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quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Análise: Astérix na Lusitânia

Astérix na Lusitânia, de Fabcaro e Didier Conrad - ASA

Astérix na Lusitânia, de Fabcaro e Didier Conrad - ASA
Astérix na Lusitânia, de Fabcaro e Didier Conrad

A série Astérix continua a ser uma das franquias de banda desenhada com mais sucesso no mundo e, sempre que há um novo livro, são milhões os fiéis leitores que ficam ávidos por mais uma história de Astérix, Obélix e companhia. É assim em todo o mundo e Portugal não é exceção. Mas, desta vez, a saudável loucura perante o mais recente livro da série é ainda incrementada pelo facto de esta ser a primeira aventura dos gauleses que tem lugar em Portugal - ou em terras lusitanas, se preferirem os mais preciosistas. 

Astérix, Obélix e Ideiafix já visitaram muitos locais do mundo ao longo das suas inúmeras aventuras, mas só agora meteram o pé em Portugal. Naturalmente, compreende-se o acréscimo de agitação comercial que se tem sentido em Portugal. Posso dizer-vos que são muitas - mesmo muitas! - as pessoas que, não lendo banda desenhada, me têm dito que vão comprar, ou já compraram, o livro. Enquanto incansável defensor da banda desenhada e da promoção desta, isso deixa-me feliz, claro. Embora me deixe, ao mesmo tempo, perplexo perante a forma como as pessoas são redutoras, não demonstrando querer conhecer mais do que o básico. Mas, lá está, olhemos para o "copo meio cheio" - e não para o "copo meio vazio" - esperando que toda esta gente que está a comprar Astérix na Lusitânia ganhe o bichinho para, depois de feita a leitura, querer conhecer mais banda desenhada.

A expectativa para este livro era grande, claro. Se já todos nos tínhamos divertido com as visitas de Astérix e companhia a locais como Itália, Bélgica, Espanha, Suíça, Alemanha, Reino Unido, Grécia ou Egito, entre outros, saber que, finalmente, passados mais de 40 álbuns, os irredutíveis viriam a Portugal, aguçou o nosso interesse. Mas, infelizmente, estamos perante um álbum que desilude a vários níveis. Sendo o segundo livro que tem Fabcaro como argumentista, revela-se bastante inferior a Astérix e o Lírio Branco que, pelo menos, era mais inspirado e menos formulaico.

Astérix na Lusitânia, de Fabcaro e Didier Conrad - ASA
E começo por aí, pois considero que os responsáveis pelos desígnios da série Astérix precisam de responder à seguinte questão: o que queremos, de facto, de Astérix? Além das boas vendas, mas isso é óbvio. Pretende-se fazer evoluir as personagens e os enredos ou tentar fazer cópias mal amanhadas daquilo que já foi feito? Note-se que não me vão ver a referir aquela velha lenga-lenga do "no tempo do Goscinny é que era bom". Não é essa a questão. O problema, quanto a mim, é que, ou bem que se faz a série evoluir, ou bem que se opta por copiar o que já foi feito. E acho que era preferível a primeira opção.

A história de Astérix na Lusitânia é fraca porque... praticamente não existe. Quer dizer, há um engodo, uma muleta narrativa, mas pouco mais que isso. No fundo, este livro de Astérix é um desfile pelos estereótipos associados a Portugal - e alguns deles revelam-se até bastante datados.

A história arranca quando Astérix e Obélix são chamados para ajudar um antigo escravo lusitano, Tristês, que surge na aldeia gaulesa pedindo ajuda para o seu amigo Malmevês que foi acusado de tentar envenenar o imperador César. Ora, tentando ser úteis, isto faz com que a temível dupla de gauleses rume até Olissipo (Lisboa). A partir daqui, desfilam algumas personagens mas sem que haja um real e orgânico desenvolvimento da história. Parece que já lemos esta história em algum lugar, de tão vulgar que a mesma é. Lembram-se, por exemplo, de Astérix na Córsega, de 1973, em que Astérix e Obélix viajaram até à ilha de Córsega para ajudar os locais a resistir à opressão romana? Enfim, mudam os nomes e as caras das personagens, mas a sensação de déjà vu é muito grande.

Tal como Woody Allen foi acusado - com alguma legitimidade, diga-se - de estar a servir-se das cidades onde filmava alguns dos seus filmes (Midnight in Paris, To Rome With Love ou Vicky Christina Barcelona) para que, com esse simples facto de ter a cidade como pano de fundo, conseguir obter um alavancador de sucesso nos seus filmes, sem que, depois, os mesmos fossem suficientemente bons, também isso parece estar a acontecer com este Astérix na Lusitânia. A âncora em que a história se tenta suster reside apenas no facto de a história se passar num território que é novo para a dupla de heróis. Todo o resto parece ser irrelevante.

Quando um livro repetidamente recorre ao mesmo molde, o encantamento inicial transforma-se em previsibilidade e cansaço. E, voltando a Astérix e o Lírio Branco, ao menos nesse caso viu-se uma tentativa de se criar uma história nova, mais impactante. Diferente. Mesmo que também esse livro não tenha sido isento de fragilidades, teve esse mérito. Astérix na Lusitânia é isso: um Astérix que já todos lemos, com uma história mais mal conduzida e mais desinspirada, mas que tem esse apelo a que todos nós, especialmente os portugueses mais parolos, não conseguimos resistir: acontece em Portugal.

