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terça-feira, 19 de março de 2024

Análise: Lonesome #4 - O Território do Feiticeiro

Lonesome #4 - O Território do Feiticeiro, de Yves Swolfs - Gradiva

Lonesome #4 - O Território do Feiticeiro, de Yves Swolfs - Gradiva
Lonesome #4 - O Território do Feiticeiro, de Yves Swolfs

A editora Gradiva publicou recentemente o quarto volume da série western Lonesome que finaliza o ciclo narrativo da história até agora.

Desta feita, voltamos à personagem de Elijah que, juntamente com a sua irmã, a agente dos Pinkerton Miss Lyle, continuam a querer fazer justiça junto do Senador Dawson e, por arrasto, de Cromley, um praticante das artes ocultas e um devoto seguidor de lúcifer. A história em si procura apenas dar seguimento ao tema e ao enredo construído nos tomos anteriores. Como tal, este O Território do Feiticeiro é um livro que não funciona bem, se lido de forma isolada. Será, pois, necessário que se leiam os três álbuns anteriores para melhor mergulhar nesta história.

Lonesome #4 - O Território do Feiticeiro, de Yves Swolfs - Gradiva
E ainda que este quarto volume termine de forma relativamente convincente este ciclo, penso que fica ligeiramente abaixo dos anteriores volumes, ao nível da história. Yves Swolfs falha em dar-nos alguns momentos apoteóticos que, certamente, tornariam mais marcante a leitura.

É claro que, dizendo isto, também não posso deixar de admitir que este O Território do Feiticeiro é um álbum que cumpre de forma satisfatória os seus intentos narrativos.

Uma coisa que eu já tinha sentido nos álbuns anteriores e que aqui senti ainda mais evidente foi o excesso na utilização de diálogos demasiado longos que, não só obrigam a balões que ocupam em demasia as vinhetas, como, especialmente, fazem com que haja menos verosimilhança naquilo que as personagens dizem. Mas a verdade é que isso é apanágio das séries clássicas de BD ambientadas no faroeste.

Relembro que esta obra da autoria de Yves Swolfs assume-se como um western que, sem pudores, é bastante clássico na sua forma, fazendo lembrar, em alguns momentos, alguns clássicos da banda desenhada do género, como Blueberry ou Comanche. E o resultado desta procura assumida por uma abordagem mais “old school” é que, provavelmente, Lonesome é uma série que muito agradará aos amantes que cresceram a acompanhar essas séries congéneres. O reverso da medalha é que me parece que esta série poderá não terá tanto appeal comercial para conquistar novos fãs. Como tem, por exemplo, Undertaker que, sendo um western que apela aos mais velhos, também tem várias características chave que servem como engodos para agradar a novas camadas de público. 

Lonesome #4 - O Território do Feiticeiro, de Yves Swolfs - Gradiva
Os desenhos de Swolfs mantêm a solidez e qualidade já apresentadas nos três volumes anteriores. Há um muito equilibrado nível de pormenor em cada uma das vinhetas que permite que as personagens humanas, os animais, os edifícios, as florestas, as planícies e todo e qualquer cenário sejam desenhados de forma bastante realista. A esses desenhos juntam-se as cores de Jackie de Gennaro que ajudam a dar à série esses tons típicos de séries clássicas, onde impera uma paleta de azuis nas cenas noturnas e tons bem mais amarelados nos soalheiro momentos diurnos.

As cenas de ação também são bastante bem desenhadas por Swolfs, embora me pareça que, nessa vertente, o autor se tenha apresentado mais inspirado no segundo e terceiro álbum de Lonesome. Seja como for, em termos de desenho, o trabalho do autor é bastante bom. Nota ainda, positiva, para a planificação diversificada que tenta tornar mais dinâmica uma história que, como já afirmei, até poderia ser mais memorável.

A edição da Gradiva é em capa dura brilhante, com bom papel brilhante e uma encadernação e impressão bem encetadas.

Concluindo, o quarto volume de Lonesome fica uns furos abaixo em relação aos restantes livros da série, mas, ainda assim, cumpre bem na parte de ser um western sólido e demarcadamente clássico na forma, com um belo desenho, e que agradará especialmente aos adeptos do género.


