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sexta-feira, 22 de agosto de 2025

TOP 10 - A Melhor BD lançada pela Kingpin Books nos últimos 5 anos!


Hoje apresento-vos os 10 livros mais relevantes que li da editora Kingpin Books e que foram lançados nos últimos 5 anos, período de existência do Vinheta 2020.

A Kingpin Books foi responsável pela produção e lançamento de muita da banda desenhada nacional - e não só - relevante que foi editada em Portugal nos últimos 15 anos. Infelizmente, a cadência editorial da editora portuguesa decaiu um pouco nos últimos anos, embora a qualidade dos livros editados continue a ser muito boa. Dito por outras palavras, são poucos, mas bons os livros que têm saído da fornalha da Kingpin.

Convém relembrar que este conceito de "melhor" é meramente pessoal e diz respeito aos livros que, quanto a mim, obviamente, são mais especiais ou me marcaram mais. Ou, naquela metáfora que já referi várias vezes, "se a minha estante de BD estivesse em chamas e eu só pudesse salvar 10 obras, seriam estas as que eu salvava".

Sem mais demoras, eis aqueles que considero que são os 10 melhores livros de banda desenhada editados pela Kingpin entre 2020 e 2025.

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

TOP 10 - A Melhor BD lançada pela Escorpião Azul nos últimos 5 anos!


Hoje é dia de vos dar a conhecer quais os 10 melhores livros de banda desenhada editados pela editora Escorpião Azul nos últimos 5 anos!

A Escorpião Azul é uma editora de pequena dimensão que tem sabido trilhar o seu próprio caminho, à sua própria maneira, apostando especialmente em obras de autores portugueses, embora dando espaço a outros autores estrangeiros num registo mais autoral.

Tenho notado um acréscimo de qualidade nos últimos anos, quer na qualidade das edições, quer na qualidade das apostas das editoras. 

Convém relembrar que este conceito de "melhor" é meramente pessoal e diz respeito aos livros que, quanto a mim, obviamente, são mais especiais ou me marcaram mais. Ou, naquela metáfora que já referi várias vezes, "se a minha estante de BD estivesse em chamas e eu só pudesse salvar 10 obras, seriam estas as que eu salvava".

Faço aqui uma pequena nota sobre o procedimento: considerei séries como um todo e obras one-shot. Tudo junto. Pode ser um bocado injusto para as obras autocontidas, reconheço, e até ponderei fazer um TOP exclusivamente para séries e outro para livros one-shot, mas depois achei que isso seria escolher demasiadas obras. Deixaria de ser um TOP 10 para ser um TOP 20. Até me facilitaria o processo, honestamente, mas acabaria por retirar destaque a este meu trabalho que procura ser de curadoria. Acabou por ser um exercício mais difícil, pois tive que deixar de fora obras que também adoro, mas acho que quem beneficia são os meus leitores que, deste modo, ficam com a BD que considero ser a "crème de la crème" de cada editora.

Deixo-vos então as melhores 10 BDs lançadas pela Escorpião Azul entre o período de 2020 a 2025, período de existência do Vinheta 2020:

quarta-feira, 20 de março de 2024

Pára tudo! Eis o meu livro sobre BD!!!



Hoje é um dia muito importante para mim!!!

Finalmente posso apresentar-vos o meu primeiro livro, em que estive a trabalhar no último ano, e que sairá no próximo sábado!

Chama-se Muitos Anos a Virar Frangos... perdão, Muitos Anos a Virar Páginas, e é um livro não de banda desenhada, mas sobre banda desenhada.

O repto foi lançado por Jorge Deodato que, a propósito do 10º aniversário da editora Escorpião Azul, me convidou a fazer um livro sobre banda desenhada, com alguns dos principais editores portugueses de BD. Gostei da ideia e pus mãos à obra!

Procurando não fazer um mero livro de entrevistas secas e formais, tive 10 "verdadeiras" conversas com 10 dos mais relevantes editores de banda desenhada em Portugal.

O objetivo? Muito simples: levantar um pouco (ou, por vezes, demasiado!) o véu sobre o que é a edição de banda desenhada por terras lusas, conhecendo as dificuldades, os desafios, os feitos alcançados. E, porque sei que isso também é importante, conhecer os percursos pessoais destes 10 editores. E, acreditem, há aqui histórias mirabolantes contadas na primeira pessoa!

Falei com 10 pessoas incríveis que, com generosidade, me abriram o coração, esmiunçando o seu passado e opinando - por vezes de uma forma que muitos poderão achar polémica - sobre tudo e mais alguma coisa que esteja relacionada com a banda desenhada. Esperem afirmações marcantes que nos fazem pensar.