E já que falo disso, permitam-me dizer que a representação do povo lusitano por parte de Fabcaro teve alguns bons méritos, é verdade, mas que foram ocultados por um guisado de estereótipos mais desinspirados. Isto porque a ideia que fica é que o argumentista Fabcaro pediu ajuda ao chatgpt, ou a outra plataforma do género, de forma a encontrar quais os estereótipos mais básicos, diretos e lineares da cultura portuguesa, o que, convenhamos, numa série que já se revelou tão inteligente nos tempos de Goscinny ao nível dos estereótipos utilizados, é manifestamente preguiçoso. Temos, claro, alusões ao bacalhau, aos pastéis de nata, aos azulejos, ao vinho verde, à calçada portuguesa, a Viriato, ao elétrico 28, a Cristiano Ronaldo, ao fado, etc. São referências reconhecíveis, claro, mas vazias. Em vez de se construir personagens ou situações que revelem algo genuíno sobre Portugal, opta-se por clichets que funcionam igualmente bem para qualquer país com uma especialidade culinária famosa ou uma celebridade exportável. É preguiça criativa disfarçada de homenagem.

Há, no entanto, um elemento que se destaca pela positiva: a forma como Fabcaro trabalha a melancolia nacional aliada à saudade. Nesse ponto específico, o argumentista consegue ir mais fundo, explorando um traço identitário que não se esgota no postal ilustrado; pelo contrário, revela sensibilidade e subtileza, tratando a saudade lusitana não apenas como uma piada, mas como uma emoção culturalmente rica, com peso existencial e poético. É precisamente aí que o álbum escapa ao simplismo e mostra um olhar mais atento sobre aquilo que, de facto, distingue a alma portuguesa. Talvez o livro fosse melhor se o argumentista se tivesse focado mais nesta questão, quanto a mim mais profunda.

Além disso, e embora apresentada de forma mais ténue do que em outros álbuns, apreciei também uma certa crítica social aos tempos do presente, com especial enfoque na globalização, no consumismo e no turismo.

Astérix na Lusitânia, de Fabcaro e Didier Conrad - ASA
Se o vilão de Astérix e o Lírio Branco se revelou uma bela surpresa, o vilão desta história, Sacanês, não me parece propriamente inesquecível. Na verdade, até mesmo Astérix e Obélix parecem um pouco desligados, como se os autores os pusessem em piloto automático. Os protagonistas cumprem o papel esperado, mas não há desenvolvimento ou surpresa, são veículos para gags. A ideia de os transformar em portugueses teve a sua piada, concedo, mas diria que foi algo metido a martelo, sem grande necessidade do ponto de vista narrativo. Mesmo assim, arrancou-me alguns sorrisos.

Há alguns trocadilhos bem conseguidos e divertidos, mas nessa componente do humorismo não posso deixar de lamentar que se tenha optado por colocar uma personagem que, anteriormente, não dizia os "erres", a dizê-los. Até quando é que vamos deixar que haja tantas "frescuras" em relação à forma como o humor pode deixar algumas pessoas ofendidas? Isto merecia todo um texto de 5 páginas, que não me apetece fazer agora, até porque esta análise já vai longa, mas deixem-me só levantar esta questão: quem é que controla a bitola do que é politicamente correto e do que não é? É que, meus caros, ou nos deixamos de frescuras e deixamos o humor ser - como sempre deve ser - livre ou, então, abrimos o precedente de nos sentirmos ofendidos com tudo. E aí não há volta a dar e podemos afirmar que o humor está oficialmente morto. Se se achou que ter uma personagem africana a dizer mal os "erres" era ofensivo... porque não se achou que considerar os portugueses saudosistas ou melancólicos era ofensivo? Percebem o que quero dizer? Ou há regras iguais para todos ou parem de uma vez por todas com este exercício ridículo da moda. Quanto a mim, a bem do humor independente e livre, gosto que se brinque com as coisas que me caracterizam, seja a minha nacionalidade, a minha raça, o meu género, a minha cor, a minha cultura ou a minha pessoa. Mas, enfim, parte do mundo parece ainda não estar pronta para esta conversa.

Avançando, do ponto de vista visual, o trabalho de Didier Conrad volta a mostrar-se eficiente. Honrando os desenhos de Uderzo, o autor oferece-nos um trabalho bastante competente. Não estará ao nível de Astérix e o Grifo, um dos melhores da série, com a representação da neve a oferecer-nos um belíssimo desenho e cor, mas cumpre bem. Talvez a representação das Azenhas do Mar ou da cidade de Lisboa pudesse estar mais aprimorada em termos de detalhes no desenho, mas nota positiva, também, para a representação visual de Astérix e Obélix enquanto portugueses. Nem faltam pelos no peito e nos braços a Obélix!

A edição portuguesa da obra é na expectável capa dura brilhante, com bom papel brilhante no interior. Boa impressão e boa encadernação. 

Tenho visto muitas críticas apontadas à edição portuguesa da obra por conter demasiados "ó pás" sempre que há a fala de uma personagem portuguesa. Convém explicar que isso acontece como forma de ultrapassar uma dificuldade de tradução. Na edição francesa da obra, sempre que uma personagem lusitana fala e utiliza uma palavra que termine em "ion", como "situation", por exemplo, essa expressão é apresentada com "ão". A expressão que acabo de inventar, para exemplificar, "cette situation est amusante" seria algo como "cette situatão est amusante". Ora, traduzindo esta expressão para português, perder-se-ia a piada original. Para colmatar isso, a editora portuguesa decidiu colocar um "ó pá" em cada expressão que é dita com este tipo de trocadilho. Percebo que não era fácil dar a volta a questão, mas junto-me ao coro de vozes que não apreciou esta opção. Se fosse uma piada feita menos vezes, seria menos chata. Assim sendo, torna-se demasiadamente repetitiva. Se bem que, lá está, também na edição original francesa a troca dos "ions" pelos "ãos" se tornará(?) igualmente repetitiva. Não apreciei estes "ó pás", mas tomara eu que isso fosse o pior deste Astérix na Lusitânia. Não me importava que fosse colocado o dobro dos "ó pás", se a história fosse melhor ou mais inesquecível.

