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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Magazine BD Independente - Análise a 10 BDs Independentes Nacionais


Hoje volto a trazer-vos um especial dedicado às últimas bandas desenhadas de cariz mais independente que andei a ler recentemente

Desde fanzines, a edições de autor e a lançamentos que, mesmo apoiados por dinheiros públicos ou pertencentes a "editoras", têm uma distribuição independente.

Embora estas BDs tenham uma distribuição menos presente e mais dispersa, face às obras das editoras mais convencionais, qualquer um destes trabalhos pode ser facilmente adquirido se contactem os responsáveis por estas edições.

Bem sei que poderia fazer um artigo para cada uma das propostas de leitura que hoje vos trago, mas diz-me a experiência - e também as estatísticas de visitas do blog - que cada uma destas bandas desenhadas independentes conseguirá chegar a mais gente se o artigo em que falo delas for mais global, com os leitores do blog a poderem, através de um estilo mais sintético de análise, em género de "magazine", tomar conhecimento das várias propostas que vos trago.

Sem mais demoras, partilho convosco as minhas breves análises a 10 Bandas Desenhadas independentes que li recentemente.


António Arroio 5
de vários Autores


Depois de um quarto volume que me surpreendeu por vários motivos - como a presença de autores de renome, a qualidade da edição e o formato "magazine" e com artigos além de histórias de banda desenhada - o quinto volume da antologia António Arroio foi lançado. 

Esta publicação procura reunir trabalhos de alunos da Escola Artística António Arroio e foi coordenado por Vasco Parracho. Para além dessas histórias curtas feitas pelos alunos, o livro também conta com histórias curtas de Nuno Plati, Ricardo Cabral, Ricardo Venâncio, Francisco Caldas, João Gil, Patrícia Furtado e, claro, Vasco Parracho. 

São histórias muito curtas, a maioria com duas páginas, e que apresentam, expectavelmente, estilos e qualidade muito variada. Como é, aliás, natural neste tipo de publicações. 

A qualidade da edição merece, uma vez mais, nota de destaque, pois não é muito comum encontrarmos antologias com esta qualidade de acabamentos.



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Cadáver Esquisito
de vários Autores


Cadáver Esquisito é, logo à partida, uma aposta ganha! O seu conceito é muito original e nunca antes feito em Portugal, consistindo numa banda desenhada coletiva, que contando com a participação de mais de 50 autores, consegue ser a banda desenhada coletiva jamais feita em Portugal! O que é, claro está, um marco para o projeto.

E quando falo em banda desenhada coletiva, não me refiro a um apanhado de histórias curtas independentes... refiro-me a uma história completa que recebe, depois, o contributo de quase seis dezenas(!) de autores que a vão moldando ao seu estilo e ideias. Ou seja, a obra resulta de um sistema de produção cooperativa encadeada, em que cada interveniente usa o trabalho anterior como inspiração para a sua criação. É óbvio que isto faz com que a história aqui contida seja muito volátil e "selvagem"... mas também acredito que, pelas mesmas razões, a obra consegue funcionar bastante bem, cumprindo os seus propósitos. Até porque também é bom podermos ser surpreendidos enquanto lemos. 

O projeto foi coordenado pelo autor Daniel Maia e ocorreu entre os anos 2008 e 2015 e só há uns meses recebeu a merecida compilação em livro, através de uma publicação da Arga Warga. Acho a ideia tão gira e tão criativa, que gostaria que houvesse mais iniciativas semelhantes no futuro.



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In The Dust Of Our Planet #0
Daniel da Silva Lopes



O universo criado por Daniel da Silva Lopes para os seus Solar Sailors - que incluem as séries In The Dust of Our Planet e Sweet Wind, têm tanto de riqueza, como têm de complexidade. 

