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quarta-feira, 29 de julho de 2026

Análise: Hercule Poirot - Perigo na Casa da Falésia

Hercule Poirot - Perigo na Casa da Falésia, de Frédéric Brrémaud e Alberto Zanon - Arte de Autor

Hercule Poirot - Perigo na Casa da Falésia, de Frédéric Brrémaud e Alberto Zanon - Arte de Autor
Hercule Poirot - Perigo na Casa da Falésia, de Frédéric Brrémaud e Alberto Zanon

Foi já durante o presente ano que a editora Arte de Autor publicou mais um volume da sua coleção dedicada à adaptação para banda desenhada dos clássicos de Agatha Christie. Esta é, relembro, a maior coleção - em número de volumes - da editora.

Desta vez, estamos perante a obra Hercule Poirot - Perigo na Casa da Falésia, do argumentista Frédéric Brrémaud (que desta feita assina o seu apelido com dois R's - não é erro da editora, descansem, é mesmo assim que o autor assinou este livro na sua edição original) e do ilustrador Alberto Zanon. Esta dupla tem-nos oferecido aquelas que considero as melhores obras desta coleção. E, mais uma vez, o trabalho de ambos é bastante meritório.

Hercule Poirot - Perigo na Casa da Falésia, de Frédéric Brrémaud e Alberto Zanon - Arte de Autor
No caso em apreço, Hercule Poirot e o capitão Hastings estão de férias na Cornualha, onde conhecem a jovem Nick Buckley, uma proprietária de uma casa situada no topo de uma falésia. Nick afirma ter sobrevivido a uma série de estranhos "acidentes" que, segundo Poirot, são na realidade tentativas de homicídio. Poirot fica, então, convencido de que alguém pretende assassinar esta jovem mulher e decide protegê-la, investigando quem, entre os amigos e conhecidos que frequentam a casa, poderá ter um motivo para a eliminar. 

Como seria de esperar, tendo em conta que estamos perante uma obra extraída da mente intricada de Agatha Christie, à medida que a investigação avança Hercule Poirot depara-se com uma teia de mentiras, identidades ambíguas e interesses ocultos. E o caso torna-se ainda mais complexo quando ocorre uma morte que parece confirmar os piores receios do detective. Obviamente, Poirot consegue reunir pistas aparentemente insignificantes - daquelas que passam pelos nossos olhos sem que delas demos conta, mesmo sabendo de que se trata de uma obra de Agatha Christie - e consegue desmontar as falsas aparências que rodeiam os habitantes e hóspedes da Casa da Falésia. 

Hercule Poirot - Perigo na Casa da Falésia, de Frédéric Brrémaud e Alberto Zanon - Arte de Autor

Brrémaud volta a conseguir adaptar bem o romance original para banda desenhada, mantendo a estrutura fundamental da obra original e preservando os seus elementos cruciais: os falsos indícios, que fintam os leitores; as suspeitas constantes, que vamos construindo enquanto lemos a obra; e a cuidadosa construção do suspense

Apesar da condensação narrativa, o leitor continua a ser convidado a observar pistas, formular hipóteses e tentar antecipar a solução antes da revelação final. E é precisamente essa participação ativa que torna a leitura particularmente satisfatória. É quase como se fosse um jogo, estilo escape room, que já sabemos que teremos que fazer, ainda antes de mergulharmos na leitura.

Não apreciei tanto o excesso da reprodução integral de correspondência entre personagens, mas também aceito que seria difícil abordar o assunto dessas cartas de outra forma num livro que apenas tem 64 páginas.

Hercule Poirot - Perigo na Casa da Falésia, de Frédéric Brrémaud e Alberto Zanon - Arte de Autor
No plano gráfico, também Alberto Zanon volta a realizar um trabalho muito competente. O seu traço é claro, limpo, expressivo e acessível, favorecendo a legibilidade da narrativa. As personagens, mesmo sendo várias, distinguem-se facilmente entre si e as suas expressões faciais ajudam a transmitir emoções, aspeto particularmente relevante numa história assente em mentiras, disfarces e segundas intenções. Os cenários também constituem outro dos pontos fortes da obra. A recriação da Cornualha, da casa - quer vista de fora, quer vista de dentro, através dos seus elegantes interiores - bem como os jardins, contribui para uma forte sensação de época. 

Confesso que dei conta de, em algumas vinhetas, o desenho do autor parecer um pouco mais rápido e menos aprumado quando comparado com outros álbuns do autor. Não é nada que comprometa negativamente a nossa experiência de leitura, simplesmente faz com que este não seja o álbum com os melhores desenhos que o autor já fez para esta coleção.

A edição da Arte de Autor é em capa dura brilhante, com bom papel baço no interior. De resto, o trabalho de encadernação e impressão também está bem feito.

