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quinta-feira, 24 de março de 2022

Análise: Dylan Dog - O Número Duzentos

Dylan Dog - O Número Duzentos, de Paola Barbato e Bruno Brindisi - A Seita

Dylan Dog - O Número Duzentos, de Paola Barbato e Bruno Brindisi - A Seita
Dylan Dog - O Número Duzentos, de Paola Barbato e Bruno Brindisi

Ainda durante o último Amadora BD, entre o (muito) generoso conjunto de bandas desenhadas que a edita A Seita lançou nessa altura, estava este Dylan Dog – O Número Duzentos, de Paola Barbato e Bruno Brindisi. Para mim, que sou fã da série, é sempre uma boa notícia saber que a editora publica mais um livro do Detetive do Pesadelo.

Esta é uma história que, remetendo para as origens de Dylan Dog, se torna obrigatória para melhor conhecer esta personagem emblemática, que tanta gente tem encantado ao longo dos anos. Os que já são fãs da série não poderão perder este livro e os que ainda não deram uma hipótese a Dylan Dog, podem muito bem fazê-lo através deste O Número Duzentos.

Neste livro acompanhamos os primeiros passos de Dylan Dog na sua carreira enquanto investigador do paranormal. Todos os inícios são um pouco atabalhoados e é também dessa forma que o protagonista se inicia nos primeiros casos que lhe aparecem. Um pouco sem saber bem como vai ter sucesso com a sua nova opção profissional. Ficamos também a saber como Dylan Dog conhece Groucho e como este se torna assistente do primeiro. Ou como o herói deixa a polícia e se instala na célebre casa de Craven Road.

Dylan Dog - O Número Duzentos, de Paola Barbato e Bruno Brindisi - A Seita
A história de O Número Duzentos é apresentada como sendo uma sequela de Até que a Morte vos Separe, também publicado em Portugal pela mesma editora. Por isso, reagindo aos eventos dessa história marcante, que culminou na morte de Lillie, o amor da vida do herói, a argumentista Paola Barbato avança a partir desse ponto de perda, para nos mostrar um lado sério e trágico em Dylan Dog, ao desvendarmos que o mesmo atravessa um período em que está totalmente consumido pelo alcoolismo. Para lidar com essa fase de autodestruição, as personagens de Groucho e, especialmente, do Comissário Bloch, assumem bastante relevância. Com efeito, diria até que o Comissário Bloch tem neste livro uma sub-narrativa, só para si, e paralela ao percurso de Dylan Dog, que o torna imprescindível para a história.

Acaba por ser um conto sensível e emotivo, bem construído por Barbato, e que se torna muito relevante para o estreitamento da relação que já temos com Dylan Dog. Se já gostávamos dele, acho que ainda gostamos mais, após a leitura deste livro.

Dylan Dog - O Número Duzentos, de Paola Barbato e Bruno Brindisi - A Seita
Quanto às ilustrações que nos são dadas por Bruno Brindisi, temos um bom trabalho que cumpre um bom nível ao longo da obra. Não será o Dylan Dog mais bem desenhado ou mais visualmente apelativo de que tenho memória, mas também não há muito em que se lhe possa apontar o dedo de forma negativa. É um desenho bom e eficiente que nos conta bem, em termos gráficos, a história pensada por Barbato.

Devo dizer que a capa deste livro é das coisas mais horríveis que vi nos últimos tempos. O desenho das personagens não é o mais feliz principalmente pelas cores, com demasiado contraste, que fazem com que pareça que Dylan Dog e os seus companheiros apanharam um escaldão na Costa da Caparica. Mas isso ainda é o menos grave. Não consigo lidar com aquele número duzentos no fundo, que parece a numeração de um programa televisivo tipo Preço Certo. E, como se não bastasse, ainda temos um fundo dourado que atribui a esta capa um cariz “azeitolas” como é raro encontrar! 

Não pensem que teço estes comentários para “deitar abaixo”, só porque sim. Não, pois não é esse o meu estilo. Escrevo estes comentários porque, de facto, é uma capa que me mete pena. O interior do livro – que é bom – não merecia uma capa destas. Não me canso de dizer – e de escrever, aqui no Vinheta 2020 – que uma boa capa não faz um bom livro, mas certamente ajuda a cativar o potencial leitor para a compra de um livro. Tal como também ajuda a gostarmos ainda mais de um bom livro. É quase como as relações amorosas. O que mais importa é – ou deveria ser – a beleza interior, mas lá que a beleza exterior também é relevante para a total apreciação do todo, lá isso é verdade! Quero, no entanto, ilibar A Seita da responsabilidade desta capa horrorosa. Falei com um dos editores que me disse que a editora portuguesa até fez um esforço, junto da Bonelli, para que se usasse outra capa. Mas esse esforço foi em vão e A Seita viu-se mesmo obrigada a ter que usar a capa original.

Dylan Dog - O Número Duzentos, de Paola Barbato e Bruno Brindisi - A Seita
De resto, a edição da editora portuguesa obedece aos padrões que a mesma delineou para a Coleção Aleph: pequeno formato, cada dura, bom papel e boa encadernação. No final do livro há, como extras, um desenho original por Bruno Brindisi, uma ilustração de uma capa de Dylan Dog e uma boa introdução ao livro, por parte do editor João Miguel Lameiras. Tendo em conta que o livro original foi lançado a cores, devo dizer que gostaria de ter experienciado esta obra dessa forma. No entanto, também é verdade que acho que a arte ilustrativa do livro até funciona bem a preto e branco e também compreendo que a editora tenha querido manter a unidade na coleção, já que todos os livros são a preto e branco. Aceita-se a opção d’A Seita.