É, de facto, necessário muita atenção para não perdermos o fio à meada nestas histórias densas e complexas arquitetadas pelo muito criativo Daniel da Silva Lopes. Especialmente tendo em conta o formato em que as histórias nos são dadas, em capítulos em continuação, é fácil ficarmos perdidos. 

Talvez por isso, considero que este número zero da série In The Dust Of Our Planet foi (mais) uma excelente ideia. 

É quase como um passo atrás que procura ambientar os leitores e dar contexto a este universo. Gostei e achei uma excelente ideia.




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King of Bones #1
Sérgio Hortelão


King of Bones é uma das mais recentes séries publicadas pela Gorila Sentado e que nos apresenta em grande estilo o autor Sérgio Hortelão. 

Assim que tive conhecimento desta obra, fui automaticamente remetido para Groo, O Errante, de Sergio Aragonés, uma das minhas séries humorísticas de BD preferidas de sempre. E, de facto, há vários pontos em comum.

Acompanhamos a história do bárbaro Ragnar que é povoada de muita ação, violência e um humor bastante próprio de que gostei bastante. 

O estilo de desenho de Sério Hortelão é particularmente original e muito apelativo em termos visuais, dando-nos quase a ideia de que estamos a assistir a um desenho animado dos tempos dourados do canal Nickelodeon. Uma série a ter em conta, sem dúvida. E, entretanto, já saiu o segundo volume.


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Last Call #2 e #3
Gonçalo Fernandes


Não tenho dúvidas de que no dia em que Last Call, de Gonçalo Fernandes, for publicado em volume inteiro e na língua portuguesa, chegará a muitos leitores portugueses que, por agora, e lamentavelmente, ainda não se deliciaram com esta obra. 

Já escrevi sobre o primeiro volume e, depois de lidos estes volumes 2 e 3 da série, reitero toas as boas sensações que tive enquanto lia o primeiro volume. Entretanto, a Gorila Sentado já publicou o quarto volume da série. 

Gonçalo Fernandes tem um potencial enorme enquanto autor de banda desenhada e este Last Call, dividido pelas histórias Triple Threat Terror e Land of The Free, que captura de modo feliz aquele vibe da célebre série televisiva Miami Vice, é absolutamente viciante. 

Sou um grande fã!


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Pessoa Fragmentado - Antologia
de vários Autores



A Associação TágIIde publicou uma das mais interessantes antologias que li recentemente. Com Fernando Pessoa e a sua obra enquanto tema, este trabalho reúne trabalhos muito interessantes que exploram várias valências e facetas da obra de Pessoa, aquele que considero ser o maior poeta português de sempre. 

Nem todas as histórias me deixaram tão satisfeito como outras e, por isso, merecem destaque as histórias Poema em Linha Recta, de Jorge RoD! Rodrigues e Um Jantar Muito Original, de José Macedo Bandeira. 

Houve também outras propostas em que se optou por, mais do que fazer uma história, adaptar diretamente os poemas de Fernando Pessoa. E também nesse ponto, gostei do que li.




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Portugal Jurássico
Henrique Gandum



Produzido em parceira pela Mudnag Edições e pelo Museu da Lourinhã - cujo contributo foi mais ao nível científico, para validação dos dados apresentados neste livro - Portugal Jurássico representa uma iniciativa bem-vinda, visto que procura ser um livro didático sobre os dinossauros que, algures no tempo, povoaram a região da Lourinhã, em Portugal. 

Além de incluir fichas técnicas dos vários dinossauros - e não são assim tão poucos - o livro tem uma história de banda desenhada que procura contextualizar o tema. Mas embora o livro tenha 36 páginas, apenas 8 delas são dedicadas a banda desenhada, o que me deixou um pouco desapontado. Porque a verdade é que este tipo de projeto me parece muito bem-vindo, pois consegue ser lúdico e educativo ao mesmo tempo. 

Uma excelente aquisição para os interessados em dinossauros e até para as bibliotecas das escolas do país. Só tenho mesmo pena que saiba a pouco por ter uma história tão diminuta em número de páginas.