NOTA FINAL (1/10):
8.4



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Lonesome #4 - O Território do Feiticeiro, de Yves Swolfs - Gradiva

Ficha técnica
Lonesome #4 - O Território do Feiticeiro
Autor: Yves Swolfs
Editora: Gradiva
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 23,30 x 31,30
Lançamento: Março de 2024

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Gradiva lança novo volume de Lonesome!



A Gradiva prepara-se para lançar, a partir do próximo dia 5 de Março, o quarto volume de Lonesome, de Yves Swolfs, intitulado O Território do Feiticeiro!

Por agora, o livro já se encontra em pré-venda no site da editora.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Lonesome #4 - O Território do Feiticeiro, de Yves Swolfs

Kansas, Janeiro de 1861.

O senador Dawson, responsável por boa parte das desgraças que aconteceram aos filhos, e culpado de inúmeras ações criminosas, refugiou-se na floresta, nas terras de Cromley, um temido satanista, com quem tinha ligações. 

Quis o destino que a família se reunisse. 

Razões diferentes levaram-nos ao mesmo local. 

Pela frente, um desafio verdadeiramente diabólico!



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Ficha técnica
Lonesome #4 - O Território do Feiticeiro
Autor: Yves Swolfs
Editora: Gradiva
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 23,30 x 31,30
PVP: 20,99€

segunda-feira, 23 de maio de 2022

Análise: Lonesome #2 e #3 - Os Ruffians e Os Laços do Sangue

Lonesome #2 e #3 - Os Ruffians e Os Laços do Sangue, de Yves Swolfs - Gradiva

Lonesome #2 e #3 - Os Ruffians e Os Laços do Sangue, de Yves Swolfs - Gradiva
Lonesome #2 e #3 - Os Ruffians e Os Laços do Sangue, de Yves Swolfs

O ritmo de lançamento de livros novos por parte da Gradiva tem sido tão rápido e tão assíduo nas várias séries do seu catálogo que, quando dou por mim, já a editora lançou o livro seguinte antes que eu tivesse lido o anterior. Foi o caso deste Lonesome, do autor Yves Swolfs. Quando, na minha grande pilha de livros de bd para ler, chegou a vez de Lonesome #2 – Os Ruffians, dei conta que já tinha o volume #3, intitulado, Os Laços do Sangue, disponível para leitura. Assim sendo, li os dois de seguida e trago-vos uma análise a ambos os álbuns.

Depois de uma primeira boa impressão, com o álbum número um da série, A Pista do Pregador, devo dizer que, ao fim de três tomos, me mantenho agradado com esta série, bem como com a aposta da Gradiva nela. Trata-se de um bom western, bastante clássico na forma, que enverga um argumento globalmente bem encetado por Yves Swolfs. Autor este que também assegura o desenho, que é muito competente, e nos dá vários momentos de rara beleza.

Lonesome #2 e #3 - Os Ruffians e Os Laços do Sangue, de Yves Swolfs - Gradiva
A história do segundo volume, Os Ruffians, continua os eventos do primeiro álbum, em que temos o nosso protagonista na pista do Pregador Markham e da sua horda de fanáticos que andam a espalhar o terror nas localidades por onde passam, assassinando famílias inteiras de forma atroz.

Os acontecimentos do álbum anterior levaram a que o nosso cavaleiro anónimo – por enquanto anónimo, melhor dizendo – se mantenha preso. Mas com engenho – e alguma ajuda - rapidamente essa contrariedade é anulada por ele, levando-o a regressar ao seu objetivo primordial de encontrar Markham, com quem tem contas a ajustar. Nisto, acaba por se juntar ao grupo dos “Ruffians” que é contra os movimentos anti-escravagistas e, portanto, também persegue o Pregador Markham.

No entanto, várias reviravoltas vão alterar o curso natural da história, levando a que novas faccões e grupos depressa se desfaçam, em prole dos objetivos de cada personagem. Isso está bem conseguido por parte do autor, o que nos causa uma leitura atenta e não tanto linear assim. Não diria que os volte-faces desta história nos deixem de “boca aberta”, mas, muitas vezes, acontecem numa altura não tão expetável assim. Nota positiva para essa vertente, portanto.

