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quarta-feira, 4 de março de 2026

Murena está de volta!



A ASA prepara-se para editar o mais recente livro da série Murena, de Jean Dufaux e Jérémy!

Trata-se do 13º volume da série, intitulado As Neronia, e deverá chegar às livrarias a partir do próximo dia 17 de Março. Por agora, o livro já se encontra em pré-venda no site da editora.

Com este lançamento, a série portuguesa passa a estar alinhada com a série original, o que também é uma boa notícia para os leitores portugueses.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais da edição original.


Murena #13 - As Neronia, de Jean Dufaux e Jérémy

Na verdade, L. Crassus, ainda bastante jovem, não derivou a sua reputação de ninguém além de si mesmo.

Ele adquiriu um título muito elevado através de uma famosa e ilustre ACUSAÇÃO.

Numa idade em que geralmente se é elogiado pelas suas realizações, L. Crassus mostrou que já era bem sucedido na CORTE, quando poderia ter sido mais meritório exercer a advocacia em casa.

CíCERO
De Officiis (Sobre os Deveres), II.

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Ficha técnica
Murena #13 - As Neronia
Autores: Jean Dufaux e Jérémy
Editora: ASA
Páginas: 46, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 298 x 226 mm
PVP: 17,90€

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Análise: Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 2 - Os Cavaleiros do Perdão - Edição Integral

Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 2 - Os Cavaleiros do Perdão - Edição Integral, de Dufaux, Delaby e Jérémy - Arte de Autor

Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 2 - Os Cavaleiros do Perdão - Edição Integral, de Dufaux, Delaby e Jérémy - Arte de Autor
Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 2 - Os Cavaleiros do Perdão - Edição Integral, de Dufaux, Delaby e Jérémy

Seguindo firme na publicação em volumes integrais da série Fábulas das Terras Perdidas, a editora Arte de Autor editou recentemente o segundo volume da franquia que reúne o segundo ciclo, composto, respetivamente, pelos quatro tomos Moriganes, Guinea Lord, Fada Sanctus e Sill Valt.

Tal como no ciclo anterior, denominado Sioban, neste Os Cavaleiros do Perdão, voltamos a ser mergulhados num universo sombrio, de fantasia medieval, onde a intriga, a violência e o sobrenatural se entrelaçam de forma natural. 

A história inicia-se com a apresentação de uma nova ordem de guerreiros, os tais Cavaleiros do Perdão, cuja presença enigmática marca desde logo o tom da história, que se apresenta pesado, denso e profundamente dramático. 

Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 2 - Os Cavaleiros do Perdão - Edição Integral, de Dufaux, Delaby e Jérémy - Arte de Autor
Acompanha a ascensão da personagem de Seamus, um jovem noviço destinado a tornar-se cavaleiro, cuja coragem é reconhecida por uma vidente, apesar de haver também uma profecia sombria a pairar sobre o seu futuro. Ao lado do veterano Sill Valt, Seamus enfrenta as terríveis Moriganes, criaturas que espalham terror e morte, e embarca numa jornada marcada por batalhas sangrentas, amores impossíveis e dilemas pessoais. 

Entre sacrifícios, traições e revelações, a obra equilibra o drama humano com a fantasia sombria, culminando numa batalha decisiva que sela o destino de Seamus, de Sill Valt e da fada Sanctus. As personagens apresentam-se complexas e atormentadas por paixões e/ou forças maiores que elas próprias, que se vão depois cruzando num enredo que nunca perde de vista a tensão entre poder e espiritualidade, e entre fé e brutalidade. Os elementos de fantasia que se espraiam por toda a trama, como os monstros, as feiticeiras e vários símbolos arcanos são disso exemplo, surgem como manifestações físicas dos medos e desejos mais obscuros, o que faz com que não sirvam apenas de cenário, mas também para intensificar os dilemas humanos.

Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 2 - Os Cavaleiros do Perdão - Edição Integral, de Dufaux, Delaby e Jérémy - Arte de Autor
O ritmo narrativo acelera e conduz o leitor a uma conclusão que, embora previsível dentro da estrutura clássica que Dufaux utiliza, é poderosa e coerente com a atmosfera construída. Diria que não é nas histórias, propriamente ditas, que o trabalho de Dufaux mais brilha, mas sim no world building, na conceção de um universo que se revela credível, rico e carregado de significados.

Não obstante, é no desenho que esta obra atinge o seu auge. Philippe Delaby dá corpo e alma a este mundo com uma mestria rara. A expressividade dos rostos das personagens é impressionante: cada olhar, cada ruga, cada gesto transmite emoções profundas, desde a fúria incontida até à melancolia mais silenciosa. É difícil que não nos sintamos absorvidos por estas expressões e por estas personagens, que elevam a narrativa a um patamar mais visceral.

E isto já para não falar dos cenários que são outro ponto altíssimo: castelos imponentes, florestas ameaçadoras, vilas miseráveis e campos de batalha cheios de movimento e detalhe. Delaby não poupa esforços em transmitir, de forma incrivelmente detalhada, a dureza e a riqueza do mundo medieval-fantástico que Dufaux imaginou. Há um cuidado quase cinematográfico na composição dos desenhos, que transforma cada página numa experiência visual plena.

Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 2 - Os Cavaleiros do Perdão - Edição Integral, de Dufaux, Delaby e Jérémy - Arte de Autor
As vestes, armaduras e ornamentos são tratados com um detalhe minucioso, refletindo tanto a imponência dos nobres como a degradação dos mais pobres. A autenticidade estética, mesmo num contexto fantástico, é notável e dá uma verosimilhança acrescida ao universo representado. É o tipo de trabalho que faz o leitor perder-se na contemplação de uma única vinheta, tal não é a riqueza gráfica.

Também nas cenas de ação, Delaby atinge uma intensidade notável, com as batalhas a revelarem-se brutais, dinâmicas e cheias de energia, transmitindo a sensação de caos e violência de forma quase palpável. Já nas passagens grotescas ou violentas, o impacto é igualmente forte: não há pudor em mostrar a crueza da dor ou da morte. As criaturas parecem surgir das trevas com uma aura de ameaça constante, enquanto as feiticeiras e entidades sobrenaturais são envolvidas numa sensualidade perturbadora. A paleta de cores, vibrante nos momentos de esplendor e sombria nas passagens mais dramáticas, intensifica ainda mais a experiência visual.

Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 2 - Os Cavaleiros do Perdão - Edição Integral, de Dufaux, Delaby e Jérémy - Arte de Autor
Comparando com Rosinski, cujo trabalho no primeiro ciclo já era impressionante, percebe-se como Delaby conseguiu elevar ainda mais a fasquia. Se Rosinski tinha dado vida a este universo com traços vigorosos, Delaby aperfeiçoa a densidade emocional e estética, fazendo com que esta obra supere a anterior. E se a estrutura narrativa de Dufaux permanece clássica e sem grandes riscos, neste ciclo sente-se um autor mais inspirado, mais maduro, a construir um mundo mais consistente e credível. O resultado é um equilíbrio perfeito entre palavra e imagem, que faz de Os Cavaleiros do Perdão uma obra obrigatória para todos o que são fãs de BD de fantasia.

Este ciclo em concreto assume ainda um valor simbólico do ponto de vista artístico, pois trata-se da transição para o traço de Jérémy no último volume, após a morte de Delaby. Apesar da difícil herança, Jérémy consegue manter a qualidade e a coerência gráfica, garantindo uma conclusão digna para o ciclo. 

Em termos de edição, a editora Arte de Autor oferece-nos um livro semelhante em tudo ao primeiro volume: capa dura, com textura suave, e verniz localizado na bela ilustração de capa. No miolo, o livro apresenta bom babel brilhante, boa encadernação e boa impressão. Foram mantidas as ilustrações de capa de cada um dos quatro volumes, o que funciona muito bem. Como conteúdo adicional, há ainda 6 páginas que incluem esboços - um pouco menos do que no volume anterior - e um prefácio à obra por Dufaux, que também nos dá um emocionante texto introdutório do quarto volume do álbum, relembrando Delaby.

Em suma, Os Cavaleiros do Perdão oferece-nos uma bela combinação entre a criatividade e profundidade do universo imaginado por Dufaux e o traço inesquecível de Delaby (com Jérémy a concluir o ciclo com competência), que resulta numa obra de fôlego, capaz de prender o leitor tanto pela intensidade da narrativa como pela beleza visual. É uma série que se lê como uma verdadeira epopeia medieval-fantástica, mas que se contempla também como um objeto artístico de grande valor. Se o primeiro ciclo já era bom, este ainda é melhor!


NOTA FINAL (1/10):
9.2



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 2 - Os Cavaleiros do Perdão - Edição Integral, de Dufaux, Delaby e Jérémy - Arte de Autor

Ficha técnica
Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 2 - Os Cavaleiros do Perdão - Edição Integral
Autores: Jean Dufaux, Delaby e Jérémy
Editora: Arte de Autor
Páginas: 232, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 235 x 310 mm
Lançamento: Abril de 2025

quinta-feira, 15 de maio de 2025

Arte de Autor prepara-se para lançar segundo volume integral das Fábulas das Terras Perdidas!



No próximo dia 23 de Maio, chega-nos o segundo volume integral da série Fábulas das Terras Perdidas, que a editora Arte de Autor tem vindo a lançar.

Este é o segundo de um total de quatro volumes que são esperados. Este segundo integral da série intitula-se Os Cavaleiros do Perdão e inclui quatro tomos, começando e concluindo um ciclo inteiro.

Os desenhos deste ciclo ainda são executados pelo autor Delaby, se bem que as ilustrações do quarto tomo do ciclo são da autoria de Jérémy. Esta edição inclui um caderno de esboços enquanto conteúdo extra.