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The Reflecting Void - Part One
Miguel Peres e Majory Yokomizo


Aquilo que Miguel Peres e Majory Yokomizo fazem neste The Reflection Void é muito interessante: dão vida e continuidade ao universo criado por Daniel da Silva Lopes no seu Solar Sailors. Ou seja, partem do universo criado pelo autor e responsável da editora, e desenvolvem a sua própria história e imagética. 

O resultado é uma história cativante que consegue o duplo feito de estar bem inserida na temática narrativa e, ao mesmo tempo, apresentar as suas próprias ideias e independência, numa boa relação de equilíbrio. 

O texto de Miguel Peres, expectavelmente, é bom e ressonante; e as ilustrações de Majory Yokomizo - que volta a trabalhar com Miguel Peres depois de O Pescador de Memórias e A Foz do Esquecimento - são bastante bem-vindas. 

Fiquei curioso para ler o próximo volume.



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Umbra #5 e #6
de vários Autores


Reúno os mais dois recentes da Antologia Umbra neste artigo, por dois motivos. Em primeiro lugar, por terem sido os dois volumes editados com uma menor janela temporal entre si. Alguns meses, apenas, separaram estes dois lançamentos. Em segundo lugar, a própria continuidade na história de Fernando Relvas, fez-me esperar para ler os dois volumes de enfiada. Eu já teci vários elogios a Umbra, e volto a fazê-lo: esta é das melhores antologias de BD editadas em Portugal. Um autêntico sucesso. 

O projeto conta com histórias de autores portugueses já consagrados no meio e alguns autores estrangeiros menos conhecidos, mas com propostas interessantes em termos de banda desenhada. As histórias são circunscritas ao universo da ficção científica o que, por si só, já permite muitos tipos de abordagens diferentes. 

Como notas positivas, destaco as histórias em que Vasco Colombo participa, a introdução, pela primeira vez, de uma história mangá - que, à boa maneira da banda desenhada de origem japonesa, se lê da direita para a esquerda (e que conta com uma colaboração editorial entre a Umbra Edições e a Sendai) - e, claro, do resgate da história Kris 3, de Fernando Relvas. As capas destes volumes 5 e 6, uma de Rita Alfaiate e outra de Pedro Potier, respetivamente, voltam a ser fantásticas na execução e inspiração.


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Zé Povinho nos Dias de Hoje
de Vários Autores


Que belo projeto, este! A propósito da celebração dos 150 anos da criação do Zé Povinho, por Rafael Bordalo Pinheiro, a Associação Tentáculo, em parceria com a Biblioteca Municipal das Caldas da Rainha e o Museu Bordalo Pinheiro, decidiu criar esta antologia que procura levar os autores participantes a apresentar a sua visão pessoal sobre esta personagem icónica da cultura portuguesa, adaptando-a à contemporaneidade. 

O resultado foi um belo conjunto de bandas desenhadas, ilustrações e texto ilustrado. 

Em termos globais, considero que os trabalhos apresentados reúnem bastante qualidade e é interessante verificar, também, como Zé Povinho é uma personagem maior do que o seu criador e continuará a ser símbolo futuro de todos os portugueses. Ou da maioria dos portugueses, vá, porque podemos excluir da equação os grandes ricos e poderosos de Portugal.

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Vem aí a maior BD coletiva jamais produzida em Portugal!



Trata-se de um projeto único em Portugal, que ocorreu entre os anos 2008 e 2015, e que se prepara agora para ser editado num livro que reúne a participação de 56 autores!

Falo-vos de Cadáver Esquisito!, projeto que foi originalmente lançado como webcomic e que foi coordenado pelo autor Daniel Maia que, agora, através da sua editora independente Arga Warga, assume a publicação desta compilação em formato físico.