Em suma, Astérix na Lusitânia não é péssimo... e até se lê bem. Mas a verdade é que a obra pouco aquece e muito arrefece, mostrando-se desinspirada e com uma representação dos portugueses demasiadamente básica e simplista, o que não deixa de constituir uma oportunidade desperdiçada na única vez em que os heróis gauleses visitam o nosso território. Ao tentar-se seguir a fórmula de ter muitas referências ao povo português, os autores esqueceram-se de uma coisa crucial: a história. Que aqui é meio atabalhoada, forçada e extremamente desinspirada.


NOTA FINAL (1/10):
6.0

Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Astérix na Lusitânia, de Fabcaro e Didier Conrad - ASA

Ficha técnica
Astérix na Lusitânia
Autores: Fabcaro e Didier Conrad
Editora: ASA
Páginas: 48, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 21,8 x 29 cm
Lançamento: Outubro de 2025

segunda-feira, 17 de março de 2025

A nova aventura de Astérix acontece em Portugal!



Ao 41º álbum foi de vez: a próxima aventura de Astérix e Obélix acontecerá em terras lusas!

Foi ontem anunciado que o novo álbum de Astérix, que volta a ter Fabcaro como argumentista e mantém Didier Conrad como ilustrador, sairá no próximo dia 23 de Outubro, com o nome de Astérix na Lusitânia!

Até já há capa provisória que, com os nossos heróis a pisar a emblemática calçada portuguesa, é muito apelativa, já agora. 
Se a curiosidade para cada novo álbum de Astérix é sempre muita, neste ano sai redobrada. Está mais que apresentado o bestseller nacional da BD no mercado nacional.

Mais abaixo, deixo-vos com uma entrevista aos autores deste novo álbum, que nos dão conta das razões escolhidas para que os famosos gauleses viajem pela primeira vez a Portugal, bem como a nota de imprensa da editora ASA!

Astérix na Lusitânia, de Fabcaro e Didier Conrad

Relembrando… Na prancha inédita publicada em dezembro de 2024, Astérix e Obélix estavam a preparar-se para partir numa nova viagem.

E ao contrário do seu périplo pelas longínquas estepes cobertas de neve das terras sármatas (Astérix e o Grifo, 2021), os primeiros indícios apontavam para uma região bem mais ensolarada.

Sob os pés dos nossos dois amigos desenha-se um motivo a preto e branco, constituído por pedras irregulares e típico de um país que eles ainda não conhecem…

Já não há margem para dúvidas: Astérix, Obélix (e Ideiafix!) têm os pés bem assentes numa calçada portuguesa!

Vai ser portanto no extremo ocidental do Império Romano que vamos em breve encontrar os nossos irredutíveis amigos gauleses, num país conhecido pela riqueza dos seus monumentos históricos, pelas suas especialidades culinárias e, sobretudo, pela generosidade dos seus habitantes!

Preparam as trouxas, rumo à Lusitânia!

Astérix vai viajar de novo em 23 de outubro de 2025.









segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Análise: Astérix #40 - O Lírio Branco

Astérix #40 - O Lírio Branco, de Fabcaro e Didier Conrad - ASA - Leya

Astérix #40 - O Lírio Branco, de Fabcaro e Didier Conrad - ASA - Leya
Astérix #40 - O Lírio Branco, de Fabcaro e Didier Conrad

Havia uma grande expetativa para o novo Astérix, intitulado O Lírio Branco, cujo lançamento mundial aconteceu há poucas semanas. Não só porque este é o 40º álbum da série – o que é sempre um número “redondo” e assinalável – como também, e especialmente, porque seria o álbum que assinalaria a entrada de um novo argumentista na série.

Depois de Jean-Yves Ferri ter assegurado os argumentos para cinco álbuns de Astérix, este deu lugar ao argumentista francês Fabcaro. Didier Conrad, que já havia assinado as ilustrações dos álbuns lançados com Ferri, mantém-se como ilustrador deste O Lírio Branco.

Ora, daquilo que tenho visto das reações a este 40º álbum da série, especialmente a nível estrangeiro, tenho verificado que parece haver uma certa euforia com a entrada de Fabcaro na série. Quanto a mim, não partilho da mesma. E não é que Fabcaro não tenha feito um trabalho meritório neste O Lírio Branco. Fê-lo. Mas se havia tantos críticos aos álbuns assinados por Ferri, também não compreendo que agora haja tantos elogios ao trabalho de Fabcaro. Porque ambas as contribuições não estão tão distantes assim. Quer em termos de qualidades, quer em termos de fraquezas. Dito por outras palavras, sinceras, ou os argumentos de Ferri não eram assim tão maus como tanta gente apregoava, ou o argumento deste O Lírio Branco não é tão genial como todos parecem exclamar.

Vamos por partes.

