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quinta-feira, 28 de março de 2024

Análise: A Viagem do Elefante

A Viagem do Elefante, de João Amaral - Porto Editora

A Viagem do Elefante, de João Amaral - Porto Editora
A Viagem do Elefante, de João Amaral

Com primeira edição em 2014, esta adaptação para banda desenhada, levada a cabo por João Amaral, de A Viagem do Elefante, de José Saramago, caminhou, em 2022, para a sua terceira edição. Ou reimpressão, vá. E isso explica bem, quanto a mim, a importância desta obra em BD. Devo até dizer que será A Viagem de Elefante o melhor e mais relevante livro de João Amaral. Não é perfeito, mas é um livro que faz muitas coisas bem. E tratando-se da adaptação para BD de uma das obras do único prémio Nobel da Literatura portuguesa, José Saramago, foi particularmente oportuno este trabalho de João Amaral.

O livro original de José Saramago foi publicado em 2008 e assume-se como um romance histórico em que se explora, de forma ficcional, um evento real que foi a jornada do elefante Salomão, presenteado pelo Rei de Portugal ao Arquiduque Maximiliano da Áustria, no século XVI. Neste romance que acabou por ser uma das últimas obras publicadas por José Saramago, o elefante Salomão é a personagem principal, e a sua jornada através da Europa, numa longa viagem terrestre, é uma metáfora para explorar temas mais profundos, como a condição humana, o poder político, a religião e a liberdade.

A Viagem do Elefante, de João Amaral - Porto Editora
Um dos aspetos mais marcantes da obra, é a forma como Saramago permite que o elefante seja representado como uma testemunha silenciosa e, ao mesmo tempo, eloquente das vicissitudes da humanidade. Através dos olhos de Salomão, o leitor é levado a uma viagem filosófica e introspetiva sobre a natureza humana e as complexidades do mundo. A narrativa é, pois, rica e multifacetada, continuando a ressoar em quem mergulha pela primeira vez na obra.

Ora, a adaptação para BD com que João Amaral nos brinda - e assinalo que não me parece de todo uma obra fácil de adaptar - consegue fazer justiça ao texto original de Saramago e ser, além disso, uma boa forma de entrada na obra do escritor português. Diria mesmo que, em termos de enredo, João Amaral soube condensar bem o texto original, deixando a perceção no leitor de que são poucas as coisas que se perderam na adaptação. E isso é um mérito de João Amaral, sem dúvida.

O que acho mais louvável nesta obra, é que fica bem presente o modo apaixonante e de total respeito de João Amaral para com a obra original. Talvez por isso, o processo criativo de Amaral tenha durado cerca de dois anos. Gosto especialmente que o próprio José Saramago apareça na obra, enquanto personagem, servindo-nos na função de narrador que nos convida a mergulhar no relato de viagem.

A Viagem do Elefante, de João Amaral - Porto Editora
Em termos de ilustração, também fica claro que, neste A Viagem do Elefante, João Amaral procurou elevar a sua arte a um patamar superior. É certo e sabido que, em termos de expressões faciais e alguma da linguagem corporal das personagens, os desenhos de João Amaral deixem, por vezes, algo a desejar. No entanto, não menos verdade é que, a certos momentos, o autor se consegue transcender. E esses momentos mais gloriosos no que à ilustração dizem respeito, pululam várias vezes neste livro. Destaca-se também a planificação em que o autor tentou ter a máxima dinâmica, com várias soluções narrativas diferentes, de modo a que a leitura se tornasse mais escorreita e mais apetecível.

Nota ainda para a capa, muito bem conseguida. Se muitas vezes acho que um livro vende mal devido a não ter a capa certa, no caso deste A Viagem do Elefante, acho que o livro começa a vender-se assim que olhamos para a sua capa. A ilustração é simples, em sombra, mas funciona perfeitamente, e o grafismo dos elementos também está bem executado. Sendo simples, é uma capa perfeita e inteligente.