É um projeto muito original que conheço parcamente, mas que me parece muito interessante e que, quiçá, poderia ser renovado, pois acho este conceito de ter vários autores a criarem pequenas partes para um todo conjunto algo muito envolvente e atrativo.

O livro terá lançamento no Amadora BD, no dia 25 de Outubro, às 18h.

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa da editora.


Cadáver Esquisito!, de Vários Autores

Chegou a mais insólita edição do ano – Cadáver Esquisito!, que compila o webcomic criado entre 2008-2015 e se destaca como a maior banda desenhada colectiva jamais produzida em Portugal. 

A iniciativa desafiou os talentos portugueses a explorar o sistema cadavre exquis e criar uma prancha de banda desenhada para edição online, tornando-se assim um dos primeiros webcomics serializados do país. Traduzido do latim como cadáver excelente ou esquisito, este sistema centenário consiste em produção cooperativa encadeada, em que cada interveniente usa o trabalho anterior como mote da sua criação. O método foi originalmente concebido em 1925, pelo pintor surrealista André Breton, para provocar a livre associação de ideias e de imagens fora do contexto habitual, e é usado na BD portuguesa desde os anos 80, sendo também designado de comic jam.


Cadáver Esquisito! pertence ao selecto grupo de iniciativas similares realizadas pelo mundo fora, ocupando possivelmente o 4º lugar entre estas, atrás da iniciativa no Festival de BD de Lyon (2016), o evento Big Nate na Rockefeller Plaza (2014), e The Worm dirigido por Alan Moore (1991).

Em Cadáver Esquisito!, além do desafio inerente a cada intervenção, o projecto foi concebido para manter a coerência da intriga, sendo constituído por 52 páginas por 56 autores. À BD original junta-se ‘A Vingança do Cadáver’, uma narrativa complementar que serve de epílogo da história, assim se totalizando 58 páginas.

Um incidente num hotel precipita situações insólitas que revelam uma intriga: uma trindade de Papas faz testes à inovadora tecnologia U.M.D. (Unidade Molecular Destemporizadora) criada pelo Prof. Octávio, que suspende o espaço-tempo numa área limitada. Podem os operacionais Evelina e Carlão, com os andróides Bernardo e Taz-33, mais o Eng. Ivanildo, sabotar a profana experiência e evitar o assassinato do presidente da CorpAuto, presente em seminário no hotel? E pode esta trupe sobreviver à chegada do Anjo da Morte!?

O livro foi apresentado no 20º Festival Internacional de BD de Beja, na Casa da Cultura de Beja, estando ali patente com exposição.

A iniciativa reuniu autores experientes e futuros profissionais da área, bem como muitos ilustres desconhecidos que igualmente aceitaram a missão: André Caetano (Volta), Bruno de Lara, Bruno Patrício, Carla Rodrigues (Portugal 2055), Daniel Ferreira, Daniel Henriques (The Curse of Sherlee Johnson), Daniel Maia (Apparition Metempsychosis), Dário Mendes, David Henrique, Diogo Campos (Pássaro), Diogo Carvalho (Sol), Eduardo Martins, Eduardo Monteiro, Fernando ‘Phermad’ Madeira (Terminal), Filipe Coelho, Filipe ‘Fil’ Lopes (II Raide Macau-Lisboa), Gustavo Carreira, Heguinil Mendes, Hélder Rodrigo, Henryk Valadas, Hugo Gomes, Hugo Jesus (Sonho sem Fim), Hugo Teixeira (Pássaro), João Mendonça (Joaninha dos Olhos Verdes), João Miguel Silva, João Neto, João Pedro Rosa, João Pereira, Kati Zambito (Punch Line), Luís ‘LLL’ Lourenço, Luís Guerreiro (Besteiros de Serpa), Manuel Mateus, Marcos Freitas, Maria João Careto (Há um Eléctrico que Espera por Mim), Maria Veiga, Miguel Félix, Miguel Mendonça (Batman), Nuno Frias, Nuno Lourenço Rodrigues (Square World), Nuno Ribeiro Silva, Nuno Sarabando, Pedro Amorim, Pedro Carmo, Pedro Nascimento (Tales from Nevermore), Pedro Silva, Roberto Macedo Alves (Teatro: Lugar de (Entre)Mundos), Rogério Lucas, Rúben Sousa, Rui Alex (Rafael Bordalo Pinheiro: Uma Vida em Desenhos), Rui Ramos, Silvestre ‘Véte’ Francisco (Haverá um Amanhã?), Sónia Oliveira (O Poema Morre), Susana Resende (Aurora Boreal em Reflexos Partilhados), Thomas Nash (Émenor), Xico Santos (Em Redes) e Zé Burnay (Andrómeda).