Como habitual nas aventuras de Astérix, temos um tema da atualidade a ser transposto para o tempo dos gauleses e dos romanos. O que, descontextualizando os assuntos, gera muitas situações caricatas que, se conseguirmos olhar para Astérix e Companhia como o mero reflexo da nossa sociedade atual, temos um humor revestido de crítica. O que é bom e mais profundo. E, note-se, não é um daquelas críticas incisivas ou profundas, mas uma leve e divertida forma de olhar para nós mesmos e vermos como certas coisas que temos como certas na nossa vida atual, podem soar tão ridículas ou non-sense com o devido afastamento. Idiossincrasias dos tempos contemporâneos, diria. E é isso que Fabcaro tenta fazer neste 40º álbum de Astérix, procurando trazer à tona o espírito e forma de Goscinny.

Assim sendo, o próprio “Lírio Branco” assume-se como uma nova escola de pensamento positivo, oriunda de Roma, que começa a propagar-se pelas grandes cidades, acabando por chegar à aldeia dos Irredutíveis. Esta ideia de pensar positivo e do discurso motivacional – tão em voga nos tempos atuais – é levada ao extremo, de forma a incentivar os exércitos romanos de César, por um lado, e, posteriormente, passando a plano de ação, para conseguir ferir Astérix e os seus companheiros. Ora, o mentor desta escola de pensamento é Palavreadus que, recebendo luz verde do Imperador César, acaba por ser o mastermind e vilão da história.

Astérix #40 - O Lírio Branco, de Fabcaro e Didier Conrad - ASA - Leya
Se resulta? Certamente! Fabcaro é feliz ao introduzir um tema pertinente dos nossos dias e ao dar-nos algumas piadas que colocam um sorriso na nossa cara. Também há outras piadas menos felizes, ou mais “secas” ou forçadas, onde o argumentista fica aquém. Mesmo assim, o maior louvor que posso fazer a Fabcaro é que esteve particularmente brilhante – levando-me a lembrar algumas das personagens inolvidáveis que Goscinny criou para a série – com a introdução da personagem Palavreadus. É uma personagem divertida, astuta e com uma dupla personalidade uma vez que, sendo romano, procura fazer-se passar por um aliado dos gauleses. Joga nas duas frentes e procura, através de “falinhas mansas”, conquistar simpatia junto dos dois extremos. Isso permite que o argumentista Fabcaro desenvolva muito bem a personagem e que faça com que a mesma fique na nossa lembrança já depois de finalizarmos a leitura de O Lírio Branco. É, quanto a mim, e juntamente com duas ou três piadas bem conseguidas, aquilo que de melhor se retira desta obra.

Porém, também é verdade que, embora comece bem, a meio do livro se sente a narrativa algo arrastada e até algo repetitiva, com a reciclagem de algumas piadas já ditas, anteriormente, no mesmo livro. É, portanto, uma obra que prometia muito ao início, mas que, no final, talvez não corresponda à alta expetativa. Mesmo assim, acaba por ser um livro agradável e leve para se ler.

Quanto ao trabalho de Didier Conrad, considero que continua praticamente igual ao que o autor já nos habituou. Ou seja, há uma clara e fiel proximidade ao trabalho original de Uderzo. Se o autor coloca o seu cunho pessoal, este é muito subtil fazendo com que, a traços gerais, não se notem diferenças (quase) nenhumas com os álbuns de Uderzo.

Astérix #40 - O Lírio Branco, de Fabcaro e Didier Conrad - ASA - Leya
Mesmo assim, pareceu-me que o autor não esteve tão inspirado desta vez. Não é que haja desenhos mal desenhados ou algo demasiadamente negativo, mas, especialmente a nível de detalhes cénicos ou na tentativa de surpreender um pouco ao nível da planificação (conforme o autor já tinha feito, e bem, em álbuns recentes), dá a ideia que Conrad se conteve mais, arriscando menos. Cumpre, claro, mas não é o seu melhor álbum. E muito menos é a sua melhor capa, que me parece das mais desinspiradas de toda a série.

Quanto à edição da ASA, o livro apresenta capa dura brilhante, com bom papel brilhante, boa encadernação e boa impressão. Uma nota de louvor para a tradução. Astérix não é uma série fácil de traduzir – de todo! Há muitos trocadilhos que se perdem na tradução. E, mesmo admitindo que algumas das piadas originais poderão ter sido atenuadas em termos de valor humorístico, acho que a tradução merece nota de louvor. Nota positiva, ainda, para o facto de o livro ter sido lançado em simultâneo com o lançamento mundial. Muito embora isso já seja algo expetável em Astérix, é algo importante para o nosso mercado que não esqueço de mencionar.

Em suma, aprecia-se a lufada de ar fresco que Fabcaro tenta trazer à série, fabricando um ótimo “vilão” e um argumento com várias piadas engraçadas que nos fazem lembrar – com alguma distância, é certo – o brilhante uso de palavras do criador original da série, Goscinny, embora O Lírio Branco também seja um álbum que, ao longo da leitura, perde algum do fulgor inicial. Não obstante, é bom, acima de tudo, ver que Astérix, Obélix e companhia continuam vivos e de boa saúde!


NOTA FINAL (1/10):
7.9



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Astérix #40 - O Lírio Branco, de Fabcaro e Didier Conrad - ASA - Leya

Ficha técnica
Astérix #40 - O Lírio Branco
Autores: Fabcaro e Didier Conrad
Editora: ASA
Páginas: 48, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 21,8 x 29 cm
Lançamento: Outubro de 2023

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

É hoje o lançamento mundial do 40º álbum de Astérix!



E, como não podia deixar de ser, também a edição portuguesa deste novo volume, initulado O Lírio Branco, chega hoje às livrarias portuguesas pelas mãos da editora ASA!