O livro deverá receber uma exposição dedicada durante o Maia BD onde o argumentista Jean Dufaux também marcará presença.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


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Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 2 - Os Cavaleiros do Perdão - Edição Integral, de Jean Dufaux, Delaby e Jérémy

 As lendas celtas atravessam esta saga mítica para a tornar ainda mais maravilhosa.

Na Idade Média, um grupo de marinheiros desembarca nos pântanos perdidos de uma ilha nos mares do Norte. Estes “Cavaleiros do Perdão” pretendem libertar a terra das garras de uma bruxa, a última das cruéis Moriganes que sobreviveram. Dotado de poderes sobrenaturais, o mais jovem de entre eles é o único capaz de expulsar esta criatura maléfica, que deixa atrás de si cadáveres horrivelmente mutilados. Após uma ausência de 5 anos, regressa este novo ciclo, com Dufaux no argumento e Delaby em sumptuosas ilustrações a cores diretas. As Moriganes, bruxas cruéis, quase desapareceram das densas florestas que assombravam e enfeitiçavam. Mas Sill Valt, líder dos “Cavaleiros do Perdão”, está convencido de que uma das mais temíveis se refugiou nas charnecas de Glen Sarrick. Apenas um dos seus companheiros lhe pode dizer com certeza: o jovem Seamus, que tem uma estranha relação com um misterioso cisne negro e que permite que tanto os bons como os maus presságios cheguem até ele.

1 - Moriganes
Para provar que é digno de confiança, Seamus deve submeter-se a um ritual e oferecer um pouco do seu sangue a Mornoir, uma vidente cujo corpo emaciado jaz no fundo de um poço conhecido como o “Buraco de 0rgast”. Ela confirma a bravura do jovem e prevê-lhe um futuro extraordinário. Mas avisa que, quando ele amar, o seu reflexo trai-lo-á a ele e à sua família! Seamus recusa-se a aceitar esta previsão. Confiante na sua retidão e coragem, acompanha Sill Valt e os cavaleiros até às terras de Glen Sarrick. Infelizmente, chegam tarde demais: a feroz Morigane passou por ali, deixando atrás de si um rasto de cadáveres horrivelmente mutilados. Os camponeses afirmam tê-la visto, descrevendo-a como uma jovem mulher de cabelo vermelho que voa sobre a charneca.
Sill Valt recruta os aldeões mais corajosos para o ajudarem a neutralizar esta criatura maléfica.

2 - Guinea Lord
Seamus e Sill Valt têm de voltar a perseguir os Moriganes, as bruxas que destroem pessoas e terras. A batalha do bem contra o mal! A luta dos Cavaleiros do Perdão contra almas sombrias e cruéis!

3 - Fada Sanctus
No caminho para as terras perdidas, encontramos Sill Valt e Seamus, o jovem noviço que se tornou Cavaleiro do Perdão. Ambos estão envolvidos numa batalha impiedosa contra as forças do Mal para salvar Sanctus, o Morigane que se tornou uma Fada. Enquanto Sill Valt persegue o Senhor da Guiné, mestre do Submundo, Seamus enfrenta Eïrell, o amigo que o Demónio transformou em inimigo. Conseguirá o jovem cavaleiro cumprir a sua missão? A vida do seu primeiro amor e o destino da ilha dependem disso...

4 - Sill Valt
O quarto e último volume do ciclo dos Cavaleiros do Perdão das Fábulas das Terras  Perdidas. Enquanto Seamus segue a fada Sanctus até às ilhas Keruan, Sill Valt quer descobrir o segredo do nascimento do Senhor da Guiné. Para o fazer, tem de enfrentar a mãe do Senhor da Guiné, a Senhora de Arminho: um confronto tórrido e assustador. Jean Dufaux dedica um magnífico álbum à batalha final de um mestre, o último álbum de Philippe Delaby. Como um digno herdeiro, Jérémy presta a Delaby a melhor das homenagens, encerrando este álbum de forma brilhante.

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Ficha técnica
Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 2 - Os Cavaleiros do Perdão - Edição Integral
Autores: Jean Dufaux, Delaby e Jérémy
Editora: Arte de Autor
Páginas: 232, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 235 x 310 mm
PVP: 49,00€

segunda-feira, 24 de março de 2025

Análise: Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 1 - Sioban

Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 1 - Sioban - Edição Integral, de Jean Dufaux e Grzegorz Rosinsky - Arte de Autor

Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 1 - Sioban - Edição Integral, de Jean Dufaux e Grzegorz Rosinsky - Arte de Autor
Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 1 - Sioban - Edição Integral, de Jean Dufaux e Grzegorz Rosinski

​Foi ainda no final do ano passado que a editora Arte de Autor se aventurou numa das suas mais fortes apostas do ano, ao lançar o clássico da banda desenhada europeia Fábulas das Terras Perdidas. Esta é uma longa série, dividida por vários ciclos, na qual o seu argumentista, Jean Dufaux, se faz acompanhar de virtuosos ilustradores para cada um desses ciclos. 