Os autores com quem falei foram Jorge Deodato e Sharon Mendes (Escorpião Azul), Rui Brito (Polvo), Mário Freitas (Kingpin Books), José Hartvig de Freitas (A Seita, Devir, G. Floy Studio), Bruno Caetano (A Seita, Comic Heart), Ricardo M. Pereira (Ala dos Livros), Silvia Reig (Levoir), João Miguel Lameiras (A Seita, Devir), Vanda Rodrigues (Arte de Autor) e Guilherme Valente (Gradiva).

Falámos de tudo e mais alguma coisa! Houve perguntas malandras, houve respostas curiosas e, acima de tudo, houve conversas abertas e sem tretas ou filtros. Não gosto de chamar ao Muitos Anos a Virar Páginas um livro de entrevistas... é mais um livro de conversas que QUALQUER AMANTE de BANDA DESENHADA certamente apreciará. Admito que isto pode parecer o discurso de quem quer vender algo, mas digo-vos, com sinceridade total: conhecendo o livro como conheço, eu adoraria ler um livro assim, mesmo que tivesse sido feito por outra pessoa. Considero-o uma "verdadeira bíblia" sobre os meandros da edição de banda desenhada em Portugal e acho que, no final da leitura, saímos bastante mais ricos!

Acham que percebem muito sobre banda desenhada e sobre o que é editar BD? Então esperem por ler este livro e ficarem de boca aberta perante certas revelações. Mais, não digo.

Eu sou suspeito a falar, reconheço, mas estou muito orgulhoso do que aqui foi feito. Daquilo que representa este livro. Mas, claro, não o teria conseguido sozinho, claro está, se não fosse a generosidade destes 10 editores que disseram "SIM" ao meu convite. A eles, e agora publicamente, eu digo: OBRIGADO.

Mas há mais neste Muitos Anos a Virar Páginas, caros leitores.

Este não é apenas um livro de texto. Está carregado de desenhos e de imagens. Cada conversa é acompanhada por fotografias do acervo pessoal de cada um dos editores e algumas dessas fotos veem agora, pela primeira vez, a luz do dia. Já para não falar que várias dessas fotografias incluem autores de renome internacional.

Mas melhor ainda que isso, é que o livro conta com 10 ilustrações inéditas e feitas de propósito para o Muitos Anos a Virar Páginas por alguns dos autores portugueses mais marcantes na banda desenhada nacional, nomeadamente: Luís Louro, Rita Alfaiate, Paulo J. Mendes, Derradé, Pepedelrey, Álvaro, Inês Garcia, João Gordinho, Ricardo Santo e João Amaral! Todos eles com obras publicadas pela Escorpião Azul. Posso dizer-vos que todos estes ilustradores se esmeraram nas suas ilustrações e que foi para mim uma honra poder contar com o seu contributo. A capa do livro, já agora, é da autoria de Sharon Mendes.

Este contributo de tanta gente estendeu-se ainda a Maria José Magalhães Pereira, que assina um fantástico e muito elucidativo prefácio ao livro. Já viram a sorte que eu tive em poder contar para o meu livro com tanta gente maravilhosa e que tanto e tão bem representa a banda desenhada em Portugal? 

Sim, já perceberam que estou muito entusiasmado com este livro, mas acho que tenho razões para tal. O mesmo será lançado no próximo sábado, às 22h, no Festival LouriBD, na Lourinhã. Apareçam e trocamos dois dedos de conversa.

Com sorte, tendo em conta que muitos dos ilustradores que aparecem no livro estarão presentes no LouriBD, ainda levam o livro com dedicatórias para casa.

Por agora, deixo-vos com a sinopse da obra, ficha técnica e com algumas das ilustrações que poderão encontrar no livro.


Muitos Anos a Virar Páginas, de Hugo Pinto

No atual e consentâneo período dourado que se vive na edição de banda desenhada em Portugal em que, cada vez mais, se lança mais e melhor BD por terras lusas, há, ainda assim, questões que subsistem sem resposta: como é que, efetivamente, se desenrola a atividade de edição de BD por cá? Será este mercado tão sustentável como aparenta ser? Que ambiente se respira entre concorrentes na edição? Que tiragens são feitas? Que diferença há entre Novela Gráfica e Banda Desenhada? Como vivem os editores de BD em Portugal? E serão eles “editores” ou meros “publicadores”?

Recorrendo a um anglicismo e adaptando ao universo da banda desenhada a célebre questão sem resposta de Bob Dylan, a pergunta primordial que se impõe é: How many books must a publisher publish, before you call him an editor?

“A resposta, meu amigo”, a essa e outras questões, está neste primeiro livro de Hugo Pinto (autor do blogue Vinheta 2020 e divulgador e crítico de banda desenhada). De modo desgarrado e sem pudores, não fugindo a assuntos muitas vezes considerados tabu, este é um livro com conversas entre o autor e 10 dos mais proeminentes editores de banda desenhada da última década em Portugal.

Não só Muitos Anos a Virar Páginas assinala os 10 anos de existência da editora Escorpião Azul, como nos dá um extenso e profundo vislumbre sobre a banda desenhada em Portugal, carregado de inúmeras histórias dos bastidores da edição da 9ª Arte que eram, até agora, desconhecidas.