Lonesome #2 e #3 - Os Ruffians e Os Laços do Sangue, de Yves Swolfs - Gradiva
Este segundo tomo também tem a mais-valia de abrir um pouco o jogo relativamente ao passado do nosso protagonista. Poderá ser um passado algo clichet, parecendo que já o vimos noutras histórias, livros ou filmes, mas não deixa de ser marcante e de causar empatia pelo nosso protagonista que, enquanto criança, assistiu a acontecimentos trágicos que, naturalmente, lhe moldaram a vida e o crescimento.

E se o protagonista começa este segundo tomo feito cativo, lá mais para o meio do livro isso volta a acontecer. Uma coisa interessante e que, por ventura, dá verosimilhança a este Lonesome é que o seu protagonista, ao contrário de muitos heróis de outros westerns, não é daquelas personagens unilaterais que nunca comete erros e que é infinitamente superior aos seus vilões. Não. Neste caso, vemos, em várias vezes, o nosso protagonista à beira da morte e depois, por um motivo ou outro, lá se consegue safar. Isso é bom, pois permite que sejamos surpreendidos mais vezes.

No terceiro tomo, que eu julgava, erradamente, que fechava este primeiro ciclo, temos uma alteração no tipo de cenários, já que a ação se passa em Nova Iorque. Ou seja, aquelas planícies áridas e solarengas que normalmente associamos às histórias de cowboys, são substituídas pelas ruas agitadas e sujas de uma Nova Iorque que se tornou no centro político-financeiro de toda a América do Norte. Fez-me lembrar a narrativa do videojogo Red Dead Redemption 2, que também começa nas regiões cobertas de neve mas que, depois, evolui a sua história para ambientes mais citadinos.

Lonesome #2 e #3 - Os Ruffians e Os Laços do Sangue, de Yves Swolfs - Gradiva
Em termos de desenho, acho que esta alteração para um ambiente mais urbano é bem-vinda, já que nos dá cenários muito diferentes dos dois livros anteriores e afasta-se um pouco daquela noção de “western clássico”. Já em termos de história, devo dizer que o argumento neste terceiro tomo poderia estar um pouco mais limado, uma vez que, por vezes, parece que os eventos se sucedem com pouca fluidez ou de modo menos bem explanado. A trama torna-se ainda mais política neste terceiro tomo – com um plot twist algo expetável, diga-se - embora isso não signifique que não haja um bom número de momentos de ação.

Isso é, aliás, algo comum a todos os tomos: belas cenas de ação e tiroteios em que o autor se mostra um autêntico mestre no desenho. Desenho esse que é bom a todos os níveis: nas personagens, nos ambientes e nas cenas de ação (conforme acabo de referir). É feita ainda uma planificação bastante dinâmica onde, por vezes, alguns dos elementos saem dos limites das vinhetas, o que ajuda a uma sensação de frescura e a um ritmo bastante rápido.

Lonesome #2 e #3 - Os Ruffians e Os Laços do Sangue, de Yves Swolfs - Gradiva
Em termos de desenho, onde Swolfs se demonstra exímio, tenho apenas duas pequenas queixas: a primeira é que as personagens, por vezes, se parecem algo semelhantes entre si. O autor tenta dar-lhes alguns elementos diferenciadores, mas como a matriz de “homem com barba, cabelos cumpridos e alourados” é bastante utilizada, há três ou quatro personagens que se confundem um pouco. Não é nada de gritante, mas é uma pequena fraqueza, quanto a mim. E a segunda coisa que não me agradou tanto é que, especialmente no desenho do protagonista da história, Swolfs utiliza muitas vezes o mesmo plano/enquadramento. É possível que, se nos dermos a esse trabalho, encontremos, espalhadas pelos três álbuns, vinhetas com um grande plano da personagem que são praticamente iguais entre si. Quer na expressão e pose da personagem, quer no desenho. Mais uma vez, não é nada de muito grave porque, afinal de contas, o desenho até é bastante bom. Mas acho que o autor poderia ter-se repetido menos nesta questão.

Mas, lá está, tal como referi há umas semanas, a propósito do volume 1 da série, mantenho a mesma opinião em relação a estes 2 tomos: “Quer no desenho, quer no argumento – que inicialmente pareceu-me demasiado clichet, mas que, ao longo da leitura, e mesmo não sendo perfeito, me foi surpreendendo pela positiva – Lonesome é daquelas obras que faz tudo com uma boa dose de qualidade. Nada está “estragado”, por assim dizer. Talvez não seja a série mais marcante de ler – e ficará aquém do maravilhoso O Último Homem…, também publicado pela mesma editora – mas assegura-se que Lonesome é uma boa leitura, especialmente recomendada para os amantes de histórias do faroeste.”

