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quinta-feira, 22 de maio de 2025

Análise: Menina e Moça

Menina e Moça, de Carina Correia e Rita Alfaiate - Levoir - RTP

Menina e Moça, de Carina Correia e Rita Alfaiate - Levoir - RTP
Menina e Moça, de Carina Correia e Rita Alfaiate

Menina e Moça, adaptação por parte das autoras portuguesas Carina Correia e Rita Alfaiate, da obra clássica de Bernardim Ribeiro, é o mais recente volume da coleção Clássicos da Literatura Portuguesa em BD que a editora Levoir tem vindo a editar em parceria com a RTP.

Desta vez, temos uma dupla de autoras, depois de o mesmo já ter sucedido com Maria Moisés, que teve ilustrações de Joana Afonso e Carina Correia. E é a mesma Carina Correia que neste Menina e Moça volta a assinar a adaptação do argumento, fazendo desta vez parelha com Rita Alfaiate.

Esta é uma obra da qual, reconheço, pouco ou nada conhecia. A leitura posterior do caderno de informação adicional que esta edição da Levoir inclui permitiu-me, depois, saber que Menina e Moça é uma obra singular na literatura portuguesa, pois representa uma transição entre o final da Idade Média e o início do Renascimento. Foi publicada postumamente em 1554 e é muitas vezes considerada como o primeiro romance pastoril da literatura portuguesa, embora o seu caráter híbrido a torne difícil de categorizar: está ali entre o romance, a novela sentimental e a prosa lírica.

Menina e Moça, de Carina Correia e Rita Alfaiate - Levoir - RTP
A história aparece-nos divida em 3 narrativas: “História de Lamentor e Bilesa”, “Os Amores de Binmarder a Aónia” e “Os Amores de Avalor por Arima”. Acabam por ser três contos que, embora independentes, se relacionam entre si, tendo a mesma temática romântica e passando-se no mesmo cenário bucólico.

Mesmo assim, a estrutura da obra é fragmentária, com episódios que se sucedem sem uma clara linearidade, como se a memória e a emoção governassem a organização narrativa mais do que a cronologia. Essa fluidez contribui para o caráter lírico da narrativa, por ventura algo datado em relação às estruturas narrativas mais contemporâneas, o que, por um lado, até lhe dá um certo charme próprio, admito.

O tema que percorre todo o livro é o amor. Nas suas várias formas de sofrimento, pois parece existir uma constante perda, dor, frustração que as personagens têm de enfrentar. Todas elas são figuras atormentadas por paixões frustradas, amores interrompidos, ausências e destinos cruéis. Há uma forte presença do destino como força inevitável e impiedosa, que conduz os amantes à perda e ao sofrimento.

Menina e Moça, de Carina Correia e Rita Alfaiate - Levoir - RTP
Carina Correia resgata alguma da linguagem arcaica e elaborada utilizada por Bernardim Ribeiro na obra original, mesmo que se sinta uma (bem-vinda) tentativa de transportar um clássico da literatura portuguesa do século XVI para um formato mais acessível ao público contemporâneo. A adaptação do texto original por parte de Carina Correia revela-se, em grande parte, eficiente e escorreita, com a autora a saber captar o tom melancólico e introspectivo de Bernardim Ribeiro, respeitando a densidade emocional e simbólica da obra original. A linguagem escolhida preserva, na medida do possível, a musicalidade e a cadência do texto renascentista, evitando uma modernização excessiva que pudesse descaracterizar o seu espírito.

Contudo, essa fidelidade ao texto original tem um custo: por vezes, a leitura torna-se mais densa e exigente, sobretudo quando predominam longas sequências de narração, através de legendas em voz off, não havendo muitos diálogos. Talvez a inclusão de mais diálogos, digo eu, que favorecem a identificação com as personagens e dinamizam a progressão da história - pudesse ter equilibrado melhor o ritmo e o envolvimento emocional do leitor.

Menina e Moça, de Carina Correia e Rita Alfaiate - Levoir - RTP
Ainda assim, importa reconhecer que a adaptação cumpre bem os pressupostos fundamentais: respeita o núcleo temático da obra, mantém o ambiente lírico e pastoril, e consegue transportar para o formato da banda desenhada uma obra cuja natureza fragmentária e introspectiva tornava este exercício particularmente desafiante. É, por isso, um trabalho meritório e que abre caminho para novas leituras de Bernardim Ribeiro.

No que diz respeito às ilustrações de Rita Alfaiate, de quem sou confesso admirador, o trabalho apresentado revela-se algo irregular. Em algumas páginas, somos confrontados com imagens verdadeiramente impressionantes, que demonstram um domínio expressivo notável da cor, da composição e da atmosfera. Nessas vinhetas, percebe-se claramente uma inspiração profunda, quase devota, e o resultado é visualmente cativante e emocionalmente envolvente.