O primeiro ciclo intitula-se Sioban e tem Grzegorz Rosinski como ilustrador. O livro que hoje vos trago reúne numa edição integral os quatro tomos que compõem o primeiro ciclo e que já haviam sido lançados, de forma avulsa, em Portugal há várias décadas. E, já agora, relembro que está nos planos da editora portuguesa a edição, também em integrais, da restante série Fábulas das Terras Perdidas, que contém mais três ciclos para além daquele que hoje vos trago e que, certamente, é o mais conhecido dos leitores portugueses: o Ciclo Sioban, que inclui os tomos Sioban, Blackmore, Dona Gerfaut e Kyle de Klanach.

Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 1 - Sioban - Edição Integral, de Jean Dufaux e Grzegorz Rosinsky - Arte de Autor
Apesar de estar divido em quatro partes, bem poderia estar reunido em duas partes já que, de facto, estamos perante duas histórias. Que se complementam, claro, pois acompanhamos a caminhada da personagem Sioban, mas que também são, de certa forma, independentes. Pelo menos, os dois primeiros tomos funcionariam muito bem de modo solitário.

O enredo do livro é bastante clássico, diria. Sioban é uma princesa destemida que, após a perda do seu reino, embarca numa jornada de vingança contra aqueles que destruíram a sua família. A história, que se ambiente na magia e nos tempos obscuros da Idade Média, é profundamente influenciada pelas lendas celtas, transportando o leitor para um mundo onde a magia e o misticismo estão omnipresentes. ​

Se Sioban é uma bela protagonista carregada de carisma, Blackmore é o perfeito ser maléfico - com maior ou igual carisma do que Sioban - e que tudo fará para aniquilar a protagonista. A história tem espíritos, tem magia, tem criaturas sobrenaturais, tem grandiosas batalhas a espada e a cavalo... enfim, tem tudo ao jeito de uma série clássica de fantasia ambientada na Idade Média. Se, por um lado, pode parecer pouco original em alguns momentos, não deixa de ser verdade que é um autêntico festim para os amantes do género. E uma questão, que funciona como mote ao longo de toda a narrativa, mantém-se até ao final: "É o amor que está no coração do mal, ou é o mal que está no coração do amor?"

Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 1 - Sioban - Edição Integral, de Jean Dufaux e Grzegorz Rosinsky - Arte de Autor
Já conhecia a história mas, relendo-a uma vez mais, voltei a ter a sensação de que estamos perante uma daqueles contos clássicos, com todos os ingredientes obrigatórios para que o mesmo se transforme nisso mesmo: em algo clássico. Jean Dufaux constrói uma trama rica e complexa, em que temas como poder, traição e redenção são explorados com profundidade. A personagem de Sioban é apresentada como uma heroína forte e determinada, cuja evolução ao longo da história reflete as suas lutas internas e externas.​ A fusão de elementos mitológicos com uma história de vingança pessoal confere à obra uma dimensão épica que ressoa com os fãs do género.​

Outro dos aspetos mais cativantes da série, quanto a mim, é a forma como Dufaux e Rosinski conseguem equilibrar momentos de ação intensa com reflexões mais profundas e evocativas sobre a natureza humana e sobre o destino. Esta dualidade enriquece a narrativa e mantém o leitor envolvido do início ao fim.​

Mesmo assim, e embora esta seja uma obra impressionante, não está isenta de falhas. A narrativa, por vezes, pode parecer (demasiado) previsível, recorrendo a arquétipos clássicos da fantasia sem grandes inovações. Além disso, o ritmo da história pode ser irregular, com momentos de grande intensidade seguidos por passagens mais arrastadas. 

Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 1 - Sioban - Edição Integral, de Jean Dufaux e Grzegorz Rosinsky - Arte de Autor
Em termos de ilustração, o trabalho artístico de Grzegorz Rosinski, um dos grandes mestres da banda desenhada europeia, complementa magistralmente o enredo. As suas ilustrações detalhadas e expressivas captam a essência do ambiente medieval e das paisagens sombrias e enevoadas das Terras Perdidas. As cenas de batalha são particularmente notáveis pela sua intensidade visual.​

Aliás, não será descabido afirmar que as paisagens misteriosas e as criaturas fantásticas, servem não apenas como pano de fundo para a história, mas também como uma personagem adicional que influencia o próprio desenrolar dos acontecimentos. Esta construção de mundo detalhada contribui para a imersão total do leitor e Rosinski volta a assumir-se - como também o fez noutras das suas mais emblemáticas obras, como Thorgal - como um dos grandes responsáveis pela justa aclamação da obra.

Mesmo assim, devo admitir que a aplicação das cores e várias técnicas de desenho utilizadas podem ser consideradas como algo datadas para o tempo atual. Não obstante, isso não invalida que esta seja uma obra que persiste bem no tempo, até pelo simples facto de a sua narrativa se ambientar num universo da fantasia histórica que, naturalmente, não destoa da arte que lhe é aplicada.