De assinalar é o facto deste 40º volume de Astérix nos apresentar um argumentista estreante, Fabcaro, que é acompanhado nas ilustrações pelo experiente Didier Conrad. Como tal, é forte a expetativa para este novo volume.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Astérix - O Lírio Branco, de Fabcaro e Didier Conrad
«Para iluminar a floresta, basta a floração de um só íris». O Lírio Branco é o nome de uma nova escola de pensamento positivo, vinda de Roma, que começa a propagar-se pelas grandes cidades, de Roma a Lutécia.

César decide que este novo método pode ter efeitos benéficos sobre os campos romanos em redor da famosa aldeia gaulesa, mas os preceitos desta escola influenciam igualmente os habitantes da aldeia que com eles se cruzam…

Que terá por exemplo acontecido ao nosso chefe gaulês preferido e qual a razão para o seu ar tão carrancudo? Descobre esta nova aventura de Astérix em 26 de outubro de 2023!

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Ficha técnica
Astérix #40 - O Lírio Branco
Autores: Fabcaro e Didier Conrad
Editora: ASA
Páginas: 48, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 21,8 x 29 cm
PVP: 11,50€

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Novo álbum de Astérix está quase a chegar!


É já no próximo dia 26 de Outubro, daqui a 10 dias, que o mundo ficará a conhecer aquele que é o 40º álbum de uma das séries de banda desenhada com mais sucesso no mundo!

O novo Astérix tem a particularidade de nos trazer um novo argumentista - Fabcaro - enquanto que as ilustrações continuam a cargo de Didier Conrad.

A edição portuguesa da obra, lançada pela ASA, será lançada em simultâneo com o lançamento mundial, como tem sido feito. E isso é de louvar.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.

Astérix #40 - O Lírio Branco, de Fabcaro e Didier Conrad

O Lírio Branco é o nome de uma nova escola de pensamento positivo, vinda de Roma, que começa a propagar-se pelas grandes cidades, de Roma a Lutécia. 

Os exércitos romanos estão desmotivados e César decide que este novo método pode ter efeitos benéficos, nomeadamente sobre os campos fortificados em redor da famosa aldeia gaulesa. Mas os preceitos desta escola influenciam igualmente os habitantes da aldeia que com eles se cruzam... 

A nova escola de pensamento positivo foi criada pela personagem principal da capa, médico-chefe dos exércitos de César, o «vilão» desta aventura que, naturalmente, traz sempre com ele um lírio branco.

Fabcaro explica-nos o título deste álbum: "Eu queria encontrar um título que se enquadrasse no espírito de Goscinny e Uderzo, em que o tema é muitas vezes encarnado num objeto físico ou numa pessoa (O Caldeirão, O Adivinho, O Grande Fosso, O Escudo de Arverne, A Foice de Ouro...). Aqui, o lírio é um símbolo de bondade e de plenitude."

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Ficha técnica
Astérix #40 - O Lírio Branco
Autores: Fabcaro e Didier Conrad
Editora: ASA
Páginas: 48, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 21,8 x 29 cm
PVP: 11,50€

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

O mais recente Astérix acaba de receber uma versão em mirandês!



À semelhança daquilo que vem sendo feito nas últimas três edições de Astérix, o mais recente álbum da série, intitulado Astérix e o Grifo, que já aqui foi analisado, também recebeu uma versão em mirandês (a segunda língua oficial portuguesa que muitos até parecem esquecer que existe) que já pode ser encontrada nas livrarias portuguesas e que tem o nome Asterix I L Alcaforron.

Este é, pois, o sexto volume da série que pode ser encontrado na língua mirandesa, depois de Asterix L Goulés, L Galaton, L Papiro de César, Asterix an Eitália e La Filha de Bercingetorix.

Abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa da editora ASA e com a ficha técnica do livro.

Asterix I L Alcaforron - Edição em Mirandês, de Jean-Yves Ferri e Didier Conrad

ASTERIX I L ALCAFORRON é o sexto título da série em mirandês e chega esta semana às livrarias após o lançamento mundial em outubro do ano passado da versão original e de algumas outras versões linguísticas, entre as quais Astérix e o Grifo, também editado pela ASA.

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Ficha técnica
Asterix I L Alcaforron
Autores: Jean-Yves Ferri e Didier Conrad
Editora: ASA
Páginas: 48, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 12,90€




quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Análise: Astérix e o Grifo

Astérix e o Grifo, de Jean-Yves Ferri e Didier Conrad - ASA - Leya

Astérix e o Grifo, de Jean-Yves Ferri e Didier Conrad - ASA - Leya
Astérix e o Grifo, de Jean-Yves Ferri e Didier Conrad

O lançamento de um novo álbum de Astérix é sempre um acontecimento à escala mundial! Afinal, esta continua a ser a série mais vendida de banda desenhada em grande parte do planeta. E Portugal, especificamente, não é exceção.

