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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Vem aí o segundo e último volume de "Blast"!



"What a blast!"

A editora Ala dos Livros prepara-se para fazer chegar às livrarias portuguesas, já a partir do próximo dia 8 de setembro, o segundo e último volume de Blast, de Manu Larcenet!

Recordo que a série original contém 4 tomos e que a edição portuguesa desta obra marcante está dividida em dois volumes duplos. O que quer dizer que, daqui a alguns dias, já poderemos reunir nas nossas estantes a obra inteira em português! 

Coisa que, há cerca de um ano, poucos achariam possível, tendo em conta a dimensão da obra. Lembro-me que muita gente achava que nenhuma editora teria a coragem ou a força para editar esta obra. Mas a Ala dos Livros lá provou o contrário.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse e algumas promocionais deste livro que quero muito ler.


Blast - Integral (2/2), de Manu Larcenet

Polza Mancini, ainda sob custódia policial após a morte de uma jovem, relata as suas memórias na busca desesperada pelo Blast, "a explosão" — aqueles momentos mágicos que o transportam para outro lugar —, bem como as suas estadias em hospitais psiquiátricos, os seus terrores e pesadelos...
O segundo e último volume integral daquela que é por muitos considerada como a obra-prima de Manu Larcenet, uma obra artística exemplar, Blast, não deixará ninguém indiferente. Primeiro, pela sua forma: quatro álbuns publicados em Portugal em dois volumes integrais densos, sombrios e trágicos, repletos de humanidade transbordante e selvajaria fascinante. Depois, pelas suas qualidades gráficas e narrativas excepcionais que o tornam uma rara preciosidade editorial. Este segundo integral encerra, com rara mestria no argumento, a viagem de um homem cativante. Uma conclusão contundente que deixa o leitor sem palavras.

BLAST, a obra mais pessoal e que muitos consideram a obra maior de Manu Larcenet - (“O Relatório de Brodeck”, “A Estrada”…) – é uma história grandiosa, sombria e dura, carregada de um humanismo comovente.
Depois da publicação de O Relatório de Brodeck, e A Estrada, também da autoria de Manu Larcenet, BLAST, é uma obra marcante e imprescindível, que a ALA DOS LIVROS se orgulha de publicar em Portugal.

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Ficha técnica
Blast - Integral (2/2)
Autor: Manu Larcenet
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 408, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 225 x 280 mm
PVP: 49,90€

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Análise: Blast - Edição Integral - Volume 1 de 2

Blast - Edição Integral - Volume 1 de 2, de Manu Larcenet - Ala dos Livros

Blast - Edição Integral - Volume 1 de 2, de Manu Larcenet - Ala dos Livros
Blast - Edição Integral - Volume 1 de 2, de Manu Larcenet

Um dos lançamentos de banda desenhada que está a marcar o início deste ano - e, julgo, continuará a marcar todo o ano - é a mais recente edição da Ala dos Livros que dá pelo nome de Blast, de Manu Larcenet, autor de quem a editora portuguesa já lançou os fabulosos álbuns O Relatório de Brodeck A Estrada. Também a obra O Combate Quotidiano já teve edição em Portugal mas, dessa vez, pelas mãos das editoras A Seita e Arte de Autor.

Originalmente editada em 4 volumes, Blast é, na verdade, uma mini-série, que a editora Ala dos Livros optou por editar em dois volumes integrais. Cada livro inclui, pois, dois volumes da obra. Neste caso, este primeiro volume que acaba de chegar às livrarias é composto pelos tomos Carcaça Gorda e O Apocalipse segundo S. Jacky. E o facto da editora portuguesa já ter anunciado a edição do segundo volume integral para o segundo semestre de 2026 é uma boa notícia, pois significa que não teremos que esperar (assim) tanto tempo para podermos concluir a leitura desta singular obra.

Blast - Edição Integral - Volume 1 de 2, de Manu Larcenet - Ala dos Livros
A história deste Blast gira à volta de um interrogatório entre dois inspetores e o protagonista da obra, Polza, um homem cuja obesidade mórbida salta à vista no primeiro momento e que, aparentemente, está relacionado com algum crime ocorrido. Não sabemos que crime foi esse, mas são-nos dadas algumas luzes, já que o nome de Carole Oudinot é referido como estando em coma artificial e com respiração assistida. E tudo indica que Polza está implicado no ataque a essa mulher. 

Então, começando a sua história pelo princípio - mesmo pelo princípio! - Polza confidencia aos inspetores, e a nós, que a sua profissão era a de escritor mas que, após o falecimento do seu pai - uma figura de assaz relevância no seu percurso - decide largar a vida que vivia, experenciando um novo sentimento de libertação. Libertação essa que advém especialmente da sua família, à qual já não precisa de agradar, mas não só. Consequentemente, abandona a sua profissão, deixa a sua mulher e decide ser vagabundo. Não um sem abrigo, mas um vagabundo. Passa a viver na floresta e diz ter o melhor dos verões da sua vida devido a esta mudança. Pelo seu caminho de vagabundo, encontra algumas pessoas que o impactam - em especial S. Jacky que aparece na segunda parte do livro - e que, assim parece, são também a causa pela qual o obeso protagonista se encontra sentado naquela sala de interrogatório. Há, por parte de Polza, uma recusa consciente da sociedade, mas também uma apropriação romântica de viver à margem. Este homem escolhe a floresta, a errância e o verão eterno. Mas essa felicidade soa sempre suspeita, como um êxtase que cobra juros mais tarde.