A edição da Arte de Autor é um verdadeiro mimo para os olhos e para o tacto! O livro apresenta capa dura, com textura suave, e verniz localizado na ilustração que, já agora, é belíssima. Tudo feito com muito aprumo visual. No miolo, o livro apresenta bom babel brilhante, boa encadernação e boa impressão. Foram mantidas as ilustrações de capa de cada um dos quatro volumes, o que é bem-vindo. Como conteúdo adicional, temos ainda 15 páginas com textos informativos sobre o universo das Terras Perdidas, bem como um generoso conjunto de belos esboços de Rosinsky. Este é, portanto, um daqueles integrais a que é difícil resistir.

Em suma, Fábulas das Terras Perdidas é uma obra imprescindível para os amantes de fantasia e banda desenhada. A combinação de uma narrativa envolvente com uma arte deslumbrante tornou esta série, aquando do seu lançamento original, e ainda no tempo atual, como um marco no panorama da nona arte, oferecendo uma leitura que perdura na memória. E em boa hora a Arte de Autor nos trouxe esta obra numa edição de luxo a que é difícil resistir.


NOTA FINAL (1/10):
8.9




Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 1 - Sioban - Edição Integral, de Jean Dufaux e Grzegorz Rosinsky - Arte de Autor

Ficha técnica
Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 1 - Sioban - Edição Integral
Autores: Jean Dufaux e Grzegorz Rosinsky
Editora: Arte de Autor
Páginas: 248, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 235 x 310 mm
Lançamento: Outubro de 2024

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Análise: Murena #12 - Morte de um Sábio

Murena #12 - Morte de um Sábio, de Dufaux e Theo - ASA - LeYa

Murena #12 - Morte de um Sábio, de Dufaux e Theo - ASA - LeYa
Murena #12 - Morte de um Sábio, de Dufaux e Theo

O mais recente volume da série Murena, uma banda desenhada histórica que explora a Roma Antiga com assinalável precisão histórica e profundidade narrativa, foi lançado pela editora ASA no último trimestre de 2024. Este novo volume da série, intitulado Morte de um Sábio, mantém Dufaux enquanto argumentista, mas, à semelhança do que aconteceu nos últimos dois tomos da série, designadamente O Banquete e Lemúria, tem Theo a substituir o falecido Delaby no papel de ilustrador.

Mudança essa que, convenhamos, até tem sido para melhor. Sei que o trabalho que Delaby fez por esta série ao nível dos desenhos, desde o seu começo, sempre foi digno de todos os louvores. Não obstante, antes de ler este Morte de um Sábio dei comigo a ir ler os primeiros volumes da série e até considero que as ilustrações estão agora mais impressionantes e belos do que as de Delaby. Sem desprimor para este último que, obviamente, também teve um trabalho fantástico em Murena. E, claro, foi ele a pensar e a criar a série de raiz, do modo que a conhecemos, e que Theo tem vindo a respeitar.

Murena #12 - Morte de um Sábio, de Dufaux e Theo - ASA - LeYa
Assim, e começando pela parte de ilustração, Theo parece estar cada vez mais à vontade no papel de ilustrador de Murena. A primeira vinheta que abre este álbum, por exemplo, é uma autêntica obra prima da ilustração! Daqueles desenhos que poderiam figurar num museu! E a excelência do trabalho do autor não se fica por aí. Ao invés, espraia-se por todas as 52 páginas do livro, brindando o leitor com fantásticos desenhos de cenários e com um alargado naipe de personagens, rigorosamente personalizadas em termos visuais, e que apresentam uma expressividade e uma linguagem corporal magníficas. As belas cores da autoria de Lorenzo Pieri também são ponto essencial para a beleza que emana de cada uma das páginas deste livro.

O cuidado extremo com os trajes, armas, arquitetura e cenários de Roma mantém-se, então, presente, com as ruas movimentadas, as luxuosas vilas e os decadentes palácios imperiais a serem apresentados com grande realismo, transportando o leitor diretamente para o coração do Império Romano. A meticulosa atenção ao detalhe ajuda a evocar a atmosfera opulenta, mas também decadente, que marca este período da história.

Neste volume, Lucius Murena retorna ao palácio imperial após um período de ausência. A sua memória, ainda afetada pelas drogas administradas por Lemúria, começa a recuperar, enquanto as suspeitas de Nero sobre a sua participação numa conspiração diminuem. No entanto, a identidade misteriosa de Hidra intriga o imperador, que enfrenta delírios cada vez mais intensos, que parecem aproximá-lo da loucura. De resto, a crescente conspiração em Roma e a ascensão de Tigelino, a quem Nero concede plenos poderes, intensificam a tensão. Murena encontra-se numa posição delicada, algures dividido entre uma mulher possessiva e um imperador instável, vendo-se forçado a questionar as decisões que deve tomar.

Murena #12 - Morte de um Sábio, de Dufaux e Theo - ASA - LeYa
A narrativa deste volume é, pois, marcada por uma combinação de ação intensa e intriga entre personagens. Por vezes, fica no ar a ideia de que o argumentista oferece bons elementos e subnarrativas que, depois, acabam por não ser aproveitados. E essa talvez seja a minha principal crítica a esta bela série, e a este Morte de um Sábio em particular, mesmo sendo verdade que a representação da decadência de Roma e a complexidade das intrigas políticas são apresentadas de forma envolvente, mantendo a qualidade que caracteriza a série. 