Contudo, esta qualidade não é constante ao longo da obra. Em diversos momentos, nota-se uma certa pobreza nos cenários ou mesmo a ausência dos mesmos, o que pode contribuir para uma sensação de vazio e de alguma descontinuidade visual. Isso não significa que o trabalho de Rita Alfaiate não seja eficaz - é, sem dúvida, funcional e, em várias passagens, belíssimo -, mas fica a sensação de que a autora poderia ter oferecido uma experiência visual ainda mais coesa e impactante.

Menina e Moça, de Carina Correia e Rita Alfaiate - Levoir - RTP
É claro que essa perceção de "potencial por cumprir" é reforçada pelo meu conhecimento do excelente trabalho e capacidade de Rita Alfaiate, que já demonstrou maior regularidade e profundidade visual noutras obras. É precisamente por se saber do que a autora é capaz que se torna inevitável comparar e concluir que, apesar do mérito inegável deste Menina e Moça, não será a obra que revela o melhor trabalho da autora. Isso não retira valor à obra, mas deixa no leitor uma certa expectativa não inteiramente satisfeita.

Em termos de edição, o livro apresenta capa dura baça, com bom papel brilhante no interior, boa impressão e boa encadernação. No final, conforme já por mim referido, há um caderno de extras onde nos são dadas informações adicionais sobre a obra, o autor e o contexto histórico dos mesmos.

Em suma, esta adaptação de Menina e Moça é um exercício corajoso e bem-intencionado, que traz uma nova luz sobre um texto fundamental da tradição literária portuguesa. Apesar de algumas oscilações no equilíbrio entre texto e imagem, bem como na consistência gráfica, trata-se de uma versão que cumpre os objetivos principais de tornar acessível uma obra densa e poética, respeitando o seu cerne. É uma porta de entrada válida para novos leitores e um exemplo estimulante de como os clássicos podem continuar a dialogar com a contemporaneidade.


NOTA FINAL (1/10):
6.8




Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020




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Menina e Moça, de Carina Correia e Rita Alfaiate - Levoir - RTP

Ficha técnica
Menina e Moça
Autoras: Carina Correia e Rita Alfaiate
Adaptado a partir da obra original de Bernardim Ribeiro
Editora: Levoir
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
Lançamento: Abril de 2025

quarta-feira, 9 de abril de 2025

Obra de Bernardim Ribeiro é adaptada para Banda Desenhada!


Já está disponível o novo livro da Coleção Clássicos da Literatura Portuguesa em BD, publicada pela editora Levoir, em parceria com a RTP!

Neste caso, estamos perante a adaptação para banda desenhada de Menina e Moça - originalmente escrita por Bernardim Ribeiro - que nos é dada pelas autoras Carina Correira e Rita Alfaiate.

Este já é o segundo livro da coleção com argumento de Carina Correia, que fez um bom trabalho no livro Maria Moisés, que teve ilustrações de Joana Afonso. Neste Menina e Moça, as ilustrações estão a cargo de Rita Alfaiate, uma autora de quem sou confesso fã e que considero uma das grandes promessas da banda desenhada nacional.

Por estes vários motivos, estou especialmente curioso em ler este livro.
Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Menina e Moça, de Carina Correia e Rita Alfaiate

Menina e Moça a conhecida novela de Bernardim Ribeiro é editada pela Levoir a 8 de Abril na colecção Clássicos da Literatura Portuguesa.

Menina e Moça é uma novela sentimental publicada no século XVI e é considerada o primeiro romance pastoril da Península Ibérica. A história está divida em 3 narrativas: “História de Lamentor e Bilesa”, “Os Amores de Binmarder a Aónia” e “Os Amores de Avalor por Arima”.
As três histórias relacionam-se entre si. As histórias têm temática romântica e passam-se em meio rural.

Escrita algumas décadas após o aparecimento das primeiras novelas sentimentais em Espanha, na segunda metade do século XV. A novela principia com o monólogo de uma jovem que não se conhece nem nome nem condição, num processo que lembra as cantigas de amigo. A jovem queixa-se de uma dolorosa separação e de mudanças que a atiraram para o desterro de um monte solitário, onde está há dois anos. E conta o que ocorreu dias antes, estando numa solidão sem medida, viu a manhã formosa por entre os prados do vale, sentou-se debaixo de um freixo, à beira-rio, e não faltou muito que numa ramada viesse pousar um rouxinol. Cantou um triste trinado e caiu morto na corrente larga da água, que o arrastou para longe. Aproximou-se então uma mulher idosa e com ela a jovem encetou um diálogo em torno das desventuras de cada uma.

E esta contou-lhe a desventura daquele lugar em que dois amigos acabaram mortos à traição, deixando as amadas à sua espera. E entra aqui a tradição dos relatos de amor cavalheiresco, na linha de Amadis de Gaula. Os romances pastoris foram muito específicos de uma época histórica.

