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segunda-feira, 13 de julho de 2026

Análise: Murena #13 - As Neronia

Murena #13 - As Neronia, de Jean Dufaux e Jérémy - ASA - LeYa

Murena #13 - As Neronia, de Jean Dufaux e Jérémy - ASA - LeYa
Murena #13 - As Neronia, de Jean Dufaux e Jérémy

Foi no passado mês de março que a editora ASA nos fez chegar o mais recente volume da muito celebrada série Murena. Ambientada na antiga Roma, esta é uma obra rica no argumento, sendo carregada de conspirações, traições, tramas políticas, erotismo e personagens impactantes. E tem sido brilhantemente desenhada.

Da autoria de Jean Dufaux, a série foi originalmente ilustrada por Philippe Delaby. Depois do falecimento deste, foi Theo quem ocupou o seu lugar. Mas, neste 13º volume, intitulado As Neronia, que abre o quarto e último ciclo da série, é Jérémy quem assegura os desenhos. Recordo que este autor até já havia trabalhado na série, tendo feito o trabalho de colorização de vários tomos, ainda no tempo de Delaby.

Dando, por isso, continuidade a uma das mais ambiciosas recriações da Roma Antiga alguma vez produzidas em banda desenhada, este novo livro não perde o fôlego, apesar do encerramento de importantes linhas narrativas no álbum anterior. Pelo contrário, sente-se que Dufaux aproveita este novo ponto de partida para um "fresh restart", reposicionando as suas personagens e preparando o terreno para novos conflitos. Apreciei especialmente esta faceta deste livro, pois sinto sempre que nestas séries longas, com muitas personagens e tramas complexas, é sempre bem-vindo um álbum que procure unir algumas das pontas que vão ficando soltas.

Murena #13 - As Neronia, de Jean Dufaux e Jérémy - ASA - LeYa
Regressamos à Roma de Nero, o imperador que está cada vez mais absorvido pela sua própria imagem e pelo desejo quase doentio de ser admirado pelos demais. Após os eventos decorridos nos tomos anteriores, Nero procura agora reconquistar o povo através da organização dos Neronia, os grandiosos jogos artísticos e atléticos inspirados nos festivais gregos. Uma espécie de jogos olímpicos. Algo que possa entreter as gentes do povo. À superfície, estes jogos surgem, pois, como uma celebração cultural, mas, naturalmente, não passam de um mero exercício propagandístico destinado a glorificar o imperador e a reforçar o seu poder.

Aprecio bastante a forma como Nero é retratado, com Dufaux a não caracterizá-lo como um simples tirano unidimensional. Ao invés, existe nele uma mistura curiosa de charme, fragilidade, vaidade e crueldade que o torna simultaneamente imprevisível e assustador. Por vezes parece mau, noutras vezes parece um bom homem. 

Além disso, a morte de Séneca, ocorrida no volume anterior, continua a fazer-se sentir ao longo de toda a narrativa, pois é algo que deixou Roma mergulhada num ambiente de medo, suspeita e vigilância constante. Esta atmosfera sufocante, onde ninguém parece verdadeiramente seguro e onde cada palavra pode ser interpretada como um ato de traição, está muito bem trabalhada e sente-se ao longo de todo o livro. 

Entretanto, Lúcio Murena continua a estar cercado por intrigas, manipulações e traições, sendo constantemente obrigado a movimentar-se num território onde as certezas são escassas e onde a lealdade tem um preço cada vez mais elevado. Por sua vez, Tigelino continua a consolidar a sua posição como uma das figuras mais perigosas da narrativa. A sua influência sobre Nero permanece grande, mas Dufaux introduz novos equilíbrios de forças dentro da corte imperial. A presença da misteriosa Hidra acrescenta novas camadas de complexidade ao jogo político, criando uma interessante competição pela proximidade ao imperador. Um autêntico jogo de cadeiras.

Não é que haja, porém, grandes cenas de violência. Na verdade, parece haver uma preocupação em privilegiar-se uma construção pausada da intriga, como se fosse uma forma de preparar o que pode vir no futuro. É verdade que isto pode fazer com que sintamos que acontecem poucas coisas neste tomo. No entanto, parece-me que essa opção é deliberada. Como já disse mais acima, Dufaux parece estar mais interessado em reorganizar o tabuleiro das peças humanas, dando um passo atrás para, depois, poder dar dois em frente. Ou assim espero.