E como cereja em topo do bolo, ainda reúne 10 ilustrações únicas e inéditas feitas por 10 dos autores que fazem parte do catálogo da editora portuguesa.

Eis um livro obrigatório para todos os amantes de banda desenhada.

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Ficha técnica
Muitos Anos a Virar Páginas
Autor: Hugo Pinto
Editora: Escorpião Azul
Páginas: 256, a preto e branco
Encadernação: Capa Mole
Formato: 17 x 24 cm
Lançamento: Março de 2024
PVP: 25,00€

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

Análise: Bubas – Addicted to Love

Bubas – Addicted to Love, de Derradé e Beatriz Duarte - Editora Polvo

Bubas – Addicted to Love, de Derradé e Beatriz Duarte - Editora Polvo
Bubas – Addicted to Love, de Derradé e Beatriz Duarte

Foi no passado mês de Outubro, em pleno Amadora BD, que a editora Polvo publicou o mais recente livro de Derradé, intitulado Bubas – Addicted to Love.

E mesmo sendo verdade que estamos perante um álbum que procura reunir as bandas desenhadas anteriormente publicadas pelo autor português no semanário regional Terra Viva, esta edição reveste-se de significância por outros motivos. Em primeiro lugar, porque, desta feita, Derradé se faz acompanhar pela sua filha, Beatriz Duarte, que deu cor a todas estas histórias que haviam sido originalmente publicadas a preto e branco. Algo que a autora já havia feito no livro Há Quem Queira Que a Luz Se Apague, com argumento de Mário Freitas, lançado também este ano pela Kingpin Books. Além disso, este Bubas – Addicted to Love acaba por oferecer algum material inédito através de uma nova e diferente conclusão da história.

Bubas – Addicted to Love, de Derradé e Beatriz Duarte - Editora Polvo
A personagem de Bubas, que já foi devidamente abordada na trilogia Há Piores!, recebe aqui um novo livro que traça todo o humor que é característico à personagem. Bubas é um estudante universitário que parece estar mais preocupado com as bezanas do que com os estudos. Além de que, como qualquer outro jovem, vive obcecado em ter sexo. Daí ser “Addicted to Love”, à boa maneira do hit do músico Robert Palmer, em cujo videoclip a própria capa do livro se baseia.

Mas se os avanços e recuos com o sexo oposto – com o objetivo sempre claro e inequívoco - de ter relações sexuais – parecem ser o dínamo que move Bubas, a verdade é que a personagem é isenta de malícia. Acredito que, à luz do mundo sensaborão atual em que vivemos, onde qualquer comportamento de engate, de flirt, é digno de cancelamento e repressão, Bubas possa incomodar certos leitores mais sensíveis. Mas digo-vos que, se isso acontecer, o problema estará nesses leitores e não no Bubas.

Porque, não só o humor que aqui nos é dado é ingénuo e clássico na forma – com temas que já vimos noutras obras e noutros meios – como a obra até consegue, lá mais para o meio, tornar-se séria e explorar alguns temas éticos que podem emergir em qualquer tipo de relação amorosa.

Bubas – Addicted to Love, de Derradé e Beatriz Duarte - Editora Polvo
O livro vai mudando também em termos de forma, à medida que vamos avançando na sua leitura. As vivências de Bubas começam por nos ser reveladas através do recurso à tira humorística, onde Derradé nos brinda com breves gags próprios do cartoon. Mas, mais para a frente, a planificação e soluções narrativo-gráficas do autor vão sendo mais diversificadas. Coisa que, quanto a mim, ajuda a que a leitura se torne mais diversificada.

Outra coisa que apreciei bastante neste Bubas – Addicted to Love foi a linha narrativa comum entre gags. Embora o livro seja, no fundo, um conjunto de histórias breves, há um fio condutor em termos dos acontecimentos que vão sucedendo ao protagonista da obra. E isso acaba por ser bem conseguido, pois faz-nos criar uma relação com as personagens e ficarmos mais envolvidos na trama. Dito por outras palavras, o livro traz uma história inteira que é depois dividida e explorada em diversos gags humorísticos. Também em Fogo Sagrado, o autor nos apresentou esta técnica narrativa.

A trama não se leva muito a sério e procura, acima de tudo, entreter e divertir o leitor. Mesmo assim, e como já referi, consegue passar uma mensagem relativamente às ações de Bubas. Tenho que admitir que me ri várias vezes com algumas das peripécias com as quais Bubas teve de lidar. Claro que há algumas piadas mais secas ou previsíveis, mas, de um modo geral, este humor leve, com uma personagem indecorosa, que bem podia ser um Homer Simpson nos tempos da sua juventude, prendeu-me à leitura.

Assim, e tendo em conta que vivemos um período mais negro para o humor, onde tudo o que é feito nesta vertente parece deixar sempre alguém incomodado ou ofendido, é com bons olhos que olho para personagens como Bubas.