A edição da Porto Editora é em capa dura baça. No miolo, o papel é de boa qualidade, embora me pareça que a opção por um papel (tão) brilhante não tenha sido a melhor escolha. O livro abre com um prefácio de Pilar Del Rio, viúva de José Saramago, o que granjeia a esta obra uma clara aceitação, promoção e importância por parte da pessoa que mais privou com Saramago. E, claro, dá mais algumas luzes sobre a feitura da obra em BD.

Em suma, este A Viagem do Elefante, a par de A Voz dos Deuses, é o livro que mais e melhor define João Amaral enquanto autor de banda desenhada. É uma boa adaptação da obra original de Saramago e, com todo o cariz de relevância que, também por isso, traz consigo, é fácil de compreender que já tenha merecido uma terceira reimpressão.


NOTA FINAL (1/10):
7.9



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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A Viagem do Elefante, de João Amaral - Porto Editora

Ficha técnica
A Viagem do Elefante
Autor: João Amaral
Editora: Porto Editora
Páginas: 128, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Novembro de 2014

terça-feira, 22 de agosto de 2023

Análise: A Oeste



A Oeste, de João Amaral

Foi no passado mês de abril que João Amaral voltou ao lançamento de banda desenhada, com um novo livro publicado pela editora Escorpião Azul.

Chama-se A Oeste e volta, como o nome sugere, a ser um western, depois do autor ter lançado, no ano passado Rattlesnake Porém, e mesmo tendo todos os ingredientes clássicos do cânone do género western, desta vez a história passa-se em Portugal, na viragem do séc. XIX para o séc. XX. E, também contrariamente a Rattlesnake, esta nova obra de João Amaral também apresenta um formato italiano (horizontal) e é desenhada a preto e branco.

Aplaudo essa proatividade do autor em não fazer necessariamente "mais do mesmo" mesmo que, obviamente, haja parecenças entre as duas obras, a começar pela protagonista que parece ser a mesma personagem. Com efeito, em alguns casos, se um livro de um autor é feito de uma maneira, isso não pressupõe que o autor não faça as coisas de maneira completamente diferente no livro seguinte. Gosto dessa capacidade de alterar processos que alguns autores têm e João Amaral, certamente, revela engenho de mudança. 

E convenhamos que A Oeste supera Rattlesnake em praticamente todos os cômputos.

Em termos de história, a obra oferece-nos novamente, tal como já indicado, uma personagem feminina como protagonista. E, à semelhança do que acontece em Rattlesnake, aqui também estamos perante uma figura misteriosa de quem ninguém sabe muito. Nem sequer o seu nome é algo que seja apresentado às outras personagens e aos leitores, mas, ainda assim, sabemos que a esta heroína justiceira é conhecida como a Vampira.

Gostei particularmente do início da história que, à boa maneira do célebre western spaghetti que o cinema italiano nos ofereceu, começa com longas cenas mudas que procuram ambientar e apresentar as personagens. Depois disso, temos uma linha narrativa simples. Uma criança vai pedir ajuda a uma localidade, pois a quinta dos seus pais foi tomada de assalto por um bandido. Acontece que esse bandido já tem um passado nefasto com Vampira, o que acaba por permitir que, ao ajudar o rapaz e a sua família, a protagonista consiga matar dois coelhos de uma cajadada e fazer justiça, vingando o seu passado. Se o conseguir, claro está. De resto, a trama é bastante linear.

Uma coisa que é bem-vinda e que, quiçá, poderia ter sido mais bem explorada por João Amaral, é a ambientação política da trama. Como estamos na aurora da implementação da República em Portugal, é interessante que a história volte a colocar em cima da mesa os prós e os contras de um regime monárquico e de um regime republicano. É pena que o tema só apareça mais para o final do livro, mas é, seguramente, algo que considero positivo e que atribui valor à obra.

Onde o livro mais peca é na questão dos diálogos que não parecem, de todo, reais. Isso foi algo que também referi na minha análise a Rattlesnake. E também em A Oeste, os diálogos estão demasiado "a oeste" de estarem bem conseguidos, permitam-me a expressão. Quer no tipo de linguagem, quer na própria quantidade de texto, ninguém fala como as personagens de A Oeste falam. Um exemplo: quando Vampira, falando com a criança João, diz, num só balão, a seguinte frase: “Atacarei depois do sol se pôr, o que já não demorará muito. Preciso, no entanto, que sigas sempre atrás de mim e quando te mandar parar, pares! Lembra-te que, se não me obedeceres, isso poderá ser fatal para nós e para a tua família”. Não só a frase é grande demais para ser proferida de uma só vez, como é completamente inverosímil no estilo de discurso que se teria para com uma criança. Note-se que este foi um exemplo aleatório pois, na verdade, e infelizmente, casos destes acontecem ao longo de todo o livro.