Ainda assim, continuo a sentir que uma das fragilidades recorrentes da série permanece presente. Por vezes, Dufaux introduz personagens, ideias ou subtramas muito interessantes que nem sempre recebem o desenvolvimento que aparentam prometer inicialmente. Não se trata de um problema grave, mas há momentos em que a narrativa parece dispersar-se ligeiramente, desviando a atenção para elementos cujo impacto acaba por revelar-se mais reduzido do que seria expectável. Do ponto de vista global, se os nós forem bem atados no futuro, até pode não ser um problema. Contudo, pensando o livro de forma isolada, acaba por ser algo mais comprometedor, parece-me.

Murena #13 - As Neronia, de Jean Dufaux e Jérémy - ASA - LeYa

Do ponto de vista visual, este é também um álbum importante por, tal como já mencionei, marcar a chegada de Jérémy ao lugar de desenhador da série. E a verdade é que o autor não demonstra qualquer necessidade de adaptação. Desde as primeiras páginas percebe-se que compreendeu perfeitamente os códigos gráficos de Murena e que sabe respeitar a identidade visual construída por Philippe Delaby ao longo de tantos anos.

Assim os desenhos, de traço realista, continuam a apresentar uma qualidade visual muito elevada. O enquadramento das cenas é bastante cinematográfico, enquanto a expressividade das personagens continua a ser uma das grandes forças da série. Além disso, as decorações, as indumentárias, os cenários e os elementos arquitetónicos revelam um cuidado impressionante com o detalhe, contribuindo para uma recriação histórica particularmente convincente.

E, já agora, as cores também desempenham um papel fundamental. Há uma riqueza cromática constante que valoriza cada página e ajuda a reforçar tanto a grandiosidade dos espaços imperiais como os momentos mais intimistas. O resultado final é um álbum visualmente muito sólido, que consegue simultaneamente preservar o legado dos seus antecessores e afirmar a identidade própria do novo ilustrador.

E não posso deixar de referir que a ilustração desta capa é verdadeiramente sublime. Todas as capas de Murena, ou quase todas, são belas, mas esta, em particular, é a mais bonita de todas, quanto a mim.

Quanto à edição da obra, o livro apresenta capa dura brilhante, com bom papel brilhante no miolo. A encadernação e a impressão também são boas. Há ainda um importante prefácio de Jean Dufaux. 

Não posso, no entanto, deixar de referir algo que me deixou bastante desapontado: o texto constante na contracapa do livro não está em português de Portugal, mas em português do Brasil(!), o que me leva a crer que talvez se tenha utilizado um google translator, ou semelhante, para traduzir este texto. E saber que numa editora como a ASA isso acontece, é algo que acho lastimoso. Devo dizer que no interior do livro, não detetei que o texto não estivesse bem feito... mas o mal - do texto da contracapa - já estava feito. E espero que tenha sido apenas um lapso que passou e que não venha a ser repetido no futuro, pois isto é algo que não dignifica a obra, nem a editora, nem a edição, nem a tradução.

Em suma, este recente Murena #13 - As Neronia funciona sobretudo como um volume de transição, em que Jean Dufaux aproveita este novo ciclo para aprofundar as tensões políticas e psicológicas do enredo, enquanto o ilustrador Jérémy assegura a continuidade gráfica da obra com enorme competência. Está longe de ser o álbum mais explosivo da série, mas é, ainda assim, um capítulo sólido, elegante e promissor que deixa grande expectativa para o que virá a seguir.


NOTA FINAL (1/10):
8.8


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Murena #13 - As Neronia, de Jean Dufaux e Jérémy - ASA - LeYa

Ficha técnica
Murena #13 - As Neronia
Autores: Jean Dufaux e Jérémy
Editora: ASA
Páginas: 46, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 298 x 226 mm
Lançamento: Março de 2026


quarta-feira, 4 de março de 2026

Murena está de volta!



A ASA prepara-se para editar o mais recente livro da série Murena, de Jean Dufaux e Jérémy!

