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quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Análise: Astérix na Lusitânia

Astérix na Lusitânia, de Fabcaro e Didier Conrad - ASA

Astérix na Lusitânia, de Fabcaro e Didier Conrad - ASA
Astérix na Lusitânia, de Fabcaro e Didier Conrad

A série Astérix continua a ser uma das franquias de banda desenhada com mais sucesso no mundo e, sempre que há um novo livro, são milhões os fiéis leitores que ficam ávidos por mais uma história de Astérix, Obélix e companhia. É assim em todo o mundo e Portugal não é exceção. Mas, desta vez, a saudável loucura perante o mais recente livro da série é ainda incrementada pelo facto de esta ser a primeira aventura dos gauleses que tem lugar em Portugal - ou em terras lusitanas, se preferirem os mais preciosistas. 

Astérix, Obélix e Ideiafix já visitaram muitos locais do mundo ao longo das suas inúmeras aventuras, mas só agora meteram o pé em Portugal. Naturalmente, compreende-se o acréscimo de agitação comercial que se tem sentido em Portugal. Posso dizer-vos que são muitas - mesmo muitas! - as pessoas que, não lendo banda desenhada, me têm dito que vão comprar, ou já compraram, o livro. Enquanto incansável defensor da banda desenhada e da promoção desta, isso deixa-me feliz, claro. Embora me deixe, ao mesmo tempo, perplexo perante a forma como as pessoas são redutoras, não demonstrando querer conhecer mais do que o básico. Mas, lá está, olhemos para o "copo meio cheio" - e não para o "copo meio vazio" - esperando que toda esta gente que está a comprar Astérix na Lusitânia ganhe o bichinho para, depois de feita a leitura, querer conhecer mais banda desenhada.

A expectativa para este livro era grande, claro. Se já todos nos tínhamos divertido com as visitas de Astérix e companhia a locais como Itália, Bélgica, Espanha, Suíça, Alemanha, Reino Unido, Grécia ou Egito, entre outros, saber que, finalmente, passados mais de 40 álbuns, os irredutíveis viriam a Portugal, aguçou o nosso interesse. Mas, infelizmente, estamos perante um álbum que desilude a vários níveis. Sendo o segundo livro que tem Fabcaro como argumentista, revela-se bastante inferior a Astérix e o Lírio Branco que, pelo menos, era mais inspirado e menos formulaico.

Astérix na Lusitânia, de Fabcaro e Didier Conrad - ASA
E começo por aí, pois considero que os responsáveis pelos desígnios da série Astérix precisam de responder à seguinte questão: o que queremos, de facto, de Astérix? Além das boas vendas, mas isso é óbvio. Pretende-se fazer evoluir as personagens e os enredos ou tentar fazer cópias mal amanhadas daquilo que já foi feito? Note-se que não me vão ver a referir aquela velha lenga-lenga do "no tempo do Goscinny é que era bom". Não é essa a questão. O problema, quanto a mim, é que, ou bem que se faz a série evoluir, ou bem que se opta por copiar o que já foi feito. E acho que era preferível a primeira opção.

A história de Astérix na Lusitânia é fraca porque... praticamente não existe. Quer dizer, há um engodo, uma muleta narrativa, mas pouco mais que isso. No fundo, este livro de Astérix é um desfile pelos estereótipos associados a Portugal - e alguns deles revelam-se até bastante datados.

A história arranca quando Astérix e Obélix são chamados para ajudar um antigo escravo lusitano, Tristês, que surge na aldeia gaulesa pedindo ajuda para o seu amigo Malmevês que foi acusado de tentar envenenar o imperador César. Ora, tentando ser úteis, isto faz com que a temível dupla de gauleses rume até Olissipo (Lisboa). A partir daqui, desfilam algumas personagens mas sem que haja um real e orgânico desenvolvimento da história. Parece que já lemos esta história em algum lugar, de tão vulgar que a mesma é. Lembram-se, por exemplo, de Astérix na Córsega, de 1973, em que Astérix e Obélix viajaram até à ilha de Córsega para ajudar os locais a resistir à opressão romana? Enfim, mudam os nomes e as caras das personagens, mas a sensação de déjà vu é muito grande.