Aprecio especialmente em Murena o facto desta obra equilibrar rigor histórico com uma narrativa envolvente, proporcionando uma leitura enriquecedora para os fãs de banda desenhada histórica. Todavia, Murena é uma daquelas séries em que é difícil "cair de paraquedas", já que a trama é bastante complexa. Mas isso também faz com que eu tenha que dar os devidos louvores à ASA por ter reeditado os primeiros quatro volumes da série que há muito se encontravam extintos do mercado nacional. Esta é uma daquelas séries para ler a partir do primeiro volume.

A edição da ASA é em capa dura brilhante, com bom papel brilhante no interior. A encadernação e impressão também apresentam a qualidade a que estamos habituados por parte da editora portuguesa. Na parte final do livro, há um glossário para que o leitor possa compreender melhor os factos históricos reais que envolvem as personagens e os eventos que aparecem no livro. Depois disso, ainda há uma nota final de Jean Dufaux sobre este volume.

Em resumo, Morte de Um Sábio mantém a excelência da série Murena, oferecendo uma narrativa rica em intriga e profundidade psicológica, acompanhada por uma arte impressionante que transporta o leitor para o coração da Roma Antiga e que reafirma a reputação de Murena como uma das séries de banda desenhada histórica mais visualmente impressionantes.

NOTA FINAL (1/10):
8.9



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020

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Murena #12 - Morte de um Sábio, de Dufaux e Theo - ASA - LeYa

Ficha técnica
Murena #12 - Morte de um Sábio
Autores: Dufaux e Theo
Editora: ASA
Páginas: 52, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 225 x 296 mm
Lançamento: Setembro de 2024


sexta-feira, 11 de outubro de 2024

"Fábulas das Terras Perdidas" recebe um lançamento integral!


É, possivelmente, a grande aposta da Arte de Autor para 2024! A editora portuguesa prepara-se para lançar no Amadora BD um integral da obra Fábulas das Terras Perdidas, dos autores Jean Dufaux e Grzegorz Rosinsky.

E, meus caros, só de olhar para a lindíssima capa desta edição integral, bem como para o facto de ser um livro que reúne 4(!) tomos e ainda um caderno de extras com esboços originais inéditos, creio que estaremos perante uma das grandes edições do ano. Um daqueles livros que todos aqueles que são apreciadores de uma bela e cuidada edição aclamarão.

Para dissipar dúvidas, a série Fábulas das Terras Perdidas é uma série que ainda se encontra em continuação, mas que é dividida por ciclos, com histórias contidas dentro desses mesmos ciclos. No total, já conta com 4 ciclos e em cada um deles tem havido um novo ilustrador. Portanto, avancem sem medo para este primeiro ciclo com Rosinsky como ilustrador.


Deixo-vos, mais abaixo, com algumas imagens promocionais e com a sinopse da obra.


Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 1 - Sioban - Edição Integral, de Jean Dufaux e Grzegorz Rosinsky


As Fábulas das Terras Perdidas têm todo o poder das histórias de fantasia e a magia das lendas celtas e são um clássico consagrado da fantasia de heróis.

Esta saga, com argumento de Jean Dufaux, opõe a virtude de uma adolescente aos feitiços maléficos de seres maquiavélicos. As linhas vigorosas de Rosinski proporcionam-nos cenários magníficos, onde as batalhas são impiedosamente violentas.

A presente edição em formato integral inclui os 4 volumes, do primeiro ciclo, e inclui caderno de esboços originais e inéditos.

1- Sioban

Sioban é uma princesa sem reino. Mas só sonha com a reconquista e o seu sangue ferve só de pensar em vingar-se dos seus inimigos. Mergulhada na magia e no obscurantismo da Idade Média (650/1066), Sioban é uma mulher excecional nesta banda desenhada ultra-clássica, tanto pelo desenho rigoroso e meticuloso como pelo argumento.

2- Blackmore

Blackmore compreende a ameaça que Sioban representa e tenta eliminá-la com a ajuda de magia negra. Na primeira tentativa, Sioban é salva por Seamus, o guerreiro do perdão. Na segunda tentativa, é o despertar das Fábulas das Terras Perdidas que derruba o seu atacante e a leva à frente de um exército de fantasmas que se prepara para atacar Beldam a partir de terra, enquanto os guerreiros do perdão liderados por Seamus e apoiados pelos habitantes de Eruin Duléa atacam a partir do mar. A lendária batalha de Nyr Lynch estava prestes a ser reencenada, com uma pergunta incómoda como pano de fundo: “Será que o mal está no coração do amor?