Trata-se do 13º volume da série, intitulado As Neronia, e deverá chegar às livrarias a partir do próximo dia 17 de Março. Por agora, o livro já se encontra em pré-venda no site da editora.

Com este lançamento, a série portuguesa passa a estar alinhada com a série original, o que também é uma boa notícia para os leitores portugueses.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais da edição original.


Murena #13 - As Neronia, de Jean Dufaux e Jérémy

Na verdade, L. Crassus, ainda bastante jovem, não derivou a sua reputação de ninguém além de si mesmo.

Ele adquiriu um título muito elevado através de uma famosa e ilustre ACUSAÇÃO.

Numa idade em que geralmente se é elogiado pelas suas realizações, L. Crassus mostrou que já era bem sucedido na CORTE, quando poderia ter sido mais meritório exercer a advocacia em casa.

CíCERO
De Officiis (Sobre os Deveres), II.

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Ficha técnica
Murena #13 - As Neronia
Autores: Jean Dufaux e Jérémy
Editora: ASA
Páginas: 46, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 298 x 226 mm
PVP: 17,90€

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Análise: Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 2 - Os Cavaleiros do Perdão - Edição Integral

Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 2 - Os Cavaleiros do Perdão - Edição Integral, de Dufaux, Delaby e Jérémy - Arte de Autor

Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 2 - Os Cavaleiros do Perdão - Edição Integral, de Dufaux, Delaby e Jérémy - Arte de Autor
Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 2 - Os Cavaleiros do Perdão - Edição Integral, de Dufaux, Delaby e Jérémy

Seguindo firme na publicação em volumes integrais da série Fábulas das Terras Perdidas, a editora Arte de Autor editou recentemente o segundo volume da franquia que reúne o segundo ciclo, composto, respetivamente, pelos quatro tomos Moriganes, Guinea Lord, Fada Sanctus e Sill Valt.

Tal como no ciclo anterior, denominado Sioban, neste Os Cavaleiros do Perdão, voltamos a ser mergulhados num universo sombrio, de fantasia medieval, onde a intriga, a violência e o sobrenatural se entrelaçam de forma natural. 

A história inicia-se com a apresentação de uma nova ordem de guerreiros, os tais Cavaleiros do Perdão, cuja presença enigmática marca desde logo o tom da história, que se apresenta pesado, denso e profundamente dramático. 

Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 2 - Os Cavaleiros do Perdão - Edição Integral, de Dufaux, Delaby e Jérémy - Arte de Autor
Acompanha a ascensão da personagem de Seamus, um jovem noviço destinado a tornar-se cavaleiro, cuja coragem é reconhecida por uma vidente, apesar de haver também uma profecia sombria a pairar sobre o seu futuro. Ao lado do veterano Sill Valt, Seamus enfrenta as terríveis Moriganes, criaturas que espalham terror e morte, e embarca numa jornada marcada por batalhas sangrentas, amores impossíveis e dilemas pessoais. 

Entre sacrifícios, traições e revelações, a obra equilibra o drama humano com a fantasia sombria, culminando numa batalha decisiva que sela o destino de Seamus, de Sill Valt e da fada Sanctus. As personagens apresentam-se complexas e atormentadas por paixões e/ou forças maiores que elas próprias, que se vão depois cruzando num enredo que nunca perde de vista a tensão entre poder e espiritualidade, e entre fé e brutalidade. Os elementos de fantasia que se espraiam por toda a trama, como os monstros, as feiticeiras e vários símbolos arcanos são disso exemplo, surgem como manifestações físicas dos medos e desejos mais obscuros, o que faz com que não sirvam apenas de cenário, mas também para intensificar os dilemas humanos.

Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 2 - Os Cavaleiros do Perdão - Edição Integral, de Dufaux, Delaby e Jérémy - Arte de Autor
O ritmo narrativo acelera e conduz o leitor a uma conclusão que, embora previsível dentro da estrutura clássica que Dufaux utiliza, é poderosa e coerente com a atmosfera construída. Diria que não é nas histórias, propriamente ditas, que o trabalho de Dufaux mais brilha, mas sim no world building, na conceção de um universo que se revela credível, rico e carregado de significados.