Tal como Woody Allen foi acusado - com alguma legitimidade, diga-se - de estar a servir-se das cidades onde filmava alguns dos seus filmes (Midnight in Paris, To Rome With Love ou Vicky Christina Barcelona) para que, com esse simples facto de ter a cidade como pano de fundo, conseguir obter um alavancador de sucesso nos seus filmes, sem que, depois, os mesmos fossem suficientemente bons, também isso parece estar a acontecer com este Astérix na Lusitânia. A âncora em que a história se tenta suster reside apenas no facto de a história se passar num território que é novo para a dupla de heróis. Todo o resto parece ser irrelevante.

Quando um livro repetidamente recorre ao mesmo molde, o encantamento inicial transforma-se em previsibilidade e cansaço. E, voltando a Astérix e o Lírio Branco, ao menos nesse caso viu-se uma tentativa de se criar uma história nova, mais impactante. Diferente. Mesmo que também esse livro não tenha sido isento de fragilidades, teve esse mérito. Astérix na Lusitânia é isso: um Astérix que já todos lemos, com uma história mais mal conduzida e mais desinspirada, mas que tem esse apelo a que todos nós, especialmente os portugueses mais parolos, não conseguimos resistir: acontece em Portugal.

E já que falo disso, permitam-me dizer que a representação do povo lusitano por parte de Fabcaro teve alguns bons méritos, é verdade, mas que foram ocultados por um guisado de estereótipos mais desinspirados. Isto porque a ideia que fica é que o argumentista Fabcaro pediu ajuda ao chatgpt, ou a outra plataforma do género, de forma a encontrar quais os estereótipos mais básicos, diretos e lineares da cultura portuguesa, o que, convenhamos, numa série que já se revelou tão inteligente nos tempos de Goscinny ao nível dos estereótipos utilizados, é manifestamente preguiçoso. Temos, claro, alusões ao bacalhau, aos pastéis de nata, aos azulejos, ao vinho verde, à calçada portuguesa, a Viriato, ao elétrico 28, a Cristiano Ronaldo, ao fado, etc. São referências reconhecíveis, claro, mas vazias. Em vez de se construir personagens ou situações que revelem algo genuíno sobre Portugal, opta-se por clichets que funcionam igualmente bem para qualquer país com uma especialidade culinária famosa ou uma celebridade exportável. É preguiça criativa disfarçada de homenagem.

Há, no entanto, um elemento que se destaca pela positiva: a forma como Fabcaro trabalha a melancolia nacional aliada à saudade. Nesse ponto específico, o argumentista consegue ir mais fundo, explorando um traço identitário que não se esgota no postal ilustrado; pelo contrário, revela sensibilidade e subtileza, tratando a saudade lusitana não apenas como uma piada, mas como uma emoção culturalmente rica, com peso existencial e poético. É precisamente aí que o álbum escapa ao simplismo e mostra um olhar mais atento sobre aquilo que, de facto, distingue a alma portuguesa. Talvez o livro fosse melhor se o argumentista se tivesse focado mais nesta questão, quanto a mim mais profunda.

Além disso, e embora apresentada de forma mais ténue do que em outros álbuns, apreciei também uma certa crítica social aos tempos do presente, com especial enfoque na globalização, no consumismo e no turismo.

Astérix na Lusitânia, de Fabcaro e Didier Conrad - ASA
Se o vilão de Astérix e o Lírio Branco se revelou uma bela surpresa, o vilão desta história, Sacanês, não me parece propriamente inesquecível. Na verdade, até mesmo Astérix e Obélix parecem um pouco desligados, como se os autores os pusessem em piloto automático. Os protagonistas cumprem o papel esperado, mas não há desenvolvimento ou surpresa, são veículos para gags. A ideia de os transformar em portugueses teve a sua piada, concedo, mas diria que foi algo metido a martelo, sem grande necessidade do ponto de vista narrativo. Mesmo assim, arrancou-me alguns sorrisos.