Blast - Edição Integral - Volume 1 de 2, de Manu Larcenet - Ala dos Livros
Blast
é uma descida lenta a um território onde a culpa, a memória e o corpo se entrelaçam de forma quase indissociável. Manu Larcenet não nos oferece nesta obra uma narrativa linear nem confortável; oferece-nos antes um espaço de escuta. Escuta densa, pesada, feita de pausas, silêncios e palavras que parecem sempre esconder mais do que revelam. Desde as primeiras páginas, sentimos que esta não é apenas a história de Polza, mas uma anatomia do mal-estar contemporâneo.

A estrutura do interrogatório funciona, pois, como uma moldura claustrofóbica onde tudo acontece. Dois inspetores e um homem sentado. Um corpo excessivo que ocupa o espaço físico e simbólico da sala. Polza é interrogado, mas é também ele quem conduz o ritmo, quem dita o tempo da narrativa. A verdade surge aos soluços, fragmentada, como se cada revelação exigisse um preço emocional demasiado alto para ser paga de uma só vez.

Blast - Edição Integral - Volume 1 de 2, de Manu Larcenet - Ala dos Livros
A obesidade mórbida de Polza não é um mero dado físico; é metáfora viva. O seu corpo parece carregar o peso de tudo aquilo que não foi dito, resolvido ou compreendido. É um corpo que incomoda, que provoca repulsa e curiosidade, tal como as suas palavras. Larcenet obriga-nos a olhar, a permanecer, a não desviar o olhar... como se a leitura fosse também um interrogatório dirigido a nós.

A narrativa em conta-gotas, sem revelar muito de nada, quais preliminares que nos embalam docemente para algo apoteótico, é uma das grandes forças de Blast. Somos conduzidos como os próprios inspetores: ouvintes atentos, desconfiados, ora repelidos, ora seduzidos pelo discurso de Polza. 

Além disso, Polza é uma daquelas personagens que dão gosto ler, porque aquilo que ela tem a dizer parece diferente e, mais uma vez, "fora da caixa". Não sabemos bem se é um impostor ou se é um autêntico poeta e filósofo da modernidade. Ficamos, por isso, sempre na dúvida se estamos perante um visionário ou um mentiroso talentoso. E é isso que dá riqueza à personagem e ao relato. E mesmo não sabendo ao certo o que aconteceu, sentimos que algo se quebrou de forma definitiva. Larcenet constrói esta expectativa com mestria, mantendo-nos num estado constante de inquietação moral.

Blast - Edição Integral - Volume 1 de 2, de Manu Larcenet - Ala dos Livros
O mal-estar atravessa toda a obra: sente-se no corpo de Polza, no seu olhar, nos rostos imóveis dos inspetores, nas pausas longas que dizem mais do que qualquer confissão. Blast é uma obra que pesa, que exige disponibilidade emocional, que não se lê de forma ligeira nem distraída.

Visualmente, Larcenet atinge aqui um dos seus picos criativos. O desenho de Larcenet em Blast é de uma beleza rude e desconfortável, onde cada mancha de negro e cada silêncio entre traços parecem respirar angústia, transformando o papel num espaço vivo de peso, carne e vertigem existencial.

O preto e branco denso, sujo, carregado de cinzentos, constrói uma ambiência sufocante que dialoga intimamente com o texto. As raras pranchas a cores surgem quase como intrusões sensoriais, momentos de rutura que sublinham estados emocionais extremos... os tais momentos de "blast". O traço oscila entre o artístico e o caricatural, conferindo uma humanidade brutal às personagens. Pode parecer estranho ao início, mas logo nos toma nos seus braços.

Blast - Edição Integral - Volume 1 de 2, de Manu Larcenet - Ala dos Livros
As cenas na sala de interrogatório são particularmente exemplares, com o desenho de longos silêncios, recorrendo a enquadramentos fechados e a rostos que falam sem palavras. O jogo de luz e sombra é magistral e quase musical. 

Em termos de edição, o trabalho da Ala dos Livros, está em consonância com a grandiosidade da obra: o livro apresenta capa dura baça, com detalhes a verniz, papel baço de primeira qualidade no miolo e um excelente trabalho ao nível da impressão e da encadernação. Nota ainda, muito positiva, para a fita marcadora em tecido que granjeia ainda mais elegância à edição.

Voltando à obra, e em jeito de conclusão, é Polza a verdadeira estrela da companhia deste Blast, pois assume-se como O Homem Contemporâneo esmagado pelo peso da existência, pela fricção constante entre o desejo de fuga e a impossibilidade de redenção total. 

Blast - Edição Integral - Volume 1 de 2, de Manu Larcenet - Ala dos Livros
Pode-se, portanto, afirmar que, no fundo, o protagonista desta obra é o retrato de todos nós, homens e mulheres do século XXI, gordos ou magros, que, de algum modo, sentimos o peso da nossa existência. Talvez esse peso não seja da carne que nos envolve os ossos, mas de todas as dificuldades, vicissitudes, provações e dramas que enfrentamos, bem como da dor intensa de viver para e junto dos outros. E ainda que nos consideremos - uns mais do que outros - pessoas felizes, realizadas e com objetivos claros de vida, tantas são as vezes em que nos sentimos no abismo, no buraco e na solitude da escuridão, almejando, à custa do que for, apenas esse escape momentâneo que nos é dado num pequeno e fugaz instante de júbilo, de euforia e de um contacto mais profundo connosco próprios e com o mundo, qual momento de explosão interior, qual Blast!