Bubas – Addicted to Love, de Derradé e Beatriz Duarte - Editora Polvo
Em termos de desenho, temos um trabalho bem ao jeito de Derradé, com um traço bastante simples e “cartoonesco”, mais votado para passar o gag de forma eficiente e divertida, do que para surpreender em termos de detalhes ilustrativos. Não obstante, várias são as páginas onde Derradé consegue surpreender pela positiva, dando-nos desenhos mais arrojados. Mas é na boa ilustração das expressões exageradas das personagens, ou no desenho de situações caricatas, que Derradé demonstra os seus skills enquanto experiente autor de banda desenhada de humor.

Beatriz Duarte é responsável pelas cores desta obra que, quanto a mim, a elevam muito mais. Sendo, conforme já disse, um desenho simples e linear, parece-me que a utilização das cores dá muito mais vida, profundidade, qualidade gráfica, leveza - e até um cariz mais comercial - à obra. Portanto, parece-me que Beatriz Duarte foi uma ótima introdução para melhorar o trabalho de Derradé.

A edição da Polvo é em capa dura baça, com bom papel brilhante. A impressão e a encadernação estão bem feitas. Tendo em conta que é um livro que encerra (?) uma personagem, ou que pelo menos reedita a cores algumas histórias que já não eram fáceis de encontrar, acho que teria sido simpático se o livro trouxesse um breve dossier de extras que permitisse explicar e introduzir melhor a personagem. Mas, mesmo assim, tenho que admitir que a edição da obra está decente.

Concluindo, é bom voltar à personagem de Bubas, que tem o condão de nos fazer recuar até aos tempos da nossa vida académica, onde a bebida e, especialmente, o sexo eram o Santo Graal pelo qual procurávamos incessantemente, interrompendo-o, por momentos, para frequentar algumas aulas. E num tempo de cancelamento do humor, é bom celebrarmos personagens divertidas e não-chatas como Bubas que é mais próximo de todos nós do que aquilo que, de há uns tempos para cá, a sociedade quer admitir.


NOTA FINAL (1/10):
7.8



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Bubas – Addicted to Love, de Derradé e Beatriz Duarte - Editora Polvo

Ficha técnica
Bubas – Addicted to Love
Autores: Derradé e Beatriz Duarte
Editora: Polvo
Páginas: 68, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 17,3 x 24,6 cm
Lançamento: Novembro de 2023

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Mário Freitas e Derradé lançam o seu primeiro livro em conjunto!


Decerto que os mais atentos já tinham percebido que Mário Freitas e Derradé andavam a preparar um novo livro, tendo em conta alguns teasers que os autores portugueses foram fazendo - e bem - pelas redes sociais. 

E para os que têm ficado curiosos perante esta parceria inédita, posso dizer-vos que o livro se prepara para ser lançado na próxima semana!

A esse propósito, informo que o lançamento já tem data marcada para o próximo dia 23 de Setembro, às 16h00, na livraria Kingpin Books, em Lisboa.

Além disso, também já está traçado um plano de apresentações a que poderão assistir caso falhem o lançamento oficial:

• 30 de Setembro, Sábado, 17h, na Feira do Livro Independente de Arroios (Mercado de Arroios)

• 1 de Outubro, Domingo, 17h10, no Fórum Fantástico (Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, Telheiras)

• 3 de Outubro, 3ª feira, 20h, na Tertúlia BD de Lisboa (Restaurante Maracanã, Rua Pinheiro Chagas, 1)

Trata-se de um pequeno livro de 16 páginas, que se insere na chancela Mário Breathes Comics, que Mário Freitas lançou no ano passado, com a edição do livro A Polaroid em Branco.

De assinalar que, neste Há Quem Queira que a Luz se Apague, as cores ficam a cargo de Beatriz Duarte, a filha de Derradé.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.

Há Quem Queira que a Luz se Apague, de Mário Freitas e Derradé

Findo o humor, finda a empatia.

Dário e Álvaro são os últimos humoristas vivos, encarcerados num centro de detenção especialmente destinado à supressão dos desvios neurais normativos.

O semblante seráfico do Supremo Líder tudo contempla. E até a Lua brilha menos.


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Ficha técnica
Há Quem Queira que a Luz se Apague
Autores: Mário Freitas, Derradé e Beatriz Duarte
Editora: Kingpin Books
Páginas: 16, a cores
Encadernação: Capa mole, com agrafos
Formato: 16,5 x 23,5 cm
PVP: 6,50€

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Derradé ganha o Prémio Jorge Magalhães 2022!




A obra O Fogo Sagrado, de Derradé, publicado pela Escorpião Azul, venceu o Prémio Jorge Magalhães de Argumento para Banda Desenhada, de 2022, que é referente às obras lançadas no ano transacto!

Muitos parabéns a Derradé!