De Bernardim Ribeiro pouco se sabe com exactidão. Poeta e novelista colaborou no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, pertenceu à roda dos poetas palacianos como Sá de Miranda, Garcia de Resende e Gil Vicente. Esteve algum tempo em Itália, onde entrou em contacto com as inovações literárias.

Não se conseguiu ainda provar que este poeta Bernardim Ribeiro e um provável seu homónimo que frequentou, entre 1507 e 1511, a Universidade de Lisboa, e que em 1524 foi nomeado escrivão da câmara, fossem a mesma pessoa.

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Ficha técnica
Menina e Moça
Autoras: Carina Correia e Rita Alfaiate
Adaptado a partir da obra original de Bernardim Ribeiro
Editora: Levoir
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
PVP: 15,90€

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Análise: Maria Moisés

Maria Moisés, de Carina Correia e Joana Afonso - Levoir e RTP

Maria Moisés, de Carina Correia e Joana Afonso - Levoir e RTP
Maria Moisés, de Carina Correia e Joana Afonso

A coleção dos Clássicos da Literatura Portuguesa em BD, publicada em parceria pela editora Levoir e pela RTP, tem dado os seus frutos e a verdade é que, à medida que vou lendo mais livros da coleção, a minha percepção global sobre a mesma tem vindo a ser cada vez mais positiva. E este Maria Moisés, que adapta a obra homónima de Camilo Castelo Branco, também contribui para isso.

A adaptação para banda desenhada deste clássico da literatura é da autoria da primeira dupla feminina da coleção: Carina Correia e Joana Afonso. De Joana Afonso, eu confesso que já estava à espera de um bom nível de qualidade visual. E, mais uma vez, e caprichosamente, Joana Afonso voltou a não me deixar defraudado. Ainda está para chegar a primeira vez em que o faz. Já quanto a Carina Correia (autora de Conversas de BD, com João Miguel Lameiras), eu estava particularmente curioso, pois este Maria Moisés marca a sua estreia enquanto autora de banda desenhada. E Carina Correia pode estar orgulhosa do seu trabalho, diga-se.

Maria Moisés, de Carina Correia e Joana Afonso - Levoir e RTP
Por uma questão de transparência, habitual aqui no Vinheta 2020, confesso-vos que não li a obra original de Camilo Castelo Branco. E nem sequer sabia muito sobre a mesma. É que, às vezes, ainda não lemos determinado livro, mas já sabemos muitas informações sobre o mesmo. Já nos falaram do mesmo ou já lemos informações sobre a obra. Mas sobre Maria Moisés, eu sabia pouco ou nada. Portanto, a minha análise sobre este livro não será tanto sobre a capacidade das autoras em se manterem fieis à obra original, mas apenas e só sobre uma questão mais global: funcionará bem este livro de banda desenhada? Funciona!

Maria Moisés, originalmente escrito no século XIX, insere-se no contexto da literatura romântica, da qual Camilo Castelo Branco, especialmente com o seu Amor de Perdição - também já adaptado por João Miguel Lameiras e Miguel Jorge numa edição da Levoir - será o expoente máximo da literatura portuguesa. Maria Moisés explora, com uma narrativa intensa e emocional, temas de amor, traição, destino e justiça, sendo que todos eles são apresentados com a típica profundidade psicológica e dramática que caracterizam a obra de Camilo Castelo Branco..

Maria Moisés, de Carina Correia e Joana Afonso - Levoir e RTP
A história de Maria Moisés aparece-nos demarcadamente dividida em dois grandes momentos: por um lado, o amor trágico e "impossível" - para os valores vigentes da época - de Josefa da Lage com António de Queirós e Meneses e, por outro lado, a vida da filha de ambos: Maria Moisés. Por um desencontro temporal - e bem ao estilo de Shakespeare no seu célebre Romeu e Julieta - António vê-se confrontado com a morte da sua amada Josefa e, pleno de tristeza, refugia-se no Brasil para aí tentar encontrar algum alento na vida militar, bem longe da sua terra natal. 

Mas o que António não sabe, é que a filha de ambos, que Josefa tinha no ventre, acaba por ver a luz do dia e ser adotada e educada por uns fidalgos locais. A criança havia sido encontrada no rio por um pescador e acabou por receber o nome de Maria Moisés. De uma primeira fase da vida em que não passava de um bebé abandonado por tudo e todos, Maria Moisés tem a sorte de ser adotada por fidalgos abastados que lhe proporcionam uma boa vida. Mais tarde, com a morte dos mesmos, a protagonista desta história herda a sua fortuna, que passa a utilizar para fazer caridade, transformando a agora sua Quinta de Santa Eulália num orfanato. Até que, passadas quase quatro décadas, o seu pai, António, regressa do Brasil. Mais não conto, precisam de ler o livro.