Em suma, Hercule Poirot - Perigo na Casa da Falésia é mais uma adaptação sólida, elegante e respeitadora da obra de Agatha Christie. Frédéric Brrémaud e Alberto Zanon voltam a conseguir equilibrar fidelidade e acessibilidade neste trabalho, como já o haviam feito noutras adaptações com que contribuíram para esta coleção.


NOTA FINAL (1/10):
8.4



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


Hercule Poirot - Perigo na Casa da Falésia, de Frédéric Brrémaud e Alberto Zanon - Arte de Autor

Ficha técnica
Hercule Poirot - Perigo na Casa da Falésia
Autores: Frédéric Brémaud e Alberto Zanon 
Adaptado a partir da obra original de: Agatha Christie
Editora: Arte de Autor
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
Lançamento: Fevereiro de 2026

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Vem aí novo adaptação para BD de Agatha Christie!



A Arte de Autor prepara-se para fazer chegar às livrarias, a partir da próxima semana, a sua mais recente banda desenhada.

Trata-se do clássico Perigo na Casa da Falésia que, mais uma vez, tem o investigador Hercule Poirot como protagonista.

Este já é o 17º tomo desta coleção, o que faz dela a maior coleção da editora Arte de Autor.

Os autores responsáveis por este Perigo na Casa da Falésia são Frédéric Brémaud e Alberto Zanon, dupla que, quanto a mim, nos tem dado os melhores livros da coleção. Razão pela qual estou especialmente interessado em ler este livro que, por agora, já se encontra em pré-venda no site da editora.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.

Hercule Poirot - Perigo na Casa da Falésia, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon 

Uma magnífica casa empoleirada numa falésia da Cornualha, é propriedade de Nick Buckley, uma mulher jovem e alegre que parece precisar de ajuda. 

Ela convidou amigos para passar alguns dias em sua casa, mas várias tentativas de a matar marcam a estadia. Quando um tiro parece ter sido disparado contra a jovem no jardim de um hotel vizinho, onde Hercule Poirot e o capitão Hastings estão hospedados, o detective belga não consegue evitar intervir e pôr em ação as suas «pequenas células cinzentas». 

Quem pode ter algo contra a bela Menina Buckley? E por que razão a quereria eliminar? Com o seu talento único, Poirot vai vasculhar as vidas complexas dos hóspedes da Casa da Falésia para revelar uma série de Mentiras.

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Ficha técnica
Hercule Poirot - Perigo na Casa da Falésia
Autores: Frédéric Brémaud e Alberto Zanon 
Adaptado a partir da obra original de: Agatha Christie
Editora: Arte de Autor
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
PVP: 19,50€

quinta-feira, 17 de abril de 2025

Análise: Intriga em Bagdade

Intriga em Bagdade, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon - Arte de Autor

Intriga em Bagdade, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon - Arte de Autor
Intriga em Bagdade, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon

O primeiro livro editado pela Arte de Autor neste ano de 2025 foi este Intriga em Bagdade que é parte intrigante daquela que é a maior coleção - em número - da editora portuguesa - a Coleção Agatha Christie - somando mais de uma dezena de livros até à data. E não deverá ficar-se por aí, visto que a série tem tido continuação em França.

Desta vez, não temos uma história dedicada a Hércule Poirot, o célebre investigador, mas antes uma intriga policial complexa que, quanto a mim, envelheceu muito bem, pois embora pudesse perfeitamente ser uma história policial feita no mês passado para o cinema, a verdade é que a história original de Agatha Christie foi originalmente publicada há mais de 70 anos, o que revela bem o cariz inovador, sem precedentes, do trabalho da célebre autora britânica.

Intriga em Bagdade, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon - Arte de Autor
Intriga em Bagdade
, dividido em dois álbuns, e que a Arte de Autor - e bem - publica num só volume, numa edição integral, é assinado pelo argumentista Frédéric Brémaud e pelo ilustrador Alberto Zanon que constituem a minha dupla favorita de autores desta coleção, sendo também responsáveis pelos livros Drama em Três Actos, Os Crimes do ABC e O Crime no Campo de Golf

A história centra-se na personagem de Victoria Jones, uma carismática jovem impulsiva e cheia de imaginação que, após ser despedida do seu emprego em Londres, decide viajar para Bagdade para reencontrar um homem por quem se apaixonou recentemente. No entanto, ao chegar à cidade, Victoria vê-se inesperadamente envolvida numa complexa conspiração internacional, quando um agente secreto morre no seu quarto de hotel, deixando-lhe uma desconcertante mensagem. À medida que tenta desvendar o mistério, Victoria acaba por se infiltrar num perigoso jogo de espionagem, onde interesses políticos e económicos se cruzam, tornando a sua simples aventura romântica numa corrida contra o tempo para impedir um atentado à paz mundial.