Esta é a segunda edição deste prémio que tem a dupla valência de, por um lado, homenagear Jorge Magalhães, uma personalidade incontornável da banda desenhada nacional, e, ao mesmo tempo, promover a importância do Argumento na banda desenhada. É que, se é verdade que os desenhos são muito importantes numa banda desenhada, também não deixa de ser verdade que, sem um bom argumento, não há um bom livro de banda desenhada.

Fiz parte do júri que elegeu esta obra e, como devem imaginar, estou bastante satisfeito com a escolha do vencedor.

Abaixo, deixo-vos com a nota publicada pela editora promotora destes Prémios, a Ala dos Livros, a este propósito.


Prémio Jorge Magalhães de Argumento para Banda Desenhada 2022

O Júri do Prémio Jorge Magalhães de Argumento para Banda Desenhada, composto por Hugo Pinto (divulgador de BD), João Miguel Lameiras (editor, argumentista, produtor e programador do Festival Coimbra BD), Paulo Monteiro (autor, Presidente do Clube Português de Banda Desenhada e Director do Festival de BD de Beja), Pedro Cleto (jornalista e divulgador de BD), e Maria José Magalhães Pereira, em representação da família, deliberou, na sua segunda edição referente às obras publicadas durante o ano de 2021, escolher como vencedor a obra "O Fogo Sagrado" de Derradé, edição Escorpião Azul.

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Análise: O Fogo Sagrado

O Fogo Sagrado, de Derradé - Escorpião Azul

O Fogo Sagrado, de Derradé - Escorpião Azul
O Fogo Sagrado, de Derradé

Derradé é um nome incontornável na banda desenhada portuguesa. Especialmente, para aqueles que gostam de banda desenhada humorística em Portugal. E, meio sem querer, meio de propósito, só com a afirmação que acabo de fazer acima, já estou a tocar num assunto sensível para o autor: aquele de que a banda desenhada de humor é frequentemente posta de lado por tudo e por todos. Pela crítica, pelos leitores, pelos prémios, pela indústria. Eu e Derradé já falámos até sobre isso, na entrevista que o autor concedeu ao Vinheta 2020. De facto, tenho que concordar com Derradé pois o humor em banda desenhada e, particularmente em Portugal, aparece muitas vezes associado a uma expressão menor, menos marcante. É uma pena que assim seja. Fazer humor não será, certamente, algo fácil de executar.

E essa irrelevância dada ao humor é um dos temas que a obra mais recente de Derradé, O Fogo Sagrado - que, curiosamente, partilha o título com o primeiro volume d’ O Mercenário, que também foi reeditado por cá durante 2021 – traz para cima da mesa. Mas não se fica por aí.

Num registo muito mais autobiográfico e sério – embora carregado dos expetáveis tiques de humor – Derradé abre o coração neste livro. Sem medos, sem vergonhas e com a coragem de colocar o dedo na ferida, tece aqui uma verdadeira carta de amor à banda desenhada enquanto autor e leitor. E, possivelmente mais importante que isso ainda, o autor passa a mensagem de que a paixão por algo que nos move e comove deve ser alimentada. Neste caso, é a banda desenhada. Mas é fácil construir uma ponte para qualquer outra que seja a paixão duma pessoa. O facto de não se conseguir (pelos motivos a), b) ou c) viver (financeiramente) de uma paixão… é sempre algo inglório e difícil de digerir para o criador. Mas deveremos, ainda assim, alimentar uma paixão que não gera dinheiro? Eu acredito que sim. No meu caso, por exemplo, é a música. Até costumo dizer que quando o músico não perde dinheiro, através da sua criação, isso já é uma vitória. Mesmo que não retire, depois, quaisquer ganhos da música. O mesmo poderá ser dito dos criadores de banda desenhada, estou certo. E de outras artes e expressões. Esse gosto, esse drive, para a criação é o tal "fogo sagrado" que Derradé enaltece neste livro.

O Fogo Sagrado, de Derradé - Escorpião Azul
Sempre com humor embora, em muitos casos, seja até uma sensação agri-doce aquilo que o autor nos oferece. Porque se, no seu vasto percurso na banda desenhada, o autor consegue ter a coragem de, humoristicamente falando, dizer que falhou nos seus intentos, isso faz-nos rir, por um lado, mas, ao mesmo tempo, também nos faz lamentar que o sucesso e a glória não tenham atingido o autor nem outros tantos autores de banda desenhada da nossa praça.

Embora haja uma linha cronológica que nos vai contando o percurso do autor, a obra aparece dividida por pequenos capítulos, que recebem título próprio e tudo. Alguns desses “capítulos” – chamamos-lhe assim – são mais informativos do que outros. Noutros casos, são pequenos gags humorísticos.

