas.

O Castelo dos Animais 2 – As Margaridas do Inverno, de Delep e Dorison - Arte de Autor
A história, relembro, interpreta, de forma bastante livre, a obra O Triunfo dos Porcos (Animal Farm), de George Orwell. Esse clássico da literatura mundial - e, sem dúvida, uma das minhas obras favoritas de literatura - recebe aqui uma roupagem diferente, embora o núcelo da história se mantenha semelhante. Os anos passarão e o tema da obra original de Orwell continuará atual, demonstrando, de forma quase didática, como se dividem as sociedades constituídas por homens e mulheres. Os fortes tentarão proteger as suas posições privilegiadas e os fracos tentarão ascender a algo melhor do que àquilo a que estão destinados desde a nascença. Em todas as sociedades de homens, de uma forma mais ou menos premente, foi assim no passado, continua a sê-lo nos dias de hoje e, estou certo, sê-lo-á no futuro. Mas, se a obra de literatura de Orwell é perfeita, julgo que a opção dos autores desta banda desenhada em não terem feito uma “mera” adaptação da obra original, foi muito bem conseguida.

Aqui o que temos é um castelo onde o touro Sílvio, sendo o animal fisicamente mais forte da propriedade, que é habitada por um grande número de animais de quinta, exerce o seu poder, oprimindo os mais vulneráveis e sendo ajudado por um pequeno exército de cães caçadores. À semelhança dos infames reis de França, Luís XVI e Maria Antonieta, que viviam à grande e à francesa (daí, a expressão!) enquanto o povo francês sucumbia à morte, também o Touro Sílvio deste Castelo dos Animais tem aposentos quentes e confortáveis, e come e bebe bem, enquanto os animais mais fracos trabalham arduamente e ainda têm que pagar a lenha que, depois da jornada de trabalho, eles próprios apanham. Isto vai gerando indignação perante os animais do castelo, com a gata Miss Bengalore, acompanhada pelo bem humorado César, o coelho gigolô, a liderar o movimento de contestação a estas injustiças sociais.

O Castelo dos Animais 2 – As Margaridas do Inverno, de Delep e Dorison - Arte de Autor
Esta é uma clara história clássica de luta de classes. Do proletariado a rebelar-se contra a elite que o subjuga. Uma narrativa tão elementar e tão clássica mas sempre tão presente. E depois, sendo a história interpretada por personagens marcantes e muito humanas na sua conceção, por quem é difícil não nutrir uma relação afetuosa, ficamos perante uma obra fantástica, em termos de história.

Mas não só. A arte ilustrativa certamente também não deixa os leitores indiferentes. Delep é dono de um traço bastante original, que consegue ser clássico na execução das personagens e, ao mesmo tempo, moderno e diferente. Há uma certa frescura na sua arte. Uma boa mistura que me faz adorar os desenhos desta série. Um destaque à forma como o autor ilustra o rigoroso inverno, que aqui assume um papel preponderante, também deve ser dado. Mas, claro, não me canso de dizer que numa narrativa deste tipo, “apenas” saber ilustrar bem as personagens e ambientes, não seria suficiente para termos uma banda desenhada deste gabarito. Porquê? Porque esta é uma história sobre as relações humanas, mesmo que, qual ironia!, seja representada por animais. A luta pelo que está certo, pelo que é justo, pelo que é legítimo é uma luta universal e, infelizmente, perpétua e tão humana. E ilustrando as expressões das personagens de uma forma tão humanizante, Delep, aproxima-nos das mesmas. Faz-nos torcer por elas. Abraçar a sua demanda. Isso já tinha sido feito no tomo anterior e volta a ser feito neste As Margaridas do Inverno. É, portanto, fantástica a forma como os desenhos de Delep passam emoções ao leitor.

O Castelo dos Animais 2 – As Margaridas do Inverno, de Delep e Dorison - Arte de Autor
Ao mesmo tempo, O Castelo dos Animais também é um manual sobre como deve ser encetada uma rebelião. Como devem ser alterados comportamentos e injustiças. Por vezes há que sofrer para conseguir abraçar causas e tocar existências vindouras. E tudo isto é tão real e, por vezes triste, que ao lermos esta história até podemos gostar dos animais que as interpretam, mas acabamos por relembrar igualmente personagens humanas e reais, que tanto fizeram para alterar injustiças. Miss Bengalore e, também o rato Azélar, são personagens universais nos intentos e na fonte de inspiração que em si encerram. E que ficam na nossa memória, muito depois de acabarmos de ler este livro.