Maria Moisés, de Carina Correia e Joana Afonso - Levoir e RTP
A narrativa montada por Carina Correia é-nos dada de forma escorreita e simples, mas não de um modo demasiado linear. E isto porque a autora foi especialmente bem sucedida na dosagem dos vários momentos do enredo que, assim dados ao leitor, nunca fazem com que o interesse do mesmo esmoreça. Por outro lado, apreciei especialmente a maneira como o Narrador da história, não participando ativamente na mesma, é ativo na forma como enrola e desenrola o novelo narrativo. Algo que me relembrou da audácia narrativa de Cervantes em Dom Quixote de la Mancha e que, claro está, também é bem ao jeito do Camilo Castelo Branco que eu conheço especialmente por Amor de Perdição.

Mesmo aceitando que Carina Correia se limitou a ser fiel ao texto original, acho que a maneira como, ainda assim, conseguiu assegurar esta curiosa forma de contar a história, num discurso que por vezes até é direto para com o leitor, oferece uma luz e uma cor muito especiais ao livro.

Maria Moisés, de Carina Correia e Joana Afonso - Levoir e RTP
Já quanto a Joana Afonso, a autora volta a dar-nos um livro cuja arte funciona extremamente bem para a história romântica que temos em mãos. As personagens apresentam um estilo bastante "cartoonesco", onde a expressividade das mesmas é ideal para criar empatia com o leitor. Os cenários bucólicos são especialmente bem tratados e as belas cores tornam as ilustrações da autora ainda mais bonitas. 

É, pois, um livro tipicamente "Joana Afonso". E quero com isto dizer que aqueles que, como eu, já apreciam o estilo de desenho da autora, ficarão facilmente satisfeitos com este Maria Moisés. Quanto àqueles que não engraçam com o estilo da autora, temo que continuem a ter a mesma postura, dado que Joana Afonso, com o seu signature style há muito encontrado, se mantém fiel ao mesmo, não inovando no desenho ou no estilo. Mas, diria eu, quando um trabalho já é bom na sua raiz, vai continuar a sê-lo mesmo que não se procure inovar.

Quanto à edição da Levoir, e à semelhança da restante coleção, o livro apresenta capa dura baça, bom papel brilhante no miolo, e boa encadernação e impressão. No final, há um dossier de extras, da autoria do Professor Sérgio Guimarães de Sousa, que oferece mais informações sobre Camilo Castelo Branco, o seu contexto histórico e, claro, sobre a obra em questão.

Em suma, a dupla formada por Carina Correia e Joana Afonso parece bem alinhada na adaptação para banda desenhada de Maria Moisés, originalmente escrito por Camilo Castelo Branco, e fá-lo de um modo que permite tornar presente a valência emocional e até de preocupação social e existencial da obra de Camilo - tão reconhecida do Romantismo português. Recomenda-se, portanto, para todas as idades.


NOTA FINAL (1/10):
8.7




Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Maria Moisés, de Carina Correia e Joana Afonso - Levoir e RTP

Ficha técnica
Maria Moisés
Autoras: Carina Correia e Joana Afonso
Baseado na obra original de: Camilo Castelo Branco
Editora: Levoir
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
Lançamento: Outubro de 2024

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

A obra de Camilo Castelo Branco recebe nova adaptação para BD!



A Levoir lança amanhã, em parceria com a RTP, o seu novo livro da coleção Clássicos da Literatura Portuguesa em BD!

Desta vez, estamos perante a adaptação do clássico Maria Moisés, de Camilo Castelo Branco. Essa referida adaptação chega-nos pelas mãos de uma dupla feminina: as autoras Carina Correia e Joana Afonso.

Estou bastante curioso em ler este trabalho. Não só porque marca a estreia de Carina Correia enquanto autora de BD, como pelo simples facto de eu ser um grande admirador do trabalho de Joana Afonso.

Relembro que esta já é a segunda adaptação para banda desenhada de uma obra de Camilo Castelo Branco, visto a Levoir ter editado, em 2021, Amor de Perdição, com adaptação de João Miguel Lameiras e Miguel Jorge.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Maria Moisés, de Carina Correia e Joana Afonso

A Levoir e a RTP editam a 8 de outubro Maria Moisés, uma das oito novelas, de Camilo Castelo Branco publicadas entre 1875 e 1877, que integra o livro Novelas do Minho.

Um trabalho totalmente no feminino, com argumento de Carina Correia e ilustração de Joana Afonso.
A novela apresenta duas partes essenciais, narrando-se, na primeira, o amor trágico de Josefa da Lage e, na segunda, a vida da sua filha, Maria Moisés, fruto dos amores com António de Queirós. A primeira parte inicia-se com momentos dramáticos, pela descoberta de Josefa da Lage, moribunda, e que acaba por falecer nos braços do Luís moleiro que tentara socorrê-la. 

