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terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Análise: Jonas Fink - O Livreiro de Praga

Jonas Fink #2 (de 2) - O Livreiro de Praga, de Vittorio Giardino - Arte de Autor

Jonas Fink #2 (de 2) - O Livreiro de Praga, de Vittorio Giardino - Arte de Autor
Jonas Fink #2 (de 2) - O Livreiro de Praga, de Vittorio Giardino

Jonas Fink - O Livreiro de Praga é o terceiro e último tomo da minissérie Jonas Fink, criada pelo renomado autor italiano Vittorio Giardino. Convém dizer que, no caso da edição portuguesa da editora Arte de Autor, a publicação da obra foi feita em apenas dois livros, com o primeiro a conter os tomos um e dois que, de resto, já aqui foi analisado. Publicada originalmente em 2017, este terceiro tomo, intitulado O Livreiro de Praga, é o mais denso, quer em número de páginas, quer em termos de temática, e conclui uma narrativa que se estende por décadas, retratando a vida de Jonas Fink face às turbulências políticas da Checoslováquia do século XX.

A trama deste volume passa-se em agosto de 1968, no período marcado pela Primavera de Praga, tendo já passado alguns anos desde os acontecimentos vividos nos álbuns anteriores. Historicamente, este é o período em que a antiga Checoslováquia assistia a movimentos de liberalização política e cultural que emergiam sob o regime comunista e a influência soviética. 

Jonas Fink #2 (de 2) - O Livreiro de Praga, de Vittorio Giardino - Arte de Autor
Jonas tem agora 29 anos e é o proprietário de uma livraria enquanto mantém um relacionamento amoroso com Fuong, uma bela rapariga asiática. A sua vida parece correr de feição, mas quando Tatjana, o seu amor da juventude, regressa inesperadamente à cidade de Praga, são trazidas à tona inúmeras memórias e conflitos do passado que, naturalmente, causam instabilidade em Jonas.

Giardino consegue captar bem a essência de uma Praga em ebulição, onde a esperança de reformas democráticas contrasta com a iminente repressão soviética. Através dos olhos de Jonas, o leitor vivencia as tensões e expectativas de uma sociedade à beira da transformação, bem como as desilusões que se seguem.

A relação entre Jonas e Tatjana é central na narrativa, que explora temas como o amor, a perda e a redenção. E o reencontro que os dois vivenciam não só reaviva sentimentos antigos, como também os confronta com as escolhas que fizeram e as vidas que poderiam ter tido, refletindo sobre as consequências pessoais das decisões políticas e sociais. Porque, lá está, mesmo quando achamos que somos donos da nossa própria vida e decidimos fazer dela aquilo que bem queremos, a verdade é que essas escolhas estão sempre condicionadas pela realidade político-social em que nos inserimos. E essa reflexão é algo que me agrada bastante em Jonas Fink.

Jonas Fink #2 (de 2) - O Livreiro de Praga, de Vittorio Giardino - Arte de Autor
Além do enredo principal, outra coisa que apreciei neste livro é que o mesmo se destaca pela riqueza das suas personagens secundárias, que representam diferentes perspetivas e reações às mudanças políticas da época. Essas interações ampliam a compreensão do leitor sobre o impacto do regime comunista na vida quotidiana dos cidadãos checoslovacos.

Só o final me parece que poderia ter sido um pouco mais bem desenvolvido, embora eu tenha apreciado a ideia subjacente ao mesmo. Especialmente estando eu intimamente ligado à República Checa, este é um livro que há muito queria ler e que me diz muito. São razões pessoais, claro, mas também afirmo que não é necessário ter-se qualquer tipo de ligação ao país para se poder apreciar este livro que vale como um documento histórico, além de artístico.

E, por falar em arte, as ilustrações de Giardino permanecem fiéis ao estilo da linha clara, caracterizada por traços precisos e atenção meticulosa aos detalhes arquitetónicos e culturais de Praga. Esta abordagem visual e cuidadosa não só enriquece a ambientação da história, mas também reforça a autenticidade e a imersão do leitor no contexto histórico retratado. 