Em suma, não se sintam dissuadidos com a lastimável capa deste livro, já que este O Número Duzentos é mais uma boa história do Detetive do Pesadelo e que, por ser um álbum que procura sedimentar o background de Dylan Dog, assume uma maior relevância ainda. A história é bastante bem construída e a arte ilustrativa faz-lhe jus. Recomenda-se, pois está claro!


NOTA FINAL (1/10):
8.6



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Dylan Dog - O Número Duzentos, de Paola Barbato e Bruno Brindisi - A Seita

Ficha técnica
Dylan Dog - O Número 200
Autores: Paola Barbato e Bruno Brindisi
Editora: A Seita
Páginas: 104, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Outubro de 2021

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Lançamento: Dylan Dog - O Número 200



Já se encontra disponível o novo livro de Dylan Dog!

Intitulado O Número 200, este volume, da autoria de Paola Barbato e Bruno Brindisi, publicado por cá pel'A Seita, já se encontra disponível em banca. 

A história é apresentada como sendo uma sequela de Até que a Morte vos Separe, também publicado em Portugal pela mesma editora.

Quanto às livrarias generalistas, só a partir dos finais do mês de Janeiro é que deverão ter o livro disponível para compra.

Abaixo, deixo algumas imagens promocionais e sinopse da obra.
Dylan Dog - O Número 200, de Paola Barbato e Bruno Brindisi

Criado por Tiziano Sclavi, DYLAN DOG é o célebre investigador do paranormal, o Detective do Pesadelo, uma das mais conhecidas personagens de BD de sempre, cujas aventuras ao mesmo tempo aterradoras, inquietantes e melancólicas, têm encantado leitores - e leitoras - em todo o mundo.

No início da sua carreira como detective do pesadelo, Dylan Dog recorria aos dotes “habilidosos” de Groucho... mas tudo muda quando enfrentam o seu primeiro monstro real. E como deixou ele a polícia, mudando-se para a lendária casa de Craven Road? São muitas as revelações inéditas sobre o passado do Detective do Pesadelo que vão descobrir neste volume, em que o leitor fica a saber tudo aquilo que queria mas nunca tinha ousado perguntar.
O título deste volume, O Número Duzentos, remete para o número da edição original italiana em que foi publicada, mas também ao número do prédio onde o Comissário Bloch vive, e que vai ser cenário dos momentos mais decisivos da história. Nesta história, o leitor vai assistir a um conjunto de revelações inéditas: ficaremos a saber como Groucho se tornou assistente do herói, como Dylan se estabeleceu em Craven Road e se tornou um detective do oculto, descobrimos também que caiu no alcoolismo após a morte de Lillie, e que Groucho e Bloch foram decisivos para que Dylan conseguisse libertar-se do vício. Uma história emotiva e absolutamente definidora da trajectória de uma das mais interessantes personagens dos fumetti, e que, embora possa perfeitamente ser lida de forma autónoma, faz também a ponte com outros episódios marcantes da saga do detective do pesadelo, como Até que a Morte vos Separe (de que é de certa maneira uma sequela) e O Imenso Adeus.
Primeira mulher a escrever uma história de Dylan Dog e uma das mais populares e prolíficas argumentistas da série, Paola Barbato nasceu 1971, e desde que se recorda que sempre escreveu. Em 1996, convenceram-na a apresentar os seus trabalhos em várias editoras, incluindo na Sérgio Bonelli Editore, na redacção de Dylan Dog, série de quem era fã. Contactada pelo editor Mauro Marcheselli, veio a escrever um álbum de Groucho, Il cavaliere di sventura, publicado no Speciale La preda umana. A sua entrada na série mensal ocorreu em 1999 com Il Sonno della ragione (#157), e daí para cá, tornou-se numa das principais autoras da série e numa autora fundamental no desenvolvimento do universo dylaniano. Os seus trabalhos para a Bonelli não se esgotam em Dylan Dog, desenvolvendo argumentos para um extenso conjunto de publicações. Foi galardoada com o Prémio Scerbanenco (que premeia romances policiais) pelo seu romance Mani Nude, e por duas vezes com o Gran Guinigi, primeiro na qualidade de melhor argumentista de 2013, e em 2017, com Corrado Roi, com Ut, para melhor série.

Oriundo de uma família de artistas, Bruno Brindisi nasceu em 1964. Autodidacta, com apenas dezanove anos fundou a Scuola Salernitana com Roberto De Angelis e Luigi Siniscalchi, com quem publicou a revista amadora Trumoon. A sua carreira profissional começa em 1986, desenhando histórias eróticas para a Blue Press e a Ediperiodici. Em 1990, com apenas vinte cinco anos, entra na Bonelli, desenhando alguns episódios de Nick Raider, até entrar na equipa de Dylan Dog, série onde se vai estrear com a aventura Il Male, escrita por Tiziano Sclavi. Desenhou inúmeras outras personagens para a editora, e desnvolveu projectos para o mercado franco-belga. Em 2015, foi galardoado com o prémio Romics d’Oro, apenas um de inúmeros prémios e reconhecimentos que recebeu pelo seu trabalho.

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Ficha técnica
Dylan Dog - O Número 200
Autores: Paola Barbato e Bruno Brindisi
Editora: A Seita
Páginas: 104, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
PVP: 13,00€