Há alguns trocadilhos bem conseguidos e divertidos, mas nessa componente do humorismo não posso deixar de lamentar que se tenha optado por colocar uma personagem que, anteriormente, não dizia os "erres", a dizê-los. Até quando é que vamos deixar que haja tantas "frescuras" em relação à forma como o humor pode deixar algumas pessoas ofendidas? Isto merecia todo um texto de 5 páginas, que não me apetece fazer agora, até porque esta análise já vai longa, mas deixem-me só levantar esta questão: quem é que controla a bitola do que é politicamente correto e do que não é? É que, meus caros, ou nos deixamos de frescuras e deixamos o humor ser - como sempre deve ser - livre ou, então, abrimos o precedente de nos sentirmos ofendidos com tudo. E aí não há volta a dar e podemos afirmar que o humor está oficialmente morto. Se se achou que ter uma personagem africana a dizer mal os "erres" era ofensivo... porque não se achou que considerar os portugueses saudosistas ou melancólicos era ofensivo? Percebem o que quero dizer? Ou há regras iguais para todos ou parem de uma vez por todas com este exercício ridículo da moda. Quanto a mim, a bem do humor independente e livre, gosto que se brinque com as coisas que me caracterizam, seja a minha nacionalidade, a minha raça, o meu género, a minha cor, a minha cultura ou a minha pessoa. Mas, enfim, parte do mundo parece ainda não estar pronta para esta conversa.

Avançando, do ponto de vista visual, o trabalho de Didier Conrad volta a mostrar-se eficiente. Honrando os desenhos de Uderzo, o autor oferece-nos um trabalho bastante competente. Não estará ao nível de Astérix e o Grifo, um dos melhores da série, com a representação da neve a oferecer-nos um belíssimo desenho e cor, mas cumpre bem. Talvez a representação das Azenhas do Mar ou da cidade de Lisboa pudesse estar mais aprimorada em termos de detalhes no desenho, mas nota positiva, também, para a representação visual de Astérix e Obélix enquanto portugueses. Nem faltam pelos no peito e nos braços a Obélix!

A edição portuguesa da obra é na expectável capa dura brilhante, com bom papel brilhante no interior. Boa impressão e boa encadernação. 

Tenho visto muitas críticas apontadas à edição portuguesa da obra por conter demasiados "ó pás" sempre que há a fala de uma personagem portuguesa. Convém explicar que isso acontece como forma de ultrapassar uma dificuldade de tradução. Na edição francesa da obra, sempre que uma personagem lusitana fala e utiliza uma palavra que termine em "ion", como "situation", por exemplo, essa expressão é apresentada com "ão". A expressão que acabo de inventar, para exemplificar, "cette situation est amusante" seria algo como "cette situatão est amusante". Ora, traduzindo esta expressão para português, perder-se-ia a piada original. Para colmatar isso, a editora portuguesa decidiu colocar um "ó pá" em cada expressão que é dita com este tipo de trocadilho. Percebo que não era fácil dar a volta a questão, mas junto-me ao coro de vozes que não apreciou esta opção. Se fosse uma piada feita menos vezes, seria menos chata. Assim sendo, torna-se demasiadamente repetitiva. Se bem que, lá está, também na edição original francesa a troca dos "ions" pelos "ãos" se tornará(?) igualmente repetitiva. Não apreciei estes "ó pás", mas tomara eu que isso fosse o pior deste Astérix na Lusitânia. Não me importava que fosse colocado o dobro dos "ó pás", se a história fosse melhor ou mais inesquecível.

Em suma, Astérix na Lusitânia não é péssimo... e até se lê bem. Mas a verdade é que a obra pouco aquece e muito arrefece, mostrando-se desinspirada e com uma representação dos portugueses demasiadamente básica e simplista, o que não deixa de constituir uma oportunidade desperdiçada na única vez em que os heróis gauleses visitam o nosso território. Ao tentar-se seguir a fórmula de ter muitas referências ao povo português, os autores esqueceram-se de uma coisa crucial: a história. Que aqui é meio atabalhoada, forçada e extremamente desinspirada.


NOTA FINAL (1/10):
6.0

Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Astérix na Lusitânia, de Fabcaro e Didier Conrad - ASA

Ficha técnica
Astérix na Lusitânia
Autores: Fabcaro e Didier Conrad
Editora: ASA
Páginas: 48, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 21,8 x 29 cm
Lançamento: Outubro de 2025

segunda-feira, 17 de março de 2025

A nova aventura de Astérix acontece em Portugal!