Jonas Fink #2 (de 2) - O Livreiro de Praga, de Vittorio Giardino - Arte de Autor
Não obstante a beleza do desenho de Giardino, mantenho o que já na análise do volume anterior afirmei sobre as cores da obra: "a minha única “queixa”, em termos visuais, é que me parece que as cores não fazem justiça ao magnífico desenho (...) não me parece que, em termos de cor, esta seja uma obra que tenha envelhecido muito bem, pois, à luz da banda desenhada mais contemporânea, as cores deste livro, que apresentam tons muito mortiços e demasiadamente amarelados, e uma luz tão pouco dinâmica, parecem, hoje em dia, datadas. Sei que esta opinião não será, por ventura, partilhada por alguns, mas, bem, é a minha opinião. E, quanto a mim, é o calcanhar de Aquiles deste livro. Porque, lá está, com esta bela história, com estes belos desenhos e com outro tipo de cores, este livro poderia ser (ainda) melhor."

Em termos de edição, estamos novamente perante um belo trabalho da Arte de Autor. A capa dura do livro tem uma textura aveludada com detalhes a verniz e, no interior, o livro tem bom papel brilhante, boa encadernação e boa impressão. Como extra, deparamo-nos no início da obra com uma muito interessante nota introdutória do próprio Vittorio Giardino onde são incluídas algumas belas ilustrações das personagens centrais da série.

Em suma, Jonas Fink - O Livreiro de Praga oferece-nos uma conclusão poderosa, política e emotiva à saga de Jonas Fink, misturando habilmente a narrativa histórica com os dramas pessoais experienciados pelas personagens. Para além de entreter, a obra também convida à reflexão sobre os efeitos duradouros das decisões políticas na vida individual e coletiva, solidificando o legado de Vittorio Giardino como um mestre da narrativa gráfica.


NOTA FINAL (1/10):
9.2



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Jonas Fink #2 (de 2) - O Livreiro de Praga, de Vittorio Giardino - Arte de Autor

Ficha técnica
Jonas Fink #2 (de 2) - O Livreiro de Praga
Autor: Vittorio Giardino
Editora: Arte de Autor
Páginas: 176, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
Lançamento: Outubro de 2024

quinta-feira, 19 de setembro de 2024

Arte de Autor prepara-se para publicar segunda e última parte de Jonas Fink!



Chegará às livrarias portuguesas na próxima semana, o segundo volume de Jonas Fink, da autoria de Vittorio Giardino.

Na verdade, esta é a terceira parte de uma obra originalmente lançada em três números. Mas como a edição portuguesa pela Arte de Autor reuniu num só volume os dois primeiros tomos da obra, já aqui analisados, a editora portuguesa termina agora a série com o tomo O Livreiro de Praga.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Jonas Fink #2 (de 2) - O Livreiro de Praga, de Vittorio Giardino

Agosto de 1968.

Jonas Fink tem 29 anos, uma livraria e namorada. 

Mas enquanto um vento de liberdade sopra sobre a região comunista desde a Primavera, o passado do jovem ressurge: Tatjana, a sua namorada de infância, está de volta a Praga.

A tão esperada conclusão da obra-prima de Giardino.


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Ficha técnica
Jonas Fink #2 (de 2) - O Livreiro de Praga
Autor: Vittorio Giardino
Editora: Arte de Autor
Páginas: 176, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
PVP: 31,95€

terça-feira, 2 de abril de 2024

Análise: Jonas Fink - O Inimigo do Povo

Jonas Fink - O Inimigo do Povo, de Vittorio Giardino - Arte de Autor

Jonas Fink - O Inimigo do Povo, de Vittorio Giardino - Arte de Autor
Jonas Fink - Inimigo do Povo, de Vittorio Giardino

Jonas Fink – Inimigo do Povo é uma das mais recentes apostas da Arte de Autor que, como todos sabemos, tem apostado - praticamente sem exceção - em banda desenhada de qualidade superior. Jonas Fink, a opus magnum de Vittorio Giardino, para não destoar, entra nesse restrito grupo.

Esta é uma obra que conta com 3 tomos e que a Arte de Autor lançará em dois volumes, sendo que o primeiro volume – este de que vos falo hoje - contém os tomos 1 e 2, A Infância e A Aprendizagem, respetivamente. O segundo volume, que terá o terceiro e último tomo denominado O Livreiro de Praga, deverá ser lançado pela editora, ainda durante este ano, no Amadora BD. Se considero que gostaria de ver esta obra lançada apenas num só volume (que conteria as 302 pranchas de toda a obra), compreendo a opção editorial da Arte de Autor, visto que o primeiro tomo apenas tem 47 pranchas e, como tal, juntamente com o segundo tomo (que conta com 94 pranchas) perfaz um primeiro volume com 160 páginas. E se a editora tivesse optado por lançar o livro integral, talvez o mesmo ficasse com um preço muito “puxado” para muita gente.