Não obstante, é no desenho que esta obra atinge o seu auge. Philippe Delaby dá corpo e alma a este mundo com uma mestria rara. A expressividade dos rostos das personagens é impressionante: cada olhar, cada ruga, cada gesto transmite emoções profundas, desde a fúria incontida até à melancolia mais silenciosa. É difícil que não nos sintamos absorvidos por estas expressões e por estas personagens, que elevam a narrativa a um patamar mais visceral.

E isto já para não falar dos cenários que são outro ponto altíssimo: castelos imponentes, florestas ameaçadoras, vilas miseráveis e campos de batalha cheios de movimento e detalhe. Delaby não poupa esforços em transmitir, de forma incrivelmente detalhada, a dureza e a riqueza do mundo medieval-fantástico que Dufaux imaginou. Há um cuidado quase cinematográfico na composição dos desenhos, que transforma cada página numa experiência visual plena.

Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 2 - Os Cavaleiros do Perdão - Edição Integral, de Dufaux, Delaby e Jérémy - Arte de Autor
As vestes, armaduras e ornamentos são tratados com um detalhe minucioso, refletindo tanto a imponência dos nobres como a degradação dos mais pobres. A autenticidade estética, mesmo num contexto fantástico, é notável e dá uma verosimilhança acrescida ao universo representado. É o tipo de trabalho que faz o leitor perder-se na contemplação de uma única vinheta, tal não é a riqueza gráfica.

Também nas cenas de ação, Delaby atinge uma intensidade notável, com as batalhas a revelarem-se brutais, dinâmicas e cheias de energia, transmitindo a sensação de caos e violência de forma quase palpável. Já nas passagens grotescas ou violentas, o impacto é igualmente forte: não há pudor em mostrar a crueza da dor ou da morte. As criaturas parecem surgir das trevas com uma aura de ameaça constante, enquanto as feiticeiras e entidades sobrenaturais são envolvidas numa sensualidade perturbadora. A paleta de cores, vibrante nos momentos de esplendor e sombria nas passagens mais dramáticas, intensifica ainda mais a experiência visual.

Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 2 - Os Cavaleiros do Perdão - Edição Integral, de Dufaux, Delaby e Jérémy - Arte de Autor
Comparando com Rosinski, cujo trabalho no primeiro ciclo já era impressionante, percebe-se como Delaby conseguiu elevar ainda mais a fasquia. Se Rosinski tinha dado vida a este universo com traços vigorosos, Delaby aperfeiçoa a densidade emocional e estética, fazendo com que esta obra supere a anterior. E se a estrutura narrativa de Dufaux permanece clássica e sem grandes riscos, neste ciclo sente-se um autor mais inspirado, mais maduro, a construir um mundo mais consistente e credível. O resultado é um equilíbrio perfeito entre palavra e imagem, que faz de Os Cavaleiros do Perdão uma obra obrigatória para todos o que são fãs de BD de fantasia.

Este ciclo em concreto assume ainda um valor simbólico do ponto de vista artístico, pois trata-se da transição para o traço de Jérémy no último volume, após a morte de Delaby. Apesar da difícil herança, Jérémy consegue manter a qualidade e a coerência gráfica, garantindo uma conclusão digna para o ciclo. 

Em termos de edição, a editora Arte de Autor oferece-nos um livro semelhante em tudo ao primeiro volume: capa dura, com textura suave, e verniz localizado na bela ilustração de capa. No miolo, o livro apresenta bom babel brilhante, boa encadernação e boa impressão. Foram mantidas as ilustrações de capa de cada um dos quatro volumes, o que funciona muito bem. Como conteúdo adicional, há ainda 6 páginas que incluem esboços - um pouco menos do que no volume anterior - e um prefácio à obra por Dufaux, que também nos dá um emocionante texto introdutório do quarto volume do álbum, relembrando Delaby.

Em suma, Os Cavaleiros do Perdão oferece-nos uma bela combinação entre a criatividade e profundidade do universo imaginado por Dufaux e o traço inesquecível de Delaby (com Jérémy a concluir o ciclo com competência), que resulta numa obra de fôlego, capaz de prender o leitor tanto pela intensidade da narrativa como pela beleza visual. É uma série que se lê como uma verdadeira epopeia medieval-fantástica, mas que se contempla também como um objeto artístico de grande valor. Se o primeiro ciclo já era bom, este ainda é melhor!