António de Queirós, filho do fidalgo de Cimo da Vila, apaixona-se por Josefa da Lage com quem tem uma filha, mas vai para o Brasil sem saber da sua existência. A segunda parte da novela vai centrar-se na filha do jovem casal. A criança é encontrada no rio por um pescador e, adotada pelos fidalgos da Quinta de Santa Eulália. É batizada com o nome de Maria Moisés. Após trinta e sete anos, António de Queirós regressa do Brasil. 

Ao recordar o seu antigo caso de amor, com as pessoas da terra, fica a saber que tem uma filha chamada Maria Moisés, que se dedica à caridade na Quinta de Santa Eulália. Ouvindo falar das dificuldades económicas da sua obra social, que obrigam a benfeitora a vender a sua propriedade, resolve ajudá-la, comprando-lha. O momento comovente do reconhecimento entre pai e filha é designado pelo narrador por "sublime lance".

Maria Moisés é recomenda como leitura para os alunos do 9º ano de escolaridade.

Carina Correia divide o seu trabalho entre a escrita a revisão e a coordenação editorial de diversas publicações. Joana Afonso é desenhadora e ilustradora, reconhecida pelo seu trabalho na banda desenhada, já distinguido com múltiplos prémios, entre os quais o de Melhor Álbum Português, no Amadora BD. Maria Moisés é o segundo trabalho da ilustradora para a Levoir, o primeiro foi Auto da Barca do Inferno.

O Professor Sérgio Guimarães de Sousa -Universidade do Minho – é o autor do dossier pedagógico e é o Coordenador Científico do Centro de Estudos Camilianos e da Casa-Museu de Camilo Castelo Branco.

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Ficha técnica
Maria Moisés
Autoras: Carina Correia e Joana Afonso
Baseado na obra original de: Camilo Castelo Branco
Editora: Levoir
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
PVP: 15,90€

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

4 livros que não são de BD mas sim SOBRE BD!



Uma das coisas em que este ano 2022 será marcante para a banda desenhada nacional, é que foram lançados vários livros SOBRE banda desenhada. Não serão casos únicos na história da edição em Portugal, mas acho que podemos dizer que já há algum tempo que não eram lançados livros que falem sobre banda desenhada.

É claro que todos nós gostamos, em primeira análise, diria, de livros DE banda desenhada. Mas, não deixa de ser verdade que, em qualquer tema ou arte, os livros sobre essa mesma disciplina ajudam a compreendê-la melhor. Desta forma, se um amante de cinema poderá aprofundar os seus conhecimentos com um livro sobre cinema; ou se um amante de futebol poderá aumentar os seus conhecimentos com um livro sobre esse desporto; também aqui a proposta será que um amante de banda desenhada possa aumentar os seus conhecimentos em banda desenhada. E que bom isso é, não?

Aceito que me digam que este tipo de livros talvez não seja para todos. Talvez não seja para o leitor mais casual de banda desenhada. Mas também não considero isso um mandamento. Ou, por outras palavras, considero que, mesmo que este tipo de livros não traga mais leitores para a banda desenhada, tem – o potencial, pelo menos – para fazer uma coisa tão ou mais relevante do isso: a de aumentar o interesse do leitor na própria banda desenhada. Porque – e isto será uma lei de La Palice – se o interesse em banda desenhada aumenta, certamente também aumenta o interesse em ler (e comprar) mais livros de BD.

Portanto, todas estas palavras iniciais para, numa primeira abordagem, congratular a editora A Seita por esta aposta. Que me parece pertinente e meritória!

Olhando para a múltipla aposta da editora em livros SOBRE banda desenhada, venho aqui falar-vos desses quatro livros: Conversas de Banda Desenhada, de Carina Correia e João Miguel Lameiras, Imagens de Uma Revolução – 25 de Abril e a Banda Desenhada, de João Miguel Lameiras, João Paulo Paiva Boléo e João Ramalho Santos; Variantes – Uma Homenagem à BD Portuguesa, de vários autores; e Tex – Mais que um Herói, de Mário João Marques. Convém relembrar que, se há algo que também justifica que os livros tenham um lançamento muito próximo em termos temporais entre si, é que estes quatro projetos tenham beneficiado dos apoios do Compete 2020.

O que me surpreendeu pela positiva nestes quatro livros é que todos eles, mesmo tendo sido lançados praticamente na mesma altura, conseguem encontrar o seu espaço e a sua pertinência, sem que se "atropelem" uns aos outros. Quando soube que todos estes livros iriam ser lançados, embora tivesse ficado satisfeito, pensei: “hmmm, não será que são demasiados livros SOBRE bd de uma só vez? Não estará a editora a canibalizar-se a si mesmo?”. Agora, depois de os conhecer a fundo, digo-vos que não considero que exista aqui qualquer tipo de sobreposição, e que todos estes quatro livros têm intentos diferentes.

E é mesmo por isso que senti necessidade de criar este artigo em que vos falo e explico o conceito por detrás de cada um destes livros. Depois disso, a escolha pela compra de um ou outro livro dependerá, certamente, pelos gostos de cada um – mas não é assim em qualquer produto ou escolha que fazemos na vida?