Jonas Fink - O Inimigo do Povo, de Vittorio Giardino - Arte de Autor
E já que comecei por falar na edição, deixem-me dizer-vos que o trabalho de edição da Arte de Autor volta a ser muito bom. O livro apresenta capa dura, com textura aveludada e detalhes a verniz, que tornam o livro bonito ao olhar e ao toque. No interior, o papel é de boa qualidade, tal como é a impressão e a encadernação. Nota positiva, para o facto de a edição portuguesa ter um formato maior face à edição francesa. No início do livro, há também um extenso prefácio do autor que é acompanhado por algumas ilustrações do mesmo, que são um verdadeiro mimo para os olhos.

Focando-me agora na história deste Jonas Fink, esta é ambientada em Praga, na então Checoslováquia e passa-se no outono de 1950, quando, após o término da Segunda Guerra Mundial, o país se encontrava sob o jugo da União Soviética. A narrativa acompanha Jonas Fink, um jovem judeu de 11 anos que, encontrando-se longe do seu pai por este ter sido preso pela polícia política do regime, vê a sua vida virada do avesso, com uma constante ostracização por parte do mundo envolvente. Acaba por ser expulso da própria escola, tendo que arranjar um trabalho para, juntamente com a sua mãe, conseguirem sobreviver. Portanto, por uma questão política a que é totalmente alheio, Jonas Fink vê-se forçado a abandonar a sua infância, fazendo-se homem a pulso. Antes do tempo certo.

Jonas Fink - O Inimigo do Povo, de Vittorio Giardino - Arte de Autor
Logo aí, temos um dos pontos mais notáveis nesta obra que é a forma como Giardino retrata a resiliência e a tenacidade do espírito humano diante da adversidade, da discriminação e da injustiça. Jonas enfrenta desafios inimagináveis, mas mantém sua humanidade e integridade intactas, tornando-se um símbolo de esperança e uma forma de fazer face à escuridão então vivida. De certa forma, e com as devidas distâncias, acabei por encontrar semelhanças entre Jonas Fink e o Spirou de Émile Bravo. Giardino retrata a inocência e a vulnerabilidade de Jonas enquanto a personagem tenta compreender e enfrentar as injustiças que testemunha ao seu redor. Através dos olhos de Jonas, somos confrontados com a crueldade do regime comunista e com os desafios enfrentados por aqueles que se opõem a ele. Quer na sua idade de criança, quer na sua idade de jovem adulto.

É verdade que o enredo arranca de forma um pouco lenta, mas, à medida que vai avançando, vai-se desenvolvendo muito bem, fazendo os leitores mergulharem de forma profunda nos acontecimentos. E no constante ambiente de ameaça em que vive Jonas. Quando terminei este livro, devo admitir que estava totalmente embrenhado na história e a minha única insatisfação foi a de saber que terei que esperar alguns meses para poder concluir este belo, embora triste e profundo, relato.

Jonas Fink - O Inimigo do Povo, de Vittorio Giardino - Arte de Autor
E mesmo que Jonas Fink – Inimigo do Povo seja uma história profundamente pessoal, também oferece reflexões universais sobre temas como identidade, o sentimento de pertença e o impacto duradouro que a história e a política podem ter nas nossas vidas. Jonas Fink poderia ter sido uma pessoa completamente diferente se tivesse nascido noutra altura e noutro lugar. Mas, bem, isso também é algo que poderemos dizer sobre cada um de nós, bem sei.

Além disso, os traços vívidos e expressivos dos desenhos de Giardino dão vida aos personagens e ambientes, transportando o leitor para os cenários históricos e emocionais da narrativa. Cada página é brilhantemente desenhada por Giardino e está repleta de detalhes que enriquecem a experiência de leitura. O desenho, em linha clara, é imaculado, com as personagens a serem representadas de forma muito convincente e o ambiente urbano da bela cidade de Praga a ser extremamente bem executado. Apreciei especialmente o enorme nível de detalhe com que o autor brinda as ilustrações deste seu trabalho.