Sem dúvida que, em termos de desenhos, João Amaral se apresenta mais à vontade neste registo a preto e branco, com os seus desenhos a funcionarem bem melhor do que no anterior Rattlesnake. Lembro-me que, uma das minhas críticas a esse livro foi, aliás, a presença de uma grande heterogeneidade no desenho das caras e da fisionomia das personagens. Por vezes, a mesma personagem era desenhada de forma tão diferente, que parecia outra personagem. Em A Oeste isso ainda acontece, mas acontece menos frequentemente. O desenho parece mais bem nivelado entre si, o que aumenta a continuidade visual que é tão importante em banda desenhada. Ainda assim, especialmente na caracterização facial de João, a criança que acompanha Vampira na sua luta, o trabalho de João Amaral poderia ter sido mais consistente.

Não obstante, parece-me óbvio que as ilustrações a preto e branco do autor permitem efeitos muito bem conseguidos a nível de cenário e também da exploração das sombras e do espaço negativo dos desenhos. Sem dúvida que funciona bem melhor. O formato italiano utilizado também acaba por ser propício a uma aura cinematográfica que é bem-vinda. Finalmente, também apreciei especialmente a caracterização visual do vilão da história, que se revela carismática e marcante.

A edição da Escorpião Azul é em capa mole com badanas, papel baço decente e boa encadernação e impressão. Muito em linha com aquilo que a editora normalmente nos oferece.

Em suma, A Oeste, de João Amaral, representa uma melhoria em relação a Rattlesnake. Mesmo sendo verdade que há algumas coisas que poderiam (e deveriam!) ter sido feitas de uma forma mais constante e credível, não deixa de ser verdade que a aposta no preto e branco e no formato italiano permitem um livro mais coeso, que poderá agradar especialmente a fãs do género western em banda desenhada.


NOTA FINAL (1/10):
6.7



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Ficha técnica
A Oeste
Autor: João Amaral
Editora: Escorpião Azul
Páginas: 104, a preto e branco
Encadernação: Capa mole
Formato: 24 x 17 cm
Lançamento: Abril de 2023

terça-feira, 9 de maio de 2023

Já saiu o novo livro de João Amaral!



João Amaral está de volta ao lançamento de banda desenhada!

O seu novo livro denomina-se A Oeste e traz consigo um regresso do autor ao género western, depois de João Amaral ter lançado Rattlesnake no ano passado. 

Posso adiantar-vos que este livro que, na verdade até começou a ser preparado pelo autor antes de Rattlesnake, não é bem um western.
Pelo menos, da forma como normalmente olhamos para este tipo de histórias. Embora, estejam presentes algumas das características habituais do género, claro.

De notar que desta vez João Amaral se apresenta num registo a preto e branco e no formato horizontal (italiano).

Devo dizer que estou bastante curioso com esta obra publicada pela Escorpião Azul.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse do livro e com algumas imagens promocionais do mesmo.

A Oeste, de João Amaral

Dizem que a oeste sopram ventos de mudança...

No entanto, isso pode apenas fazer notar que, afinal, corre no ar um sopro, cujo real propósito é só o de agitar a folhagem, para, na realidade, ficar tudo na mesma. Afinal, os grandes ideais são compostos por homens e nem sempre os que os propagandeiam são os seus melhores elementos. Acausa até pode ser justa, mas, como diz o povo, de boas intenções está o inferno cheio...

Mas a oeste, para além dos ventos, surge também uma aragem gélida, sob a forma de mulher. Ela já enfrentou esses ventos com o único propósito de repor alguma justiça num mundo carente dela. O seu nome ninguém o sabe, apenas é conhecida como vampira, porque tem o propósito de extrair do mundo o sangue ruim que nele corre...