Por outro lado, a única coisa que me faz temporizar o meu júbilo e a minha satisfação perante esta obra é a sensação de que, finda a leitura deste primeiro volume de dois, só considero estar a meio da travessia de um rio tumultuoso. Ainda há muito por resolver em termos narrativos e isso é suficiente para a minha prudência de não conseguir, à data, afirmar que este livro é, sim, algo de fantástico e marcante para toda uma vida de leitor de banda desenhada. Tendo em conta que, após o término da leitura, tudo fica em aberto, será que a obra vai atingir todo o seu potencial? Quero acreditar que sim, que estamos perante um livro de nota máxima e um dos melhores do ano - e dos últimos anos -, mas, por ora, opto pela prudência de lhe dar nota máxima, dizendo que, sim, já dá para dizer sem medo que esta é uma grande e sentida obra, mas que falta ainda chegar a segunda leva da mesma para, nessa altura, poder ter uma opinião mais vincada, completa e formada. Que chegue, então, depressa a publicação desse segundo volume!


NOTA FINAL (1/10):
9.6



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Blast - Edição Integral - Volume 1 de 2, de Manu Larcenet - Ala dos Livros

Ficha técnica
Blast - Edição Integral - Volume 1 de 2
Autor: Manu Larcenet
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 408 páginas a preto e branco (com algumas a cores)
Encadernação: Capa dura
Formato: 225 x 280 mm
Lançamento: Janeiro de 2026

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

"Blast", de Manu Larcenet, vai ser editado em Portugal!


Mas que bela notícia! A conceituada obra Blast, de Manu Larcenet, vai ser editada em Portugal pela Ala dos Livros.

A editora portuguesa já havia provocado os leitores com o seu "livro mistério" de 2025, não revelando que obra especial seria essa, mas estão desfeitas as dúvidas: a obra em questão será mesmo Blast, de Manu Larcenet, que será editada em dois volumes duplos. Relembro que a obra original é constituída por quatro livros.

O primeiro volume deverá estar disponível em janeiro de 2026, o que será uma obra incrível para a editora portuguesa de abrir o seu ano editorial. 

Ainda não se sabe quando nos chegará o segundo e último volume da obra, mas faço votos para que o espaçamento temporal entre um e outro livro seja tão curto quanto possível.

Sabe-se, isso sim, que os leitores que fizeram as encomendas deste "livro mistério" verão os seus livros acompanhados por um ex-libris, numerado e assinado, que partilho mais abaixo. O preço de cada volume será 49,90€.

Dou os meus parabéns à editora por esta aposta de qualidade superior!

Do mesmo autor, relembro, já foram editados em Portugal os fantásticos livros O Relatório de BrodeckA Estrada e O Combate Quotidiano.



terça-feira, 9 de setembro de 2025

TOP 10 - A Melhor BD lançada pela parceria A Seita/Arte de Autor nos últimos 5 anos!


Depois de um período de férias, regresso ao tema que fui desenvolvendo ao longo do mês de agosto: qual a melhor banda desenhada que cada editora lançou nos últimos 5 anos? O período dos 5 anos é apenas escolhido devido a ser o período de atividade aqui do Vinheta 2020. E porque é um número redondo, claro.

Hoje trago-vos algo um pouco diferente: em vez de me focar na banda desenhada editada por uma editora apenas, trago-vos o conjunto de melhores obras editadas pelo esforço conjunto de duas editoras: a Arte de Autor e A Seita. Sei que já publiquei um TOP 10 sobre cada uma destas editoras, mas tendo em conta a muito prolífera parceria editorial entre A Seita e a Arte de Autor, apresento-vos o meu TOP 10 das duas editoras.

Convém relembrar que este conceito de "melhor" é meramente pessoal e diz respeito aos livros que, quanto a mim, obviamente, são mais especiais ou me marcaram mais. Ou, naquela metáfora que já referi várias vezes, "se a minha estante de BD estivesse em chamas e eu só pudesse salvar 10 obras, seriam estas as que eu salvava".

Faço aqui uma pequena nota sobre o procedimento: considerei séries como um todo e obras one-shot. Tudo junto. Pode ser um bocado injusto para as obras autocontidas, reconheço, e até ponderei fazer um TOP exclusivamente para séries e outro para livros one-shot, mas depois achei que isso seria escolher demasiadas obras. Deixaria de ser um TOP 10 para ser um TOP 20. Até me facilitaria o processo, honestamente, mas acabaria por retirar destaque a este meu trabalho que procura ser de curadoria. Acabou por ser um exercício mais difícil, pois tive que deixar de fora obras que também adoro, mas acho que quem beneficia são os meus leitores que, deste modo, ficam com a BD que considero ser a "crème de la crème" de cada editora.

Eis então, as melhores obras que, quanto a mim, a Arte de Autor e A Seita já editaram em conjunto:

terça-feira, 29 de julho de 2025

TOP 10 - A Melhor BD lançada pela Ala dos Livros nos últimos 5 anos!


A propósito da comemoração dos 5 anos de existência do Vinheta 2020, trago-vos um especial que começa a partir de hoje e que procura celebrar e assinalar a melhor banda desenhada que cada uma das principais editoras portuguesas editou nos últimos 5 anos. Durante as próximas semanas tentarei, pois, oferecer-vos um artigo por editora.

Convém relembrar que este conceito de "melhor" é meramente pessoal e diz respeito aos livros que, quanto a mim, obviamente, são mais especiais ou me marcaram mais. Ou, naquela metáfora que já referi várias vezes, "se a minha estante de BD estivesse em chamas e eu só pudesse salvar 10 obras, seriam estas as que eu salvava".

Faço aqui uma pequena nota sobre o procedimento: considerei séries como um todo e obras one-shot. Tudo junto. Pode ser um bocado injusto para as obras autocontidas, reconheço, e até ponderei fazer um TOP exclusivamente para séries e outro para livros one-shot, mas depois achei que isso seria escolher demasiadas obras. Deixaria de ser um TOP 10 para ser um TOP 20. Até me facilitaria o processo, honestamente, mas acabaria por retirar destaque a este meu trabalho que procura ser de curadoria. Acabou por ser um exercício mais difícil, pois tive que deixar de fora obras que também adoro, mas acho que quem beneficia são os meus leitores que, deste modo, ficam com a BD que considero ser a crème de la crème de cada editora.