Intriga em Bagdade, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon - Arte de Autor
A narrativa deste Intriga em Bagdade transporta-nos para um cenário exótico e misterioso, onde várias personagens, aparentemente desconectadas, se cruzam no seio de uma teia de acontecimentos marcada pela intriga política, interesses económicos e motivações pessoais. É uma história que vai crescendo em complexidade à medida que se revelam as ligações entre as diversas tramas paralelas.

A escolha de adaptar esta história para banda desenhada em dois volumes, em vez de o fazer apenas num só livro, revela-se particularmente acertada, uma vez que estamos perante uma intriga densa, com múltiplos fios condutores e várias personagens que exigem espaço para se desenvolverem. Por isso, um único livro com as habituais 64 páginas dificilmente teria conseguido dar conta dessa ambição narrativa sem comprometer a clareza e o ritmo da leitura. Consequentemente, ao permitir que a trama se desdobre com algum espaço, os autores conseguiram ser mais fiéis à obra original e, também, criar um envolvimento mais eficaz com o leitor.

Intriga em Bagdade, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon - Arte de Autor
Cada uma das linhas narrativas que vamos acompanhando possui um tom e uma direção próprios, o que ajuda a manter o interesse ao longo da leitura. Esta construção complexa faz com que o leitor esteja constantemente a tentar montar o puzzle narrativo, o que confere ao álbum um certo carácter interativo.

Não obstante, e apesar da boa opção de se dar mais páginas a esta adaptação, é inevitável mencionar que a obra teria ganhado ainda mais força se tivesse sido um pouco mais extensa. Se em vez das 96 páginas, tivéssemos 128, por exemplo - o que seria o dobro do que habitual encontramos num só volume desta coleção. Digo isto porque há momentos em que sentimos que algumas personagens poderiam beneficiar de maior desenvolvimento e que certos arcos narrativos são resolvidos com demasiada rapidez. Essa limitação de espaço obriga a uma concentração de informação em algumas vinhetas, com balões algo carregados de texto, o que por vezes dificulta o fluxo da leitura. Embora a informação seja pertinente e a escrita de Brémaud eficaz, a sua densidade em certos momentos prejudica o impacto visual das pranchas.

Intriga em Bagdade, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon - Arte de Autor
Porém, esse desequilíbrio pontual é largamente compensado pelo belo trabalho gráfico de Alberto Zanon. O seu traço semi-realista confere um charme muito próprio às personagens e ao universo representado. A expressividade dos rostos e a linguagem corporal ajudam imenso a transmitir emoções e intenções, enriquecendo a leitura e dando vida à história para além das palavras.

As cores desempenham também um papel fundamental na construção do ambiente. Há uma paleta cromática quente e contrastada que evoca o calor e a tensão da cidade de Bagdade, conferindo coerência visual ao conjunto e acentuando os diferentes estados de espírito das cenas. 

A planificação das pranchas é outro dos elementos bem conseguidos. Longe de se limitar a uma grelha convencional, a obra aposta numa montagem variada, com vinhetas de diferentes tamanhos e formatos, o que contribui para um ritmo dinâmico e cinematográfico. 

A direção artística e a composição gráfica de Zanon demonstram, pois, um grande cuidado na construção da narrativa visual, tornando a experiência da leitura não apenas envolvente, mas também esteticamente gratificante.

Em termos de edição, o livro apresenta capa dura brilhante, com bom papel baço no interior. O trabalho de encadernação e impressão também é meritório. E, mais uma vez, sublinho a pertinência da opção da Arte de Autor em publicar a obra num volume integral que reúne os dois álbuns originalmente lançados.

Em suma, Intriga em Bagdade é um díptico ambicioso e bem conseguido, que se destaca pela sua complexidade narrativa, pelo apuro visual e pela boa gestão do suspense. Apesar de alguns desequilíbrios no ritmo e da sensação de que mais páginas teriam beneficiado a história, trata-se de uma adaptação bastante feliz ao formato da banda desenhada. O talento de Brémaud e Zanon é evidente, e juntos criam uma obra que merece ser lida.


NOTA FINAL (1/10):
8.5



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Intriga em Bagdade, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon - Arte de Autor

Ficha técnica
Intriga em Bagdade - Edição Integral
Autores: Frédéric Brémaud e Alberto Zanon
Adaptado a partir da obra original de: Agatha Christie
Editora: Arte de Autor
Páginas: 96, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
Laançamento: Fevereiro de 2025

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Arte de Autor lança o seu primeiro livro do ano!