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Ficha técnica
A Oeste
Autor: João Amaral
Editora: Escorpião Azul
Páginas: 104, a preto e branco
Encadernação: Capa mole
Formato: 24 x 17 cm
PVP: 15,00€

quarta-feira, 15 de junho de 2022

Análise: Rattlesnake

Rattlesnake, de João Amaral - Escorpião Azul

Rattlesnake, de João Amaral - Escorpião Azul
Rattlesnake, de João Amaral

Estava bastante curioso para ler este livro, intitulado Rattlesnake (que em português quer dizer “cobra cascavel”), da autoria do português João Amaral. E especialmente por um motivo: é que não é todos os dias que encontramos um western feito por um autor português.

João Amaral já assumiu publicamente que fazer um western em banda desenhada era um sonho antigo e, portanto, a expetativa era alta. Mas, infelizmente, embora este Rattlesnake traga coisas interessantes, a verdade é que peca em algumas características que me parecem elementares. Mas já lá irei.

Olhando para a história, ela apresenta-nos uma protagonista da qual ninguém sabe o verdadeiro nome, mas que é conhecida por “Rattlesnake”. Esta alcunha deriva do estranho assobio, próximo ao som de uma verdadeira cobra cascavel, que emite no momento de cometer um assassinato. Sendo mortífera como uma cobra, a verdade é que a nossa protagonista tem uma conduta de heroína pois, tal como outro herói, luta contra injustiças enquanto protege os mais fracos e vulneráveis.

Rattlesnake, de João Amaral - Escorpião Azul
É por isso que, quando se dá conta que um arrogante proprietário quer retirar as terras a uma família negra, custe o que custar, Rattlesnake intervirá com o seu apoio a esta família perseguida e fragilizada. Para tal, restitui o acesso ao rio que, entretanto, tinha sido desviado pelo infame perseguidor da família em questão. E, além disso, monta uma verdadeira caça ao rato, ludibriando o enorme número de invasores que procura tomar à força as terras de Jim e Carolyn.

Aprecei especialmente a tentativa de fazer um western algo diferente do habitual, especialmente a dois níveis: o de colocar a questão do racismo presente na história e a de ter uma mulher como a heroína da aventura. São coisas que raramente vemos no género do western. Se a questão do racismo aparece mais bem explorada por João Amaral, pois as observações de foro racista estão quase sempre presentes nas palavras do perseguidor da família negra, a questão de a protagonista ser uma mulher está menos explorada e surge-nos mais como uma opção estética. Mais superficial, portanto. Rattlesnake é uma mulher porque… bem, porque sim.

Rattlesnake, de João Amaral - Escorpião Azul
A história que nos é dada pelo autor é bastante simples, mas funciona razoavelmente bem. Todavia, o principal problema que encontrei na história de Rattlesnake foi na questão dos diálogos e na linguagem que as personagens debitam entre si. Que tornam o texto pouco verossímil para quem o lê pois ninguém fala da forma que as personagens falam. Acho até que alguém poderia ter avisado o autor desta característica, antes que a obra fosse dada como finalizada. É que o texto parece preparado por alguém que habitualmente não escreve. Sei que João Amaral normalmente apenas desenha e que aqui assume a tarefa de argumentista. E isso justifica e atenua, em parte, esta questão do texto. No entanto, quer-me parecer que não seria complicado resolver melhor esta questão dos diálogos que acabam por deixar a história mais desamparada e menos profissional para quem a vai ler. O excesso de balões de pensamento também não contribui para esta questão. João Amaral explica tudo em demasia. Por vezes, uma imagem sem texto diz mais do que uma imagem com texto redundante e pouco plausível.