Ao 41º álbum foi de vez: a próxima aventura de Astérix e Obélix acontecerá em terras lusas!

Foi ontem anunciado que o novo álbum de Astérix, que volta a ter Fabcaro como argumentista e mantém Didier Conrad como ilustrador, sairá no próximo dia 23 de Outubro, com o nome de Astérix na Lusitânia!

Até já há capa provisória que, com os nossos heróis a pisar a emblemática calçada portuguesa, é muito apelativa, já agora. 
Se a curiosidade para cada novo álbum de Astérix é sempre muita, neste ano sai redobrada. Está mais que apresentado o bestseller nacional da BD no mercado nacional.

Mais abaixo, deixo-vos com uma entrevista aos autores deste novo álbum, que nos dão conta das razões escolhidas para que os famosos gauleses viajem pela primeira vez a Portugal, bem como a nota de imprensa da editora ASA!

Astérix na Lusitânia, de Fabcaro e Didier Conrad

Relembrando… Na prancha inédita publicada em dezembro de 2024, Astérix e Obélix estavam a preparar-se para partir numa nova viagem.

E ao contrário do seu périplo pelas longínquas estepes cobertas de neve das terras sármatas (Astérix e o Grifo, 2021), os primeiros indícios apontavam para uma região bem mais ensolarada.

Sob os pés dos nossos dois amigos desenha-se um motivo a preto e branco, constituído por pedras irregulares e típico de um país que eles ainda não conhecem…

Já não há margem para dúvidas: Astérix, Obélix (e Ideiafix!) têm os pés bem assentes numa calçada portuguesa!

Vai ser portanto no extremo ocidental do Império Romano que vamos em breve encontrar os nossos irredutíveis amigos gauleses, num país conhecido pela riqueza dos seus monumentos históricos, pelas suas especialidades culinárias e, sobretudo, pela generosidade dos seus habitantes!

Preparam as trouxas, rumo à Lusitânia!

Astérix vai viajar de novo em 23 de outubro de 2025.









segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Análise: Astérix #40 - O Lírio Branco

Astérix #40 - O Lírio Branco, de Fabcaro e Didier Conrad - ASA - Leya

Astérix #40 - O Lírio Branco, de Fabcaro e Didier Conrad - ASA - Leya
Astérix #40 - O Lírio Branco, de Fabcaro e Didier Conrad

Havia uma grande expetativa para o novo Astérix, intitulado O Lírio Branco, cujo lançamento mundial aconteceu há poucas semanas. Não só porque este é o 40º álbum da série – o que é sempre um número “redondo” e assinalável – como também, e especialmente, porque seria o álbum que assinalaria a entrada de um novo argumentista na série.

Depois de Jean-Yves Ferri ter assegurado os argumentos para cinco álbuns de Astérix, este deu lugar ao argumentista francês Fabcaro. Didier Conrad, que já havia assinado as ilustrações dos álbuns lançados com Ferri, mantém-se como ilustrador deste O Lírio Branco.

Ora, daquilo que tenho visto das reações a este 40º álbum da série, especialmente a nível estrangeiro, tenho verificado que parece haver uma certa euforia com a entrada de Fabcaro na série. Quanto a mim, não partilho da mesma. E não é que Fabcaro não tenha feito um trabalho meritório neste O Lírio Branco. Fê-lo. Mas se havia tantos críticos aos álbuns assinados por Ferri, também não compreendo que agora haja tantos elogios ao trabalho de Fabcaro. Porque ambas as contribuições não estão tão distantes assim. Quer em termos de qualidades, quer em termos de fraquezas. Dito por outras palavras, sinceras, ou os argumentos de Ferri não eram assim tão maus como tanta gente apregoava, ou o argumento deste O Lírio Branco não é tão genial como todos parecem exclamar.

Vamos por partes.

Como habitual nas aventuras de Astérix, temos um tema da atualidade a ser transposto para o tempo dos gauleses e dos romanos. O que, descontextualizando os assuntos, gera muitas situações caricatas que, se conseguirmos olhar para Astérix e Companhia como o mero reflexo da nossa sociedade atual, temos um humor revestido de crítica. O que é bom e mais profundo. E, note-se, não é um daquelas críticas incisivas ou profundas, mas uma leve e divertida forma de olhar para nós mesmos e vermos como certas coisas que temos como certas na nossa vida atual, podem soar tão ridículas ou non-sense com o devido afastamento. Idiossincrasias dos tempos contemporâneos, diria. E é isso que Fabcaro tenta fazer neste 40º álbum de Astérix, procurando trazer à tona o espírito e forma de Goscinny.