NOTA FINAL (1/10):
9.2



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 2 - Os Cavaleiros do Perdão - Edição Integral, de Dufaux, Delaby e Jérémy - Arte de Autor

Ficha técnica
Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 2 - Os Cavaleiros do Perdão - Edição Integral
Autores: Jean Dufaux, Delaby e Jérémy
Editora: Arte de Autor
Páginas: 232, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 235 x 310 mm
Lançamento: Abril de 2025

quinta-feira, 15 de maio de 2025

Arte de Autor prepara-se para lançar segundo volume integral das Fábulas das Terras Perdidas!



No próximo dia 23 de Maio, chega-nos o segundo volume integral da série Fábulas das Terras Perdidas, que a editora Arte de Autor tem vindo a lançar.

Este é o segundo de um total de quatro volumes que são esperados. Este segundo integral da série intitula-se Os Cavaleiros do Perdão e inclui quatro tomos, começando e concluindo um ciclo inteiro.

Os desenhos deste ciclo ainda são executados pelo autor Delaby, se bem que as ilustrações do quarto tomo do ciclo são da autoria de Jérémy. Esta edição inclui um caderno de esboços enquanto conteúdo extra.

O livro deverá receber uma exposição dedicada durante o Maia BD onde o argumentista Jean Dufaux também marcará presença.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


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Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 2 - Os Cavaleiros do Perdão - Edição Integral, de Jean Dufaux, Delaby e Jérémy

 As lendas celtas atravessam esta saga mítica para a tornar ainda mais maravilhosa.

Na Idade Média, um grupo de marinheiros desembarca nos pântanos perdidos de uma ilha nos mares do Norte. Estes “Cavaleiros do Perdão” pretendem libertar a terra das garras de uma bruxa, a última das cruéis Moriganes que sobreviveram. Dotado de poderes sobrenaturais, o mais jovem de entre eles é o único capaz de expulsar esta criatura maléfica, que deixa atrás de si cadáveres horrivelmente mutilados. Após uma ausência de 5 anos, regressa este novo ciclo, com Dufaux no argumento e Delaby em sumptuosas ilustrações a cores diretas. As Moriganes, bruxas cruéis, quase desapareceram das densas florestas que assombravam e enfeitiçavam. Mas Sill Valt, líder dos “Cavaleiros do Perdão”, está convencido de que uma das mais temíveis se refugiou nas charnecas de Glen Sarrick. Apenas um dos seus companheiros lhe pode dizer com certeza: o jovem Seamus, que tem uma estranha relação com um misterioso cisne negro e que permite que tanto os bons como os maus presságios cheguem até ele.

1 - Moriganes
Para provar que é digno de confiança, Seamus deve submeter-se a um ritual e oferecer um pouco do seu sangue a Mornoir, uma vidente cujo corpo emaciado jaz no fundo de um poço conhecido como o “Buraco de 0rgast”. Ela confirma a bravura do jovem e prevê-lhe um futuro extraordinário. Mas avisa que, quando ele amar, o seu reflexo trai-lo-á a ele e à sua família! Seamus recusa-se a aceitar esta previsão. Confiante na sua retidão e coragem, acompanha Sill Valt e os cavaleiros até às terras de Glen Sarrick. Infelizmente, chegam tarde demais: a feroz Morigane passou por ali, deixando atrás de si um rasto de cadáveres horrivelmente mutilados. Os camponeses afirmam tê-la visto, descrevendo-a como uma jovem mulher de cabelo vermelho que voa sobre a charneca.
Sill Valt recruta os aldeões mais corajosos para o ajudarem a neutralizar esta criatura maléfica.

2 - Guinea Lord
Seamus e Sill Valt têm de voltar a perseguir os Moriganes, as bruxas que destroem pessoas e terras. A batalha do bem contra o mal! A luta dos Cavaleiros do Perdão contra almas sombrias e cruéis!