A partir desta semana deverá chegar às livrarias portuguesas aquela que é a primeira aposta editorial da Arte de Autor para este ano de 2025!

Falo de Intriga em Bagdade, dos autores Frédéric Brémaud e Alberto Zanon, que está inserida na coleção dedicada a adaptações dos clássicos de Agatha Christie.

Chamo a atenção para a opção da Arte de Autor em publicar num volume integral esta obra que foi originalmente editada em dois volumes.

Fico especialmente motivado para ler este livro por dois motivos: porque me parece que, com mais páginas, a trama da história original pode ser mais bem explanada em banda desenhada e, por outro lado, Frédéric Brémaud e Alberto Zanon são os meus dois autores favoritos desta coleção. São eles que, a meu ver, têm feito os melhores livros.

Por agora, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Intriga em Bagdade, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon

A “Rainha do Crime” também teceu algumas tramas de espionagem, de que Intriga em Bagdad é um exemplo perfeito! Aventuras, reviravoltas, exotismo e história de amor: há de tudo isso neste romance… E ainda mais! Existe uma ligação muito estreita entre a vida da autora e os locais onde decorre a intriga.

Para Victoria Jones, nada se passa em Bagdad como ela teria desejado…
O seu «noivo» não compareceu ao encontro e ela tem de achar um meio de subsistência porque as contas acumulam-se… E agora, para cúmulo, um homem veio morrer no seu quarto de hotel! O que ela ignora é que, involuntariamente, está mergulhada num estranho caso, de que o mundo pode não recuperar!

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Ficha técnica
Intriga em Bagdade - Edição Integral
Autores: Frédéric Brémaud e Alberto Zanon
Adaptado a partir da obra original de:  Agatha Christie
Editora: Arte de Autor
Páginas: 96, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
PVP: 25,50€

segunda-feira, 3 de julho de 2023

Análise: Hercule Poirot - Drama em Três Actos

Hercule Poirot - Drama em Três Actos, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon - Arte de Autor

Hercule Poirot - Drama em Três Actos, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon - Arte de Autor
Hercule Poirot - Drama em Três Actos, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon

A par de Corto Maltese, a coleção de BD dedicada à Agatha Christie, que a Arte de Autor tem vindo a editar, é a maior série, em número de volumes, da editora portuguesa. No total já são mais de uma dezena de álbuns editados por cá.

Este Drama em Três Actos é o terceiro livro que é adaptado pelos autores Frédéric Brémaud e Alberto Zanon, sendo que os álbuns anteriores desta dupla foram Os Crimes do ABC (o melhor de todos, quanto a mim) e O Crime no Campo de Golf.

Tal como uma peça de teatro, que é dividida em 3 atos, Drama em Três Actos também aparece assim dividido. No primeiro ato, somos confrontados com a morte do Reverendo Babbington que acontece durante uma receção na propriedade do famoso ator Sir Charles Cartwright, à frente de várias personalidades, que não parecem dar conta do sucedido. No segundo ato, é a vez do famoso Doutor Strange morrer em casa durante uma refeição com vários dos seus amigos presentes. Hercule Poirot até está presente no primeiro assassinato, mas está longe do segundo. Estarão os dois crimes interligados? No terceiro ato, caberá ao famoso investigador, decifrar quem está por detrás destes crimes.

Hercule Poirot - Drama em Três Actos, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon - Arte de Autor
A partir daí, somos levados a um intrincado quebra-cabeças de pistas, suspeitos e reviravoltas surpreendentes. Esta história tem a particularidade de relegar Poirot para uma posição mais secundária, já que a investigação vai sendo levada a cabo por outras personagens. Embora, claro está, seja depois Poirot o maestro que resolve o enigma final.

Frédéric Brémaud e Alberto Zanon continuam a bem desempenhar os seus papéis de argumentista e ilustrador. 

Brémaud consegue manter um bom ritmo na trama, embora me pareça que, por vezes, a história tenha ficado desnecessariamente mais confusa devido à introdução de algumas falas mais redundantes. Não obstante, também reconheço que este livro não seria tão fácil de adaptar como outros da coleção. Talvez por isso, e quanto a mim, seriam necessárias mais algumas páginas para que a fluidez da leitura e da trama funcionasse melhor. Talvez seja mesmo o ponto menos positivo do livro já que, de resto, funciona muito bem.

Hercule Poirot - Drama em Três Actos, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon - Arte de Autor
Quanto aos desenhos de Zanon, o autor dá-nos mais do mesmo. E isso continua a ser muito bom, já que o seu traço semi-caricatural bastante elegante, ilustra personagens bastante expressivas e belos cenários, que mantêm bem presente o ambiente clássico e elegante que Agatha Christie nos descreveu nos seus romances. Sendo verdade que, à medida que vamos conhecendo os vários livros de Zanon nesta coleção, comecemos a achar que, por vezes, há uma certa parecença visual com algumas personagens, especialmente as femininas, continuo a consider o autor como o ilustrador mais diferenciado – e, por isso, melhor – desta coleção de adaptações para banda desenhada dos clássicos da Agatha Christie que a Arte de Autor tem vindo a publicar.