Devo dizer também que esta obra tem uma edição magnífica por parte da Arte de Autor. É um daqueles livros lindos para segurar nas mãos. Com textura aveludada na capa e com verniz aplicado nas letras e na figura da contracapa, é um livro soberbo. E, como se não bastasse, o trabalho do ilustrador Delep também é soberbo, com um desenho de capa maravilhoso. Daqueles livros que sabe bem manusear e observar com atenção, ainda antes de o ler. Não me espantaria nada se, daqui a um ano, estivesse nomeado para melhor capa e/ou edição dos prémios de banda desenhada VINHETAS D'OURO. Magnífico!

Em conclusão, O Castelo dos Animais faz um regresso em grande. Se o primeiro volume foi magnífico, este As Margaridas do Inverno, que permite um maior desenvolvimento das personagens e respetivas adversidades que enfrentam, possibilita-nos um mergulho ainda mais intenso na história. A arte continua sensacional e a edição é maravilhosa. Eis o primeiro livro obrigatório de bd do ano 2021!


NOTA FINAL (1/10):
9.3


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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O Castelo dos Animais 2 – As Margaridas do Inverno, de Delep e Dorison - Arte de Autor

Ficha técnica
O Castelo dos Animais 2 – As Margaridas do Inverno
Autores: Xavier Dorison e Félix Delep
Editora: Arte de Autor
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Janeiro de 2021

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Lançamento: O Castelo dos Animais 2 - As Margaridas do Inverno

 


Ainda vamos no início do ano, com tempos incertos no horizonte para as editoras de banda desenhada em Portugal, mas a Arte de Autor, acaba de nos dar a primeira boa surpresa de lançamentos de bd. Pode ser comprado no site da editora e, a partir de 25 de Janeiro, deverá chegar a algumas livrarias do país.

Trata-se do segundo volume de O Castelo dos Animais, intitulado As Margaridas do Inverno. Relembro que o primeiro título da série já aqui foi analisado e que esse livro até é o álbum estrangeiro mais nomeado para os VINHETAS D'OURO, contando com nomeações para Melhor Álbum Estrangeiro, Melhor Edição e Melhor Capa.

Esta é uma história inspirada livremente no clássico da literatura de George Orwell, O Triunfo dos Porcos (Animal Farm) e que recomendo vivamente.

Abaixo, fiquem com a nota da editora e respetivas imagens promocionais.


O Castelo dos Animais 2 - As Margaridas do Inverno, de Dorison e Delep

O inverno conquistou o castelo. 

O clima é severo para os seus habitantes... 

Mas Miss B. e os seus amigos, o coelho César e o rato Azélar, não disseram a última palavra.

Baptizado de "as Margaridas", o seu movimento continua. 

Para Miss B, derrotar a ditadura só pode ser feito evitando a mais terrível das armadilhas: a tentação da violência. 

Ela será capaz de convencer os seus amigos a resistirem pacificamente? 

O desafio parece muito difícil...

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Ficha técnica
O Castelo dos Animais 2 - As Margaridas do Inverno
Autores: Xavier Dorison e Félix Delep
Editora: Arte de Autor
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 20,50€

terça-feira, 16 de junho de 2020

Análise: O Castelo dos Animais 1 - Miss Bengalore



O Castelo dos Animais 1 - Miss Bengalore, de Delep e Dorison

O Castelo dos Animais é a nova série que a Arte de Autor lançou há algumas semanas apenas. Esta série, que está planeada para quatro volumes, é da autoria de Xavier Dorison, autor profícuo que já nos deu séries de excelente qualidade como, são disso exemplo, Undertaker (editada pela Ala dos Livros), O Terceiro Testamento (editada pela já extinta Witloof) ou Long John Silver que, infelizmente, nunca foi editada em Portugal, apesar da sua enorme qualidade. A parte da ilustração de O Castelo dos Animais está entregue ao estreante Félix Delep que, parece tudo menos estreante, dada a excelência ilustrativa que aqui nos oferece. Esta é uma série que promete deixar muitos leitores “colados às páginas”.