Uma das razões para que Astérix continue a ser um sucesso de vendas é que há uma legião de fãs que, seguindo a série há longas décadas, continua a comprar os álbuns dos célebres heróis gauleses, criados originalmente por Uderzo e Goscinny. Mas, depois, e creio que ninguém fala disto, mas que vale a pena relembrar, parece-me Astérix é a série de banda desenhada que mais faz para a atração de novos leitores para o género. E isso é uma tarefa importantíssima que deveria receber, até, a meu ver, mais louvores, por parte de toda a gente. Isto porque, sendo uma série que (também) apela aos mais novos, e tendo aquela tal fanbase já conquistada em muitas décadas, é uma série que continua a ser (bem) reintroduzida nas camadas mais jovens. De uma forma muito simples: os adultos continuam a comprar estes livros para si próprios mas, também, para os oferecer aos mais novos. Por conseguinte, renova-se um público que, de outra forma, dificilmente seria introduzido na 9ª arte. Quando o tema sobre a fraca implementação da banda desenhada, junto das camadas mais jovens, começa a revelar-se, cada vez mais, uma ameaça a médio prazo para o género em Portugal, e não só, acho relevante que se olhe para exemplos como Astérix que, de uma forma coesa, continuam a apresentar números de vendas impressionantes e a trazerem novos leitores para a bd.

Astérix e o Grifo, de Jean-Yves Ferri e Didier Conrad - ASA - Leya
Toda esta introdução para dizer que Astérix é um nome, uma marca, que já vende por si só. Não fico, por isso espantado que recentemente a ASA até tenha apostado no lançamento de um livro de receitas de Astérix. Falando concretamente deste Astérix e o Grifo, e assumindo que é sempre uma boa notícia (para milhares de leitores) o lançamento de mais uma aventura dos Irredutíveis, é, manifestamente, um álbum mais fraco do que algumas das tentativas mais recentes de Jean-Yves Ferri e Didier Conrad, a dupla de autores que tem continuado o legado de Uderzo e Goscinny.

Mas comecemos pelo mais positivo: o desenho! Olhando de uma forma objetiva e, portanto, colocando de lado todo o nosso gosto pelo trabalho seminal de Uderzo na série, há que dizer que Didier Conrad faz um trabalho de excelência no que ao desenho diz respeito. O desenho das personagens, as expressões faciais, a planificação, as cenas de ação, os momentos cómicos… pode-se dizer que Conrad assegura de forma perfeita o legado de Uderzo. 

Astérix e o Grifo, de Jean-Yves Ferri e Didier Conrad - ASA - Leya
Na minha opinião, em termos de arte visual, este Astérix e o Grifo é perfeito. Porque, para além de honrar e replicar tudo aquilo de bom que Uderzo deu à serie, Conrad até consegue modernizar ligeiramente algumas coisas, com a aposta em algumas vinhetas mais exuberantes, onde nos são dadas bonitas paisagens ou uma sensação de grandeza em relação às aventures dos gauleses e companhia. Acresce ainda que Thierry Mébarki, o autor responsável pela aplicação das cores, faz um ótimo trabalho também, dotando este livro de um cariz, quiçá, mais moderno do que um Astérix clássico, mas, por outro lado, não rompendo em demasia com o aspeto clássico das obras originais da série. As cenas nocturnas ou a atmosfera gélida onde a aventura se passa, apresentam cores que são um mimo para os olhos. Portanto, em termos visuais, este Astérix é maravilhoso. Vou até mais longe e digo que, provavelmente, até é melhor do que muitos álbuns clássicos de culto desta série. (Desculpem lá por esta afirmação, virgens puristas do original e do “antigamente é que era”).

Astérix e o Grifo, de Jean-Yves Ferri e Didier Conrad - ASA - Leya
Todavia, em sentido contrário, e por muito que me custe, tendo em conta que não me considero minimamente um velho do Restelo no que à banda desenhada diz respeito, há que dizer que, em termos de argumento, a ausência de Goscinny faz-se sentir - possivelmente mais do que nunca - neste Astérix e o Grifo. Isto porque o argumento até aparenta ser sumarento. Mas, bem espremido, além de algumas referências interessantes, este argumento não tem tanto sumo assim. 

A história coloca Astérix, Obélix, Ideafix e Panoramix a rumarem ao leste europeu para recuperarem uma bela mulher do povo Sármata, que havia sido raptada pelo exército romano, com o objetivo de guiar o mesmo até ao local onde fosse possível capturar um grifo para o fortalecimento da importância do Imperador César, junto do seu povo. As paisagens gélidas e cobertas de neve são, pois, o local onde se desenrola esta aventura.

Nota para o facto de haver um esforço de Ferri em dar destaque a temas dos tempos atuais em que vivemos: como as fake news, as teorias da conspiração dos terra-planistas, ou a relevância das mulheres, que aqui são apresentadas com os papéis inversos àquilo que, historicamente, se podia esperar de uma história deste teor. Em Astérix e o Grifo são as mulheres as guerreiras, que defendem o seu povo, e são os homens que ficam na aldeia a tomar conta das crianças. O escritor francês Michel Houellebecq faz aqui uma aparição, através da personagem de Desorientadus, e o músico Charles Aznavour volta a marcar presença embora, desta vez, seja num pequeno cameo de uma só vinheta.

Astérix e o Grifo, de Jean-Yves Ferri e Didier Conrad - ASA - Leya
Aquilo que me pareceu é que, tentando o argumentista Ferri introduzir tantos elementos, acabou por perder o fio à meada e fazer um álbum sem uma história coesa e que aparenta ser uma manta de retalhos narrativos. Porque o facto de o autor pretender colocar, para além da demanda dos heróis, tantas referências e gags humorísticos, acabou por deixar muitas pontas soltas, apresentado-nos uma história sem o brio desejável. Ok, foi encontrado um tema e um destino para Astérix e Obélix mas o enredo, por assim dizer, é bastante insuficiente e pouco trabalhado. E, como em cima disso, existem as tais referências à nossa realidade atual ou as passagens cómicas que, tirando a divertida vinheta em que Obélix opta por correr com o cavalo ao colo de forma a chegar mais rápido ao seu destino, quase nunca me fizeram esboçar um mero sorriso. A própria tristeza de Obélix associada ao desaparecimento de Ideafix me pareceu muito forçada, a ocupar demasiadas páginas e sem qualquer humor ou verdadeira relevância narrativa.