Rattlesnake, de João Amaral - Escorpião Azul
Do lado da arte ilustrativa, há que dizer que este foi dos livros que li nos últimos meses que considerei mais heterogéneo na qualidade das ilustrações que nos são dadas. Passo a explicar: tão depressa os desenhos são magníficos e verdadeiramente belos, como, logo na vinheta seguinte, são bastante mal concebidos. E torna-se difícil de analisar e perceber uma arte tão desnivelada em si mesma. Exemplo aleatório: nas páginas 46 e 47 temos numa cena noturna algumas vinhetas muito belas, com os cavalos a deslocarem-se, mas também temos uma vinheta no fundo da página 46 onde a cabeça do vilão parece desadequadamente maior do que o corpo que a sustenta. Já para não falar na protagonista, Rattlesnake, que, ao longo do livro, nuns momentos me pareceu uma mulher muito bela e cativante e noutros momentos me pareceu uma mulher feia. Fez-me lembrar uma mulher bonita que conheço (não direi o nome para não ter problemas, naturalmente) mas, por incrível que pareça, em alguns desenhos também me fez lembrar uma mulher feia que conheço (e também não direi o seu nome para não ter problemas, embora eu ache que nenhuma dessas mulheres, nem a bonita, nem a feia, leiam banda desenhada ou o Vinheta 2020). Lá está, falta a tal homogeneidade que traz consigo um certo problema de continuidade e fluidez imersiva na obra.

Rattlesnake, de João Amaral - Escorpião Azul
No entanto, devo sublinhar que há momentos verdadeiramente sublimes nas ilustrações que o autor nos dá. E há que dar mérito ao facto do autor se ter aventurado num álbum pintado a aguarelas. Quando funciona, é verdadeiramente grandioso, reconheço. Mas nem sempre o consegue ser pela tal razão de serem desenhos muito inconsistentes. A sensação com que fico é apenas agridoce porque, centrando-me nas coisas melhores deste Rattlesnake, fico com um sorriso amarelo e com o pensamento que João Amaral conseguiria mais e melhor. Claro que, sendo mais otimista e olhando para o “copo meio cheio” há bons momentos que merecem o meu aplauso também.

Vi pelas redes sociais algumas críticas ao facto de, na capa desta obra, a protagonista exibir a espingarda na mão esquerda quando, na realidade é dextra e não canhota. Meus caros, olhando para a capa, é mesmo esse o maior problema que encontram? É que Rattlesnake nem sequer está a disparar. Só está a segurar a espingarda. Não me parece algo tão grave assim. Mais grave, quanto a mim, é que a ilustração escolhida não é nada feliz. No dossier de extras do livro, no primeiro esboço em que vemos Rattlesnake a montar a cavalo, enquanto olha para o seu lado direito, teríamos uma potencial capa para a obra tão, mas tão, mas tão, mas tão melhor! 

Rattlesnake, de João Amaral - Escorpião Azul
Como é que ninguém se deu conta disto? Nem o autor, nem os editores, nem aqueles que acompanharam a construção da obra? É, também, e mais uma vez, com uma sensação agridoce que olho para esta capa. Agridoce porque não é pelo facto de João Amaral não ser capaz de executar uma bela ilustração – como demonstrei acima – que a capa de Rattlesnake não funciona. Não funciona porque se optou por uma ilustração menos conseguida. Faz-me lembrar a situação de quando um músico lança para single uma música fraca enquanto que o bonus track do mesmo álbum tem uma música maravilhosa.

A edição da Escorpião Azul mantém os standards habituais dos livros do seu catálogo, com capa mole e papel de qualidade decente, mas há aqui algumas coisas que se destacam pela positiva: no início temos um prefácio de Mário Marques e ainda uma honesta - e muito agradável de ler - introdução escrita por João Amaral. E, no final, ainda temos direito a 8 páginas com esboços do autor que, lamentavelmente, me fizeram ficar deprimido com a capa da obra, conforme expliquei acima.

Em suma, este Rattlesnake vale – para os leitores e para o autor - por ser uma primeira abordagem ao estilo western por parte de João Amaral. Há boas ideias e coisas que correram bem, mas também há um bom número de coisas que não correram pelo melhor. E que, ainda por cima, eram facilmente corrigíveis. No final, a sensação é, por isso mesmo, agridoce.


NOTA FINAL (1/10):
6.0



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Rattlesnake, de João Amaral - Escorpião Azul

Ficha técnica
Rattlesnake
Autor: João Amaral
Editora: Escorpião Azul
Páginas: 80, a cores
Encadernação: Capa mole
Formato: 17 x 24 cm
Lançamento: Abril de 2022

segunda-feira, 6 de junho de 2022

BD do faroeste de origem portuguesa!