Em cinco anos de edição ininterrupta de banda desenhada, há naturalmente muitos títulos editados e, como devem calcular, a tarefa não foi fácil e vi-me forçado a excluir obras fantásticas, mas, lá está, há que fazer escolhas e estas são as minhas escolhas.

Hoje começo com uma editora cujo contributo para o lançamento de boa banda desenhada em Portugal é verdadeiramente inegável: a Ala dos Livros.

Esta editora tem um catálogo que considero de extrema qualidade. São (muito!) mais as obras que adoro da editora, do que aquelas de que não gosto. Não foi fácil, mas aqui está o meu TOP

Eis, mais abaixo, as minhas obras favoritas lançadas pela editora Ala dos Livros:

terça-feira, 16 de abril de 2024

Análise: A Estrada


A Estrada, de Manu Larcenet

Depois do lançamento em Portugal de obras tão relevantes do autor Manu Larcenet como O Combate Quotidiano ou O Relatório de Brodeck, a expectativa para a leitura deste A Estrada, do mesmo autor, que a Ala dos Livros acaba de editar, era mais que muita.

Adotando um estilo de ilustração que, mesmo sendo diferente, se equipara ao que o autor francês utilizou no miraculoso O Relatório de Brodeck, Manu Larcenet volta a adaptar para banda desenhada um romance. Desta feita, estamos perante a adaptação de A Estrada, de Cormac McCarthy. Um livro de teor pesado e negro cuja história marcante nos deixa a refletir por longos dias após finda a leitura da mesma.

Esta é, antes de tudo, uma história que nos mergulha de forma visceral e profunda na condição humana num mundo pós-apocalíptico. Mas fá-lo através de uma abordagem que, por um lado, é minimalista, oferecendo poucos ou nenhuns dados ao leitor sobre o porquê da existência de um mundo assim, e, por outro lado, é implacavelmente sombria. Não há zombies nesta história – os verdadeiros monstros são os humanos – mas há um ambiente soturno, triste, sujo e árido que transparece de cada uma das vinhetas magnificamente desenhadas por Larcenet, e que poderia muito bem ser cenário para The Walking Dead, por exemplo.

Voltando à história, se é otimismo aquilo que procuram num livro, seguramente não o encontrarão em A Estrada. Escolham outro caminho, escolham outra Estrada. Neste universo desolado, com cinzas a cobrir toda a superfície, com a humanidade em colapso e com um planeta que deixou de funcionar do modo que conhecemos, apenas há algo a fazer para os que ainda persistem: a luta pela sobrevivência.

E é isso que os protagonistas da história, um pai e um filho, vão fazendo da primeira à última página, enfrentando, claro está, muitas adversidades, revelações e acontecimentos chocantes pelo caminho. Pela longa estrada que têm pela frente. A exploração narrativa que aqui é feita é essa mesma relação de pai e filho. Porque, se o mundo perder a humanidade e a esperança que lhe restam, em que é que nós, humanos, nos poderemos apoiar? No caso das personagens deste A Estrada, a resposta a estas questões parece residir no amor, na proteção e no altruísmo que um pai está disposto a exercer para assegurar que, contra todas as expectativas, o seu filho sobreviverá. Esta luta desenfreada do pai, tão vulnerável perante um mundo tão desolado e carregado de morte e sofrimento, acaba por ser o ponto comovente e impactante de todo o relato.

O conceito é simples e não é propriamente novo ou inovador, mas, mesmo assim, A Estrada é especialmente feliz e original na forma como esculpe um mundo muito próprio e uma trama que não deixa de prender a atenção do leitor.

E, claro, depois há um vasto conjunto de questões morais e éticas levantadas por Cormac McCarthy que, nesta adaptação para BD, Manu Larcenet capta com destreza, pois são muitas as situações extremas que testam os limites morais e a força interior deste pai e filho. Será que num mundo em que cada um procura apenas sobreviver, não olhando a meios para tal, acabamos, todos nós, e de uma forma ou de outra, por perder a humanidade original que nos diferencia dos outros animais? É uma questão aberta a que, também de forma aberta, este livro responde.

Por ventura, sinto que A Estrada carece um pouco de contexto e explicação sobre o mundo pós-apocalíptico onde decorre a ação. Admito que essa escolha funciona bem na parte em que adiciona mistério e uma atmosfera muito próprios à leitura, mas, por outro lado, também deixa muitas perguntas sem resposta operando quase como mero exercício narrativo. É claro que este meu comentário é mais em relação à própria obra original do que à adaptação de Larcenet que replica muito bem não só o espírito, como a história original. Alguns dos eventos da obra original foram retirados, mas parece-me ser justo afirmar que ficou assegurado o essencial da trama.

A história em si já é forte, sim, mas é nas ilustrações e, também, na cadência de ação, em que o autor gere com mestria os vários momentos que sobressaem da leitura que fazemos deste livro: os de solidão, os de marasmo, os de perigo iminente, os de desolação, os de desespero, os de choque, os de silêncio, os de brutalidade, os de amargura.

Com uma força imagética poderosamente singular, Larcenet faz-nos mergulhar de cabeça neste livro onde a dicotomia entre o belo e o horripilante anda de mãos tão bem entrelaçadas, da primeira à última página. Por um lado, são desenhos belos (belíssimos!) que - através de um traço meticuloso que consegue, e por incrível que pareça, oferecer luz através das densas manchas de sombra que toldam as faces dos protagonistas - o autor consegue dar-nos em cada uma das páginas do livro, pois mesmo nas ilustrações mais ínfimas em dimensão, é notório o nível de detalhe e virtuosismo que delas emana. 