Começando por Conversas de Banda Desenhada, de Carina Correia e João Miguel Lameiras, posso dizer-vos que adorei o livro. O projeto não poderia ser mais despretensioso e sincero, pois tudo aquilo que os autores nos querem dar são meras conversas entre eles e alguns dos autores mais relevantes da banda desenhada nacional. São eles: Filipe Melo, que é acompanhado por Juan Cavia na entrevista; Nuno Saraiva; Marco Mendes; Osvaldo Medina; Luís Louro; Jorge Coelho; Paulo Monteiro; e Joana Afonso. Que fantástica seleção de autores portugueses! Tenho a certeza de que o Mister Fernando Santos, se gostasse de banda desenhada, não faria melhor trabalho na convocatória.

Este é, portanto, um livro de entrevistas muito bem conduzidas por Carina Correia e João Miguel Lameiras, e que nos procura dar a conhecer um pouco mais sobre os autores acima referidos: que projetos futuros têm, como foram desenvolvidos os projetos já lançados, e muitas e muitas informações e curiosidades. Algumas delas os leitores mais atentos já conhecerão, mas asseguro-vos que há muita informação que acaba desvendada depois de finda a leitura deste Conversas de Banda Desenhada. Nota positiva para o facto de os autores terem feito estas entrevistas na base de conversas presenciais. O que tornou todo o diálogo muito mais fluído e natural.

O grafismo do livro e a paginação estão bem conseguidas para o tipo de obra em questão. Acho apenas que os textos das entrevistas talvez pudessem ter recebido um maior número de imagens/pranchas/ilustrações feitas pelos autores em entrevista. Atenção que houve um esforço dos autores para que isto acontecesse. Mesmo assim, parece-me que talvez pudessem ter sido colocadas mais imagens ainda, para que se evitasse termos duas páginas apenas de texto, que aparecem de quando a quando. Não obstante, nota muito positiva para a ilustração dos entrevistadores que cada autor foi convidado a fazer e que permite à obra ter imagens inéditas de todos estes artistas.

A edição do livro é em capa mole e num formato que me lembra o de um livro de literatura em prosa/romance. Acho que encaixa bem no tom descomprometido da obra. Quanto a mim, tudo funcionou muito bem neste livro. E gostava que os autores não se ficassem por aqui e, futuramente, pudessem fazer outros volumes do Conversas de Banda Desenhada, entrevistando outros autores.

O Imagens de Uma Revolução – 25 de Abril e a Banda Desenhada resultou de uma parceria editorial entre A Seita e a Levoir e até chegou às bancas há vários meses.

Este é, de todos, o livro mais académico, abordando o tema do 25 de Abril, a Guerra Colonial e o Estado Novo, em torno da banda desenhada. Ou, melhor dizendo, a banda desenhada em torno de todas essas temáticas. 

É daqueles livros que - espero! - facilmente chegará a livrarias, a instituições públicas e a bibliotecas de escolas e estabelecimentos de ensino superior. 

O trabalho que aqui nos é dado revela-se completamente meritório e acho que os três autores, de primeiro nome João, deverão estar orgulhosos do profundo e estudioso trabalho que lhes rendeu a feitura deste livro.
No entanto e, pelo cariz demasiadamente académico, sublinho, será de todos estes quatro livros aquele que, para os meus gostos pessoais, é mais maçudo de ler. Mesmo o próprio grafismo e paginação da obra – que é bastante bem feita, admita-se – me fez lembrar um manual escolar ou um livro técnico. Não obstante, e como disse mais acima, também este livro encontra facilmente o seu público e a sua legítima razão de ser.

A edição é em capa dura, com um bom papel brilhante, o que confere à obra uma possível categorização de “coffee table book”. Isto é, um livro de coleção que também é bonito de se mostrar.

Avançando para Variantes, devo dizer que este livro tem uma premissa muito interessante e sui generis, que reside na intenção de tentar ser um livro de homenagem à banda desenhada nacional. Aliás, convenhamos que até o próprio subtítulo da obra assim o diz.

O conceito base da obra é ser um catálogo com algumas das bandas desenhadas mais marcantes da história do género em Portugal. Desde aquela que é conhecida como a primeira de todas, A Picaresca Viagem do Imperador Rasilb pela Europa, de Raphael Bordallo Pinheiro; Quim e Manecas, de Stuart de Carvalhais; O Espião Acácio, de Fernando Relvas; Jim del Monaco, de Luís Louro e Tózé Simões; A Pior Banda do Mundo, de José Carlos Fernandes; ou Tu és a Mulher da Minha Vida, Ela a mulher dos Meus Sonhos, de João Fazenda e Pedro Brito. Isto entre muitas obras que aqui são relembradas. São 25 clássicos da banda desenhada nacional, no total. 