A história é livremente inspirada no clássico da literatura O Triunfo dos Porcos, de George Orwell. À semelhança com a obra 1984, do mesmo autor, diria que Triunfo dos Porcos é dos livros mais importantes da literatura contemporânea. Publicado originalmente em 1945, surge como uma sátira à União Soviética comunista e narra, com audácia e detalhe, uma história de corrupção e traição, utilizando os animais de uma quinta como protagonistas, para retratar as fraquezas humanas e demolir a utopia do comunismo soviético, proposto pela União Soviética na época de Estaline. É um livro perfeito na concepção, na forma e no tom. Uma daquelas raras obras primas que estará sempre atual, aconteça o que acontecer no mundo dos homens. 

Assim, se este O Castelo dos Animais fosse uma mera adaptação do livro de Orwell para a banda desenhada, isso já seriam boas notícias, pois sempre me apraz quando a boa literatura é adaptada à bd. Mas esta obra de banda desenhada não é uma mera adaptação de O Triunfo dos Porcos. E ainda bem. Porque O Castelo dos Animais consegue traçar o seu próprio caminho. Agarra na premissa da obra de Orwell, mas envereda para a sua própria temática. De tal forma que, a meu ver, esta narrativa de Dorison ainda consegue passar uma mensagem mais acutilante e auto-consciente do que o texto original de George Orwell.

Vivendo numa quinta que é liderada por Sílvio, um imponente touro, que é servido e ajudado por uma milícia de cães agressivos, os restantes animais da quinta têm que sobreviver a um ambiente totalmente repressivo, em que se vêem forçados a trabalhar que nem escravos, para garantir a sua parca subsistência. Enquanto que os animais que dominam a quinta, comem bem e bebem champanhe. A revolta torna-se pois iminente mas a chave para o seu sucesso está (sempre?) na forma como a mesma é - ou deve ser - praticada. E é aqui que reside a grande moral deste primeiro tomo. A protagonista, Miss B., uma gata viúva com dois filhos para criar e sustentar, terá pois que unir forças a um coelho gigolo e a um rato viajante e bastante politizado, para conseguir derrubar a ditadura que Sílvio e os seus cães impõem a todos os restantes animais. A história, sendo política, é carregada de momentos de extrema agressividade e de ação, que nos prendem à trama. Sendo as personagens revolucionárias tão frágeis físicamente face aos seus opressores, o leitor está sempre na iminência de que algo de mau pode acontecer às personagens. 

De forma muito hábil, Dorison consegue juntar à trama a figura de Mahatma Gandhi para simbolizar a luta sem armas de um povo oprimido. O autor é magistral na maneira como doseia a informação política e as peripécias com que as personagens se deparam. É que o livro não podia ter uma temática mais adulta e série mas, ao mesmo tempo, e sem descurar isso, é um livro que se lê muito bem. Para um público bastante vasto. Dorison assume-se assim como um fantástico contador de histórias. Já o tinha demonstrado nas famosas bandas desenhadas acima referidas mas em O Castelo dos Animais parece estar em grande forma.

Quanto à arte visual, este livro (também) é soberbo. A qualidade da ilustração de Félix Delep é muito elevada. Diria que a sua grande mais valia são as expressões dos animais, que conseguem comunicar tão bem, dando força à veracidade da narrativa. Mas, a verdade é que os skills do ilustrador vão além disso. Os cenários são de uma beleza muito bem conseguida, com uma tendência muito franco-belga na execução. Admito, porém, que por vezes, o autor oferece-nos vinhetas com um fundo que envolve as personagens a apenas uma cor. Ainda que compreenda e aceite que esta opção serve, quase sempre, para sublinhar expressões ou momentos nas personagens, admito que gostaria que, por vezes, alguns cenários fossem menos despidos. É de realçar também como o ilustrador é exímio na linguagem corporal que oferece aos animais. É que, por um lado, os mesmos têm comportamentos humanos, personificados. Mas, por outro lado, as posturas e os gestos dos animais são muito verossímeis.  

As cores que, juntamente com Jessica Bodard, Delep também assegura, são bastante clássicas e bem utilizadas. A paleta de cores é bastante diversificada mas, tendo em conta que a história se desenrola numa quinta, as cores mais presentes são os castanhos, os verdes e os amarelos para oferecer à história aquele doce tom campestre. Nas cenas noturnas, temos os azuis e os roxos a imperar, o que torna a envolvente bastante acolhedora.