3- Dona Gerfaud

Sioban reina sobre Eruin Duléa. A sua mãe entrou para um convento, fugindo da vergonha da sua união com Blackmore e da criança que dela nasceu. Protegida por Seamus, Sioban visita as terras dele. Por acaso, ela conhece um nobre solitário, Kyle de Klanach, e descobre o amor durante uma batalha contra criaturas horrendas. Ao mesmo tempo, Dona Gerfaut, mãe do perverso e fraco senhor de um pequeno baronato em Eruin Duléa, redescobre antigos poderes com o objectivo de ganhar poder tocando no coração de Sioban.
4- Kyle de Klanach

Sioban, filha de Lady O'Mara e do Lobo Branco, governava Eruin Dulea. Mas Dona Gerfaut obrigou-a a beber uma poção do amor que a acorrentou ao seu filho, um estúpido e cobarde idiota. E agora Sioban vai casar-se com Gerfaut e, pior que tudo, vai deixar o seu amigo de sempre, Zog, o adorável ouki, ao cozinheiro: o seu novo marido adora mel ouki!

Os dias negros estão de volta para Eruin Dulea. Graças a Kyle de Klanach, que continua a amar Sioban. E Lady O'Mara fará uma coisa terrível mas salutar para salvar a sua filha da poção. Inspirada nas lendas anglo-saxónicas, Fábulas das Terras Perdidas é uma história cheia de mistério e de horror, mas também de humor e de amor. Esta última parte do ciclo responde finalmente à terrível questão: é o amor que está no coração do mal, ou é o mal que está no coração do amor?

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Ficha técnica
Fábulas das Terras Perdidas - Ciclo 1 - Sioban - Edição Integral
Autores: Jean Dufaux e Grzegorz Rosinsky
Editora: Arte de Autor
Páginas: 248, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 235 x 310 mm
PVP: 49,00€

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Análise: Murena XI - Lemúria

Murena XI - Lemúria, de Jean Dufaux e Theo Caneschi - ASA

Murena XI - Lemúria, de Jean Dufaux e Theo Caneschi - ASA
Murena XI - Lemúria, de Jean Dufaux e Theo Caneschi

Com o lançamento deste Lemúria, a ASA conseguiu estar a par da edição original da série Murena. O que é sempre uma nota positiva e digna de louvores. Este é o 11º volume da série, que sucede a O Banquete, álbum editado já este ano pela ASA. O que atesta, uma vez mais, o bom comprometimento da editora portuguesa para com esta série. Pelo meio, houve ainda a reedição do primeiro volume de Murena.

O que me leva a tecer um comentário sobre a forma meio aos "ziguezagues", como a série tem sido publicada por cá. Aliás, há uns tempos, em conversa com uns amigos que dominam a bd, chegámos à conclusão que nenhum de nós tinha lido todos os tomos da série devido a termos ficado, a determinada altura, perdidos na forma meio anárquica como a série foi publicada por cá. E a verdade é que todos os volumes de Murena até foram publicados por cá. 

Murena XI - Lemúria, de Jean Dufaux e Theo Caneschi - ASA
Senão vejamos: foram publicados dois álbuns duplos, que continham os volumes 3 e 4 e os volumes 6 e 7. Todos os outros foram lançados em volume único. Para baralhar ainda mais as coisas, a ASA decidiu reeditar o volume 1 há uns meses. Todos os fãs da série ficaram radiantes com esta iniciativa da editora, mas, aparentemente, e até agora, pelo menos, a reedição da obra parece ter ficado por aí. Portanto, os volumes 2 e 3-4 estão esgotados. Os outros talvez se possam encontrar ainda por aí. Cada ciclo da série é composto por 4 volumes.

Portanto, chegados aqui, e dado que a ASA continua a publicar a série, acho que seria uma oportunidade de ouro para que a editora portuguesa reeditasse, efetivamente, toda a série. Do primeiro ao mais recente livro. E com um formato e edição estandardizados, se não for pedir muito.

Feita a nota relativamente à edição da série, resta-nos olhar para este volume 11, intitulado Lemúria, que é o terceiro e penúltimo deste ciclo da série, e que traz Theo Caneschi nas ilustrações, mais uma vez, depois de, a partir do volume anterior, este autor ter assegurado a ilustração da série devido ao falecimento do ilustrador original, Phillipe Delaby.

Murena XI - Lemúria, de Jean Dufaux e Theo Caneschi - ASA
Começando até por aí, pela componente da arte ilustrativa, devo dizer que este Lemúria não desilude e apresenta ilustrações muito belas e bem conseguidas, onde tudo parece funcionar bem. Sendo ao jeito do estilo do autor anterior e assegurando, por isso, a continuidade gráfica da série, Theo parece conseguir igualar o autor original em todas as formas possíveis. Se estivermos com os álbuns de um e outro autor abertos, ao lado um do outro, talvez vejamos algumas diferenças ao nível do traço. Mas, tirando isso, e lendo de enfiada este Lemúria, ou o anterior Banquete, tendo apenas presente, na memória, as ilustrações de Delaby, decerto não encontraremos diferenças por aí além. O que me leva a dizer que foi uma substituição perfeita. 