Mas, mais do que ser um catálogo da bd nacional marcante e de ter um texto que contextualiza a obra, a grande característica diferenciadora de Variantes é que, para cada obra homenageada, foi escolhida uma prancha desse livro, para ser, depois, redesenhada e interpretada por um autor atual. Como se fossem versões atuais de músicas clássicas. Um conjunto de covers, vá. É um exercício muito giro e que funciona muito bem, contando com autores relevantes como André Caetano, Fábio Veras, Jorge Coelho, Marco Mendes, Marta Teives, Rita Alfaiate, entre outros ilustres.

Sinto que este livro é uma autêntica celebração da banda desenhada em vários quadrantes: dos autores que já não estão entre nós, mas cujas obras passarão o teste do tempo; dos autores atuais que aqui deram o seu talento e coração à iniciativa, presenteando-nos com a sua arte; dos autores dos textos (alguns deles muito sentidos) que fazem uma boa introdução informativa à obra dos autores homenageados… enfim, está aqui muito bem representada uma boa parte do setor da banda desenhada nacional, atrevo-me a dizer.

Acho só que há algo em que o livro peca e que lamento que ninguém tenha chamado à atenção. Pelo seu cariz de livro de caráter consultivo, lamenta-se a inexistência de um índice com as obras que aqui são homenageadas. Num livro assim, era algo obrigatório e fácil de fazer, uma vez que só pressuporia uma mísera página. Para alguns, isto pode parecer um pequeno erro sem importância mas, para mim, e olhando para o cariz de prontuário da banda desenhada nacional que o livro parece reclamar para si mesmo, acho um erro lamentável. 

Creio também que, em termos de arranjo gráfico e paginação, o livro poderia ter recebido um melhor tratamento. Não obstante, tenho que destacar a muito inspirada ilustração de capa, do autor Pedro Morais, que está muito bela e que consegue prestar homenagens várias e esconder easter eggs deliciosos de descodificar. Muitas vezes digo que uma capa pode - e deve! – vender um livro. E esta capa, com uma ilustração assim, fá-lo muitíssimo bem.

Por fim, temos Tex Mais Que um Herói, de Mário João Marques.

Meus amigos, quanto a mim, este é dos lançamentos mais impressionantes do ano! Estamos a falar de um livro com quase 500(!) páginas, que nos conta, com um detalhe impressionante, tudo e mais alguma coisa sobre Tex, o famoso cowboy da Sergio Bonelli Editore. 

Este livro é uma autêntica "bíblia", uma autêntica "enciclopédia", um autêntico "manual de A a Z", um autêntico tour de force. Passei horas de volta dele e sinto que ainda há tanto e tanto por saber e aprender com este livro. Sei que Mário João Marques demorou mais do que 10 anos a conceber este “monstro”, no bom sentido da palavra. E digo-vos que, olhando para a quantidade e qualidade do conteúdo, para a atenção ao detalhe, até me parece que o fluxo de trabalho do autor para 10 anos… foi bastante rápido.

Mário Marques analisou até ao mais ínfimo detalhe histórico-técnico, tudo aquilo que compõe a célebre personagem: o mito, o herói, as personagens, os vilões, as mulheres, a evolução da série, os autores que nela participaram, as capas, os ambientes, a história e toda e qualquer coisa que envolva Tex. Aplausos perante um trabalho deste gabarito não serão suficientes. Digo mais: se a minha vida fosse interessante e relevante como a de Tex, gostaria que Mário João Marques fosse o meu biógrafo. Está cá tudo o que precisa de estar!

Gostaria que o livro fosse a cores, mas compreendo que, dada a sua dimensão, isso seria impensável ou encareceria muito o livro. A edição está muito boa e a paginação da obra, feita por João Marin, outro admirador de Tex, está bastante bem conseguida.

Mas, adorando o trabalho feito neste livro, não posso deixar de falar no “elefante na sala”: a capa deste livro. Que fica muito aquém daquilo que um projeto destes mereceria. E aqui aponto armas à própria editora Bonelli, que não autorizou Mário João Marques a utilizar uma imagem, digamos, "oficial" de Tex. Como é que é possível que e editora – conhecendo de antemão os intentos, a responsabilidade e a seriedade do autor – não tenha dado luz verde para que tal acontecesse? Que disparate por parte da casa-mãe de Tex, digo-vos eu! O resultado acabou por ficar muito “fraquinho”, tenho de dizer. Isto porque o autor se viu forçado a utilizar uma sombra de Tex, em vez do desenho da personagem, como deveria ser. Essa sombra está bastante mal-amanhada, quer ao nível do layering do sombreado na paisagem natural, quer ao nível do tratamento da própria sombra. Imagino que talvez não tenha havido tempo suficiente para desenhar, convenientemente, uma sombra de Tex, sob o solo árido da paisagem do oeste americano. Ainda assim, é de lamentar que a capa – que é tão relevante, apesar de tudo – tenha ficado tão amadora, num trabalho tão pleno de comprometimento e profissionalismo.