Claro que, por outro lado, os desenhos também conseguem ser "feios". Não na execução, mas naquilo que esses desenhos ilustram, isto é, no output que os mesmos perpassam para o leitor. Com efeito, Larcenet ilustra de forma belíssima o feio, o disforme, o hediondo, o horroroso, o indecente, o repulsivo, o chocante. São desenhos que nos fazem engolir em seco ou que nos oferecem um esgar de nojo. E é isso mesmo que é arrebatador no belo trabalho de ilustração do autor.

Se o desenho é espantoso, o uso cirúrgico da cor é deveras impressionante, também. Folheado à pressa, até pode parecer que o livro é a preto e branco. Mas não é. É certo que a cor funciona apenas como um complemento sóbrio, uma nuance artística para dar vida (ou morte) às ilustrações, tentando não tirar o protagonismo ao próprio desenho. Mas, com tons que alteram entre os alaranjados, os amarelados e os cinzas azulados, a utilização que o autor faz da cor é uma autêntica masterclass de como, muitas vezes, “menos é mais”. Se os desenhos já eram lindos, com estas cores ficam ainda mais magnificentes.

E não ficamos por aqui: a maneira como Larcenet arquiteta a história, com uma planificação dinâmica e com enquadramentos que, ora nos oferecem um close-up de um objeto para aumento da tensão vivida pelas personagens, ora nos granjeiam planos afastados em que fica assente a ínfima dimensão física dos protagonistas face à enormidade de devastação que os rodeia, é em tudo muito cinematográfica, roçando a perfeição ao nível da força visual.

A própria ilustração da capa é um portento gráfico e consegue ser uma ótima síntese do que encontramos dentro do livro.

Quanto à edição, feita em simultâneo com a edição original francesa, nada negativo há a apontar. O livro apresenta capa dura e baça e, no miolo, bom papel baço. A impressão e a encadernação também são de boa qualidade.

Em suma, para aqueles que estão dispostos a mergulhar na plena escuridão, A Estrada oferece uma experiência literária profundamente impactante e memorável. É, aliás, difícil que, no final de 2024, não consideremos, em retrospetiva, esta obra como um dos melhores livros de banda desenhada lançados por cá. E isto se não for mesmo o melhor. Aqui, tudo é feito com precisão, com emoção e com uma beleza pérfida que muito raramente encontramos em banda desenhada. Eis uma adaptação de uma obra poderosa profundamente sombria e visceral que explora temas como sobrevivência, desespero e o vínculo entre um pai e um filho num mundo pós-apocalíptico, enquanto examina, ao mesmo tempo, o que significa ser humano num mundo de adversidade extrema. Podem colocar o livro no vosso carrinho de compras virtual ou, se estiverem numa loja física enquanto leem esta análise, levá-lo convosco para a caixa de pagamento: este é mesmo OBRIGATÓRIO!


NOTA FINAL (1/10):
10.0



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Ficha técnica
A Estrada
Autor: Manu Larcenet
Adaptado a partir da obra original de: Cormac McCarthy
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 160, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 298 x 242 mm
Lançamento: Março de 2024

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

A Ala dos Livros vai lançar nova obra de Manu Larcenet!


A editora Ala dos Livros acaba de anunciar que vai lançar mais uma obra de Manu Larcenet!

Depois do fabuloso O Relatório de Brodeck, um dos livros da minha vida, a editora prepara-se para lançar durante a Primavera, A Estrada, o mais recente livro do autor francês. O lançamento desta adaptação a partir da obra original de Comarc McCarthy, ocorrerá em simulâneo com a edição francesa que está pensada para o final do mês de Março.

Relembro que, além de O Relatório de Brodeck, também magnífico O Combate Quotidiano foi editado recentemente em Portugal pelas editoras A Seita e Arte de Autor.

Este é, afinal de contas, um autor cuja obra tem um enorme peso e que se recomenda totalmente!

Como tal, estou super curioso com este novo livro que apresenta um registo de ilustração bastante semelhante à maravilha visual que é O Relatório de Brodeck.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais em francês.


A Estrada, de Manu Larcenet

O apocalipse aconteceu. O mundo está devastado, coberto de cinzas e cadáveres. 

Entre os sobreviventes, um pai e um filho vagueiam por uma estrada, empurrando um carrinho cheio de coisas que supostamente os ajudarão na sua viagem. 

Debaixo da chuva, da neve e do frio, dirigem-se para a costa sul, receando que hordas de selvagens canibais estejam a aterrorizar o que resta da humanidade. 

Depois de "O Relatório de Brodeck", Manu Larcenet volta a adaptar uma grande obra da literatura....










segunda-feira, 9 de maio de 2022

Análise: O Combate Quotidiano (Série Completa)

O Combate Quotidiano (Série Completa), de Manu Larcenet - A Seita e Arte de Autor

O Combate Quotidiano (Série Completa), de Manu Larcenet - A Seita e Arte de Autor
O Combate Quotidiano (Série Completa), de Manu Larcenet

Se há uns meses analisei o primeiro livro de O Combate Quotidiano, de Manu Larcenet, coeditado em Portugal pel’A Seita e pela Arte de Autor, agora que o segundo álbum chegou às livrarias, prefiro basear a minha análise não apenas nesse segundo número, mas em toda a minissérie. Em toda a obra. E, mais abaixo compreenderão porquê.