Tenho que dar destaque a The Day The Whole World Went Away. A meu ver, este pequeno capítulo de apenas duas páginas – e que até pode ser lido de forma isolada, sem que se perca nada – é verdadeiramente genial. Faz rir sendo, ao mesmo tempo, trágico e triste. A ideia de usar o barulho das gaivotas para um riso, que parece divino, acerca do fracasso do autor, é verdadeiramente sublime e faz o autor ascender, quanto a mim, à genialidade num só gag. E isto tudo ainda antes de chegar ao punchline desse mesmo capítulo, que também tem piada. Magistral. Já comprava o livro só por causa destas duas páginas.

Mas há muito mais do que isso! É que, ao contrário de ser um livro direcionado ao grande público – embora, naturalmente, este o possa (e deva) ler – o discurso, as piadas, as informações aqui contidas parecem auto-direcionar-se muito mais para a indústria, para os geeks do meio, para aqueles que já acompanham o universo da banda desenhada há muitos anos. É por isso que é natural que o aparecimento de personagens reais, como os editores da própria Escorpião Azul ou da Polvo, ou de Geral, com quem Derradé publicou vários livros, constitua um conjunto de referências e inside jokes muito divertidas, mas que, por ventura, não serão apanhadas pela generalidade do público.

O Fogo Sagrado, de Derradé - Escorpião Azul
Houve outra coisa que também me surpreendeu bastante neste O Fogo Sagrado que foi a própria noção de si mesmo que Derradé apresenta. Os ingleses chamam-lhe self-awareness. Achei fantástico como o autor, antevendo o que vai na cabeça do seu leitor – o tal leitor que está por dentro do universo da bd em Portugal – recolhe e dá as cartas. Faz as perguntas e dá as respostas. É por isso que, logo ao início, nos explica o porquê de este ser um livro editado pela Escorpião Azul e não pela Polvo. Ou que explica porque é que o desenho da sua própria personagem é mais magro do que o aspeto do autor na realidade. Tudo com muito humor e sem receios. “Antes que gozes ou critiques isto, eu fá-lo-ei primeiro que tu!”. Gosto disso.

Acaba por ser, então, uma carta de amor à banda desenhada, quer na ótica de quem é leitor, quer na ótica de quem é autor. E, portanto, é fácil revermo-nos nas experiências de Derradé à medida que vamos avançando na leitura do livro.

E desenganem-se aqueles que acham que como é um livro leve de humor, que se lê bem, não há lugar a críticas. De facto, até acho que a crítica à ausência de cultura e da aposta na mesma, é uma âncora sempre presente nos intuitos do autor com esta obra. Por vezes, talvez até o seja de uma forma algo exagerada, resvalando quase numa sensação de auto-comiseração. Mas, lá está, como o autor é inteligente e sabe aplicar uma boa dose de humor às próprias críticas que faz ou aos fracassos pessoais que partilha, acho que podemos dizer que se aceita este sentimento de auto-comiseração que, a passos, se encontra na leitura da obra.

O Fogo Sagrado, de Derradé - Escorpião Azul
Gostei também da forma como O Fogo Sagrado é uma narrativa dentro de uma outra narrativa. Desta forma, foi possível ao autor dar-nos dois estilos de ilustração diferentes, que aparecem bem conjugados por essa mesma opção narrativa, estilo o filme Inception, de ser uma banda desenhada dentro de uma banda desenhada. E que tem, até, um final muito bem conseguido.

Falando nesta dualidade, devo dizer que apreciei especialmente os desenhos de uma dessas narrativas. Aquela onde o livro começa e acaba. São desenhos que apresentam mais detalhe e onde o traço rabiscado do autor consegue efeitos bastante interessantes que até me remeteram (com a devida distância) para o trabalho de Joe Sacco. Quanto às outras páginas que compõem o livro, as mesmas apresentam ilustrações mais simplistas, a remeterem muito para a tira humorística, num desenho bastante linear, com cenários a branco, mas onde as expressões das personagens comunicam de forma inequívoca os sentimentos das mesmas. É simples, mas funciona bem. Repito, mesmo assim, que gostaria de ler um livro inteiro com aquelas ilustrações mais detalhadas que o autor nos dá no início e no fim de O Fogo Sagrado.

Olhando para a edição da Escorpião Azul, temos um livro bem ao género dos outros lançamentos da editora: capa mole com bandanas e papel branco de qualidade aceitável (100 gramas). Há também um prefácio do próprio autor, que enaltece o humor enquanto género que tem que se preservar, sedimentando pretensões e críticas adjacentes à obra.

Sei que, lamentavelmente, ainda me falta ler o aclamado A Loja de Derradé mas, daquilo que pude ler até agora do autor, este é o seu melhor livro. Fez-me rir, ficar triste e nostálgico, relembrar momentos importantes da história da banda desenhada, conhecer algumas coisas que não sabia sobre o autor e ainda refletir sobre as nossas paixões - o tal fogo sagrado! – e de como é importante conseguirmos guardar espaço nas nossas vidas para que as mesmas continuem a existir, aconteça o que acontecer. Seja banda desenhada, música, cinema, pintura, jardinagem, culinária, desporto, aeromodelismo… (you name it!). Interessa é que as fontes e destinos das nossas paixões continuem a ser alimentadas. E que mensagem mais bonita de passar do que essa? O Fogo Sagrado é um marco na carreira do autor e assume-se como um dos lançamentos mais relevantes na banda desenhada nacional deste ano. A não perder!