Por falar em Arte de Autor, a editora faz aqui mais um bom trabalho de edição. O livro tem capa dura e brilhante, bom papel baço e uma boa impressão e encadernação.

Resumindo e concluindo, esta nova entrada na coleção de Agatha Christie, com este Hercule Poirot - Drama em Três Actos, revela-nos mais um livro competente, que capta bem a essência do universo da célebre autora britânica, oferecendo-nos uma leitura agradável, que consegue manter os fãs de mistério intrigados até ao fim. E esse, não esqueçamos, é a primordial característica e feito dos livros de Agatha Christie.


NOTA FINAL (1/10):
8.4



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Hercule Poirot - Drama em Três Actos, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon - Arte de Autor

Ficha técnica
Hercule Poirot - Drama em Três Actos
Autores: Frédéric Brémaud e Alberto Zanon
Editora: Arte de Autor
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
Lançamento: Março de 2023

terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

Drama em Três Actos é a nova BD da Arte de Autor!



A Arte de Autor está de regresso com mais um livro dedicado à bela adaptação para bd dos clássicos de Agatha Christie!

E estou especialmente empolgado com este lançamento, pois este livro é da autoria da minha dupla de autores preferidos desta série: Frédéric Brémaud e Alberto Zanon.

Ambos os autores já nos deram Os Crimes do ABC e O Crime no Campo de Golf, que são dois dos meus álbuns favoritos desta série. Gosto bastante do traço diferenciado de Zanon.

Com o lançamento deste Drama em Três Actos, a Arte de Autor aproxima-se da edição completa da série, ficando (à data) apenas a faltar o lançamento do mais recente álbum da série original, que dá pelo nome de A Extravagância do Morto (Poirot joue le jeu).
Drama em Três Actos deverá chegar às livrarias a partir do próximo dia 21 de Fevereiro. Por agora, já se encontra em pré-venda no site da editora.

Mais abaixo, podem encontrar a sinopse da obra e algumas imagens promocionais.


Hercule Poirot - Drama em Três Actos, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon

Acto I: O Reverendo Babbington morre durante uma recepção na propriedade do famoso actor Sir Charles Cartwright.

Acto II: o famoso Doutor Strange morre em casa durante uma refeição com amigos.
Qual a relação entre esses dois casos? 

É isso que Hercule Poirot e as suas pequenas células cinzentas se perguntam. Se é verdade que assistiu à primeira morte, estava bem longe quando a segunda aconteceu. Será obra de um serial Killer? Quem poderá ser o próximo da lista? Um caso muito estramho, que Poirot terá de resolver antes do final do terceiro acto…

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Ficha técnica
Hercule Poirot - Drama em Três Actos
Autores: Frédéric Brémaud e Alberto Zanon
Editora: Arte de Autor
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
PVP: 19,00€

segunda-feira, 7 de março de 2022

Análise: Hercule Poirot - O Crime no Campo de Golf

Hercule Poirot - O Crime no Campo de Golf, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon - Arte de Autor

Hercule Poirot - O Crime no Campo de Golf, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon - Arte de Autor
Hercule Poirot - O Crime no Campo de Golf, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon

A coleção com clássicos da autora Agatha Christie adaptados para banda desenhada parece ir de vento em poupa. Já são oito os livros que a Arte de Autor publicou em Portugal e não parece que fiquemos por aqui, tendo em conta que já foi anunciado por parte da editora, o lançamento de mais um livro da coleção durante este mês de Março.

Como já aqui escrevi, esta é uma coleção que "primeiro se estranha e depois se entranha". Quando li o primeiro volume desta coleção, Crime no Expresso do Oriente, que não me agradou por aí além, nunca pensei que esta série me viesse a agarrar desta forma. A verdade é que, com alguns livros, naturalmente, mais bem conseguidos do que outros, a sensação geral face a esta coleção é que estamos perante uma boa dose de qualidade. Ao nível da arte, especialmente, mas também ao nível da adaptação dos argumentos.

Hercule Poirot - O Crime no Campo de Golf, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon - Arte de Autor
E não é que os temas abordados nos livros de Agatha Christie sejam muito profundos ou de difícil interpretação, mas, ainda assim, é verdade que o bailado de personagens e o jogo que é feito com o leitor, para o desafiar a encontrar o culpado, acaba por ser bastante complexo. E adaptar isso a um livro de banda desenhada, que nem sequer tem um grande número de páginas, torna-se complexo. Porém, regra geral, as adaptações têm funcionado bem.