O Combate Quotidiano foi originalmente publicado em 4 tomos. A Arte de Autor e A Seita optaram por lançar esses 4 tomos em 2 volumes duplos.

E começo esta análise da forma como acabei a análise ao primeiro livro: A sensação final que o livro nos passa é bastante marcante. É um livro (falsamente) simples que, à medida que vai sendo lido, acaba por se impregnar em nós, fazendo-nos questionar certos comportamentos que nós próprios temos. É um verdadeiro manual da maturidade humana, de como ser mais tolerante face à diferença e de como esse comportamento nos leva – a nós e aos que nos rodeiam – à redenção.

O Combate Quotidiano (Série Completa), de Manu Larcenet - A Seita e Arte de Autor
Sim, de facto O Combate Quotidiano, como um todo, é uma obra que deixa marcas no leitor. Pelo seu relato transparente, sincero, cruel, dramático e, muitas vezes, triste, deixa-nos a pensar em muitas questões que aqui são levantadas, já bem depois de finda a leitura.

Não acho que seja um amor à primeira vista. Pelo menos para mim, não foi. O protagonista, Marco, com toda a sua postura irritante, egocêntrica e cheia de "problemas do primeiro mundo", não me conquistou logo nas primeiras páginas. Mas essa era a sua primeira camada. Porque, à medida que a leitura vai progredindo, damos por nós a compreender, a aceitar e a concordar com os problemas e dificuldades na vivência de Marco. Quem de nós não acaba por se rever em Marco, essa personagem tão representativa do mundo contemporâneo e tão habilmente esculpida por Manu Larcenet?

E, claro, depois há também o fantástico trabalho de diálogos, por parte do autor. É que as conversas que as personagens têm entre si são verdadeiramente ricas, com frases marcantes e com questões que nos fazem abanar a cabeça enquanto o nosso sorriso é agridoce. E ainda que o tom da história seja muitas vezes triste, também há redenção em O Combate Quotidiano. Tal como na vida, certo? Não há vidas perfeitas e sem sofrimento. Mas também não há vida que não esteja recheada de coisas magníficas e profundas. Saibamos nós procurá-las e, talvez mais importante, valorizá-las!

O Combate Quotidiano (Série Completa), de Manu Larcenet - A Seita e Arte de Autor
Continuando o percurso de Marco que, no final do volume anterior, 1) perdeu o seu pai de forma chocante; 2) teve uma enorme desilusão ao nível profissional; e 3) foi-se sentido cada vez mais aprisionado por Emily; o protagonista sente-se como que numa espiral de sentimentos negativos que lhe toldam a existência de medos, inseguranças e pânico. Ao nível clínico, mesmo. No entanto, a vida não é apenas um quarto escuro – também há luz dentro e fora das pessoas – e muitas vezes os nossos medos, perante algo que está para vir, são infundados. Tal como, olhando para trás, para aqueles que nos antecederam, encontramos respostas para as pessoas que somos hoje em dia. Mesmo que achemos que somos totalmente diferentes. Se há livros que nos dão muitas lições e tocam em muitos pontos, O Combate Quotidiano é um deles! E, com isto, chega a questão da parentalidade, das mudanças que isso acarreta e como também nos permite conhecermo-nos a nós próprios.

Graficamente, os desenhos desta obra são em estilo caricatural e cartoonesco havendo, todavia, espaço para algumas ilustrações de estilo diferente que o autor utiliza inteligentemente para nos passar uma qualquer reflexão em voz off. As cores, de Patrice Larcenet, são muito belas e atribuem à obra toda a textura cromática que a mesma precisava. 

O Combate Quotidiano (Série Completa), de Manu Larcenet - A Seita e Arte de Autor
Como disse na análise que fiz ao volume anterior, “confesso que me custou a lidar com os olhos das personagens que, por vezes, não apresentam pupilas nem íris e não passam de globos brancos sem expressão. Deu-me sempre a ideia de desenho inacabado. Há certos outros elementos que também mereciam um maior cuidado do autor - já que é justo dizer que ele conseguiria tê-lo feito, se quisesse. Claro que também se deve aceitar e compreender que, possivelmente não era essa a intenção do autor. Além de que nem sequer é isso que estraga o prazer de apreciarmos as ilustrações, mas, a meu ver, se feito de outra maneira, poderia elevar a qualidade visual da obra. Mas também não deixa de ser verdade que, globalmente falando, este é um livro bonito, com bonitas cores e várias ilustrações onde Larcenet nos mostra a sua diversidade e excelente arsenal de soluções gráficas narrativas para construir uma boa história em banda desenhada.

Quanto à edição que A Seita e a Arte de Autor, estamos perante um belo trabalho. A capa é dura e baça, o papel, também baço, é de boa gramagem e a impressão e encadernação são de boa qualidade. O trabalho gráfico do livro também está bem concebido. Sendo que, no segundo volume, ainda há a vantagem de o livro incluir 6 páginas de extras, com notas do autor e fotografias com que o mesmo se inspirou para a feitura desta obra. Tudo muito bem feito.

O Combate Quotidiano (Série Completa), de Manu Larcenet - A Seita e Arte de Autor
E, já agora, se a capa do primeiro volume já era bela, a capa deste segundo volume é magnífica e uma série candidata a melhor capa do ano. A ilustração é linda e passa-nos automaticamente uma sensação de poesia idílica. E até a maneira como o título é colocado em cima da nuvem, funciona lindamente.