NOTA FINAL (1/10):
8.4


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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O Fogo Sagrado, de Derradé - Escorpião Azul

Ficha técnica
O Fogo Sagrado
Autor: Derradé
Editora: Escorpião Azul
Páginas: 72, a preto e branco
Encadernação: Capa mole
Lançamento: Outubro de 2021

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Lançamento: O Fogo Sagrado





Já está disponível há uns dias o novo álbum do autor português Derradé que, a esse propósito, até já concedeu uma entrevista ao Vinheta 2020.

A obra chama-se O Fogo Sagrado e a sua edição é feita pela Escorpião Azul e este é o livro que marca o regresso do autor depois de publicar, pela Polvo, em 2019, o álbum A Loja.

Abaixo, fiquem com algumas imagens promocionais e com a sinopse da obra.


O Fogo Sagrado, de Derradé

Porque gosto de BD? Porque gosto de fazer BD? Será que a Banda desenhada faz falta?

Num mundo cada vez mais individualista e

ignorante por opção, só um cataclismo global poderia mostrar à

humanidade a utilidade da cultura e de quem a produz. Ou talvez não.

Uma autobiografia fictícia pós-apocalíptica viral.

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Ficha técnica
O Fogo Sagrado
Autor: Derradé
Editora: Escorpião Azul
Páginas: 72, a preto e branco
Encadernação: Capa mole
PVP: 12,50€

terça-feira, 19 de outubro de 2021

Entrevista a Derradé - "Só comecei a fazer BD porque ninguém em Portugal fazia o tipo de bd que eu gostaria de ler"



E se, hoje de manhã, publiquei uma entrevista com Lucio Oliveira, um autêntico mestre da bd humorística brasileira, agora é altura de publicar a conversa que tive com Derradé, também ele um verdadeiro mestre da bd humorística em Portugal.

O autor prepara-se para editar, pela Escorpião Azul, a sua mais recente obra O Fogo Sagrado.

No domingo, dia 31 de Outubro, às 16h30, o livro será oficialmente lançado no Amadora BD, com a presença de Derradé. Não faltem!

Para já, deixo-vos com esta interessante conversa que tive com um dos nomes mais proeminentes da banda desenhada humorística de Portugal.



Entrevista


1. A Escorpião Azul prepara-se para lançar no Amadora BD o teu novo livro, intitulado O Fogo Sagrado. Tenho visto que o descreves como, e passo a citar, “Uma autobiografia fictícia pós-apocalíptica viral”. Queres elaborar?
É basicamente isso mesmo. É um livro de ficção, com uma parte auto-biográfica nem sempre verdadeira, com uma outra parte inspirada na pandemia que é fictícia (a parte, não a pandemia). 
Não queria estar a revelar demasiado pois o livro foge bastante ao que é hábito encontrarem nos meus livros, até em termos gráficos. Digamos que estou num tom mais confessional.



2. Sendo uma autobiografia, podemos considerar que, finda a leitura deste O Fogo Sagrado, saberemos mais sobre a tua pessoa, bem como que importância tem para ti – enquanto leitor e autor - a banda desenhada?
Assim o espero. Este livro pode ser considerado a minha última declaração de Amor a esta Arte. A partir daqui não tenho planos para mais nenhuma obra que possa ser considerada autobiográfica, como alguns viram por exemplo n'A Loja, editada pela Polvo. Se fizer um "Loja 2 - Trespassa-se" não será voltada para o meu umbigo.



3. Pode-se considerar, então, esta obra como uma homenagem à banda desenhada em si?
Também pode ser vista assim. Eu diria que a dupla A Loja e O Fogo Sagrado constituem essa homenagem à BD. Um mais voltado para a parte criativa e de edição (O Fogo) e o outro para a parte comercial, coleccionismo e de consumo (A Loja)


4. Tens sido um autor que ora lança obras pela editora Polvo, ora as lança pela editora Escorpião Azul. Não há aqui conflitos de interesses entre editoras? É fácil esta gestão? Porque é que este fenómeno acontece? 
Vamos por partes, A Polvo na sua primeira vida era constituída pelo Pedro Brito (Autor de BD com A grande), pelo Rui Brito (que continua na Polvo) e pelo Jorge Deodato (que passou pela Calçada de Letras e fundou a Escorpião com a Sharon Mendes). Assim, continuo sempre na Polvo e é a minha casa desde sempre. Mas isso não me impede de ter um projecto ou outro editado por outra malta, neste caso a Escorpião (como já aconteceu com a Calçada de Letras), a convite do Jorge. O Rui nunca levantou grandes problemas e eu até acho engraçado ser editado por duas editoras. E é mais uma maneira de ajudar a edição de BD Portuguesa, fornecendo conteúdo.