3 - Fada Sanctus
No caminho para as terras perdidas, encontramos Sill Valt e Seamus, o jovem noviço que se tornou Cavaleiro do Perdão. Ambos estão envolvidos numa batalha impiedosa contra as forças do Mal para salvar Sanctus, o Morigane que se tornou uma Fada. Enquanto Sill Valt persegue o Senhor da Guiné, mestre do Submundo, Seamus enfrenta Eïrell, o amigo que o Demónio transformou em inimigo. Conseguirá o jovem cavaleiro cumprir a sua missão? A vida do seu primeiro amor e o destino da ilha dependem disso...

4 - Sill Valt
O quarto e último volume do ciclo dos Cavaleiros do Perdão das Fábulas das Terras  Perdidas. Enquanto Seamus segue a fada Sanctus até às ilhas Keruan, Sill Valt quer descobrir o segredo do nascimento do Senhor da Guiné. Para o fazer, tem de enfrentar a mãe do Senhor da Guiné, a Senhora de Arminho: um confronto tórrido e assustador. Jean Dufaux dedica um magnífico álbum à batalha final de um mestre, o último álbum de Philippe Delaby. Como um digno herdeiro, Jérémy presta a Delaby a melhor das homenagens, encerrando este álbum de forma brilhante.

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Ficha técnica
Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 2 - Os Cavaleiros do Perdão - Edição Integral
Autores: Jean Dufaux, Delaby e Jérémy
Editora: Arte de Autor
Páginas: 232, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 235 x 310 mm
PVP: 49,00€

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Análise: Os Cavaleiros de Heliópolis: Rubedo e Citrinitas (2º Álbum Duplo)





Os Cavaleiros de Heliópolis: Rubedo e Citrinitas, de Jodorowsky e Jérémy

Quando, em 2019, a Editora Arte de Autor nos presenteou com o lançamento do primeiro volume de Os Cavaleiros de Heliópolis, da autoria de Jodorowsky e Jérémy, que continha os dois primeiros tomos desta série, Nigredo e Albedo, depressa considerei esse livro como o terceiro melhor álbum de 2019.

Recentemente, e apesar do período conturbado que vivemos, a Arte de Autor, lançou o segundo livro, que reúne os tomos III e IV, Rubedo, a Obra ao Vermelho e Citrinitas, a Obra ao Amarelo, respetivamente, e que, portanto, deixa os portugueses com esta série completa. Que maravilha de trabalho, por parte da Editora que, em pouco mais de um ano, completa em português uma série de autores conceituados da banda desenhada. E, se não me engano, Jéremy – esse mago da ilustração! – ainda nem sequer estava publicado em Portugal.

Falar de Os Cavaleiros de Heliópolis sem falar da qualidade da edição por parte da Editora, também é quase impossível. Estes livros enquanto objeto, são dos livros mais bonitos que uma estante de bd pode ter. As capas têm um textura macia e agradável, que as imagens na internet não conseguem demonstrar. É necessário passar-se as mãos pela capa para se perceber do que falo. Além disso, há ainda a questão de ser um álbum duplo. Confesso que gosto bastante da opção por álbuns duplos que as editoras, e em especial a Arte de Autor, têm vindo a adotar. E acho que resultam especialmente bem na banda desenhada franco-belga, em que cada número de uma série não costuma ir além das 62 páginas, fazendo com que os livros se leiam muito depressa. Com álbuns duplos, o prazer é portanto redobrado e a leitura – e consequente imersão numa obra – parece sair melhorada com esta opção dos álbuns duplos. Já para não falar que, mesmo que os preços destes livros sejam normalmente acima dos 20€, a verdade é que, se fizermos as contas, até não saem nada caros, tendo em consideração que têm o dobro das páginas.

Incidindo agora neste segundo livro, posso dizer que a história a partir do ponto onde o primeiro livro termina. O primeiro tomo Nigredo (o meu preferido) já nos tinha apresentado a origem e background da personagem protagonista Asiamar e o segundo tomo, Albedo, deixou-nos a meio da missão de Asiamar, que incluía a figura histórica de Napoleão Bonaparte. O terceiro tomo, Rubedo, que abre este segundo livro, continua e termina a história com Napoleão, sendo que o quarto e último tomo, Citrinitas, nos leva até Londres, aos tempos de Jack, o Estripador.