Neste O Crime no Campo de Golf temos, novamente, o detetive Hercule Poirot a tentar desvendar quem é o autor de um crime que inaugura os primeiros momentos da história. Este trabalho, à semelhança de Hercule Poirot - Os Crimes do ABC, que já aqui analisei, é feito pelos autores Frédéric Brémaud, no argumento, e por Alberto Zanon, nas ilustrações. Devo dizer que as minhas expetativas eram altas porque o livro Os Crimes do ABC é o meu preferido da coleção. E, mesmo admitindo que este O Crime no Campo de Golf fica alguns furos abaixo desse, devo dizer que a experiência de leitura é muito interessante e estamos perante mais um bom livro da coleção.

Hercule Poirot - O Crime no Campo de Golf, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon - Arte de Autor
A história coloca o detetive Hercule Poirot a investigar o seu segundo caso. Acompanhado pelo seu amigo, o Capitão Hastings, Poirot desloca-se a França a pedido de um rico industrial que, numa carta endereçada ao célebre investigador, o informa que teme pela própria vida. Todavia, quando os dois amigos chegam a França, o crime já havia sido cometido. A missão de Poirot estava, portanto, terminada ainda antes de ter começado, pois o assassinato já teria sido praticado. Mesmo assim, Poirot oferece-se para investigar a morte e encontrar o assassino. Surge uma importante personagem, o inspetor Giraud, da polícia francesa, que funciona um pouco como o arqui-rival de Poirot, apresentado os métodos mais diferentes possíveis em relação ao investigador belga. Os dois detetives acabam, por isso, por chocar várias vezes, trazendo uma rivalidade muito interessante à trama.

Depois surgem, também, e expetavelmente, um bom número de personagens que podem – ou não – ter cometido o assassinato e que serão alvo da investigação de Poirot. Não quero escrever muito mais sobre a trama para não cometer o risco de fazer algum spoiler. Deixo-vos, portanto, por vossa conta e risco para desvendarem mais um caso de crime e dissimulação. Brilhantemente pensado e arquitetado por Agatha Christie, posso dizer que a adaptação do argumento para banda desenhada, por parte de Frédéric Brémaud, está bastante sólida, focando os pontos principais da história.

Hercule Poirot - O Crime no Campo de Golf, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon - Arte de Autor
Mas aquilo que mais salta à vista neste O Crime no Campo de Gold é mesmo a arte ilustrativa de Zanon que, quanto a mim, é a melhor da série. Com um traço carregado de personalidade, a arte do autor há havia sido uma fantástica surpresa para mim em Os Crimes do ABC, pois não conhecia o estilo de ilustração do autor, e continua a sê-lo neste livro. Fará até sentido recuperar aqui o que já escrevi anteriormente sobre a arte de Zanon.

“O autor é dono de um traço que junta o melhor do clássico com o moderno. Bastante franco-belga no género, mas a remeter para uma escola mais moderna, especialmente nas caras e expressões das personagens. Lembrou-me até, por vezes, o que Juan Cavia fez em Balada para SophieNota ainda para a capacidade do autor em colocar as suas personagens em poses muito interessantes e dramáticas (como Jordi Lafebre em Verões Felizes, por exemplo) e com planos de câmara menos clássicos e mais modernos, com vários “picados” e “contra-picados”. Arrisca e fá-lo bem, tornando a leitura bastante aliciante. O trabalho de cores, que é assegurado por Fabien Alquier, também dá a ambiência e tom certo a toda a história. Tudo muito bem feito, diga-se.”

E tal como em Os Crimes do ABC também este O Crime no Campo de Golf apresenta uma bela capa que, naturalmente, chama a atenção.

Hercule Poirot - O Crime no Campo de Golf, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon - Arte de Autor
Se há coisas menos positivas no desenho do autor é, quanto a mim, o facto das mulheres serem muito parecidas entre si e de usarem, todas elas(!), lábios pintados de preto. Não percebo o porquê e não acho que faça muito sentido, pois estou certo que no tempo em que a ação se desenrola, as mulheres nem sequer ousariam (pensar em) pintar os lábios de preto. Se fosse só uma personagem ou se isto acontecesse só num livro eu ainda deixaria passar. Mas, assim sendo, e mesmo admitindo que possa ser um qualquer capricho artístico do autor, tenho que dizer que me parece uma opção sem grande lógica.