Lonesome #2 e #3 - Os Ruffians e Os Laços do Sangue, de Yves Swolfs - Gradiva
A edição da Gradiva mantém-se com boa qualidade: capas duras e brilhantes, papel com brilho – mas sem grandes exageros no brilho, o que é bom – e boa encadernação e impressão. Julgo que a editora deveria colocar uma breve sinopse sobre cada um dos livros e não uma sinopse igual e genérica em todos os livros da série. Serve para apresentar a série, bem sei, mas acho que faria mais sentido uma breve sinopse que apresentasse cada um dos tomos. Como, aliás, costuma ser feito noutras séries.

Outra pequena nota, menos positiva, prende-se com as constantes menções, através de asterisco, aos tomos anteriores, à medida que vamos lendo os livros. Compreendo que quando as personagens se referem a eventos passados, que aconteceram no(s) álbum(ns) anterior(es) é normal que isso seja feito. Mas sendo uma coisa bastante comum em séries europeias, principalmente, diria que em Lonesome isso foi levado a um extremo que me causou uma certa irritação. “Ok, já percebi que para ler este volume 3, deveria ter lido os volumes 1 e 2. A primeira chamada de atenção bastou-me para o saber. Não seriam necessárias 6 ou 7 menções a isso.”

Bem, mas olhando para o todo e não tanto para a parte, acho que, em suma, posso dar os parabéns à Gradiva por mais uma boa aposta que muito agradará, certamente, aos adeptos de um bom western em bd. Aplaudo também o ritmo de publicação super-rápido (cerca de 3 meses) com que a editora portuguesa editou os três tomos que constituem esta série até ao momento. Agora é aguardar pelo quarto tomo que talvez só saia em França no próximo ano.


NOTA FINAL (1/10):
8.9


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Lonesome #2 e #3 - Os Ruffians e Os Laços do Sangue, de Yves Swolfs - Gradiva

Fichas técnicas
Lonesome #2 - Os Ruffians
Autor: Yves Swolfs
Editora: Gradiva
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
Dimensões 31,30 x 23,30 cms
Lançamento: Abril de 2022

Lonesome #2 e #3 - Os Ruffians e Os Laços do Sangue, de Yves Swolfs - Gradiva

Lonesome #3 – Os Laços do Sangue
Autor: Yves Swolfs
Editora: Gradiva
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
Dimensões 31,30 x 23,30 cms
Lançamento: Maio de 2022




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Mais abaixo, deixo o convite para a leitura da análises ao álbum anterior da série:



sexta-feira, 6 de maio de 2022

Eis mais uma série integralmente publicada em Português!



O período de lançamento de banda desenhada é tão bom que, nos últimos tempos, de uma forma quase diária, tenho anunciado várias séries de bd que acabam por ser finalizada em Portugal. Recentemente foram as séries O Guardião, O Combate Quotidiano Mattéo que ficaram integralmente publicadas por cá.

E agora, também Lonesome que, por incrível que pareça, só começou a ser publicado em 2022, passa a ficar integralmente publicado em Portugal. A série ainda não está fechada mas, na edição original ainda só conta com 3 números, portanto é mais outra que podemos considerar "fechada" à data. Bom trabalho, Gradiva!

Ainda não li o segundo volume, que está na minha "pilha" de leituras para fazer, mas devo dizer que fiquei com uma boa opinião do primeiro tomo de Lonesome, da autoria de Yves Swolfs.

Abaixo, deixo-vos com a sinopse do terceiro volume e com algumas imagens promocionais.


Lonesome #3 – Os Laços do Sangue, de Yves Swolfs

Kansas, Janeiro de 1861.

O Pregador Markham e a sua horda de fanáticos espalham o terror pela fronteira do Missouri. Um cavaleiro anónimo segue no seu encalço.

Das planícies cobertas de neve do Middle West às ruelas sombrias de Nova Iorque, a sua demanda de vingança e de identidade conduzirá o cavaleiro a um enfrentamento de proporções dantescas, no limiar do sobrenatural.