Quando chegamos ao fim do livro a ideia que fica é que o mesmo serviu apenas para nos entreter um pouco, estando longe de figurar como uma aventura marcante ou inolvidável.

Astérix e o Grifo, de Jean-Yves Ferri e Didier Conrad - ASA - Leya
Quanto à edição da ASA nada há a dizer. Está boa e ao nível daquilo a que a editora nos tem habituado, ao longo dos anos, no que concerne à série Astérix: capa dura brilhante, papel brilhante de boa qualidade. A impressão e a encadernação também apresentam uma boa qualidade. Houve nas redes sociais um "zunzum" sobre uma prancha inédita que serve como uma introdução à viagem de Astérix e Obélix. Esta prancha não aparece no livro já que, desta vez, na primeira página onde damos de caras com os nossos heróis, os mesmos já se encontram em plena viagem rumo ao leste. Alguns leitores manifestaram-se desagradados com a não introdução da prancha no álbum. Convém, no entanto, dizer - e deixar bem claro - que a dita prancha não faz parte do álbum! Simplesmente foi um método utilizado para a promoção do mesmo. Não compreendo o porquê de certas atitudes ultrajadas com esta situação que vi nas redes sociais. É como irmos ao cinema e ficarmos chateados pelo facto do trailer do filme que vamos ver, não aparecer imediatamente antes ou depois do filme. Não faz sentido. Uma coisa é a obra. Outra coisa é a promoção da obra. 

Em conclusão, regresso ao que já disse: mesmo que um novo álbum de Astérix seja sempre motivo de alegria por parte dos muitos fãs do herói gaulês, a verdade é que este Astérix e o Grifo apresenta um argumento bastante menos inspirado do que aquilo a que a série já nos habituou. Incluindo até - pasmem-se alguns - vários livros da dupla Ferri/Conrad. Embora também mereça ser dito que, em termos de desenho, este novo álbum não peca em nada e é um prazer para os olhos.


NOTA FINAL (1/10)
6.9


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Astérix e o Grifo, de Jean-Yves Ferri e Didier Conrad - ASA - Leya

Ficha técnica
Astérix e o Grifo
Autores: Jean-Yves Ferri e Didier Conrad
Editora: ASA
Páginas: 48, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Outubro de 2021

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

E aqui está a capa portuguesa do próximo Astérix!

 


A ASA acaba de desvendar como será a nova capa do novo álbum de Astérix!

Ei-la:



Relembre-se que Astérix e o Grifo, o 39º álbum da série e um dos livros mais aguardados do ano para muitos e muitos amantes de banda desenhada, será publicado no próximo dia 21 de Outubro, a par do lançamento mundial.

Abaixo fiquem com algumas informações e imagens que a editora disponibilizou.
















terça-feira, 30 de março de 2021

Lançamento: Astérix e o Grifo


Astérix e o Grifo, de Jean-Yves Ferri e Didier Conrad

Já há nome, capas provisórias (em português e em mirandês) e até um vídeo de apresentação para o novo álbum de Astérix!

A editora ASA finalmente desvendou o mistério envolto no lançamento do próximo álbum de Astérix, do qual já tinha falado há umas semanas.

A data de lançamento será o dia 21 de Outubro e o nome da obra é Astérix e o Grifo.

Estas serão as capas provisórias que já foram dadas a conhecer aos meios de comunicação:

Abaixo, fiquem ainda com um vídeo teaser de apresentação da obra.





sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Haverá um novo álbum de Astérix em 2021



A editora ASA anunciou recentemente que, em 2021, mais concretamente a 21 de Outubro, teremos um novo álbum de Astérix, da autoria de Jean-Yves Ferri, no argumento, e Didier Conrad, no desenho. Será o 5º álbum assinado pela dupla e o 39º do herói gaulês.

Desta feita, Astérix e o seu eterno companheiro, Obélix, irão fazer uma viagem. E será uma viagem longa.

Ainda nada está confirmado por parte dos autores mas, vasculhando um pouco a web, e analisando a página que até agora foi divulgada - onde há demasiadas referências a Tintim no Tibete, há fortes indícios para que a próxima aventura da dupla dos gauleses se desenrole - nem que seja em parte - no Tibete.

Até lá, e enquanto não surgem mais novidades, deixo-vos com a informação partilhada pela ASA.










quinta-feira, 2 de julho de 2020

Análise: Astérix - A Filha de Vercingétorix



Astérix - A Filha de Vercingétorix, de Jean-Yves Ferri e Didier Conrad

Por vezes, os preconceitos (ou "pré-conceitos", como gosto de dividir a palavra, para retirar o estigma associado à mesma) são altos em relação a algo que já não é como o original. Ou, melhor dizendo, que já não é feito pelos autores originais.

Este mais recente volume de Astérix, entitulado A Filha de Vercingétorix, é o quarto álbum elaborado pela dupla Jean-Yves Ferri e Didier Conrad. E, diga-se em abono da verdade, depois de feita a leitura atenta a esta obra, parece-me que mesmo não sendo um livro elaborado pelos autores originais René Goscinny e Albert Uderzo, a influência destes últimos e as características que tornaram Astérix como uma das mais bem sucedidas franquias da banda desenhada franco-belga de sempre, estão aqui bem presentes. E de forma muito consistente.