Devo dizer que, enquanto leitor, gostaria mais se, em vez das editoras portuguesas lançarem esta obra em dois volumes duplos, o tivessem feito num só volume integral, pois acho que a história é melhor lida dessa forma, corrida. É óbvio que os editores hão-de ter pensado nas várias hipóteses e se optaram por esta possibilidade foi porque consideraram a mais proveitosa/menos custosa para si. Mesmo assim, insisto que esta é uma das obras que, a meu ver, mereceria um volume integral. Seja como for, o mais importante é que a obra foi editada. E é uma bela edição, como já referi. E, apesar de tudo, prefiro que a edição tenha sido em dois álbuns duplos do que nos 4 volumes em que foi originalmente editada em França. Portanto, acho que isto não é bem uma crítica negativa da minha parte mas apenas o desabafo de como considero que (ainda) seria melhor a edição.

Em suma, esta é uma obra essencial da banda desenhada europeia, que merece ser lida e reconhecida por todos! Mais um trabalho da mais alta qualidade que é integralmente publicado em Portugal pelas mãos da Arte de Autor e d’A Seita. Parabéns pela aposta em qualidade superior!


NOTA FINAL (1/10):
9.8



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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O Combate Quotidiano (Série Completa), de Manu Larcenet - A Seita e Arte de Autor

Fichas técnicas
O Combate Quotidiano - Vol. 1
Autor: Manu Larcenet
Editoras: A Seita e Arte de Autor
Páginas: 120, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 215 x 285 cms
Lançamento: Setembro de 2021

O Combate Quotidiano (Série Completa), de Manu Larcenet - A Seita e Arte de Autor

O Combate Quotidiano - Vol. 2 (de 2)
Autor: Manu Larcenet
Editoras: A Seita e Arte de Autor
Páginas: 136, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 215 x 285 cms
Lançamento: Abril de 2022

quinta-feira, 5 de maio de 2022

Segundo e último volume de O Combate Quotidiano acaba de ser publicado!



As editoras A Seita e Arte de Autor acabam de lançar o segundo e último volume da mini-série O Combate Quotidiano, uma autêntica obra-prima da banda desenhada europeia dos últimos anos!

Foi, para muitos, um longo ano de espera entre a publicação do primeiro volume e este segundo livro, mas finalmente, os leitores portugueses podem maravilhar-se com esta fantástica obra de Manu Larcenet, que lhe valeu o Prémio de Melhor Álbum do Festival de Angoulême, em 2004.

Para já assinale-se a linda capa deste segundo volume!

Abaixo, deixo-vos a nota de imprensa e algumas imagens promocionais da obra.
O Combate Quotidiano - Vol. 2 (de 2), de Manu Larcenet

“Uma obra-prima!”
Filipe Melo

Vencedor do prémio para o Melhor Álbum no Festival de Angoulême em 2004, e já adaptado ao cinema em 2015, por Laurent Tuel, O Combate Quotidiano é a obra mais importante de Manu Larcenet, um dos nomes maiores da banda desenhada francesa contemporânea. Um relato com toques de autobiografia de um fotógrafo, que neste segundo volume se confronta com os desejos de maternidade da sua companheira, com a morte do seu pai, e com as fotografias antigas de eventos importantes, e outros menos importantes, comoventes, tristes, alegres... Um livro no qual o autor, através das pequenas coisas da vida do dia-a-dia, continua a questionar a alma humana com uma ternura tremenda, tocando os corações de todos os seus leitores de maneira profunda e permanente.

Com a publicação deste segundo volume, enriquecido por um raro making of que permite compreender melhor o método de trabalho de Larcenet e que reúne os Volumes 3 (O que realmente importa) e 4 (Pregar pregos) da série original, A Seita e a Arte de Autor concluem a edição portuguesa de O Combate Quotidiano, que recolhe, em dois volumes duplos, os quatro volumes da edição francesa original, publicados entre 2003 e 2008. Ficção com contornos autobiográficos, em que o humor anda a par com uma reflexão tocante sobre as pequenas coisas da vida, O Combate Quotidiano representou um momento de viragem na obra do seu criador.

“Uma obra superlativa, em que o traço caricatural ‘infantil’ com cores suaves (o estilo mais habitual em Larcenet) tem um papel fundamental, ao confundir as expectativas do leitor, surpreendendo com um grafismo leve para ilustrar um argumento que não o é.”
João Ramalho-Santos (Jornal de Letras)

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Ficha técnica
O Combate Quotidiano - Vol. 2 (de 2)
Autor: Manu Larcenet
Editoras: A Seita e Arte de Autor
Páginas: 136, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 215 x 285 cms
PVP: 28,00€

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

A Seita e a Arte de Autor preparam-se para causar impacto no mercado da BD em Portugal!


E se a Devir tem excelentes propostas para reforçar o seu catálogo editorial, que dizer, também, da parceria entre as editoras A Seita e Arte de Autor?!

As duas editoras anunciaram na passada sexta-feira as novas obras que se preparam para co-editar ao longo dos próximos meses!

E, meus amigos, preparem-se para livros verdadeiramente apetecíveis!!!

Em primeiro lugar, teremos a publicação do segundo - e último - tomo de O Combate Quotidiano, que apresenta, desde já, a capa mais bonita de todas as que conheço dos vários tomos e edições integrais da série.

Teremos também a reedição de Fado Ilustrado, de Jorge Miguel, autor das obras Shanghai Dream e Sapiens Imperium, ambas publicadas por cá, pela parceria A Seita/Arte de Autor, para além da obra O Cavaleiro do Unicórnio, de Stéphane Piatzszek e Guillermo Gonzalez Escalada, que não conheço mas que aparenta ter uma arte ilustrativa verdadeiramente impressionante.

Para além disso, teremos o novo livro, intitulado Noir Burlesque, do autor Marini, um dos meus ilustradores favoritos, e, também, duas obras de Zidrou, um dos meus argumentistas favoritos de banda desenhada: Naturezas Mortas e Emma G. Wildford!