Jonas Fink - O Inimigo do Povo, de Vittorio Giardino - Arte de Autor
A minha única “queixa”, em termos visuais, é que me parece que as cores não fazem justiça ao magnífico desenho. Atenção que sou o primeiro a admitir que, quando o primeiro volume desta minissérie foi originalmente lançado, em 1994, certamente ninguém se há de ter queixado das cores. Pois este era o tipo de paleta de cores utilizado na altura, especialmente, ao nível de uma corrente mais clássica da banda desenhada europeia. Portanto, admito que não será muito justo dizer que as cores de Jonas Fink – Inimigo do Povo são “más”. É claro que não o são. No entanto, e repito que isto é uma opinião muito pessoal, não me parece que, em termos de cor, esta seja uma obra que tenha envelhecido muito bem, pois, à luz da banda desenhada mais contemporânea, as cores deste livro, que apresentam tons muito mortiços e demasiadamente amarelados, e uma luz tão pouco dinâmica, parecem, hoje em dia, datadas. Sei que esta opinião não será, por ventura, partilhada por alguns, mas, bem, é a minha opinião. E, quanto a mim, é o calcanhar de Aquiles deste livro. Porque, lá está, com esta bela história, com estes belos desenhos e com outro tipo de cores, este livro poderia ser (ainda) melhor.

Nessa senda, vou até mais longe e considero que Jonas Fink seria um livro possivelmente perfeito se fosse a preto e branco. Aliás, quer a página 67 deste livro, em tons de cinza, quer duas ilustrações a preto e branco que aparecem no prefácio do livro, sustentam bem o que assinalo: que lindo seria este livro se, em vez de ser a cores, fosse a preto e branco!

Mas, em suma, e pondo a questão da cor de parte, Jonas Fink – Inimigo do Povo é uma das primeiras grandes bandas desenhadas publicadas em Portugal neste ano. Esta é uma obra que ressoa não apenas com (e para) os fãs de banda desenhada, mas com qualquer pessoa que procure compreender melhor a condição humana e as forças que moldam o mundo ao nosso redor. É, pois, um forte testemunho do poder da narrativa visual e uma lembrança da importância de nunca esquecermos as lições do passado, em especial as opções políticas pelos extremos da balança que sempre (mas mesmo sempre!) tiveram desenvolvimentos tão nefastos para todos os que com elas tiveram que (sobre)viver. Sim, esta última afirmação foi uma "boca" aos resultados das últimas eleições legislativas em Portugal.


NOTA FINAL (1/10):
9.6




Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Jonas Fink - O Inimigo do Povo, de Vittorio Giardino - Arte de Autor

Ficha técnica
Jonas Fink - O Inimigo do Povo
Autor: Vittorio Giardino
Editora: Arte de Autor
Páginas: 160, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
Lançamento: Fevereiro de 2024

quarta-feira, 13 de março de 2024

Arte de Autor lança Jonas Fink, de Giardino!



Eis o lançamento de uma obra que conheceu grande sucesso e aclamação, com a conquista de vários prémios internacionais, e que, lamentavelmente, permanecia inédita em Portugal!

Mas a Arte de Autor vai reverter essa situação com a edição de Jonas Fink - O Inimigo do Povo, do autor italiano Vittorio Giardino. 

O livro deverá chegar às livrarias durante a próxima semana. Por agora, já está disponível em pré-venda no site da editora.

Esta obra foi originalmente lançada em três volumes, mas a Arte de Autor vai reuni-los em dois volumes. O primeiro deles reunirá os tomos 1 e 2, A Infância e A Aprendizagem, respetivamente, sendo que a editora portuguesa espera lançar o terceiro volume, A Livraria de Praga, no próximo mês de Outubro.

Estou muito curioso em ler este livro pois, apesar de conhecer a sua relevância e de ter, inclusive, várias pessoas próximas que me disseram, ao longo dos anos, maravilhas sobre a obra, ainda não tive oportunidade de a ler.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Jonas Fink - O Inimigo do Povo, de Vittorio Giardino

Praga, outono de 1950. Jonas tinha 11 anos quando o seu pai foi preso pela polícia política do regime. 

Ele e a mãe têm de lidar com a discriminação e a opressão do regime estalinista. Declarado "inimigo do povo", foi expulso da escola e teve de arranjar trabalho para sobreviver. 

Os dias despreocupados da infância já não são para ele.

Uma denúncia pungente do sistema totalitário do antigo bloco de Leste, vencedor do prémio de melhor álbum no Festival de Angoulême de 1995, bem como o prémio Harvey em San Diego em 1999.


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Ficha técnica
Jonas Fink - O Inimigo do Povo
Autor: Vittorio Giardino
Editora: Arte de Autor
Páginas: 160, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
PVP: 29,95€