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Ficha técnica
Lonesome #3 – Os Laços do Sangue
Autor: Yves Swolfs
Editora: Gradiva
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
Dimensões 31,30 x 23,30 cms
PVP: 16,50€

segunda-feira, 4 de abril de 2022

Lonesome está de regresso!



Ainda que o primeiro álbum de Lonesome tenha sido lançado há menos de dois meses, a Gradiva prepara-se para lançar o segundo tomo desta série que, até ao momento, conta com 3 tomos publicados na língua original.

O álbum já se encontra em pré-venda no site da editora e deverá chegar às livrarias amanhã, dia 5 de Abril.

Para já, deixo-vos com algumas imagens promocionais e com a sinopse da obra.


Lonesome #2 - Os Ruffians, de Yves Swolfs

Kansas, Janeiro de 1861.
O Pregador Markham e a sua horda de fanáticos espalham o terror pela fronteira do Missouri. Um cavaleiro anónimo segue no seu encalço.

Das planícies cobertas de neve do Middle West às ruelas sombrias de Nova Iorque, a sua demanda de vingança e de identidade conduzirá o cavaleiro a um confronto de proporções dantescas, no limiar do sobrenatural.

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Ficha técnica
Lonesome #2 - Os Ruffians
Autor: Yves Swolfs
Editora: Gradiva
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 16,50€

quinta-feira, 3 de março de 2022

Análise: Lonesome #1: A Pista do Pregador

Lonesome #1: A Pista do Pregador, de Yves Swolfs - Gradiva

Lonesome #1: A Pista do Pregador, de Yves Swolfs - Gradiva
Lonesome #1: A Pista do Pregador, de Yves Swolfs

O primeiro trimestre de 2022 está, para já, a demonstrar algo inequívoco: a forte aposta da editora Gradiva no lançamento de nova banda desenhada que, em pouco tempo, lançou 6 novos livros de bd, enquanto reeditou mais dois livros. É mais do que aquilo que a mesma editora lançou durante outros anos inteiros. Portanto, enquanto leitor, é com muita satisfação e apreço que dou conta desta nova abordagem à banda desenhada, por parte da editora portuguesa.

Lonesome é uma série western, da autoria de Yves Swolfs, que conta, para já, com três álbuns editados na sua língua original. Se a Gradiva continuar com o mesmo ritmo estonteante de lançamentos, talvez esta série venha a apanhar os lançamentos originais franceses em pouco tempo. Eu bem gostava que isso acontecesse, pois, depois de lido este primeiro álbum, fiquei com bastantes boas indicações sobre Lonesome.

Lonesome #1: A Pista do Pregador, de Yves Swolfs - Gradiva
Vou começar por dizer algo taxativo: Lonesome não inventa – ou reinventa – nada. Para quem já leu muitos westerns em bd, até pode ficar com uma certa sensação de déjà vu. No entanto, quando aquilo que nos é dado detém imensa qualidade, quem se pode mesmo queixar?

Quer no desenho, quer no argumento – que inicialmente pareceu-me demasiado clichet, mas que, ao longo da leitura, e mesmo não sendo perfeito, me foi surpreendendo pela positiva – Lonesome é daquelas obras que faz tudo com uma boa dose de qualidade. Nada está “estragado”, por assim dizer. Talvez não seja o livro mais marcante de ler – e ficará aquém do maravilhoso O Último Homem…, também publicado pela mesma editora – mas assegura-se que Lonesome é uma boa leitura, especialmente recomendada para os amantes de histórias do faroeste.

A história ambienta-se no Kansas, no final do século XIX, por altura em que o governo norte-americano, para fazer face ao contexto tenso entre o norte e o sul do país, criou dois novos Estados: o próprio Kansas e o Nebrasca. Em pleno conflito por questões raciais e da abolição – ou não – da escravatura, este período desencadeou autênticos combates de guerrilha entre as várias fações que tentavam fazer prevalecer os seus interesses socioeconómicos.

Lonesome #1: A Pista do Pregador, de Yves Swolfs - Gradiva
O protagonista desta história é um cowboy anónimo que, não nos mostrando exatamente ao longo de todo este primeiro livro quais são as razões para as suas motivações de vingança, procura encontrar o pregador Markham, bem como ao seu pequeno exército de fanáticos religiosos que andam a espalhar o terror nas fronteiras do Missouri, assassinando, roubando e violando famílias indefesas.