5. Como tem sido trabalhar com a Escorpião Azul neste O Fogo Sagrado?
Bastante tranquilo. Considerando que atrasei o livro em um ano porque os primeiros tempos de confinamento não foram muito produtivos para o meu lado. E é preciso louvar a Escorpião pelo trabalho de apresentação de novos autores e o resgate de não tão novos autores. Muita gente se esquece que devido à inexistência de revistas de BD em Portugal, o crescimento dos autores faz-se em público, com a edição de livros. É uma situação ingrata.


6. Normalmente olhas para a sociedade com um certo humor sagaz. Há, para além do humor presente, uma tentativa da tua parte em criticares a sociedade e fazeres um “abre olhos” aos teus leitores ou o teu intuito passa, apenas, por causar boa disposição no leitor?
Quando se faz humor o primeiro e grande objectivo é fazer rir, ou sorrir vá. Se depois se conseguir dar mais qualquer coisa ao leitor, óptimo. Mas se a parte de humor falhar, então de nada adianta um grande discurso filosófico pois estará no palco errado. Tento equilibrar, mas por vezes é difícil de conseguir essa dosagem. Aliás, eu considero muito mais complicado fazer uma obra de humor do que uma obra dramática. Já várias vezes falei sobre isso e deixa-me extremamente irritado e desiludido o lugar secundário que o humor tem perante o Drama actualmente. Basta ver o desaparecimento das categorias de humor em prémios de BD ou a raridade que é uma obra de humor ganhar um grande prémio (literatura, cinema o que quiserem). Tem de ser mesmo uma obra excepcional.



7. Já ponderaste fazer um livro de bd sem humor ou é algo impossível para ti, pelo simples facto de o humor estar no teu ADN?
Sem humor? Mas é o que tenho feito até agora... Tenho um livro que está um terço feito, passado na implantação da república, que é mais vocacionado para a ficção histórica e aventura, mas tem sempre um ou outro toque de humor e piscadela de olho ao leitor. O meu ADN é o humor.


8. Tens sido uma voz ativa na defesa do humor enquanto género de banda desenhada. Sentes que este género é “maltratado” ou esquecido pelo setor? Que achas que deveria ser feito para que esta situação mudasse?
Não só na Banda Desenhada. Como referi acima, é raríssimo uma obra de humor ganhar um prémio, tem de ser mesmo muito boa, excepcional mesmo, enquanto uns dramalhões medianos por vezes conquistam esses mesmos prémios. Fui agora mesmo confirmar ao imdb, sabes quantos prémios venceu A Vida de Brian, um filme que considero dos melhores jamais feitos? Nenhum. Por muito polémicos que sejam, os Prémios do Amadora BD dão visibilidade. Ao eliminarem a categoria de humor contribuíram para o obscurantismo que paira sobre o humor, a nível mundial. E não serve de desculpa o pouco número de obras de humor editadas, basta consultar a listagem de esse género tanto no Central Comics como no Bandas Desenhadas para desarmar esse argumento. Não sei o que deveria ser feito, mas o que não deveria ser feito era eliminar essas categorias.



9. E sentes que esse esquecimento do humor entanto género de bd é um mal nacional ou também acontece o mesmo lá fora?
É difícil de estabelecer um padrão. Por cá parece-me evidente, nos países anglo-saxónicos também se nota (o cartoonista António que o diga) mas por exemplo em França (o país do Charlie Hebdo) e na Bélgica isso não se passa. Será que está relacionado com o grau de cultura dos habitantes desses países? Geralmente diz-se que é preciso ter uma certa inteligência para apreciar certo tipo de humor. Se calhar é verdade.


10. Depois deste O Fogo Sagrado, já tens projetos para o futuro, relativamente a novos livros de banda desenhada? Queres partilhar novidades com os leitores do Vinheta 2020?
Dia 15 de Outubro fiz 50 anos. Já tenho muitos anos disto e o cansaço começa a ganhar cada vez mais terreno. É necessário dar espaço às novas gerações (como o João Gordinho, que é mais velhote do que eu...) e ir aparecendo cada vez mais espaçadamente até para não cansar o público. Começas também a olhar para os anos que, teoricamente te restam e em que livros é que realmente gostarias de empregar esse tempo, cada vez mais precioso. Assim, tenho planeados 5 ou 6 livros a fazer até aos sessenta anos. Idade em que, se ainda tiver saúde para isso me dedicarei à minha primeira paixão: Ler e coleccionar BD. Costumo dizer que só comecei a fazer BD porque ninguém em Portugal fazia o tipo de bd que eu gostaria de ler. E foi quando li a Chiclete com Banana e a Animal que descobri esse tipo de BD, como poderão comprovar ao comprar e ler e oferecer "O Fogo Sagrado".