As personagens continuam carismáticas, realistas, expressivas e com uma personalidade muito própria e muito cativante. Há uma grande riqueza e variedade naquilo que nos é dado, com várias cenas de ação ou momentos mais introspetivos, em que somos convidados pelos autores a apreciar os magníficos cenários, tão bem retratados por Theo. As cores, de Lorenzo Pieri, também são muito belas, contribuindo para uma experiência visual muito agradável. Planificação, dinâmica sequencial... está tudo bem feito, também.

Murena XI - Lemúria, de Jean Dufaux e Theo Caneschi - ASA
Quanto ao argumento, a história coloca-nos novamente na Roma Antiga, agora no dia que sucedeu ao grande incêndio de julho de 64, em que o imperador Nero se mantém cheio de dúvidas, e em que o seu amigo, Lúcio Murena, desapareceu. Terá mesmo Lúcio participado numa conspiração contra o imperador romano como muitos afirmam? As dúvidas persistem na mente de Nero. Quanto a Lúcio, encontra-se nas mãos de Lemúria, que o tem manipulado com drogas, de forma a torná-lo um mero objeto dos seus prazeres carnais. Mesmo assim, Lúcio consegue fugir dela pois só dessa forma pode recuperar a sua própria lucidez e memória. E, entretanto, aparece Petrónius para o ajudar a reconectar-se consigo mesmo e com o seu passado. 

A trama vai-se então adensando, mantendo a mesma aura daquilo que a série nos tem dado até agora. Confesso que para mim, que andei afastado desta série alguns anos, tive alguma dificuldade em recordar certos eventos que aparecem mencionados neste Lemúria de forma direta ou indireta. Devo, no entanto, dizer que dá para perceber a história, ainda assim mas, claro, a imersão na trama e nas pretensões das personagens, não é tão profunda se já não conhecermos -ou lembrarmos - bem o background da série.

Murena XI - Lemúria, de Jean Dufaux e Theo Caneschi - ASA
Pareceu-me também que a intriga, carregada de diferentes camadas de compreensão, opta por nos embalar de forma lenta enquanto vai tecendo, com vagar, o desenvolvimento das personagens e, mais concretamente, o de Lúcio. Claro que, por ventura, se pode acusar este Lemúria de não ter muitos acontecimentos propriamente ditos. Não obstante, mesmo que possa parecer que não se passa grande coisa neste 11º volume, a verdade é que o argumentista Dufaux adensa bem a trama, doseia os acontecimentos e prepara-nos para um próximo álbum que, certamente, dará resposta às (muitas) questões que ficam em aberto neste volume. 

Como ponto menos positivo, acho que, por vezes, o autor divaga um pouco em termos de narrativa, o que faz com que a história não fique tão bem sequenciada em si mesma. Como se houvesse uma certa aleatoriedade em alguns acontecimentos que, depois, acabam por não ser tão relevantes assim.

A edição da ASA é em capa dura, com bom papel brilhante e encadernação e impressão de qualidade. Semelhante à maioria dos lançamentos da editora, diga-se.

Em nota final, devo dizer que Murena está de boa saúde e recomenda-se. Os desenhos continuam belos e o enredo continua propenso a muitas intrigas que captam o nosso interesse. Esta série merecia ser integralmente (re)editada em Portugal. Em álbuns duplos, em 3 álbuns integrais ou em 12 volumes (quando sair o 12º volume, que ainda está a ser feito, relembre-se). Com a editora o quiser! Mas faça-o! Por favor. Porque, convenhamos, para um leitor português que se esteja a iniciar na série ou para os muitos leitores que, como eu, se foram afastando da mesma devido ao ritmo e forma de publicação da série muito intermitente, é difícil (voltar a) pegar nesta série. E é uma pena porque Murena é fabulosa!


NOTA FINAL (1/10):
8.8



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Murena XI - Lemúria, de Jean Dufaux e Theo Caneschi - ASA

Ficha técnica
Murena XI - Lemúria
Autores: Jean Dufaux e Theo Caneschi
Editora: ASA
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Setembro de 2021

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Lançamento: Murena XI - Lemúria




Já se encontra em pré-venda o novo livro da ASA, que deverá estar disponível a partir de amanhã, 5 de Outubro! 

Trata-se do novo e 11º tomo da série Murena, intitulado Lemúria, que é assinado pelos autores Jean Dufaux e Theo Caneschi.

Abaixo, fiquem com a sinopse da obra e algumas imagens promocionais da edição original.


Murena XI - Lemúria, de Jean Dufaux e Theo Caneschi
Estamos na Roma Antiga e o imperador Cláudio assiste a mais um combate de gladiadores, que se defrontam em plena arena com a vã esperança de sobreviver.

À margem destes trágicos acontecimentos, outros complôs se tecem na sombra, sempre sob o mesmo pano de fundo: o poder!

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Ficha técnica
Murena XI - Lemúria
Autores: Jean Dufaux e Theo Caneschi
Editora: ASA
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 16,00€