Assim sendo, o próprio “Lírio Branco” assume-se como uma nova escola de pensamento positivo, oriunda de Roma, que começa a propagar-se pelas grandes cidades, acabando por chegar à aldeia dos Irredutíveis. Esta ideia de pensar positivo e do discurso motivacional – tão em voga nos tempos atuais – é levada ao extremo, de forma a incentivar os exércitos romanos de César, por um lado, e, posteriormente, passando a plano de ação, para conseguir ferir Astérix e os seus companheiros. Ora, o mentor desta escola de pensamento é Palavreadus que, recebendo luz verde do Imperador César, acaba por ser o mastermind e vilão da história.

Astérix #40 - O Lírio Branco, de Fabcaro e Didier Conrad - ASA - Leya
Se resulta? Certamente! Fabcaro é feliz ao introduzir um tema pertinente dos nossos dias e ao dar-nos algumas piadas que colocam um sorriso na nossa cara. Também há outras piadas menos felizes, ou mais “secas” ou forçadas, onde o argumentista fica aquém. Mesmo assim, o maior louvor que posso fazer a Fabcaro é que esteve particularmente brilhante – levando-me a lembrar algumas das personagens inolvidáveis que Goscinny criou para a série – com a introdução da personagem Palavreadus. É uma personagem divertida, astuta e com uma dupla personalidade uma vez que, sendo romano, procura fazer-se passar por um aliado dos gauleses. Joga nas duas frentes e procura, através de “falinhas mansas”, conquistar simpatia junto dos dois extremos. Isso permite que o argumentista Fabcaro desenvolva muito bem a personagem e que faça com que a mesma fique na nossa lembrança já depois de finalizarmos a leitura de O Lírio Branco. É, quanto a mim, e juntamente com duas ou três piadas bem conseguidas, aquilo que de melhor se retira desta obra.

Porém, também é verdade que, embora comece bem, a meio do livro se sente a narrativa algo arrastada e até algo repetitiva, com a reciclagem de algumas piadas já ditas, anteriormente, no mesmo livro. É, portanto, uma obra que prometia muito ao início, mas que, no final, talvez não corresponda à alta expetativa. Mesmo assim, acaba por ser um livro agradável e leve para se ler.

Quanto ao trabalho de Didier Conrad, considero que continua praticamente igual ao que o autor já nos habituou. Ou seja, há uma clara e fiel proximidade ao trabalho original de Uderzo. Se o autor coloca o seu cunho pessoal, este é muito subtil fazendo com que, a traços gerais, não se notem diferenças (quase) nenhumas com os álbuns de Uderzo.

Astérix #40 - O Lírio Branco, de Fabcaro e Didier Conrad - ASA - Leya
Mesmo assim, pareceu-me que o autor não esteve tão inspirado desta vez. Não é que haja desenhos mal desenhados ou algo demasiadamente negativo, mas, especialmente a nível de detalhes cénicos ou na tentativa de surpreender um pouco ao nível da planificação (conforme o autor já tinha feito, e bem, em álbuns recentes), dá a ideia que Conrad se conteve mais, arriscando menos. Cumpre, claro, mas não é o seu melhor álbum. E muito menos é a sua melhor capa, que me parece das mais desinspiradas de toda a série.

Quanto à edição da ASA, o livro apresenta capa dura brilhante, com bom papel brilhante, boa encadernação e boa impressão. Uma nota de louvor para a tradução. Astérix não é uma série fácil de traduzir – de todo! Há muitos trocadilhos que se perdem na tradução. E, mesmo admitindo que algumas das piadas originais poderão ter sido atenuadas em termos de valor humorístico, acho que a tradução merece nota de louvor. Nota positiva, ainda, para o facto de o livro ter sido lançado em simultâneo com o lançamento mundial. Muito embora isso já seja algo expetável em Astérix, é algo importante para o nosso mercado que não esqueço de mencionar.