Foi lançado há umas semanas um western de origem portuguesa. Não é todos os dias que vemos isso acontecer e, portanto, é algo que merece o seu destaque.

A empreitada é da autoria de João Amaral que, sendo um confesso apreciador do género, lança agora o seu primeiro western em banda desenhada. A edição pertence à Escorpião Azul.

O livro foi originalmente lançado na Mostra do Clube Tex, na Anadia, e também se encontrava à venda no Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja.

Deverá chegar a todas as livrarias durante o mês de Junho.

Abaixo, deixo-vos com algumas imagens promocionais e com a sinopse da obra.
Rattlesnake, de João Amaral

O seu nome ninguém o sabe.

Ela é apenas uma mulher conhecida pela alcunha de “Rattlesnake” (cobra cascavel) pelo estranho assobio que faz ecoar às suas vítimas, pouco antes de morrerem às suas mãos.

Da sua personalidade, aparentemente algo distante, também pouco se sabe. No entanto e provavelmente devido a algo que ficou escondido lá atrás no passado, ela denota um profundo senso de justiça.

Sempre pronta para defender os que não têm voz, tem a noção de que vive num mundo onde a ambição e a ganância ditam implacavelmente a lei do mais forte.
É então contra esse estado de coisas que age, utilizando algumas vezes métodos um pouco  ortodoxos, para, no fim, voltar a seguir apenas o seu solitário caminho, rumo ao sol que se ergue e se põe todos os dias para lá do horizonte…

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Ficha técnica
Rattlesnake
Autor: João Amaral
Editora: Escorpião Azul
Páginas: 80, a cores
Encadernação: Capa mole
Formato: 17 x 24 cm

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Lançamento: Rosa, Minha Irmã Rosa - Versão Banda Desenhada




Acaba de ser anunciado o lançamento de Rosa, Minha Irmã Rosa - Versão Banda Desenhada, da autoria de João Amaral, que é publicado pela editora ASA.

O autor, que já tinha adaptado para banda desenhada A Viagem do Elefante, de José Saramago, regressa aos lançamentos de bd, com a adaptação da obra Rosa, Minha Irmã Rosa, da autora portuguesa Alice Vieira, que é responsável pelo prefácio deste lançamento.

Fiquem com a nota de imprensa e imagens promocionais. 


Rosa, Minha Irmã Rosa – Versão Banda Desenhada, de João Amaral 

Trata-se da adaptação por João Amaral de um dos mais importantes romances de Alice Vieira, que assim fica disponível numa nova proposta de leitura desta vez em banda desenhada.

Olá, eu sou a Mariana. 

Até hoje vivia feliz, mas agora os meus pais decidiram que o melhor para todos era eu ter uma irmã. 
Nem sei porque é que isso lhes passou pela cabeça. Penso que não havia necessidade nenhuma de aumentar a família. 

Já cá tínhamos a minha avó Elisa que não se dá muito bem com o progresso ou a minha tia Magda que só gosta de falar com palavras caras e de flores esquisitas como os antúrios ou as estrelícias. 

Para além disso, vivia muito bem com as recordações e as histórias da minha avó Lídia que, enquanto foi viva, soube sempre entusiasmar-me com a sua visão do mundo. 


Portanto, julgo que não havia necessidade de mudar nada. Mas está visto que os meus pais não concordam comigo e decidiram trazer a este mundo a Rosa a quem eu, quer queira quer não, vou ter de me habituar. 

Se ela fosse como a minha amiga Rita, alguém com quem eu pudesse conversar, ainda compreendia o ponto de vista deles. Mas não, a Rosa passa os dias a dormir e não lhe consigo encontrar nenhuma utilidade prática. 

Mas pode ser que um destes dias ela me reserve uma surpresa, quem sabe…

Ficha técnica
Rosa, Minha Irmã Rosa - Versão Banda Desenhada
Autor: João Amaral
Editora: ASA
Páginas: 56, a cores
Encadernação: capa dura
PVP: 13,90€