Se todas estas obras me deixam com um apetite de leitura voraz, tenho que confessar que Dentro da Cabeça de Sherlock Holmes é a obra que mais me deixa empolgado! E não falo apenas em relação a este conjunto de fantásticas obras d'A Seita/Arte de Autor. Falo em relação a todos os livros de banda desenhada que foram lançados nos últimos anos. Daquilo que já pude investigar sobre a obra e sobre a edição, este é um daqueles livros que tem tudo para ser "um dos livros da minha vida". Sim, a minha expetativa é tão grande que até tenho medo de sair defraudado. Mas, ou muito me engano, ou tal não vai acontecer. Resta-me esperar para que chegue rapidamente a altura em que me poderei deliciar com esta obra.

Abaixo, deixo-vos a nota emitida pelas editoras que explica melhor quais as novidades editoriais do seu esforço conjunto:


Plano editorial Arte de Autor e A Seita

Como muitos fãs de banda desenhada portugueses sabem, a Arte de Autor e A Seita iniciaram há um pouco mais de um ano uma colaboração algo inédita no mercado português, para co-editar livros de BD, principalmente de franco-belga. Essa cooperação nasceu de uma conversa fortuita durante o Festival de BD de Angoulême, em Janeiro de 2020, em que nos demos conta de que estávamos a tentar comprar os direitos dos mesmos livros. Dessa conversa surgiu a ideia de, em vez de competirmos e entrarmos numa espécie de leilão, podíamos colaborar e co-editar esse livro. E nasceu o nosso primeiro livro em conjunto, “Shanghai Dream”, de Jorge Miguel e Philippe Thirault, e a intenção de editar outros livros, consoante os projectos editoriais de cada uma das editoras. Em 2021 continuámos essa colaboração: mais um livro do Jorge Miguel, desta feita “Sapiens Imperium” (com Sam Timel), bem como “Os Olhos do Gato”, de Moebius e Jodorowsky, e “O Combate Quotidiano” de Manu Larcenet (o primeiro volume).

Esta colaboração vai continuar este ano, a experiência foi boa e tem havido um bom entendimento entre as duas editoras. Queremos continuar os projectos que nos propusemos começar, claro: continuar a editar a obra de Jorge Miguel em Portugal, e concluir “O Combate Quotidiano”, mas decidimos juntar forças para mais uma série de livros em 2022 e 2023!

E o nosso primeiro anúncio vai para “Noir Burlesque” de Marini, um policial negro e pulp, ambientado nos anos 1950, que junta paixão, crime, ciúme e vingança numa história que é, como o diz o Le Figaro, “a sua homenagem pessoal ao cinema de Hollywood dos anos 50”. Um álbum magnífico a preto e branco e… vermelho! Antecipamos o lançamento do primeiro álbum (de dois) durante o último trimestre do ano.

Noir Burlesque, de Marini

E a verdade é que somos todos fãs de Zidrou, os (muitos!) sócios d’A Seita, e a Vanda da Arte de Autor, e entre “Verões Felizes” e “A Fera” já temos editados alguns livros escritos por este fabuloso argumentista belga. E então... porque não uma colecção Zidrou? Pois bem, foi o que decidimos fazer. Zidrou tem inúmeras histórias completas, pequenos (ou não tão pequenos) romances gráficos, e já no final do ano lançaremos “Naturezas Mortas”, com arte do espanhol Oriol,

Naturezas Mortas, de Zidrou e Oriol


(...) a que se seguirá em inícios de 2023 “Emma G. Wildford”, ilustrado por Edith. São duas histórias maravilhosas, e um convite a que mais leitores portugueses descubram a obra de Zidrou.

Emma G. Wildford, de Zidrou e Edith

Temos também para o final do ano um álbum completo, uma história fechada, “O Cavaleiro do Unicórnio”, uma saga medieval com toques de fantástico e em tons de alegoria sobre a violência, com argumento de Stéphane Piatzszek e arte (deslumbrante!) de Guillermo Gonzalez Escalada.

O Cavaleiro do Unicórnio, de Stéphane Piatzszek e Guillermo Gonzalez Escalada 


E, finalmente, com lançamento previsto para inícios de 2023, temos um álbum que foi um dos grandes sucessos em França nos anos mais recentes, e que é um dos livros de BD mais originais que já vimos: “Na Cabeça de Sherlock Holmes” de Cyril Liéron e Benoit Dahan, um álbum que reúne os dois primeiros volumes da série num livro com mais de 100 páginas que apresenta “O Caso do Bilhete Escandaloso” numa integral com a qual mergulhamos (literalmente!) na cabeça do detective de Conan Doyle.

Na Cabeça de Sherlock Holmes, de Cyril Liéron e Benoit Dahan


Como já dissemos acima, a estes livros juntam-se “O Fado Ilustrado”, a re-edição de uma interessante obra de Jorge Miguel, que segue a história e os meandros da Lisboa do fim do século 19 no célebre através do quadro “O Fado” de Malhoa; 

O Fado Ilustrado, de Jorge Miguel
(Provavelmente a capa será diferente da edição original da Plátano Editora)


(...) e, claro, o segundo volume (e final) “O Combate Quotidiano” de Manu Larcenet, uma das obras-primas deste grande autor franco-belga contemporâneo.

O Combate Quotidiano - Volume Dois (de dois), de Manu Larcenet


São sete livros, distribuídos entre o segundo trimestre do ano (o “O Fado Ilustrado” e “O Combate Quotidiano” serão editados entre Abril e Junho) e o último trimestre de 2022 e primeiro de 2023 (para os outros), que esperamos possam satisfazer os nossos leitores e fãs com mais e melhor BD!