A Filha de Vercingétorix, conta-nos a história de Adrenalina, uma adolescente que acaba de chegar à aldeia dos nossos heróis. Ela é procurada pelos romanos pelo facto de ser filha de Vercingétorix, o grande chefe gaulês outrora derrotado em Alésia. César quer romanizar Adrenalina e retirar-lhe o torque – um colar honorífico – que herdou do seu pai e que, segundo o Imperador, pode simbolizar a resistência dos povos em relação ao poderio dos Romanos. Por esse motivo, é escoltada por dois chefes da região de Averne, que pedem a Matasétix que acolha Adrenalina e lhe dê guarida. Ora, escusado será dizer, que serão Astérix e Obélix que ficarão com essa árdua tarefa de tomar conta de uma adolescente rebelde.

A história é quase sempre passada na Aldeia dos Irredutíveis, portanto este não é um daqueles típicos álbuns em que a dupla de heróis viaja para algum sítio. E, a meu ver, acaba por ser uma escolha bem conseguida, pois permite que toda a história se concentre mais nas personagens e nos seus dilemas, do que propriamente nas piadas associadas às diferentes regiões para onde Astérix e Obélix costumam viajar noutros álbuns. 

Assim, a história assenta muito na exploração dos estereótipos das personagens adolescentes e como as mesmas querem traçar o seu próprio caminho, em detrimento daquilo que os seus pais – ou o seu povo – congeminaram para si. Um exemplo disso, é a postura que, quer o filho do Peixeiro, quer o filho do Ferreiro, assumem nesta história. E claro, isso traz-nos várias situações divertidas.

Devo dizer que os textos de Jean-Yves Ferri estão carregados de divertidos trocadilhos e de alusões à sociedade atual, tal como os textos de Goscinny sempre estiveram. Neste A Filha de Vercingétorix, isso fica bem patente na forma como as situações e comportamentos típicos da adolescência são explorados. A história nunca se torna chata, também. Há um bom doseamento de gags humorísticos e do seguimento da própria trama montada pelos autores.

E se Ferri não desilude nos textos, o que dizer dos desenhos de Conrad? Sinceramente, acho que o próprio Uderzo não conseguiria dizer se estes desenhos seriam feitos por si ou por Conrad, tamanha é a fidelidade que as ilustrações dos gauleses e cenários apresentam. E também na própria planificação das pranchas ou na linguagem corporal das personagens, há um total respeito e influência pelo trabalho de Uderzo. Isto não é uma homenagem à obra como o é, por exemplo, Uma Aventura de Blake e Mortimer - O Último Faraó. Não, isto é um Astérix a sério. Creio que mesmo o leitor mais purista em relação a Astérix, terá que admitir que a arte ilustrativa deste álbum está perfeita. 

Destaque para o facto da ASA ter lançado este livro na mesma altura do lançamento mundial. Este cuidado da editora é sempre assinalável e digno de uma nota positiva. Também positiva é a tradução, bastante adaptada à realidade portuguesa – com a introdução do tema Fala-me de Amor, da banda portuguesa Santos e Pecadores, entre vários exemplos. Talvez alguns considerem que, por vezes, a tradução foi demasiado livre. Mas creio que isso – e tendo em conta que é um livro juvenil de tom cómico, funcionou bem. 

Confesso que a única coisa que não considerei tão bem conseguida são os diálogos dos dois chefes da região de Averne que confiam Adrenalina a Matasétix. Nestes diálogos, tentando simular uma prenúncia bem profunda, neste caso, do norte interior de Portugal, as palavras são alteradas e escritas de forma demasiado abrupta. Por exemplo, num diálogo escolhido aleatoriamente é dito: "Vamoje até à Cochta, juntar-noje aoje nochoje. Em breve echtaremoje de regrecho com um navio… oje portoje echtão infechatadoje de romanoje. Entretanto, aqui ela echtará em chegurancha". Se lermos com algum cuidado, percebemos tudo o que é dito, claro. Mas parece-me que a piada do sotaque saloio poderia ter sido garantida sem um exagero tão grande na alteração gráfica do texto. Bem sei que isso foi ao encontro da edição original - que também o faz - mas creio que, às tantas, torna-se um diálogo mais difícil de acompanhar e em que a piada inicial dá lugar a algum tédio e cansaço no leitor. Ainda para mais, se tivermos em conta que este é um livro juvenil, estou certo que as crianças terão mais dificuldade em acompanharem estes diálogos do que os adultos. Não é algo que estrague o livro e, relembro, até é uma coisa a que Astérix, feito pela dupla original de criadores, nos habituou. Mas, simplesmente, poderia ter sido feito de forma mais ligeira.

No final, este é um livro totalmente aconselhável para fãs da série e para qualquer criança ou jovem que se está a iniciar nas leituras de banda desenhada. Sei que (ainda) há muitos leitores puristas que dizem que Astérix feito por Ferri e Conrad não é bem a mesma coisa que feito por Goscinny e Uderzo. Provavelmente não será. Mas mesmo que não o seja, a verdade é que não anda longe disso. Com um desenho irrepreensível e uma história que é interessante e divertida como sempre, este é mais um bom livro de Astérix e companhia.


NOTA FINAL: (1/10):
8.0


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Ficha técnica
Astérix: A filha de Vercingétorix
Autores: Jean-Yves Ferri e Didier Conrad
Editora: ASA
Páginas: 48, a cores
Encadernação: Capa dura