A edição da Arte de Autor mantém-se em linha com os restantes livros da coleção: capa dura brilhante, papel baço de boa qualidade e boa impressão e encadernação. Nota negativa apenas para o estilo de letra utilizado nas cartas. Percebo a ideia de serem fonts manuscritas e até são bonitas, mas acho que têm uma (muito) má leitura. Numa carta concretamente, tive até que tentar decifrar o que estava escrito. Não sei se é uma opção da Arte de Autor ou se este erro até foi feito na edição original. Seja como for, é um ponto negativo. Não estraga o livro, sosseguem, mas é uma falha que podia não ter sido cometida.

Em suma, este é mais um bom livro da coleção de bd da Agatha Christie que a Arte de Autor, tão assiduamente, tem vindo a publicar. Boa arte, boa adaptação e excelentes tramas saídas da mente da “Duquesa da Morte”. Coisas simples que, bem conjugadas, acabam por funcionar bem. Recomenda-se pois está claro!


NOTA FINAL (1/10):
8.6


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Hercule Poirot - O Crime no Campo de Golf, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon - Arte de Autor

Ficha técnica
Hercule Poirot - O Crime no Campo de Golf
Autores: Frédéric Brémaud e Alberto Zanon
Editora: Arte de Autor
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Janeiro de 2022

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

O primeiro livro da Arte de Autor para 2022 já está disponível!




A Arte de Autor inicia o seu ano editorial com a publicação de mais um livro da Coleção Agatha Christie

Esta série tem vindo a crescer em mim. Cada vez gosto mais dela! E devo dizer que estou particularmente entusiasmado com este novo livro, uma vez que é ilustrado por Alberto Zanon, o autor também responsável por Hercule Poirot - Os Crimes do ABC e que considero ser o melhor ilustrador da série, até agora. O argumentista também é Frédéric Brémaud que colaborou com Zanon no álbum que refiro.

Este novo livro, intitulado Hercule Poirot - O Crime no Campo de Golf, já está disponível para compra no site da editora e deverá chegar às livrarias na próxima semana.
Abaixo, fiquem com a sinopse da obra e algumas imagens promocionais.

Hercule Poirot - O Crime no Campo de Golf, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon

Um dos grandes clássicos de Agatha Christie, foi a segunda investigação de Hercule Poirot e põe à prova as capacidades do melhor investigador do mundo.

Hercule Poirot, acompanhado do capitão Hastings, tem de ir a França a convite de um rico industrial que teme pela vida. 

Infelizmente, à sua chegada, o crime já foi cometido. Mesmo não podendo impedir a morte, o detective belga não desiste de encontrar o assassino.
Mas o inspector Giraud, da polícia francesa, não está disposto a deixar-lhe o campo livre. 

Uma nova investigação de Poirot, que o vai mergulhar no centro de uma maquinação extraordinária.

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Fica técnica
Hercule Poirot - O Crime no Campo de Golf
Autores: Frédéric Brémaud e Alberto Zanon
Editora: Arte de Autor
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 17,50€

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Análise: Hercule Poirot - Os Crimes do ABC

Hercule Poirot - Os Crimes do ABC, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon - Arte de Autor

Hercule Poirot - Os Crimes do ABC, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon - Arte de Autor

Hercule Poirot - Os Crimes do ABC, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon

Julgo já o ter dito aqui, numa outra análise a um dos livros que compõem a Coleção Agatha Christie, publicada pela Arte de Autor, mas vou-me repetir: quando, há uns anos, conheci esta série com o volume Crime no Expresso no Oriente, não fiquei muito bem impressionado. Não que tivesse achado que se tratava de uma má obra mas sim porque tinha ficado vários furos abaixo das minhas expetativas. Todavia, à medida que fui lendo os outros volumes (Miss Marple – Um Cadáver na Biblioteca, Os Beresford – Mister Brown, e Hercule Poirot - Morte no Nilo e O Misterioso Caso de Styles) a minha opinião sobre a série foi-se alterando e hoje até acho que posso dizer que fiquei fã. Saliente-se que cada volume é feito por autores diferentes. E talvez isso justifique que a qualidade da adaptação e das ilustrações, embora relativamente nivelada entre os vários livros, vai recebendo, ainda assim, alterações. E olhando para este Os Crimes do ABC, até posso dizer que a série nunca me agradou tanto! É o melhor, até agora, a meu ver. A par do Morte no Nilo, de que gostei muito, também.

Hercule Poirot - Os Crimes do ABC, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon - Arte de Autor

A história deste Hercule Poirot - Os Crimes do ABC coloca Hercule Poirot, a personagem principal perante um vilão verdadeiramente curioso e original. Dá pelo nome de ABC porque associa os seus crimes às letras do abecedário num estranho e macabro modus operandi. Começa por assassinar uma vítima cujo nome começa pela letra “A” e numa cidade inglesa com o nome a começar, também, pela letra “A”. A seguir, faz o mesmo com a letra “B”. Depois, com a letra “C”. E por aí diante. Os crimes têm todos uma assinatura em comum: ao lado de cada cadáver é sempre deixado um livro-guia de transportes denominado “ABC”. Como se isto já não fosse macabro o suficiente, este assassino ainda trata de escrever uma carta dirigida a Hercule Poirot, desafiando-o e comunicando onde será feito o próximo crime, antes que o mesmo seja praticado. Uma ideia excelente em termos de argumento, diga-se.