E isto é algo que aprecio muito na série: o facto de nos fazer viajar no tempo. Fazendo-me lembrar, até, a série de videojogos Assassin's Creed, que também nos faz viajar na barra cronológica, levando-nos ao encontro de personagens históricas que marcaram os períodos dourados das civilizações egípcias, gregas, romanas, entre outras. Em termos narrativos, esta opção temporal abre imensas possibilidades e, nesse sentido, Os Cavaleiros de Heliópolis são pois, uma série carregada de elementos históricos, onde personagens como Napoleão Bonaparte, Luís XIV, Nostradamus, Imhotep, entre outros, aparecem. No entanto, considero que não devemos classificar a série como sendo “histórica” porque, à boa maneira do autor Jodorowsky, as voltas são-nos trocadas várias vezes e o autor faz uma interpretação totalmente livre dos factos históricos, tal como Quentin Tarantino fez, por exemplo, no seu aclamado filme Inglorious Basterds.

Acima de tudo, esta é uma história de cariz esotérico, onde o protagonista Asiamar, sendo hermafrodita e beneficiando de todas as possibilidades que essa característica lhe confere, continua a sua caminhada para a obtenção de imortalidade e para a ingressão num restrito grupo de imortais, uma irmandade provida de poderes sobrenaturais, com base em conhecimentos de alquimia, que procura salvar o mundo de líderes que são uma ameaça para a humanidade. 

A narrativa do autor é interessante porque é um pouco imprevisível. Não sabemos bem que destino será dado às personagens e à história e isso é revigorante para o leitor. Não obstante, acho que o autor por vezes toma decisões narrativas demasiado disruptivas para a história e (até) pouco justificáveis. Goste-se ou não, é o seu estilo e há que aceitá-lo, mesmo que certas opções pudessem, a meu ver, ter uma base mais sólida e coerente. É um "pau de dois bicos", como já referi: oferece imprevisibilidade à história mas fá-lo sacrificando, várias vezes, a coerência e, por vezes, até a lógica. No entanto, face a outras obras, devo admitir que Jodorowsky até está relativamente contido nestes Cavaleiros de Heliópolis. Este segundo livro tem algumas excentricidades narrativas, mas, ainda assim, mantém a maioria das coisas boas que marcaram o primeiro livro. Uma coisa é certa: Jodorowsky é one of a kind enquanto autor e, nesse sentido, merece o respeito de todos os amantes de banda desenhada.

Se a narrativa do mestre das histórias originais Jodorowsky, nos prende, a arte de Jérémy agarra-nos – para sempre – a estes Cavaleiros de Heliópolis. Aliás, faço até uma pequena nota para que as editoras portuguesas tenham em atenção a espetacular série Barracuda, também do autor Jéremy que, infelizmente, ainda não está publicada em português. O desenho de Jérémy roça a perfeição. É detalhado, realista e com uma utilização de perspetivas de “câmara” dinâmicas e arrojadas. A fisionomia e anatomia das personagens é tratada com todo o cuidado e perfeição. Às tantas, as personagens são tão bem desenhadas que até uma personagem “feia” acaba por ser “bonita” devido a ser tão bem desenhada. Jéremy assume-se, pois, como um autor completo: cenas de romance, de ação, de caracterização de ambientes, de cenários da natureza ou de uma arquitectura requintada, planificação dinâmica, caracterização das personagens... tudo é feito com extrema qualidade e elegância. O difícil mesmo é arranjar algo para criticar – se é que é possível fazê-lo. Com todo o respeito por Jodorowsky, que tantos fãs tem em todo o mundo, é Jérémy quem mais brilha nesta série. É ele a estrela da companhia com o seu trabalho incrível e impressionante nesta série. Uma nota para as cores, asseguradas por Felideus, que também são de elevada qualidade e que dão a esta série uma beleza acrescida.