Eu que sou um confesso admirador de histórias em que os animais são personificados, tais como a fantástica série de banda desenhada Blacksad ou mesmo vários filmes de animação como Zootrópolis ou Cantar!, devo dizer que a maneira utilizada pelos autores para dar vida a este universo, onde são os animais que protagonizam a história, está fantástica. Aquilo que vemos são animais a terem comportamentos de humanos mas não esquecendo de que se tratam de animais. E ainda que as suas expressões, emoções, preocupações, trabalho e aspirações sejam bem humanas, é uma história de animais que nos é dada, apesar de tudo. Por esse motivo, os animais não são bípedes, nem aparecem vestidos – embora tenham alguns elementos decorativos como colares, medalhas, ou laços. 

Quanto à edição, este é um livro lindíssimo de segurar nas mãos. Com uma capa com uma textura sedosa, semelhante àquela utilizada na série Os Cavaleiros de Heliópolis, a Arte de Autor, continua comprometida com os leitores, em dar-lhes edições de qualidade superior. O título e nome dos autore, bem como a imagem de Miss Bengalore da contracapa, receberam verniz o que faz sobressair, ainda mais, o charme e a classe nesta edição. Junte-se a isso uma excelente concepção de capa - em termos da ilustração da mesma, por parte do autor, e em termos da componente gráfica, ao nível da organização dos elementos, da escolha de cores, da elaboração da lombada - e temos um livro que é um luxo para os olhos e para as mãos.

A expressão “cada tiro, cada melro” parece ser indicada para descrever os lançamentos da Arte de Autor em 2020. Depois dos fantásticos e obrigatórios segundos números das séries Verões Felizes e Os Cavaleiros de Heliópolis, chega-nos uma série repleta de qualidade ao mais ínfimo pormenor. É difícil um amante de banda desenhada não encontrar neste primeiro volume de O Castelo dos Animais algo que considere majestoso. Porquê? Porque a obra – O Triunfo dos Porcos - onde esta série se baseia é quintessencial; porque a adaptação e reformulação da história está incrivelmente bem conseguida por parte de Xavier Dorison; porque a arte visual de Félix Delep é absolutamente atraente; e porque a edição é uma beleza para os olhos. Nada falha nesta banda desenhada. O único sentimento negativo que ela gera no leitor é o facto de se ter que esperar pelo próximo número, planeado para o início de 2021. Demasiado boa para não ser comprada por qualquer amante de boa banda desenhada. Obrigatória. 


NOTA FINAL (1/10):
9.3

Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020

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Ficha técnica
O Castelo dos Animais 1 - Miss Bengalore
Autores: Xavier Dorison e Félix Delep
Editora: Arte de Autor
Páginas: 72, a cores
Encadernação: Capa dura

sábado, 30 de maio de 2020

Lançamento: O Castelo dos Animais 1 - Miss Bengalore




A Arte de Autor volta a surpreender e acaba de anunciar mais uma série de 4 volumes, com muito potencial, cujo primeiro número será lançado no início de Junho. Chama-se Castelo dos Animais e assenta no clássico da literatura de George Orwell, O Triunfo dos Porcos.

O texto é da autoria de Xavier Dorison (autor das fantásticas séries Undertaker e Long John Silver, entre outras) e as ilustrações ficam a cargo do estreante Félix Delep. A julgar pelas imagens promocionais que publicamos abaixo, esta é uma série que promete surpreender, com uma arte maravilhosa.

Abaixo encontram a nota de imprensa e as imagens promocionais.

O Castelo dos Animais 1 - Miss Bengalore, de Xavier Dorinson e Félix Delep

Como derrubar uma ditadura? Como conduzir uma revolta não-violenta contra a repressão? Para responder a estas perguntas, Xavier Dorison explora os territórios do conto político e do mundo animal. Verdadeiro prodígio do desenho, Félix Delep revela tesouros de dinamismo e de expressividade. Primeira parte de uma tetralogia, O Castelo dos Animais apresenta-se desde logo como uma série de culto.

Num castelo transformado em quinta, de onde os humanos desertaram, o local foi deixado ao abandono. Entregues a si próprios, os animais do castelo fundaram uma república para perpetuar a liberdade recém-adquirida. Contudo, a lei do mais forte não tardou a impor-se. Sílvio, o touro, reina tiranicamente e mantém a ordem (a sua ordem) com uma milícia de cães cruéis. Ecoam rumores de revolta, mas são reprimidos de forma sangrenta. Até ao dia em que um rato, de passagem pela quinta, começa a contar histórias estranhas e subversivas...

Ficha técnica
O Castelo dos Animais 1 - Miss Bengalore
Autores: Xavier Dorinson e Félix Delep
Editora: Arte de Autor
Páginas: 72, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 21,50€