Em suma, aprecia-se a lufada de ar fresco que Fabcaro tenta trazer à série, fabricando um ótimo “vilão” e um argumento com várias piadas engraçadas que nos fazem lembrar – com alguma distância, é certo – o brilhante uso de palavras do criador original da série, Goscinny, embora O Lírio Branco também seja um álbum que, ao longo da leitura, perde algum do fulgor inicial. Não obstante, é bom, acima de tudo, ver que Astérix, Obélix e companhia continuam vivos e de boa saúde!


NOTA FINAL (1/10):
7.9



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Astérix #40 - O Lírio Branco, de Fabcaro e Didier Conrad - ASA - Leya

Ficha técnica
Astérix #40 - O Lírio Branco
Autores: Fabcaro e Didier Conrad
Editora: ASA
Páginas: 48, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 21,8 x 29 cm
Lançamento: Outubro de 2023

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

É hoje o lançamento mundial do 40º álbum de Astérix!



E, como não podia deixar de ser, também a edição portuguesa deste novo volume, initulado O Lírio Branco, chega hoje às livrarias portuguesas pelas mãos da editora ASA!

De assinalar é o facto deste 40º volume de Astérix nos apresentar um argumentista estreante, Fabcaro, que é acompanhado nas ilustrações pelo experiente Didier Conrad. Como tal, é forte a expetativa para este novo volume.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Astérix - O Lírio Branco, de Fabcaro e Didier Conrad
«Para iluminar a floresta, basta a floração de um só íris». O Lírio Branco é o nome de uma nova escola de pensamento positivo, vinda de Roma, que começa a propagar-se pelas grandes cidades, de Roma a Lutécia.

César decide que este novo método pode ter efeitos benéficos sobre os campos romanos em redor da famosa aldeia gaulesa, mas os preceitos desta escola influenciam igualmente os habitantes da aldeia que com eles se cruzam…

Que terá por exemplo acontecido ao nosso chefe gaulês preferido e qual a razão para o seu ar tão carrancudo? Descobre esta nova aventura de Astérix em 26 de outubro de 2023!

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Ficha técnica
Astérix #40 - O Lírio Branco
Autores: Fabcaro e Didier Conrad
Editora: ASA
Páginas: 48, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 21,8 x 29 cm
PVP: 11,50€

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Novo álbum de Astérix está quase a chegar!


É já no próximo dia 26 de Outubro, daqui a 10 dias, que o mundo ficará a conhecer aquele que é o 40º álbum de uma das séries de banda desenhada com mais sucesso no mundo!

O novo Astérix tem a particularidade de nos trazer um novo argumentista - Fabcaro - enquanto que as ilustrações continuam a cargo de Didier Conrad.

A edição portuguesa da obra, lançada pela ASA, será lançada em simultâneo com o lançamento mundial, como tem sido feito. E isso é de louvar.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.

Astérix #40 - O Lírio Branco, de Fabcaro e Didier Conrad

O Lírio Branco é o nome de uma nova escola de pensamento positivo, vinda de Roma, que começa a propagar-se pelas grandes cidades, de Roma a Lutécia. 

Os exércitos romanos estão desmotivados e César decide que este novo método pode ter efeitos benéficos, nomeadamente sobre os campos fortificados em redor da famosa aldeia gaulesa. Mas os preceitos desta escola influenciam igualmente os habitantes da aldeia que com eles se cruzam... 

A nova escola de pensamento positivo foi criada pela personagem principal da capa, médico-chefe dos exércitos de César, o «vilão» desta aventura que, naturalmente, traz sempre com ele um lírio branco.

Fabcaro explica-nos o título deste álbum: "Eu queria encontrar um título que se enquadrasse no espírito de Goscinny e Uderzo, em que o tema é muitas vezes encarnado num objeto físico ou numa pessoa (O Caldeirão, O Adivinho, O Grande Fosso, O Escudo de Arverne, A Foice de Ouro...). Aqui, o lírio é um símbolo de bondade e de plenitude."

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Ficha técnica
Astérix #40 - O Lírio Branco
Autores: Fabcaro e Didier Conrad
Editora: ASA
Páginas: 48, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 21,8 x 29 cm
PVP: 11,50€