Em suma, olho para a série Os Cavaleiros de Heliópolis como olho para uma qualquer coisa de qualidade premium, seja um hotel de 5 estrelas, um iate, um restaurante com estrelas Michelin ou um Rolls-Royce. E faço-o porque considero que, tal como estes exemplos, esta série de banda desenhada parece ser luxuosa em todos os aspetos: tem uma arte visual espetacular a todos os níveis possíveis (desenho, cor, dinâmica, ritmo); tem uma história que considero “fora da caixa” e que, por isso, é extremamente original; tem ilustrações de capa (e contracapa!) magníficas e, em cima disto tudo, ainda tem uma edição por parte da editora Arte de Autor do mais luxuoso possível. É caso para perguntar, exclamando com alguma indignação: “Tu, oh amante de banda desenhada franco-belga que me lês... já compraste esta coleção? Então estás à espera de quê?”.
Imprescíndível. E mais um dos lançamentos do ano.


NOTA FINAL (1/10):
9.1

Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020

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Ficha técnica
Os Cavaleiros de Heliópolis: Rubedo e Citrinitas
Autores: Jodorowsky e Jérémy
Editora: Arte de Autor
Páginas: 112, a cores
Encadernação: Capa dura

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Lançamento: Os Cavaleiros de Heliópolis: Rubedo e Citrinitas - 2º Álbum Duplo



Analisando o que de melhor aconteceu à banda desenhada em 2019, o Vinheta 2020, considerou o primeiro volume de Os Cavaleiros de Heliópolis (Nigredo e Albedo) como o 3º melhor álbum do ano 2019 lançado em Portugal.

Agora, é com bastante satisfação e respeito da nossa parte, que observamos a Arte de Autor a lançar mais um álbum duplo, constituído pelos números Rubedo e Citrinitas, os episódios 3 e 4 desta saga, que fica assim integralmente publicada em português.

Este trabalho de Jodorowsky e Jérémy é altamente recomendado.

Fiquem com a nota de imprensa e com as imagens já disponibilizadas pela editora.

Os Cavaleiros de Heliópolis: Rubedo e Citrinitas, de Jodorowsky e Jérémy
O destino de Luís XVII, que morreu aos 10 anos nas masmorras da prisão do Templo, é, com o Homem da Máscara de Ferro, um dos maiores mitos da História de França. Um destino romanesco que o genial Jodorowsky rescreveu com galhardia numa grandiosa fábula iniciática e esotérica. O traço virtuoso de Jeremy dá a Os Cavaleiros de Heliópolis a força de um fresco épico, onde se cruzam os segredos da alquimia e os arcanos da História.

III – RUBEDO – A OBRA AO VERMELHO
Não o deixaram tornar-se rei de França

Diante de Napoleão, Asiamar não conseguiu decidir-se a realizar a sua missão até ao fim. Embora pudesse ter mudado o curso da história com um golpe de espada, mostrou-se excessivamente bondoso. Preferiu deixar que a parte feminina da sua dupla identidade se exprimisse e beijou o Imperador. Hoje, por causa desse fracasso, comparece diante dos Cavaleiros de Heliópolis. Porque, para cumprir o seu destino, um verdadeiro Alquimista deve também saber mostrar-se cruel. Aprender a domar essa crueldade, é a essência mesma de Rubedo, a obra ao vermelho, a terceira prova alquímica. Talvez a mais difícil de todas. Será Asiamar capaz de a superar?

IV – CITRINITAS – A OBRA AO AMARELO
A alquimia reserva-lhe um destino mais grandioso.

1888. No refúgio dos Cavaleiros de Heliópolis, Asiamar prepara-se, aos cento e dez anos de idade, para levar a cabo o último ritual da sua iniciação, Citrinitas, a obra ao amarelo, que lhe permitirá reencontrar a juventude e viver por mil anos. É agora tempo de conhecer também o segredo dos Cavaleiros, guardado pelo seu mestre. Porque este precisa do poder de todos seus discípulos para salvar a humanidade. Mas, antes disso, encarrega Asiamar de uma missão: enfrentar a última grande ameaça à sua ordem. Um mutante assassino de mulheres que assola as noites enevoadas de Londres, a capital do mundo moderno: Jack, o Estripador!


Ficha técnica:
Os Cavaleiros de Heliópolis: Rubedo e Citrinitas
Autores: Jodorowsky e Jérémy
Editora: Arte de Autor
Páginas: 112, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 24,50€