Há ainda uma particularidade no nosso protagonista que merece ser referida: o seu poder sobre-natural de, tocando numa pessoa, conseguir visualizar o passado dessa mesma pessoa. Lembram-se do Comissário Ricciardi que aqui analisei há uns tempos? Não sendo um poder igual, aquele que ambas as personagens possuem, tem bastantes semelhanças, vá. E é um daqueles poderes especiais que, bem utilizado, pode servir como uma boa “bengala” narrativa para nos aprofundar o passado e a essência de alguns dos personagens que circundam à volta da trama principal. E o autor Swolfs faz isso bem. Não é um argumento demasiado complexo ou que nos faça refletir muito, mas também não é uma história oca e vazia de cowboys que andam aos tiros entre si. Não, é bem mais do que isso.

Lonesome #1: A Pista do Pregador, de Yves Swolfs - Gradiva
E quanto às ilustrações, de que Swolfs também se encarrega, posso dizer igualmente que o resultado é muito bom. Oriundo de uma escola de desenho franco-belga realista e clássica, os seus desenhos são muito bem executados, com os personagens a apresentar boas expressões faciais e uma boa linguagem corporal. Também os cenários naturais – que aqui são pontuados por um extenso pano de neve que está sempre presente –, bem como os animais, as armas, as vestes e os restantes cenários estão muito bem executados. 

A filha do autor, Julie Swolfs, é responsável pela bonita paleta de cores que, ora assumindo tons mais azulados e gélidos para os cenários ao ar livre, ora assumindo tons mais amarelados e quentes para os cenários indoor, ainda torna a obra mais agradável ao olho. 

A planificação é bastante dinâmica e os enquadramentos e utilização de câmara, não sendo inovadores, são feitos com grande destreza técnica. Um destaque deve ser dado, ainda, às cenas de ação e tiroteio. Podem não ser muitas e o livro até ser calmo em grande número de páginas, mas quando há cenas de ação, Swolfs demonstra-se exímio nos desenhos e na sensação de dinâmica, ritmo e velocidade.

A boa edição da Gradiva é em capa dura, com papel brilhante, de boa gramagem, e boa encadernação e impressão. Nada mais a objetar.

Em suma, digo “bem-vinda” a esta nova série Lonesome que, em boa altura, recebeu aposta por parte da Gradiva. Uma série bastante bem feita aos mais variados níveis: argumento, desenho e cores. Não será a obra mais fantástica ou obrigatória de sempre, repito, mas, bem vistas as coisas, é muito boa. E recomenda-se vivamente.


NOTA FINAL (1/10):
8.9


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Lonesome #1: A Pista do Pregador, de Yves Swolfs - Gradiva

Ficha técnica
Lonesome #1: A Pista do Pregador
Autor: Yves Swolfs
Editora: Gradiva
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Fevereiro de 2022

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Novo western da Gradiva já se encontra em pré-venda!


Se ontem falei sobre a nova aposta da Gradiva, na série Nestor Burma, hoje dou conta de mais uma nova aposta da editora. 

Desta vez, trata-se da série Lonesome, de Yves Swolfs. Um western que já conta com três tomos publicados na língua original.

Não conheço a série mas posso dizer que, olhando para as pranchas que partilho mais abaixo, juntamente com a sinopse da obra, fiquei muito bem impressionado. A ver vamos.

Entretanto, o livro já está disponível para pré-venda no site da editora e deverá chegar às livrarias durante a próxima semana.


Lonesome #1: A Pista do Pregador, de Yves Swolfs
Kansas, Janeiro de 1861.

O Pregador Markham e a sua horda de fanáticos espalham o terror pela fronteira do Missouri. Um cavaleiro anónimo segue no seu encalço.

Das planícies cobertas de neve do Middle West às ruelas sombrias de Nova Iorque, a sua demanda de vingança e de identidade conduzirá o cavaleiro a um confronto de proporções dantescas, no limiar do sobrenatural.

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Ficha técnica
Lonesome #1: A Pista do Pregador
Autor: Yves Swolfs
Editora: Gradiva
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 16,50€