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Ficha técnica
Cadáver Esquisito!
Editora: Arga Warga Edições
Edição e Coordenação do projeto: Daniel Maia
Ilustradores: André Caetano, Bruno Lara, Bruno Patrício, Carla Rodrigues, Daniel Ferreira, Daniel Henriques, Daniel Maia, Dário Mendes, David Henrique, Diogo Carvalho, Eduardo Martins, Eduardo Monteiro, Fernando ‘Phermad’ Madeira, Filipe Coelho, Filipe ‘Fil’ Lopes, Heguinil Mendes, Hélder Rodrigo, ‘Henryk’ Valadas, Hugo Gomes, Hugo Teixeira, João Mendonça, João Miguel Silva, João Neto, João Pereira, Kati Zambito, Luís Guerreiro, Luís ‘LLL’ Lourenço, Manuel Mateus, Marcos Freitas, Maria Veiga, Maria João Careto, Miguel Félix, Miguel Mendonça, Nuno Frias, Nuno Lourenço Rodrigues, Nuno Ribeiro Silva, Nuno ‘Nams’ Sarabando, Pedro Amorim, Pedro Carmo, Pedro Nascimento, Pedro Silva, Roberto Macedo Alves, Rogério Lucas, Rúben Sousa, Rui Alex, Rui Ramos, Silvestre ‘Véte’ Francisco, Sónia Oliveira, Susana Resende, Thomas Nash, Xico Santos e Zé Burnay
Argumentistas: Diogo Campos, Gustavo Carreira, Hugo Jesus e João Pedro Rosa
Ilustração de Capa/Contracapa e Grafismo: Daniel Maia
Paginação: Susana Resende
Páginas: 64, a preto e branco
PVP: 10€


quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Análise: Aurora Boreal em Reflexos Partilhados

Aurora Boreal em Reflexos Partilhados, de vários autores - Kafre e Arga Warga

Aurora Boreal em Reflexos Partilhados, de vários autores - Kafre e Arga Warga
Aurora Boreal em Reflexos Partilhados, de vários autores

NOTA INTRODUTÓRIA: Nem de propósito. Quando ontem comecei as escrever as palavras que vos apresento abaixo pensei: “que fantástico que o Mestre José Ruy ainda esteja no ativo com 92 anos e que tenha participado neste Aurora Boreal em Reflexos Partilhados”. Mal sabia eu que, passadas umas horas, quando me preparasse para publicar esta análise, tivesse conhecimento do falecimento de José Ruy. A contribuição de José Ruy para esta antologia data de 2012, mas quer-me parecer que, em termos de publicação em livro, talvez seja este Aurora Boreal em Reflexos Partilhados o último livro a sair durante a vida de José Ruy. O que é assinalável.

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Por alturas do último Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, em Maio, foi lançada a antologia Aurora Boreal em Reflexos Partilhados, que conta com a participação de vários autores portugueses como José de Matos-Cruz, José Ruy, Daniel Maia, Fernando Vilhena de Mendonça, João Raz, José Bandeira, Nuno Dias, Renato Abreu e Susana Resende.