Caberá depois, a Poirot, tentar descobrir o mistério que envolve esta senda de crimes. Julgo que o argumento está bem transposto para banda desenhada, por parte de Brémaud. E, se tivermos em conta que é um livro que traz consigo quatro crimes - e respetivas investigações à volta desses mesmos crimes, até podemos dizer que conseguir colocar toda essa história num livro de 64 páginas, foi uma tarefa muito bem conseguida, embora o desafio não fosse fácil. 

Hercule Poirot - Os Crimes do ABC, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon - Arte de Autor

Porém, também é verdade que, por vezes, a leitura torna-se um bocado difícil, por ter balões com muito texto. Diria que, se o livro tivesse mais páginas, o autor teria tido mais espaço para deixar a história respirar. No entanto, também não se entenda, por este meu comentário, que o livro não se lê bem ou que é chato. Nada disso. Lê-se muito bem e é fácil acompanhar a história, mesmo relembrando que há muitas personagens ao barulho: as personagens assassinadas pelas mãos do ABC e os familiares das vítimas com quem, depois, Hercule Poirot, tenta obter informações que ajudem à resolução do caso. Talvez sejam personagens a mais para um livro de bd com 64 páginas mas, volto a frisar, o autor fez um bom trabalho. Neste caso, não seria possível abdicar de algumas personagens, sob pena de arruinar a lógica e sequência alfabética.

Não podendo ser considerada como uma história "pesada" é, ainda assim, a história mais pesada e mais adulta da coleção da Agatha Christie até agora. A personagem do ABC é sombria e maquiavélica e, por esse motivo, é incrível ver como um livro originalmente escrito em 1936, tem uma estrutura de thriller tão bem conseguida. Temos o suspense dos crimes serem anunciados e não conseguirem ser travados por Poirot e temos o mistério que envolve o vilão. E, mesmo assim, conseguimos ser surpreendidos. Uma autêntica masterclass de como fazer um bom thriller, por parte de Agatha Christie.

Hercule Poirot - Os Crimes do ABC, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon - Arte de Autor

Em termos de ilustrações, o trabalho é assegurado por Alberto Zanon. E posso dizer que os seus desenhos me conquistaram desde o primeiro momento! O autor é dono de um traço que junta o melhor do clássico com o moderno. Bastante franco-belga no género, mas a remeter para uma escola mais moderna, especialmente nas caras e expressões das personagens. Lembrou-me até, por vezes, o que Juan Cavia fez em Balada para Sophie

Nota ainda para a capacidade do autor em colocar as suas personagens em poses muito interessantes e dramáticas (como Jordi Lafebre em Verões Felizes, por exemplo) e com planos de câmara menos clássicos e mais modernos, com vários “picados” e “contra-picados”. Arrisca e fá-lo bem, tornando a leitura bastante aliciante. O trabalho de cores, que é assegurado por Fabien Alquier, também dá a ambiência e tom certo a toda a história. Tudo muito bem feito, diga-se.

A edição da Arte de Autor apresenta capa dura e envernizada, com papel baço, de boa qualidade. No fundo, segue aquilo que tem sido feito na restante coleção da editora, dedicada a Agatha Christie.

Concluo como comecei. A princípio a coleção dedicada a adaptações dos clássicos de Agatha Christie parecia-me uma série “fraquinha”. Mas depois de vários álbuns melhores do que Crime no Expresso no Oriente, a série tem-se afirmado como uma boa coleção de banda desenhada. Para isso também conta o facto de Agatha Christie ter sido verdadeiramente fantástica na invenção do policial. 

Quanto a este Os Crimes do ABC, com um argumento muito criativo e bem pensado, bem como aquela que considero ser a melhor arte ilustrativa de todos os livros desta coleção até agora, recomenda-se, sem dúvida! Aliás, se ainda não leram nenhum álbum desta série e estão curiosos, vão por mim e experimentem este Os Crimes do ABC!


NOTA FINAL (1/10):
8.9


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Hercule Poirot - Os Crimes do ABC, de Frédéric Brémaud e Alberto Zanon - Arte de Autor

Ficha técnica
Hercule Poirot - Os Crimes do ABC
Autores: Frédéric Brémaud e Alberto Zanon
Editora: Arte de Autor
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Setembro de 2021