Portanto, sim, não se deixem enganar pela capa! Este é um trabalho de amor e acredito que todos nós devemos saber valorizar os trabalhos que resultam de amor. Haverá coisa mais bela do que isso? O amor que Mário João Marques tem à personagem de Tex e como a mesma mudou para sempre a sua vida. E a de tantos e tantos admiradores que Tex tem por esse mundo fora. Alguns deles, pelo menos os lusófonos, terão neste livro um produto que não é apenas recomendado… é absolutamente obrigatório.


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Portanto, concluindo o meu artigo, não atribuo NOTAS FINAIS a estes livros mas finalizo com a certeza de que são 4 excelentes propostas de livros SOBRE banda desenhada em que a A Seita aposta e que merecem ser acarinhados. 

Faço votos para que mais destes livros possam surgir no futuro.

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Fichas técnicas
Conversas de Banda Desenhada
Autores: Carina Correia e João Miguel Lameiras
Editora: A Seita
Páginas: 184, a cores
Encadernação: Capa mole com badanas
Formato: 15 x 23 cm
PVP: 17,90€


Imagens de Uma Revolução - 25 de Abril e a Banda Desenhada
Autores: João Miguel Lameiras, João Paulo Paiva Boléo e João Ramalho-Santos
Editoras: A Seita e Levoir
Páginas: 152, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 26,5 x 19,3 cm
PVP:17,90€


Variantes - Uma Homenagem à BD Portuguesa
Autores: Vários
Editora: A Seita
Páginas: 72, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 23 x32 cm
PVP: 17,00€


Tex - Mais Que Um Herói
Autor: Mário João Marques
Editora: A Seita
Páginas: 488, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 28,50 x 28,50 cm
PVP: 40,00€

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Vai ser lançado um livro com entrevistas a alguns dos mais célebres autores portugueses de BD!

Conversas de Banda Desenhada, de Carina Correia e João Miguel Lameiras - A Seita

Conversas de Banda Desenhada, de Carina Correia e João Miguel Lameiras - A Seita

Que bela notícia tenho eu para vos dar! 

A Seita prepara-se para lançar, não um livro de banda desenhada, mas um livro sobre banda desenhada! 

Na prática, é composto por entrevistas com alguns dos autores mais proeminentes da banda desenhada nacional, como Filipe Melo (que é acompanhado pelo argentino Juan Cavia), Luís Louro, Joana Afonso, Osvaldo Medina, Jorge Coelho, Nuno Saraiva, Marco Mendes e Paulo Monteiro.

O livro é da autoria de Carina Correia e de João Miguel Lameiras e, conhecendo mais ao menos o projeto, posso dizer-vos que nos fazia falta um livro como este! E que, aliás, atesta o bom momento que a banda desenhada vive, em Portugal, nos últimos anos.
Sim porque, se termos uma oferta abrangente e regular de boa banda desenhada portuguesa e estrangeira é algo bom, passarmos à "segunda fase" de até termos livros sobre banda desenhada, também é igualmente bom e o sinal inequívoco de que a banda desenhada em Portugal está de boa saúde. 

Considero que este tipo de livros educam o mercado e, por conseguinte, os leitores, que acabam por se embrenhar, ainda mais, na banda desenhada. E que bom isso é. Até parece "serviço público" este novo lançamento que muito aplaudo e que espero ter nas mãos o quanto antes.

O lançamento/apresentação, deste livro feito com o apoio do programa Garantir Cultura, vai ser no dia 1 de Outubro no Fórum Fantástico, em Lisboa, com a presença da maioria dos entrevistados.

Mais abaixo, deixo-vos a sinopse da obra e algumas imagens promocionais.

Conversas de Banda Desenhada, de Carina Correia e João Miguel Lameiras

Parece relativamente consensual que a banda desenhada portuguesa vive um dos seus melhores momentos de sempre, apesar das inevitáveis dificuldades. Sendo assim, importa registar este mesmo momento dando a palavra a alguns dos seus principais criadores em actividade.

Os escolhidos para as conversas do presente livro foram Filipe Melo e Juan Cavia, Joana Afonso, Jorge Coelho, Luís Louro, Marco Mendes, Nuno Saraiva, Osvaldo Medina e Paulo Monteiro. 
Realizadas entre Novembro de 2021 e Março de 2022, estas oito conversas - que na verdade são nove, uma vez que há uma dupla - possibilitarão ao leitor uma visão mais abrangente do panorama actual da BD portuguesa e um melhor conhecimento dos autores por trás das obras.

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Ficha técnica
Conversas de Banda Desenhada
Autores: Carina Correia e João Miguel Lameiras
Editora: A Seita
Páginas: 184, a cores
Encadernação: Capa mole com badanas
PVP: 17,90€