Aurora Boreal em Reflexos Partilhados, de vários autores - Kafre e Arga Warga
Devo admitir que o alcance das histórias deste livro me surpreendeu. E quando digo que me surpreendeu não tem de ser, forçosamente, uma coisa positiva nem negativa. Surpreendeu-me pois não conhecia todo o envolvimento em torno da personagem de Aurora Boreal. E talvez por esse motivo, fiquei quase atordoado com toda a viagem onírica que esta personagem transporta consigo e que está bem patente nas várias histórias que constituem esta antologia.

Dito por outras palavras, se esperam encontrar uma leitura simples e leve, como é, muitas vezes, apanágio das antologias de banda desenhada, Aurora Boreal em Reflexos Partilhados não será para vós. Por outro lado, se apreciam poesia, questões do metafísico e banda desenhada… é bem provável que devam conhecer esta antologia.

A personagem que dá mote a estas histórias foi criada em 2012 por José de Matos-Cruz e apareceu na sua trilogia de livros dedicados a O Infante Portugal. É uma figura feminina e sensual, carregada de elementos cósmicos, que a fazem parecer uma deusa do imaginário. 

Aurora Boreal em Reflexos Partilhados, de vários autores - Kafre e Arga Warga
Não diria que exista nestas histórias uma linha narrativa que nos conte uma história concreta à volta da personagem. Ao invés, vão-nos sendo dado abordagens diferentes que colocam Aurora Boreal em variadas situações. Mas há sempre um toque de fantástico, de exótico e de transcendente nestas histórias.

Em muitos casos – não há como não – o leitor acaba por se perder na própria premissa, já que a mesma é demasiado lata e abstrata. No entanto, por vezes também sabe bem deixarmo-nos levar por narrativas mais psicadélicas. É o caso.

O estilo de ilustração que aqui podemos encontrar é expetavelmente muito variado, dada a quantidade de autores que participam na antologia. 

Destacam-se o belo estilo de sketch a carvão de Susana Resende, o estilo realista de Daniel Maia, o estilo mais clássico de José Ruy, ou a abordagem mais estilizada e abstrata de Renato Abreu.

Aurora Boreal em Reflexos Partilhados, de vários autores - Kafre e Arga Warga

Como história, propriamente dita, fiquei agradavelmente surpreendido com Aurora Boreal e o Reverso do Universo, com desenho de José Macedo Bandeira, que nos dá um belo conto ambientado na temática de Fernando Pessoa.

Já quanto aos desenhos, enquanto confesso fã das ilustrações de Daniel Maia, posso dizer que as mesmas não desiludem e que revelam como o autor é virtuoso na execução de belos desenhos. Além disso, também tem a capacidade para ilustrar vários tipos de ambientes e histórias diferentes, o que revela que é um autor com um potencial enorme, ainda por explorar.

Em termos de edição, tendo em conta que é independente, parece-me que o trabalho é bastante decente. Este livro a preto e branco tem capa mole e um papel brilhante que me parece adequado. Acho apenas que deveria ter sido feita uma maior divisão entre histórias, uma vez que, por vezes, ainda estamos mergulhados numa história e já o conto seguinte começou. Julgo que mesmo que não fosse dada uma página branca entre histórias, ao menos poderia ter sido feita uma divisão gráfica mais inequívoca.

Em suma, Aurora Boreal em Reflexos Partilhados, pelo universo alegórico-fantástico que traz consigo, é uma antologia bastante original na sua génese. Nem sempre de fácil de leitura, relembro, mas audaz nos intuitos de significados profundos que procura atingir.


NOTA FINAL (1/10):
5.5


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Aurora Boreal em Reflexos Partilhados, de vários autores - Kafre e Arga Warga

Ficha técnica
Aurora Boreal em Reflexos Partilhados
Autores: José de Matos-Cruz, José Ruy, Daniel Maia, Fernando Vilhena de Mendonça, João Raz, José Bandeira, Nuno Dias, Renato Abreu e Susana Resende
Edição: Kafre e Arga Warga
Páginas: 52, a preto e branco
Encadernação: Capa mole
Lançamento: Maio de 2022

quinta-feira, 26 de maio de 2022

Antologia a ser lançada no FIBDB conta com alguns nomes ilustres da BD nacional!



Irá ser apresentada no Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja a antologia Aurora Boreal em Reflexos Partilhados, que conta com a paticipação de vários autores portugueses como José de Matos-Cruz, José Ruy, Daniel Maia, Fernando Vilhena de Mendonça, João Raz, José Bandeira, Nuno Dias, Renato Abreu e Susana Resende.

Trata-se de uma co-edição Kafre / Arga Warga.

Mais abaixo, deixo-vos com algumas imagens promocionais e a nota oficial desta lançamento.


Aurora Boreal em Reflexos Partilhados, de vários autores
Aurora Boreal em Reflexos Partilhados é uma antologia de banda desenhada, em coedição de Kafre/Arga Warga. A personagem literária foi criada em 2012 por José de Matos-Cruz, com transfiguração original de Susana Resende. Participam nesta colectânea de obras curtas, inéditas ou já divulgadas como conteúdo extra, Daniel Maia, Fernando Vilhena de Mendonça, João Raz, José Bandeira, Nuno Dias, Renato Abreu e Susana Resende, também autora da capa e do grafismo, além de mestre José Ruy, numa colaboração especial.

A apresentação de Aurora Boreal em Reflexos Partilhados decorre no Domingo, 29 de Maio, às 16h30, no 17º FIBDB.

Aurora Boreal surgiu no universo romanesco/ilustrado d’O Infante Portugal (As Tramóias Capitais; 2007, A Íntima Capitulação; 2010, As Sombras Mutantes; 2012, pela editora Apenas Livros), concebido por José de Matos-Cruz, tendo nascido de uma relação efémera e sensual entre Oktobraia, uma heroína soviética exilada em Lisboa, e o Malsão, um portento cósmico que avassala o marasmo lusitano.

Menina e loira, emancipada em tríptico imaginado/literário (O Princípio Infinito; 2017-2018, O Eterno Paradoxo; 2019, O Círculo Imperfeito; 2020, por Apenas Livros), logo uma auspiciosa Aurora Boreal - irradiando além das luzes e das trevas - rompe os ciclos da infância e da identidade, pelo capricho súbito e intenso de uma libertação… Nessa aprendizagem mágica e germinal, Aurora Boreal suspende as coordenadas sobre o tempo e o lugar em que decorrem tais derivas e interferências. Do passado ao futuro, ou em actualidade virtual, a sua aparência torna-se então Presente - ainda adolescente, adulta ou idosa -, desafiando todas as rotinas, como um fenómeno telúrico e transfigurador!

Entretanto, Aurora Boreal compareceu no clímax pelos quadradinhos d’O Infante Portugal em Universos Reunidos (2017), com desenho de Daniel Maia, também coautor da história com José de Matos-Cruz, que elaborou o texto. Esta banda foi distinguida pelos XVI Troféus Central Comics, na categoria Melhor Obra Curta (2018).

Aurora Boreal em Reflexos Partilhados culmina, assim, uma incursão fantástica pelos meandros da realidade e em dimensões alternativas. Afinal, com mais simbólica ênfase de reinvenção - ao conferir, pela banda desenhada, uma abordagem múltipla e propícia às expectativas de cada criador artístico.

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Ficha técnica
Aurora Boreal em Reflexos Partilhados
Autores: José de Matos-Cruz, José Ruy, Daniel Maia, Fernando Vilhena de Mendonça, João Raz, José Bandeira, Nuno Dias, Renato Abreu e Susana Resende
Páginas: 52, a preto e branco
Encadernação: Capa mole
PVP: 10,00€